quarta-feira, 18 de novembro de 2009

BNDESPar prioriza varejo em oferta de debêntures

Autor(es): Carolina Mandl e Alessandra Bellotto

Valor Econômico - 18/11/2009

  

A BNDES Participações, braço de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), está fazendo uma oferta de R$ 1 bilhão em debêntures, sendo que metade será destinada às pessoas físicas com pelo menos R$ 1 mil para investir. O restante poderá ser adquirido por investidores institucionais, como fundos de pensão e seguradoras.

Os recursos vão ser usados pela BNDESPar para aumentar os investimentos em empresas por meio da compra de suas ações, debêntures ou de outros valores mobiliários. E, para isso, a companhia quer atrair os recursos dos pequenos investidores. Hoje, o banco começa a divulgar os detalhes da oferta por meio de anúncios em jornal, rádio, internet e revista. Não haverá, porém, atores conhecidos, como o Banco do Brasil fez em 2006 e em 2007 em oferta de ações que teve Fernanda Montenegro como garota-propaganda. A veiculação da campanha, que fica no ar até 10 de dezembro, custará R$ 1,8 milhão.

  

  

A aplicação mínima exigida é de R$ 1 mil, o que equivale a uma debênture. Depois de decidir o tamanho da aplicação, limitada a R$ 500 mil, o investidor poderá fazer seu pedido de reserva em agências bancárias do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco - coordenadores da oferta - ou em corretoras. O prazo vai de 24 de novembro a 10 de dezembro. Na reserva, os aplicadores também devem informar a remuneração que pretendem receber pela debênture. A emissão da BNDESPar tem duas séries, com prazos e remunerações diferentes. A taxa final só será conhecida no dia 14 de dezembro, após a coleta de intenções de investimentos dos institucionais.

Os papéis devem fazer sucesso entre o público do varejo. Com a redução sistemática dos prêmios pagos nas emissões de debêntures desde o início do ano - dada a melhora das condições de mercado e a forte demanda pelos papéis -, as grandes oportunidades escassearam, mas o investidor continua atrás de alternativas que paguem mais que a tradicional renda fixa, fortemente impactada pela redução da taxa de juros. O grande atrativo da operação é que ela traz um prêmio em relação aos títulos públicos, sem adicionar risco de crédito, destaca Rodrigo Menon, sócio da Beta Advisors. "BNDESPar é praticamente risco de governo."

Na primeira série, com vencimento em janeiro de 2013, a taxa será fixada com base no juro embutido no contrato de DI futuro de mesmo prazo, mais um valor de até 0,8% (teto). Ontem, esse contrato estava sendo negociado a 12,30%. Se o prêmio ficar na casa de 0,3% - abaixo do teto de 0,8% -, a remuneração da debênture seria de 12,60%. Esta é uma taxa prefixada boa, na visão de Menon. "Acredito na alta dos juros, mas dificilmente a Selic média do período vai superar a taxa estimada para o papel", afirma. Menon trabalha com uma Selic de 10,5% em 2010.

No caso da segunda série, que vence em maio de 2015, a remuneração do papel, a ser atualizado pelo IPCA, será correspondente à taxa da NTN-B de mesmo prazo, acrescida de um prêmio de até 0,7%. Ontem, esse título estava pagando 6,80%, além da inflação. Com um prêmio equivalente à metade do teto fixado para a oferta, a taxa do papel seria de 7,15%, mais IPCA.

Mas o prêmio não é de graça, ressalta a diretora da área de investimentos do HSBC Private Bank, Andrea Moufarrege. "O investidor precisa analisar o risco de mercado", destaca. Nessa emissão, o que pesa não é o risco de crédito da instituição, mas as incertezas que podem interferir no rumo dos ativos. Ela cita, por exemplo, a trajetória da taxa de juros. "São papéis longos", diz.

Hoje, afirma Andrea, o DI futuro com vencimento em janeiro de 2013 projeta uma taxa em torno de 12,30%, o que embute, grosso modo, uma alta superior a 3,5 pontos percentuais para a taxa Selic (atualmente em 8,75%). Segundo ela, a previsão mais pessimista no mercado hoje é de elevação de 3 pontos. O problema é se no meio do caminho algo acontecer e o contrato passar a marcar 13,30%. Nesse caso, o impacto negativo para o investidor que tiver travado a taxa a 12,30% será de 1 ponto percentual multiplicado por 4 (número correspondente ao prazo do papel, de 4 anos). "A oferta da BNDESPar traz um prêmio adicional, mas ele está ligado ao risco de mercado e ao prazo longo dos papéis."

