sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Entidades do consumidor pedem cautela sobre TV digital

Folha de São Paulo - 30/11/2007

DA REDAÇÃO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA


A TV digital aberta estréia neste domingo, mas os consumidores ainda têm dúvidas sobre a nova tecnologia. Por isso, o Idec (instituto de defesa do consumidor) e a Pro Teste (associação de defesa do consumidor) aconselham a esperar para comprar TVs ou conversores digitais. Para o Procon-SP, o consumidor deve decidir, mas tem de estar bem informado.
A falta de informação sobre restrições que a TV digital terá no lançamento, como a de interatividade, é o maior problema, para a Pro Teste.
Segundo Carlos Coscarelli, do Procon, o órgão vai monitorar as vendas dos equipamento e verificará os dados que constam no manual de instruções e e as informações dadas pelos vendedores.
Outra preocupação do consumidor deve ser com as chamadas "áreas de sombra": onde o sinal analógico pega mal, o digital deve ter o mesmo problema. Para Coscarelli, o consumidor deve testar o produto em casa e, se houver problema, pode devolvê-lo. "É como adquirir internet onde não há acesso", diz a coordenadora da Pro Teste, Maria Inês Dolci.
Luiz Moncau, do Idec, diz que "há grande chance" de o consumidor levar produto inferior a sua expectativa.
"Tem de ter propaganda, informação clara, para o consumidor não ser enganado", diz Dolci. Ela criticou o ministro Hélio Costa (Comunicações). "Por que ele deixou para falar na última hora que não haverá interatividade?"
A Pro Teste pretende acompanhar os comerciais dos produtos e verificar se as restrições da TV digital estão sendo repassadas adequadamente ou se as fabricantes estão fazendo propaganda enganosa.
(TATIANA RESENDE e SIMONE CUNHA)

ICMS devolvido será pequeno para população

Valor Econômico
Marta Watanabe
30/11/2007



Anna Carolina Negri / Valor

Pedro Cesar da Silva, da ASPR Auditoria: retorno maior em restaurantes
A Nota Fiscal Paulista, programa do governo de São Paulo que pretende promover o pedido de nota fiscal por meio de vantagens oferecidas aos consumidores, pode decepcionar quem já está fazendo as contas levando em consideração a devolução de parte dos 18% pagos nas compras, na regra geral, a título de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).


O governo divulga que restituirá 30% do imposto recolhido pelo estabelecimento varejista. Nem todo mundo sabe, porém, que o imposto recolhido pelo varejista está muito aquém do total de ICMS que o contribuinte paga sobre as mercadorias compradas. Em uma compra de supermercado de R$ 350,00, por exemplo, o consumidor arca com um ICMS de R$ 47,70. O cálculo leva em consideração uma alíquota média de 12%, já que o carrinho do supermercado pode incluir também produtos incentivados que possuem alíquotas bem menores do que os 18% da regra geral do imposto.


Pelos cálculos da ASPR Auditoria e Consultoria, o crédito do contribuinte está bem aquém dos R$ 14,31 que correspondem aos 30% do ICMS de R$ 47,70. O crédito deverá ficar em torno de R$ 2,59. O estudo é uma estimativa e levou em consideração o faturamento e recolhimento de ICMS real de uma rede de supermercados.


A simulação da ASPR mostra que quem faz uma refeição de R$ 20 poderá ter um crédito de R$ 0,19. "Nesse caso, o programa poderá ser mais vantajoso vendo o consumo total de um mês", diz Pedro César da Silva, sócio da consultoria. Se ele fizer 22 refeições em um mês de R$ 20 cada, terá um volume de créditos de R$ 4,15 nos 30 dias. Em um ano, serão R$ 49,80.


O consultor lembra que compras grandes não garantem um crédito proporcionalmente maior da nota paulista. Quem acha que comprar um veículo pode garantir volume maior de créditos, por exemplo, está enganado. Um veículo de R$ 40 mil concede devolução de R$ 0,40. Bem longe dos R$ 5,45 mil de ICMS de 12% que os veículos pagam em São Paulo.


