terça-feira, 27 de outubro de 2009

IR de fundos será maior que rendimento mensal

Autor(es): Felipe Frisch

O Globo - 26/10/2009

  

Come-cotas em novembro deve anular ganho do mês. Alta de juros em 2010 põe renda fixa em destaque novamente

O investidor dos tradicionais fundos DI e de renda fixa, que acompanham a taxa básica de juros, Selic, hoje em 8,75% ao ano, deverá perder dois meses de rendimento este ano, para pagar o Imposto de Renda (IR) destas aplicações. E um desses meses será o de novembro, que começa daqui a uma semana e, à semelhança do que ocorre em maio, é quando incide o chamado "come-cotas". É esta a forma como o tributo é retido nas carteiras atreladas à taxa de juros: a cada seis meses, no último dia útil de maio e de novembro, o Leão morde o número de cotas equivalente a 15% da rentabilidade no período.

O problema é que, como a Selic está em queda — estava em 13,75% ao ano em dezembro —, o IR considerará no cálculo o rendimento de meses em que a remuneração foi mais elevada.

Com isso, o tributo será maior do que a rentabilidade de boa parte destes fundos de investimento no mês de novembro. O episódio também ocorreu em maio. Na ocasião, o IR médio foi equivalente a 0,87% dos valores aplicados nos fundos DI, contra uma rentabilidade média de 0,79%.

Para novembro, se a rentabilidade for semelhante à de outubro — o que tende a ocorrer, já que o Banco Central (BC) manteve a Selic estável em 8,75% ao ano na última semana e só volta a se reunir em dezembro, para quando também não há previsão de alteração na taxa —, o IR médio dos fundos será equivalente a 0,68%, dos valores aplicados, contra uma rentabilidade entre 0,64% e 0,72% estimada no mês.

Desconto do imposto é feito no número de cotas

E o investidor desavisado destes fundos poderá levar um susto se simplesmente comparar o saldo do fim de outubro com o do fim de novembro, pois poderá ter a impressão de que perdeu dinheiro. De fato, perdeu, não em rentabilidade, mas em número de cotas, que viraram tributo, como explica o administrador de investimentos Fabio Colombo.

O IR total dos fundos DI e de renda fixa pode chegar a 22,5% da rentabilidade, quanto menos tempo o investidor ficar na aplicação.

A diferença além dos 15% é recolhida no resgate. A redução do IR, fixando-o em 15% independentemente do prazo, foi uma das hipóteses sugeridas pelo governo para garantir que essas carteiras se mantenham mais atraentes do que a caderneta de poupança, que não é tributada.

Embora oficialmente a rentabilidade média dos fundos DI nos últimos 12 meses seja de 8,92%, contra a de 7,09% da poupança, na prática poucos investidores conseguem esse rendimento nas carteiras de renda fixa ou DI. Isso porque, além do IR, as taxas de administração cobradas pelos fundos são altas — chegam a 4% ao ano — e levam embora boa parte do ganho, aumentando a atratividade da caderneta.

A preocupação do governo decorre do fato de que estes fundos são os maiores financiadores da dívida federal, pois compram títulos públicos, e é por isso que acompanham a Selic. Como o IR é retido na fonte e a próxima incidência ocorre em novembro, este é considerado por analistas o prazo ideal para o governo mudar a legislação, para que a lei possa valer ainda em 2009 ou para não ter de devolver IR.

O alerta do prazo para alterar a lei é do professor de Finanças do Ibmec Gilberto Braga: — Novembro está chegando.

Se o governo tiver que mexer, seria uma boa fazê-lo agora, dando uma espécie de alforria com relação à tributação para os seis meses anteriores e estimulando as pessoas a ficarem na renda fixa. Do contrário, a percepção de que a rentabilidade em novembro foi negativa aumenta o risco de migração para a poupança.

Na prática, muitos analistas já descartam que o governo faça algo para reduzir a vantagem da poupança sobre os fundos, como tributar a caderneta. Isso porque a expectativa é de que o BC volte a elevar a Selic no segundo trimestre de 2010. O que será um alívio para os cofres públicos, ao serem mantidos os compradores de títulos federais, e para investidores dos fundos, que voltarão a ter rentabilidade comparável à de outras aplicações.

A projeção média dos analistas é de que a taxa básica de juros encerre 2010 em 10,50% ao ano, de acordo com o relatório Focus, divulgado pelo próprio BC, com estimativas do mercado. Se essa alta for confirmada, a renda fixa pode até voltar a ser destaque entre os investimentos possíveis.

— É cada vez mais consensual de que vai haver esta elevação dos juros entre abril e junho do ano que vem — diz Alexandre Póvoa, diretor da gestora de fundos Modal Asset, para quem a Selic pode chegar a 11,25% no fim de 2010, com uma elevação de 0,25 ponto, quatro de 0,5 e mais uma de 0,25.

