Valor Econômico
Por Danilo Fariello, de São Paulo
07/07/2008
Marisa Cauduro/Valor
O consultor Fabiano Calil foi um dos primeiros a obter o título de CFP e só contrata profissionais com a certificação
Quando conquistou o título de planejador financeiro pessoal (CFP, na sigla em inglês), Fabiano Calil evitava divulgar o fato a seus clientes. "Confundia mais do que explicava", diz o profissional dono de uma consultoria que leva seu nome. Em 2003, ele fez parte da primeira turma a obter o título no país, concedido pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Atualmente, a sigla está em seu cartão de visitas e Calil só contrata profissionais que tenham a certificação para se juntarem a ele na empresa . "Hoje, há pessoas mais preocupadas com suas próprias finanças e o CFP já é reconhecido como selo que dá garantia ao cliente de que se trata de um profissional idôneo e competente".
A procura por planejadores financeiros tem crescido na onda da expansão do número de milionários no país. O Boston Consulting Group apontava um total de 190 mil brasileiros com mais de US$ 1 milhão em 2007. Segundo estimativa do Barclays, serão 675 mil os milionários no país em 2017. "Essas pessoas buscam um aconselhamento crítico sobre suas finanças pessoais, que não é o olhar de um sócio ou esposa", comenta Calil.
O certificado não é obrigatório para o exercício da profissão, mas é uma distinção que atesta ao profissional sua capacidade de atender a certos critérios, afirma Giuliano DeMarchi, diretor do IBCPF. O CFP existe em 23 países, por onde se espalham 110 mil profissionais. Inicialmente, foram as áreas de private dos bancos brasileiros as primeiras a exigir de seus funcionários a certificação, atestando a eles a possibilidade de lidarem com toda a vida financeira do cliente.
É nos bancos, portanto, que estão mais de dois terços dos 255 profissionais já certificados. Para conquistar o direito às siglas, é preciso comprovar experiência com as finanças de pessoas físicas, lidando com questões tributárias, de planejamento sucessório, previdência, em controles de risco e ético. Planejador financeiro, portanto, não é um profissional só ligado a investimentos.
Duas empresas que oferecem cursos específicos para capacitar os profissionais ao exame do CFP: FK Partners e BankRisk. Os seis exames já aplicados, porém, são guardados a sete chaves e não há, portanto, como um concorrente ter noção clara sobre o teor das provas. Os critérios são rígidos e não há idéia de se abrandar para expandir rapidamente o número de certificados, diz DeMarchi.
Cerca de 35% dos concorrentes apenas são aprovados em cada edição do exame. A divulgação dos reprovados não é pública, mas os profissionais podem ser aprovados parcialmente e, em seguida, testar-se novamente só nas especificações em que foi reprovado. Além dos cursos específicos para a conquista do CFP, crescem também aqueles que não têm o título como finalidade específica, mas formam os planejadores.
Em agosto, começa a segunda turma do MBA de "advisor" em finanças pessoais da Fipecafi, que tem inscrições abertas. Alexandre Assaf Neto, CFP e professor do MBA da Fipecafi, conta que criou um curso similar há cinco anos, mas o mercado ainda não entendia a nova profissão. Agora, o curso tem intensa procura, principalmente por profissionais mais experientes, que buscam diferenciação. "Está mais fácil para o cliente deles entender a especialização."
O diretor do IBCPF não tem dúvidas de que o mercado de planejadores financeiros está em franca expansão. "Há alguns anos, poucos sabiam o que era um 'family office'. Hoje eles estão difundidos entre as pessoas de maior renda", destaca DeMarchi. "E, no futuro, esse não será um serviço só acessível aos milionários", completa. Os private banks foram os grandes responsáveis por difundir a importância do CFP no mercado, diz Calil, de 35 anos. "Hoje, quando os clientes me conhecem, sabem que não sou um 'ninguém'".
Os CFPs ainda estão concentrados no Rio e em São Paulo. Mas já há profissionais certificados nos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Do total, mais de 60% têm formação além da graduação.
O maior desafio do CFP ainda é cobrar pelos seus serviços, principalmente quando dissociado do pacote de benefícios de um private bank. "Nos EUA, as pessoas já procuram o CFP e pagam o valor mais justo", explica Fernando Pureza, à frente da área de formação dos profissionais da Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid). A Anbid é entidade sócia e patrocinadora do IBCPF.
A receita do planejador é originada basicamente de duas formas. A primeira por taxa fixa, combinada entre profissional ou instituição que oferece o serviço e o cliente. A segunda, por uma taxa sobre o patrimônio total administrado. "Independentemente de como a cobrança é feita, acredito ser importante que haja transparência sobre como o profissional é remunerado", diz DeMarchi.
Calil cobra R$ 1.070, pela sua hora de consultoria, em casos rápidos, ou negocia percentuais anais com seus clientes, conforme o patrimônio, não sendo essa taxa, porém, inferior a R$ 2 mil. "Já consigo pagar as contas do meu escritório muito bem", diz.
Caio Fragata Torralvo, CFP mais jovem, diz ainda que não sobrevive apenas da consultoria que presta. Aos 28 anos, ele cursa um mestrado e também dá aulas na FIA, além de escrever livros e dar palestras sobre finanças pessoais. Ele conta que já foi contratado por empresas para falar aos seus funcionários sobre o tema. "As pessoas já entendem que manter as finanças em ordem melhora o desempenho profissional", diz.
No futuro, procurar um planejador financeiro pode ser como consultar um advogado, quando se precisa de assessoria legal; um médico, quando se está doente; um psicólogo, quando necessário; ou um personal trainer para melhorar a saúde, prevê DeMarchi, do IBCPF.
Uma proteção para o cliente e motivo de temor para os profissionais é o fato de IBCPF ser uma entidade que atende e apura reclamações de clientes contra os CFPs. "Se houver indício de transgressão, apuração e punição são feitas pela entidade e tornadas públicas a todos", diz Pureza.
A última prova para obtenção do CFP foi aplicada no dia 22 e contou com 160 concorrentes. Os aprovados no teste iniciarão o processo de certificação ainda neste mês, para serem graduados em setembro. Depois de receber o CFP, porém, o planejador tem de se manter atualizado e freqüentar palestras, eventos e escrever artigos, que lhe concedem créditos necessários para manter o título.
Dessa forma, assegura-se a educação continuada e a freqüente atualização do profissional, explica Pureza. Como muitos privates já certificaram seus profissionais que lidam com os clientes, nas últimas provas foram percebidos mais concorrentes de "family offices", advogados e consultores independentes.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
domingo, 6 de julho de 2008
Agora que a inflação voltou, o que faço com o dinheiro?
Jornal da Tarde
06/07/2008
Ouvimos especialistas para saber que comportamento adotar em decisões como comprar ou não um produto ou qual aplicação escolher em um momento em que os preços voltam a assustar. Uma coisa é certa: muita calma nessa hora
Rodrigo Gallo, rodrigo.gallo@grupoestado.com.br
Embora o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tenha negado ao longo desta semana, uma coisa é certa: a inflação voltou a assustar os brasileiros. Em meio à alta no preço dos alimentos e previsões de que a taxa de juros básica da economia, a Selic, pode subir ainda mais (está em 12,25% ao ano), muitos consumidores ficam sem saber como agir. Segundo especialistas consultados pelo Jornal da Tarde, esse é um momento para ter cautela e, se possível, segurar o dinheiro. Se for preciso comprar algum bem de consumo, a orientação é fugir do financiamento bancário a todo custo.
Na última terça-feira, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou uma pesquisa apontando que a cesta básica em São Paulo ficou 30,83% mais cara nos últimos 12 meses, pressionada sobretudo pela alta de itens como feijão, batata e carne.
Segundo o economista Marcos Crivelaro, uma das alternativas para evitar os custos altos do supermercado é estocar comida em casa, sem exageros para evitar que a data de validade expire e o alimento seja desperdiçado. “Uma recomendação é fazer um estoque de itens que não precisam ser refrigerados, como óleo e feijão. Porém, deve-se visitar em média três supermercados e comprar somente os produtos que estiverem em promoção em cada um deles”, afirmou. “É um trabalho que exige paciência, mas, nesse momento, o consumidor não pode comer o que quiser, mas sim o que está mais barato.”
