sábado, 27 de outubro de 2007

LCD e plasma não são sinônimos de TV digital, alertam especialistas

http://oglobo.globo.com/tecnologia/mat/2007/10/26/326912100.asp

Oscilações no Tesouro Direto

Jornal: Gazeta Mercantil
Data: 26/10/2007
Crédito: Ricardo Binelli



“Lançado pelo governo federal em janeiro de 2002 o Tesouro Direto é uma daquelas boas idéias, que têm baixo custo de implantação, que não dependem de aprovação do legislativo para ser colocada em prática e que têm alto potencial de gerar proventos para a economia brasileira.

Colabora com a dispersão da dívida pública entre um número maior de investidores. Também apresenta qualidades no sentido de estimular a formação de uma cultura de investimento de longo prazo, em particular entre os investidores pessoas físicas. E, ao ser utilizado por uma parcela mais representativa da população, apresentará ainda condições de exercer o papel de indutor de um processo de redução nos custos dos produtos de renda fixa oferecidos ao mercado de varejo pelas grandes instituições brasileiras.

O Tesouro Direto tem um atributo pedagógico interessante que é o de explicitar para o investidor os efeitos da chamada marcação a mercado, metodologia de precificação baseada nas condições de oferta e demanda de cada momento.

Por causa dela, percebeu-se a relevância de se atentar para os riscos das aplicações de renda fixa - em particular os riscos de oscilação de preço -, algo entendido como desnecessário pela maior parte das pessoas há poucos anos atrás. Apesar de terem asseguradas as condições de remuneração pactuadas com o governo se carregarem seus títulos até o vencimento, os investidores terão que se sujeitar às condições de mercado caso queiram resgatar os títulos antecipadamente.

Pedagogicamente positiva, a marcação a mercado gera um natural desconforto em todos aqueles que, ao analisarem o valor de seus títulos, percebem que estes perderam preço. Não são poucas as pessoas que têm reduzido ou abandonado suas compras no Tesouro Direto por não compreenderem como seus títulos são rentabilizados e que os mesmos podem se desvalorizar. Esclarecer esse mecanismo, então, tornou-se um meio de tranqüilizar estes investidores estimulando-as a seguir com suas operações.

Com este intuito, vamos utilizar como exemplo a Nota do Tesouro Nacional Série B, sem juros intermediários, a NTN-B Principal. Ressaltamos, porém, que a síntese do raciocínio vale para todos os títulos. As NTN-B Principal são títulos que corrigem o valor do investimento pela variação do IPCA e oferecem uma remuneração fixa anual, que é capitalizada e distribuída no vencimento do título. Atualmente, as NTN-B Principal disponíveis para compra no Tesouro Direto são longas, com vencimento em 2015 e 2024.

As NTN-B Principal têm como valor de base de referência R$ 1.000,00 e data inicial de correção o mês de julho do ano 2000. Assim, estes R$ 1.000,00 são corrigidos pelo IPCA desde aquele momento. Este valor é multiplicado pelo valor presente do fluxo do título, descontado pela taxa de juros (remuneração fixa) a que o Tesouro Nacional dá o nome de "Cotação". Matematicamente falando, o cálculo da Cotação é expresso da seguinte forma.

Como no desconto de qualquer fluxo de caixa, o valor presente do título será diretamente impactado por variações na taxa e no prazo existente até o vencimento, que será o prazo durante o qual o fluxo será descontado. Assim, reduções na taxa de juros de mercado levarão a um desconto menor do fluxo e, portanto, a um valor presente maior da cotação, e, por conseguinte, do preço da NTN-B Principal. Da mesma forma, quanto mais se aproxima o vencimento, menor o tempo que o fluxo de caixa será descontado e portanto, maior o valor presente do título, mantida a mesma taxa de juros.
A NTN-B Principal com vencimento em 2015 começou o ano pagando a correção pelo IPCA mais uma remuneração fixa de 7,63% ao ano. Quem comprou um destes títulos no dia 2 de janeiro por R$ 857,43 assegurou essa remuneração. Com a melhora do ambiente econômico, em particular no que diz respeito ao risco país e ao controle da inflação, a remuneração fixa caiu para 5,81% ao ano no dia 23 de maio. Diante do cenário positivo, os investidores aceitavam emprestar dinheiro ao governo com uma remuneração menor.

