segunda-feira, 1 de junho de 2009
Livros importados
Um amigo me indicou a livraria http://www.abebooks.com que vende usados e novos a preços baixos. Utilizei e os livros foram entregues em minha casa. Mas é bom comparar com outras livrarias virtuais antes somando-se o frete, dependendo do título que você deseja pode ser que a oferta não seja tão boa.
Órfãos do Tesouro
Corretora do Real se descredencia das negociações de títulos públicos na rede e manda 2 mil clientes embora
Valor Econômico
Por Adriana Cotias, de São Paulo
01/06/2009
Os clientes da Real Corretora foram recentemente surpreendidos por uma correspondência que informa que os serviços que presta como agente de custódia junto ao Tesouro Direto vão ser encerrados em 31 de julho. Desde 25 de abril, quem tinha adquirido títulos públicos pela corretora só pode vender, resgatar ou transferir os papéis para outra instituição. É isso mesmo: os investidores estão sendo mandados embora e agora têm de bater às portas de outro intermediário. Com a aquisição do controle do ABN Amro pelo Santander, o Tesouro Direto saiu do escopo de produtos considerados estratégicos pelo Banco Real, que era a subsidiária brasileira do banco holandês.
Bem no momento em que a BM&FBovespa começa a popularizar a venda de títulos públicos pela internet e estimula a integração da plataforma do Tesouro Direto ao home broker das corretoras, sai de cena mais um nome do varejo brasileiro na oferta desse serviço. A Real cobrava 0,40% e ocupava, ao fim de 2008, a sexta posição no ranking do Tesouro de intermediários mais ativos no programa. Segundo a assessoria de imprensa da corretora são cerca de 2 mil clientes que vão ter de se mudar para outra corretora.
Aos olhos dos grandes conglomerados financeiros, desde quando foi criado, em 2002, o Tesouro Direto vem sendo encarado com certas ressalvas, por representar concorrência à oferta de fundos na rede bancária. Trata-se de um segmento em que os bancos arrecadam receitas vultosas com taxas de administração, principalmente junto ao público de varejo, que aplica valores baixos e tem pouca mobilidade.
Mas essa situação também pode estar mudando. A Bradesco Corretora baixou drasticamente a taxa cobrada como agente de custódia, de 4% ao ano para 0,5% ao ano, ficando mais em linha com os custos do mercado. Desta forma, a Itaú Corretora será a única a manter preços proibitivos, de 4% ao ano no varejo e de 3% ao ano para os clientes da segmentação de alta renda do Personnalité. Cobra ainda R$ 25 por operação realizada.
Num momento de redução do juro básico - a Selic pode cair abaixo de 10% ao ano na semana que vem -, tanto maior o peso dos custos no rendimento do investidor. Um aplicador que tivesse adquirido na semana passada R$ 5 mil em Letras do Tesouro Nacional (LTN) com vencimento em 1º de janeiro de 2012 teria na Itaú Corretora um rendimento de 5,17% no resgate, já considerados os custos e a tributação. Se optasse, por exemplo, por uma corretora que não cobra pelo serviço, caso da Banif, Socopa e Spinelli, teria um retorno líquido de 8,95%. Entre uma alternativa e outra, a diferença é de R$ 319, o equivalente a 6,4%, mais do que o juro real. Isso quer dizer que se for considerada a inflação no período, o aplicador pode ficar mesmo no prejuízo.
Ao ser questionado pelo Valor, o Santander, controlador do Real, informou que "a decisão pela descontinuidade do produto Tesouro Direto foi tomada pois ele não está alinhado com os objetivos estratégicos atuais da organização." A própria corretora do Santander, que no seu site se identifica como líder no segmento de pessoa física, já não ofertava o serviço. A Bradesco Corretora, habilitada desde 2005, conseguiu, por sua vez, vencer uma barreira interna ao baixar os custos para 0,50%, mesmo nível de quando foi credenciada ao sistema.
A crise internacional teve muito a ver com tal iniciativa. "Com a volatilidade do mercado no ano passado, o cliente saía da bolsa e não tinha onde investir na própria corretora, acabava saindo e não voltava mais", diz o superintendente executivo da Bradesco Corretora, Vladimir Bidoy Mendonça, reconhecendo que o custo de 4% ao ano no Tesouro Direto era considerado alto demais pelos clientes da casa. A resistência dentro do conglomerado foi quebrada a partir do entendimento de que o segmento de fundos no banco já está bem consolidado. "Quem tem conhecimento da renda fixa opera sozinho pelo Tesouro Direto e os que são leigos podem recorrer à gestão profissional, nos fundos."
No Banco do Brasil maior intermediário do Tesouro Direto - com um fatia de 21,4% do estoque de R$ 2,8 bilhões em títulos públicos vendidos até o fim do ano passado e com mais de 27 mil clientes cadastrados -, nunca houve o conflito fundos-Tesouro, afirma o gerente executivo da diretoria de Varejo, Antônio Cássio Segura. "Toda consultoria com o cliente é baseada no conceito da diversificação, procuramos entender o horizonte de investimento dele, o objetivo da poupança, os sonhos, e aí aconselhamos a carteira, que passa por fundos, títulos públicos e, dependendo do perfil, até por ações", afirma.
O executivo considera a taxa cobrada, de 0,50% ao ano, compatível com a Selic atual, de 10,25% ao ano, mas diz que se a trajetória de queda se aprofundar, a instituição será sensível à revisão deste custo. "O próprio mercado vai rearranjar os preços senão perde competitividade e vai se movimentar primeiro quem estiver perdendo participação, a velocidade dependerá disso."
O produto Tesouro Direto tem muita sinergia com os demais serviços prestados pela HSBC Corretora e, por isso, a opção de adotar uma taxa de 0,30% ao ano, a menor entre os bancos de varejo, segundo Jeferson Amaral, gestor do Portal de Investimentos. Oitavo colocado no ranking de agentes de custódia de 2008, ele afirma que a instituição consegue ter escala suficiente para cobrar barato, sem abrir mão de qualidade no atendimento.
Entre os clientes que optam pela compra direta dos títulos públicos, Amaral conta que está o perfil mais conservador e não, necessariamente, aquele que também investe em ações. E, no banco, não há barreiras de entrada. Quem quiser abrir uma conta investimento na instituição só para aplicar no Tesouro, por exemplo, tem essa alternativa, sem custos adicionais. No Bradesco e no BB, o aplicador tem de ser, obrigatoriamente, correntista das instituições, arcando assim com as tarifas de manutenção de conta corrente.
Ter uma taxa competitiva, de 0,20% ao ano, é uma forma de fidelizar o cliente na corretora, qualquer que seja o cenário para o mercado acionário, afirma o operador de Renda Fixa da Ativa, Fernando Marques. "Num momento ruim para ações, quando há fuga para a renda fixa, o investidor fica sempre conosco", afirma, lembrando dos momentos vividos a partir da quebra do Lehman Brothers, em setembro, quando as bolsas despencaram mundo afora e os aplicadores de lá e cá buscaram o conforto dos títulos públicos, considerados de baixo risco.