O motivo principal para elevar os juros será conter a inflação, que pode ser pressionada pela recuperação econômica do país.

— Entre as aplicações conservadoras, com certeza a renda fixa se recupera um pouco. Com a alta dos juros, os fundos devem pelo menos se equiparar à poupança em 2010 — diz Póvoa.

O economista-chefe da corretora Ágora, Álvaro Bandeira, estima a Selic em 10,75% ao ano no fim do próximo ano, e reconhece que há quem fale em taxa de 13% ao longo de 2010: — Mas não acho que a volta dos juros ameace aplicações como a Bolsa. Isso só ocorre quando o juro real (taxa básica menos inflação) vai de 7% a 9% ao ano.

Hoje, está em torno de 4%.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A Bolsa a um click de distância

Jornal da Tarde
26/10/2009

Negociar ações pela internet é opção para pessoa física. Veja como escolher sua corretora

Paulo Darcie, paulo.darcie@grupoestado.com.br

Um dos responsáveis pela popularização do mercado de capitais entre os investidores individuais, o home broker, serviço que permite a negociação de ações pela internet, ganha cada vez mais espaço. Em setembro teve sua maior participação da história na BM&F Bovespa: ao todo, 215,8 mil pessoas usaram a ferramenta, movimentando 31,2% do total negociado na Bolsa de Valores São Paulo (Bovespa). Para quem pensa em entrar no mercado de ações, o primeiro passo é a escolha de uma corretora de valores.

Somente corretoras podem fazer ordens de compra e venda no pregão, e sua escolha depende do perfil do usuário. Existem 67 delas operando o home broker e os serviços oferecidos variam bastante. A primeira decisão do investidor é se vai optar por uma corretora independente ou uma de banco.

“É comum que o investidor comece com as corretoras dos grandes bancos, pois eles têm alcance maior”, avalia o superintendente de marketing da Banifinvest, Bruno Di Giorgio. “Conforme o cliente vai conhecendo melhor suas preferências e o mercado, procura produtos mais adequados para ele”, afirma.

O professor de finanças do Insper, Ricardo Almeida, lembra que nas corretoras de bancos as operações podem ser feitas de modo mais rápido, pois não é preciso transferir dinheiro para a conta da corretora por meio de DOC ou TED.

Também devem ser levados em consideração os custos de operação cobrados por cada corretora. Sobre cada movimentação incide uma taxa de corretagem e, mensalmente, o cliente ainda paga uma taxa de custódia, para cobrir custos operacionais.

“Os custos variam de acordo com a estrutura da corretora e com os serviços extras que elas oferecem. Manter uma equipe de analistas tem seu preço”, lembra Almeida. O professor recomenda a escolha de acordo com a necessidade que o cliente tem de acessar produtos oferecidos. “Para quem não está familiarizado com o mercado, pagar um pouco mais pelas análises, cursos e gráficos pode ser essencial”, diz.

Quem pensa em começar a investir com valores muito baixos, no entanto, pode inviabilizar seus lucros por conta das taxas. “É possível comprar até mesmo uma única ação, que custe R$ 1, mas, se a taxa de corretagem pela operação for de R$ 5, vai ser difícil que esse negócio traga lucro”, afirma o diretor comercial da TOV, Valestan Ribeiro. Estipular ou não um valor mínimo para investimento no home broker é decisão de cada corretora.

Estudo

Comprar e vender ações sem “interferências”, porém, pode não ser o melhor para quem não conhece o básico do mercado.

“Tem que estudar. O ideal é ler balanços de empresas, aprender a interpretar as informações e saber exatamente do que está tratando”, ressalta o administrador de investimentos Fábio Colombo. “Boa opção para iniciantes, o fundo de ações tem um gestor especialista no assunto tomando as decisões”, afirma ele.

Além do fundo, uma outra alternativa, de acordo com Almeida, do Insper, é começar paralelamente no home broker e via telefone, com o operador, para “sentir o mercado”.

Outro risco, lembram os especialistas, é o vício que a facilidade de se comprar e vender papéis a qualquer momento pode trazer. “Tem que tomar cuidado para não utilizá-lo como se estivesse apostando. Mercado não é cassino”, alerta Colombo. “O investidor pode chegar a um ponto de querer ter um lucro maior a cada operação, sem fazer a análise necessária antes”, lembra. “Há uma ilusão de que é ‘charmoso’ comprar e vender ações sem o auxílio de profissionais, entretanto, se as decisões não tiverem embasamento, o prejuízo pode ser grande”, diz Almeida.




SAIBA MAIS

CUSTÓDIA

Taxa mensal que cobre custos operacionais das corretoras. Não é obrigatória, e há corretoras que a condicionam ao número de operações no mês

CORRETAGEM

Cobrada a cada ordem de compra ou venda. O valor, definido pela corretora, pode ser fixo ou uma fração do negócio

DAY TRADE

Operações de compra e venda de ações no mesmo dia, para lucrar com a diferença
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