O valor presente do título foi positivamente influenciado tanto pela queda da taxa de juros como pelo fato de que o prazo até o vencimento foi reduzido pelos dias transcorridos até 21 de maio. Nesta data, o preço da NTN-B Principal 2015 no mercado era de R$ 1.040,61, o que significava falar em uma valorização de 21,36% acumulada em 2007, fazendo a alegria de seus detentores.

A intensificação da crise do setor imobiliário americano fez com que o preço desta NTN-B percorresse o caminho inverso nos meses de julho e agosto. No ápice da crise, quando os investidores passaram a exigir um retorno maior para emprestar ao Brasil, a taxa dos títulos chegou a subir até os 7,16% ao ano, derrubando o preço da NTN-B para R$ 937,52. Em comparação ao máximo atingido, que, como seria de se esperar era a referência de preço na cabeça dos investidores, a desvalorização foi de quase 10%, o que gerou um bocado de nervosismo.

Alternativa segura

Percebido que mesmo uma alternativa segura como o Tesouro Direto apresenta sim riscos de oscilação de preços; o que o investidor precisa avaliar é se a condição pactuada com o governo no momento da aquisição do título, que está garantida se ele levar os papéis até o vencimento, lhe é favorável. No caso em tela: a taxa de 7,63% além da correção pelo IPCA, obtida no início do ano, é uma taxa interessante tendo em mente que o vencimento do título é em 2015? Se o investidor concordar que o país está caminhando para a condição investment grade entenderá que a taxa é bastante atraente e não deverá se preocupar com as flutuações de curto prazo.

Para não sofrer com as oscilações, o investidor poderá ainda atentar para a composição de seu portfólio, mantendo títulos mais curtos, menos sensíveis a variações na taxa de juros para uso em eventuais emergências.

Ricardo Binelli - Diretor de operações da Petra Personal Trader CTVM Ltda rbinelli@gazetamercantil.com.br”

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Sucesso de público

Valor Econômico
Por Adriana Cotias
26/10/2007


Os especuladores foram banidos da oferta pública inicial (IPO) da Bovespa Holding, mas isso não impediu que a operação tivesse a maior adesão de pessoas físicas de todos os tempos numa abertura de capital no Brasil. Considerando-se a proporção destinada ao varejo, o lançamento pode ter atraído entre 47 mil e 95 mil investidores individuais, numa estimativa conservadora. Do total de R$ 5,76 bilhões vendidos, sem incluir o lote extra, de 10% a 20% eram endereçados aos aplicadores preferenciais, que levaram para casa, no máximo, 526 ações, o equivalente a R$ 12,1 mil, dos R$ 20 mil potenciais.


Pelas projeções mais otimistas - de mais de 95 mil aplicadores -, o público que participou do IPO da Bovespa representa 30% da base de investidores ativos cadastrados na CBLC. Até aqui, desde o lançamento da Natura em 2004, a oferta inicial que mais tinha atraído os pequenos aplicadores foi a da Redecard, em julho, que reuniu 29,3 mil CPFs.


Com a demanda explosiva - que superou em dez vezes a oferta -, na hora do rateio os coordenadores se valeram do novo filtro e privilegiaram os investidores de longo prazo. Já quem caiu na malha fina da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) e recebeu o rótulo de "flipper", por vender ações de novatas logo na saída, não ficou com nada. No ato da reserva, os aplicadores tiveram de se classificar como "com" ou "sem prioridade", autorizando a CBLC a investigar o comportamento nos quatro últimos IPOs. Aqueles que mantiveram ao menos 80% das ações em três das quatro ofertas avaliadas tiveram preferência.


Era de se imaginar que a dispersão no IPO da Bovespa Holding saltasse aos olhos, dado os esforços empreendidos pela própria bolsa nos últimos anos para estimular a participação do varejo, diz o professor Ricardo Rochman, do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP). "Quando criou o Novo Mercado, os níveis diferenciados de governança, uma das regras previa a dispersão do capital societário e, portanto, era esperado que quando a própria bolsa viesse a mercado ela promovesse isso."


