sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Come-cotas faz fundos fecharem no vermelho


 

Valor Econômico

04/12/2009

Por Luciana Monteiro, de São Paulo

O setor de fundos de investimento encerrou novembro com saídas líquidas de R$ 599,48 milhões. O resultado foi diretamente impactado pelo chamado come-cotas - antecipação de imposto de renda cobrado dos fundos de renda fixa semestralmente, em maio e novembro. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o come-cotas somou aproximadamente R$ 2,5 bilhões. Isso quer dizer que, se não fosse o imposto, cobrado no último dia útil do mês, o setor teria fechado com captação.

Para se ter ideia do peso que o come-cotas teve, até o dia 20 o setor de fundos caminhava para o terceiro melhor mês em termos de ingresso de recursos. No fim das contas, novembro fechou como o terceiro pior desempenho do ano até o momento, perdendo apenas para os resgates registrados em junho, que somaram R$ 5,423 bilhões, e em outubro, de R$ 2,918 bilhões.

 

 

É importante ressaltar, entretanto, que o setor de fundos de investimento normalmente encerra novembro com mais saídas do que aplicações. Isso porque, além do come-cotas, muitas empresas sacam recursos de fundos para pagar a primeira parcela do 13º salário aos seus funcionários. Tanto que, quando se olha a movimentação registrada na última semana de novembro, vê-se que as categorias curto prazo, DI, renda fixa e multimercados tiveram fortes resgates.

Os números do setor de fundos contrastam com a captação da caderneta de poupança. Até o dia 27, o investimento mais tradicional do país apresentava ingressos de R$ 2,755,0 bilhões, segundo dados do Banco Central. Mas é natural que a caderneta tenha um desempenho tão positivo, já que, ao pagar seus funcionários, muitas empresas utilizam contas poupança.

Os maiores resgates no setor de fundos em novembro foram registrados entre os multimercados, com saques de R$ 3,787 bilhões, dos quais R$ 3,705 bilhões ocorreram na última semana do mês. No acumulado do ano, entretanto, essas carteiras têm captação de R$ 31,271 bilhões. Os dados referentes ao ingresso de recursos em 2009, no entanto, estão distorcidos por conta da reclassificação da categoria em junho.

As saídas foram puxadas pelos multimercados da classe juros e moedas - que buscam retorno no longo prazo com juros, risco de índice de preço e de moeda estrangeira -, com saques de R$ 2,575 bilhões. Já os multimercados classificados como multiestratégia - carteiras que podem adotar mais de uma tática de investimento, sem o compromisso declarado de se dedicar a uma em particular - tiveram resgates de R$ 2,189 bilhões.

Novembro também foi marcado pela retirada de recursos em fundos curto prazo - carteiras de baixo risco compostas por papéis com vencimento em até 365 dias. No mês passado, esses fundos apresentaram saques de R$ 1,344 bilhão, sendo que R$ 2,393 bilhões saíram na última semana do mês passado. No acumulado do ano, essas carteiras têm captação de R$ 7,570 bilhões.

Os fundos de renda fixa que podem aplicar em papéis prefixados foram dos que mais sofreram com o come-cotas e com o pagamento de parte do 13º. Fazem parte desta categoria os fundos chamados de "poder público", que recebem aplicações somente de estados e municípios. Saíram dos renda fixa R$ 7,530 bilhões na última semana de novembro, o que fez com que a captação encerrasse positiva em apenas R$ 892 milhões. No ano, o ingresso de recursos soma R$ 6,381 bilhões.

Os fundos DI fecharam o mês no azul, com captação de R$ 729,95 milhões, mas perdem R$ 5,460 bilhões no ano. Já os fundos de ações, apesar da alta de 8,93% do Ibovespa, tiveram resgates de R$ 344,81 milhões no mês, mas captam R$ 2,092 bilhões no ano.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

À caça do varejo

Apesar de esbarrar na falta de conhecimento do pequeno investidor, fundo imobiliário já começa a ganhar os primeiros adeptos.


