sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Siga o site e pague menos

Fique de olho nas promoções relâmpago feitas pelas lojas online onde é possível encontrar
computadores com até 57,5% de desconto

Marília Almeida

Jornal da Tarde

16/10/2009

O hábito de acompanhar os sites de venda online das principais redes varejistas pode render bons descontos na compra de computadores. A maioria dos sites oferecem desktops (computadores de mesa), notebooks e netbooks (mini-computadores), com descontos que podem chegar a 57,5% em promoções relâmpago. Esta é a economia obtida na compra de um notebook Pentium Dual Core com 2 GB da Semp Toshiba, que sai de R$ 4.699 por R$ 1.999 no site da Shoptime (veja ofertas na tabela ao lado).

Em sites como Americanas.com, Fast Shop e Saraiva, é comum ver a etiqueta 'só hoje', com reduções significativas nos preços de produtos de informática. Passada a promoção, os mesmo itens são encontrados a preços "normais". No site da Fnac, além das ofertas do dia, há mais de 150 produtos de tecnologia com descontos de até 40%.

Para acompanhá-las, vale abusar de ferramentas como e-mail e redes sociais, como o Twitter, microblog onde é possível seguir as promoções instantâneas das empresas, literalmente. Outra boa ferramenta para pesquisa é o comparador de preços, pois a diferença entre um mesmo modelo de computador pode chegar a 70% dependendo da loja virtual, diz Marcelo Salvador, gerente comercial da consultoria E-bit.

"É o momento para aproveitar promoções, pois as lojas estão conseguindo boas negociações em produtos importados por causa da desvalorização do dólar."

Eugenio Foganholo, diretor da consultoria de varejo Mixxer, explica que essas promoções são uma 'isca' para o consumidor acompanhar o site e criar possibilidades para a compra de outros produtos durante a pesquisa.

O músico André Farias Leite da Silva Ramos, 34 anos, conseguiu 12% de desconto em um notebook em uma promoção relâmpago. André achou a oferta após pesquisar quase diariamente nos sites durante oito meses.

"O frete era gratuito, o site oferecia opção de parcelamento em doze vezes e ainda consegui mais 10% de desconto ao optar pelo pagamento com cartão de crédito. Tudo isso fez com que a compra coubesse no meu bolso"

Ipod em 12x sem juros

A Apple lançou sua loja virtual brasileira este mês e oferece brinde para qualquer pedido feito pelo site. Ao acessá-lo, o consumidor encontra condições de pagamentos facilitadas. Qualquer produto pode ser parcelado em até doze vezes sem juros e o frete é gratuito para pedidos acima de R$ 120.

A loja também oferece serviços, como personalização de computadores, gravação gratuita na superfície de Ipods e caixas para presentear.

Para ficar por dentro das ofertas do site, basta inserir e-mail na home do site apple.com/br e se cadastrar para recebê-las.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Caderneta para maiores

Desistência do governo de tributar poupança dá aos grandes investidores vantagens num ambiente de juro baixo.


Valor Econômico

Por Angelo Pavini e Luciana Monteiro, de São Paulo
14/10/2009

A decisão do governo de desistir definitivamente - depois de muitas idas e vindas - da tributação da poupança permite ao investidor com maior volume de recursos aproveitar as vantagens da caderneta neste ambiente de juro baixo. Antes, havia a expectativa de que os ganhos dos saldos acima de R$ 50 mil seriam tributados, o que inibia investidores com valores maiores fazerem a troca de fundos conservadores - DI e renda fixa - mais caros pela caderneta. Agora, vale a pena fazer as contas.

Olhando apenas a rentabilidade e imaginando que os fundos rendam somente o CDI, hoje com a taxa Selic de 8,75% ao ano, a caderneta seria vantajosa para quem não conseguir uma taxa de administração inferior ou igual a 1% em prazos abaixo de um ano. A partir de 0,75% de taxa de administração, o retorno do fundo empata ou ganha da poupança em todos os prazos.