No entanto, não é apenas nas prateleiras que a inflação preocupa os brasileiros. Muitas pessoas que se preparavam para trocar de carro ou comprar uma televisão nova, por exemplo, também devem analisar a situação com cautela. Com a alta dos custos, os bancos podem reajustar as taxas de juros, enquanto o varejo também pode corrigir o preço dos produtos.
Sendo assim, o ideal é fugir dos crediários e dos financiamentos. “Esse é um momento de cautela e, com os juros subindo, qualquer compra a prazo, como o financiamento de um veículo ou de um bem de consumo, pode pesar muito no bolso do consumidor e levá-lo à inadimplência”, alertou Fátima Lemos, técnica do Procon de São Paulo. “Sendo assim, o melhor é não gastar agora.”
A opinião é semelhante à de Crivelaro. O economista também defende que, com a possibilidade de inflação alta nos próximos meses, o melhor a se fazer é adiar qualquer compra mais cara.
Contudo, ele faz uma ponderação importante. Crivelaro acredita que, caso a pessoa tenha dinheiro para efetuar o pagamento à vista, o momento pode ser oportuno para ir às compras. “Sem dúvida, um financiamento não é recomendável. Mas as lojas, principalmente de automóveis, precisam desovar estoques e estão abertas a conceder bons descontos para quem paga no ato”, disse. “Com um bom planejamento e pesquisa criteriosa, há alternativas muito interessantes para fazer um bom negócio.”
Crédito imobiliário
Se o consumidor já estava preparado para dar entrada no financiamento da casa própria, o matemático financeiro José Dutra Sobrinho argumenta que ele deve dar prosseguimento a seus planos. “A inflação tem crescido muito, principalmente no setor de alimentação, mas também existe uma pressão na economia, de forma geral. Os juros de financiamentos também estão subindo, mas é pouco. Então, ninguém precisa se preocupar neste momento”, disse.
O Banco Central pode adotar uma política de manter os aumentos na Selic. O índice incide diretamente na Taxa Referencial (TR), que é utilizada para corrigir as prestações do crédito imobiliário. Contudo, ele acredita que essa alta não deve afetar tanto assim as parcelas.
A grande preocupação, explica o matemático financeiro, é que a inflação pode disparar o crescimento geral no custo de vida das pessoas, encarecendo diversos setores, como alimentação, vestuário, varejo e educação. Caso isso realmente ocorra com tanta ênfase, uma pessoa que pague financiamento da casa e do carro, por exemplo, pode ter complicações para pagar todas essas dívidas
06/07/2008
Ouvimos especialistas para saber que comportamento adotar em decisões como comprar ou não um produto ou qual aplicação escolher em um momento em que os preços voltam a assustar. Uma coisa é certa: muita calma nessa hora
Rodrigo Gallo, rodrigo.gallo@grupoestado.com.br
Embora o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tenha negado ao longo desta semana, uma coisa é certa: a inflação voltou a assustar os brasileiros. Em meio à alta no preço dos alimentos e previsões de que a taxa de juros básica da economia, a Selic, pode subir ainda mais (está em 12,25% ao ano), muitos consumidores ficam sem saber como agir. Segundo especialistas consultados pelo Jornal da Tarde, esse é um momento para ter cautela e, se possível, segurar o dinheiro. Se for preciso comprar algum bem de consumo, a orientação é fugir do financiamento bancário a todo custo.
Na última terça-feira, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgou uma pesquisa apontando que a cesta básica em São Paulo ficou 30,83% mais cara nos últimos 12 meses, pressionada sobretudo pela alta de itens como feijão, batata e carne.
Segundo o economista Marcos Crivelaro, uma das alternativas para evitar os custos altos do supermercado é estocar comida em casa, sem exageros para evitar que a data de validade expire e o alimento seja desperdiçado. “Uma recomendação é fazer um estoque de itens que não precisam ser refrigerados, como óleo e feijão. Porém, deve-se visitar em média três supermercados e comprar somente os produtos que estiverem em promoção em cada um deles”, afirmou. “É um trabalho que exige paciência, mas, nesse momento, o consumidor não pode comer o que quiser, mas sim o que está mais barato.”
No entanto, não é apenas nas prateleiras que a inflação preocupa os brasileiros. Muitas pessoas que se preparavam para trocar de carro ou comprar uma televisão nova, por exemplo, também devem analisar a situação com cautela. Com a alta dos custos, os bancos podem reajustar as taxas de juros, enquanto o varejo também pode corrigir o preço dos produtos.
Sendo assim, o ideal é fugir dos crediários e dos financiamentos. “Esse é um momento de cautela e, com os juros subindo, qualquer compra a prazo, como o financiamento de um veículo ou de um bem de consumo, pode pesar muito no bolso do consumidor e levá-lo à inadimplência”, alertou Fátima Lemos, técnica do Procon de São Paulo. “Sendo assim, o melhor é não gastar agora.”
A opinião é semelhante à de Crivelaro. O economista também defende que, com a possibilidade de inflação alta nos próximos meses, o melhor a se fazer é adiar qualquer compra mais cara.
Contudo, ele faz uma ponderação importante. Crivelaro acredita que, caso a pessoa tenha dinheiro para efetuar o pagamento à vista, o momento pode ser oportuno para ir às compras. “Sem dúvida, um financiamento não é recomendável. Mas as lojas, principalmente de automóveis, precisam desovar estoques e estão abertas a conceder bons descontos para quem paga no ato”, disse. “Com um bom planejamento e pesquisa criteriosa, há alternativas muito interessantes para fazer um bom negócio.”
Crédito imobiliário
Se o consumidor já estava preparado para dar entrada no financiamento da casa própria, o matemático financeiro José Dutra Sobrinho argumenta que ele deve dar prosseguimento a seus planos. “A inflação tem crescido muito, principalmente no setor de alimentação, mas também existe uma pressão na economia, de forma geral. Os juros de financiamentos também estão subindo, mas é pouco. Então, ninguém precisa se preocupar neste momento”, disse.
O Banco Central pode adotar uma política de manter os aumentos na Selic. O índice incide diretamente na Taxa Referencial (TR), que é utilizada para corrigir as prestações do crédito imobiliário. Contudo, ele acredita que essa alta não deve afetar tanto assim as parcelas.
A grande preocupação, explica o matemático financeiro, é que a inflação pode disparar o crescimento geral no custo de vida das pessoas, encarecendo diversos setores, como alimentação, vestuário, varejo e educação. Caso isso realmente ocorra com tanta ênfase, uma pessoa que pague financiamento da casa e do carro, por exemplo, pode ter complicações para pagar todas essas dívidas
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Multimercados à prova
Valor Econômico
Por Angelo Pavini, de São Paulo
04/07/2008
A maioria dos fundos multimercados de gestores independentes - os mais agressivos - apresentou no primeiro semestre resultados abaixo do CDI e, muitos, até negativos, em meio à forte instabilidade dos mercados financeiros e do ioiô que se tornou o Índice Bovespa. Vários também sofrem com os resgates de investidores descontentes com a rentabilidade, com a volatilidade das cotas, ou simplesmente seduzidos pelos ganhos maiores dos CDBs.
No ano, até 30 de junho, em uma amostra de 68 fundos independentes acompanhados pelo Valor no site Fortuna, os saques chegam a R$ 4,3 bilhões, reduzindo o patrimônio total das carteiras para R$ 14,743 bilhões. Há fundos que perderam mais da metade do patrimônio - como os da Mauá, da Quest e da Mandarin. Depois da chacoalhada, alguns, inclusive, estudam mudanças para se adaptar aos novos tempos, mais difíceis.
Apenas 20 fundos superam o CDI de 5,39% no período e 16 estão no vermelho no primeiro semestre. Mas há também quem foi bem no período, e que são as exceções. Como as carteiras da Sparta e da Guepardo, com retornos espetaculares proporcionados pelo mercado de commodities, mais especificamente de boi gordo, cujo preço disparou este ano. Há ainda gestores que estavam mais pessimistas, como os da Claritas, e carteiras que usam métodos quantitativos - unindo matemática e estatística -, caso do Kadima, Princípia e do Pátria. São esses fundos multimercados com bom desempenho que estão conseguindo captar.
Em muitos casos, o investidor que hoje está saindo dos multimercados aplicou olhando o passado do fundo, e não sua volatilidade, diz Celso Scaramuzza, responsável pela área de Private Banking do Unibanco. "Alguns entraram porque viram que o fundo rodava a 120% do CDI e não entendiam que era uma aplicação de risco", diz. Para ele, o mercado vive um momento duplamente prejudicial para o setor. Os mercados estão muito instáveis e os fundos não estão conseguindo um bom desempenho, salvo algumas exceções. "Além disso, tem banco de primeira linha pagando 105% do CDI com baixíssimo risco, é difícil segurar o investidor", diz.