Para o técnico, com a Selic caindo para 9% ou ficando até abaixo disso, mais perceptível será o custo na rentabilidade do investidor. "O Brasil está hoje num nível de juros que o mercado nunca operou e 0,10, 0,20 ponto vai fazer diferença", diz. "Tivemos casos de clientes saindo de corretora que cobrava 0,25% para operar conosco." Nesse ambiente de juros sensivelmente mais baixos, ele considera que os prefixados longos ou mesmo os indexados à inflação são as alternativas mais atraentes, mas reconhece que o aplicador anda meio reticente em alongar prazos em meio às discussões para mudanças na caderneta de poupança e na tributação dos fundos de investimentos.
Na Spinelli Corretora, uma das três que não cobram pelo serviço de intermediário no Tesouro Direto, a isenção é um atrativo mercadológico incontestável, conta o diretor de operações BM&FBovespa, Marcos Amaral. "Sem a custódia, o investidor tem a rentabilidade cheia e é uma forma de trazê-lo para operar conosco, essa pode ser a sua porta de entrada na corretora."
A casa foi uma das eleitas pela BM&FBovespa para ter a integração do sistema do Tesouro Direto ao home broker, a plataforma de negociação de ações pela internet. Pelo programa, as corretoras mais ativas em negociação vão receber subsídio de R$ 50 mil cada para fazer os ajustes tecnológicos. As outras corretoras selecionadas foram Ágora, Alpes, Ativa, Banif, Coinvalores, Fator, Gradual, HSBC e Socopa. O BB já tem o serviço integrado ao seu internet banking, contratando o serviço de corretoras parceiras, enquanto não há uma definição sobre uma eventual centralização na corretora do Votorantim, banco ao qual a instituição se associou em janeiro, adquirindo uma participação de 50%.
A Itaú Corretora, bem como a Unibanco Investhop, já têm as plataformas home broker-Tesouro Direto integradas em seus sistemas. Resta saber se após a fusão do Itaú com o Unibanco, o Unibanco Investshop, que cobra 0,35% ao ano de custódia e é o sétimo no ranking do Tesouro, vai replicar a política de preços do banco parceiro. Procurada pelo Valor, a assessoria de imprensa do Itaú não dispôs de um porta-voz nem retornou aos pedidos de esclarecimentos da reportagem.
Valor Econômico
Por Adriana Cotias, de São Paulo
01/06/2009
Os clientes da Real Corretora foram recentemente surpreendidos por uma correspondência que informa que os serviços que presta como agente de custódia junto ao Tesouro Direto vão ser encerrados em 31 de julho. Desde 25 de abril, quem tinha adquirido títulos públicos pela corretora só pode vender, resgatar ou transferir os papéis para outra instituição. É isso mesmo: os investidores estão sendo mandados embora e agora têm de bater às portas de outro intermediário. Com a aquisição do controle do ABN Amro pelo Santander, o Tesouro Direto saiu do escopo de produtos considerados estratégicos pelo Banco Real, que era a subsidiária brasileira do banco holandês.
Bem no momento em que a BM&FBovespa começa a popularizar a venda de títulos públicos pela internet e estimula a integração da plataforma do Tesouro Direto ao home broker das corretoras, sai de cena mais um nome do varejo brasileiro na oferta desse serviço. A Real cobrava 0,40% e ocupava, ao fim de 2008, a sexta posição no ranking do Tesouro de intermediários mais ativos no programa. Segundo a assessoria de imprensa da corretora são cerca de 2 mil clientes que vão ter de se mudar para outra corretora.
Aos olhos dos grandes conglomerados financeiros, desde quando foi criado, em 2002, o Tesouro Direto vem sendo encarado com certas ressalvas, por representar concorrência à oferta de fundos na rede bancária. Trata-se de um segmento em que os bancos arrecadam receitas vultosas com taxas de administração, principalmente junto ao público de varejo, que aplica valores baixos e tem pouca mobilidade.
Mas essa situação também pode estar mudando. A Bradesco Corretora baixou drasticamente a taxa cobrada como agente de custódia, de 4% ao ano para 0,5% ao ano, ficando mais em linha com os custos do mercado. Desta forma, a Itaú Corretora será a única a manter preços proibitivos, de 4% ao ano no varejo e de 3% ao ano para os clientes da segmentação de alta renda do Personnalité. Cobra ainda R$ 25 por operação realizada.
Num momento de redução do juro básico - a Selic pode cair abaixo de 10% ao ano na semana que vem -, tanto maior o peso dos custos no rendimento do investidor. Um aplicador que tivesse adquirido na semana passada R$ 5 mil em Letras do Tesouro Nacional (LTN) com vencimento em 1º de janeiro de 2012 teria na Itaú Corretora um rendimento de 5,17% no resgate, já considerados os custos e a tributação. Se optasse, por exemplo, por uma corretora que não cobra pelo serviço, caso da Banif, Socopa e Spinelli, teria um retorno líquido de 8,95%. Entre uma alternativa e outra, a diferença é de R$ 319, o equivalente a 6,4%, mais do que o juro real. Isso quer dizer que se for considerada a inflação no período, o aplicador pode ficar mesmo no prejuízo.
Ao ser questionado pelo Valor, o Santander, controlador do Real, informou que "a decisão pela descontinuidade do produto Tesouro Direto foi tomada pois ele não está alinhado com os objetivos estratégicos atuais da organização." A própria corretora do Santander, que no seu site se identifica como líder no segmento de pessoa física, já não ofertava o serviço. A Bradesco Corretora, habilitada desde 2005, conseguiu, por sua vez, vencer uma barreira interna ao baixar os custos para 0,50%, mesmo nível de quando foi credenciada ao sistema.
A crise internacional teve muito a ver com tal iniciativa. "Com a volatilidade do mercado no ano passado, o cliente saía da bolsa e não tinha onde investir na própria corretora, acabava saindo e não voltava mais", diz o superintendente executivo da Bradesco Corretora, Vladimir Bidoy Mendonça, reconhecendo que o custo de 4% ao ano no Tesouro Direto era considerado alto demais pelos clientes da casa. A resistência dentro do conglomerado foi quebrada a partir do entendimento de que o segmento de fundos no banco já está bem consolidado. "Quem tem conhecimento da renda fixa opera sozinho pelo Tesouro Direto e os que são leigos podem recorrer à gestão profissional, nos fundos."
