Jornal da Tarde 12/10/2007
Pesquisas do Procon mostram que taxas do empréstimo pessoal e do cheque especial dão sinais de redução no embalo das quedas da Selic
MARCOS BURGHI, marcos.burghi@grupoestado.com.br
Desde setembro de 2005, a Selic, taxa básica de juros da economia, acumula queda de 43,03%, mas os bancos ainda repassam as baixas aos consumidores com timidez. É o que mostra comparação das pesquisas da Fundação Procon de São Paulo (Procon-SP) feitas em outubro de 2006 e em outubro deste ano, das taxas cobradas no empréstimo pessoal e no cheque especial em nove dos principais bancos que atuam no Brasil.
No caso do empréstimo pessoal, das nove instituições consultadas, seis diminuíram os juros que cobravam há um ano. As maiores quedas foram registradas no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal, que baixaram a taxa em 4%. Em outubro de 2006, o porcentual cobrado pelo Banco do Brasil era de 4,69% em média. Um ano depois, a taxa encontrada foi de 4,50%. Na Caixa Econômica Federal, a média cobrada em outubro de 2006 estava em 4,68%. Em outubro de 2007, o índice baixou para 4,49%.
Quando o assunto é juro de cheque especial, a redução que os bancos repassaram a seus clientes foi ainda mais tímida. Das nove instituições pesquisadas em outubro de 2006 e outubro deste ano, foram constatadas quedas em apenas quatro. As outras cinco mantiveram os índices.
As maiores baixas foram constatadas no Banco do Brasil e no Bradesco. O primeiro tinha uma taxa média mensal de cheque especial que, em outubro de 2006, estava em 7,7%. Em outubro deste ano, o porcentual encontrado foi de 7,56%, queda de 2,7%. O Bradesco, entre outubro de 2006 e outubro de 2007, reduziu a taxa máxima do cheque especial em 1,98%, de 8,05% para 7,89%. (veja quadro comparativo ao lado).
De acordo com Cristina Martinussi, técnica do Procon, é possível concluir que, ao menos desde abril, os bancos seguem a tendência de queda na mesma proporção que a Selic. 'Os bancos são cautelosos', diz ela.
Apesar das quedas, os tomadores de crédito parecem não ter notado a diferença. A recepcionista Berenice Santos, de 21 anos, tem cheque especial há um ano, com limite de R$ 700. 'Uso no máximo R$ 200, e ainda assim em emergências', garante. Mesmo como usuária esporádica dessa modalidade de crédito, ela afirma que não notou mudanças. 'Continua caro', diz.
O vigilante José Bezerra, de 35 anos, tem um limite de R$ 700 e mensalmente usa pelo menos R$ 300. 'Se os juros caíram, eu não percebi', afirma.
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Ajuda de bate-pronto para quem começa ou já sabe de muita coisa
Valor Econômico
Luciana Monteiro
11/10/2007
"500 Perguntas (e Respostas) - Hugo Azevedo.
Campus/Elsevier
"Uma pergunta prudente é metade sabedoria", dizia o filósofo inglês Francis Bacon, que acreditava que a metodologia e o empirismo deveriam ser exaltados, pelos benefícios que trazem ao homem. A frase do fundador da ciência moderna mostra que é possível aprender a partir de algumas simples questões. Nessa linha de perguntas e respostas, o professor da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima) Hugo Azevedo lançou recentemente dois livros interessantes.
O primeiro, chamado "500 Perguntas (e Respostas) Básicas de Finanças", é voltado para os iniciantes do mercado financeiro e conta com oito capítulos. Nele, o autor explica alguns dos conceitos básicos de economia até chegar à tributação dos investimentos financeiros no Brasil. Antes disso, Azevedo trata de forma didática das aplicações em renda fixa, renda variável, derivativos e fundos de investimento. Nesse volume, o leitor conseguirá entender, por exemplo, o que é o tão comentado Copom. "O Comitê de Política Monetária foi criado em 20 de junho de 1996, com o objetivo de estabelecer as diretrizes da política monetária e de definir a taxa de juros", resume Azevedo.
Mas, à medida que o leitor vai se familiarizando com o assunto, alguns conceitos um pouco mais difíceis vão aparecendo, como é o caso do "zero cupom bond". "É um título de renda fixa que não possui cupom de juros, ou seja, que não paga juros intermediários entre o momento da aplicação e o vencimento do título", escreve o autor.