Há casos até em que há motivo para o investidor sacar, mas são exceções. A maioria dos investidores que estão saindo não estava preparada para esse tipo de estratégia e nem para um período longo de perdas, diz Francisco Costa, da Capital Investimentos. Ele dá o exemplo dos fundos de arbitragem de ações, os long/shorts, que todos pensavam que não podiam perder. "Mas não é assim, há períodos em que os gestores têm maior facilidade de obter resultado, outros em que é mais difícil", diz. Hoje, porém, o investidor está 'rifando' o gestor que não rende em seis meses. Costa observa, porém, que há casos em que o resultado é irregular há muito tempo, 24 meses, e a descrença do investidor é justificada. "Mas isso não é a maioria". Ele alerta também que muitos fundos estão captando hoje somente porque tiveram ganho elevado. "É um motivo errado, o investidor continua olhando só para o curto prazo". Há ainda o fato de grandes distribuidores saírem das carteiras, provocando reações em cadeia de outros distribuidores e fortes desequilíbrios, lembra.
No caso dos fundos da Quest Investimentos, do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, o resultado foi ruim porque as carteiras trabalharam com cenários de longo prazo, explica Walter Maciel Neto, diretor e sócio da Quest. "Com a oscilação muito forte no curto prazo, do Ibovespa, por exemplo, subido 10% em um mês e caindo 10% no outro, a performance acabou sendo ruim". As carteiras sofreram ainda com a alta dos juros no mês de junho por conta da inflação, que teria provocado uma reação exagerada dos mercados, diz Maciel. "Achamos que os juros subiram demais, que há um prêmio nas taxas longas."
Mas mesmo perdendo quase metade do patrimônio em alguns fundos, a situação não preocupa, diz Maciel. "Temos ainda R$ 1,9 bilhão em ativos totais para R$ 350 milhões há dois anos", lembra. Além disso, a Quest está aproveitando para desenvolver uma nova família de fundos, menos volátil, para atrair o investidor quando ele resolver voltar para o risco. Para isso, trouxe de volta Luiz Alberto Marques, que havia trocado a Quest pela GP Investimentos, hoje BRZ. Ele volta com o fundo Iporanga, que passará a ser oferecido por dois bancos para clientes de varejo de alta renda.
Na Mauá Investimentos, que perdeu mais da metade do patrimônio este ano, a estratégia foi reduzir os custos, concentrar o foco e manter a transparência, diz o ex-Banco Central Luiz Fernando Figueiredo. "Falamos com todos os clientes e explicamos que o patrimônio ia diminuir", diz ele. A situação já está melhor, com o fim dos resgates. "Como temos carência de 90 dias, essas saídas que tivemos recentemente se referem ao desempenho do passado." A Mauá cortou em um terço as despesas administrativas, renegociando contratos com fornecedores, e encerrou a área de novos negócios, criada há um ano, o que significou a saída de um sócio e um funcionário. Hoje, com um patrimônio de R$ 800 milhões, a Mauá tem um equilíbrio financeiro mais modesto. "Criamos também uma reserva financeira que é suficiente para manter a empresa por pelos próximos dois anos", diz Figueiredo.
Outro ex-BC que sofreu com a onda de saques foi Ilan Goldfajn, da Ciano Investimentos. A gestora tem hoje cerca de R$ 200 milhões dos R$ 300 milhões que chegou a ter. "Mas isso é normal em momentos em que há uma redução do apetite por risco dos investidores", diz ele, lembrando que, assim como foram, os investidores vão voltar quando a rentabilidade melhorar e os juros caírem. "Foi assim no ano passado, quando os investidores saíram dos DIs para os multimercados", diz.
No caso da Bank of New York Arx, as saídas foram relativamente pequenas e não foram reflexo da rentabilidade, que ficou acima do CDI, explica José Alberto Tovar. "Uma parte é fuga do risco, pois o fundo é volátil, mas R$ 50 milhões foram investidores que saíram para carteiras exclusivas", diz. Já no caso da Neo Investimentos, os resgates acabaram sendo compensados pela captação em outro fundo da casa, o Neo Multiestratégia 30, explica o sócio Wagner Murgel.
Por Angelo Pavini, de São Paulo
04/07/2008
A maioria dos fundos multimercados de gestores independentes - os mais agressivos - apresentou no primeiro semestre resultados abaixo do CDI e, muitos, até negativos, em meio à forte instabilidade dos mercados financeiros e do ioiô que se tornou o Índice Bovespa. Vários também sofrem com os resgates de investidores descontentes com a rentabilidade, com a volatilidade das cotas, ou simplesmente seduzidos pelos ganhos maiores dos CDBs.
No ano, até 30 de junho, em uma amostra de 68 fundos independentes acompanhados pelo Valor no site Fortuna, os saques chegam a R$ 4,3 bilhões, reduzindo o patrimônio total das carteiras para R$ 14,743 bilhões. Há fundos que perderam mais da metade do patrimônio - como os da Mauá, da Quest e da Mandarin. Depois da chacoalhada, alguns, inclusive, estudam mudanças para se adaptar aos novos tempos, mais difíceis.
Apenas 20 fundos superam o CDI de 5,39% no período e 16 estão no vermelho no primeiro semestre. Mas há também quem foi bem no período, e que são as exceções. Como as carteiras da Sparta e da Guepardo, com retornos espetaculares proporcionados pelo mercado de commodities, mais especificamente de boi gordo, cujo preço disparou este ano. Há ainda gestores que estavam mais pessimistas, como os da Claritas, e carteiras que usam métodos quantitativos - unindo matemática e estatística -, caso do Kadima, Princípia e do Pátria. São esses fundos multimercados com bom desempenho que estão conseguindo captar.
Em muitos casos, o investidor que hoje está saindo dos multimercados aplicou olhando o passado do fundo, e não sua volatilidade, diz Celso Scaramuzza, responsável pela área de Private Banking do Unibanco. "Alguns entraram porque viram que o fundo rodava a 120% do CDI e não entendiam que era uma aplicação de risco", diz. Para ele, o mercado vive um momento duplamente prejudicial para o setor. Os mercados estão muito instáveis e os fundos não estão conseguindo um bom desempenho, salvo algumas exceções. "Além disso, tem banco de primeira linha pagando 105% do CDI com baixíssimo risco, é difícil segurar o investidor", diz.
Há casos até em que há motivo para o investidor sacar, mas são exceções. A maioria dos investidores que estão saindo não estava preparada para esse tipo de estratégia e nem para um período longo de perdas, diz Francisco Costa, da Capital Investimentos. Ele dá o exemplo dos fundos de arbitragem de ações, os long/shorts, que todos pensavam que não podiam perder. "Mas não é assim, há períodos em que os gestores têm maior facilidade de obter resultado, outros em que é mais difícil", diz. Hoje, porém, o investidor está 'rifando' o gestor que não rende em seis meses. Costa observa, porém, que há casos em que o resultado é irregular há muito tempo, 24 meses, e a descrença do investidor é justificada. "Mas isso não é a maioria". Ele alerta também que muitos fundos estão captando hoje somente porque tiveram ganho elevado. "É um motivo errado, o investidor continua olhando só para o curto prazo". Há ainda o fato de grandes distribuidores saírem das carteiras, provocando reações em cadeia de outros distribuidores e fortes desequilíbrios, lembra.
No caso dos fundos da Quest Investimentos, do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, o resultado foi ruim porque as carteiras trabalharam com cenários de longo prazo, explica Walter Maciel Neto, diretor e sócio da Quest. "Com a oscilação muito forte no curto prazo, do Ibovespa, por exemplo, subido 10% em um mês e caindo 10% no outro, a performance acabou sendo ruim". As carteiras sofreram ainda com a alta dos juros no mês de junho por conta da inflação, que teria provocado uma reação exagerada dos mercados, diz Maciel. "Achamos que os juros subiram demais, que há um prêmio nas taxas longas."