Foi a forte procura dos estrangeiros que atraiu o gerente comercial Fábio Oliveira para a oferta da Bovespa, a primeira do ano em que participa. Investidor do mercado de renda variável há mais de duas décadas, ele se classifica como conservador, tem na carteira papéis como Vale do Rio Doce e Petrobras, mas considerou oportuno entrar na festa. "Sou aquele que compra e não vende, não costumo dar liquidez para o mercado." Se os papéis da bolsa subirem na estréia de hoje, ele acha irresistível, porém, ficar com o lote todo que adquiriu e admite que vai, sim, fazer dinheiro rápido, o "flipping". Mesmo assim, ele é a favor do filtro que privilegia aplicadores de longo prazo. "Acho que a Bovespa, a CVM, têm de estimular os aplicadores a se tornarem sócios das empresas, mas não sou contra a especulação."


Já o advogado João Marcello Tramujas levou as 500 ações que encomendou e se opõe ao uso dos filtros, apesar de ter a intenção de ficar com os papéis. "Se ninguém negocia no primeiro dia, a liquidez fica engessada", diz. "Se tivesse tempo e disposição e não fosse contemplado com nada, caberia uma medida judicial, pois não é legal impor restrições." O advogado Fabio Henrique Dias, por sua vez, ficou incomodado com o aumento do preço às vésperas do fechamento da operação. "Achei muito curto o tempo dado para desistência, mas, pelo menos, houve transparência com a divulgação da informação para todos", diz. Apesar da cotação mais alta, ele confia que a procura pelos papéis deve garantir ganhos com as ações. "O corte de R$ 12 mil foi baixo."


Mesmo com as ações saindo no teto da nova faixa indicativa de preços, a R$ 23,00, os múltiplos da Bovespa são bem realistas, considerando-se que a bolsa brasileira atua num ambiente de monopólio, sem concorrentes diretos, diz o consultor da Value Consultoria, Luís Martins. "Antes, a Bovespa era só um instrumento para as corretoras operarem e, agora, como empresa, a possibilidade de expansão é grande, pois as corretoras, que continuam sócias, trabalharão para isso", diz. Pelo valor de mercado de R$ 16,2 bilhões, as ações da Bovespa vão estrear com um preço equivalente a 33 vezes o lucro (o P/L) projetado para 2007. A relação pode ser alta se comparada à da Redecard, de 21 vezes, mas bem abaixo da construtora Inpar, de 107 vezes, e que tem duas dezenas de competidores só na bolsa.


Como empresa, a Bovespa tem boa lucratividade, margens razoáveis e, ao seguir os passos das bolsas internacionais, pode participar do jogo da consolidação, acrescenta Rochman, da FGV. Numa eventual fusão, os acionistas ainda poderiam se beneficiar com o prêmio de controle, previsto na regulamentação do Novo Mercado. Como as receitas vêm do giro de negócios, a bolsa fatura com o mercado em alta ou em baixa. O risco do papel, adverte, está mais relacionado à uma crise conjuntural. Um cenário de aumento da inflação e elevação de juros poderia inibir os investimentos em renda variável. (Colaborou Fernando Torres, do Valor On Line)

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Sempre é tempo para fazer um pé-de-meia

Valor Econômico
De São Paulo
25/10/2007



"Guia Valor Econômico de Finanças Pessoais" - Mara Luquet.


Editora Globo, 198 págs. R$ 30,00



É possível, sim, investir e alcançar a estabilidade financeira, mesmo com poucos recursos. É preciso, no entanto, muita disciplina no controle dos gastos e tempo para o dinheiro render. Para ajudar nessa caminhada, a Editora Globo lança a segunda edição do "Guia Valor Econômico de Finanças Pessoais". Escrito pela jornalista Mara Luquet, colunista do Valor, o guia é dividido em sete capítulos, todos revistos pela autora: planejamento financeiro, mercado financeiro, renda fixa, ações, fundos de investimentos, mercados de derivativos e investimentos online.


Primeiro ensinamento: importante não é guardar muito dinheiro, mas guardar sempre. Para isso, ter um orçamento é primordial. "Muitas pessoas não têm a mais vaga idéia do seu patrimônio atual, do volume de suas despesas mensais e de quanto precisariam para viver de forma confortável", escreve a autora. E, assim, "são levadas a crer que jamais terão o suficiente para ser um investidor". Nessa parte, o leitor aprende como organizar suas finanças e tem explicações simples sobre risco e a importância de diversificar as aplicações.