Isso não quer dizer que a operação seja ruim, ressalva Andrea. Ela apenas sugere que o investidor não faça posições muito grandes por causa do prazo. Por outro lado, Andrea cita duas grandes vantagens: a taxa de custódia baixa (R$ 6,90 por semestre ou isenta dependendo do caso) e a ausência do pagamento de cupom semestral. Haverá carência de, no mínimo, dois anos para o pagamento de juros para que o investidor se beneficie com a menor alíquota de Imposto de Renda, de 15%.

Não há garantia de que os investidores de pequeno porte vão conseguir aplicar todo o dinheiro desejado. Isso porque, se houver excesso de demanda, haverá rateio. A única previsão é de que cada um ficará com pelo menos R$ 15 mil, o que equivalente a 15 debêntures. Acima disso, a divisão será proporcional ao pedido. Se a BNDESPar ainda não conseguir destinar R$ 15 mil para cada um, devido à forte procura, um novo valor máximo poderá ser fixado. Se houver forte demanda, a operação poderá ser ampliada em até 35%, para R$ 1,350 bilhão.

Desde o começo do ano, a oferta da BNDESPar era esperada. Documentos chegaram, inclusive, a ser enviados à Comissão de Valor Mobiliários. Mas, naquela época, ainda em meio à crise, a remuneração pedida pelos investidores era mais alta, o que teria feito a empresa esperar por um momento melhor, com taxas mais baixas.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Onda imobiliária

Na busca por ganhos diferenciados, fundos com lastro em imóveis despertam a atenção da pessoa física.


Valor Econômico

Por Paola de Moura, do Rio
17/11/2009

Os fundos imobiliários vivem um momento para lá de especial. A forte procura por parte dos investidores tem feito com que essas aplicações comecem a ganhar volume, depois de 15 anos desde a sua criação. Enquanto em 2008 o valor total de lançamentos foi de R$ 616,86 milhões, neste ano até ontem o número já chega a R$ 1,382 bilhão entre ofertas registradas e com dispensa, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) levantados pelo escritório de advocacia Lobo & De Rizzo. O crescimento é de 124%.

Os números ficam ainda mais interessantes quando se olha as ofertas em análise na CVM. Há outros R$ 2,496 bilhões que, somados ao volume já registrado, representam nada menos do que um crescimento de 528,7% no ano. O total de R$ 3,878 bilhões equivale ainda a quase 90% dos lançamentos acumulados entre 2000 e 2008, de R$ 4,396 bilhões.

Só na semana passada, entrou em análise uma oferta de R$ 1,3 bilhão liderada pela Votorantim Asset Management (VAM). A operação está dividida em dez séries, a primeira de R$ 400 milhões e as demais de R$ 100 milhões cada. Se sair, será a maior emissão de fundo imobiliário já realizada. Ainda não há prospecto disponível, mas o que se comenta no mercado é que o fundo, batizado de Votorantim Securities, deve investir em títulos de base imobiliária, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), com origem em operações envolvendo empreendimentos do próprio grupo - há de se esperar para tirar a "prova dos nove".

Sob o ponto de vista do investidor, os juros em níveis historicamente baixos têm levado muita gente a procurar alternativas mais rentáveis em relação à renda fixa. A isenção de imposto sobre o rendimento para a pessoa física confere um brilho a mais para essas aplicações neste momento. Os fundos imobiliários contam com isenção de IR sobre rendimentos distribuídos desde que o investidor não tenha mais de 10% do total do fundo.

Vale lembrar que, apesar do lastro em imóveis, esses fundos são considerados aplicações de renda variável. Isso porque essas carteiras têm dois componentes de ganhos: a variação das cotas e o rendimento distribuído originado de receitas de aluguel. Como são fundos fechados, não há resgate das cotas. O cotista vende suas cotas a terceiros no mercado secundário, como no caso das ações de companhias abertas, por exemplo. O resultado da maior procura por parte dos investidores interessados na renda é a valorização das cotas que, juntamente com o rendimento distribuído, faz o retorno da aplicação neste ano ficar próximo do Ibovespa. (Ver reportagem abaixo)

Diante do aquecimento do mercado, a Caixa Econômica Federal - primeira a lançar um fundo para o varejo em 2004, o Torre Almirante - pretende ofertar ao mercado até cinco novos fundos imobiliários até o início de 2010. Segundo Flavio Arakaki, gerente operacional de Fundos Especiais da instituição, dois deles são fundos de locação. A empresa construirá um prédio e a renda virá do aluguel. Os modelos dos outros ainda estão sendo estruturados, mas o investidor pessoa física poderá participar. O banco colocará alguns deles com investimento mínimo de R$ 1 mil.

