segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tesouro é opção para aposentadoria

Títulos da dívida pública são elementos seguros para formação de carteira de longo prazo

Jornal da Tarde

09/11/2009

Paulo Darcie, paulo.darcie@grupoestado.com.br

O mercado de títulos de dívida do governo federal, em razão da sua segurança e perspectiva de retorno, pode ser uma boa opção para a formação de uma carteira visando a aposentadoria. Conhecer as diversas opções, planejar e diversificar os investimentos, contudo, são os primeiros passos.

Os títulos, vendidos pelo site www.tesouro.fazenda.gov.br, são considerados papéis seguros, pois o risco que carregam é o do calote nas contas públicas. "Eles compõem até 85% dos fundos de previdência privada", explica o professor de economia da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Samy Dana. "Títulos de longo prazo podem ser uma alternativa a um plano de previdência. A diferença é a parcela de renda variável e o Imposto de Renda regressivo que têm os planos".

No cenário de crise econômica, eles se revelaram atrativos, já que a taxa Selic registrou queda - de 13,75% ao ano para 8,75% - durante o ano, o que arranhou a rentabilidade dos fundos de renda fixa; e o mercado de renda variável passou por momentos de grande instabilidade. "A taxa de administração não era notada devido ao elevado rendimento dos fundos. Agora que eles rendem menos, a taxa, que não caiu, fica cara", avalia.

Para quem pensa em aposentadoria, o rendimento que os títulos oferecem fazem dele boa opção. "A poupança rende 6% ao ano mais TR, sem garantir lucro acima da inflação. Já os títulos do tesouro indexados dão ganho real (acima da inflação) ou aqueles atrelados à taxa Selic, que, mesmo tendo caído, ainda é alta", explica o professor Ricardo Torres, da Brazilian Business School. Além dessas duas modalidades, há os títulos prefixados, em que a taxa de retorno é definida na hora da compra.

À venda, o investidor encontra desde títulos com vencimento em 2010 até 2045. Alguns, como as Notas do Tesouro Nacional (NTN) prefixadas renderam até 40,5% nos últimos 12 meses. Já as NTN-B, indexada ao IPCA renderam 35,5% no mesmo período. As Letras Financeiras do Tesouro (LFT) renderam 10,5%. Segundo o educador financeiro Reinaldo Domingos, os investimentos devem ser planejados com data de resgate e objetivos definidos. "Se é para a aposentadoria, não pode deixar o dinheiro entrar no giro mensal", afirma ele, lembrando que títulos como as NTN, pagam os juros semestralmente, enquanto outras, como as LTN, são aplicações de um só resgate. "Precisa de disciplina."

Diversificar

Domingos alerta, também, que a reserva para a aposentadoria, no longo prazo, não pode ser centrada em um só investimento. "É preciso diversificar. Ter só previdência privada, ou só ações, ou só títulos não é saudável para a vida financeira."

É o que tem feito, mesmo sem um plano de previdência privada, o bancário Arthur Melo, de 24 anos. Há um ano ele comprou títulos com vencimentos em diversas datas. Do total que investiu em títulos, destinou 40% para os prefixados, outros 40% em indexados à Selic e os 20% restantes indexados ao IPCA.

"Estes têm vencimento em 2035, para não mexer, mesmo, pensando no futuro", conta ele. "Alguns têm vencimento mais próximo, para ter de onde tirar dinheiro quando tiver que fazer um gasto maior", planeja ele.

domingo, 8 de novembro de 2009

Reunião de Condomínio

No quadro Reunião de Condomínio do Fantástico uma senhora afirmou que comprou o apartamento há 7 anos por 70 mil reais e hoje vale 190 mil devido à criação de uma área de lazer. Pois bem, fui à Calculadora do Cidadão na página do Banco Central do Brasil e calculei o valor de 70 mil reais aplicados a 100% do CDI hoje. Por incrível que pareça, o resultado é R$ 192.739,38. Claro que há imposto de renda, no caso, descontando 15% sobre o rendimento, o valor líquido seria de R$ 174.328,47. Claro que a dona do apartamento também terá que pagar taxas, impostos, corretagem, etc para vender seu imóvel...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

IR de fundos será maior que rendimento mensal

Autor(es): Felipe Frisch

O Globo - 26/10/2009

  