Em seguida, o livro explica como investir no mercado financeiro, o que é renda fixa, renda variável e o que levar em conta para escolher um investimento. "Ficar pulando de uma aplicação para outra é a pior forma de ganhar dinheiro", afirma Mara, lembrando que não adianta correr para a bolsa em épocas de alta, nem tentar adivinhar quando ela vai subir ou cair para entrar ou sair desse mercado.


O terceiro capítulo fala de renda fixa, que, ao contrário do que muita gente pensa, não é uma aplicação sem risco. Aqui, é possível compreender o que são títulos do governo, quais os papéis mais comuns e os principais ativos federais que recheiam as carteiras dos fundos de investimento. Nesta nova edição do guia há uma seção, no capítulo, que fala do Tesouro Direto - programa de venda de títulos públicos via internet voltado para pessoas físicas, lançado em 2002.


No tópico sobre mercado acionário, o leitor aprende os princípios do investimento em ações, desde o que é uma ação, a bolsa de valores, quais operações podem ser feitas na Bovespa, o mercado de opções e como comprar uma ação.


Os fundos de investimento são o tema do quinto capítulo. Neste ponto, merece atenção a parte sobre taxa de administração, já que o percentual que o gestor cobra para gerenciar os recursos pode ter um impacto sobre o retorno do investidor. Aqui também há uma nova seção sobre a chamada marcação a mercado, que nada mais é do que contabilizar os ativos presentes na carteira do fundo aos valores pelos quais são negociados no mercado financeiro.


O funcionamento do mercado de derivativos, também denominado mercado a termo, é o tópico seguinte. "Derivativos são operações financeiras que 'derivam' de ativos negociados no mercado à vista", esclarece a autora, que usa o seguinte exemplo: "O funcionamento do mercado a termo é parecido com um compra feita com cheque pré-datado." É na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) que os contratos futuros são negociados.


E chega-se aos investimentos que podem ser feitos via internet, com destaque para o home broker (sistema de negociação online de ações) e para o WebTrading (sistema desenvolvido pela BM&F para a compra e venda de versões reduzidas dos contratos de futuros.


"Assim como escovar os dentes, o planejamento financeiro é um hábito que, quanto mais cedo você inicia, mas fácil se incorpora à sua rotina", aconselha a autora.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

O dentista está mais barato

Jornal da Tarde 23/10/2007

Planos odontológicos garantem atendimento, sem dor no bolso. Gasto mensal evita surpresas

Fabrício de Castro,
fabricio.castro@grupoestado.com.br

Para muita gente, ir ao consultório do dentista significa sofrer na cadeira e ainda pagar uma conta alta por isso. A boa notícia é que, nos últimos anos, os planos odontológicos tornaram os tratamentos mais baratos para as famílias. Hoje, com apenas R$ 10 por mês já é possível se prevenir.

Comuns em outros países, os planos odontológicos passaram a chamar a atenção do brasileiro nos últimos anos. Em 2000, havia 2,92 milhões de beneficiários desses planos no Brasil. Em junho de 2007, o número chegou a 8,25 milhões de pessoas - 2,26 milhões na Grande São Paulo.

'O brasileiro tinha medo do dentista, porque a conta dos serviços era alta. Nos últimos anos, os planos odontológicos ficaram mais acessíveis e houve uma conscientização de que é importante cuidar da saúde bucal', diz Rogério Anunciato, gerente comercial do Odonto Medical Group.

Tratamentos como o de canal - que podem custar mais de R$ 500, dependendo do dentista - são cobertos por planos básicos. Ao pagar as mensalidades, o beneficiário assegura os principais procedimentos, inclusive os de emergência, e não é surpreendido com novas despesas. 'Um tratamento particular sai muito caro, e o dentista não consegue parcelar a conta em muitos meses', acrescenta Amadeu Affonso, gerente comercial da operadora Dentalpar.

Para o consumidor, porém, a vantagem financeira nem sempre é clara. Acostumado a ir pouco ao dentista, o brasileiro ainda não se acostumou com a idéia de pagar as mensalidades do plano odontológico. Pessoas que nunca tiveram problemas mais sérios, por exemplo, enxergam o plano como um desperdício. Por que pagar sem usar?

