domingo, 11 de maio de 2008

Reforma chilena corrige excessos liberais da Previdência de Pinochet

O Estado de São Paulo
11/05/2008


País garante aposentadoria mínima para todos os idosos com mais de 65 anos e entre os 60% mais pobres

Fernando Dantas

Quase três décadas depois de fazer uma mudança radical e privatizante na sua Previdência, que se tornou a mais emblemática reforma liberal da América Latina nos anos 80 e 90, o Chile embarcou este ano numa ampla revisão daquele passo ousado. Aprovada no Congresso em janeiro de 2008, a nova reforma não revoga as mudanças impostas pelo ditador Augusto Pinochet, mas procura remediar os estragos sociais causados pela introdução do sistema de contas individuais de capitalização, gerido por Administradoras de Fundos de Pensão (AFPs) privadas.

Esse regime substituiu praticamente todo o antigo sistema chileno de Previdência pública, de repartição (trabalhadores na ativa financiam aposentadoria dos inativos), que é o formato que ainda predomina em todo o mundo, incluindo o Brasil. O sistema chileno foi parcialmente copiado na Argentina, Peru e Colômbia.

"A reforma da Previdência deste ano é uma das mais importantes desde que a Concertación chegou ao poder, em 1991", diz Andras Uthoff, economista da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal, instituição ligada às Nações Unidas e com sede em Santiago). A Concertación é uma coalizão de centro-esquerda. Coube ao governo da presidente Michelle Bachelet, empossada em março de 2006, levar adiante as mudanças.

CONTA INDIVIDUAL

O sistema de capitalização do Chile resolveu o problema do déficit da Previdência no longo prazo, já que funciona na base de que cada aposentado vive com o dinheiro que conseguiu juntar com sua próprias contribuições numa conta individual. Na verdade, por enquanto, o Chile ainda tem um custo de mais de 6% do PIB com a sua Previdência, em parte por conta da transição entre os dois regimes. Mas esse déficit tende a desaparecer no futuro, com exceção das aposentadorias militares, que nunca mudaram. Outra vantagem do sistema introduzido por Pinochet foi contribuir na criação de poupança de longo prazo, pois os investimentos das AFPs correspondem hoje a mais de 60% do PIB local.

Há muitos problemas, porém, na Previdência com contas individuais. Passados 28 anos, o regime só cobre 55% da força de trabalho do país e tem uma reposição média em relação ao último salário de apenas 44% (ou de 30% a 40%, segundo a CUT, a Central Unitária dos Trabalhadores do Chile). Mais grave ainda é o fato de que há um grande contingente de inativos que recebe muito pouco ou nada no sistema de capitalização, mas não é suficientemente pobre para cair na rede de proteção assistencial chilena.

Com a "reforma da reforma", todos os chilenos com mais de 65 anos que estejam situados entre os 60% mais pobres da população terão o direito a partir de 2012 a um benefício mensal mínimo de 75 mil pesos (US$ 167) - a chamada "aposentadoria básica solidária".

Esse será o valor para quem nunca contribuiu e significa um aumento de 66% sobre o benefício equivalente atual, de 45 mil pesos (US$ 100), que é assistencial e vale apenas para quem estiver entre os 20% mais pobres da população.

APORTE SOLIDÁRIO

Para incentivar a contribuição, as novas regras prevêem que também terão direito a um complemento da aposentadoria - que levará o benefício acima de 75 mil pesos - todas as pessoas que tiverem contribuído com menos do que o suficiente para alcançar 255 mil pesos (US$ 567) mensais. Esse dinheiro extra, que vem dos cofres públicos, é o chamado "aporte previdenciário solidário".

Na verdade, a aposentadoria e o aporte solidários integram um mesmo mecanismo: um complemento decrescente, saindo de 75 mil pesos, para quem nunca contribuiu, até zero, para quem contribuiu o suficiente para receber 255 mil pesos mensais. A idéia é estimular os trabalhados pobres a contribuir, já que, se o fizerem, poderão ganhar mais do que a aposentadoria básica solidária.

MUDANÇA GRADUAL

A implementação do novo sistema será gradual. A primeira etapa, a partir de julho, prevê um benefício mensal mínimo para os inativos de 60 mil pesos (US$ 133), limitado a quem se situe entre os 40% mais pobres. Esses parâmetros serão paulatinamente ajustados, até se chegar em 2012 aos 75 mil pesos, para os 60% mais pobres. A estimativa é de que, em 2012, 1,3 milhão de chilenos, ou cerca de 8% da população atual, estarão incorporados ao chamado "Sistema de Aposentadorias Solidárias".

Em resumo, a mudança significa uma maciça ampliação dos recursos orçamentários para complementar os benefícios mais baixos da Previdência e da assistência social do Chile e também para estender a cobertura a quem não recebia nada.