Come-cotas em novembro deve anular ganho do mês. Alta de juros em 2010 põe renda fixa em destaque novamente

O investidor dos tradicionais fundos DI e de renda fixa, que acompanham a taxa básica de juros, Selic, hoje em 8,75% ao ano, deverá perder dois meses de rendimento este ano, para pagar o Imposto de Renda (IR) destas aplicações. E um desses meses será o de novembro, que começa daqui a uma semana e, à semelhança do que ocorre em maio, é quando incide o chamado "come-cotas". É esta a forma como o tributo é retido nas carteiras atreladas à taxa de juros: a cada seis meses, no último dia útil de maio e de novembro, o Leão morde o número de cotas equivalente a 15% da rentabilidade no período.

O problema é que, como a Selic está em queda — estava em 13,75% ao ano em dezembro —, o IR considerará no cálculo o rendimento de meses em que a remuneração foi mais elevada.

Com isso, o tributo será maior do que a rentabilidade de boa parte destes fundos de investimento no mês de novembro. O episódio também ocorreu em maio. Na ocasião, o IR médio foi equivalente a 0,87% dos valores aplicados nos fundos DI, contra uma rentabilidade média de 0,79%.

Para novembro, se a rentabilidade for semelhante à de outubro — o que tende a ocorrer, já que o Banco Central (BC) manteve a Selic estável em 8,75% ao ano na última semana e só volta a se reunir em dezembro, para quando também não há previsão de alteração na taxa —, o IR médio dos fundos será equivalente a 0,68%, dos valores aplicados, contra uma rentabilidade entre 0,64% e 0,72% estimada no mês.

Desconto do imposto é feito no número de cotas

E o investidor desavisado destes fundos poderá levar um susto se simplesmente comparar o saldo do fim de outubro com o do fim de novembro, pois poderá ter a impressão de que perdeu dinheiro. De fato, perdeu, não em rentabilidade, mas em número de cotas, que viraram tributo, como explica o administrador de investimentos Fabio Colombo.

O IR total dos fundos DI e de renda fixa pode chegar a 22,5% da rentabilidade, quanto menos tempo o investidor ficar na aplicação.

A diferença além dos 15% é recolhida no resgate. A redução do IR, fixando-o em 15% independentemente do prazo, foi uma das hipóteses sugeridas pelo governo para garantir que essas carteiras se mantenham mais atraentes do que a caderneta de poupança, que não é tributada.

Embora oficialmente a rentabilidade média dos fundos DI nos últimos 12 meses seja de 8,92%, contra a de 7,09% da poupança, na prática poucos investidores conseguem esse rendimento nas carteiras de renda fixa ou DI. Isso porque, além do IR, as taxas de administração cobradas pelos fundos são altas — chegam a 4% ao ano — e levam embora boa parte do ganho, aumentando a atratividade da caderneta.

A preocupação do governo decorre do fato de que estes fundos são os maiores financiadores da dívida federal, pois compram títulos públicos, e é por isso que acompanham a Selic. Como o IR é retido na fonte e a próxima incidência ocorre em novembro, este é considerado por analistas o prazo ideal para o governo mudar a legislação, para que a lei possa valer ainda em 2009 ou para não ter de devolver IR.

O alerta do prazo para alterar a lei é do professor de Finanças do Ibmec Gilberto Braga: — Novembro está chegando.

Se o governo tiver que mexer, seria uma boa fazê-lo agora, dando uma espécie de alforria com relação à tributação para os seis meses anteriores e estimulando as pessoas a ficarem na renda fixa. Do contrário, a percepção de que a rentabilidade em novembro foi negativa aumenta o risco de migração para a poupança.

Na prática, muitos analistas já descartam que o governo faça algo para reduzir a vantagem da poupança sobre os fundos, como tributar a caderneta. Isso porque a expectativa é de que o BC volte a elevar a Selic no segundo trimestre de 2010. O que será um alívio para os cofres públicos, ao serem mantidos os compradores de títulos federais, e para investidores dos fundos, que voltarão a ter rentabilidade comparável à de outras aplicações.

A projeção média dos analistas é de que a taxa básica de juros encerre 2010 em 10,50% ao ano, de acordo com o relatório Focus, divulgado pelo próprio BC, com estimativas do mercado. Se essa alta for confirmada, a renda fixa pode até voltar a ser destaque entre os investimentos possíveis.