No Banco do Brasil maior intermediário do Tesouro Direto - com um fatia de 21,4% do estoque de R$ 2,8 bilhões em títulos públicos vendidos até o fim do ano passado e com mais de 27 mil clientes cadastrados -, nunca houve o conflito fundos-Tesouro, afirma o gerente executivo da diretoria de Varejo, Antônio Cássio Segura. "Toda consultoria com o cliente é baseada no conceito da diversificação, procuramos entender o horizonte de investimento dele, o objetivo da poupança, os sonhos, e aí aconselhamos a carteira, que passa por fundos, títulos públicos e, dependendo do perfil, até por ações", afirma.
O executivo considera a taxa cobrada, de 0,50% ao ano, compatível com a Selic atual, de 10,25% ao ano, mas diz que se a trajetória de queda se aprofundar, a instituição será sensível à revisão deste custo. "O próprio mercado vai rearranjar os preços senão perde competitividade e vai se movimentar primeiro quem estiver perdendo participação, a velocidade dependerá disso."
O produto Tesouro Direto tem muita sinergia com os demais serviços prestados pela HSBC Corretora e, por isso, a opção de adotar uma taxa de 0,30% ao ano, a menor entre os bancos de varejo, segundo Jeferson Amaral, gestor do Portal de Investimentos. Oitavo colocado no ranking de agentes de custódia de 2008, ele afirma que a instituição consegue ter escala suficiente para cobrar barato, sem abrir mão de qualidade no atendimento.
Entre os clientes que optam pela compra direta dos títulos públicos, Amaral conta que está o perfil mais conservador e não, necessariamente, aquele que também investe em ações. E, no banco, não há barreiras de entrada. Quem quiser abrir uma conta investimento na instituição só para aplicar no Tesouro, por exemplo, tem essa alternativa, sem custos adicionais. No Bradesco e no BB, o aplicador tem de ser, obrigatoriamente, correntista das instituições, arcando assim com as tarifas de manutenção de conta corrente.
Ter uma taxa competitiva, de 0,20% ao ano, é uma forma de fidelizar o cliente na corretora, qualquer que seja o cenário para o mercado acionário, afirma o operador de Renda Fixa da Ativa, Fernando Marques. "Num momento ruim para ações, quando há fuga para a renda fixa, o investidor fica sempre conosco", afirma, lembrando dos momentos vividos a partir da quebra do Lehman Brothers, em setembro, quando as bolsas despencaram mundo afora e os aplicadores de lá e cá buscaram o conforto dos títulos públicos, considerados de baixo risco.
Para o técnico, com a Selic caindo para 9% ou ficando até abaixo disso, mais perceptível será o custo na rentabilidade do investidor. "O Brasil está hoje num nível de juros que o mercado nunca operou e 0,10, 0,20 ponto vai fazer diferença", diz. "Tivemos casos de clientes saindo de corretora que cobrava 0,25% para operar conosco." Nesse ambiente de juros sensivelmente mais baixos, ele considera que os prefixados longos ou mesmo os indexados à inflação são as alternativas mais atraentes, mas reconhece que o aplicador anda meio reticente em alongar prazos em meio às discussões para mudanças na caderneta de poupança e na tributação dos fundos de investimentos.
Na Spinelli Corretora, uma das três que não cobram pelo serviço de intermediário no Tesouro Direto, a isenção é um atrativo mercadológico incontestável, conta o diretor de operações BM&FBovespa, Marcos Amaral. "Sem a custódia, o investidor tem a rentabilidade cheia e é uma forma de trazê-lo para operar conosco, essa pode ser a sua porta de entrada na corretora."
A casa foi uma das eleitas pela BM&FBovespa para ter a integração do sistema do Tesouro Direto ao home broker, a plataforma de negociação de ações pela internet. Pelo programa, as corretoras mais ativas em negociação vão receber subsídio de R$ 50 mil cada para fazer os ajustes tecnológicos. As outras corretoras selecionadas foram Ágora, Alpes, Ativa, Banif, Coinvalores, Fator, Gradual, HSBC e Socopa. O BB já tem o serviço integrado ao seu internet banking, contratando o serviço de corretoras parceiras, enquanto não há uma definição sobre uma eventual centralização na corretora do Votorantim, banco ao qual a instituição se associou em janeiro, adquirindo uma participação de 50%.
A Itaú Corretora, bem como a Unibanco Investhop, já têm as plataformas home broker-Tesouro Direto integradas em seus sistemas. Resta saber se após a fusão do Itaú com o Unibanco, o Unibanco Investshop, que cobra 0,35% ao ano de custódia e é o sétimo no ranking do Tesouro, vai replicar a política de preços do banco parceiro. Procurada pelo Valor, a assessoria de imprensa do Itaú não dispôs de um porta-voz nem retornou aos pedidos de esclarecimentos da reportagem.
Tesouro Direto é melhor mesmo com corte dos juros
Jornal da Tarde
01/06/2009
Comparada à poupança, a opção de compra de títulos do governo federal ainda rende mais, mesmo com a previsão de queda da Selic, a taxa básica de juros da economia, nos próximos meses. Facilidade é a principal força da caderneta
FABRÍCIO DE CASTRO, fabricio.castro@grupoestado.com.br
Nem mesmo a queda da taxa básica de juros da economia (Selic), que desde dezembro passou de 13,75% para 10,25% ao ano, tornou o investimento em títulos públicos menos atraentes. Na comparação com a caderneta de poupança, os títulos são mais rentáveis e seguros.
Emitidos pelo governo, eles podem ser adquiridos por qualquer pessoa, por meio do site do Tesouro Direto (www.tesourodireto.com.br). Há opções pré-fixadas - que já estabelecem os ganhos anuais que o investidor terá - e papéis que acompanham a variação da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ou pela Selic (leia mais abaixo).
Com a baixa da Selic, os títulos perderam em rentabilidade, mas continuam superando a poupança. “Se você hoje comprar uma LTN (título pré-fixado) com rentabilidade de 9,30% ao ano, e pagar 20% de Imposto de Renda, terá um ganho próximo de 7,30%”, cita Liao Yu Chieh, professor de Finanças do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. “Na poupança, o ganho será de 6,17% ao ano, mais a TR (taxa referencial).”
Essa diferença aparece no desempenho das aplicações nos últimos 12 meses. Até o dia 26 de maio, a caderneta de poupança acumulava ganhos de 8,2% - enquanto a média dos títulos pré-fixados em circulação (LTN e NTN-F) era de 18,42%, segundo dados da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima).
Mas se os títulos públicos são tão bons, porque o brasileiro continua insistindo em aplicar na poupança? A resposta está na facilidade. “O Tesouro Direto exige mudanças de postura. O investidor tem que se cadastrar no banco e buscar informações sobre os diferentes títulos para fazer escolhas”, explica Mauro CAlil, educador financeiro do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil. “Na poupança, basta ligar para o banco.”
A facilidade em aplicar e a rentabilidade garantida, de 6,17% ao ano mais a TR, torna a poupança a campeã de preferências. Até 25 de maio, os brasileiros mantinham R$ 276 bilhões nas contas de poupança. O volume aplicado em títulos públicos, até o fim de abril, era de apenas R$ 2,77 bilhões.
