quinta-feira, 9 de abril de 2009
Max vai viver de renda?
O vencedor do BBB9 disse que vai aplicar o prêmio de 1 milhão de reais e viver de renda. Uma chamada de hoje no portal IG dizia que o rapaz contratou 7 seguranças. Mas qual a renda que o tal milhão proporciona. Ao fazer uma simulação na página do Tesouro Direto escolhi a compra de uma NTN-B com vencimento em 15/05/2045 e com taxa de custódia zero. Para termos uma idéia de quanto o vencedor poderia retirar em preços de hoje escolhi taxa de inflação nula. O resultado foi que Max receberia cerca de 27 mil reais a cada semestre ou R$ 4.500,00 por mês. Agora, será que com esta renda é possível manter 7 seguranças?
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Com os gastos sob controle é mais fácil juntar dinheiro
Jornal da Tarde
06/04/2009
Famílias que organizam o orçamento e eliminam os excessos, conseguem investir parte da renda, todo mês. Mas na hora de cortar, não exagere: gastos com lazer são necessários e não representam a maior parte das despesas
FABRÍCIO DE CASTRO, fabricio.castro@grupoestado.com.br
Como guardar dinheiro, se não sobra nada no fim do mês? Se você está acostumado a dar essa desculpa, saiba que o problema é com o seu orçamento. Famílias que mantêm as despesas sob controle conseguem investir parte da renda todo mês e formar um patrimônio ao longo dos anos.
No Brasil, as famílias costumam gastar as maiores fatias da renda com a compra de alimentos, o pagamento de aluguel e condomínio e as despesas com transporte. Isso vale tanto para quem mora sozinho quanto para os casais sem filhos ou com duas crianças (confira ao lado).
As porcentagens médias da renda comprometida com cada item também não variam tanto. Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente aos anos de 2002 e 2003, os gastos com habitação, por exemplo, vão de 34,8% a 27,3%, dependendo do número de pessoas.
Esses parâmetros são importantes para quem deseja organizar o próprio orçamento. Afinal, se você compromete mais de 40% com as despesas de habitação, pode estar morando onde sua renda não permite ou gastando muito para manter a casa.
Para fazer um diagnóstico da situação da família, o primeiro passo é descobrir para onde vai o dinheiro. “Comece com uma caixa de sapatos. Jogue todas as contas dentro dela e, no fim do mês, analise os gastos”, recomenda o consultor financeiro Gustavo Cerbasi, autor do livro Casais inteligentes enriquecem juntos.
Mas não basta conhecer as despesas. É preciso eliminar o excesso. “Onde cortar é o grande desafio”, diz Cerbasi. “Há quem aconselhe a economia de luz e o corte de banhos, por exemplo. Mas tenho reservas quanto a isso.”
O mais indicado é verificar em quais itens os gastos realmente fogem do padrão. “Nos últimos anos, as pessoas estão gastando muito com alimentação fora de casa. Isso pode até ter alterado os parâmetros identificados pelo IBGE em 2002”, alerta a economista Sandra Biagioli, coordenadora do curso de finanças pessoas da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid). “Para quem está gastando muito, uma dica é procurar fazer as refeições em casa e até levar comida para o trabalho.”
Também é preciso prestar atenção aos gastos com telefonia. “As pessoas estão comprometendo uma parte importante da renda com o telefone celular”, alerta a economista. Outro item importante a ser atacado são as dívidas. Gastos com juros de financiamentos prejudicam o orçamento.
Quando a situação fica difícil, o primeiro impulso das famílias é eliminar os gastos com lazer - justamente os que representam uma das menores parcelas do orçamento. A família fica em casa nos finais de semana, vendo TV - e fim de papo.
Para Cerbasi, a estratégia está errada. “O ideal é que a pessoa preserve os gastos com qualidade de vida”, defende. “Se ela vai à academia, deve continuar indo.”
É comum a família deixar o lazer em segundo plano, mas isso prejudica a relação em casa - e também aumenta os gastos. “O efeito psicológico é perverso. A pessoa corta o lazer e fica em casa, mas acaba consumindo mais com outras coisas”, diz Sandra.
O educador financeiro Mauro Calil, do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil, sugere uma solução intermediária. “Se você tem dois filhos e vai com eles ao shopping, vai gastar muito dinheiro. Se for ao zoológico, vai gastar bem menos.”
A mesma lógica vale para o gastos com transporte. “Se estiverem altos, você pode trocar seu carro por outro e economizar 10%”, diz Cerbasi. Por que não?