— É cada vez mais consensual de que vai haver esta elevação dos juros entre abril e junho do ano que vem — diz Alexandre Póvoa, diretor da gestora de fundos Modal Asset, para quem a Selic pode chegar a 11,25% no fim de 2010, com uma elevação de 0,25 ponto, quatro de 0,5 e mais uma de 0,25.

O motivo principal para elevar os juros será conter a inflação, que pode ser pressionada pela recuperação econômica do país.

— Entre as aplicações conservadoras, com certeza a renda fixa se recupera um pouco. Com a alta dos juros, os fundos devem pelo menos se equiparar à poupança em 2010 — diz Póvoa.

O economista-chefe da corretora Ágora, Álvaro Bandeira, estima a Selic em 10,75% ao ano no fim do próximo ano, e reconhece que há quem fale em taxa de 13% ao longo de 2010: — Mas não acho que a volta dos juros ameace aplicações como a Bolsa. Isso só ocorre quando o juro real (taxa básica menos inflação) vai de 7% a 9% ao ano.

Hoje, está em torno de 4%.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A Bolsa a um click de distância

Jornal da Tarde
26/10/2009

Negociar ações pela internet é opção para pessoa física. Veja como escolher sua corretora

Paulo Darcie, paulo.darcie@grupoestado.com.br

Um dos responsáveis pela popularização do mercado de capitais entre os investidores individuais, o home broker, serviço que permite a negociação de ações pela internet, ganha cada vez mais espaço. Em setembro teve sua maior participação da história na BM&F Bovespa: ao todo, 215,8 mil pessoas usaram a ferramenta, movimentando 31,2% do total negociado na Bolsa de Valores São Paulo (Bovespa). Para quem pensa em entrar no mercado de ações, o primeiro passo é a escolha de uma corretora de valores.

Somente corretoras podem fazer ordens de compra e venda no pregão, e sua escolha depende do perfil do usuário. Existem 67 delas operando o home broker e os serviços oferecidos variam bastante. A primeira decisão do investidor é se vai optar por uma corretora independente ou uma de banco.

“É comum que o investidor comece com as corretoras dos grandes bancos, pois eles têm alcance maior”, avalia o superintendente de marketing da Banifinvest, Bruno Di Giorgio. “Conforme o cliente vai conhecendo melhor suas preferências e o mercado, procura produtos mais adequados para ele”, afirma.

O professor de finanças do Insper, Ricardo Almeida, lembra que nas corretoras de bancos as operações podem ser feitas de modo mais rápido, pois não é preciso transferir dinheiro para a conta da corretora por meio de DOC ou TED.

Também devem ser levados em consideração os custos de operação cobrados por cada corretora. Sobre cada movimentação incide uma taxa de corretagem e, mensalmente, o cliente ainda paga uma taxa de custódia, para cobrir custos operacionais.

“Os custos variam de acordo com a estrutura da corretora e com os serviços extras que elas oferecem. Manter uma equipe de analistas tem seu preço”, lembra Almeida. O professor recomenda a escolha de acordo com a necessidade que o cliente tem de acessar produtos oferecidos. “Para quem não está familiarizado com o mercado, pagar um pouco mais pelas análises, cursos e gráficos pode ser essencial”, diz.

Quem pensa em começar a investir com valores muito baixos, no entanto, pode inviabilizar seus lucros por conta das taxas. “É possível comprar até mesmo uma única ação, que custe R$ 1, mas, se a taxa de corretagem pela operação for de R$ 5, vai ser difícil que esse negócio traga lucro”, afirma o diretor comercial da TOV, Valestan Ribeiro. Estipular ou não um valor mínimo para investimento no home broker é decisão de cada corretora.

Estudo

Comprar e vender ações sem “interferências”, porém, pode não ser o melhor para quem não conhece o básico do mercado.

“Tem que estudar. O ideal é ler balanços de empresas, aprender a interpretar as informações e saber exatamente do que está tratando”, ressalta o administrador de investimentos Fábio Colombo. “Boa opção para iniciantes, o fundo de ações tem um gestor especialista no assunto tomando as decisões”, afirma ele.

Além do fundo, uma outra alternativa, de acordo com Almeida, do Insper, é começar paralelamente no home broker e via telefone, com o operador, para “sentir o mercado”.