Mas se os juros subirem nos próximos meses, a situação para os fundos melhora. Com uma Selic de 9,75%, fundos com taxa de administração de 2% passam a empatar com a caderneta a partir de prazos superiores a um ano. Com 1,5% de custo, os fundos ganhariam da poupança em qualquer prazo. Já se os juros subirem mais, atingindo 10,75% ao ano, fundos com taxa de 3% passam a ser competitivos com a poupança nos prazos superiores a um ano. E carteiras com taxa de 2,5% empatam ou ganham das caderneta em qualquer prazo.

Olhando o cenário de juros, a expectativa do mercado é de que as taxas comecem a subir no fim do ano que vem. Isso significaria quase um ano de rentabilidade mais alta para a caderneta. E, mesmo com a alta dos juros, a estimativa é de que o Banco Central (BC) pare a Selic em 11% ao ano no primeiro semestre de 2011. Haveria, portanto, um espaço ao menos para diversificação, com parte dos recursos novos indo para caderneta no curto prazo.

Para o investidor que já está em fundos, é preciso avaliar se a troca pela caderneta vale a pena considerando o prazo que o dinheiro já está aplicado. Sacar antes de dois anos significará pagar mais imposto. E, mesmo para quem já está há dois anos, se mais adiante a decisão for voltar para o fundo, será preciso recomeçar a contagem do tempo.

Também é preciso levar em conta as comodidades oferecidas pelos fundos, como o resgate diário sem perda da rentabilidade passada. Na caderneta, os resgates sem perda de rendimento são permitidos apenas uma vez por mês. Em compensação, os fundos pagam imposto antecipadamente, a cada seis meses, por meio do chamado "come-cotas". No geral, porém, a caderneta se torna competitiva em relação aos fundos e também em relação a outras aplicações, como CDBs e títulos do Tesouro Direto.

Nesse nível de Selic e diante do histórico das taxas de administração dos fundos de investimento no Brasil, a caderneta de poupança continua a melhor opção para o pequeno investidor, diz Rodrigo Menon, sócio do escritório de aconselhamento financeiro Beta Advisors. "Mesmo no caso do Tesouro Direto fica difícil competir, pois é preciso conseguir uma taxa de custódia e de corretagem baixas para compensar", avalia.

Independentemente do nível dos juros, o investidor tem de zelar sempre pelos custos das aplicações e o Tesouro Direto é uma das melhores opções, avalia Marcia Dessen, sócia do Grupo Educacional Bankrisk. A grande maioria das corretoras cobra até 0,4% ao ano de taxa de custódia, mas há instituições nas quais o investidor não tem custos. Se um aplicador comprar uma LFT (Letra Financeiro do Tesouro, papel pós-fixado) que paga 100% do CDI usando como intermediária uma corretora que cobra 0,4% ao ano, terá no final o equivalente a 95% do CDI.

Diante desse cenário, os CDB perdem atratividade, avalia Marcia, pois a necessidade de captação dos bancos caiu e já é difícil conseguir taxas acima de 90% do CDI. "É mais interessante, portanto, obter 100% do CDI num título do Tesouro Direto", diz.

Já para os investidores com maiores valores para aplicar - algo entre R$ 300 mil e R$ 500 mil -, há outros instrumentos para otimizar a carteira, diz Menon. Ele cita os fundos imobiliários, de capital protegido ou mesmo os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI). "Com o CDI menor, cai também o custo de oportunidade do investidor", diz ele. "Hoje é mais fácil arriscar deixar de ganhar 8,75% ao ano diversificando do que quando os juros estavam altos."

Para valores até R$ 30 mil, a caderneta de poupança é imbatível, diz Eduardo Jurcevic, superintendente de investimentos do Grupo Santander Brasil. "Mas isso vale para quem pode deixar o dinheiro aplicado e só resgatar no vencimento, senão o fundo pode compensar mais", observa. Segundo ele, com R$ 30 mil já é possível um investidor conseguir um fundo DI com taxa de administração de 1% ao ano no Santander, uma taxa bastante competitiva. Ele lembra ainda que a alta dos juros no ano que vem pode mudar essa relação. "Esperamos que o juro suba já no primeiro semestre e atinja 11,75% no fim de 2010". Nesse caso, o ganho dos fundos seria muito maior, especialmente os DI.