Para os profissionais de mercado há "500 Perguntas (e Respostas) Avançadas de Finanças". Como aqui o público é mais restrito, o autor coloca conceitos mais complexos ligados à área. Azevedo trata, por exemplo, de assuntos como cálculo de volatilidade, opções exóticas ou convexidade. Apesar de o livro ser voltado para as necessidade de informação dos profissionais do mercado, a preocupação com a linguagem acessível se mantém, ainda que seja difícil fugir do "economês". Um exemplo está nas estratégias de compra de uma "call" sintética. Conforme explica o autor, a compra de uma "call" sintética se traduz na compra simultânea de uma opção de venda e na compra do ativo objeto. "Essa posição combinada tem o mesmo 'pay-off' (resultado no vencimento) de uma posição comprada em uma opção de compra".
Os dois livros de Azevedo funcionam, assim, como uma espécie de glossário ampliado de alguns dos principais conceitos sobre finanças. A vantagem é que o formato de perguntas e respostas permite que o leitor faça consultas rápidas para tirar suas dúvidas e se socorra nas emergências, próprias ou da profissão.
Luciana Monteiro
11/10/2007
"500 Perguntas (e Respostas) - Hugo Azevedo.
Campus/Elsevier
"Uma pergunta prudente é metade sabedoria", dizia o filósofo inglês Francis Bacon, que acreditava que a metodologia e o empirismo deveriam ser exaltados, pelos benefícios que trazem ao homem. A frase do fundador da ciência moderna mostra que é possível aprender a partir de algumas simples questões. Nessa linha de perguntas e respostas, o professor da Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima) Hugo Azevedo lançou recentemente dois livros interessantes.
O primeiro, chamado "500 Perguntas (e Respostas) Básicas de Finanças", é voltado para os iniciantes do mercado financeiro e conta com oito capítulos. Nele, o autor explica alguns dos conceitos básicos de economia até chegar à tributação dos investimentos financeiros no Brasil. Antes disso, Azevedo trata de forma didática das aplicações em renda fixa, renda variável, derivativos e fundos de investimento. Nesse volume, o leitor conseguirá entender, por exemplo, o que é o tão comentado Copom. "O Comitê de Política Monetária foi criado em 20 de junho de 1996, com o objetivo de estabelecer as diretrizes da política monetária e de definir a taxa de juros", resume Azevedo.
Mas, à medida que o leitor vai se familiarizando com o assunto, alguns conceitos um pouco mais difíceis vão aparecendo, como é o caso do "zero cupom bond". "É um título de renda fixa que não possui cupom de juros, ou seja, que não paga juros intermediários entre o momento da aplicação e o vencimento do título", escreve o autor.
Para os profissionais de mercado há "500 Perguntas (e Respostas) Avançadas de Finanças". Como aqui o público é mais restrito, o autor coloca conceitos mais complexos ligados à área. Azevedo trata, por exemplo, de assuntos como cálculo de volatilidade, opções exóticas ou convexidade. Apesar de o livro ser voltado para as necessidade de informação dos profissionais do mercado, a preocupação com a linguagem acessível se mantém, ainda que seja difícil fugir do "economês". Um exemplo está nas estratégias de compra de uma "call" sintética. Conforme explica o autor, a compra de uma "call" sintética se traduz na compra simultânea de uma opção de venda e na compra do ativo objeto. "Essa posição combinada tem o mesmo 'pay-off' (resultado no vencimento) de uma posição comprada em uma opção de compra".
Os dois livros de Azevedo funcionam, assim, como uma espécie de glossário ampliado de alguns dos principais conceitos sobre finanças. A vantagem é que o formato de perguntas e respostas permite que o leitor faça consultas rápidas para tirar suas dúvidas e se socorra nas emergências, próprias ou da profissão.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Ofertas apelam para o lado afetivo dos pais
Valor Econômico
De São Paulo
09/10/2007
Se você tiver conta em banco e pelo menos um filho, é praticamente certo que receberá - se já não recebeu - ofertas de investimentos para crianças. Mas, apesar do entusiasmo dos pequeninos, é preciso estar atento para não se encantar apenas com uma boneca bacana ou um prêmio bonitinho. A aplicação é coisa séria e os custos e condições variam bastante.