Valor Econômico

Por Alessandra Bellotto, de São Paulo
03/12/2009

Sapatos tinindo, vestidos de festa, gravatas italianas, perfumaria e maquiagem, bolsas e acessórios. No meio dessa diversidade encontrada num shopping center, os consumidores do Parque D. Pedro, em Campinas, se depararam na semana passada com uma oferta inusitada: cotas de um fundo imobiliário do próprio centro de compras onde estavam. Com o slogan "O shopping que você escolheu agora também pode ser seu" estampado num estande na entrada principal, a corretora Petra buscava atrair o público para investir na carteira. O leilão de venda de cotas da carteira, que tem uma fatia de 15% do shopping, ocorre hoje na BM&FBovespa. Como ofertante, está o grupo Sonae, dono do empreendimento.

Embora esse mercado de fundos imobiliários esteja bastante aquecido neste ano - com mais de R$ 1,6 bilhão em ofertas, quase três vezes mais do que os R$ 600 milhões de 2008 -, a iniciativa esbarrou na falta de conhecimento e de interesse das pessoas que circulavam pelo shopping, o que sinaliza que ainda há barreiras a vencer para tornar essa opção de investimento mais popular.

Na última quinta-feira, a reportagem do Valor visitou o estande. Durante as cerca de quatro horas em que passou no local, a partir do meio-dia, os consultores de investimento da corretora só foram abordados por pessoas que buscavam informações sobre promoção de Natal e localização de lojas. O movimento maior de pessoas, segundo a recepcionista, acontecia no fim do dia. A corretora, contou ela, chegou a fazer alguns cadastros de potenciais investidores, entre eles lojistas interessados em ter uma fatia do próprio shopping.

O tradicional fundo imobiliário - caso do Parque Dom Pedro Shopping Center - está de olho na receita que poder ser gerada com o aluguel dos empreendimentos em que investe. Para o cotista, isso significa a oportunidade de ter um rendimento todo mês, que pode ser isento de imposto de renda se for pessoa física. Outra possibilidade de retorno é com a valorização das cotas no mercado, daí o fundo ser considerado uma aplicação de renda variável. Nesse caso, o ganho de capital só se realiza se o investidor vender as cotas, operação tributada em 20%.

Apesar da sedução de ter um ativo real que rende aluguel, o varejo mostrou que ainda não é o grande público dos fundos imobiliários - que têm mais apelo junto à alta renda -, mas o segmento já surge com os primeiros adeptos. É o caso do taxista de São Paulo, Evandro Eli Gomes, de 29 anos. Depois de fazer em outubro de 2008 seu primeiro investimento em uma sala comercial de 40 metros quadrados no empreendimento ainda em construção, o The Office, na Frei Caneca, Gomes decidiu "arriscar" no fundo imobiliário do Parque D. Pedro e participar do leilão hoje.

"Vou aplicar um pouco mais que o mínimo (fixado em dez cotas, com valor a partir de R$ 1 mil); se eu soubesse que o negócio era muito seguro, colocava mais, porque o retorno é maior do que o da poupança." Um investimento de R$ 100 mil no fundo, compara Gomes, daria R$ 830 por mês, enquanto a poupança, cerca de R$ 600. Por 36 meses, pelo menos, o Sonae vai garantir aos cotistas um rendimento mínimo mensal de R$ 8,30 por cota, proveniente das receitas com o aluguel das lojas.

O receio de Gomes tem a ver com a falta de popularidade do fundo imobiliário. Apesar de ter sido criado há 15 anos, só agora, com o juro baixo, ele passou a chamar a atenção, até por conta da isenção de IR. "No imóvel, o documento de propriedade tem seu nome, ninguém pode tomá-lo; nesse fundo, e se o shopping quebra?", questiona. Essa preferência por imóvel é compartilhada por boa parte dos brasileiros. É uma herança da época da hiperinflação. A alternativa sempre foi sinônimo de solidez, de proteção. Com crise ou sem crise, acredita Gomes, o imóvel está lá, é seu e sempre pode ser alugado.