Na visão dos investidores, a poupança oferece uma vantagem adicional: a segurança. Por lei, em caso de quebra do banco, os depósitos de até R$ 60 mil na caderneta são pagos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A boa notícia é que os títulos públicos são tão seguros quanto a poupança. “Se fizéssemos um ranking da segurança, a poupança e o investimento em títulos estariam na frente”, confirma a economista Sandra Biagioli, coordenadora do curso de Finanças Pessoais da Universidade Cidade de São Paulo.
Na prática, quem compra um título torna-se credor do governo - e só não vai receber o dinheiro de volta se o Brasil quebrar. “Os títulos estão ligados a operações do governo. Ele chega a ser mais seguro que a poupança”, diz Alexandre Chaia, professor de Finanças da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
O projeto de cobrança de Imposto de Renda das contas de poupança com mais de R$ 50 mil de saldo, a partir do ano que vem, promete aumentar a distância entre a caderneta e os títulos públicos. Com a tributação, os investidores precisarão decidir se vale a pena ficar na poupança ou buscar opções. “Quem tem menos de R$ 50 mil e está na poupança não deve se preocupar. Nada vai mudar”, ressalta Sandra.
Mas a aplicação em títulos públicos, mesmo em um cenário de queda da Selic, deve continuar mais rentável. Na hora de escolher, porém, é importante considerar o prazo que o dinheiro vai ficar aplicado.
A caderneta permite saques diários - por isso, é ideal para quem precisa complementar a renda do mês. Já os títulos públicos são recomprados pelo governo apenas às quartas-feiras. Se o investidor precisar do dinheiro em outro dia da semana, terá que esperar.
O investidor que vai precisar de todo o dinheiro em menos de um ano, por exemplo, também deve dar preferência à poupança. No caso dos títulos públicos, os ganhos são maiores no médio e no longo prazos.
“Mas tudo vai depender do prazo do título”, explica o economista Milton Sanchez, professor da Profins Business School. Nada impede que você compre títulos indexados à Selic com vencimento em 2010, por exemplo, e títulos ligados à inflação de olho na aposentadoria.”
SAIBA MAIS
PRAZOS
Todos os títulos públicos possuem prazos de vencimento. Ao comprar um título para 2024, por exemplo, você somente receberá o total aplicado naquela data
LIQUIDEZ
Nada impede, porém, que o investidor em títulos decida sacar seu dinheiro antes do
prazo. Todas as quartas-feiras o Tesouro Nacional recompra os títulos dos investidores. Ao vendê-los antes, você não terá todos os ganhos previstos
SAQUES
Na poupança, os saques podem ser feitos todos os dias. Por isso a liquidez é maior
TIPOS
As Letras do Tesouro Nacional (LTNs) são prefixadas: o investidor sabe, desde o início, quanto vai receber no final. Também pré-fixadas, as Notas do Tesouro Nacional-Série F (NTN-F) pagam juros a cada seis meses. Já as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) são atreladas à Selic. Os juros e o principal são pagos apenas no vencimento
As Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-Bs) variam conforme a inflação e pagam um adicional de juros. A cada seis meses, o investidor recebe os juros em sua conta corrente. A NTN-B Principal, porém, só paga os juros e o
principal no fim do prazo
01/06/2009
Comparada à poupança, a opção de compra de títulos do governo federal ainda rende mais, mesmo com a previsão de queda da Selic, a taxa básica de juros da economia, nos próximos meses. Facilidade é a principal força da caderneta
FABRÍCIO DE CASTRO, fabricio.castro@grupoestado.com.br
Nem mesmo a queda da taxa básica de juros da economia (Selic), que desde dezembro passou de 13,75% para 10,25% ao ano, tornou o investimento em títulos públicos menos atraentes. Na comparação com a caderneta de poupança, os títulos são mais rentáveis e seguros.
Emitidos pelo governo, eles podem ser adquiridos por qualquer pessoa, por meio do site do Tesouro Direto (www.tesourodireto.com.br). Há opções pré-fixadas - que já estabelecem os ganhos anuais que o investidor terá - e papéis que acompanham a variação da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ou pela Selic (leia mais abaixo).
Com a baixa da Selic, os títulos perderam em rentabilidade, mas continuam superando a poupança. “Se você hoje comprar uma LTN (título pré-fixado) com rentabilidade de 9,30% ao ano, e pagar 20% de Imposto de Renda, terá um ganho próximo de 7,30%”, cita Liao Yu Chieh, professor de Finanças do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. “Na poupança, o ganho será de 6,17% ao ano, mais a TR (taxa referencial).”
Essa diferença aparece no desempenho das aplicações nos últimos 12 meses. Até o dia 26 de maio, a caderneta de poupança acumulava ganhos de 8,2% - enquanto a média dos títulos pré-fixados em circulação (LTN e NTN-F) era de 18,42%, segundo dados da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima).
Mas se os títulos públicos são tão bons, porque o brasileiro continua insistindo em aplicar na poupança? A resposta está na facilidade. “O Tesouro Direto exige mudanças de postura. O investidor tem que se cadastrar no banco e buscar informações sobre os diferentes títulos para fazer escolhas”, explica Mauro CAlil, educador financeiro do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil. “Na poupança, basta ligar para o banco.”
A facilidade em aplicar e a rentabilidade garantida, de 6,17% ao ano mais a TR, torna a poupança a campeã de preferências. Até 25 de maio, os brasileiros mantinham R$ 276 bilhões nas contas de poupança. O volume aplicado em títulos públicos, até o fim de abril, era de apenas R$ 2,77 bilhões.
Na visão dos investidores, a poupança oferece uma vantagem adicional: a segurança. Por lei, em caso de quebra do banco, os depósitos de até R$ 60 mil na caderneta são pagos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A boa notícia é que os títulos públicos são tão seguros quanto a poupança. “Se fizéssemos um ranking da segurança, a poupança e o investimento em títulos estariam na frente”, confirma a economista Sandra Biagioli, coordenadora do curso de Finanças Pessoais da Universidade Cidade de São Paulo.
Na prática, quem compra um título torna-se credor do governo - e só não vai receber o dinheiro de volta se o Brasil quebrar. “Os títulos estão ligados a operações do governo. Ele chega a ser mais seguro que a poupança”, diz Alexandre Chaia, professor de Finanças da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
O projeto de cobrança de Imposto de Renda das contas de poupança com mais de R$ 50 mil de saldo, a partir do ano que vem, promete aumentar a distância entre a caderneta e os títulos públicos. Com a tributação, os investidores precisarão decidir se vale a pena ficar na poupança ou buscar opções. “Quem tem menos de R$ 50 mil e está na poupança não deve se preocupar. Nada vai mudar”, ressalta Sandra.
Mas a aplicação em títulos públicos, mesmo em um cenário de queda da Selic, deve continuar mais rentável. Na hora de escolher, porém, é importante considerar o prazo que o dinheiro vai ficar aplicado.