As campanhas de marketing são agressivas, ressaltando o carinho dos pais pelas crianças para estimular a aplicação. Cássia D'Aquino, especialista em educação financeira, diz, porém, que, apesar da maior vantagem em se começar o quanto antes, é preciso ter calma para avaliar o produto e o esforço dedicado ao investimento. "Já vi casais que comprometiam o orçamento doméstico para fazer aplicações para o filho."
Na previdência privada, praticamente todas as seguradoras oferecem planos para crianças e jovens. Como diferencial, o Realprev Educar, da Real Tokio Marine, oferece transporte e professores particulares caso a criança sofra algum acidente e tenha de faltar às aulas.
O Prevjovem, da Bradesco Vida e Previdência, acaba de reduzir o investimento inicial a R$ 50 por mês para atrair aplicadores mirins. A Brasilprev oferece, a cada aporte de R$ 100 no Brasilprev Júnior VGBL neste mês, um cupom para concorrer a três sorteios de R$ 700 mil em ouro. Serão 50 sorteados. O Unibanco tem contribuição mínima de R$ 40 por mês no Prever Educação, que oferece, além de seguro que banca uma renda mensal à criança, desconto em escolas de idiomas e de informática.
Fora da previdência, o antigo clube de ações Vida Feliz, da corretora Spinelli, acaba de se tornar um fundo de investimento, aberto a qualquer família. A Link também converteu o clube Link Kids em fundo, com aplicação inicial de R$ 5 mil, movimentações de de R$ 200 e taxa de administração de 2% ao ano. Também a Coinvalores Corretora tem o fundo Coinvalores Kids, com mínimo de R$ 500, movimentação de R$ 100 e taxa de administração de 0,5% ao ano.
De São Paulo
09/10/2007
Se você tiver conta em banco e pelo menos um filho, é praticamente certo que receberá - se já não recebeu - ofertas de investimentos para crianças. Mas, apesar do entusiasmo dos pequeninos, é preciso estar atento para não se encantar apenas com uma boneca bacana ou um prêmio bonitinho. A aplicação é coisa séria e os custos e condições variam bastante.
As campanhas de marketing são agressivas, ressaltando o carinho dos pais pelas crianças para estimular a aplicação. Cássia D'Aquino, especialista em educação financeira, diz, porém, que, apesar da maior vantagem em se começar o quanto antes, é preciso ter calma para avaliar o produto e o esforço dedicado ao investimento. "Já vi casais que comprometiam o orçamento doméstico para fazer aplicações para o filho."
Na previdência privada, praticamente todas as seguradoras oferecem planos para crianças e jovens. Como diferencial, o Realprev Educar, da Real Tokio Marine, oferece transporte e professores particulares caso a criança sofra algum acidente e tenha de faltar às aulas.
O Prevjovem, da Bradesco Vida e Previdência, acaba de reduzir o investimento inicial a R$ 50 por mês para atrair aplicadores mirins. A Brasilprev oferece, a cada aporte de R$ 100 no Brasilprev Júnior VGBL neste mês, um cupom para concorrer a três sorteios de R$ 700 mil em ouro. Serão 50 sorteados. O Unibanco tem contribuição mínima de R$ 40 por mês no Prever Educação, que oferece, além de seguro que banca uma renda mensal à criança, desconto em escolas de idiomas e de informática.
Fora da previdência, o antigo clube de ações Vida Feliz, da corretora Spinelli, acaba de se tornar um fundo de investimento, aberto a qualquer família. A Link também converteu o clube Link Kids em fundo, com aplicação inicial de R$ 5 mil, movimentações de de R$ 200 e taxa de administração de 2% ao ano. Também a Coinvalores Corretora tem o fundo Coinvalores Kids, com mínimo de R$ 500, movimentação de R$ 100 e taxa de administração de 0,5% ao ano.
Investidor deve ficar atento ao risco legal das operações
Valor Econômico
Bruno Cerqueira
09/10/2007
Com a última queda da taxa Selic, agora em 11,25%, os gestores de recursos e investidores independentes começam a migrar para novos ativos financeiros de renda fixa disponíveis no mercado, materializados em títulos financeiros como Cédula de Credito Bancário (CCB), Cédula de Crédito Imobiliário (CCI), Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Cédula de Produto Rural (CPR), Cédula de Produto Rural Financeira (CPR-F), Certificado de Depósito Agropecuário (CDA), Warrant Agropecuário (WA), Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA).