A discrepância entre o valor da mercadoria, do imposto pago e do crédito que será devolvido pode ser explicada pela forma como é calculado o ICMS. O contribuinte desse imposto é, sem dúvida, o consumidor final. Mas grande parte dele não é recolhido na operação de venda ao consumidor final, mas sim em etapas anteriores, distribuído em toda a cadeia não só de comercialização como também da fabricação de produtos. Por esse motivo, a devolução de 30% do ICMS recolhido pelo varejista fica bem aquém dos 30% pagos de imposto pelo consumidor final.


Os supermercados, que vendem e revendem as mercadorias sem agregar valores, por exemplo, recolhem, na prática, ICMS sobre valores próximos às suas margens e não sobre o valor total do produto.


No caso do veículo a discrepância é maior, porque o ICMS sobre carros está submetido à chamada substituição tributária. Isso significa que o veículo tem seu ICMS antecipado pela montadora. É ela que recolhe o imposto com base em um preço estimado de venda no varejo. A concessionária de veículos somente recolherá o imposto caso o preço de venda ao consumidor final esteja acima do que serviu como base pelo fabricante.


Silva explica que em função disso uma concessionária de veículos pode, num ano, faturar R$ 60 milhões e recolher apenas R$ 2 mil em ICMS à Fazenda Estadual. "Acontecerá uma distorção muito grande entre o crédito da nota fiscal paulista e o valor pago em impostos na aquisição do veículo, o que pode parecer injusto para o comprador." Silva lembra que os combustíveis, outro gasto que costuma ser freqüente para muitos consumidores, também têm o ICMS recolhido por substituição tributária, o que deverá garantir um crédito também pequeno.


A Fazenda de São Paulo confirma que produtos sujeitos à substituição tributária, como veículos e combustíveis, não geram recolhimento de ICMS pelo varejo, pois o imposto já foi pago por outros elos da cadeia produtiva. A secretária, diz, porém, que mesmo assim o consumidor terá créditos, porque peças e acessórios vendidos por uma concessionária, ou as mercadorias de loja de conveniência de um posto de gasolina, por exemplo, geram imposto (ICMS) a recolher. "O crédito tende a ser muito pequeno, já que a venda da loja de conveniência representa pouco das operações totais de um posto de gasolina", analisa Silva. O crédito de ICMS, lembra, leva em consideração o imposto recolhido pelo varejista e a proporção da aquisição do consumidor final em relação ao total de vendas do varejista.


O consultor lembra que o consumidor ainda corre o risco de não receber nenhum crédito pela compra. Isso porque os varejistas pagam o ICMS por um sistema de débitos e créditos do imposto. Por esse cálculo, o varejista calcula o ICMS devido depois de se creditar do imposto pago na mercadoria que irá vender. "Às vezes, o varejista adquiriu muito estoque em determinado período, o que pode dar origem a um volume de crédito maior do que o total de débitos. Nesse caso, não terá imposto a recolher e o consumidor não receberá nenhum crédito." Outra hipótese do consumidor ficar sem crédito é no caso de inadimplência. "Se o varejista atrasar por mais de dois meses o recolhimento do ICMS, o consumidor perde o crédito."


O consumo em alguns segmentos, porém, dá mais certeza de crédito. É o caso do fornecimento dos restaurantes, que não usam o sistema de débito e crédito sobre as refeições fornecidas. O ICMS é calculado em 3,2% do faturamento. Portanto, é um segmento que deve manter um recolhimento de imposto mais regular do imposto.


O programa da nota fiscal paulista entrou em operação desde outubro. Por enquanto, apenas restaurantes, padarias, bares e lanchonetes fornecem a nota já relacionada ao CPF do consumidor final. A partir de dezembro, entram os segmentos de saúde, esporte e lazer, no qual se incluem os brinquedos. O cronograma, que inclui também os supermercados, segue até maio de 2008.