Mas mesmo perdendo quase metade do patrimônio em alguns fundos, a situação não preocupa, diz Maciel. "Temos ainda R$ 1,9 bilhão em ativos totais para R$ 350 milhões há dois anos", lembra. Além disso, a Quest está aproveitando para desenvolver uma nova família de fundos, menos volátil, para atrair o investidor quando ele resolver voltar para o risco. Para isso, trouxe de volta Luiz Alberto Marques, que havia trocado a Quest pela GP Investimentos, hoje BRZ. Ele volta com o fundo Iporanga, que passará a ser oferecido por dois bancos para clientes de varejo de alta renda.
Na Mauá Investimentos, que perdeu mais da metade do patrimônio este ano, a estratégia foi reduzir os custos, concentrar o foco e manter a transparência, diz o ex-Banco Central Luiz Fernando Figueiredo. "Falamos com todos os clientes e explicamos que o patrimônio ia diminuir", diz ele. A situação já está melhor, com o fim dos resgates. "Como temos carência de 90 dias, essas saídas que tivemos recentemente se referem ao desempenho do passado." A Mauá cortou em um terço as despesas administrativas, renegociando contratos com fornecedores, e encerrou a área de novos negócios, criada há um ano, o que significou a saída de um sócio e um funcionário. Hoje, com um patrimônio de R$ 800 milhões, a Mauá tem um equilíbrio financeiro mais modesto. "Criamos também uma reserva financeira que é suficiente para manter a empresa por pelos próximos dois anos", diz Figueiredo.
Outro ex-BC que sofreu com a onda de saques foi Ilan Goldfajn, da Ciano Investimentos. A gestora tem hoje cerca de R$ 200 milhões dos R$ 300 milhões que chegou a ter. "Mas isso é normal em momentos em que há uma redução do apetite por risco dos investidores", diz ele, lembrando que, assim como foram, os investidores vão voltar quando a rentabilidade melhorar e os juros caírem. "Foi assim no ano passado, quando os investidores saíram dos DIs para os multimercados", diz.
No caso da Bank of New York Arx, as saídas foram relativamente pequenas e não foram reflexo da rentabilidade, que ficou acima do CDI, explica José Alberto Tovar. "Uma parte é fuga do risco, pois o fundo é volátil, mas R$ 50 milhões foram investidores que saíram para carteiras exclusivas", diz. Já no caso da Neo Investimentos, os resgates acabaram sendo compensados pela captação em outro fundo da casa, o Neo Multiestratégia 30, explica o sócio Wagner Murgel.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Agrenco desencadeia "efeito BDR" na bolsa
Valor Econômico
Por Ana Paula Ragazzi e Graziella Valenti, de São Paulo
02/07/2008
O tombo de 17% dos papéis da Dufry South America na bolsa ontem acendeu a luz amarela para um movimento que já começa a ser chamado de "efeito BDR". Após os problemas com os administradores da Agrenco, os investidores despertaram para os limites de governança dos recibos de ações, os chamados BDRs, usados por companhias brasileiras que quiseram captar na Bovespa, mas preferiram ter sede em paraísos fiscais.
Desde o escândalo da Agrenco, os papéis da Dufry acumulam perda de 22,7% e os da Laep (antiga Parmalat Brasil) caíram 54%. Ambos foram alvo de rebaixamento de recomendação pelo UBS Pactual, que criticou a governança das companhias. Nos dois relatórios, o banco chama a atenção para o fato de serem empresas que não estão listadas no Novo Mercado.
"Deveria estar muito claro, desde o começo, que os BDRs oferecem risco maior aos investidores", destaca Alexandre Di Miceli, professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Entretanto, ele destaca que não se deve associar más práticas de governança à opção por lançamento de BDRs, de forma generalizada.
As companhias com sede no exterior não podem ser listadas no Novo Mercado porque as regras para adesão foram criadas para empresas com sede no Brasil. O regulamento da Bovespa já toma como certo o fato de as companhias estarem submetidas aos compromissos de governança da Lei das Sociedades Anônimas, o que não pode ser exigido das estrangeiras. Portanto, se um dia essas companhias forem organizadas de acordo com sua governança, será necessária a criação de uma nova classificação, específica para BDRs.
"A Bovespa reconhece que tem esse desafio pela frente. Há tempos o tema está sendo discutido, mas ainda não há nenhum projeto concreto sobre o tema", afirma João Batista Fraga, diretor de relações com empresas da Bovespa.
A questão é relevante porque o plano de expansão da bolsa passa pela conquista de novos emissores de BDRs, especialmente, companhias latino-americanas. Atualmente, há nove BDRs na Bovespa. Desses, apenas dois têm atividade realmente fora do Brasil. Os demais são negócios nacionais.
Os problemas com a Agrenco evidenciaram os limites dos BDRs. Apesar de os controladores da empresa terem sido presos pela Polícia Federal, suspeitos de crimes que podem ter prejudicado a empresa e sua imagem, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não têm poderes de punir esses executivos. De acordo com a Superintendência de Relações com Empresas do regulador, a autarquia pode apenas penalizar o representante legal da empresa estrangeira, responsável pelos deveres da empresa no mercado local. Nem mesmo se houvesse um contrato privado entre a Bovespa e as companhias estrangeiras, nos moldes do Novo Mercado, o regulador teria seus poderes ampliados nesses casos, explicou a superintendência.
No mercado, os comentários são de que os problemas não são exatamente dos BDRs, mas da qualidade da administração. Esse é o ponto que está por trás das recentes decisões do UBS Pactual sobre Laep e Dufry. Ambas as companhias foram levadas à Bovespa pelo banco, que coordenou as ofertas inicias de ações. Agora, a área de análise da instituição aponta que a Laep não cumpriu os compromissos de uso dos recursos captados e a Dufry manteve um empréstimo de US$ 35 milhões cedido à companhia controladora.
Di Miceli não gosta de vincular os BDRs aos problemas de governança. Porém, alertou que deveria ter sido a pergunta número 1 dos investidores porque companhias que atuam Brasil optam por ter sede fora daqui e emitir BDRs. "É preciso avaliar se não eram listagens de fachada." Para ele, se a companhia quisesse uma flexibilidade maior na estrutura de capital, deveria optar por um mercado desenvolvido e reconhecido, como os Estados Unidos, por exemplo.
Os problemas despertados pelo caso Agrenco levaram a Associação de Investidores do Mercado de Capitais (Amec) a decidir avaliar a questão. De acordo com Edison Garcia, superintendente da associação, será formado um grupo técnico para estudar o tema. No entanto, por enquanto, não há uma posição formal sobre as polêmicas que envolvem os BDRs.
Por Ana Paula Ragazzi e Graziella Valenti, de São Paulo
02/07/2008
O tombo de 17% dos papéis da Dufry South America na bolsa ontem acendeu a luz amarela para um movimento que já começa a ser chamado de "efeito BDR". Após os problemas com os administradores da Agrenco, os investidores despertaram para os limites de governança dos recibos de ações, os chamados BDRs, usados por companhias brasileiras que quiseram captar na Bovespa, mas preferiram ter sede em paraísos fiscais.
Desde o escândalo da Agrenco, os papéis da Dufry acumulam perda de 22,7% e os da Laep (antiga Parmalat Brasil) caíram 54%. Ambos foram alvo de rebaixamento de recomendação pelo UBS Pactual, que criticou a governança das companhias. Nos dois relatórios, o banco chama a atenção para o fato de serem empresas que não estão listadas no Novo Mercado.
"Deveria estar muito claro, desde o começo, que os BDRs oferecem risco maior aos investidores", destaca Alexandre Di Miceli, professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Entretanto, ele destaca que não se deve associar más práticas de governança à opção por lançamento de BDRs, de forma generalizada.
As companhias com sede no exterior não podem ser listadas no Novo Mercado porque as regras para adesão foram criadas para empresas com sede no Brasil. O regulamento da Bovespa já toma como certo o fato de as companhias estarem submetidas aos compromissos de governança da Lei das Sociedades Anônimas, o que não pode ser exigido das estrangeiras. Portanto, se um dia essas companhias forem organizadas de acordo com sua governança, será necessária a criação de uma nova classificação, específica para BDRs.
"A Bovespa reconhece que tem esse desafio pela frente. Há tempos o tema está sendo discutido, mas ainda não há nenhum projeto concreto sobre o tema", afirma João Batista Fraga, diretor de relações com empresas da Bovespa.
A questão é relevante porque o plano de expansão da bolsa passa pela conquista de novos emissores de BDRs, especialmente, companhias latino-americanas. Atualmente, há nove BDRs na Bovespa. Desses, apenas dois têm atividade realmente fora do Brasil. Os demais são negócios nacionais.