Pela regra anterior à reforma deste ano, e que vigora até julho, todo contribuinte das contas individuais tem o direito de ganhar um mínimo de 98 mil pesos (US$ 218), desde que tenha contribuído por pelo menos 20 anos, ou 240 meses (de 10% do salário, para os empregados).

Para quem cumpriu esse pré-requisito, o sistema criado por Pinochet garante um complemento de recursos públicos para que a aposentadoria chegue àquele mínimo. Para os que não atingem o piso de contribuições, vale a regra geral de que a aposentadoria é um pagamento retirado da conta individual que o trabalhador acumulou com suas contribuições, acrescidas da rentabilidade das aplicações geridas pela AFP. Ou seja, não há nenhum dinheiro público complementar.

Em muitas situações, especialmente com trabalhadores informais ou em ocupações precárias, esse acúmulo de recursos para a aposentadoria é muito baixo e leva a um pagamento mensal reduzidíssimo.

Caso o beneficiário queira fazer saques maiores, pode ocorrer o esgotamento da conta antes da sua morte, e ele pára de receber aposentadoria. Nesse caso, se a pessoa estiver entre os 20% mais pobres, pode tentar se cadastrar no sistema assistencial, para receber os 45 mil pesos mensais. Se não conseguir, tem de se virar sozinho.

As regras novas mudam o quadro. "Agora, passa a haver de fato um sistema solidário que garante a previdência dos pobres", conclui Uthoff

terça-feira, 6 de maio de 2008

Casa própria com crédito mais rápido

Jornal da Tarde
06/05/2008


Bancos menores liberam empréstimo com juros mais altos, mas em prazo menor que o dos grandes

FABIO LEITE, f.leite@grupoestado.com.br


Encontrar a melhor linha de financiamento habitacional para o seu bolso está ainda mais fácil. Além de derrubar os juros e alongar os prazos, a explosão do crédito imobiliário no ano passado trouxe também novas opções para quem sonha com a casa própria. São os planos oferecidos pelos bancos estreantes no setor, que apostam no estilo ‘fast food’ de concessão de crédito para conquistar mercado. Resultado: dinheiro liberado em até dez dias.

O prazo mais curto é assegurado pelo banco Fibra, que desde setembro de 2007 opera no setor com a marca TotalCasa. Segundo o vice-presidente de Operações de Varejo, Marcio Ronconi, a liberação rápida do crédito só é possível porque a documentação é emitida pela internet. Com exceção da Caixa Econômica Federal, os demais grandes bancos trabalham como prazo médio de 30 dias.

Para Mauro Costa, superintendente comercial de crédito imobiliário da Plano A, braço do Banco Matone (no varejo há pouco mais de um ano e que promete liberar o dinheiro em até 20 dias), outro facilitador é o atendimento personalizado, que muitos grandes não conseguem oferecer. “O cliente entra na loja e é atendido por uma equipe exclusiva e especializada em crédito imobiliário. Nós fornecemos todas as informações sobre o produto, fazemos simulações e levantamos toda a documentação”, diz.

Também por serem pequenos e contarem com uma carteira bem menor que as dos gigantes do mercado, os novos bancos da casa própria conseguem oferecer linhas de financiamento menos engessadas. Para quem pretende vender um imóvel para comprar um novo, por exemplo, é possível financiar até 100% com a Plano A dando parte da residência atual como garantia. “Nós fazemos dois contratos: um com o financiamento de 80% do imóvel novo e outro com 20% sobre o imóvel atual”, explica Costa.

Outro exemplo de flexibilização é a possibilidade de reduzir o valor das primeiras seis prestações em 75% para pagar outras despesas, como a da própria mudança. Assim como a Caixa e o banco Santander, a Plano A também financia em até 30 anos. “Estamos estudando ainda linhas de financiamento com recursos do FGTS”, completa Costa.

Foco nos usados

Para não competir diretamente com as principais instituições do País, que conseguem oferecer taxas de juros mais vantajosas, principalmente para a compra de imóveis novos, os bancos estreantes do setor focam seus negócios no mercado de usados. É o caso do BM Sua Casa, que também tem como atrativo o credito rápido: até 15 dias.

“Atuamos em todas as frentes, mas, como o segmento de usados era pouco atendido, estamos focando nesse mercado”, afirma Vitor Bidetti, diretor da Brazilian Mortgages, empresa especializada em operações financeiras dona da marca BM Sua Casa, que tem parceria com 100 imobiliárias pelo País.

Os produtos personalizados não param por aí. O banco Daycoval, por exemplo, que começou a atuar no mercado de crédito imobiliário apenas neste ano, oferece uma linha de financiamento com desconto em folha exclusivamente para servidores públicos. Qualquer cliente que trabalha para órgãos dos governos municipais, estaduais e federal consegue financiamento de até 100% do imóvel em prazo que chega a 15 anos.