Para William Eid Júnior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV-SP, a migração de fundos para caderneta não deve ser grande, apesar da vantagem. "O investidor dá prioridade para a preservação de valor antes do ganho e, se a caderneta vai ganhar mais por algum tempo, ele pode não se preocupar tanto em migrar pois sabe que isso vai mudar mais adiante", diz Eid. O fato de muitos fundos reduzirem o valor mínimo de aplicação para fundos com taxas mais baixas também ajudam a evitar essa migração.

O fim da discussão da tributação pode levar alguns grandes investidores a aplicar em poupança, admite Marcelo Giufrida, presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). Mas a migração não deve ser muito grande, considerando que a previsão é de que os juros voltarem a subir no ano que vem, beneficiando os fundos.

Giufrida observa também que a maioria dos fundos tem conseguido rentabilidade acima do CDI. "As simulações de ganho dos fundos não consideram isso", lembra. O motivo é que cada vez mais os fundos aplicam em papéis privados e reduzem a parcela em títulos indexados ao juro diário. Giufrida acha que a discussão sobre a poupança deve voltar quando os juros tornarem a cair no futuro, para evitar distorções no mercado financeiro.

No Congresso, líderes do PT já estudam outras fórmulas para a caderneta de poupança, incluindo atrelar os juros à Selic para valores acima de R$ 120 mil.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Os fundos de pensão e a redução da Selic

Autor(es): Guilherme Lacerda
Valor Econômico - 09/09/2009


Com a Selic a 8,75% ao ano, será necessário reorganizar os portfólios dos investidores institucionais

A sociedade brasileira e as instituições têm mostrado maturidade e flexibilidade para se adaptar às novas realidades econômicas. Atravessamos um período hiperinflacionário para aterrissar no ambiente atual de estabilidade da moeda e crescimento econômico. Muitos ajustes foram feitos, mas o legado inflacionário ainda não foi totalmente desmontado. Prova disso é a discussão em torno da caderneta de poupança, instrumento histórico criado para proteger os saldos líquidos de economias das famílias corroídos pela inflação. Afinal, em que lugar do mundo se corrige com 6% de juros reais um capital sem correr riscos e sem pagar imposto?

As políticas econômicas pós-ditadura acentuaram o vício da sociedade brasileira em juros. Durante muito tempo, generosas remunerações oriundas da sistemática perversa de rolagem da dívida serviram a uma classe financista que enriqueceu sem correr riscos, indo totalmente na contramão de uma atitude empreendedora, schumpeteriana. Esse processo criou uma dependência nefasta, disseminando o hábito de esperar um alto retorno através de um capital não produtivo. Os fundos de pensão também se beneficiaram nesse período e engordaram seus patrimônios - embora alguns tenham estacionado seus capitais em tempos de juros altíssimos! Mas isso é uma outra história.

Agora os tempos são outros. Com a Selic a 8,75% ao ano, será necessário reorganizar os portfólios dos investidores institucionais, orientando-os para outras paragens que vão além do "bê-a-bá" ortodoxo da renda fixa concentrado em papéis da dívida pública. Ou seja, os investidores institucionais deixarão de financiar o passivo nacional para financiar investimentos produtivos, buscando bons projetos com taxas de retorno satisfatórias e riscos sob medida.

Nesses termos, os fundos de pensão não serão empecilho para a Selic permanecer nesse patamar ou ter mais cortes. Explico: o ambiente econômico do Brasil e o avanço do mercado de capitais continuam favoráveis para que os gestores dos fundos de pensão superem suas metas atuariais, a exemplo do que vinha ocorrendo antes de 2008 e tal como ocorreu neste primeiro semestre. A bolsa brasileira continua com boas perspectivas, com desempenho superior aos dos demais países emergentes e do centro. E há um número grande de empresas médias que vão ganhando corpo e passam a ser opção para também serem listadas. Ademais, há setores do mercado de capitais que se consolidam e apresentam boas possibilidades de retorno, como a indústria de Private Equity e Venture Capital e os instrumentos de dívida para o crédito privado. Por último, não se pode subestimar o potencial de capitalização e ganhos do mercado imobiliário nacional, para não dizer de uma alternativa importantíssima que é aquela formada pelos diversos bons projetos em infraestrutura, os quais, até que enfim, estão saindo do papel e poderão ter os fundos de pensão como participantes.