A caderneta permite saques diários - por isso, é ideal para quem precisa complementar a renda do mês. Já os títulos públicos são recomprados pelo governo apenas às quartas-feiras. Se o investidor precisar do dinheiro em outro dia da semana, terá que esperar.
O investidor que vai precisar de todo o dinheiro em menos de um ano, por exemplo, também deve dar preferência à poupança. No caso dos títulos públicos, os ganhos são maiores no médio e no longo prazos.
“Mas tudo vai depender do prazo do título”, explica o economista Milton Sanchez, professor da Profins Business School. Nada impede que você compre títulos indexados à Selic com vencimento em 2010, por exemplo, e títulos ligados à inflação de olho na aposentadoria.”
SAIBA MAIS
PRAZOS
Todos os títulos públicos possuem prazos de vencimento. Ao comprar um título para 2024, por exemplo, você somente receberá o total aplicado naquela data
LIQUIDEZ
Nada impede, porém, que o investidor em títulos decida sacar seu dinheiro antes do
prazo. Todas as quartas-feiras o Tesouro Nacional recompra os títulos dos investidores. Ao vendê-los antes, você não terá todos os ganhos previstos
SAQUES
Na poupança, os saques podem ser feitos todos os dias. Por isso a liquidez é maior
TIPOS
As Letras do Tesouro Nacional (LTNs) são prefixadas: o investidor sabe, desde o início, quanto vai receber no final. Também pré-fixadas, as Notas do Tesouro Nacional-Série F (NTN-F) pagam juros a cada seis meses. Já as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) são atreladas à Selic. Os juros e o principal são pagos apenas no vencimento
As Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-Bs) variam conforme a inflação e pagam um adicional de juros. A cada seis meses, o investidor recebe os juros em sua conta corrente. A NTN-B Principal, porém, só paga os juros e o
principal no fim do prazo
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Financiar carro vale a pena hoje?
Jornal da Tarde
28/05/2009
Luciele Velluto
Financiar um carro zero km é um bom negócio diante da desvalorização que sofrerá ao final do contrato? Essa é a questão que mais preocupa o consumidor na hora da compra. Hoje, um veículo novo perde de 15% a 20% de ser valor logo que sai da loja. “E ainda vai caindo de preço de 5% a 20% anualmente, dependendo do modelo”, afirma Airton Fontes, economista da consultoria de mercado MSantos.
Outro ponto que Fontes recomenda é que seja avaliado é que um financiamento de 80 meses, por exemplo, fará com que o consumidor pague ao mesmo tempo o veículo que não vale o mesmo de quando teve o contrato de financiamento fechado e a manutenção desse carro, que no fim do contrato terá cerca de 6 anos de uso.
“Na análise pelas taxas, fazer um financiamento acima de 60 meses também não valerá a pena porque as financeiras equalizaram os juros cobrados para modalidade de longo prazo. Para 60, 72 ou 80 vezes, é a mesma taxa”, comenta o economista da MSantos.
No auge dos financiamentos de veículos, o mercado chegou a oferecer no início do ano passado veículos em até 99 meses, mas com a crise, os prazos foram cortados para 32 parcelas mensais no final de 2008. “Mas de todos esses mais longos, o de 60 vezes foi o que melhor se adaptou ao bolso do brasileiro. O restante não emplacou”, diz Fontes.
Finanças
Para os economistas especializados em finanças, se o consumidor quiser aproveitar o momento atual de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o aconselhável é parcelar apenas 20% do valor do veículo e no prazo máximo de 12 meses. “Um carro de R$ 25 mil financiado em 60 meses ao juros de 2,5% mensais sairá R$ 48.530 no final, por exemplo”, afirma o professor de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA), José Carlos Luxo.
A recomendação do professor é que o consumidor faça uma poupança para atingir o valor do carro. Se for feita no mesmo período e com a aplicação da mesma parcela de um financiamento, o poupador terá mais que o dobro no final do período estipulado.
O educador financeiro Reinaldo Domingos afirma que outro ponto necessário a ser levado em consideração na troca e financiamento é o custo mensal que esse veículo terá além do preço da parcela. “Um carro de R$ 20 mil gasta entre R$ 450 e R$ 600 com manutenção, impostos e combustíveis por ano”, comenta.
Mas se o consumidor quer aproveitar o período de impostos em baixa, Fontes afirma que uma boa prática é a pesquisa de preço na hora de adquirir o veículo novo. “Para quem vai comprar um carro zero, a primeira dica é pesquisar em pelo menos quatro concessionárias. A pessoa vai perder o fim de semana mas isso vai ser um benefício para ela. Essa história de preço tabelado não existe. O preço praticado por cada loja vai depender do estoque da concessionária e da situação financeira do lojista”, comenta o consultor.
“Quem precisa desovar estoque vai praticar um preço mais baixo, e esse desconto que o consumidor tem que encontrar. E é preciso visitar a loja pessoalmente”, afirma o economista.
28/05/2009
Luciele Velluto
Financiar um carro zero km é um bom negócio diante da desvalorização que sofrerá ao final do contrato? Essa é a questão que mais preocupa o consumidor na hora da compra. Hoje, um veículo novo perde de 15% a 20% de ser valor logo que sai da loja. “E ainda vai caindo de preço de 5% a 20% anualmente, dependendo do modelo”, afirma Airton Fontes, economista da consultoria de mercado MSantos.
Outro ponto que Fontes recomenda é que seja avaliado é que um financiamento de 80 meses, por exemplo, fará com que o consumidor pague ao mesmo tempo o veículo que não vale o mesmo de quando teve o contrato de financiamento fechado e a manutenção desse carro, que no fim do contrato terá cerca de 6 anos de uso.
“Na análise pelas taxas, fazer um financiamento acima de 60 meses também não valerá a pena porque as financeiras equalizaram os juros cobrados para modalidade de longo prazo. Para 60, 72 ou 80 vezes, é a mesma taxa”, comenta o economista da MSantos.
No auge dos financiamentos de veículos, o mercado chegou a oferecer no início do ano passado veículos em até 99 meses, mas com a crise, os prazos foram cortados para 32 parcelas mensais no final de 2008. “Mas de todos esses mais longos, o de 60 vezes foi o que melhor se adaptou ao bolso do brasileiro. O restante não emplacou”, diz Fontes.
Finanças
Para os economistas especializados em finanças, se o consumidor quiser aproveitar o momento atual de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o aconselhável é parcelar apenas 20% do valor do veículo e no prazo máximo de 12 meses. “Um carro de R$ 25 mil financiado em 60 meses ao juros de 2,5% mensais sairá R$ 48.530 no final, por exemplo”, afirma o professor de Finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA), José Carlos Luxo.