Dois motivos explicam o maior volume de estruturação de fundos imobiliários sob o ponto de vista das gestoras. A CVM lançou duas instruções que mudaram o mercado. A primeira foi a Instrução 472, publicada em outubro do ano passado. Ela flexibilizou as regras que regem a constituição e o funcionamento dos fundos imobiliários. A autarquia permitiu, por exemplo, a subscrição parcial das cotas do fundo. Na prática, criou-se a possibilidade de trabalhar com um valor mínimo de subscrição, que varia de carteira para carteira, para que um fundo seja constituído. A partir da norma, destaca Carlos Ferrari, advogado especialista em fundos imobiliários da Lobo & De Rizzo, quando um administrador planeja criar um fundo para investir em um imóvel de R$ 50 milhões e não consegue arrecadar toda a quantia, ele pode investir inicialmente só a parcela levantada.

No entanto, a mesma instrução trouxe um entrave para o mercado: exigiu que o cotista aprovasse toda e qualquer modificação no fundo. Ou seja, se houvesse a necessidade de alterar o investimento ou migrar para outro portfólio, a assembleia teria que ratificar a decisão. "A Instrução 478, de setembro deste ano, acabou com esta exigência e o mercado deslanchou", completa Ferrari.

Arakaki, da Caixa, também acredita que as novas normas da CVM vão ajudar a expandir o mercado, mas critica a falta de liquidez do mercado secundário. Além disso, ele não acredita que o número de negociações secundários vá aumentar porque, segundo ele, os fundos vão render entre 1,2% e 1,3% ao mês e, com isso, num período de juros baixos, ninguém vai querer sair do investimento.

A sócia da área de Direito Imobiliário do Barbosa, Müssnich & Aragão Advogados, Christiane Scabell Höhn, acredita que o mercado de fundos possa crescer ainda mais com o interesse dos fundos de pensão e principalmente com a chegada dos estrangeiros que estão trazendo mais investimentos ao Brasil e precisam buscar aplicações com boa rentabilidade. A advogada conta que o escritório está prestando serviços para quatro fundos imobiliários que estão sendo constituídos e devem chegar ao mercado no próximo ano. Dois deles são de estrangeiros criando fundos de fundos.

Mas na visão de Rodolpho Vasconcellos, superintendente-geral da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), o volume ainda é pequeno e a falta de liquidez do mercado secundário é o principal entrave para que os fundos imobiliários ganhem volume de verdade. É necessário que o home broker passe a entrar neste mercado, mas para isso, as cotas precisam ser mais baratas. Vasconcellos também acredita que a entrada dos estrangeiros no mercado aumentará o volume o que estimulará secundário.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Taxa de administração não cai e pode subir

Autor(es): FABRICIO VIEIRA

Folha de S. Paulo - 16/11/2009

  

Afastado o temor de fuga dos fundos para a poupança, custos estagnaram ou, em alguns casos, tiveram pequenas altas


Nos fundos de ações, a tarifa média cobrada foi de 2,18% em julho para 2,22% em setembro; multimercados foi de 1,43% para 1,46%