O superintendente-geral da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança Abecip), José Pereira Gonçalves, explica que a entrada desses novos bancos no mercado de crédito imobiliário é reflexo da estabilidade econômica, da recuperação da renda dos brasileiros e de alterações na lei que garantiram mais segurança aos credores, tripé que tem estimulado o ‘boom’ imobiliário. “A concorrência é extremamente benéfica. Com novos agentes, fica mais fácil para o consumidor encontrar a melhor opção de financiamento.”

Gonçalves afirma ser difícil calcular o impacto dos novos bancos da casa própria no mercado porque a maioria não opera com recursos da poupança, como os bancos tradicionais. “Eles utilizam fontes alternativas de recursos e estão preenchendo bem um espaço que havia no mercado”, afirma. “O importante é ter várias alternativas para que as pessoas consigam ter mais acesso ao crédito”, completa.

O técnico de defesa do consumidor da Fundação Procon de São Paulo, Erwin Sipereck, ressalta que, nessas ocasiões, o consumidor deve ficar atento às taxas administrativas cobradas pelos bancos mensalmente e às promessas de liberação rápida do crédito, principal trunfo dos novos bancos do setor. “Isso deve estar documentado para que o prazo de concessão seja o mesmo que o prometido”, explica.

Segundo o técnico do Procon, embora os bancos sejam pouco conhecidos, não há motivo para insegurança no negócio, já que é o banco quem está emprestando dinheiro. De 2007 para cá, o Procon não tem registro de queixas contra os bancos pequenos no quesito crédito imobiliário, mas Sipereck sempre recomenda que haja checagem quando se busca o crédito.

Sucesso vem com planejamento

Jornal da Tarde
06/05/2008


Na volta ao Brasil, os dekasseguis precisam estudar o mercado para aplicar bem o dinheiro que ganharam

Fernando Nakagawa

A história se repetiu em centenas de famílias japonesas nos últimos anos. Insatisfeitos com a situação no Brasil, descendentes buscaram trabalho do outro lado do mundo. Geralmente, o plano é o mesmo: juntar dinheiro, retornar e abrir um negócio. O sucesso na volta, porém, não vem facilmente. É preciso estudar o mercado e planejar a abertura da empresa - quem seguiu esses passos à risca já colhe os frutos e faz parte de uma nova geração de dekasseguis-empresários bem sucedidos.

Há exatos 100 anos, o café ajudou a trazer os primeiros japoneses para o Brasil. O mesmo grão que garantiu o sustento dos desbravadores no século passado é, agora, a fonte de sucesso para um grupo de paranaenses que suou anos em fábricas japonesas. Em 1999, quatro dekasseguis recém chegados decidiram se juntar para abrir um negócio. Passaram seis meses pesquisando o mercado e as oportunidades de negócio em Curitiba, Paraná.

“Opções não faltavam. Pensávamos em posto de gasolina, supermercado, restaurante. Mas optamos por aquilo que parecia ser mais promissor, com mais oportunidades”, diz Julio Yamaguti, que trabalhou por seis anos como operário no Japão. Então, decidiram abrir uma cafeteria, negócio que crescia a passos largos em São Paulo e ainda era incipiente no Paraná. A Exprèx Caffè foi aberta no final de 99, no centro de Curitiba. A decisão foi acertada. O setor cresceu forte e a cafeteria até ganhou concorrentes, que não conseguiram o mesmo sucesso. O negócio evoluiu e a empresa vai iniciar até a comercialização de franquias com a marca este ano.

À japonesa, Yamaguti diz que a perseverança foi o principal motivo do sucesso. Mas ele admite que o esforço não valeria nada se a abertura da cafeteria não tivesse sido precedida por um bom estudo do mercado. “Estudamos muito porque sabíamos que a oportunidade não podia ser perdida. Particularmente, eu não queria errar porque não queria perder por todo o esforço de passar anos trabalhando no Japão.”

Esclarecimento

Quem acompanha a volta dos dekasseguis ao Brasil diz que os erros são, geralmente, os mesmos na tentativa de se abrir um negócio. “Normalmente, ele volta sem pesquisar nada do mercado, sem ver quais são as oportunidades. Não há qualquer tipo de planejamento”, diz Silmar Rodrigues, coordenador-nacional do Programa Dekassegui promovido pelo Sebrae e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Para tentar reverter esse quadro, o programa desenvolve ações no Japão para esclarecer os que planejam o retorno ao Brasil.

O programa do Sebrae constatou que, na média, o dekassegui retorna ao Brasil com capital entre US$ 60 mil e US$ 70 mil, após período de 3 ou 4 anos de trabalho. Mas esse empreendedor costuma retornar com uma idéia clara do negócio que quer abrir. “Se ele tem habilidade em cozinhar, por exemplo, acha que tem de abrir um restaurante. Mas nem sempre é assim porque o local escolhido pode ter excesso de restaurantes e vai ser difícil entrar no mercado”, explica. “Antes de escolher o negócio, é preciso ter alguma vivência no Brasil para avaliar as condições do mercado, observar se há oportunidades.”