A recomendação do professor é que o consumidor faça uma poupança para atingir o valor do carro. Se for feita no mesmo período e com a aplicação da mesma parcela de um financiamento, o poupador terá mais que o dobro no final do período estipulado.
O educador financeiro Reinaldo Domingos afirma que outro ponto necessário a ser levado em consideração na troca e financiamento é o custo mensal que esse veículo terá além do preço da parcela. “Um carro de R$ 20 mil gasta entre R$ 450 e R$ 600 com manutenção, impostos e combustíveis por ano”, comenta.
Mas se o consumidor quer aproveitar o período de impostos em baixa, Fontes afirma que uma boa prática é a pesquisa de preço na hora de adquirir o veículo novo. “Para quem vai comprar um carro zero, a primeira dica é pesquisar em pelo menos quatro concessionárias. A pessoa vai perder o fim de semana mas isso vai ser um benefício para ela. Essa história de preço tabelado não existe. O preço praticado por cada loja vai depender do estoque da concessionária e da situação financeira do lojista”, comenta o consultor.
“Quem precisa desovar estoque vai praticar um preço mais baixo, e esse desconto que o consumidor tem que encontrar. E é preciso visitar a loja pessoalmente”, afirma o economista.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Tarifa avulsa é mais barata
Jornal da Tarde
27/05/2009
Pacotes oferecidos pelos bancos tem opções que normalmente não são usadas pelos clientes
CAROLINA DALL’OLIO, carolina.dallolio@grupoestado.com.br
O consumidor pode economizar até R$176,04 por ano se, em vez de optar pelo pacote básico de tarifas bancárias, decidir pagar pelos serviços de modo avulso. É o que acontece com o cliente do HSBC. Neste banco, os custos anuais com o pacote básico são de R$ 252, mas o cliente poderia desembolsar R$ 75,96 - se usasse, além dos serviços gratuitos, tarifas simples de renovação de cadastro e remessa de talão de cheques.
Os dados se referem ao mês de abril e foram apurados pela Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-SP), que pesquisou os valores cobrados pelos principais bancos do País (leia nesta página).
A entidade estabeleceu um perfil de cliente que retrata o comportamento de cerca de 70% dos correntistas. O pacote analisado inclui quatro saques em caixas eletrônicos duas transferências por mês, dois extratos e solicitação de cartão de débito - operações que, segundo o Banco Central, devem ser oferecidas gratuitamente pelo banco. Além disso, consumidor padrão também teria a necessidade de solicitar uma remessa de talão de cheques por mês e uma renovação de cadastro semestral. Para custear essas esses serviços, ele gastaria em média R$ 129,12 por ano.
Já se optasse pelo pacote básico - além dos serviços listados acima, mais quatro saques, duas transferências e dois extratos do mês e outros dois extratos do mês anterior -, o custo médio anual subiria para R$ 240,60.
“O consumidor tem que aprender que não deve pagar pelo que ele não usa”, alerta Diógenes Donizete, assistente de direção do Procon-SP. “Portanto, como a maioria das pessoas tem um uso moderado dos serviços, a recomendação é tentar se ater aos serviços gratuitos e pagar avulso o que tiver que usar a mais. Assim não há desperdício.”
Mas antes de fazer a escolha, o cliente deve analisar seu perfil. “É bom listar os serviços que são utilizados no mês e a regularidade do uso”, recomenda Ione Amorim, economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). O segundo passo, é avaliar se é realmente necessário usar os serviços com a frequência atual. Pode haver alguns excessos. “Também é possível priorizar as operações pela internet, que são mais práticas e gratuitas.”
Feita a análise e ponderadas as possíveis reduções no uso, é possível fazer a escolha de forma consciente. Os bancos são obrigados a divulgar nas suas agências quais são as tarifas sobradas por cada serviço. Os valores também estão publicados nos sites do Banco Central e do Procon . “A recomendação é que o cliente avalie não apenas o pacote de serviços que mais se encaixa ao seu uso como também verifique se o seu banco pratica preços razoáveis nas tarifas”, sugere Ione.
Em abril, as tarifas mais altas no pacote básico de serviços eram praticadas pelo Banco Real - ao ano, os custos chegariam a R$ 324. O banco afirmou que em maio os custos baixaram para R$ 20 ao mês (ou R$ 240 ao ano). Já as tarifas mais baratas em abril eram as de Itaú e Unibanco: R$ 180 reais anuais.
PARA ESCOLHER BEM
Para decidir entre o pacote básico de serviços ou o pagamento de tarifas avulsas, o primeiro passo é avaliar o seu perfil. Liste quais são os serviços bancários que você utiliza e a frequência de uso
Os serviços essenciais mensais , que, segundo determinação do Banco Central, não podem ser cobrados, são os seguintes: quatro saques em caixas eletrônicos, duas transferências, dois extratos e cartão de débito
Caso seu uso seja superior a esse pacote, veja se não é possível reduzir os serviços - usar a internet é um jeito de economizar
Se não der, o jeito é optar pelo pacote básico ou até por um pacote que inclua mais serviços
Verifique os preços cobrados pelo seu banco. A consulta pode ser feita na própria agência, no www.procon.sp.gov.br ou no www.bcb.gov.br
27/05/2009
Pacotes oferecidos pelos bancos tem opções que normalmente não são usadas pelos clientes
CAROLINA DALL’OLIO, carolina.dallolio@grupoestado.com.br
O consumidor pode economizar até R$176,04 por ano se, em vez de optar pelo pacote básico de tarifas bancárias, decidir pagar pelos serviços de modo avulso. É o que acontece com o cliente do HSBC. Neste banco, os custos anuais com o pacote básico são de R$ 252, mas o cliente poderia desembolsar R$ 75,96 - se usasse, além dos serviços gratuitos, tarifas simples de renovação de cadastro e remessa de talão de cheques.
Os dados se referem ao mês de abril e foram apurados pela Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-SP), que pesquisou os valores cobrados pelos principais bancos do País (leia nesta página).
A entidade estabeleceu um perfil de cliente que retrata o comportamento de cerca de 70% dos correntistas. O pacote analisado inclui quatro saques em caixas eletrônicos duas transferências por mês, dois extratos e solicitação de cartão de débito - operações que, segundo o Banco Central, devem ser oferecidas gratuitamente pelo banco. Além disso, consumidor padrão também teria a necessidade de solicitar uma remessa de talão de cheques por mês e uma renovação de cadastro semestral. Para custear essas esses serviços, ele gastaria em média R$ 129,12 por ano.
Já se optasse pelo pacote básico - além dos serviços listados acima, mais quatro saques, duas transferências e dois extratos do mês e outros dois extratos do mês anterior -, o custo médio anual subiria para R$ 240,60.
“O consumidor tem que aprender que não deve pagar pelo que ele não usa”, alerta Diógenes Donizete, assistente de direção do Procon-SP. “Portanto, como a maioria das pessoas tem um uso moderado dos serviços, a recomendação é tentar se ater aos serviços gratuitos e pagar avulso o que tiver que usar a mais. Assim não há desperdício.”