O QUE FAZER PARA TER SOBRAS PARA INVESTIR, TODO MÊS
O primeiro passo é verificar se as despesas, isoladamente, estão dentro dos parâmetros médios. Se você gasta mais de 20% da renda mensal com o carro, por exemplo, é sinal de que os gastos com transporte podem estar exagerados
Ao quitar as dívidas - e não fazer outras - já é possível remanejar pelo menos 2% da
renda para os investimentos. Lembre-se de que os juros de financiamentos são altos.
É sempre melhor pagar à vista
As despesas com lazer são, geralmente, as primeiras a ser cortadas pela família. Mas elas são pequenas em relação ao total. O mais indicado é fazer as contas e cortar apenas o excesso
Despesas com vestuário também são pequenas - ou deveriam ser. Gastar mais de 5% com roupas, todo mês, pode ser um exagero. Uma dica importante é nunca parcelar as compras de roupas. Se você não pode pagar uma camisa à vista, desista da compra
Despesas com habitação são, para todas as famílias, as mais altas. Neste item estão incluídos, além do aluguel e do condomínio, os gastos com telefonia, TV por assinatura,
celulares, compra de eletrodomésticos e produtos de limpeza, entre outros. Para reduzir o peso da habitação sobre o orçamento, é aconselhável reduzir os gastos nestes itens
Se o aluguel e o condomínio,pesam mais de 30% , pode ser melhor mudar de casa. Este é um sinal de que o local onde você mora não é adequado à sua renda. As despesas com telefonia
também devem ser controladas
06/04/2009
Famílias que organizam o orçamento e eliminam os excessos, conseguem investir parte da renda, todo mês. Mas na hora de cortar, não exagere: gastos com lazer são necessários e não representam a maior parte das despesas
FABRÍCIO DE CASTRO, fabricio.castro@grupoestado.com.br
Como guardar dinheiro, se não sobra nada no fim do mês? Se você está acostumado a dar essa desculpa, saiba que o problema é com o seu orçamento. Famílias que mantêm as despesas sob controle conseguem investir parte da renda todo mês e formar um patrimônio ao longo dos anos.
No Brasil, as famílias costumam gastar as maiores fatias da renda com a compra de alimentos, o pagamento de aluguel e condomínio e as despesas com transporte. Isso vale tanto para quem mora sozinho quanto para os casais sem filhos ou com duas crianças (confira ao lado).
As porcentagens médias da renda comprometida com cada item também não variam tanto. Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente aos anos de 2002 e 2003, os gastos com habitação, por exemplo, vão de 34,8% a 27,3%, dependendo do número de pessoas.
Esses parâmetros são importantes para quem deseja organizar o próprio orçamento. Afinal, se você compromete mais de 40% com as despesas de habitação, pode estar morando onde sua renda não permite ou gastando muito para manter a casa.
Para fazer um diagnóstico da situação da família, o primeiro passo é descobrir para onde vai o dinheiro. “Comece com uma caixa de sapatos. Jogue todas as contas dentro dela e, no fim do mês, analise os gastos”, recomenda o consultor financeiro Gustavo Cerbasi, autor do livro Casais inteligentes enriquecem juntos.
Mas não basta conhecer as despesas. É preciso eliminar o excesso. “Onde cortar é o grande desafio”, diz Cerbasi. “Há quem aconselhe a economia de luz e o corte de banhos, por exemplo. Mas tenho reservas quanto a isso.”
O mais indicado é verificar em quais itens os gastos realmente fogem do padrão. “Nos últimos anos, as pessoas estão gastando muito com alimentação fora de casa. Isso pode até ter alterado os parâmetros identificados pelo IBGE em 2002”, alerta a economista Sandra Biagioli, coordenadora do curso de finanças pessoas da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid). “Para quem está gastando muito, uma dica é procurar fazer as refeições em casa e até levar comida para o trabalho.”
Também é preciso prestar atenção aos gastos com telefonia. “As pessoas estão comprometendo uma parte importante da renda com o telefone celular”, alerta a economista. Outro item importante a ser atacado são as dívidas. Gastos com juros de financiamentos prejudicam o orçamento.
Quando a situação fica difícil, o primeiro impulso das famílias é eliminar os gastos com lazer - justamente os que representam uma das menores parcelas do orçamento. A família fica em casa nos finais de semana, vendo TV - e fim de papo.
Para Cerbasi, a estratégia está errada. “O ideal é que a pessoa preserve os gastos com qualidade de vida”, defende. “Se ela vai à academia, deve continuar indo.”
É comum a família deixar o lazer em segundo plano, mas isso prejudica a relação em casa - e também aumenta os gastos. “O efeito psicológico é perverso. A pessoa corta o lazer e fica em casa, mas acaba consumindo mais com outras coisas”, diz Sandra.