Os problemas com a Agrenco evidenciaram os limites dos BDRs. Apesar de os controladores da empresa terem sido presos pela Polícia Federal, suspeitos de crimes que podem ter prejudicado a empresa e sua imagem, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) não têm poderes de punir esses executivos. De acordo com a Superintendência de Relações com Empresas do regulador, a autarquia pode apenas penalizar o representante legal da empresa estrangeira, responsável pelos deveres da empresa no mercado local. Nem mesmo se houvesse um contrato privado entre a Bovespa e as companhias estrangeiras, nos moldes do Novo Mercado, o regulador teria seus poderes ampliados nesses casos, explicou a superintendência.
No mercado, os comentários são de que os problemas não são exatamente dos BDRs, mas da qualidade da administração. Esse é o ponto que está por trás das recentes decisões do UBS Pactual sobre Laep e Dufry. Ambas as companhias foram levadas à Bovespa pelo banco, que coordenou as ofertas inicias de ações. Agora, a área de análise da instituição aponta que a Laep não cumpriu os compromissos de uso dos recursos captados e a Dufry manteve um empréstimo de US$ 35 milhões cedido à companhia controladora.
Di Miceli não gosta de vincular os BDRs aos problemas de governança. Porém, alertou que deveria ter sido a pergunta número 1 dos investidores porque companhias que atuam Brasil optam por ter sede fora daqui e emitir BDRs. "É preciso avaliar se não eram listagens de fachada." Para ele, se a companhia quisesse uma flexibilidade maior na estrutura de capital, deveria optar por um mercado desenvolvido e reconhecido, como os Estados Unidos, por exemplo.
Os problemas despertados pelo caso Agrenco levaram a Associação de Investidores do Mercado de Capitais (Amec) a decidir avaliar a questão. De acordo com Edison Garcia, superintendente da associação, será formado um grupo técnico para estudar o tema. No entanto, por enquanto, não há uma posição formal sobre as polêmicas que envolvem os BDRs.
Carteiras ligadas à inflação são destaque no semestre
Valor Econômico
Por Danilo Fariello, de São Paulo
02/07/2008
Enquanto praticamente todos os investimentos financeiros sofrem para bater os índices de preços, os fundos que aplicam em títulos de inflação são destaque em rentabilidade. No ano, até sexta-feira, pelo menos três dessas carteiras tiveram retorno acima do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que avançou 5,34%, segundo o site Fortuna. O IPCA deverá fechar o semestre em 3,60%, conforme projeções do mercado, e o IGP-M chegou ao fim de junho acumulando 6,81% no ano. Alguns bancos e gestores oferecem carteiras que seguem esses papéis, principalmente as NTN-Bs, que rendem pelo IPCA e um juro prefixado.
Apesar dos polpudos rendimentos, os investidores devem ter em mente, antes de aplicar, que esses fundos de inflação naturalmente oscilam mais do que os DI. São aplicações destinadas à diversificação dos recursos investidos com visão de retorno no longo prazo, diz Arnaldo Vollet, diretor-executivo da BB DTVM. "O forte retorno recente é sinal de cuidado, porque, se a inflação começar a cair, haverá volatilidade muito grande." A gestora do Banco do Brasil tem R$ 250 milhões investidos nos seus fundos de inflação. A carteira aberta a pessoas físicas subiu 5,56% no semestre. A aplicação mínima é R$ 20 mil. Segundo o site Fortuna, apenas os seis fundos mais populares de inflação captaram R$ 425 milhões no semestre.
Essas carteiras foram febre em 2002, quando a inflação disparou, mas, em pouco tempo, os preços foram contidos e muitos aplicadores saíram das carteiras com prejuízos ou rendimento pífio.
Com a alta dos preços recente, muitos procuram por informações sobre a carteira de inflação, mas a captação não cresce tanto, diz Fabio Guarda, gestor de renda fixa da Unibanco Asset Management (UAM). Para ele, a inflação deve permanecer ainda acima do CDI até o fim do ano, mas o prêmio de renda fixa embutido nos títulos pode levar a uma forte volatilidade e reduzir o ganho. "Recomendamos a carteira como uma proteção apenas no médio e longo prazos."
No longo prazo, a volatilidade perde importância e os papéis ligados a inflação ainda têm ganhos interessantes. Segundo Vollet, da BB DTVM, as NTN-Bs projetam atualmente retorno de 8,8% acima do IPCA para prazos acima de 2010. É um ganho real que salta aos olhos de qualquer investidor. "Mas um ajuste de apenas 0,1 ponto percentual na taxa implica oscilação muito forte no curto prazo."
Não dá para aplicar em um fundo de inflação sem saber exatamente o que se está fazendo, resume Guarda, da UAM. "Ele tem de entender que o retorno vai oscilar conforme a inflação, mas também segundo o cupom (prêmio), que embute a expectativa de inflação pelo mercado." No fundo de índice de preços da UAM, por exemplo, que rende 5,73% no ano, a aplicação mínima do fundo é de R$ 30 mil. Itaú, Legg Mason, Pactual e Credit Suisse Hedging Griffo, têm carteiras de inflação.
A maioria deles segue unicamente o IPCA, porque praticamente desapareceram do mercado títulos que seguem o IGP-M, as NTN-C. Isso porque o governo federal deixou de emitir esses papéis. Portanto, ficou mais difícil para gestores seguirem o indicador de perto.
Por Danilo Fariello, de São Paulo
02/07/2008
Enquanto praticamente todos os investimentos financeiros sofrem para bater os índices de preços, os fundos que aplicam em títulos de inflação são destaque em rentabilidade. No ano, até sexta-feira, pelo menos três dessas carteiras tiveram retorno acima do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), que avançou 5,34%, segundo o site Fortuna. O IPCA deverá fechar o semestre em 3,60%, conforme projeções do mercado, e o IGP-M chegou ao fim de junho acumulando 6,81% no ano. Alguns bancos e gestores oferecem carteiras que seguem esses papéis, principalmente as NTN-Bs, que rendem pelo IPCA e um juro prefixado.
Apesar dos polpudos rendimentos, os investidores devem ter em mente, antes de aplicar, que esses fundos de inflação naturalmente oscilam mais do que os DI. São aplicações destinadas à diversificação dos recursos investidos com visão de retorno no longo prazo, diz Arnaldo Vollet, diretor-executivo da BB DTVM. "O forte retorno recente é sinal de cuidado, porque, se a inflação começar a cair, haverá volatilidade muito grande." A gestora do Banco do Brasil tem R$ 250 milhões investidos nos seus fundos de inflação. A carteira aberta a pessoas físicas subiu 5,56% no semestre. A aplicação mínima é R$ 20 mil. Segundo o site Fortuna, apenas os seis fundos mais populares de inflação captaram R$ 425 milhões no semestre.
Essas carteiras foram febre em 2002, quando a inflação disparou, mas, em pouco tempo, os preços foram contidos e muitos aplicadores saíram das carteiras com prejuízos ou rendimento pífio.
Com a alta dos preços recente, muitos procuram por informações sobre a carteira de inflação, mas a captação não cresce tanto, diz Fabio Guarda, gestor de renda fixa da Unibanco Asset Management (UAM). Para ele, a inflação deve permanecer ainda acima do CDI até o fim do ano, mas o prêmio de renda fixa embutido nos títulos pode levar a uma forte volatilidade e reduzir o ganho. "Recomendamos a carteira como uma proteção apenas no médio e longo prazos."
No longo prazo, a volatilidade perde importância e os papéis ligados a inflação ainda têm ganhos interessantes. Segundo Vollet, da BB DTVM, as NTN-Bs projetam atualmente retorno de 8,8% acima do IPCA para prazos acima de 2010. É um ganho real que salta aos olhos de qualquer investidor. "Mas um ajuste de apenas 0,1 ponto percentual na taxa implica oscilação muito forte no curto prazo."
Não dá para aplicar em um fundo de inflação sem saber exatamente o que se está fazendo, resume Guarda, da UAM. "Ele tem de entender que o retorno vai oscilar conforme a inflação, mas também segundo o cupom (prêmio), que embute a expectativa de inflação pelo mercado." No fundo de índice de preços da UAM, por exemplo, que rende 5,73% no ano, a aplicação mínima do fundo é de R$ 30 mil. Itaú, Legg Mason, Pactual e Credit Suisse Hedging Griffo, têm carteiras de inflação.