Rodrigo Rosolem Califoni, diretor de operações da Prodent, empresa especializada em planos empresariais, garante que há vantagens até mesmo para quem se cuida. Segundo ele, a pessoa deve ir ao dentista a cada seis meses. Se nenhum problema for identificado, ela passará por limpeza com aplicação de flúor. 'O custo disso chega a R$ 80 por visita. Se você fizer um plano, não terá a mesma despesa', garante Califoni.

O aposentado Edson Raimundo, de 57 anos, paga mensalidades de R$ 87,50 por um plano familiar da Dental Plus, que opera na Grande São Paulo. O valor garante o atendimento do aposentado, da esposa, de dois filhos e de uma nora. 'Tenho o plano desde 1996 e já fizemos vários tratamentos', diz Raimundo. 'Com toda certeza, se fosse pagar dentistas particulares, o gasto seria maior.'

Raimundo já utilizou o plano para fazer extrações e, a cada seis meses, faz limpeza e aplicação de flúor. 'Acabo me obrigando a ir ao dentista. Se estou pagando, por que não vou me consultar?'

Caderneta na alta roda

Valor Econômico
Por Danilo Fariello
23/10/2007

Tal qual patinho feio quando é descoberto cisne, a caderneta de poupança deixou de ser rejeitada para virar uma alternativa de investimento mesmo para aqueles mais preocupados com rentabilidade. Os seguidos cortes da taxa de juros, até a estagnação da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), fizeram com que os ganhos dos fundos de renda fixa, CDBs e títulos do Tesouro Direto recuassem mais rapidamente do que o retorno da caderneta. Além disso, a isenção de imposto de renda sobre o ganho e o suporte do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para depósitos até R$ 60 mil sustentam o brilho da aplicação. A nova realidade faz aplicadores de porte perder o preconceito e olhar para a antes preterida alternativa.


Segunda dados da Caixa Econômica Federal, responsável por cerca de um terço dos depósitos na caderneta, o saldo médio dos aplicadores sobe repetidas vezes desde outubro do ano passado. Naquele mês, o saldo médio estava abaixo de R$ 2 mil. Em setembro, esse valor ficou em R$ 2.112, representando crescimento de 7% no saldo médio dos aplicadores desde outubro - considerado o rendimento da caderneta no período. Em setembro, a procura pela caderneta chegou a R$ 4,2 bilhões, valor inferior somente aos meses de dezembro, quando há o 13º salário. No ano, a captação supera R$ 19 bilhões e, em setembro, o saldo em caderneta chegou ao topo inédito de R$ 218 bilhões.


Ainda segundo a Caixa, a caderneta cresceu mais nos últimos anos principalmente por conta dos aplicadores de maior porte. De 2003 a abril deste ano, o número de aplicadores com saldo entre R$ 10 mil e R$ 15 mil subiu 2,11%; entre R$ 50 e R$ 100 mil, cresceu 13,35%; e o número daqueles com saldo de R$ 100 mil a R$ 200 mil avançou 16,63%. Isso indica procura por diversificação de investidor de varejo de alto porte, diz Fabio Lenza, vice-presidente de Pessoas Físicas da Caixa. "Antes, tínhamos mais aquele pequeno poupador, que guarda a sobra de recursos para um gasto futuro, mas agora vemos na caderneta também o investidor, que usa a aplicação como um dos ativos do portfólio para ter segurança e rentabilidade." Lenza não aconselha aos investidores migrarem totalmente para a caderneta, só para diversificar.






A captação total da caderneta ainda está aquém das aplicações em CDBs e fundos de investimento, que receberam, respectivamente, R$ 28,0 bilhões e R$ 53,4 bilhões no ano, até setembro. Contudo a situação da caderneta com relação aos fundos e ao CDB é muito melhor do que em anos anteriores. Em 2006, a poupança captou R$ 6,5 bilhões, menos de 10% o valor que fluiu para os fundos e um quarto do que foi aplicado nos CDBs. Em 2005, quando a taxa Selic chegou a 19,75% ao ano e fundos viraram sensação, a caderneta teve R$ 2,7 bilhões em resgates.