Os títulos públicos federais também continuam atrativos. As NTNB"s que casam com o passivo dos fundos de pensão remuneram, a médio e longo prazo, algo em torno de 6,35% a 6,45% mais o IPCA. E, portanto, ainda retornam mais que as metas atuariais.

Nos países de mercados mais maduros, a taxa de desconto atuarial que precifica os passivos dos fundos de pensão varia entre 3% a 4% e geralmente é superior ao retorno advindo do ativo livre de risco. Ou seja, não é "nada do outro mundo" os gestores procurarem outros investimentos mais arriscados para garantir cumprir seus compromissos atuariais. Um desafio a vencer aqui no Brasil é dado pelo fato de que, até então, a maioria dos investidores institucionais previdenciários haviam transferido suas gestões próprias de ativos para bancos e estes têm mantido até agora uma postura resistente de adaptação aos novos tempos. Somente agora, em 2009, surge com mais força ofertas de fundos de crédito privado, intermediados por gestores exclusivos ou bancos.

Em verdade, aqueles administradores mais prudentes de entidades previdenciárias já vêm há alguns anos montando carteiras mais adequadas para conviver com essa nova e saudável realidade de juros. Nesse sentido, aproveitaram para alongar o "duration" dos ativos, assegurando um estoque que remunera mais que os compromissos atuariais. E, sobretudo, redirecionaram os investimentos para índices de conjuntura mais adequados.

A Fundação dos Economiários Federais (Funcef), por exemplo, migrou de 47% da carteira atrelada a CDI/juros em 2003 para atuais 17%; de 25% da carteira vinculada ao índice de inflação (2003) para atuais 44%; e aumentou para 39% a carteira designada aos ativos reais ancorados no setor produtivo (ações de empresas e segmento imobiliário). Nossa disposição volta-se para fazer aplicações bancárias associadas aos índices de preços nacionais com uma taxa real de juros e não mais a estimativas de CDI"s (Certificados de Depósitos Interbancários). Estamos abolindo as referências ao IGP, que tem trazido para os contratos uma instabilidade de rentabilidade danosa e perfeitamente dispensável.

Enfim, essas medidas tópicas vão aos poucos criando um novo ambiente no mercado financeiro e de capitais, com a supressão de resquícios incômodos dos padrões de indexação anteriores. Falta agora os gestores independentes ou vinculados a bancos compreenderem essa nova etapa e também ajustarem suas posições, inclusive trabalhando com menores taxas de administração de carteiras.

Em síntese, todos os atores deste ambiente terão que se adequar ao novo cenário. Haverá a necessidade de aumentar a exposição aos riscos para obter rentabilidade, condição que estimula o mercado de capitais a formatar produtos compatíveis, ter regulação com incentivos corretos, equipes internas mais capacitadas e uma melhor comunicação com os colegiados e os participantes. Sabemos que o Sistema de Previdência Complementar Brasileiro tem todas as condições para percorrer esses novos caminhos.

Guilherme Lacerda , presidente da Fundação dos Economiários Federais (Funcef), é economista com mestrado pela USP e doutorado pela Unicamp.

CSHG muda estratégia de fundos para ganhar mercado

Previdência Aberta: Com a busca do investidor por alternativas diferenciadas diante da queda do juro, instituição decide dar mais foco à gestão ativa de renda fixa.

Valor Econômico
Por Alessandra Bellotto, de São Paulo.
09/09/2009




De olho na demanda do investidor por estratégias diferenciadas também na previdência privada aberta, a Credit Suisse Hedging-Griffo (CSHG) decidiu alterar a política de investimentos de seus dois fundos para ganhar competitividade. A gestora de recursos atua na previdência desde agosto de 2006, em parceria com a Mapfre Seguros, mas só recentemente percebeu o setor como uma grande oportunidade de negócio - hoje, o patrimônio sob gestão nas duas carteiras soma pouco mais de R$ 35 milhões. "Com o juro baixo, o cliente da previdência também começou a buscar alternativas", diz o gestor de Renda Fixa e Multimercados da CSHG, Ettore Marchetti.