O temor de que os fundos sofressem valiosa perda de recursos para a poupança parece ter ficado para trás. Com os juros no piso, a Bolsa de Valores em alta e o desinteresse dos aplicadores em migrar dos fundos para a poupança, os bancos demonstram ter dado o assunto por encerrado. E não adianta o investidor ainda esperar por taxas de administração menores.
As taxas de administração, que haviam se tornado uma das vilãs nos últimos meses, estão paradas há algum tempo. E, em alguns casos, como nos fundos de ações e multimercados, têm chegado a registrar pequenas altas. Nos fundos de ações, a taxa de administração média saiu de 2,18% em julho para 2,22% em setembro. No caso dos fundos multimercados, foi de 1,43% para 1,46% no período.
"Os bancos passaram tranquilos por esse problema [risco de migração para a poupança]. Talvez se os juros básicos tivessem continuado em queda, tivéssemos visto outra realidade", diz William Eid Júnior, coordenador do Centro de Estudos em Finanças da FGV.
Os dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que nos fundos DI, que é a categoria que sofre mais de perto os efeitos da Selic cadente, a taxa de administração variou de 0,98% no fim do primeiro semestre para 0,97% em setembro.
O que os bancos fizeram de efetivo durante o período mais crítico, no primeiro semestre, foi mexer nas taxas de administração de forma indireta, ao diminuir a aplicação mínima inicial de muitos fundos. Dessa forma, deram ao cliente a oportunidade de, com os mesmos recursos que possuía, encontrar um tipo de fundo que cobrasse taxa menos elevada.
Antônio Cássio Segura, gerente-executivo da área de varejo do BB, diz que o investidor de médio porte, que costuma aplicar em fundos, "chegou a olhar para a poupança, mas acabou por manter suas aplicações onde estavam". "O temor de que houvesse migração não se concretizou", diz Segura.
O mercado projeta que a taxa Selic -referência para os juros praticados no mercado, inclusive nas aplicações- começará a subir em 2010. Hoje a Selic está em 8,75%. Para o fim de 2010, o mercado trabalha com a expectativa de 10,50%.
Quando a Selic começou a acelerar o processo de queda, ainda no primeiro trimestre, se começou a especular que os investidores trocariam os fundos pela poupança que, por não cobrar nem taxa de administração nem IR, se tornaria mais competitiva. Naquela época, o governo começou a dar sinais de que estaria disposto a passar a cobrar IR da poupança para tentar equilibrar o jogo.
A taxa de administração está presente nos fundos e costuma oscilar entre 1% e 3%. Quanto menor a rentabilidade da aplicação, mais pesada fica, proporcionalmente, a taxa de administração cobrada.
"O mercado deu um alívio para os gestores, que com certeza há não muito tempo estavam preocupados com o risco de perderem aplicações. Não houve a forte migração para a poupança que se esperava, os juros parecem que chegaram a seu piso e a Bolsa voltou a subir com força", diz Mauro Calil, do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil.

Captação de recursos
A caderneta de poupança captou cerca de R$ 17 bilhões em recursos neste ano. No segmento de fundos, as categorias que se destacam no ano são os multimercados, que acumulam captação de R$ 32,1 bilhões, seguidos pela renda fixa, que atraiu R$ 9,8 bilhões, e as ações, com R$ 2,3 bilhões.
Os fundos DI ainda estão no vermelho em 2009, com saques batendo aplicações em R$ 5,01 bilhões. Mas a categoria tem demonstrado poder de recuperação: nos primeiros dez dias do mês já captou R$ 1,2 bilhão.

Aplicação certa faz seu 13º virar 14º, 15º...

O melhor destino para o salário extra depende do valor e de quanto tempo ele vai ficar aplicado

Jornal da Tard

16/11/2009

PAULO DARCIE, paulo.darcie@grupoestado.com.br

Ao receber o 13º salário, quem não tiver dívidas para quitar e estiver com as finanças pessoais organizadas terá com o abono a oportunidade de reforçar seus investimentos. Decidir onde aplicar o dinheiro extra depende do quanto sobrou, quanto já se tem investido e em quanto tempo pretende usar o dinheiro.

Caso os recursos já tenham destino certo, e o investimento seja apenas para guardá-lo por alguns meses, especialistas concordam que a tradicional caderneta de poupança pode ser uma boa opção. "Ela não exige nenhuma tecnologia ou grandes cálculos e fica fácil sacar o dinheiro", diz o professor de finanças da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP), Rafael Paschoarelli.

A caderneta tem sido em 2009 uma boa alternativa aos fundos de renda fixa, que perderam rendimento com as quedas da taxa básica de juros, a Selic, e têm taxa de administração. "Eventualmente algum banco pode ter alguma boa opção de CDB mais vantajosa, mas isso depende de negociação", opina a professora de finanças da Unicid, Sandra Biagioli.

Se o bolo do 13º não tiver destino no curto prazo, Paschoarelli recomenda o investimento conservador em títulos da dívida pública, vendidos pela internet, pelo site www.tesourodireto.gov.br. Trata-se de uma modalidade de investimento extremamente segura, já que o risco que ela carrega é atrelado ao risco de calote do governo. "O ideal é procurar por títulos com o vencimento compatível com o tempo que vai precisar de investir", afirma ele.