O fundo imobiliário, apesar do desconhecimento, funciona como um veículo para investir em imóveis com algumas vantagens. Entre elas, a possibilidade de se tornar sócio de grandes empreendimentos com pequenos valores e a de se livrar do ônus da administração dos bens.

Independente da alternativa de investimento, Gomes é um poupador nato. Aos 10 anos, começou a ajudar um casal de japoneses vendendo pastel na feira. "Queria ter meu próprio dinheiro", conta. Aos 14, foi trabalhar no Etapa Vestibulares, onde ficou por 8 anos. Nesse período, aprendeu a fotografar com um vizinho e começou a fazer bicos, inclusive no Etapa. Todo dinheiro que ganhava com a fotografia ele guardava para poder viajar. "Conheço quase todo o Brasil, só falta a Amazônia", diz.

Depois que saiu do Etapa, Gomes decidiu usar o dinheiro da rescisão e da poupança que havia juntado para comprar um carro e virar taxista. Mas, acabou aceitando uma proposta de trabalhar num bingo com uma velha colega. Nos dias de folga, fazia trufas e pão de mel para engordar a renda. A licença de táxi e o carro Gomes cedeu, sob a condição de receber parte da receita, para o irmão desempregado. Depois de um ano, resolveu dividir o táxi com o irmão. Ele trabalhava à noite e o irmão, de dia. Juntou mais dinheiro e comprou um segundo carro. Hoje, sua renda vem do trabalho de no mínimo 12 horas como taxista e de parte da receita do táxi cedido para o irmão. Gomes é dono ainda de metade de um terceiro carro dirigido por outro irmão.

A iniciativa de investir em imóveis surgiu depois de uma conversa com um cliente, conta ele. Até então, Gomes só tinha dinheiro em poupança. Da bolsa de valores, ele prefere ficar fora. "Não conheço o mercado, já pensou se dou um tiro e erro?", argumenta. Sua ideia com a sala comercial, avaliada em R$ 240 mil, é colocá-la para alugar e ter mais uma fonte de renda, já de olho na aposentadoria. A entrega da obra está prevista para o fim de 2011. E até lá, espera estar com o imóvel quitado. "Não quero pagar juros para banco."

O taxista investidor já pensa em adquirir novo imóvel: um apartamento que vai ser construído na frente do Hospital Albert Einstein para alugar para médicos. Com a renda da locação da sala comercial, espera pagar as parcelas do apartamento. Tantos planos assim só são possíveis porque Gomes guarda cerca de 70% de sua renda. Como? Ele é solteiro e mora com os pais.

O próximo passo, para daqui a dois ou três anos, é comprar uma franquia. Como taxista, Gomes diz que, graças a uma clientela fiel e a muito trabalho, já atingiu o topo da profissão. "Meu salário é ótimo, está muito acima do que ganham colegas formados, mas não há mais como crescer." Sobre voltar a estudar e se formar, ele diz que esse tempo já passou, apesar de hoje ter condições financeiras para arcar com uma escola privada. Quando trabalhava no Etapa, chegou a fazer cursinho, mas como não conseguiu entrar na USP desistiu. Toda essa disciplina, contudo, é recompensada por momentos de lazer. "Agora quero viajar pelo mundo."

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Fatia da pessoa física no IShares atinge 11,5%


Valor Econômico

De São Paulo
02/12/2009

A negociação de iShares completa hoje um ano, com uma negociação média diária de R$ 17,226 milhões, segundo números da BM&FBovespa até o dia 27. Os iShares são ETFs (sigla para Exchance-Traded Funds), cotas de fundos que reproduzem índices de ações e que são negociados em bolsas. Esses fundos montam suas carteiras de acordo com as carteiras dos índices de mercado, o que faz com que suas cotas sigam de perto a variação dos referenciais.