As mudanças nos fundos foram decididas logo após o pior momento da crise financeira, em setembro, e com o objetivo de aproveitar melhor a experiência da casa na gestão ativa de renda fixa, conta Marchetti. O primeiro passo foi transformar o fundo de previdência DI em uma carteira de juro real (descontada a inflação). "O DI é um fundo mais para o varejo, não traz diferencial", diz o gestor. Já o CSHG Mapfre Juro Real adota como política de investimentos a gestão ativa com NTN-B, título do Tesouro Nacional com rentabilidade vinculada à variação do IPCA, acrescida de juros definidos no momento da compra.

Para a previdência, cujo horizonte é de longo prazo, faz todo sentido ter uma aplicação que pague um juro além da inflação, defende Marchetti. "Hoje, no mercado de previdência, não há alternativas de fundos de juro real", ressalta. Desde que o novo modelo foi adotado, segundo o gestor, grandes oportunidades surgiram. No começo do ano, a NTN-B com vencimento em maio de 2015 chegou a pagar juro de 8,2% mais inflação. O cupom (retorno) baixou - hoje, está em 6,4% - e o fundo se apropriou do ganho. No ano até agosto, o CSHG Mapfre Juro real tem ganho de 12,53% ante 6,91% do CDI.

Outra mudança foi no CSHG Mapfre Plus. O fundo, que era classificado como multimercado agressivo, passou a operar como uma carteira balanceada, na proporção de 60% de renda fixa e 40% de ações. "Para um multimercado, o fundo era muito engessado, as regras da Susep (Superintendência de Seguros Privados) são muito rígidas, o que dificulta a busca por retorno", conta Marchetti. Pela nova política, a parcela de ações tende a reproduzir o IBrX-50. O diferencial de ganho deve vir da gestão ativa de renda fixa, com aplicações pré e pós-fixadas e atreladas a índices de preços. No ano, o retorno até agosto chega a 21,56%.

Os fundos de previdência da CSHG, distribuídos pela Mapfre, têm aplicação mínima inicial de R$ 30 mil e contribuições mínimas de R$ 1 mil. A taxa de administração do Juro Real é de 1,1% ao ano e o do Plus, de 1,5%.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Proteção que vale ouro

Metal acumula a maior valorização entre as opções de investimento do mercado nos últimos 10 anos.


Valor Econômico

Por Assis Moreira, de Genebra
03/09/2009

O melhor ativo para investimento dos últimos dez anos foi o ouro. Quem investiu no metal ganhou 245% de rendimento em dólar entre julho de 1999 e julho deste ano, comparado a 3% de retorno obtido em média com aplicações em ações nas bolsas de países industrializados. O ouro bateu, inclusive, o ganho das ações das melhores companhias e dos emergentes.

O cálculo é do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), associação que agrupa os maiores bancos do mundo. O instituto alerta num relatório confidencial que alguns ativos podem estar sobrevalorizados no contexto atual e com o risco de sofrer correções.

A crise global, com o desmoronamento dos mercados financeiros ao redor do mundo e a consequente busca por proteção dos investidores, alterou a classificação dos ativos que mais deram retorno. O ouro, visto como porto seguro em crises mais sérias, certamente foi beneficiado nos últimos dois anos pelo receio de que a crise americana afetasse o dólar. No longo prazo, depois do ouro, o segundo maior rendimento veio dos bônus soberanos de países emergentes, seguido do obtido pelas ações também dos emergentes. As commodities ganharam igualmente de títulos do tesouro americano e de títulos de dívida de empresas.

Já quem aplicou em ações nos mercados industrializados só ganhou 3% na média, em dólar, em dez anos, ainda mais depois do baque das bolsas americanas e europeias desde 2007. O mercado de ações nos Estados Unidos no período de 2007 a 2009 foi o que sofreu o declínio mais profundo e rápido. O resultado é que quem aplicou em ações no mercado americano registrou perda de 17% na média no periodo de dez anos.