Para Paschoarelli, não adianta começar um novo investimento sem ponderar o preço pago pelo produto - como taxas de administração e corretagem. "Se a dúvida é o que fazer com o 13º, isso depende de quanto de dinheiro estamos falando. Se sobra pouco, pode ser que as taxas comprometam a rentabilidade", avalia. "A melhor opção, então, pode ser reforçar algum investimento que já tenha."

O tamanho da renda extra e o do montante já poupado também pesam na hora de se decidir por aplicá-la no mercado de ações. Os especialistas não recomendam focar os investimentos em renda variável justamente por seu risco elevado. Para a professora Sandra, um investidor sem experiência neste mercado não deve arriscar seu 13º caso não tenha um "bom colchão". "Com menos de R$ 50 mil já garantidos em outros investimentos mais seguros, não é recomendado entrar na bolsa"

Acertar suas pendências, no entanto, vem antes de qualquer plano para o 13º. "Não adianta pensar em investimento para médio ou longo prazos se tem dívidas", afirma Paschoarelli. Para ajeitar a casa, os especialistas recomendam dar prioridade ao pagamento de dívidas mais caras, ou seja: as que têm maior taxa de juros

"Cartão de crédito e cheque especial são, geralmente as mais caras", afirma Sandra Biagioli, da Unicid. "É preciso colocar tudo no papel, ver quais as mais caras e tentar renegociar".

Pensando no futuro

A enfermeira Sarah Sumaia, de 24 anos, já tem planos para o dinheiro extra do 13º. Uma parte dele vai para uma viagem de fim de ano para a Bahia. "Reservei uns 30% para as férias", conta ela.

Os outros 70% serão investidos. Ela cogita comprar ações, e está estudando aumentar seu portfólio, que já tem papéis de Petrobrás e Vale do Rio Doce . "Gostaria de diversificar", conta. O destino do investimento já é certo, e não deve passar mais de um ano imobilizado em ações. "Vou resgatar no fim do ano que vem para planejar meu casamento", conta Sarah.





POUPANÇA

PRÓS
É a modalidade menos complexa e mais fácil de se investir. Tem também alta liquidez. Sobre seu rendimento não incide imposto de renda.


CONTRAS
Movimentar o dinheiro entre caderneta e conta corrente é fácil. Assim, é preciso cuidado para que o que deveria ser poupado não caia no giro mensal.



FUNDO DE RENDA FIXA


PRÓS
Não tem, entre os componentes da carteira, ações ou outros ativos de renda variável. Por isso são seguros. Há opções para investimentos a partir de R$ 50


CONTRAS
Com a queda da Selic, o rendimento dos fundos piorou, e alguns perdem da poupança. Altas taxas de administração podem minar os ganhos.



AÇÕES


PRÓS
O mercado de renda variável pode significar ganhos maiores do que a renda fixa. Para quem tem conhecimento, é boa opção para o longo prazo


CONTRAS
O rendimento não é garantido, e está sujeito a acidentes de percurso. Quanto mais arriscado o investimento, maior o prejuízo em caso de perdas.



TESOURO DIRETO

PRÓS
Dá para comprar títulos com pouco mais de
R$ 100. Eles podem ser comprados pela internet, têm rendimento garantido e corretagem baixa.

CONTRAS
Caso o investidor decida resgatar o dinheiro investido antes do vencimento do título, corre o risco de não conseguir o retorno esperado.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Tesouro é opção para aposentadoria

Títulos da dívida pública são elementos seguros para formação de carteira de longo prazo

Jornal da Tarde

09/11/2009

Paulo Darcie, paulo.darcie@grupoestado.com.br

O mercado de títulos de dívida do governo federal, em razão da sua segurança e perspectiva de retorno, pode ser uma boa opção para a formação de uma carteira visando a aposentadoria. Conhecer as diversas opções, planejar e diversificar os investimentos, contudo, são os primeiros passos.

Os títulos, vendidos pelo site www.tesouro.fazenda.gov.br, são considerados papéis seguros, pois o risco que carregam é o do calote nas contas públicas. "Eles compõem até 85% dos fundos de previdência privada", explica o professor de economia da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Samy Dana. "Títulos de longo prazo podem ser uma alternativa a um plano de previdência. A diferença é a parcela de renda variável e o Imposto de Renda regressivo que têm os planos".