Assim como Yamaguti viu oportunidade no ramo de cafeterias em Curitiba, Eduardo Seko também foi feliz na escolha do negócio ao voltar do Japão. Em 2003, após uma temporada como dekassegui, reorganizou um pequeno negócio da família que comercializava fertilizantes e produtos naturais em Belém, no Pará. Seko percebeu a demanda por produtos naturais com propriedades terapêuticas e focou a pequena empresa em produtos relacionados à floresta amazônica. A mudança deu certo e a família passou até a exportar chás medicinais, raízes energéticas, mel e guaraná.

“São exemplos que mostram que o sucesso não é impossível. Para isso, basta planejar a volta, estudar muito o mercado e ter noções básicas de administração, como controlar o caixa e estabelecer preços”, diz o coordenador do Programa Dekassegui. Ele admite que muitos descendentes, principalmente no Japão, têm resistência em aceitar a ajuda de entidades como o Sebrae. “Há temor de que os serviços possam ser cobrados. Mas todos os nossos cursos disponíveis na internet são gratuitos”, esclarece.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Um novo tempo

Valor Econômico
Por Angelo Pavini, Alessandra Bellotto e Luciana Monteiro, de São Paulo
05/05/2008



O grau de investimento, ou "investment grade", mexeu na semana passada com as aplicações financeiras. E vai continuar mexendo. O Índice Bovespa atingiu quase 71 mil pontos na sexta-feira, fechando a 69.366 pontos, recorde dos recordes. Já o dólar voltou para o menor nível desde 1999, a R$ 1,65. Também os juros longos caíram. A questão é se esses números representam uma tendência, que deve levar o investidor a mudar sua estratégia, ou se são apenas entusiasmo momentâneo. Antes, é melhor analisar o impacto da nova nota no curto, médio e longo prazo.


A leitura de consultores e analistas é que boa parte desse movimento da semana passada foi uma antecipação dos benefícios que o selo de baixo risco vai trazer. Ele refletiu a expectativa de novos investimentos no Brasil para breve, quando outra agência seguir a Standard & Poor's e elevar o país a um nível seguro de risco. Isso porque muitos fundos estrangeiros só aplicam em países com grau de investimento de duas agências. "Esperamos que a Fitch faça isso no segundo semestre, pois ela usa critérios parecidos e acompanha de perto a S&P", diz Antônio Madeira, da MCM Consultores.


Antes disso, porém, os fundos que já investem no Brasil podem aplicar mais pois, com risco menor, a parcela disponível para o país na carteira cresce, explica o ex-Banco Central Luiz Fernando Figueiredo, da Mauá Investimentos. Os reflexos na economia, porém, são mais de médio e longo prazos, diz. "Há uma melhora no PIB potencial do país, reduzindo o custo de captação das empresas e, claro, alguns antecipam isso."


Na bolsa, a alta foi maior porque a crise americana impediu o mercado de antecipar o selo, como ocorreu em países como México e Coréia, diz Madeira, da MCM. Por isso, há espaço para ganhos no médio prazo, "se o cenário nos EUA ficar sob controle". O mercado pode até cair depois da forte alta recente, mas a barreira dos 66 mil pontos foi rompida e o fôlego é razoável pela expectativa de entrada de mais dinheiro. E a redução do risco-Brasil leva a uma revisão para cima das estimativas do Ibovespa, diante do custo menor para as empresas (ver página D5).


A surpresa com o selo ajudou na alta da bolsa na semana passada. Ela provocou uma corrida para ações de investidores estavam com posições pequenas, diz o economista-chefe da GAP Asset Management, Alexandre Maia. "E há muito espaço ainda para o aumento das aplicações." No médio e longo prazos, a bolsa continua atrativa, mas Maia acredita que o desempenho das ações dependerá também de outras condicionantes, como a evolução da economia americana.


É possível que a bolsa seja mais positiva no curto prazo, diz Alessandra Ribeiro, economista da Tendências, que crê em uma melhora marginal com a promoção do país. Se cair, ela acredita que o Ibovespa poderá voltar a 67 mil pontos e não mais 62 mil como antes. "Mas não bate 90 mil já."


Diante dessa euforia, qualquer atitude agressiva do investidor seria prematura, diz Marcelo Cabral, sócio da NEO Investimentos. "O 'investment grade' é evento específico de Brasil, que está inserido no contexto global", diz. "Não é hora para grandes apostas de longo prazo."


Já nos juros, o impacto do grau de investimento vai variar de acordo com o prazo. Nos mais curtos, o efeito será pequeno, pois as taxas dependem mais do BC e da inflação, que continua preocupando, diz Madeira, da MCM. Já nos longos, há uma relação com o risco-Brasil, que deve cair e favorecer a redução das taxas já neste momento. Nas taxas curtas, porém, a expectativa é que elas acompanhem de perto as próximas reuniões do Copom, diz Cabral, da NEO. "E boa parte do aperto monetário já está no preço", lembra.