No curto prazo, a situação está mudando, com sinais de melhora dos mercados acionários desde março. A analista Suki Cooper, do Barclays Capital, em Londres, nota que o ouro continua a ser atrativo, mas os indicadores de que a economia chegou ao fundo do poço - e que, portanto, as ações estavam novamente atrativas - aguçaram o apetite por risco. O metal amarelo se valorizou em 9% em dólar de março para cá, mais do que os 7% das commodities em geral.

Já no mercado de ações, as bolsas nos países emergentes tiveram alta de 76% em média e, nos países ricos, de 59%. Nos EUA, a queda foi mais rápida, mas a recuperação também tem sido mais veloz.

Vários ativos se recuperaram desde o segundo trimestre, sobretudo ativos que haviam caído mais, mas a maioria ainda não recuperou tudo o que perdeu na crise global. As ações dos emergentes, por exemplo, só voltaram ao nível de fins de 2006 e, no caso dos mercados dos países mais ricos, ao nível do começo de 2004.

O IIF aponta uma interação de três tendências que podem trazer mais flutuações nos mercados financeiros após um periodo de menor volatilidade. Primeiro, a recuperação econômica ocorre em mais países, elevando as expectativas de alta de juros. O Banco Central de Israel foi o primeiro a aumentar as taxas.

Segundo, bancos, principalmente nos EUA e na Europa, continuam o processo de desalavancagem e redução de ativos, com vários deles ainda sob pressão, sobretudo por causa de sua gigantesca exposição aos mercados imobiliários. Isso alimenta questões sobre o vigor e a sustentabilidade da recuperação econômica.

E terceiro, depois da substancial alta nos mercados desde março, a sobrevalorização pode não durar. O risco de "ganhos desapontadores" das empresas abertas neste terceiro trimestre pode deflagrar o gatilho para uma correção nos mercados de ações globalmente.

Um sinal dessa maior cautela com ativos de risco aparece no fluxo líquido de recursos para fundos de ações de mercados emergentes, que começou a desacelerar. Ao mesmo tempo, aumentou para fundos de ações dos Estados Unidos e de títulos de emergentes.

Segundo o IIF, o fluxo líquido para fundos de ações de emergentes passou de US$ 7,5 bilhões em junho para US$ 4,7 bilhões em julho. Em agosto, ficou em apenas US$ 1,4 bilhão. Os mercados asiáticos receberam a parte do leão durante o ano, com mais de US$ 13,5 bilhões, comparados a US$ 5,5 bilhões para fundos de ações da América Latina.

Por sua vez, o fluxo líquido para fundos de renda fixa (títulos soberanos e em moeda local) de emergentes aumentou nas últimas semanas, totalizando US$ 6,6 bilhões, depois de retirada líquida de US$ 119 bilhões durante 2008. Com pouca expectativa de juros mais altos no curto prazo, fundos de títulos dos EUA receberam fluxo líquido de US$ 30 bilhões desde o começo de julho, totalizando US$ 120 bilhões no ano.


 

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Bolsa com proteção

Com o Ibovespa subindo 50% no ano, bancos criam fundos de capital garantido para atrair investidor mais conservador


Valor Econômico

Angelo Pavini, de São Paulo
31/08/2009

Com o Índice Bovespa subindo 53,66% no ano, depois de cair 41,22% no ano passado, ficou difícil encontrar investidores com coragem para comprar ações. Para ajudar, todos os analistas, apesar do otimismo, alertam que o mercado subiu rápido demais e pode cair a qualquer momento. Mas a bolsa continua subindo e os investidores sentem que perderam o bonde. Esse ambiente de insegurança e, ao mesmo tempo, de tentação, é o ideal para os fundos de capital garantido ou protegido, oferecidos pelos bancos, e que dão ao investidor uma parte do ganho do Índice Bovespa em troca da proteção do valor aplicado.

Nesta semana, Itaú Unibanco, Citibank e Santander estão colocando na praça carteiras que devem reunir patrimônio total de R$ 550 milhões. Na semana passada, o Real, controlado pelo Santander, encerrou a captação de um capital garantido de R$ 450 milhões. Somando todos, a captação deve atingir R$ 1 bilhão, ou 23,6% do patrimônio total da categoria, que terminou julho em R$ 4,2 bilhões.