Para quem acha que o incentivo em termos de crédito é pequeno, a Fazenda lembra que a cada R$ 100 em compras o consumidor poderá concorrer a sorteios. Nesse caso, a disputa será com mais de 10 milhões de pessoas, como é estimada a população economicamente ativa somente na região metropolitana de São Paulo.

Bovespa HLD faz escola e BM&F deve ser a vedete de hoje

Valor Econômico
Daniele Camba
30/11/2007



As ações da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) começam a ser negociadas hoje com muita expectativa. Os analistas acreditam que a procura pelo papel na sua estréia deve ser gigantesca, até pelo rigoroso rateio que ocorreu para as pessoas físicas. Se a BM&F seguir os passos da oferta da Bovespa Holding, a possibilidade de um sucesso na estréia é ainda maior. Excluindo o primeiro dia de negociação, que foi um estouro com volume de R$ 5 bilhões, as ações ordinárias (ON, com voto) da Bovespa HLD estão negociando, em média, R$ 222,3 milhões ao dia. Elas perdem apenas para as duas vedetes do pregão: as preferenciais (PN, sem voto) da Petrobras, que negociaram uma média de R$ 1,1 bilhão ao dia e as PNAs da Vale do Rio Doce, movimentando R$ 674, 5 milhões.



Se as ações da Bovespa HLD mantiverem esse nível de negociação pelos próximos 12 meses, elas podem entrar no Índice Bovespa que valerá entre setembro e dezembro de 2008 com uma participação de 2%, disse o diretor financeiro da Bovespa HLD, Francisco Carlos Gomes, na primeira apresentação da bolsa após ter aberto o capital. Esse percentual pode parecer pequeno, mas é maior do que várias empresas que estão no índice há mais tempo. Como por exemplo, AmBev PN, Banco do Brasil ON e Telemar ON. À medida que as ações da Bovespa HLD ingressarem no Ibovespa devem ganhar ainda mais liquidez, uma vez que muitos investidores replicam a carteira do indicador. Em apenas um mês, o interesse pelos papéis da bolsa foi tanto que já se negociou o valor equivalente aos 40,8% do seu capital que estão disponíveis no mercado. Os analistas acreditam que as ações da BM&F também devem negociar muito no início, podendo pleitear uma vaga no Ibovespa. Apesar disso, as ações das bolsas precisam comer muito arroz e feijão para um dia ameaçarem o lugar de gigantes como Vale e Petrobras dentro do índice, alerta um analista.


O sentimento dos investidores pessoas físicas ontem com a oferta da BM&F era de decepção, já que levaram R$ 1.820, independente do quanto tenham reservado pelo papel, limitado a R$ 300 mil por CPF. Havia também um sentimento de revolta por parte de alguns por terem levado menos que os funcionários das corretoras, que conseguiram comprar até R$ 5 mil. O que se espera é que eles comprem hoje no pregão o que não conseguiram na oferta, provocando uma avalanche de negócios até maior daquela que se viu na estréia da Bovespa HLD. "Eu tenho autorização de vários clientes de comprar tudo que puder até R$ 24", diz o diretor de uma corretora. Isso representaria, de largada, uma alta de 20% ante a venda das ações a R$ 20 na oferta. As corretoras temem que a procura sobrecarregue seus sistemas de home broker (de negociação via internet), o que chegou a acontecer na estréia da Bovespa HLD. Na ocasião, algumas corretoras tiveram de atender as ordens de clientes por telefone e as cotações da Bovespa HLD chegavam com até um minuto de atraso.


Sob nova direção


O mercado recebeu bem a notícia de que Marco Antonio Bologna, até então presidente da TAM, será substituído pelo comandante David Barioni Neto. As ações PN da empresa subiram 0,95%. O analista da Fator Corretora, Eduardo Puzziello, disse em relatório que a mudança é positiva, uma vez que a imagem de Bologna estava bastante desgastada, especialmente após o acidente de julho. Além disso, Barioni é muito bem visto pelo mercado pela serenidade e experiência que acumulou à frente da área técnica da concorrente Gol, completa Puzziello. O Ibovespa subiu ontem 0,72% fechando em 62.156 pontos.