Mas antes de fazer a escolha, o cliente deve analisar seu perfil. “É bom listar os serviços que são utilizados no mês e a regularidade do uso”, recomenda Ione Amorim, economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). O segundo passo, é avaliar se é realmente necessário usar os serviços com a frequência atual. Pode haver alguns excessos. “Também é possível priorizar as operações pela internet, que são mais práticas e gratuitas.”
Feita a análise e ponderadas as possíveis reduções no uso, é possível fazer a escolha de forma consciente. Os bancos são obrigados a divulgar nas suas agências quais são as tarifas sobradas por cada serviço. Os valores também estão publicados nos sites do Banco Central e do Procon . “A recomendação é que o cliente avalie não apenas o pacote de serviços que mais se encaixa ao seu uso como também verifique se o seu banco pratica preços razoáveis nas tarifas”, sugere Ione.
Em abril, as tarifas mais altas no pacote básico de serviços eram praticadas pelo Banco Real - ao ano, os custos chegariam a R$ 324. O banco afirmou que em maio os custos baixaram para R$ 20 ao mês (ou R$ 240 ao ano). Já as tarifas mais baratas em abril eram as de Itaú e Unibanco: R$ 180 reais anuais.
PARA ESCOLHER BEM
Para decidir entre o pacote básico de serviços ou o pagamento de tarifas avulsas, o primeiro passo é avaliar o seu perfil. Liste quais são os serviços bancários que você utiliza e a frequência de uso
Os serviços essenciais mensais , que, segundo determinação do Banco Central, não podem ser cobrados, são os seguintes: quatro saques em caixas eletrônicos, duas transferências, dois extratos e cartão de débito
Caso seu uso seja superior a esse pacote, veja se não é possível reduzir os serviços - usar a internet é um jeito de economizar
Se não der, o jeito é optar pelo pacote básico ou até por um pacote que inclua mais serviços
Verifique os preços cobrados pelo seu banco. A consulta pode ser feita na própria agência, no www.procon.sp.gov.br ou no www.bcb.gov.br
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Fundos começam a rever metas
Valor Econômico
Catherine Vieira e Fernando Travaglini, de São Paulo
21/05/2009
Com a taxa básica em queda e o juro real já abaixo dos 6%, os fundos de pensão retomaram uma discussão sobre a necessidade de reduzir o chamado juro atuarial, ou seja, o percentual que, somado a um índice de inflação define a meta atuarial das fundações. A maioria adota ainda INPC mais 6%, mas após o ciclo de queda de juros anterior a este que está em curso, alguns fundos, como Previ e Eletros, já adotaram reduções desse percentual, para 5,75% e 5,5%, respectivamente.
Agora, a discussão começa a voltar a cena para os fundos que ainda possuem planos de planos de benefício definido, ou seja, aquelas que possuem uma rentabilidade mínima - os planos mais novos são de contribuição definida, sem meta atuarial.
A Previ, fundo dos funcionários do Banco do Brasil e maior do país, também fez ajuste no juro, e adotou 5,75%. O presidente do fundo, Sérgio Rosa, não descarta, porém, que se volte a discutir o assunto no fim do ano, época em que são avaliadas premissas e políticas de investimento. "É um assunto que tem que ser estudado com seriedade, já que, de fato, a taxa de juro da economia vem caindo e a perspectiva para o futuro é que fique num patamar mais baixo", disse Rosa
Decisões efetivas de redução do juro atrelado a meta porém, podem ainda levar algum tempo para ser efetivadas. Isso porque o ambiente de instabilidade nos mercados tem impacto no superávit. E a cada redução do juro atuarial, aumenta o chamado exigível, ou seja, o tamanho das reservas necessárias para que o fundo fique equilibrado, ou superavitário. No ciclo anterior de redução de juro, a bolsa estava num período de alta consistente e os fundos passaram vários anos acumulando resultados positivos e gordos superávits, o que ajudou na hora de rever premissas.
Durante o período de bonança, muitos fundos aproveitaram para adotar premissas mais conservadoras, ou melhor ajustadas a atual realidade. A principal delas foi a atualização da tábua de mortalidade, mas alguns, como a Eletros, reduziram também o juro. "Fizemos as mudanças entre 2005 e 2006", lembra o atuário da fundação, Sérgio Tinoco. "Adotamos a tábua AT 2000 e reduzimos o juro da meta para 5,5%." Com essas medidas, o fundo avalia que ficou com o perfil mais ajustado, e não estuda novas mudanças por enquanto.
O diretor-superintendente do Infraprev, Carlos Frederico Duque, também acredita que, embora ainda esteja sendo possível obter bons resultados nos investimentos, existe a necessidade de discutir a redução dos juros atrelados a meta. O fundo, que obteve ganho de 6,23% no quadrimestre, está acima da meta, que ficou em 3,44%. Apesar de ainda usar INPC+6% ao ano, a Infraprev já tem estudos sobre a possibilidade de rever a taxa para 5,5% ou 5%. "As revisões de premissas tem que ser feitas de maneira cautelosa, porque são necessárias, mas trazem um encarecimento", disse.
Já para a Petros, fundo de pensão dos petroleiros, a avaliação é a de que a remuneração global esperada dos investimentos institucionais no Brasil continuará a se situar acima de 6% ao ano, além do IPCA. "Os ativos reais (renda variável e imóveis) e a renda fixa privada devem apresentar rentabilidade acima de 6% reais", disse o presidente da entidade, Wagner Pinheiro. Por isso, a fundação mantém a mesma meta de rentabilidade.
José de Souza Mendonça, presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) acredita que os fundos precisarão se ajustar, mas não acredita que haja uma solução fácil. De acordo com dados da Abrapp, 81% dos ativos das fundações, cerca de R$ 340 milhões, pertencem a planos de benefício definido, ou seja, que são obrigados a cumprir metas de rentabilidade.
Segundo Mendonça, para se fazer a alteração das metas, o fundo de pensão precisa aportar uma grande quantidade de recursos. Dessa forma, ou a entidade usa um eventual superávit para cobrir a diferença, ou posterga o pagamento para os anos futuros. "De acordo com a legislação, quem paga essa conta são os participantes e a patrocinadora".
Uma saída que vinha sendo adotada, de oferecer a possibilidade de o participante migrar para um plano de contribuição definida, vem enfrentando diversas ações na justiça de participantes que se sentiram lesados.
O tema sempre preocupou as entidades de previdência, mas retornou recentemente com o Banco Central alertando para resquícios de indexação na economia que impediriam que a Selic (10,25%) continuasse a cair. Entre os exemplo, o BC citou a meta dos fundos de pensão e a rentabilidade da poupança - cuja tributação já foi alterada pelo governo.