A maioria deles segue unicamente o IPCA, porque praticamente desapareceram do mercado títulos que seguem o IGP-M, as NTN-C. Isso porque o governo federal deixou de emitir esses papéis. Portanto, ficou mais difícil para gestores seguirem o indicador de perto.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Carregamento de peso
Valor Econômico
Por Danilo Fariello, de São Paulo
25/06/2008
Uma parte dos recursos aplicados na previdência privada em dezembro deverá chegar ao fim do primeiro semestre de 2008 sem um centavo de rendimento. Apesar da rentabilidade média de 4,3% dos planos de renda fixa até maio, segundo dados do site Fortuna, e a possível chegada a um ganho de médio de 5% no semestre, esse lucro pode ter sido corroído pelas taxas de carregamento, percentual que incide a cada novo aporte. Algumas seguradoras chegam a cobrar até 5% de encargo sobre qualquer depósito - em geral, quanto menor o valor aplicado e o patrimônio acumulado, maior tende a ser o custo.
Mas isso, a princípio, não é motivo para descartar o PGBL ou VGBL de qualquer portfólio de investimento. Em prazos de décadas, a taxa de carregamento pode ter peso relativo menor em relação ao retorno, pois as vantagens tributárias da previdência tendem a superar esse encargo.
Numa simulação que projeta o retorno líquido segundo a Selic atual de 12,25% ao ano, por exemplo, o aplicador que investir R$ 500 por mês, pagar taxa de carregamento de 5% e ficar no plano apenas seis meses, chegará ao fim com rentabilidade bruta de R$ 2.919,84, ou seja, menos do que os R$ 3 mil que teria aplicado.
A boa notícia é que cada vez mais as seguradoras têm planos alternativos para a cobrança da taxa de carregamento - que banca a distribuição dos fundos - e que, muitas vezes, o aplicador pode até ficar isento da taxa, dependendo do plano que encontrar. A competição do mercado e a redução dos ganhos quando o juro estava em queda têm feito mais e mais companhias oferecerem descontos ou pacotes especiais para aliviar o encargo.
Antes, era padrão a seguradora apresentar uma tabela de taxas decrescentes, conforme o aporte ou o patrimônio acumulado pelo cliente. Diversas seguradoras, por exemplo, têm planos em que essa taxa é cobrada no momento dos resgates, em vez dos aportes, e apenas se o participante ficar no plano por pouco tempo. Em geral, as taxas cobradas na saída decrescem conforme o período da aplicação e tornam-se nulas após alguns anos. "É um estímulo e, ao mesmo tempo, uma vantagem para o investidor de longo prazo", diz Renato Russo, diretor da Federação Nacional da Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) e vice-presidente de previdência e vida da SulAmérica. Para ele, essa é uma tendência para qual deve seguir todo o mercado.
O motivo dessa agitação para se rever as taxas é simples. O investidor de um VGBL de renda fixa popular de uma das grandes seguradoras do mercado, por exemplo, viu sua rentabilidade nominal cair de 15,93% em 2005, para 12,02% em 2006 e 8,20% no ano passado. Nos últimos 12 meses até março, o ganho caía a 7,75%, segundo o extrato enviado pela seguradora. Esse investidor deu-se conta de que, pagando carregamento de 5%, sobrava um retorno líquido muito pequeno para ele ao fim do ano. Assim, ele decidiu optar por outro plano, que lhe cobrava taxa de carregamento menor.
Segundo as seguradoras, o carregamento varia conforme o saldo porque pesam mais os custos de distribuição para os clientes menores. Se é cobrada taxa de carregamento de 4% de alguém que investe R$ 20, isso vai equivaler a R$ 0,80. O valor absoluto é menor do que o custo de postagem de uma fatura. Por isso, quando se investe mais, obtêm-se taxas menores.
O mesmo pode acontecer com o participante que já acumula bom patrimônio no fundo. As seguradoras costumam baratear o carregamento conforme o saldo sobe, independentemente de mantidos os valores dos aportes mensais. Se a seguradora não fizer isso, o participante poderá usar o saldo para barganhar taxas menores entre as concorrentes. Nessa comparação, ele deve levar em conta também a taxa de administração cobrada anualmente nos planos, que banca a gestão dos recursos aplicados. A taxa de carregamento, embora muitas vezes salgada, tem um caráter educativo e punitivo para aqueles que aplicam por prazos curtos.
No longo prazo, mesmo com uma taxa de carregamento elevada, a previdência privada pode ter bom retorno, principalmente por conta dos benefícios fiscais. Mas o aplicador deve estar atento para o quanto vai gastar para bancar esse encargo. Em dez anos, por exemplo, nas mesmas condições de aplicação, o participante que bancar 5% de taxa de carregamento terá retorno bruto de R$ 106.810,73. Se nunca tivesse pago carregamento, a quantia subiria a R$ 112.432,34. A diferença pode parecer pequena, olhando-se lado a lado quantias tão altas, mas o aplicador que bancou pedágio de 5% tem de se dar conta de que a diferença de R$ 5.621,62 se deve apenas ao carregamento. Em vinte anos, o preço cobrado do aplicador subiria a R$ 23 mil.
Ao começar a aplicar e, principalmente, para quem já investe, Antonio Cássio dos Santos, presidente da Fenaprevi e da Mapfre Seguros, diz ser necessário que se pergunte o custo dessa taxa para a segurador. "Na medida em que os aportes crescem, as taxas de carregamento tendem a cair."
Na entrada ou na saída, é fato que as taxas de carregamento têm caído, ratifica Renato Russo, da SulAmérica. Hoje já se encontra planos que cobram carregamento nos resgates e apenas se o dinheiro ficar no planos por período muito curto, como uns dois anos, por exemplo.
Juvêncio Braga, também diretor da Fenaprevi e executivo à frente da área de previdência da Caixa, diz que o mercado todo tem se alinhado para cobrar menos dos aplicadores. A Caixa, assim como no caso da SulAmérica e da Mongeral, lançou nos últimos meses uma família diferenciada de planos de previdência com cobranças alternativas, que podem sair mais baratas.
Por Danilo Fariello, de São Paulo
25/06/2008
Uma parte dos recursos aplicados na previdência privada em dezembro deverá chegar ao fim do primeiro semestre de 2008 sem um centavo de rendimento. Apesar da rentabilidade média de 4,3% dos planos de renda fixa até maio, segundo dados do site Fortuna, e a possível chegada a um ganho de médio de 5% no semestre, esse lucro pode ter sido corroído pelas taxas de carregamento, percentual que incide a cada novo aporte. Algumas seguradoras chegam a cobrar até 5% de encargo sobre qualquer depósito - em geral, quanto menor o valor aplicado e o patrimônio acumulado, maior tende a ser o custo.
Mas isso, a princípio, não é motivo para descartar o PGBL ou VGBL de qualquer portfólio de investimento. Em prazos de décadas, a taxa de carregamento pode ter peso relativo menor em relação ao retorno, pois as vantagens tributárias da previdência tendem a superar esse encargo.
Numa simulação que projeta o retorno líquido segundo a Selic atual de 12,25% ao ano, por exemplo, o aplicador que investir R$ 500 por mês, pagar taxa de carregamento de 5% e ficar no plano apenas seis meses, chegará ao fim com rentabilidade bruta de R$ 2.919,84, ou seja, menos do que os R$ 3 mil que teria aplicado.
A boa notícia é que cada vez mais as seguradoras têm planos alternativos para a cobrança da taxa de carregamento - que banca a distribuição dos fundos - e que, muitas vezes, o aplicador pode até ficar isento da taxa, dependendo do plano que encontrar. A competição do mercado e a redução dos ganhos quando o juro estava em queda têm feito mais e mais companhias oferecerem descontos ou pacotes especiais para aliviar o encargo.
Antes, era padrão a seguradora apresentar uma tabela de taxas decrescentes, conforme o aporte ou o patrimônio acumulado pelo cliente. Diversas seguradoras, por exemplo, têm planos em que essa taxa é cobrada no momento dos resgates, em vez dos aportes, e apenas se o participante ficar no plano por pouco tempo. Em geral, as taxas cobradas na saída decrescem conforme o período da aplicação e tornam-se nulas após alguns anos. "É um estímulo e, ao mesmo tempo, uma vantagem para o investidor de longo prazo", diz Renato Russo, diretor da Federação Nacional da Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) e vice-presidente de previdência e vida da SulAmérica. Para ele, essa é uma tendência para qual deve seguir todo o mercado.