Outro risco, lembram os especialistas, é o vício que a facilidade de se comprar e vender papéis a qualquer momento pode trazer. “Tem que tomar cuidado para não utilizá-lo como se estivesse apostando. Mercado não é cassino”, alerta Colombo. “O investidor pode chegar a um ponto de querer ter um lucro maior a cada operação, sem fazer a análise necessária antes”, lembra. “Há uma ilusão de que é ‘charmoso’ comprar e vender ações sem o auxílio de profissionais, entretanto, se as decisões não tiverem embasamento, o prejuízo pode ser grande”, diz Almeida.




SAIBA MAIS

CUSTÓDIA

Taxa mensal que cobre custos operacionais das corretoras. Não é obrigatória, e há corretoras que a condicionam ao número de operações no mês

CORRETAGEM

Cobrada a cada ordem de compra ou venda. O valor, definido pela corretora, pode ser fixo ou uma fração do negócio

DAY TRADE

Operações de compra e venda de ações no mesmo dia, para lucrar com a diferença

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

No pós-Copom, giro dobra e juro cai

Por dentro do mercado - Luiz Sérgio Guimarães

Valor Econômico - 23/10/2009

  

Nem a surpreendente queda da taxa de desemprego conseguiu entusiasmar os "comprados" em taxa no mercado futuro de juros da BM&F. Diante do caminho da total estabilidade trilhado pelo Copom do Banco Central, não teve jeito de evitar mais uma rodada de baixa dos juros futuros. Um Copom não se esgota na decisão em si sobre a taxa Selic que irá vigorar pelos 45 dias seguintes. Ele pode manter a taxa mas, manejando habilmente o placar e o texto do comunicado, direcionar o mercado futuro para um lado ou para outro. Neste Copom de outubro, a estabilidade se deu nas três pontas: a taxa permaneceu no degrau historicamente baixo de 8,75%, a decisão foi tomada coesamente pelos oito integrantes do Comitê e nem uma vírgula foi mudada de lugar no texto da nota. Com essa plena passividade, o BC quis indicar ao mercado que as projeções de juros estão corretas? Nada disso. Os players entenderam que, para o BC, a curva estaria excessivamente inclinada para cima, embutindo aperto monetário em 2010 que o Copom não tem interesse em fazer.

O declínio dos CDIs futuros foi geral. Não só os mais curtos recuaram. Os com vencimento mais distante também. E o volume de negócios dobrou, foi para 616 mil contratos no pregão normal. O juro para a virada do ano cedeu de 8,67% para 8,65%. O contrato mais negociado, para janeiro de 2011, recuou de 10,37% para 10,28%. A taxa do swap de 360 dias caiu de 9,99% para 9,89%. A queda em bloco mostra que o mercado continua confiando na capacidade de o BC fazer, no momento em que achar necessário, a coisa certa. Pois caso interpretasse que a decisão de manter a Selic estabilizada em 8,75% por longo período foi tomada levianamente - utilizando-se critérios outros que não os exclusivamente técnicos - as taxas mais longas subiriam. Isso porque, se não houvesse reação tempestiva a pressões inflacionárias, o aperto monetário exigido no futuro teria de ser bem mais intenso.

Mas observe-se que a simples manutenção do comunicado não representa um pito do BC ao suposto exagero da inclinação positiva da curva futura. Caso quisesse derrubar para valer os juros futuros, o Copom não precisaria estabelecer dissenso no escore de 8 a zero em prol de um recuo da Selic na reunião de dezembro. Bastaria mudar o tom do comunicado, de forma a alargar ainda mais o horizonte do congelamento monetário. Se o Copom considera a taxa de 8,75% compatível com o cenário benigno de inflação desenhado para o "horizonte relevante", não será a taxa de desemprego calculada pelo IBGE - que caiu de 8,1% em agosto para 7,7% em setembro, quando os analistas esperavam baixa para 8% - que irá fazer a cabeça do mercado.