Neste momento, diz Paulo Clini, gestor de renda variável da Legg Mason Asset Management, a alta da inflação é global e o selo não muda muito a situação do Brasil. Já nos juros de longo prazo, a reação, de redução, começa agora, com a expectativa de queda da inflação nos próximos anos com investimentos diretos e a produção crescendo. Também a entrada dos investidores externos em papéis do Tesouro ajudaria na queda.


No câmbio, a tendência de médio prazo ainda é de queda do dólar, acentuada no curto pela entrada dos investidores externos especulativos por conta do grau de investimento. "Mas há o aumento do déficit externo brasileiro, que vai limitar a queda do dólar, e ainda a tendência de recuperação da moeda americana no exterior, que vimos começar na semana passada", diz Madeira, da MCM. O real se apreciará, afirma Maia, da Gap, entre outros motivos, porque "não há um país 'investment grade' com um juro alto como o do Brasil". Mas Alessandra, da Tendências, também vê um piso. "Não dá para falar em dólar abaixo de R$ 1,60 com as contas externas piorando e o dólar subindo lá fora." A consultoria Tendências mantém as projeções de R$ 1,80 para o dólar no fim do ano, 13,25% ao ano para a Selic e inflação de 4,8% pelo IPCA.


O movimento de entrada de estrangeiros pode também não ser tão grande, já que alguns já tinham dinheiro no mercado brasileiro indiretamente, por meio de fundos com aplicações aqui, diz Cabral, da NEO. Para ele, os preços dos ativos já eram compatíveis com os de um país com grau de investimento. Já Clini, da Legg Mason, diz que, no curto prazo, o dólar pode cair dada a maior atração de capital. Mas, no longo prazo, o que vai importar para o câmbio são as contas externas.


Para qualquer um dos mercados, portanto, não é possível afirmar que os piores impactos da crise americana já tenham passado, nem que o "investment grade" seja a panacéia para todos os males do Brasil. "Ainda não dá para falar que o pior já passou", diz Cabral, da NEO. Segundo ele, há a preocupação com a inflação, um fenômeno mundial provocado em parte pela pressão nos preços dos alimentos e commodities. Outra preocupação dos especialistas ouvidos pelos Valor é o sistema financeiro americano. Uma recuperação da economia global só deve ocorrer no último trimestre do ano, prevê o gestor da NEO. Até lá, muita coisa pode mudar. "Nâo acredito em descolamento total." O risco maior está lá na frente, completa.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

O pior já passou?

Valor Econômico
Por Angelo Pavini, de São Paulo
30/04/2008



A alegria dos investidores em ações durou pouco. Depois de chegar perto do recorde histórico na segunda-feira, o Índice Bovespa voltou a cair, perdendo quase metade do ganho do mês em um só dia. Em abril, o retorno está agora em 4,69% e, no ano, há uma perda de 0,10%. Olhando o gráfico de julho do ano passado para cá, porém, o que se vê é que o Ibovespa já repetiu essa rotina de agonia e glória outras vezes. O que chamou a atenção desta vez foi que a recuperação foi sustentada por uma forte entrada de investidores estrangeiros. Neste mês, até dia 24, o saldo na Bovespa estava positivo em R$ 6,172 bilhões, recorde mensal absoluto, zerando as fortes saídas do ano. A pergunta que fica ao observar o ganho do mês e a forte entrada de estrangeiros é: será que o pior já passou?


A maioria dos analistas reconhece que um dos piores receios do mercado, a possibilidade de quebra de um banco de grande porte americano ou europeu, diminuiu bastante com a atuação dos bancos centrais americano e europeus injetando caminhões de dinheiro no mercado. Mas esses mesmos analistas observam que boa parte da recuperação deste ano se refere a papéis ligados a commodities. Olhando os preços médios das matérias-primas pelo Índice CRB, o que se nota é que os preços estão 30% acima dos valores de junho do ano passado.


Isso explica o forte descolamento entre o Ibovespa, que sobe 17,34% no período, e o índice americano Standard & Poor's (S&P), que cai 7,48% de junho para cá. A lista das maiores altas e baixas deste ano também mostra o efeito das commodities, com fortes ganhos das siderúrgicas. Já as baixas misturam papéis menos líquidos com casos específicos, como Cesp, cujo leilão de privatização fracassou, e Gol e TAM por conta do preço do petróleo.


A situação da bolsa melhorou em relação ao início do ano, afirma Roseli Machado, responsável pela Fator Administração de Recursos (FAR). "O problema para o mercado é quando não se sabe o tamanho da crise", diz ela. "Hoje já se sabe que não há nenhum grande banco quebrando e o mercado voltou rapidamente, o S&P e o Ibovespa acompanharam", afirma.