Daniele Camba é repórter de Investimentos


E-mail: daniele.camba@valor.com.br

Na carona das bolsas

Valor Econômico
Por Adriana Cotias, de São Paulo
30/11/2007


Com o interesse estrondoso da pessoa física nas ofertas iniciais (IPO, na sigla em inglês) da Bovespa Holding, e, particularmente, da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), a nova venda de papéis do Banco do Brasil (BB) não poderia vir em melhor hora. Com uma operação totalmente voltada para o varejo, com até 80% das ações endereçadas para esse público, a instituição financeira pega carona no crescente apetite do pequeno investidor pelo mercado acionário. O rateio no lançamento da BM&F escancarou tal disposição. Cada aplicador levou apenas 91 ações, o equivalente a R$ 1,82 mil, o que, segundo cálculos do Valor baseados nos critérios da distribuição, representa uma participação mínima de 284 mil CPFs, 91% da base ativa da bolsa. É um número que supera em larga escala a quantidade de participantes no IPO da Bovespa, que atraiu 63,9 mil investidores e já tinha sido um recorde de bilheteria.


É nesse clima de euforia que chega a oferta do BB, toda secundária, de papéis pertencentes a BNDESPar e Caixa de Previdência dos funcionários do Banco do Brasil (Previ). À venda, foram colocadas, inicialmente, 87,217 milhões ações ordinárias (ON, com voto), numa oferta que, com os lotes extras, pode alcançar os R$ 3,3 bilhões. As reservas começam hoje e se estendem até 11 de dezembro.


O candidato às ações poderá comprá-las por intermédio de uma corretora, em aquisições a partir de R$ 1 mil, ou por meio de fundos de ações, que aceitarão aplicações a partir de R$ 200,00. As carteiras serão especialmente estruturadas para a operação e distribuídas pela rede bancária, a exemplo das edições do fundo Papéis Índice Brasil Bovespa (PIBB) e das ofertas de Vale do Rio Doce e Petrobras, com recursos do FGTS. O próprio BB e o Santander já têm fundos específicos registrados na na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), enquanto Itaú e Bradesco vão pelo mesmo caminho.


Considerando-se uma taxa de administração de 1,5% ao ano e o imposto de renda, aplicar nos fundos compensa para investimentos de até R$ 3 mil. Acima disso, a aquisição direta seria mais vantajosa. Esses valores são apenas estimativas e a despesa final do investidor dependerá da política de tarifa de cada corretora ou administrador. Vale lembrar que para vendas de ações em volume inferior a R$ 20 mil ao mês não há, para a pessoa física, incidência do IR e nem cobrança da CPMF. Já nos fundos, o IR equivale e 15% do rendimento na data do resgate, sem CPMF apenas para quem transfere os recursos da conta investimento.


Com a oferta, o BB vai elevar o seu capital em circulação de 14,8% para até 19,6%, ficando ainda abaixo das exigências de "free float" do Novo Mercado, de 25%. Em tese, isso quer dizer que o banco dependerá de uma nova oferta para atingir o percentual até maio de 2008, quando completará dois anos no segmento especial de governança.


Entre os papéis do setor bancário listados no Ibovespa, o BB é o que sobe mais no ano, 38,6%, embora ainda perca para o índice, 39,8%. Pela base de dados da Thomson One Analytics, das 12 corretoras que cobrem as ações, 11 indicam compra. Na média, o preço alvo é de R$ 36,65, ante os R$ 28,80 atuais. O crescimento dos resultados, a melhora dos índices de eficiência e expansão do crédito sem grande deterioração da carteira justificam a avaliação, diz o presidente da Austin Rating, Erivelto Rodrigues. "Os custos administrativos ainda são mais elevados do que nos bancos privados, mas já houve uma melhora significativa", diz. Nos primeiros nove meses do ano, o banco obteve um retorno sobre o patrimônio de 31,7%, acima de Bradesco (20,5%), Itaú (18,6%) e Unibanco (16,3%).