Os dados mostram que, do volume negociado no ano, o investidor pessoa física respondeu por 11,5%. Já os investidores institucionais representaram a maior fatia, com 49,8% até o dia 27. Em seguida ficaram as instituições financeiras, com 31%. É natural, no entanto, que estes dois últimos grupos de investidores apareçam na liderança, já que eles têm um volume bem maior para aplicar.

 

 

O primeiro ETF lançado no Brasil foi o fundo de Papéis Índice Brasil Bovespa (PIBB), criado pelo BNDES em parceria com o Banco Itaú e atrelado ao IBrX-50. Mas no ano passado, esse mercado ganhou mais volume com a criação dos chamados iShares de Ibovespa, de Índice Small Cap (pequenas empresas) e de Índice de Midi-Large Cap (médias e grandes empresas).

 

 

Segundo os especialistas, aplicar em ETFs traz vantagens para o investidor. Isso porque as taxas de administração dessas aplicações são menores em comparação aos fundos de ações em geral. Acompanhar o desempenho também é mais fácil, já que o fundo irá acompanhar a rentabilidade das carteiras teóricas dos índices divulgados diariamente pela bolsa.

Outro ponto positivo está no acesso, que é simples: as cotas são compradas e vendidas como uma ação em qualquer corretora. Há também vantagens fiscais para pequenos investidores: as vendas de PIBB ou dos demais ETFs até o valor de R$ 20 mil por mês não pagam imposto - enquanto nos fundos de ações, sempre há imposto de 15% sobre o ganho.

Os ETFs também ajudaram a elevar as aplicações dos investidores estrangeiros na bolsa brasileira. De acordo com os dados da bolsa, esse público tinha participação de 7% no volume negociado no ano até o dia 27. (LM)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Tem início amanhã reserva para BNDESPar

Autor(es): Alessandra Bellotto

Valor Econômico - 23/11/2009

  

Começa amanhã o período de reserva para a oferta de debêntures da BNDES Participações (BNDESPar), braço de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). A operação totaliza R$ 1 bilhão, sendo que R$ 500 milhões serão direcionados para o público de varejo. A aplicação mínima é de R$ 1 mil e a máxima, de R$ 500 mil.

O pedido com a expectativa de remuneração deverá ser feito pelo investidor até 10 de dezembro nas agências bancárias dos coordenadores Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco ou nas corretoras participantes. Se houver excesso de demanda, haverá rateio. A operação, contudo, poderá ser ampliada em até 35%.

A oferta será feita em duas séries. A primeira, com vencimento em janeiro de 2013, terá remuneração prefixada, calculada com base na taxa do contrato de DI futuro de mesmo prazo, mais um valor máximo de 0,80%, a ser definido no processo de "bookbuilding". Já as debêntures de segunda série, que vencem em maio de 2015, pagarão juros, mais IPCA. A taxa terá como referência o juro da NTN-B de mesmo prazo, mais um prêmio de até 0,7%. Na sexta, o título estava pagando 6,77%, além da inflação.

Mesmo com a redução dos prêmios dos títulos privados, há um espaço grande para a colocação de debêntures, afirma o superintendente de alocação de recursos do Banco Fator, Marcelo Figueiredo. Da parcela de 83% do patrimônio dos fundos aplicada na renda fixa, segundo dados de outubro da Anbima, títulos públicos representam 61%, Certificados de Depósito Bancário (CDBs) são quase 12% e debêntures, apenas 4%.

Ele cita, ainda, a forte demanda do investidor do varejo. A oferta recente de R$ 2,6 bilhões em debêntures da Oi, lembra Figueiredo, atraiu mais de 10 mil pessoas. No encerramento, contudo, subscreveram a emissão 3,4 mil investidores individuais, entre outros. "A pulverização é importante, porque ajuda a criar um mercado secundário mais ativo, hoje uma restrição para a pessoa física."