Embora os CDBs tenham captado mais, está ocorrendo com esses títulos o oposto do que acontece com a poupança. Em janeiro de 2006, o volume de depósitos acima de R$ 50 mil estava em 36,5% do total, mas esses aplicadores perderam espaço para os investidores menores. Em setembro, a participação dos grandes aplicadores no CDB caiu a 25,9% das emissões, segundo dados da Câmara de Custódia e Liquidação (Cetip).


Neste ano, quando comparada à procura dos fundos de perfil mais conservador, a caderneta é, de longe, preferida. Os DI têm saques líquidos de R$ 12,1 bilhões no ano, segundo a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), e os fundos de renda fixa e curto prazo juntos recebem R$ 13,4 bilhões até setembro.


A maior procura pela caderneta tem suas razões. No ano passado, a tradicional aplicação apresentou rendimento de 8,33%, equivalente a 55% da variação de 15,04% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI) - índice de referência das aplicações em renda fixa. Ao longo deste ano, porém, a caderneta rende 65% do CDI. Até setembro, ela apresentou alta de 5,85% e o CDI subiu 8,96%. Isso quer dizer que a caderneta - corrigida pela Taxa Referencial mais 0,5% ao mês - já rende mais do que muitos fundos de renda fixa e DI com taxa de administração alta, acima de 2%, 3% ao ano, principalmente em prazos mais curtos, quando o imposto de renda das demais alternativas de investimento é maior. Na maior alíquota, de 22,5% de IR em prazo de até seis meses, até um fundo com taxa de 1,5% ao ano pode render abaixo da poupança, diz Lenza, da Caixa.


O crescimento da captação e do saldo médio da caderneta é principalmente resultado de atitudes como a do professor de finanças e vice-chefe da Faculdade de Economia e Administração da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Paulo Romaro. Há cerca de um ano, ele passou a depositar todos os recursos disponíveis para investimentos na boa e velha caderneta de poupança.


Romaro é bastante diferente do perfil daquele poupador de baixa renda tradicional da caderneta. Além do indiscutível conhecimento sobre finanças, Romaro já é um aplicador experiente. "Tenho dinheiro na bolsa, apliquei meu FGTS na Vale do Rio Doce e possuo papéis do Tesouro Direto, mas minhas aplicações mais recentes vão sempre para a caderneta."


O professor de finanças diz que, aos 47 anos, tornou-se mais conservador e não quer mais as oscilações dos outros investimentos. "A caderneta me oferece um bom e estável rendimento mensal, sem imposto", comenta. "Pode não ser a melhor opção para todos, mas cai como uma luva para quem é mais conservador."


Por conta da elevada taxa de juros, antes Romaro achava absurdo aplicar na caderneta e não aproveitar o retorno alto dos fundos. Para ele, os cortes na Selic e as ainda elevadas taxas de administração cobradas pelos fundos de renda fixa tornaram-os interessantes agora apenas para investimentos mais altos. "O mesmo ocorre com a previdência privada, que tem um custo de carregamento é altíssimo."


De forma geral, os fundos DI, curto prazo e renda fixa perdem muito dinheiro recentemente. As três categorias tiveram resgates líquidos de R$ 18,5 bilhões de julho a setembro deste ano, segundo dados do site Fortuna. "Não há dúvida que, para investir no curto prazo, a caderneta seja a melhor opção atualmente", diz Marcelo D'Agosto, sócio do Fortuna. Não dá para comparar uma isenção de imposto de renda com 22,5% de IR no curto prazo, comenta. "Talvez sejam os aplicadores de mais alta renda que estão percebendo isso melhor", diz D'Agosto.