A migração torna-se uma necessidade em virtude de o simples investimento nos títulos públicos (LFTs e LTNs) não garantir mais a alta rentabilidade do passado, sendo necessário ingressar no segmento de crédito privado para aumentar o retorno des carteiras como fundos de investimento multimercado e/ou de renda fixa, bem como o ganho das carteiras das Entidades Abertas e Fechadas de Previdência Complementar.
Os títulos acima têm regulamentações distintas (geralmente bem definidas juridicamente), que devem ser observadas pelos investidores no momento da aquisição, pois a escolha de determinados títulos pode, inclusive, garantir benefícios fiscais na operação, como é o caso da isenção de imposto de renda para investidores pessoa física quando da aplicação em LCI, CDA, WA, CPR-F, CDCA, LCA e CRA.
No entanto, como tais ativos trazem maiores retornos para seus investidores, existe, em contrapartida, maior risco no investimento, seja pelo tradicional risco de crédito do tomador quanto no aumento do risco moral, agravado pelo o risco legal existente nas operações financeiras.
O risco moral é o risco que o investidor corre no momento do desembolso dos recursos, quando o tomador pode tomar medidas em desacordo com o pactuado nos instrumentos financeiros, aumentando a possibilidade de inadimplência dos investidores.
O risco legal é o risco de perdas do investidor em virtude da formalização não adequada dos títulos financeiros ou, ainda, em decorrência da proteção do judiciário aos tomadores dos recursos, os eximindo do cumprimento de obrigações legítimas pactuadas com os investidores.
No caso brasileiro, em virtude de um Poder Judiciário de atuação lenta dentro de aspectos processuais complexos, o risco legal de operações financeiras é relevante. Ele provoca uma maior liberalidade aos tomadores para que sejam adotadas medidas contrárias ao que foi pactuado em virtude dos "benefícios" do nosso judiciário que (i) de forma geral, não tem a especialização necessária para determinadas questões empresariais; (ii) não garante previsibilidade das decisões; e (iii) ainda que decida em favor do investidor, é utilizado pelos tomadores como instrumento de prorrogação no cumprimento das obrigações em virtude da demora de uma ação judicial.
Como forma de minimizar o risco legal, ganha importância uma análise histórica do tomador e uma análise jurídica da estrutura da operação. A primeira corresponde a uma análise histórica e moral do potencial tomador, analisando o comportamento desse indivíduo durante suas operações financeiras, podendo resultar na cobrança de maiores prêmios de risco ou de maiores garantias pelos investidores. Já a segunda, corresponde a uma análise jurídica com foco semelhante aos testes de estresse praticados nos departamentos de risco de instituições financeiras, simulando potenciais condutas dos tomadores, alterando, assim, as estruturas da operação para dar maior segurança para o investidor.
A análise empírica mostra que os investidores que fazem uma análise histórica/moral do tomador, bem como uma análise jurídica da operação, conseguem minimizar o risco legal das operações financeiras, reduzindo sensivelmente o risco de inadimplência.
Ressalta-se, por fim, que o risco legal e moral não é exclusivo das operações envolvendo os títulos financeiros citados nesse artigo, existindo em qualquer título financeiro do mercado, incluindo os investimentos em títulos públicos, debêntures, commercial papers e até na caderneta de poupança. Assim, enganam-se os investidores que não investem em determinados títulos por entenderem que são fracos juridicamente, pois sob o prisma regulatório/segurança jurídica, todos os títulos do mercado financeiro apresentam regulamentações semelhantes, divergindo apenas nos riscos legais distintos em função do tomador.
Bruno Cerqueira é advogado e coordenador da área de Mercado de Capitais do escritório Buranello & Passos Advogado
Bruno Cerqueira
09/10/2007
Com a última queda da taxa Selic, agora em 11,25%, os gestores de recursos e investidores independentes começam a migrar para novos ativos financeiros de renda fixa disponíveis no mercado, materializados em títulos financeiros como Cédula de Credito Bancário (CCB), Cédula de Crédito Imobiliário (CCI), Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Cédula de Produto Rural (CPR), Cédula de Produto Rural Financeira (CPR-F), Certificado de Depósito Agropecuário (CDA), Warrant Agropecuário (WA), Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) e Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA).