No cenário de crise econômica, eles se revelaram atrativos, já que a taxa Selic registrou queda - de 13,75% ao ano para 8,75% - durante o ano, o que arranhou a rentabilidade dos fundos de renda fixa; e o mercado de renda variável passou por momentos de grande instabilidade. "A taxa de administração não era notada devido ao elevado rendimento dos fundos. Agora que eles rendem menos, a taxa, que não caiu, fica cara", avalia.

Para quem pensa em aposentadoria, o rendimento que os títulos oferecem fazem dele boa opção. "A poupança rende 6% ao ano mais TR, sem garantir lucro acima da inflação. Já os títulos do tesouro indexados dão ganho real (acima da inflação) ou aqueles atrelados à taxa Selic, que, mesmo tendo caído, ainda é alta", explica o professor Ricardo Torres, da Brazilian Business School. Além dessas duas modalidades, há os títulos prefixados, em que a taxa de retorno é definida na hora da compra.

À venda, o investidor encontra desde títulos com vencimento em 2010 até 2045. Alguns, como as Notas do Tesouro Nacional (NTN) prefixadas renderam até 40,5% nos últimos 12 meses. Já as NTN-B, indexada ao IPCA renderam 35,5% no mesmo período. As Letras Financeiras do Tesouro (LFT) renderam 10,5%. Segundo o educador financeiro Reinaldo Domingos, os investimentos devem ser planejados com data de resgate e objetivos definidos. "Se é para a aposentadoria, não pode deixar o dinheiro entrar no giro mensal", afirma ele, lembrando que títulos como as NTN, pagam os juros semestralmente, enquanto outras, como as LTN, são aplicações de um só resgate. "Precisa de disciplina."

Diversificar

Domingos alerta, também, que a reserva para a aposentadoria, no longo prazo, não pode ser centrada em um só investimento. "É preciso diversificar. Ter só previdência privada, ou só ações, ou só títulos não é saudável para a vida financeira."

É o que tem feito, mesmo sem um plano de previdência privada, o bancário Arthur Melo, de 24 anos. Há um ano ele comprou títulos com vencimentos em diversas datas. Do total que investiu em títulos, destinou 40% para os prefixados, outros 40% em indexados à Selic e os 20% restantes indexados ao IPCA.

"Estes têm vencimento em 2035, para não mexer, mesmo, pensando no futuro", conta ele. "Alguns têm vencimento mais próximo, para ter de onde tirar dinheiro quando tiver que fazer um gasto maior", planeja ele.

domingo, 8 de novembro de 2009

Reunião de Condomínio

No quadro Reunião de Condomínio do Fantástico uma senhora afirmou que comprou o apartamento há 7 anos por 70 mil reais e hoje vale 190 mil devido à criação de uma área de lazer. Pois bem, fui à Calculadora do Cidadão na página do Banco Central do Brasil e calculei o valor de 70 mil reais aplicados a 100% do CDI hoje. Por incrível que pareça, o resultado é R$ 192.739,38. Claro que há imposto de renda, no caso, descontando 15% sobre o rendimento, o valor líquido seria de R$ 174.328,47. Claro que a dona do apartamento também terá que pagar taxas, impostos, corretagem, etc para vender seu imóvel...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

IR de fundos será maior que rendimento mensal

Autor(es): Felipe Frisch

O Globo - 26/10/2009

  

Come-cotas em novembro deve anular ganho do mês. Alta de juros em 2010 põe renda fixa em destaque novamente

O investidor dos tradicionais fundos DI e de renda fixa, que acompanham a taxa básica de juros, Selic, hoje em 8,75% ao ano, deverá perder dois meses de rendimento este ano, para pagar o Imposto de Renda (IR) destas aplicações. E um desses meses será o de novembro, que começa daqui a uma semana e, à semelhança do que ocorre em maio, é quando incide o chamado "come-cotas". É esta a forma como o tributo é retido nas carteiras atreladas à taxa de juros: a cada seis meses, no último dia útil de maio e de novembro, o Leão morde o número de cotas equivalente a 15% da rentabilidade no período.

O problema é que, como a Selic está em queda — estava em 13,75% ao ano em dezembro —, o IR considerará no cálculo o rendimento de meses em que a remuneração foi mais elevada.