O superintendente de análise de crédito da SulAmérica Investimentos, Lauro Campos, ressalta que, apesar da queda dos prêmios, a remuneração ainda está melhor do que no período de pré-crise. Antes da turbulência, as debêntures pagavam entre 102% e 103% do CDI. Na crise, chegaram a oferecer 125% do referencial e, hoje, pagam entre 108% e 110% do CDI.

Perfil do investidor muda ao longo do tempo

Autor(es): DENYSE GODOY

Folha de S. Paulo - 23/11/2009

  

Melhor estratégia para a gestão das finanças é adaptar as carteiras de acordo com os ciclos pessoais, afirmam especialistas

Na juventude, é possível arriscar mais e se deve aprender a equilibrar receita e despesa; mais tarde, é hora de estabelecer metas

Diferentemente do que muita gente pensa, a administração das finanças e dos investimentos pessoais é um trabalho que não se esgota jamais. Criar um sistema eficiente de gerenciamento das contas domésticas, escolher um banco que ofereça os melhores serviços pelos menores custos, comparar rendimentos e taxas dos fundos de investimento, selecionar as ações que vão fazer parte da carteira -todas essas tarefas precisam ser repetidas de tempos em tempos, conforme a idade avança, os objetivos individuais e familiares mudam e... a coragem diminui.
"Do investidor que se dedica a operar no mercado, gira muito, diariamente, a faixa etária é de 20 ou 30 anos. Esse entra de peito aberto, abraçando os papeis mais voláteis. Mas aí as pessoas vão ficando mais velhas e medrosas, nascem os filhos. É natural", diz Paulo Levy, diretor da corretora Icap Brasil e responsável pelo home broker MyCAP. "Eu mesmo já fui muito mais adepto das aplicações arriscadas. Paradoxalmente, hoje tenho melhor conhecimento sobre as transações e ainda assim desacelerei."
Para aproveitar a vida e ter uma velhice sossegada, o importante é identificar cada fase e ir adequando as estratégias, dizem os especialistas.
"Infelizmente, as escolas não oferecem aulas de educação financeira, então as pessoas têm que aprender na marra e só se dão conta da necessidade disso por volta dos 30 anos. O jovem deve perceber que precisa começar a juntar o mais cedo possível", diz Luiz Gustavo Medina, sócio da M2 Investimentos e coautor do livro "Investindo no Futuro", da editora Saraiva.

Um passo por vez
Quando ainda mora na casa dos pais, o universitário tem condições de poupar a bolsa que recebe no estágio e pode até colocar o dinheiro integralmente na Bolsa de Valores.
É o momento de compreender algumas regras fundamentais de gestão de dinheiro. Primeiro, o segredo do sucesso financeiro se encontra em equilibrar as receitas, as despesas e os sonhos. Parece óbvio -no entanto, é exatamente onde a maioria das pessoas tropeça e fica estagnada. A ansiedade de consumir faz com que contraiam empréstimos e gastem demais com juros.
Aqui entra a lei número dois. Como o Brasil continua tendo juros elevados, faz muita diferença ser devedor ou credor, ver a renda escorrer pelo ralo sem que nem se note ou acumular recursos e não ter que se preocupar com o dia seguinte. Trata-se de tomar uma decisão e ser fiel a ela.
Planejamento é a terceira determinação. O momento em que se atinge uma certa maturidade e o salário engorda -é a efetivação no emprego- é o ideal para estabelecer metas, como a aquisição da casa própria, e traçar um caminho para atingi-las. Também se pode diversificar um pouco os investimentos, separando o que é destinado à aposentadoria.
Antes de casar, é primordial discutir os objetivos de cada um e elaborar um plano conjunto. Brigas por causa de dinheiro e a falta dele figuram entre as principais causas de divórcio, segundo as estatísticas.