  

  

No mercado de câmbio, o dólar teve dois momentos distintos. De manhã, subiu até 0,93%, cotado a R$ 1,7410, para acompanhar a apreensão com a qual os grandes investidores globais receberam o resultado do PIB chinês no terceiro trimestre. Os mercados internacionais não ficaram decepcionados com o dado em si, embora tenha sido inferior às expectativas. A China cresceu 8,9% no trimestre, ante expansão de 7,9% registrada no período anterior, mas os economistas previam alta de 9,1%. Mas eles não gostaram nem da qualidade deste crescimento nem de sua sustentabilidade. O produto chinês cresce, por exemplo, mais em função de investimento do que de consumo - o contrário do processo brasileiro. À tarde, as bolsas americanas começaram a subir por causa de indicador americano antecedente exibindo ótimo crescimento - o Conference Board avançou 1% em setembro, na sexta alta consecutiva, para expectativa de +0,8% -, e o dólar devolveu a alta matinal. Fechou rigorosamente estável em R$ 1,7250.

Só não caiu porque o IOF de 2% exerce inibições à livre movimentação de capitais voláteis, de curto prazo. Como a taxa come quase três meses da rentabilidade paga pela Selic, se o capital for embora agora o momento do reingresso terá de ser muito bem avaliado para que a variação cambial não anule fatia ainda maior da rentabilidade. Diante desse risco introduzido pela tributação, irão crescer as operações informais destinadas a driblá-la. E grande parte delas passa pelos mercados de derivativos, um fluxo de dólares sintéticos que não será alcançado pela estatística oficial da balança cambial.

Luiz Sérgio Guimarães é repórter de finanças

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Renda fixa apresenta retorno menor que fundos DI no mês até dia 16

Autor(es): Luciana Monteiro

Valor Econômico - 22/10/2009

  

A subida das taxas de juros futuras nas últimas semanas trouxe impacto nos fundos com papéis prefixados em suas carteiras. Os fundos de renda fixa, por exemplo, já apresentam ganhos inferiores aos dos fundos DI no acumulado do mês.

Segundo dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), até o dia 16, as carteiras que podem aplicar em prefixados registram ganho médio de 0,34%, enquanto os DI rendem 0,38%. No mesmo período, o Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI, o juro interbancário que serve de referencial para as carteiras mais conservadoras) variou 0,36%. E essa diferença deverá se acentuar ainda mais por conta da elevação dos juros futuros nesta semana após a decisão do governo de taxar em 2% o capital externo para investimentos em renda fixa e ações, anunciada na segunda-feira.

  

  

A boa notícia é que as taxas projetadas no mercado futuro também podem representar a oportunidade de o investidor travar agora ganhos maiores. Isso porque muitos analistas avaliam que as taxas futuras estão muito acima do que a correção que o governo deve fazer na Selic. Haveria, portanto, prêmios nos papéis prefixados, principalmente naqueles com vencimento mais longos. Este seria, portanto, um momento interessante para aplicar num fundo de renda fixa. Já os investidores que já estão numa carteira desse tipo estão perdendo, mas não devem sair para não perderem a recuperação que essas aplicações terão.

O desempenho dos renda fixa pode ser explicados por alguns motivos. Primeiramente, diante dos sinais de recuperação da economia brasileira, os investidores começaram a projetar um aumento da Selic no futuro para evitar pressões inflacionárias. A segunda causa estaria no temor com relação à substituição de do presidente do Banco Central (BC) e de três diretores.

A alta mais recente do juro futuro foi por causa do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 2% sobre investidores estrangeiros em ações e títulos de renda fixa. Para compensar esse custo maior, o investidor externo passou a exigir um retorno maior.

"Acho que neste momento o melhor que o investidor tem a fazer é não fazer nada", avalia Alexandre Espírito Santo, diretor do curso de Relações Internacionais da ESPM-RJ. "O juro futuro pode estar exagerado porque a Selic pode não subir tudo isso que o mercado está projetando", diz. Ele, por exemplo, trabalha com a Selic em 10,75% no fim do ano que vem, admitindo um BC conservador e não desenvolvimentista. "De qualquer forma, este é um momento delicado, portanto, não faria mudança de portfólio agora", afirma. "Acho que a história do IOF traz uma volatilidade desnecessária."