O que deve influenciar o mercado agora, diz, é o reflexo dessa crise bancária sobre a economia global, sobre o consumo dos americanos, e quanto tempo a economia dos EUA vai demorar para se recuperar. "Como o mercado não tem tanta clareza sobre essas variáveis, deve ter dificuldade em superar a barreira dos 66 mil pontos na Bovespa", diz Roseli. Ao mesmo tempo, quando saírem números ruins de atividade nos EUA, o mercado deve piorar e o índice volta para os 60 mil pontos. "Mas é um processo de preparação para uma arrancada do mercado no futuro", diz ela, que trabalha com um Ibovespa em 80 mil pontos no fim deste ano e vê maior potencial de ganhos no setor de siderurgia.


Além da atividade econômica mundial, outro fator de indefinição é a inflação, afirma Roseli. Se a alta for estrutural e, portanto, de longo prazo, deve levar a uma elevação dos juros ao redor do mundo, inclusive nos mercados emergentes, por algum tempo. E juro alto pode afetar os preços das commodities e, portanto, os papéis brasileiros.


A bolsa andou bem este mês e recuperou as perdas do mês passado, mas a pressão da incerteza no mercado externo continua, diz Pedro Galdi, analista de investimentos da corretora do Banco Real. Ele lembra que há dúvidas sobre o que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) poderá fazer para ajudar a recuperação da economia, uma vez que não pode reduzir muito os juros, que já estão abaixo da inflação. "E aí as opiniões começam a se dividir e o mercado fica volátil, com o Ibovespa variando entre os 60 mil pontos e os 66 mil", diz. "Ficamos nessa história de bem-me-quer, mal-me-quer, este mês foi de bem-me-quer." Mas ele destaca que a tendência do índice ainda é de alta e há a expectativa de que o país receba o grau de investimento não-especulativo ("investment grade"), o que vai atrair novos investidores externos para cá. Galdi estima um valor justo para o Índice Bovespa em 81 mil pontos e espera uma melhora no segundo semestre deste ano.


Nos próximos seis, oito meses, o cenário para a bolsa brasileira é ruim, afirma Caio Megale, da Mauá Investimentos. Segundo ele, ajuda nessa visão negativa o fato de o BC brasileiro ainda elevar mais a taxa de juros. "O BC vai subir os juros em até 2,5 pontos percentuais e isso não está no preço das ações hoje", alerta. E se o juro subir e segurar a economia como quer o BC, empresas de varejo devem cair mais.


Outro fator que influenciará a Bovespa será a bolsa americana. Megale está mais pessimista com a economia dos EUA, uma vez que os custos com petróleo estão aumentando, os salários diminuindo e as margens das empresas sendo comprimidas. Isso tudo deve retardar a recuperação da economia nos próximos seis, sete meses. "E, aí, fica difícil a bolsa brasileira subir com a americana caindo". No longo prazo, porém, Megale é comprador de bolsa. "Para um ano, dois, há muito crescimento de lucro que não está embutido nos preços de empresas que estão muito baratas", diz.


Os fundamentos da economia brasileira continuam bons e dão sustentação para a bolsa, acredita Tomás Awad, estrategista da Itaú Corretora. "Podemos ter alguns surpresinhas com inflação mais alta e contas externas, mas no geral o cenário é bom", diz. Ele reconhece que o cenário externo ainda é incerto, mas acha que a economia americana deve se recuperar e, com isso, o Ibovespa teria condições de atingir níveis entre 75 mil e 77 mil pontos. "Nossos preços ainda estão atrativos olhando os indicadores de Preço/Lucro (referencial que estima em anos o tempo de retorno do investimento na ação) em relação a outros países", diz. Segundo ele, o P/L do mercado brasileiro está em 10 vezes, para 13 dos EUA e 15 vezes da China e Índia.


Já Alexandre Póvoa, da Modal Asset Management, é mais pessimista. Para ele, a economia americana não vai se recuperar tão rapidamente, já a partir do último trimestre deste ano, como acreditam os analistas. Nesse cenário, os papéis de primeira linha seriam ameaçados por uma queda nas commodities e as de segunda, pela falta de liquidez. "O Ibovespa em 66 mil pontos é extremamente perigoso para o investidor", diz.

Renda fixa perde R$ 4,2 bilhões no mês

Valor Econômico
Luciana Monteiro, de São Paulo
30/04/2008



A maior pressão inflacionária, a alta dos juros e as perdas decorrentes do aumento das taxas pagas pelos Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) estão afastando os investidores das aplicações prefixadas. Com retornos abaixo do CDI, a categoria dos renda fixa que pode aplicar em papéis com juros pré apresenta no mês resgates de R$ 4,226 bilhões, até o dia 25. No acumulado do ano, os saques somam R$ 451 milhões, segundo relatório semanal do site Fortuna.


A elevação de de 0,5 ponto percentual da Selic neste mês, subindo o juro de 11,25% ao ano para 11,75%, pegou muitos gestores de surpresa, já que a maioria esperava uma alta de 0,25 ponto percentual. Com isso, as carteiras que estavam mais carregadas com papéis prefixados, sobretudo de longo prazo, registraram perdas maiores. Em termos de rentabilidade, os fundos de renda fixa ganham, em média, 0,68% no mês para 0,77% do CDI até o dia 25. No ano, o retorno é de 3,26% para 3,36% do referencial.