Cada fundo tem características diferentes e deve ser bem estudado pelo investidor. Todo, porém, têm em comum a estrutura, de aceitar aplicações por um período e depois ficarem fechados até o vencimento - apenas o do Real vem agora com uma versão com saques trimestrais. Além disso, têm gatilhos atrelados ao Ibovespa que, se atingidos em qualquer momento da vigência do fundo, mesmo por um segundo, transformam totalmente a aplicação.

A oferta desses fundos depende do mercado de opções - onde os investidores assumem o compromisso de comprar ou vender um ativo a determinado preço em troca de um prêmio -, que serve de base para as estruturas protegidas.

O Itau Unibanco está encerrando hoje a captação de dois fundos oferecidos para os clientes do varejo seletivo Uniclass e Personnalité. A expectativa é captar R$ 250 milhões, diz Osvaldo do Nascimento, diretor executivo responsável por operações de investimento e previdência. "Já operamos com esse tipo de fundo desde 2006, temos 14 carteiras e um patrimônio de mais de R$ 1,250 bilhão, com 15 mil cotistas", afirma.

Apesar de ligados à bolsa, os dois fundos oferecem ganhos de renda fixa, equivalentes a 130% do CDI (cerca de 11,5%). Mas caso o Ibovespa supere em qualquer momento dos 228 dias de prazo dos fundos 21% de alta ou baixa, o investidor leva apenas o principal aplicado. Isso significaria o Ibovespa cair abaixo de 45.583 pontos ou subir além dos 69.817 pontos, tendo como referência o fechamento de sexta-feira, a 57.700 pontos. Os fundos tem aplicação de R$ 5 mil e a taxa de administração é de 1,5%.

Para Nascimento, os fundos protegidos pegam o investidor que quer ingressar no mercado acionário, mas não tem muito apetite pelo risco. "É o investidor que não quer saber do risco de perder", diz. São ainda investidores mais idosos, que querem ganhar mais que o CDI sem arriscar o principal.

No Citibank, o prazo para captação do Citifirst Ibovespa Capital Protegido termina sexta-feira, 4 de setembro. A aplicação mínima é de R$ 25 mil e o prazo é de 18 meses, explica Jan Karsten, diretor de investimentos do Citibank Brasil. O fundo tem uma barreira de alta para o Ibovespa de 40% e de baixa de 25% em relação à data de criação do fundo, 8 de setembro. Em relação a sexta-feira, significaria cair abaixo de 43.275 ou ficar acima de 80.780. Se o índice não bater esses limites em nenhum momento, o investidor levará a variação do Ibovespa, para cima ou para baixo. Ou seja, se o índice cair 20% ou subir 20%, o investidor ganhará 20%.

Já se o índice cair mais de 25%, o fundo passará a seguir o Ibovespa até o vencimento, pagando no mínimo o capital aplicado. Se o indice subir mais de 40%, e no vencimento do fundo estiver positivo, o investidor leva uma taxa acima do CDI. Se o índice estiver abaixo, levará a taxa do CDI menos a perda do Ibovespa. E se o índice bater as duas barreiras, o investidor leva a taxa de juros.

"Vemos muitos investidores que não participaram do salto da Bovespa e agora ficam preocupado em entrar depois de toda alta", afirma Karsten. O Citibank tem hoje R$ 400 milhões em fundos de capital protegido, e espera captar mais R$ 100 milhões com a nova carteira.

Já no Santander, que encerrou o Real Capital Protegido 4 na sexta-feira e estará captando no Santander Capital Protegido 5 até 9 de outubro, a barreira de baixa do Ibovespa é de 20% e a de alta, de 40% (46.160 a 80.780 pontos), explica Alexandre Paixão Silvério, superintendente de gestão da Santander Asset Management.

O fundo do Real tem prazo de um ano e meio e começará no dia 14 de setembro, enquanto o do Santander terá dois anos. "Tivemos de alongar os prazos pois a menor volatilidade reduziu os prêmios de curto prazo", explica Silvério. A aplicação mínima é de R$ 5 mil e a taxa de administração é de 2,5% nos dois fundos.