No acumulado do ano, entretanto, os fundos de renda fixa ainda ganham mais que os DI. Até o dia 16, o ganho soma 8,51%, enquanto os fundos DI rendem 8,27% em média. O CDI no período apresenta variação de 8,02%.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Taxação cria oportunidade em títulos prefixados

Autor(es): Alessandra Bellotto

Valor Econômico - 21/10/2009

  

A medida do governo de taxar o capital estrangeiro que entra no país para investimentos em ações e títulos de renda fixa com Imposto de Operações Financeiras (IOF) de 2% mexeu com a curva de juros, formada pelas projeções do mercado financeiro para o CDI para diferentes períodos. Os vencimentos mais longos, os preferidos dos estrangeiros, foram os mais afetados, com a alta dos prêmios exigidos para acomodar a nova taxação. Isso abriu oportunidades para o investidor local. Mas vale ressaltar que as taxas pagas estão maiores porque a percepção de risco também piorou.

"A curva de juros abriu (com a alta dos prêmios) para acomodar o investidor estrangeiro e o retorno para o local ficou melhor", afirma o economista-chefe da corretora Gradual, Pedro Paulo da Silveira. Segundo ele, o aumento dos prêmios não chega a ser proporcional aos 2% de taxação, mas está acima de 1%.

Ele cita como exemplo o contrato de DI com vencimento em janeiro de 2012 negociado na BM&F, que chegou a pagar 11,70% ontem, ante 11,20% da véspera. Esse aumento de meio ponto ao ano, afirma Silveira, no prazo de 26 meses até o vencimento significa um ganho de 1,10% na taxa. Para o investidor do varejo, na visão do economista, há boas oportunidades nas Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F), títulos prefixados.

No Tesouro Direto, sistema de negociação de títulos públicos para pessoa física, as NTN-F de mesmo vencimento foram negociadas ontem a 11,91%. "Neste nível de taxa, vale a pena apostar no papel", acredita Silveira. Ele argumenta que, mesmo num cenário bastante conservador - de alta do juro de 0,25 ponto percentual em dezembro e outras seis de meio ponto no ano que vem, elevando a Selic dos atuais 8,75% para 12% -, a aplicação ainda oferece um potencial de retorno atraente.

Isso porque o CDI estimado para esse período, levando em conta o aumento da Selic para 12% no fim do ano que vem, é de 11,10%. "Esse é o preço justo estimado para a NTN-F hoje, o que significa que quem conseguir uma taxa de 11,91% estará recebendo mais de 107% do CDI", diz.

Entre as diversas alternativas disponíveis para o investidor, a renda fixa de longo prazo é a que mais oferece oportunidades hoje, na visão de Carlo Moratelli, diretor de investimentos da Orey Financial Brasil, family office controlado pelo grupo português Orey. Ele cita a diferença grande entre as taxas dos contratos de juros futuros de curto e longo prazos. Enquanto o DI com vencimento em janeiro de 2010 marcava ontem 8,67%, o de 2017 pagava 12,94%, uma diferença de mais de 4 pontos percentuais. "Uma taxa de quase 13%, apesar do horizonte de longo prazo, pode significar um juro real de cerca de 8%, considerando uma inflação de 5%", diz. Moratelli ressalta, contudo, que não há indícios de pressão forte dos preços.

As NTN da série B, títulos públicos que pagam IPCA mais juro, também passaram a oferecer prêmios maiores. Os títulos com vencimento em 2017 ontem foram negociados a 6,70%. Quanto mais perto dos 7%, melhor, destaca o diretor da Orey. Ele lembra que no auge da crise financeira, em outubro, esses títulos chegaram a sair a 10% e, no início deste ano, ainda num cenário conturbado, a 7,70%. Na mínima do ano, o juro foi de 6,25%. "Os prêmios voltaram a subir e pode ser oportunidade para o investidor que quer se proteger de inflação." Hoje, o juro real (descontada a inflação) está pouco acima de 4%, compara.

Além disso, Moratelli acredita que o risco de investir em ações no curto prazo aumentou, por conta da taxação. "A bolsa precisa de fluxo novo e contínuo para manter o crescimento", afirma.

Para o economista-chefe da Ativa Corretora, Arthur Carvalho Filho, operar no mercado de renda fixa pode ser muito arriscado no momento. "A curva abriu, mas porque há muitas incertezas sobre o cenários de juros e a taxação é só mais uma delas", diz. Ele cita a possível saída de Henrique Meirelles da presidência do Banco Central e a própria eleição presidencial. Os títulos mais longos estão sujeitos a todos esses fatores de risco, lembra Carvalho, e não oferecem prêmios tão vigorosos assim.