Como os papéis já são listados no pregão, comprá-los na oferta só compensará se houver desconto da ordem de 5%, contrapõe o economista da Lopes Filho, João Augusto Sales. Esse desconto, se existir, só será conhecido após a definição do preço, conforme a demanda dos institucionais pela fatia de 20% que lhes cabe na oferta. "Como 30% da carteira de crédito do banco advém do setor rural, com margens mais baixas do que em outras linhas, dificilmente o BB sustentará lucro próximo dos privados", diz. O fato de ser um banco público, sujeito a ingerências políticas, representa um risco adicional. O BB ainda batalha para entrar no financiamento imobiliário, atual coqueluche do setor, mas encontra barreiras perante a líder absoluta Caixa Econômica Federal.


Ter uma rede de distribuição espalhada por todo o país e uma marca nacionalmente conhecida são pontos a favor, diz o professor Ricardo Della Torres, da Brazilian Business School (BBS). Além disso, os papéis caíram após a divulgação da oferta, deixando a ação com um preço mais convidativo.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Demanda faz rateio de oferta da BM&F ser limitado a R$1.820

http://oglobo.globo.com/economia/mat/2007/11/29/327367706.asp

Ministro pede que consumidor não compre já conversor de TV digital

Folha de São Paulo - 29/11/2007

Cobrar R$ 1.090 é "disparate" e preços devem cair em até seis meses, diz ministro

LORENNA RODRIGUES
DA FOLHA ONLINE, EM BRASÍLIA


O ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse ontem que o preço do conversor da TV digital deverá cair em até seis meses. Hoje, o modelo mais barato é de R$ 499, mas existem aparelhos acima de R$ 1.000.
O ministro orientou os consumidores a não comprar já os conversores e disse que o preço de R$ 1.090 é um "disparate". "Eu não aconselho comprar [o mais caro] porque deve falar com seres extraterrestres, deve ter alguns parafusos de ouro, alguma coisa de platina."
Costa disse que pediu ao presidente Lula incentivos para a indústria de conversores -como o Computador Popular, que vendeu microcomputadores de R$ 699 para as classes mais pobres. Para ele, isso poderia derrubar o preço para R$ 200. "Diria para as pessoas esperar um pouco porque o preço vai cair."
O ministro disse esperar que o presidente Lula anuncie no domingo, quando começam as transmissões digitais, incentivos para a indústria de conversores. Disse também que poderão ser abertas linhas de financiamentos em bancos como a Caixa Econômica, o Banco do Brasil e o Banco Popular para os consumidores, que poderiam pagar prestações entre R$ 7 e R$ 10 por mês.
O ministro criticou operadoras de celular e emissoras de televisão, que, para ele, poderiam se esforçar para oferecer celulares com receptores para a TV digital. "Evidentemente que não é um bom negócio para as empresas de telefonia colocar no celular um dispositivo que dá o direito de sentar no ônibus e, em vez de telefonar, vai ficar vendo televisão de graça."

O futuro ao alcance de todos

Valor Econômico
Por Adriana Cotias, de São Paulo
29/11/2007


Não podia ser diferente. Depois de ter a sua banda de preços elevada em mais de 20%, as ações da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) saíram no novo teto, a R$ 20,00. Após a colocação dos lotes excedentes, a operação movimentará R$ 5,984 bilhões. Será a segunda maior captação em ofertas iniciais (IPO) do mercado brasileiro, só perdendo para o lançamento da Bovespa Holding, que movimentou R$ 6,625 bilhões e atraiu quase 64 mil investidores pessoas físicas. A demanda teria repetido o sucesso da bolsa pioneira e superado em dez vezes a oferta.