Há alguns meses, o Conselho Monetário Nacional (CMN) alterou as regras para o cálculo do retorno da caderneta de poupança com a intenção de conter essa vantagem comparativa que ela ganhou perante os fundos. As normas foram ajustadas para que a aplicação oferecesse sempre uma rentabilidade de 65% do CDI - como ocorre com o valor acumulado no ano. No entanto, ainda assim, a caderneta oferece retorno melhor quando se trata de aplicação de curto prazo em fundos de renda fixa com altas taxas de administração ou CDBs com retornos mais baixos - em geral oferecidos para a baixa renda. "Isso não mudará muito se a Selic voltar a cair, subir ou permanecer estável, portanto, a competitividade da caderneta com os fundos permanece", diz Lenza. "A caderneta é uma interessante ferramenta para diversificação de investimento, para receber aquela parcela mais conservadora, de curto prazo e menor tolerante a oscilações e riscos", completa.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

13 milhões em perigo

Jornal da Tarde 22/10/2007
30% dos contratos de planos de saúde estão sem proteção da nova lei

MARCOS BURGHI, marcos.burghi@grupoestado.com.br


A recente decisão judicial que autorizou a Sul América a cobrar de seus clientes com planos de saúde antigos - anteriores à Lei nº 9.656/98 - , reajuste de 12,9%, retroativo a 2005, reacende nos consumidores uma dúvida: o que fazer com os contratos firmados antes de janeiro de 1999, quando essa lei que regula o setor passou a vigorar? De acordo com números da Agência Nacional de Saúde (ANS), cerca de 13,8 milhões de contratos em vigência, 29,9% do total, foram celebrados antes da norma. Com isso, esse grupo de pessoas não está protegido pela lei do setor.

De acordo com os órgãos de defesa do consumidor, a decisão de adaptá-los às novas regras ou mesmo fazer um novo contrato depende da análise de uma série de fatores, de preços à idade do beneficiado, além de coberturas e carências.

Para Hilma Araújo, técnica da Fundação Procon de São Paulo (Procon-SP), quem não adaptou seu contrato à nova legislação deixou de fazê-lo porque os valores são elevados. Ela alerta que, antes de qualquer mudança, é preciso comparar as coberturas oferecidas no plano atual e as encontradas nas novas ofertas. Outro fator diz respeito à idade do beneficiário. Nos contratos antigos não havia limites para reajuste por faixa etária, mas com a nova lei o aumento por esta razão está limitado aos 59 anos. Para estes casos, alerta a técnica, o consumidor deve ficar atento à sua data de aniversário. Alguém que adapte o contrato ou firme um novo hoje pagará o preço acordado e terá novo reajuste logo após por conta da mudança de faixa etária.

Outro cuidado é ler o documento com atenção e comparar as coberturas oferecidas na adaptação ou na nova proposta e aquelas especificadas no contrato antigo. Pelas novas regras, há três tipos de planos: ambulatorial, que não cobre internações; hospitalar, que prevê internação por tempo ilimitado e exames e procedimentos relacionados nos hospitais do plano e referência, o plano mais completo, que contempla tanto atendimento hospitalar como em consultórios médicos.

O consumidor, lembra Hilma, também deve ater-se ao preço que irá pagar pela mudança. De acordo com fontes do mercado, o aumento médio das adaptações chega a 25%. “A decisão deve ser tomada com calma”, recomenda.

Outro detalhe importante, observa a técnica do Procon, diz respeito a carências. Nas adaptações, elas podem existir para serviços que não constavam do contrato anterior; o tempo varia de plano para plano. Além disso, no caso das doenças preexistentes, aquelas que o consumidor sabe que tem antes de contratar o plano, a adaptação exclui cobertura de cirurgia, internação em UTI e exames complexos, como tomografia e ressonância magnética, para problemas decorrentes destas enfermidades. Nos contratos novos, além de não haver mais impedimento a essas coberturas, a carência para o uso dos recursos é de 24h da data de contratação do plano.

Na opinião de Maria Inês Dolci, diretora da Pro Teste, órgão de defesa do consumidor, antes de adaptar o plano antigo ou fazer novo contrato, o cliente deve tentar negociar com a operadora a eliminação das carências. Ela acrescenta que a abrangência territorial é importante, pois alguns planos garantem atendimento em outras cidades que não a de residência do cliente. Ela ainda lembra que a adaptação pode ser feita a qualquer tempo. Também observa que os planos antigos, embora não estejam contemplados na nova lei, contam com proteção do Código de Defesa do Consumidor, e cláusulas abusivas podem ser questionadas. A informação é reiterada por Dalton Callado, diretor de Fiscalização da ANS.