A migração torna-se uma necessidade em virtude de o simples investimento nos títulos públicos (LFTs e LTNs) não garantir mais a alta rentabilidade do passado, sendo necessário ingressar no segmento de crédito privado para aumentar o retorno des carteiras como fundos de investimento multimercado e/ou de renda fixa, bem como o ganho das carteiras das Entidades Abertas e Fechadas de Previdência Complementar.
Os títulos acima têm regulamentações distintas (geralmente bem definidas juridicamente), que devem ser observadas pelos investidores no momento da aquisição, pois a escolha de determinados títulos pode, inclusive, garantir benefícios fiscais na operação, como é o caso da isenção de imposto de renda para investidores pessoa física quando da aplicação em LCI, CDA, WA, CPR-F, CDCA, LCA e CRA.
No entanto, como tais ativos trazem maiores retornos para seus investidores, existe, em contrapartida, maior risco no investimento, seja pelo tradicional risco de crédito do tomador quanto no aumento do risco moral, agravado pelo o risco legal existente nas operações financeiras.
O risco moral é o risco que o investidor corre no momento do desembolso dos recursos, quando o tomador pode tomar medidas em desacordo com o pactuado nos instrumentos financeiros, aumentando a possibilidade de inadimplência dos investidores.
O risco legal é o risco de perdas do investidor em virtude da formalização não adequada dos títulos financeiros ou, ainda, em decorrência da proteção do judiciário aos tomadores dos recursos, os eximindo do cumprimento de obrigações legítimas pactuadas com os investidores.
No caso brasileiro, em virtude de um Poder Judiciário de atuação lenta dentro de aspectos processuais complexos, o risco legal de operações financeiras é relevante. Ele provoca uma maior liberalidade aos tomadores para que sejam adotadas medidas contrárias ao que foi pactuado em virtude dos "benefícios" do nosso judiciário que (i) de forma geral, não tem a especialização necessária para determinadas questões empresariais; (ii) não garante previsibilidade das decisões; e (iii) ainda que decida em favor do investidor, é utilizado pelos tomadores como instrumento de prorrogação no cumprimento das obrigações em virtude da demora de uma ação judicial.
Como forma de minimizar o risco legal, ganha importância uma análise histórica do tomador e uma análise jurídica da estrutura da operação. A primeira corresponde a uma análise histórica e moral do potencial tomador, analisando o comportamento desse indivíduo durante suas operações financeiras, podendo resultar na cobrança de maiores prêmios de risco ou de maiores garantias pelos investidores. Já a segunda, corresponde a uma análise jurídica com foco semelhante aos testes de estresse praticados nos departamentos de risco de instituições financeiras, simulando potenciais condutas dos tomadores, alterando, assim, as estruturas da operação para dar maior segurança para o investidor.
A análise empírica mostra que os investidores que fazem uma análise histórica/moral do tomador, bem como uma análise jurídica da operação, conseguem minimizar o risco legal das operações financeiras, reduzindo sensivelmente o risco de inadimplência.
Ressalta-se, por fim, que o risco legal e moral não é exclusivo das operações envolvendo os títulos financeiros citados nesse artigo, existindo em qualquer título financeiro do mercado, incluindo os investimentos em títulos públicos, debêntures, commercial papers e até na caderneta de poupança. Assim, enganam-se os investidores que não investem em determinados títulos por entenderem que são fracos juridicamente, pois sob o prisma regulatório/segurança jurídica, todos os títulos do mercado financeiro apresentam regulamentações semelhantes, divergindo apenas nos riscos legais distintos em função do tomador.
Bruno Cerqueira é advogado e coordenador da área de Mercado de Capitais do escritório Buranello & Passos Advogado
Criança feliz, feliz a poupar
Valor Econômico
Por Danilo Fariello
09/10/2007
Há um ano, Carlos Paglione Bonadio Vereda começou a investir em um clube de ações. Com esse dinheiro, ele poderá bancar uma viagem ao exterior, uma faculdade ou montar o próprio negócio. Carlinhos, como é conhecido, poderá aprender também o valor real do dinheiro e se conscientizar sobre a necessidade de poupar mensalmente. Na conta dele são depositados R$ 50 todos os meses.