Nem tudo que é novo é bom

Autor(es): Adriana Cotias

Valor Econômico - 23/11/2009

  

Mais de R$ 13 bilhões captados na maior oferta pública do ano e adesão maciça da pessoa física como não se via desde a abertura de capital das bolsas, em 2007. A distribuição de units (recibos de ações) do Santander Brasil atraiu 74,1 mil investidores individuais, numa operação badalada pelo tamanho, porte do banco e evidência do setor no Brasil, após o país ter atravessado a crise das hipotecas americanas e a quebra do Lehman Brothers sem grandes perdas e danos. Se, por um lado os números impressionam, o desempenho dos papéis deixa, porém, a desejar.

Desde que chegaram ao pregão as units acumulam perdas de 5,5% - só na estreia, em 7 de outubro, a queda foi de 3,7%. Performance frustrante também tiveram as ações ordinárias (ON, com voto) da Cetip (-6,9%) e da Tivit (-11,7%). Visanet ON, que atraiu 52,9 mil pessoas físicas numa oferta de R$ 8,4 bilhões, subiu 4,8% desde que passou a ser listada em junho, mas ainda assim perde para o Ibovespa, que nesse intervalo avançou 28,8%.

Embora essa seja uma fotografia de curto prazo das novatas da temporada 2009, o pequeno histórico de ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) no Brasil tem replicado tal dinâmica. Segundo levantamento do Valor Data, dos 112 lançamentos de ações realizados desde 2004, quando a Natura começou a puxar a fila das captações, só 20 (18%) superam o referencial de mercado. Abaixo da lista de casos bem sucedidos, 40 têm desempenho entre 50% e 90% pior do que o índice. É claro que no meio do caminho houve uma crise de proporções avassaladoras e o Ibovespa talvez nem seja o melhor comparativo, pela concentração em commodities.

Mas será que o comportamento das novas companhias no decorrer do tempo vai repetir o que Jeremy Siegel identificou no mercado americano? No seu livro "Investindo em Ações no Longo Prazo", o professor de finanças da Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, transcreve um teste que fez com 8.606 IPOs entre 1968 e 2001, sob a hipótese de os investidores terem adquirido as ações no lançamento e mantido os ativos em carteira até 2003. Desse total, o retorno em 79% dos casos foi pior do que um índice de "small caps", representativo de empresas de segunda linha. A conclusão de Siegel é que grandes vencedoras como Cisco e Wal-Mart não podem compensar os milhares de IPOs perdedores.

No Brasil, o Centro de Estudos de Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV) chegou a fazer análise semelhante, identificando que as ações das novatas tendem a ter comportamento muito próximo do resto do mercado. Então por que valeria investir nos novos nomes se mesmo o esperado desconto nas aquisições não tem se mostrado efetivo? Foi-se o tempo em que o investidor brasileiro tinha a chance de embolsar lucros convidativos tão logo os papéis chegavam ao secundário.

"Em teoria de finanças, o normal é que o preço de uma oferta saia abaixo do potencial para garantir ganho para quem entra", diz o professor de finanças Ricardo José de Almeida, do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa. "O jogo justo era que nenhuma ação tivesse caído." Ele explica que o banco coordenador de um IPO tem o papel de encontrar um meio termo entre atender o interesse do controlador da companhia emissora, que quer o melhor valor para os ativos que coloca à venda, e o do comprador, que vai viabilizar um determinado projeto de investimento ou mesmo dar saída aos sócios. Se o preço é fixado lá em baixo, agrada o comprador e atrai muita gente para as ofertas posteriores, mas corre o risco de não ser contratado para novos mandatos. Se joga o valor do negócio para cima, garante que outros controladores queiram contratá-lo, mas expulsa potenciais acionistas de outras operações.