O motivo dessa agitação para se rever as taxas é simples. O investidor de um VGBL de renda fixa popular de uma das grandes seguradoras do mercado, por exemplo, viu sua rentabilidade nominal cair de 15,93% em 2005, para 12,02% em 2006 e 8,20% no ano passado. Nos últimos 12 meses até março, o ganho caía a 7,75%, segundo o extrato enviado pela seguradora. Esse investidor deu-se conta de que, pagando carregamento de 5%, sobrava um retorno líquido muito pequeno para ele ao fim do ano. Assim, ele decidiu optar por outro plano, que lhe cobrava taxa de carregamento menor.
Segundo as seguradoras, o carregamento varia conforme o saldo porque pesam mais os custos de distribuição para os clientes menores. Se é cobrada taxa de carregamento de 4% de alguém que investe R$ 20, isso vai equivaler a R$ 0,80. O valor absoluto é menor do que o custo de postagem de uma fatura. Por isso, quando se investe mais, obtêm-se taxas menores.
O mesmo pode acontecer com o participante que já acumula bom patrimônio no fundo. As seguradoras costumam baratear o carregamento conforme o saldo sobe, independentemente de mantidos os valores dos aportes mensais. Se a seguradora não fizer isso, o participante poderá usar o saldo para barganhar taxas menores entre as concorrentes. Nessa comparação, ele deve levar em conta também a taxa de administração cobrada anualmente nos planos, que banca a gestão dos recursos aplicados. A taxa de carregamento, embora muitas vezes salgada, tem um caráter educativo e punitivo para aqueles que aplicam por prazos curtos.
No longo prazo, mesmo com uma taxa de carregamento elevada, a previdência privada pode ter bom retorno, principalmente por conta dos benefícios fiscais. Mas o aplicador deve estar atento para o quanto vai gastar para bancar esse encargo. Em dez anos, por exemplo, nas mesmas condições de aplicação, o participante que bancar 5% de taxa de carregamento terá retorno bruto de R$ 106.810,73. Se nunca tivesse pago carregamento, a quantia subiria a R$ 112.432,34. A diferença pode parecer pequena, olhando-se lado a lado quantias tão altas, mas o aplicador que bancou pedágio de 5% tem de se dar conta de que a diferença de R$ 5.621,62 se deve apenas ao carregamento. Em vinte anos, o preço cobrado do aplicador subiria a R$ 23 mil.
Ao começar a aplicar e, principalmente, para quem já investe, Antonio Cássio dos Santos, presidente da Fenaprevi e da Mapfre Seguros, diz ser necessário que se pergunte o custo dessa taxa para a segurador. "Na medida em que os aportes crescem, as taxas de carregamento tendem a cair."
Na entrada ou na saída, é fato que as taxas de carregamento têm caído, ratifica Renato Russo, da SulAmérica. Hoje já se encontra planos que cobram carregamento nos resgates e apenas se o dinheiro ficar no planos por período muito curto, como uns dois anos, por exemplo.
Juvêncio Braga, também diretor da Fenaprevi e executivo à frente da área de previdência da Caixa, diz que o mercado todo tem se alinhado para cobrar menos dos aplicadores. A Caixa, assim como no caso da SulAmérica e da Mongeral, lançou nos últimos meses uma família diferenciada de planos de previdência com cobranças alternativas, que podem sair mais baratas.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
TÍTULOS FEDERAIS CORRIGIDOS PELA INFLAÇÃO EM ALTA
Juliana Rangel
O Globo
23/6/2008
Cresce procura de pequeno investidor por papéis indexados ao IPCA. Fundos de bancos concentrados no segmento voltam à cena
O mundo inteiro está preocupado com o avanço da inflação, puxada pelos aumentos nos preços dos alimentos e do petróleo. No Brasil, cresce a procura, por parte de investidores que desejam se proteger da alta do custo de vida, por títulos do governo corrigidos por índices de inflação. No Tesouro Direto, sistema de venda de títulos federais pela internet diretamente a pessoas físicas, existem opções de papéis indexados ao IGP-M, da Fundação Getulio Vargas, e ao IPCA, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, alguns bancos, como Unibanco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Itaú, oferecem fundos atrelados à inflação.
No Tesouro, as opções para o investidor que aposta na alta da inflação são as Notas do Tesouro Nacional (NTN) das séries C e B, respectivamente. Atualmente, apenas as da série B são oferecidas. Em março, último dado disponível, esses papéis ficaram em segundo lugar entre os mais vendidos na classificação geral, com participação de 35,5% do total (em primeiro ficaram os títulos LTN e NTN-F, que possuem rentabilidade fixada no momento da compra, com 50,5% do total), segundo dados do Tesouro Direto. Em relação a fevereiro, houve crescimento em torno de 30% nas vendas.
Especialistas alertam para volatilidade dos títulos
Para aplicar em uma NTN-B , é preciso comprar, no mínimo, a fração de um quinto da nota, que fica em torno de R$200. O limite é de R$400 mil por mês. Em 12 meses, a NTN-B com vencimento em maio de 2009, por exemplo, acumula ganho de 12,13%.
Além da variação da inflação, esses papéis pagam juros conforme o vencimento do título, ou seja, na data estipulada pelo Tesouro para devolver ao investidor o volume aplicado inicialmente, já com as correções prometidas. Há dois tipos de NTN-B. Na primeira, o pagamento do juro é feito a cada semestre. Na outra, chamada de "principal", ele é acumulado e pago apenas no resgate do papel.
O gerente da Coin Valores, Otavio Sant'anna, lembra que ninguém mais no mercado acredita que a inflação ficará no centro da meta - 4,5% neste ano e em 2009 para o IPCA:
- Neste momento de repique, comprar papéis atrelados à variação de índices pode ser uma boa opção de diversificação da carteira - diz.
Especialistas, no entanto, avisam: este tipo de título costuma ter forte volatilidade. Fernando Marques, operador de renda fixa da corretora Ativa, explica que os juros são prefixados e o investidor recebe ainda uma taxa (ou prêmio) que varia diariamente. Toda vez que se espera uma alta da taxa básica Selic pelo Banco Central (para controlar a inflação), o mercado pede um prêmio maior para comprar o papel. E, como o valor do resgate é predefinido, há um ajuste: o preço do papel tende a cair para compensar a alta do juro.
- Se o investidor aplicou quando o prêmio era de 7% e essa taxa agora está em 10%, ele provavelmente sairá perdendo se vender o título no mercado antes do prazo de resgate - diz. No resgate, isso não acontece porque o Tesouro recompra o papel pelo preço combinado.
Para o gerente de Renda Fixa do Unibanco Asset Management, Paulo Certain, o ideal é aplicar neste papel quando as projeções de juros feitas no mercado futuro estiverem no pico:
- Mas sempre vão existir dúvidas sobre o momento certo porque ninguém sabe, exatamente, qual será o tamanho do ciclo da alta da Selic - diz.
No caso dos fundos referenciados em inflação, o do Unibanco tem taxa de administração de 1,5% e aplicação mínima de R$50 mil. Na BBDTVM, a aplicação inicial é de R$20 mil e a taxa, de 1,5%, caindo em 1% para clientes Estilo (renda mensal de R$6 mil ou aplicação de R$50 mil no banco). Na Caixa, a taxa de administração é de 3%, com aplicações a partir de mil reais. No Itaú, o mínimo é de R$5 mil e, a taxa, de 0,5%. Mas o fundo é voltado apenas para clientes de alta renda, com recursos mínimos de R$2 milhões.
O engenheiro Marcos Faerstein prefere títulos com prazos de até dois anos e sempre fica com eles até a data do resgate.
- Acho mais vantajoso comprar no Tesouro Direto do que aplicar em um fundo, por causa das taxas de administração. E deixo a aplicação pelo mínimo de dois anos, para pagar menos Imposto de Renda - conta.
SAIBA COMO COMPRAR
CADASTRO: O primeiro passo é se cadastrar em um banco ou corretora habilitado para atuar no Tesouro Direto. Eles serão responsáveis pela custódia dos títulos. Em seguida, você receberá uma senha por e-mail, com a qual poderá comprar e vender papéis no site www.tesourodireto.gov.br.