O mais interessante é que Carlinhos tem pouco mais de um ano. Seu pai, o economista Arthur Vereda da Silva, decidiu aplicar no clube para crianças Vida Feliz, da Corretora Spinelli, em julho do ano passado, dois meses antes de Carlinhos nascer e menos de três meses antes de tirar o CPF do filho.
O bebê Vereda não é um caso atípico. São crescentes as aplicações financeiras voltadas para o público infantil e jovem. O apetite de pais e demais parentes para aplicar, principalmente em ações, consiste na confiança em um bom resultado das aplicações no longo prazo e nas vantagens tributárias desses investimentos - principalmente em planos de previdência. Os PGBLs e VGBLs oferecem condições para que os aplicadores paguem apenas 10% de IR em aplicações acima de dez anos, prazo razoável para crianças.
Os números projetados impressionam qualquer um. Segundo simulação da Mongeral, investindo-se R$ 100 em um plano de previdência do dia do nascimento até os 18 anos, o então jovem terá uma reserva estimada de R$ 56.775,20, se considerada uma rentabilidade de 10% ao ano e debitada uma taxa de carregamento de 1,5%. O juro estimado é elevado, mas as variações estão sempre na casa das dezenas de milhares.
Além da vantagem financeira e o dinheiro no bolso para quando o filho estiver na adolescência ou juventude, alguns pais procuram aplicações para instigar as crianças a aprender noções básicas financeiras. "Quero semear algo bom para o futuro dos meus filhos", diz o empresário Luis Alberto Biroli. Ele confessa que, até o ano passado, tinha um medo "lascado" de investir, principalmente em bolsa, mas ele e sua esposa Cristina aplicaram em ações para seus filhos Ana Carolina, de 9 anos, Gabriel, 7, e Luigi, 4. "Mudei minha visão de risco para olhar principalmente para a possibilidade de ganho futuro."
A relação das crianças com o dinheiro é fundamental para o sucesso da aplicação, diz Cássia D'Aquino, especialista em educação financeira. As intenções originais de se aplicar para os filhos são belas, mas os pais devem ter cuidados sobre como as crianças entendem o investimento, diz ela. Os pais podem colocar uma ênfase excessiva na aplicação ou exagerar o nível do esforço financeiro e, por fim, imputar a eles uma culpa ou uma preocupação que pode ser negativa para a criança, diz ela. "O filho tem de se sentir agradecido, mas não culpado pelo esforço dos pais." Além disso, é preciso cuidado para não ofuscar a motivação dos filhos ao trabalho, que pode ser comprometida se ele tiver todo o dinheiro necessário quando se tornar um adulto, diz Cássia. "Trabalho de pai é fazer o passarinho voar atrás de comida, e não lhe dar tudo na boca sempre."
Biroli diz que suas crianças recebem as informações do clube de ações em que investem e que faz questão de dizer a elas que têm esse dinheiro reservado. "Eles poderão gastar com a faculdade ou quando casarem", diz. Cássia comenta que é importante para os pais não sonharem com um objetivo específico para o dinheiro, como determinada faculdade, por exemplo, porque a decisão será do adulto em que a criança se tornar. "Há quem fique frustrado por poupar para uma universidade e o filho vai viver de surfe na Austrália", diz ela. "A decisão tem de ser do filho, senão será um compromisso para ambos, que não será saudável."
É sempre interessante que pais providenciem algum tipo de investimento para os filhos, mas o caráter educativo vai depender da maneira como os pais aproximam isso da criança, diz Cássia. "Há pais que exageram na aplicação, colocando mais do que deviam, e depois acabam colocando culpa na criança sobre algum mau resultado financeiro." Não há motivo para criar uma preocupação ou uma angústia que não correspondam ao ambiente sadio da criança, alerta. "O investimento não pode virar uma obsessão", diz a especialista. "Dinheiro não tem de ser colocado na frente de tudo", acrescenta.
Vereda, o pai, diz que acha importante criar o sentimento de responsabilidade financeira no filho de um ano. O economista, que também investe em ações e em previdência privada, quer mostrar a Carlinhos o valor do dinheiro e educá-lo a poupar por meio da aplicação em ações. "Mas vou até o momento em que ele ganhar consciência sobre os recursos e tiver a capacidade de tomar suas próprias decisões."