A chegada do Santander Brasil à bolsa, depois de toda badalação, é um caso que potencialmente se encaixa nessa lógica, diz. "Ficou a sensação de que na avaliação dos ativos pelos coordenadores (o Santander Global Banking e o Credit Suisse), não sobrou nada para os compradores." Para os funcionários do banco que financiaram a aquisição vai ser necessário que os papéis remunerem não só o capital investido como também compensem o financiamento. O programa de incentivo permitiu que os empregados emprestassem até 100% do salário para comprar as units, parcelando o pagamento em 60 vezes a juros de 1% ao ano. Não houve rateio para esse público. Em meados de outubro, a área de pesquisa do HSBC iniciou a cobertura dos papéis com recomendação "acima da média do mercado" e um preço alvo estimado em R$ 28,00, 26% maior do que a cotação de quinta-feira na Bovespa.

As units já chegaram ao pregão bem avaliadas, sem espaço para valorização imediata, mas o investidor com visão de médio e longo prazo acreditou que o banco será eficiente em rentabilizar o reforço de R$ 13,2 bilhões em caixa que obteve com o IPO, pondera o gerente de análise da Modal Asset Management, Eduardo Roche. A Cetip foi outro caso, a seu ver, de ação que veio cara, reproduzindo um comportamento bastante comum nos tempos de fartura de liquidez. "No passado, atropelado pelo fluxo, o mercado parou de fazer conta, o que deu margem a certos exageros (de preços)." Depois da crise e do aperto de crédito global, as técnicas de avaliação de ativos voltaram a ser refinadas e isso explica a maior seletividade, acrescenta.

Para o investidor desesperançado com essa safra 2009 de ofertas e mesmo com a dos anos anteriores, o consultor de investimentos Paulo Bittencourt recomenda que encare os IPOs como aquela parcela da carteira destinada a ativos de maior risco dentro do seu universo de renda variável. "A lógica tem de ser a mesma de um investimento de "private equity" (de fundos de participação) ou "venture capital" (que compram empresas nascentes), em que o prazo de maturação, por mais consistente que seja o plano de negócios, leva de 5 a 7 anos", diz. "É um tempo que permite pegar um ciclo econômico completo, seja ele bom ou ruim." Na média, a expectativa é de que essa pequena parcela do investimento em ações tenha um retorno maior do que o restante da carteira.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

BNDESPar prioriza varejo em oferta de debêntures

Autor(es): Carolina Mandl e Alessandra Bellotto

Valor Econômico - 18/11/2009

  

A BNDES Participações, braço de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), está fazendo uma oferta de R$ 1 bilhão em debêntures, sendo que metade será destinada às pessoas físicas com pelo menos R$ 1 mil para investir. O restante poderá ser adquirido por investidores institucionais, como fundos de pensão e seguradoras.

Os recursos vão ser usados pela BNDESPar para aumentar os investimentos em empresas por meio da compra de suas ações, debêntures ou de outros valores mobiliários. E, para isso, a companhia quer atrair os recursos dos pequenos investidores. Hoje, o banco começa a divulgar os detalhes da oferta por meio de anúncios em jornal, rádio, internet e revista. Não haverá, porém, atores conhecidos, como o Banco do Brasil fez em 2006 e em 2007 em oferta de ações que teve Fernanda Montenegro como garota-propaganda. A veiculação da campanha, que fica no ar até 10 de dezembro, custará R$ 1,8 milhão.

  

  

A aplicação mínima exigida é de R$ 1 mil, o que equivale a uma debênture. Depois de decidir o tamanho da aplicação, limitada a R$ 500 mil, o investidor poderá fazer seu pedido de reserva em agências bancárias do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco - coordenadores da oferta - ou em corretoras. O prazo vai de 24 de novembro a 10 de dezembro. Na reserva, os aplicadores também devem informar a remuneração que pretendem receber pela debênture. A emissão da BNDESPar tem duas séries, com prazos e remunerações diferentes. A taxa final só será conhecida no dia 14 de dezembro, após a coleta de intenções de investimentos dos institucionais.