Os resgates refletem a movimentação dos investidores que acreditam que a taxa de juros vai continuar subindo, diz André Schibuola, sócio da Precision Asset Management. Ele lembra que o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) divulgado ontem, de 0,69% em abril, veio acima do esperado pelo mercado. "Inicialmente, a leitura da ata do Copom era de que a alta do juro seria grande, mas duraria pouco, mas agora isso já dá sinais que será longo", diz.


Para ajudar, os bancos começaram a oferecer retorno maior para os CDBs. Com o crédito crescendo e dificuldades de captar recursos lá fora por conta da crise, instituições financeiras miraram o mercado interno. Mas, para captar, os bancos precisam oferecer um retorno mais atraente. Há, por exemplo, instituições de primeira linha pagando 107% do CDI para CDBs de altos valores com prazos de dois.


Muitos investidores, no entanto, podem estar se perguntando: mas se a taxa subiu, porque muitos fundos com CDBs pós-fixados tiveram perdas? Acontece que, mesmo os CDBs pós, atrelados à variação do CDI, têm um componente prefixado, que é o percentual do CDI determinado no momento da aplicação, explica Marcia Dessen, da consultoria e empresa de treinamento educacional corporativo Bankrisk. As taxas oferecidas pelos CDBs hoje não são usuais. Normalmente são menores. Mas para captar mais, os bancos precisaram elevar as taxas. Com isso, os papéis com taxas menores que estavam nos fundos de investimento valem hoje menos e, portanto, precisaram ter seu preço contabilizados a valor de mercado, conta Marcia.


Isso trouxe perdas até mesmo para os fundos DI e muitas carteiras registraram prejuízo. Segundo os dados do Fortuna, no mês, até o dia 25, os DIs apresentam rentabilidade média de 0,65% e captam R$ 1,735 bilhão. No ano, o rendimento médio é de 3,13% e o ingresso de recursos soma R$ 12,805 bilhões. A decisão entre manter ou não a aplicação depende da perspectiva do investidor. O mercado já embute no contrato de juro de janeiro de 2010 uma taxa de 14,25% ao ano. "Para quem acredita a situação vai piorar e o juro subir ainda mais, a renda fixa não é a melhor alternativa", lembra Marcia, da Bankrisk. "Mas quem acredita na recuperação deve permanecer onde está."

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Eles operam no mercado

Valor Econômico
Por Daniele Camba, de São Paulo
28/04/2008



Estimulado por um amigo austríaco que sempre aplicou em bolsa, o pediatra Antônio Foronda tomou coragem e, um ano depois da grande crise que assolou o mercado brasileiro em 1971, resolveu aplicar pela primeira vez em ações. Comprou alguns papéis da Petrobras e outros do Bradesco. "Comprei bem pouquinho porque não acreditava nessa história de bolsa de valores, entrei mesmo apenas por curiosidade de conhecer como esse mundo funcionava", relembra o médico. Aquela simples vontade de conhecer o novo, que parecia algo passageiro, tornou-se um hábito cada vez mais entranhado na rotina do doutor Foronda que hoje, 36 anos depois, possui 84% do seu patrimônio aplicado em bolsa. Como ele, um número crescente de profissionais liberais - médicos, advogados, engenheiros - diversificam suas aplicações, investindo pela primeira vez em bolsa.


O entusiasmo do doutor Foronda com ações, facilmente percebido assim que ele começa a falar do assunto, levou outros médicos colegas seus do Hospital Sírio Libanês a experimentar a adrenalina de operar no mercado financeiro e não apenas nas salas de cirurgias, algo que já estão bem mais acostumados. "Há alguns anos, eu era um dos únicos médicos do hospital que investia em bolsa, alguns colegas nem sabiam direito o que era uma ação e estranhavam o meu gosto pela coisa", lembra o pediatra. "Hoje, já somos mais de 15 investindo em ações, alguns mais preparados outros menos, mas todos muito interessados em multiplicar seu patrimônio na bolsa", afirma ele.


Foronda, segundo seus próprios colegas de profissão e agora de investimentos, foi o grande responsável pelo ingresso de boa parte deles no mundo da bolsa. "Há uns dois anos, o Foronda me disse várias vezes que, fora da bolsa, eu estava perdendo uma ótima oportunidade de alavancar os meus rendimentos, e, cada vez que eu ignorava o que ele dizia, as ações subiam mais", diz o médico gastroenterologista Caio Coelho Neto. Até que, um dia, ele tomou coragem e resolveu, enfim, ouvir os conselhos do amigo Foronda e comprou ações da Petrobras, da Vale, do Bradesco e do Itaú.