Essa discussão passou a ser mais relevante pelo atual patamar da Selic, 10,25%. O juro real projetado para um ano atingiu ontem 5,09%, considerando o Swap 360 (9,32%) e o IPCA projetado no Boletim Focus (4,03%).
O valor é menor do que a meta da maioria das entidade. Porém, os fundos de pensão mantinham em carteira, no fim do ano passado, R$ 230 milhões em títulos públicos, mais da metade dos R$ 420 milhões de ativos de investimentos dessas instituições. "Será preciso correr mais riscos", completou Mendonça.
De acordo com um dirigente de um dos maiores fundos, esse tipo de alteração é inevitável, mas para que as entidades adotem uma nova meta, seria preciso uma resolução da Secretaria de Previdência Complementar (SPC) obrigando a mudança. "Tem de ser obrigatório, como foi com a tábua de mortalidade, em que os fundos tiveram um prazo para se ajustar", disse.
A discussão pode ganhar novos contornos se a previsão dos fundos de que a Previc será aprovada este ano se confirme. A nova entidade será responsável pela fiscalização e regulação do sistema e poderá receber como primeira tarefa adequar as fundações à atual realidade de juros baixos.
Catherine Vieira e Fernando Travaglini, de São Paulo
21/05/2009
Com a taxa básica em queda e o juro real já abaixo dos 6%, os fundos de pensão retomaram uma discussão sobre a necessidade de reduzir o chamado juro atuarial, ou seja, o percentual que, somado a um índice de inflação define a meta atuarial das fundações. A maioria adota ainda INPC mais 6%, mas após o ciclo de queda de juros anterior a este que está em curso, alguns fundos, como Previ e Eletros, já adotaram reduções desse percentual, para 5,75% e 5,5%, respectivamente.
Agora, a discussão começa a voltar a cena para os fundos que ainda possuem planos de planos de benefício definido, ou seja, aquelas que possuem uma rentabilidade mínima - os planos mais novos são de contribuição definida, sem meta atuarial.
A Previ, fundo dos funcionários do Banco do Brasil e maior do país, também fez ajuste no juro, e adotou 5,75%. O presidente do fundo, Sérgio Rosa, não descarta, porém, que se volte a discutir o assunto no fim do ano, época em que são avaliadas premissas e políticas de investimento. "É um assunto que tem que ser estudado com seriedade, já que, de fato, a taxa de juro da economia vem caindo e a perspectiva para o futuro é que fique num patamar mais baixo", disse Rosa
Decisões efetivas de redução do juro atrelado a meta porém, podem ainda levar algum tempo para ser efetivadas. Isso porque o ambiente de instabilidade nos mercados tem impacto no superávit. E a cada redução do juro atuarial, aumenta o chamado exigível, ou seja, o tamanho das reservas necessárias para que o fundo fique equilibrado, ou superavitário. No ciclo anterior de redução de juro, a bolsa estava num período de alta consistente e os fundos passaram vários anos acumulando resultados positivos e gordos superávits, o que ajudou na hora de rever premissas.
Durante o período de bonança, muitos fundos aproveitaram para adotar premissas mais conservadoras, ou melhor ajustadas a atual realidade. A principal delas foi a atualização da tábua de mortalidade, mas alguns, como a Eletros, reduziram também o juro. "Fizemos as mudanças entre 2005 e 2006", lembra o atuário da fundação, Sérgio Tinoco. "Adotamos a tábua AT 2000 e reduzimos o juro da meta para 5,5%." Com essas medidas, o fundo avalia que ficou com o perfil mais ajustado, e não estuda novas mudanças por enquanto.
O diretor-superintendente do Infraprev, Carlos Frederico Duque, também acredita que, embora ainda esteja sendo possível obter bons resultados nos investimentos, existe a necessidade de discutir a redução dos juros atrelados a meta. O fundo, que obteve ganho de 6,23% no quadrimestre, está acima da meta, que ficou em 3,44%. Apesar de ainda usar INPC+6% ao ano, a Infraprev já tem estudos sobre a possibilidade de rever a taxa para 5,5% ou 5%. "As revisões de premissas tem que ser feitas de maneira cautelosa, porque são necessárias, mas trazem um encarecimento", disse.
Já para a Petros, fundo de pensão dos petroleiros, a avaliação é a de que a remuneração global esperada dos investimentos institucionais no Brasil continuará a se situar acima de 6% ao ano, além do IPCA. "Os ativos reais (renda variável e imóveis) e a renda fixa privada devem apresentar rentabilidade acima de 6% reais", disse o presidente da entidade, Wagner Pinheiro. Por isso, a fundação mantém a mesma meta de rentabilidade.
José de Souza Mendonça, presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) acredita que os fundos precisarão se ajustar, mas não acredita que haja uma solução fácil. De acordo com dados da Abrapp, 81% dos ativos das fundações, cerca de R$ 340 milhões, pertencem a planos de benefício definido, ou seja, que são obrigados a cumprir metas de rentabilidade.
Segundo Mendonça, para se fazer a alteração das metas, o fundo de pensão precisa aportar uma grande quantidade de recursos. Dessa forma, ou a entidade usa um eventual superávit para cobrir a diferença, ou posterga o pagamento para os anos futuros. "De acordo com a legislação, quem paga essa conta são os participantes e a patrocinadora".
Uma saída que vinha sendo adotada, de oferecer a possibilidade de o participante migrar para um plano de contribuição definida, vem enfrentando diversas ações na justiça de participantes que se sentiram lesados.
O tema sempre preocupou as entidades de previdência, mas retornou recentemente com o Banco Central alertando para resquícios de indexação na economia que impediriam que a Selic (10,25%) continuasse a cair. Entre os exemplo, o BC citou a meta dos fundos de pensão e a rentabilidade da poupança - cuja tributação já foi alterada pelo governo.
Essa discussão passou a ser mais relevante pelo atual patamar da Selic, 10,25%. O juro real projetado para um ano atingiu ontem 5,09%, considerando o Swap 360 (9,32%) e o IPCA projetado no Boletim Focus (4,03%).
O valor é menor do que a meta da maioria das entidade. Porém, os fundos de pensão mantinham em carteira, no fim do ano passado, R$ 230 milhões em títulos públicos, mais da metade dos R$ 420 milhões de ativos de investimentos dessas instituições. "Será preciso correr mais riscos", completou Mendonça.
De acordo com um dirigente de um dos maiores fundos, esse tipo de alteração é inevitável, mas para que as entidades adotem uma nova meta, seria preciso uma resolução da Secretaria de Previdência Complementar (SPC) obrigando a mudança. "Tem de ser obrigatório, como foi com a tábua de mortalidade, em que os fundos tiveram um prazo para se ajustar", disse.
A discussão pode ganhar novos contornos se a previsão dos fundos de que a Previc será aprovada este ano se confirme. A nova entidade será responsável pela fiscalização e regulação do sistema e poderá receber como primeira tarefa adequar as fundações à atual realidade de juros baixos.
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