Com isso, o tributo será maior do que a rentabilidade de boa parte destes fundos de investimento no mês de novembro. O episódio também ocorreu em maio. Na ocasião, o IR médio foi equivalente a 0,87% dos valores aplicados nos fundos DI, contra uma rentabilidade média de 0,79%.

Para novembro, se a rentabilidade for semelhante à de outubro — o que tende a ocorrer, já que o Banco Central (BC) manteve a Selic estável em 8,75% ao ano na última semana e só volta a se reunir em dezembro, para quando também não há previsão de alteração na taxa —, o IR médio dos fundos será equivalente a 0,68%, dos valores aplicados, contra uma rentabilidade entre 0,64% e 0,72% estimada no mês.

Desconto do imposto é feito no número de cotas

E o investidor desavisado destes fundos poderá levar um susto se simplesmente comparar o saldo do fim de outubro com o do fim de novembro, pois poderá ter a impressão de que perdeu dinheiro. De fato, perdeu, não em rentabilidade, mas em número de cotas, que viraram tributo, como explica o administrador de investimentos Fabio Colombo.

O IR total dos fundos DI e de renda fixa pode chegar a 22,5% da rentabilidade, quanto menos tempo o investidor ficar na aplicação.

A diferença além dos 15% é recolhida no resgate. A redução do IR, fixando-o em 15% independentemente do prazo, foi uma das hipóteses sugeridas pelo governo para garantir que essas carteiras se mantenham mais atraentes do que a caderneta de poupança, que não é tributada.

Embora oficialmente a rentabilidade média dos fundos DI nos últimos 12 meses seja de 8,92%, contra a de 7,09% da poupança, na prática poucos investidores conseguem esse rendimento nas carteiras de renda fixa ou DI. Isso porque, além do IR, as taxas de administração cobradas pelos fundos são altas — chegam a 4% ao ano — e levam embora boa parte do ganho, aumentando a atratividade da caderneta.

A preocupação do governo decorre do fato de que estes fundos são os maiores financiadores da dívida federal, pois compram títulos públicos, e é por isso que acompanham a Selic. Como o IR é retido na fonte e a próxima incidência ocorre em novembro, este é considerado por analistas o prazo ideal para o governo mudar a legislação, para que a lei possa valer ainda em 2009 ou para não ter de devolver IR.

O alerta do prazo para alterar a lei é do professor de Finanças do Ibmec Gilberto Braga: — Novembro está chegando.

Se o governo tiver que mexer, seria uma boa fazê-lo agora, dando uma espécie de alforria com relação à tributação para os seis meses anteriores e estimulando as pessoas a ficarem na renda fixa. Do contrário, a percepção de que a rentabilidade em novembro foi negativa aumenta o risco de migração para a poupança.

Na prática, muitos analistas já descartam que o governo faça algo para reduzir a vantagem da poupança sobre os fundos, como tributar a caderneta. Isso porque a expectativa é de que o BC volte a elevar a Selic no segundo trimestre de 2010. O que será um alívio para os cofres públicos, ao serem mantidos os compradores de títulos federais, e para investidores dos fundos, que voltarão a ter rentabilidade comparável à de outras aplicações.

A projeção média dos analistas é de que a taxa básica de juros encerre 2010 em 10,50% ao ano, de acordo com o relatório Focus, divulgado pelo próprio BC, com estimativas do mercado. Se essa alta for confirmada, a renda fixa pode até voltar a ser destaque entre os investimentos possíveis.

— É cada vez mais consensual de que vai haver esta elevação dos juros entre abril e junho do ano que vem — diz Alexandre Póvoa, diretor da gestora de fundos Modal Asset, para quem a Selic pode chegar a 11,25% no fim de 2010, com uma elevação de 0,25 ponto, quatro de 0,5 e mais uma de 0,25.

O motivo principal para elevar os juros será conter a inflação, que pode ser pressionada pela recuperação econômica do país.

— Entre as aplicações conservadoras, com certeza a renda fixa se recupera um pouco. Com a alta dos juros, os fundos devem pelo menos se equiparar à poupança em 2010 — diz Póvoa.

O economista-chefe da corretora Ágora, Álvaro Bandeira, estima a Selic em 10,75% ao ano no fim do próximo ano, e reconhece que há quem fale em taxa de 13% ao longo de 2010: — Mas não acho que a volta dos juros ameace aplicações como a Bolsa. Isso só ocorre quando o juro real (taxa básica menos inflação) vai de 7% a 9% ao ano.

Hoje, está em torno de 4%.