Do bolo todo, para o varejo deve sobrar pouco mais de R$ 500 milhões. Com a procura insana das pessoas físicas após a escalada de Bovespa HLD na estréia em 26 de outubro - alta de 52% -, o rateio foi apertado. As condições serão divulgadas hoje, mas no mercado falava-se numa divisão entre R$ 3 mil e R$ 8 mil por CPF. A exemplo do que ocorreu com a Bovespa, os investidores classificados como não-prioritários vão sair de mãos abanando. Quem participou dos IPOs da própria Bovespa, Helbor, Amil e Laep e ficou com saldo de menos de 80% de ações em duas ou mais operações no dia seguinte da estréia é que caiu na malha fina.


Desde o início do prazo de reservas, no dia 19, o ritmo de abertura de contas pelas corretoras foi intenso. Mesmo as pequenas chegaram a cadastrar mais de 300 CPFs por dia. Para não ficar com um lote pequeno, foi prática entre os investidores encomendar lotes de ações em até dez CPFs diferentes. Houve também quem recorresse a empréstimos das corretoras para abocanhar uma fatia maior e tentar vendê-las com lucro logo no primeiro dia, o chamado "flipping".


Sobrou, entretanto, frustração para quem reservou os papéis por meio do Banco do Brasil. Sem corretora própria, a instituição não permitirá que os investidores de varejo negociem os papéis na data da estréia, na sexta-feira, e somente quando as ações estiverem na custódia, após a liquidação no dia 4. Apenas os clientes dos segmentos Estilo (alta renda) e private poderão se desfazer dos papéis no dia. As corretoras, em geral, pedem depósitos de garantias e liberam a negociação sob a forma de crédito para seus clientes.


Na operação da BM&F foram colocadas à venda, inicialmente, 260,160 milhões de ações ordinárias (ON, com direito a voto), avaliadas num intervalo de R$ 14,50 a R$ 16,50, elevado na segunda-feira para uma faixa entre R$ 18,00 e R$ 20,00. Ao sair no teto, a quarta maior bolsa de futuros do mundo vai chegar ao pregão com um valor de mercado de R$ 18,037 bilhões. Sem considerar nenhuma projeção de crescimento a longo prazo, é um preço equivalente a 60 vezes o lucro previsto para este ano, na casa dos R$ 300 milhões e superior à relação atual da Bovespa HLD, em 43,8 vezes, ou da própria Chicago Mercantile Exchange, negociada com um Preço/Lucro de 41,7 vezes.


Após o ajuste no valor da ações, sobrou pouco potencial de valorização para os investidores com perfil de longo prazo, assinala o chefe da área de Renda Variável da Fundação Cesp, Paulo de Sá Pereira. Pelos cálculos do especialista, na média, as bolsas de ações mundiais com clearing, mesmo modelo da Bovespa HLD, têm um P/L projetado para 2008 de 30 vezes, enquanto as de mercadorias uma relação em 32 vezes. Para a BM&F, na cotação antiga e considerando o múltiplo da própria Bovespa como referência, ele chegou a 35 vezes, nível que possibilitaria um ganho de até 25% para os papéis no futuro. Como a cotação foi elevada em 21%, o espaço para altas adicionais ficou limitado.


"Isso não quer dizer que, no curto prazo, as ações não oscilem acima do preço justo, o fluxo tende a fazer isso", diz Pereira. Como negócio, ele considera que a BM&F tem um risco menor do que a própria Bovespa HLD, por ter uma geração de caixa previsível e mais diversificada do que a bolsa de ações e por contar com grandes volumes em contratos de câmbio e juros.


Enquanto a Bovespa ficou mais suscetível à concorrência após o IPO, as barreiras de entrada para novos competidores da BM&F são maiores, avalia Willian Eid Jr, do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP). "Derivativos são um negócio mais complexo para se replicar e a BM&F é uma das bolsas de futuros mais inovadoras do mundo."
Locations of visitors to this page