Por Danilo Fariello
09/10/2007
Há um ano, Carlos Paglione Bonadio Vereda começou a investir em um clube de ações. Com esse dinheiro, ele poderá bancar uma viagem ao exterior, uma faculdade ou montar o próprio negócio. Carlinhos, como é conhecido, poderá aprender também o valor real do dinheiro e se conscientizar sobre a necessidade de poupar mensalmente. Na conta dele são depositados R$ 50 todos os meses.
O mais interessante é que Carlinhos tem pouco mais de um ano. Seu pai, o economista Arthur Vereda da Silva, decidiu aplicar no clube para crianças Vida Feliz, da Corretora Spinelli, em julho do ano passado, dois meses antes de Carlinhos nascer e menos de três meses antes de tirar o CPF do filho.
O bebê Vereda não é um caso atípico. São crescentes as aplicações financeiras voltadas para o público infantil e jovem. O apetite de pais e demais parentes para aplicar, principalmente em ações, consiste na confiança em um bom resultado das aplicações no longo prazo e nas vantagens tributárias desses investimentos - principalmente em planos de previdência. Os PGBLs e VGBLs oferecem condições para que os aplicadores paguem apenas 10% de IR em aplicações acima de dez anos, prazo razoável para crianças.
Os números projetados impressionam qualquer um. Segundo simulação da Mongeral, investindo-se R$ 100 em um plano de previdência do dia do nascimento até os 18 anos, o então jovem terá uma reserva estimada de R$ 56.775,20, se considerada uma rentabilidade de 10% ao ano e debitada uma taxa de carregamento de 1,5%. O juro estimado é elevado, mas as variações estão sempre na casa das dezenas de milhares.
Além da vantagem financeira e o dinheiro no bolso para quando o filho estiver na adolescência ou juventude, alguns pais procuram aplicações para instigar as crianças a aprender noções básicas financeiras. "Quero semear algo bom para o futuro dos meus filhos", diz o empresário Luis Alberto Biroli. Ele confessa que, até o ano passado, tinha um medo "lascado" de investir, principalmente em bolsa, mas ele e sua esposa Cristina aplicaram em ações para seus filhos Ana Carolina, de 9 anos, Gabriel, 7, e Luigi, 4. "Mudei minha visão de risco para olhar principalmente para a possibilidade de ganho futuro."
A relação das crianças com o dinheiro é fundamental para o sucesso da aplicação, diz Cássia D'Aquino, especialista em educação financeira. As intenções originais de se aplicar para os filhos são belas, mas os pais devem ter cuidados sobre como as crianças entendem o investimento, diz ela. Os pais podem colocar uma ênfase excessiva na aplicação ou exagerar o nível do esforço financeiro e, por fim, imputar a eles uma culpa ou uma preocupação que pode ser negativa para a criança, diz ela. "O filho tem de se sentir agradecido, mas não culpado pelo esforço dos pais." Além disso, é preciso cuidado para não ofuscar a motivação dos filhos ao trabalho, que pode ser comprometida se ele tiver todo o dinheiro necessário quando se tornar um adulto, diz Cássia. "Trabalho de pai é fazer o passarinho voar atrás de comida, e não lhe dar tudo na boca sempre."
Biroli diz que suas crianças recebem as informações do clube de ações em que investem e que faz questão de dizer a elas que têm esse dinheiro reservado. "Eles poderão gastar com a faculdade ou quando casarem", diz. Cássia comenta que é importante para os pais não sonharem com um objetivo específico para o dinheiro, como determinada faculdade, por exemplo, porque a decisão será do adulto em que a criança se tornar. "Há quem fique frustrado por poupar para uma universidade e o filho vai viver de surfe na Austrália", diz ela. "A decisão tem de ser do filho, senão será um compromisso para ambos, que não será saudável."
É sempre interessante que pais providenciem algum tipo de investimento para os filhos, mas o caráter educativo vai depender da maneira como os pais aproximam isso da criança, diz Cássia. "Há pais que exageram na aplicação, colocando mais do que deviam, e depois acabam colocando culpa na criança sobre algum mau resultado financeiro." Não há motivo para criar uma preocupação ou uma angústia que não correspondam ao ambiente sadio da criança, alerta. "O investimento não pode virar uma obsessão", diz a especialista. "Dinheiro não tem de ser colocado na frente de tudo", acrescenta.