Para o advogado e consultor do JT, Josué Rios, qualquer adaptação ou novo contrato deve levar em conta a rede de cobertura. Ele acredita que, caso o valor caiba no bolso do consumidor, o melhor é adequar o plano à nova lei.

MUITA CALMA NA HORA DE MUDAR

*Compare as coberturas oferecidas no plano atual e as
encontradas nas novas ofertas

*Nos contratos antigos não havia limites para reajuste por faixa etária; com a lei dos planos o aumento está limitado aos 59 anos, mas quem adaptar o contrato ou firmar um novo próximo ao aniversário pagará o preço acordado e terá novo reajuste na mudança de faixa etária

*Compare as coberturas oferecidas na adaptação ou no novo contrato e aquelas especificadas no antigo

*A nova lei estabeleceu três tipos de planos em relação à cobertura: ambulatorial - que não cobre internações -, hospitalar - que prevê internação por tempo ilimitado e exames e procedimentos relacionados nos hospitais do plano - e referência, o plano mais completo, que contempla tanto atendimento hospitalar como em consultórios médicos

*Verifique o preço

*No caso de doenças preexistentes, a adaptação pode excluir cobertura de cirurgia, internação em UTI e
exames complexos para problemas decorrentes destas enfermidades

domingo, 21 de outubro de 2007

Aulas sobre dinheiro para crianças

O Estado de São Paulo 21/10/2007

Cursos ensinam noções financeiras básicas

Renata Cafardo, SÃO PAULO

Crianças de 5 anos repetem num coro típico de programa de auditório que é preciso “economizar com antecedência e freqüência”. O único adulto na sala usa adereços coloridos e age como se organizasse uma gincana.Mas o assunto é dinheiro. E o evento é parte do currículo da Escola Castelo Branco, uma das primeiras a adotar o programa The Money Camp. Criado nos Estados Unidos em 2002 por uma nutricionista, a idéia é oferecer educação financeira a crianças e adolescentes por meio de jogos.

Iniciativas semelhantes têm surgido no País, trazidas de fora, com métodos diferentes mas com mesmo objetivo. “Para tudo o que fazemos, precisamos de conceitos financeiros: emprestar dinheiro, comprar um carro, viajar”, diz o superintendente de assuntos corporativos do Citibank Brasil, Anthony Ingham. A empresa organiza um torneio entre escolas públicas do País sobre administração bancária. Antes da competição, voluntários do Citi dão aulas aos alunos de ensino médio sobre conceitos como taxa de juros, captação de recursos, empréstimos.

Cada grupo “administra” um banco e passa a tomar decisões como se estivesse lidando com o mercado financeiro, a partir de um software especial.

“Os alunos passam a gostar mais de matemática porque percebem que ela é aliada de coisas práticas e interessantes”, diz a diretora da Escola Estadual Zuleika de Barros, Regina Carlucci. A escola é uma das mais de 25 que participam do programa Banco em Ação, do Citibank. Há cerca de 8 mil alunos na competição, que tem fases virtuais e presenciais. “Agora, quero fazer faculdade de administração de empresas”, diz a participante Daina Oliveira Silva, de 16 anos. O grupo vencedor no Brasil ganha R$ 2 mil e representa o País na final latino-americana. O projeto existe em 17 países.

Na semana passada, a Mastercard também lançou um programa de educação financeira voltado principalmente aos jovens que começam a ter contato com operações de crédito. “Cerca de 60% dos portadores de cartão de crédito o têm há menos de três anos”, diz o gerente-geral da empresa no Brasil, José Tosi. “Os jovens de hoje são filhos de casais que viveram na inflação e não têm o hábito de fazer planejamento orçamentário.”

O programa criou um site didático (www.consumidorconsciente.org) que pretende ensinar conceitos básicos e ajudar a planejar o uso do dinheiro. A Mastercard ainda quer levar essa informação a universidades, por meio de palestras.

A americana Elisabeth Donati criou o Money Camp quando percebeu, aos 35 anos, que nada entendia de finanças e economia. Nos EUA, o curso é dado em acampamentos, mas no Brasil tem sido incorporado por escolas. A didática mistura conceitos financeiros e lições de moral. “Ser pobre é um estado de espírito”, “O dinheiro compra coisas, mas não compra sua felicidade” são frases escritas nas paredes da sala e repetidas pelos alunos.
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