Segundo Silvério, o fundo de capital garantido tem um pouco da atratividade da bolsa com a tranquilidade da proteção de principal. "E há o benefício de ganhar mesmo em cenário de queda da bolsa", diz ele, lembrando que as carteira do Santander e do Real também pagam a variação do índice, para cima ou para baixo, desde que ele não ultrapasse as barreiras.

Se bater o limite de baixa e o Ibovespa fechar o período em alta, o investidor receberá o a variação do índice. Mas se o Ibovespa cair, receberá o valor aplicado apenas. Já se o Ibovespa superar o limite de alta e depois fechar o período positivo, o investidor sai com a taxa de juros. Se o índice fechar em baixa, recebe a variação percentual do índice. Se bater as duas barreiras, de alta e baixa, o fundo paga a taxa prefixada. O Santander já acumula R$ 1,8 bilhão em capital garantido, já incluindo o novo do Real.

Para William Eid Júnior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV, os fundos de capital protegido são bons para investidores mais acomodados ou que morrem de medo de bolsa. "O melhor é selecionar bons gestores de ações e renda fixa e aplicar direto", afirma ele. Eid recomenda que o investidor trace cenários e pense. "Ele tem de ver que, se a bolsa subir 50%, ele ficará satisfeito com 150% do CDI, ou 14%", diz.

Foi o que aconteceu com alguns investidores que aplicaram em fundos desse tipo no fim do ano passado e, pela volatilidade, saíram com um ganho de 180% do CDI. "Se o investidor acha que a bolsa vai superar os 66 mil pontos, é melhor entrar direto em ações", resume Nascimento, do Itaú Unibanco. Dos 13 lançamentos do Itaú, cinco ficaram limitados ao principal, especialmente os lançados em 2007 e meados de 2008. Já no Citibank, o fundo criado em janeiro de 2008 vence hoje e deve pagar o principal aos investidores, que teriam perdido cerca de 9% se estivessem no Ibovespa.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Cotista suporta taxa de 5% ou mais

Autor(es): Mariana Segala

O Estado de S. Paulo - 24/08/2009

  

 
 

 
 

Apesar da queda de cinco pontos na Selic em 2009, os fundos conservadores com taxa de administração a partir de 5% ao ano perderam no período um número limitado de investidores - ou até receberam novos. As dez carteiras com maior custo de administração, selecionadas a partir de pesquisa na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e no site Fortuna, somam patrimônio de R$ 5,1 bilhões e 585.361 cotistas.

Oito dos dez fundos tiveram resgates líquidos em 2009, mas em proporção limitada ante o patrimônio. A captação dos dez fundos está positiva em R$ 116 milhões neste ano (até dia 19). O maior deles - o Santander Classic Referenciado DI, com taxa de 5% - perdeu 10% dos cotistas, mas mantém R$ 3 bilhões em carteira.

Com os juros básicos em 8,75% ao ano, alguns economistas calculam que fundos com custo anual entre 0,5% e 1% já empatam com o retorno da poupança. A caderneta, neste ano (até dia 19), rende 4,55% e os fundos com taxas de administração a partir de 5% ao ano, apenas 2,74%. No mesmo período, o CDI tem retorno de 6,61%. O empresário Henrique Carbonell deixou uma carteira com taxa de administração de 2% e foi para outra, com custo de 0,4% ao ano. "É assustador um banco cobrar taxa de 4% quando o trabalho de gestão é praticamente nulo."

Com taxa de 5,5%, o Itauvest Plus Curto Prazo tem 142 mil cotistas, patrimônio de R$ 1,9 bilhão e retorno de 2,94% no ano. Trata-se de um fundo com resgate automático, o que encareceria a gestão. "É mais uma conveniência do que um fundo", diz o diretor de produtos de investimentos do Itaú Unibanco, Cláudio Sanches, acrescentando que o banco pretende reduzir as taxas em até dois pontos neste e em outros fundos semelhantes nos próximos dois meses.

No topo da lista, o Renda Fixa BRB Liquidez, que cobra 6,5%, tem apenas 750 cotistas e patrimônio de R$ 16,5 milhões - o Banco de Brasília estuda reduzir a taxa. No Bradesco, dois fundos com taxa de 6% mantêm R$ 87 milhões, mesmo fechados para captação.

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