Vereda, o pai, diz que acha importante criar o sentimento de responsabilidade financeira no filho de um ano. O economista, que também investe em ações e em previdência privada, quer mostrar a Carlinhos o valor do dinheiro e educá-lo a poupar por meio da aplicação em ações. "Mas vou até o momento em que ele ganhar consciência sobre os recursos e tiver a capacidade de tomar suas próprias decisões."
Carteiras de ações ignoram crise e superam renda fixa
Valor Econômico
Por Angelo Pavini
09/10/2007
Os fundos de privatização que aplicam em papéis da Vale do Rio Doce foram os que melhor se saíram no rescaldo da crise das hipotecas de alto risco americanas ("subprime"). Estudo feito pelo site Fortuna do dia 23 de julho, quando a crise começou, até 3 de outubro, mostra esses fundos com ganho de 26,5%, fruto da forte valorização da mineradora, que se refletiu também no Ibovespa. A seguir aparecem os fundos de privatização da Petrobras, com alta de 7,7% no período.
O estudo mostra também que os fundos de ações passaram por cima da crise, fechando o período com ganho de 3,5%, maior que as opções conservadoras como os fundos DI, que ficaram com 2,2% de ganho. Mas os DI ganharam dos fundos de renda fixa, que foram prejudicados pela forte oscilação das taxas de juros, que trouxe perdas para os papéis prefixados comprados com rendimentos mais baixos antes da crise. Os fundos de renda fixa acumularam ganho de 2,1% no período.
O que chama a atenção são os fundos multimercados, que na média apresentaram rendimento de 0,8%, o pior desempenho da lista. O motivo foi que essas carteiras foram surpreendidas pela crise, reduziram suas exposições em mercados como bolsa, dólar e juros para limitar as perdas e, com isso, acabaram perdendo o bonde da recuperação que se seguiu logo após a crise. A velocidade da recuperação foi tão rápida que a maioria dos gestores não conseguiu acompanhá-la. A esse fator soma-se a forma como a recuperação se deu no mercado de ações, concentrada em Vale e Petrobras, o que prejudicou os fundos multimercados de arbitragem (long/short), que estavam apostando na queda dos papéis mais líquidos e na alta dos papéis de segunda linha.
O investidor deve analisar, porém, o desempenho de seus multimercados separadamente, pois essas carteiras têm desempenhos bastante distintos, variando de acordo com a estratégia e o gestor.
Por Angelo Pavini
09/10/2007
Os fundos de privatização que aplicam em papéis da Vale do Rio Doce foram os que melhor se saíram no rescaldo da crise das hipotecas de alto risco americanas ("subprime"). Estudo feito pelo site Fortuna do dia 23 de julho, quando a crise começou, até 3 de outubro, mostra esses fundos com ganho de 26,5%, fruto da forte valorização da mineradora, que se refletiu também no Ibovespa. A seguir aparecem os fundos de privatização da Petrobras, com alta de 7,7% no período.
O estudo mostra também que os fundos de ações passaram por cima da crise, fechando o período com ganho de 3,5%, maior que as opções conservadoras como os fundos DI, que ficaram com 2,2% de ganho. Mas os DI ganharam dos fundos de renda fixa, que foram prejudicados pela forte oscilação das taxas de juros, que trouxe perdas para os papéis prefixados comprados com rendimentos mais baixos antes da crise. Os fundos de renda fixa acumularam ganho de 2,1% no período.
O que chama a atenção são os fundos multimercados, que na média apresentaram rendimento de 0,8%, o pior desempenho da lista. O motivo foi que essas carteiras foram surpreendidas pela crise, reduziram suas exposições em mercados como bolsa, dólar e juros para limitar as perdas e, com isso, acabaram perdendo o bonde da recuperação que se seguiu logo após a crise. A velocidade da recuperação foi tão rápida que a maioria dos gestores não conseguiu acompanhá-la. A esse fator soma-se a forma como a recuperação se deu no mercado de ações, concentrada em Vale e Petrobras, o que prejudicou os fundos multimercados de arbitragem (long/short), que estavam apostando na queda dos papéis mais líquidos e na alta dos papéis de segunda linha.
O investidor deve analisar, porém, o desempenho de seus multimercados separadamente, pois essas carteiras têm desempenhos bastante distintos, variando de acordo com a estratégia e o gestor.
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