ESCOLHA: O sistema mostrará uma tela com as taxas de juros dos títulos disponíveis para compra, com a data do vencimento, o indexador e a taxa anual de juro.
INVESTIMENTO MÍNIMO: São aceitas aplicações a partir de um quinto do valor do título, com piso de cem reais. O valor máximo que pode ser movimentado é de R$400 mil por mês.
COMPRA E VENDA: As ordens de compra podem ser dadas via telefone, à corretora, ou por meio da internet no site do Tesouro Direto. Já a venda dos papéis é feita apenas às quartas-feiras, com leilões de recompra feitos pelo Tesouro Nacional.
PRAZO: Assim que concluir a compra, o investidor será informado do prazo que terá para fazer a transferência o dinheiro para o agente de custódia. Se isso não ocorrer na data-limite, o investidor ficará suspenso das operações do Tesouro Direto por 30 dias na primeira ocorrência e por seis meses, no caso de reincidência. Se isso ocorrer uma terceira vez, o investidor será suspenso por três anos.
TAXAS: A Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) cobra taxa de custódia de 0,4% ao ano sobre o valor da compra do título. Os bancos ou corretoras cobram taxa de manutenção da conta de custódia e de prestação de outros serviços, se for o caso. O valor, nesse caso, é livre e, atualmente, varia de zero a 4%, no caso do Itaú e do Bradesco, os que praticam a maior taxa. O site do Tesouro Direto divulga uma tabela com os percentuais praticados.
IMPOSTOS: São os mesmos que incidem sobre aplicações em renda fixa. Em investimentos com prazo até 30 dias, há cobrança de IOF. O Imposto de Renda é cobrado de forma gradual, sobre os rendimentos: 22,5% em aplicações com prazo de até 180 dias; 20% de 181 a 360 dias; 17,5% de 361 a 720 dias; e 15% para aplicações por mais de 720 dias.
O Globo
23/6/2008
Cresce procura de pequeno investidor por papéis indexados ao IPCA. Fundos de bancos concentrados no segmento voltam à cena
O mundo inteiro está preocupado com o avanço da inflação, puxada pelos aumentos nos preços dos alimentos e do petróleo. No Brasil, cresce a procura, por parte de investidores que desejam se proteger da alta do custo de vida, por títulos do governo corrigidos por índices de inflação. No Tesouro Direto, sistema de venda de títulos federais pela internet diretamente a pessoas físicas, existem opções de papéis indexados ao IGP-M, da Fundação Getulio Vargas, e ao IPCA, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, alguns bancos, como Unibanco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Itaú, oferecem fundos atrelados à inflação.
No Tesouro, as opções para o investidor que aposta na alta da inflação são as Notas do Tesouro Nacional (NTN) das séries C e B, respectivamente. Atualmente, apenas as da série B são oferecidas. Em março, último dado disponível, esses papéis ficaram em segundo lugar entre os mais vendidos na classificação geral, com participação de 35,5% do total (em primeiro ficaram os títulos LTN e NTN-F, que possuem rentabilidade fixada no momento da compra, com 50,5% do total), segundo dados do Tesouro Direto. Em relação a fevereiro, houve crescimento em torno de 30% nas vendas.
Especialistas alertam para volatilidade dos títulos
Para aplicar em uma NTN-B , é preciso comprar, no mínimo, a fração de um quinto da nota, que fica em torno de R$200. O limite é de R$400 mil por mês. Em 12 meses, a NTN-B com vencimento em maio de 2009, por exemplo, acumula ganho de 12,13%.
Além da variação da inflação, esses papéis pagam juros conforme o vencimento do título, ou seja, na data estipulada pelo Tesouro para devolver ao investidor o volume aplicado inicialmente, já com as correções prometidas. Há dois tipos de NTN-B. Na primeira, o pagamento do juro é feito a cada semestre. Na outra, chamada de "principal", ele é acumulado e pago apenas no resgate do papel.
O gerente da Coin Valores, Otavio Sant'anna, lembra que ninguém mais no mercado acredita que a inflação ficará no centro da meta - 4,5% neste ano e em 2009 para o IPCA:
- Neste momento de repique, comprar papéis atrelados à variação de índices pode ser uma boa opção de diversificação da carteira - diz.
Especialistas, no entanto, avisam: este tipo de título costuma ter forte volatilidade. Fernando Marques, operador de renda fixa da corretora Ativa, explica que os juros são prefixados e o investidor recebe ainda uma taxa (ou prêmio) que varia diariamente. Toda vez que se espera uma alta da taxa básica Selic pelo Banco Central (para controlar a inflação), o mercado pede um prêmio maior para comprar o papel. E, como o valor do resgate é predefinido, há um ajuste: o preço do papel tende a cair para compensar a alta do juro.
- Se o investidor aplicou quando o prêmio era de 7% e essa taxa agora está em 10%, ele provavelmente sairá perdendo se vender o título no mercado antes do prazo de resgate - diz. No resgate, isso não acontece porque o Tesouro recompra o papel pelo preço combinado.
Para o gerente de Renda Fixa do Unibanco Asset Management, Paulo Certain, o ideal é aplicar neste papel quando as projeções de juros feitas no mercado futuro estiverem no pico:
- Mas sempre vão existir dúvidas sobre o momento certo porque ninguém sabe, exatamente, qual será o tamanho do ciclo da alta da Selic - diz.
No caso dos fundos referenciados em inflação, o do Unibanco tem taxa de administração de 1,5% e aplicação mínima de R$50 mil. Na BBDTVM, a aplicação inicial é de R$20 mil e a taxa, de 1,5%, caindo em 1% para clientes Estilo (renda mensal de R$6 mil ou aplicação de R$50 mil no banco). Na Caixa, a taxa de administração é de 3%, com aplicações a partir de mil reais. No Itaú, o mínimo é de R$5 mil e, a taxa, de 0,5%. Mas o fundo é voltado apenas para clientes de alta renda, com recursos mínimos de R$2 milhões.
O engenheiro Marcos Faerstein prefere títulos com prazos de até dois anos e sempre fica com eles até a data do resgate.
- Acho mais vantajoso comprar no Tesouro Direto do que aplicar em um fundo, por causa das taxas de administração. E deixo a aplicação pelo mínimo de dois anos, para pagar menos Imposto de Renda - conta.
SAIBA COMO COMPRAR
CADASTRO: O primeiro passo é se cadastrar em um banco ou corretora habilitado para atuar no Tesouro Direto. Eles serão responsáveis pela custódia dos títulos. Em seguida, você receberá uma senha por e-mail, com a qual poderá comprar e vender papéis no site www.tesourodireto.gov.br.
ESCOLHA: O sistema mostrará uma tela com as taxas de juros dos títulos disponíveis para compra, com a data do vencimento, o indexador e a taxa anual de juro.
INVESTIMENTO MÍNIMO: São aceitas aplicações a partir de um quinto do valor do título, com piso de cem reais. O valor máximo que pode ser movimentado é de R$400 mil por mês.
COMPRA E VENDA: As ordens de compra podem ser dadas via telefone, à corretora, ou por meio da internet no site do Tesouro Direto. Já a venda dos papéis é feita apenas às quartas-feiras, com leilões de recompra feitos pelo Tesouro Nacional.
PRAZO: Assim que concluir a compra, o investidor será informado do prazo que terá para fazer a transferência o dinheiro para o agente de custódia. Se isso não ocorrer na data-limite, o investidor ficará suspenso das operações do Tesouro Direto por 30 dias na primeira ocorrência e por seis meses, no caso de reincidência. Se isso ocorrer uma terceira vez, o investidor será suspenso por três anos.
TAXAS: A Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) cobra taxa de custódia de 0,4% ao ano sobre o valor da compra do título. Os bancos ou corretoras cobram taxa de manutenção da conta de custódia e de prestação de outros serviços, se for o caso. O valor, nesse caso, é livre e, atualmente, varia de zero a 4%, no caso do Itaú e do Bradesco, os que praticam a maior taxa. O site do Tesouro Direto divulga uma tabela com os percentuais praticados.
IMPOSTOS: São os mesmos que incidem sobre aplicações em renda fixa. Em investimentos com prazo até 30 dias, há cobrança de IOF. O Imposto de Renda é cobrado de forma gradual, sobre os rendimentos: 22,5% em aplicações com prazo de até 180 dias; 20% de 181 a 360 dias; 17,5% de 361 a 720 dias; e 15% para aplicações por mais de 720 dias.
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