Os papéis devem fazer sucesso entre o público do varejo. Com a redução sistemática dos prêmios pagos nas emissões de debêntures desde o início do ano - dada a melhora das condições de mercado e a forte demanda pelos papéis -, as grandes oportunidades escassearam, mas o investidor continua atrás de alternativas que paguem mais que a tradicional renda fixa, fortemente impactada pela redução da taxa de juros. O grande atrativo da operação é que ela traz um prêmio em relação aos títulos públicos, sem adicionar risco de crédito, destaca Rodrigo Menon, sócio da Beta Advisors. "BNDESPar é praticamente risco de governo."

Na primeira série, com vencimento em janeiro de 2013, a taxa será fixada com base no juro embutido no contrato de DI futuro de mesmo prazo, mais um valor de até 0,8% (teto). Ontem, esse contrato estava sendo negociado a 12,30%. Se o prêmio ficar na casa de 0,3% - abaixo do teto de 0,8% -, a remuneração da debênture seria de 12,60%. Esta é uma taxa prefixada boa, na visão de Menon. "Acredito na alta dos juros, mas dificilmente a Selic média do período vai superar a taxa estimada para o papel", afirma. Menon trabalha com uma Selic de 10,5% em 2010.

No caso da segunda série, que vence em maio de 2015, a remuneração do papel, a ser atualizado pelo IPCA, será correspondente à taxa da NTN-B de mesmo prazo, acrescida de um prêmio de até 0,7%. Ontem, esse título estava pagando 6,80%, além da inflação. Com um prêmio equivalente à metade do teto fixado para a oferta, a taxa do papel seria de 7,15%, mais IPCA.

Mas o prêmio não é de graça, ressalta a diretora da área de investimentos do HSBC Private Bank, Andrea Moufarrege. "O investidor precisa analisar o risco de mercado", destaca. Nessa emissão, o que pesa não é o risco de crédito da instituição, mas as incertezas que podem interferir no rumo dos ativos. Ela cita, por exemplo, a trajetória da taxa de juros. "São papéis longos", diz.

Hoje, afirma Andrea, o DI futuro com vencimento em janeiro de 2013 projeta uma taxa em torno de 12,30%, o que embute, grosso modo, uma alta superior a 3,5 pontos percentuais para a taxa Selic (atualmente em 8,75%). Segundo ela, a previsão mais pessimista no mercado hoje é de elevação de 3 pontos. O problema é se no meio do caminho algo acontecer e o contrato passar a marcar 13,30%. Nesse caso, o impacto negativo para o investidor que tiver travado a taxa a 12,30% será de 1 ponto percentual multiplicado por 4 (número correspondente ao prazo do papel, de 4 anos). "A oferta da BNDESPar traz um prêmio adicional, mas ele está ligado ao risco de mercado e ao prazo longo dos papéis."

Isso não quer dizer que a operação seja ruim, ressalva Andrea. Ela apenas sugere que o investidor não faça posições muito grandes por causa do prazo. Por outro lado, Andrea cita duas grandes vantagens: a taxa de custódia baixa (R$ 6,90 por semestre ou isenta dependendo do caso) e a ausência do pagamento de cupom semestral. Haverá carência de, no mínimo, dois anos para o pagamento de juros para que o investidor se beneficie com a menor alíquota de Imposto de Renda, de 15%.

Não há garantia de que os investidores de pequeno porte vão conseguir aplicar todo o dinheiro desejado. Isso porque, se houver excesso de demanda, haverá rateio. A única previsão é de que cada um ficará com pelo menos R$ 15 mil, o que equivalente a 15 debêntures. Acima disso, a divisão será proporcional ao pedido. Se a BNDESPar ainda não conseguir destinar R$ 15 mil para cada um, devido à forte procura, um novo valor máximo poderá ser fixado. Se houver forte demanda, a operação poderá ser ampliada em até 35%, para R$ 1,350 bilhão.

Desde o começo do ano, a oferta da BNDESPar era esperada. Documentos chegaram, inclusive, a ser enviados à Comissão de Valor Mobiliários. Mas, naquela época, ainda em meio à crise, a remuneração pedida pelos investidores era mais alta, o que teria feito a empresa esperar por um momento melhor, com taxas mais baixas.

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