Como um investidor iniciante que ainda é, Coelho possui apenas 5% do seu patrimônio em bolsa. Mesmo com pouca experiência, já aprendeu a ter sangue-frio para aguentar os solavancos do mercado sem acusar o golpe. "Essa crise americana me parece bastante importante, mas nessas quedas me segurei firme e não vendi minhas ações porque já aprendi que não é na baixa que devo sair, do contrário realizo prejuízo", ensina o médico.


Ele, no entanto, está cauteloso com a desaceleração da economia americana e não descarta a possibilidade de a enorme valorização da bolsa brasileira nos últimos cinco anos ser uma bolha prestes a estourar. "Ninguém sobe dos 8 mil pontos, que era quanto o Índice Bovespa valia em 2002, antes de começar o atual processo de alta, até quase os 66 mil pontos, que foi a máxima histórica do indicador, impunemente", diz Coelho. "Em algum momento o vento pode virar e essa crise americana pode ser o motivo para que isso aconteça", afirma o médico.


Lendo na cartilha de Foronda, outros médicos acreditam que este cenário de incertezas pode ser uma excelente oportunidade para comprar mais ações a preços mais convidativos. "Fiquei aborrecido de não ter novos recursos para aumentar minha aplicação, é nesta hora de queda que surgem as barganhas imperdíveis", diz o cirurgião dentista Marcelo Seneda, que começou a aplicar em bolsa há cerca de quatro anos e está no meio do caminho entre Foronda e Coelho, com 45% do seu patrimônio aplicado em bolsa. Mesmo muito animado com o mercado de ações, Seneda tem em mente alguns princípios básicos para ser um bom investidor e não quebrar a cara na primeira esquina. "Sei que é importante diversificar, portanto, nunca terei 100% do meu patrimônio em ações", afirma. "Além disso, tenho consciência do risco que é seguir com a manada, ou seja, quando todos estão vendendo por puro desespero, este pode ser o momento de comprar um pouco mais", diz Seneda.


Além de ter sido o empurrão que faltava, Foronda é considerado uma espécie de consultor de investimentos pelos outros médicos, o que é natural, já que ele é "jurássico" no mundo da bolsa, se comparado com seus amigos praticamente debutantes no pregão. No intervalo entre as consultas ou entre uma operação e outra, Foronda se reúne diariamente com seus colegas na sala dos médicos do Sírio Libânes e é lá que o pediatra faz uma breve análise de como está o mercado no dia, como deve ser o seu desenrolar até o fim do pregão e, o mais importante e o mais esperado por todos, o que devem fazer com suas carteiras de ações.


"A maioria deles já sabe que bolsa é para o longo prazo, mas quando a coisa aperta e o mercado fica nervoso, como tem acontecido muito recentemente, eles se esquecem do que é certo e querem logo sair vendendo as ações a qualquer preço, para não terem de ver suas carteiras minguarem de um dia para o outro", lamenta Foronda. Mas com a maturidade de quem, desde 1972, já passou por várias crises financeiras, planos econômicos, mudanças de governo e também de moeda, Foronda se orgulha de conseguir acalmar seus colegas mais afoitos e impedir que saiam do mercado no pior momento: na hora da queda. "Nesta crise americana, o que mais tenho dito a eles é para sentarem, esperarem a turbulência passar e terem paciência porque depois as ações voltarão a lhes dar alegrias", analisa Foronda.


Outro motivo de orgulho para o pediatra é jamais ter vendido grande parte de suas ações. Pelo contrário, cada vez que o mercado passou por um tropeço, que foram vários desde 1972, ele aproveitou para aumentar sua carteira. Em 1997, alguns meses antes de estourar a crise da Ásia, em outubro, Foronda vendeu as casas que tinha na praia, no campo e mais um sítio e aplicou todo o dinheiro na bolsa. Apesar de parecer uma atitude extrema, o médico tem uma boa explicação para o rompante. "Os três imóveis me davam mais gastos e dor de cabeça do que outra coisa, e agora, esse dinheiro aplicado realmente me traz alegrias." Atualmente, além das mesmas Petrobras e Bradesco de 36 anos atrás, o médico possui ações da Vale, Usiminas, Gerdau, Itaú, Unibanco, Sadia e Perdigão, sendo as duas últimas as suas "paixões" como ele mesmo define. "São duas companhias corajosas, inovadoras, atuam cada vez mais no exterior e sempre têm lucro, são 'redondinhas'."


O entusiasmo dos profissionais de saúde pelo mercado de ações é tamanho que recentemente pensaram em montar um clube de investimentos dos médicos do Sírio Libânes. Mas a tentativa não deu certo porque uma parte deles não quis se comprometer a fazer aplicações mensais no clube. "Médico é muito pão-duro, o bolso é a parte mais sensível do nosso corpo", brinca Foronda, que também se inclui no grupo dos sovinas. Percebendo esse interesse por bolsa, o próprio hospital tem tomado algumas iniciativas. A última delas foi uma palestra com o consultor de investimentos Mauro Halfeld.
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