O educador financeiro Mauro Calil, do Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Calil & Calil, sugere uma solução intermediária. “Se você tem dois filhos e vai com eles ao shopping, vai gastar muito dinheiro. Se for ao zoológico, vai gastar bem menos.”
A mesma lógica vale para o gastos com transporte. “Se estiverem altos, você pode trocar seu carro por outro e economizar 10%”, diz Cerbasi. Por que não?
O QUE FAZER PARA TER SOBRAS PARA INVESTIR, TODO MÊS
O primeiro passo é verificar se as despesas, isoladamente, estão dentro dos parâmetros médios. Se você gasta mais de 20% da renda mensal com o carro, por exemplo, é sinal de que os gastos com transporte podem estar exagerados
Ao quitar as dívidas - e não fazer outras - já é possível remanejar pelo menos 2% da
renda para os investimentos. Lembre-se de que os juros de financiamentos são altos.
É sempre melhor pagar à vista
As despesas com lazer são, geralmente, as primeiras a ser cortadas pela família. Mas elas são pequenas em relação ao total. O mais indicado é fazer as contas e cortar apenas o excesso
Despesas com vestuário também são pequenas - ou deveriam ser. Gastar mais de 5% com roupas, todo mês, pode ser um exagero. Uma dica importante é nunca parcelar as compras de roupas. Se você não pode pagar uma camisa à vista, desista da compra
Despesas com habitação são, para todas as famílias, as mais altas. Neste item estão incluídos, além do aluguel e do condomínio, os gastos com telefonia, TV por assinatura,
celulares, compra de eletrodomésticos e produtos de limpeza, entre outros. Para reduzir o peso da habitação sobre o orçamento, é aconselhável reduzir os gastos nestes itens
Se o aluguel e o condomínio,pesam mais de 30% , pode ser melhor mudar de casa. Este é um sinal de que o local onde você mora não é adequado à sua renda. As despesas com telefonia
também devem ser controladas
sexta-feira, 20 de março de 2009
A mordida do Leão na bolsa
Valor Econômico
Luciana Monteiro, de São Paulo
20/03/2009
Os investidores que amargaram prejuízos com a bolsa no ano passado, depois de ver o Ibovespa cair 41,22% com a crise mundial, podem encontrar algum alento agora ao acertar as contas com o Leão do Imposto de Renda. A perda decorrente de uma venda de ações pode ser compensada nos ganhos em operações futuras, mesmo nos anos posteriores. Na declaração, o contribuinte não terá direito a uma possível restituição do imposto pago em ações, mas conseguirá ter uma noção mais clara de quanto poderá compensar dos lucros que ele venha a obter.
E o número de investidores que terão de declarar aplicações em ações não será pequeno. Segundo a BM&FBovespa, o ano de 2008 encerrou com 536.483 contas de pessoas físicas. Vale lembrar, entretanto, que os prejuízos só podem se compensados com operações de mesma natureza, ou seja, perdas com ações no mercado à vista com lucros no mercado à vista.
Todo investidor que vende ações num valor superior a R$ 20 mil por mês precisa pagar 15% de imposto de renda sobre os ganhos. Cabe ao próprio aplicador fazer o cálculo de quanto tem a pagar de IR e recolhê-lo. "Por isso, o investidor precisa ser muito organizado, ter o controle da compra e da venda das ações para calcular o imposto e fazer a declaração de cada um dos papéis", diz Frederico Good God, gerente-sênior da área de Impostos da Ernst & Young. A apuração do imposto é mensal e vence no último dia útil do mês seguinte ao da venda das ações.
Só há imposto, entretanto, se o valor vendido no mês for superior a R$ 20 mil. Mas atenção: não é R$ 20 mil por operação. O valor deve levar em conta a soma de todas as vendas realizadas no mês. A partir desse valor, o investidor tem de pagar 15% sobre os ganhos líquidos, já descontadas eventuais perdas naquele mês ou em meses anteriores. E não é só sobre o que ultrapassar R$ 20 mil, é sobre o valor total, ressalta Renato Souza Coelho, do escritório Souza, Cescon Advogados.
O imposto sobre o ganho com a venda de ações é pago pelo investidor em forma de Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais), com o código 6015. Na hora de declarar, o investidor deve informar mês a mês o ganho total das operações acima de R$ 20 mil na seção "Renda Variável". Esses valores informados na declaração não serão tributados novamente.
"Para efetuar o pagamento, basta preencher duas vias do Darf, uma espécie de guia de recolhimento que pode ser encontrada em qualquer papelaria, e realizar o pagamento em qualquer agência bancária", esclarece Hugo Azevedo, no livro "500 Perguntas Básicas de Finanças para Iniciantes no Mercado". O investidor também tem a possibilidade de efetuar um download do arquivo SICALC (disponível no site da Receita Federal) para preenchimento ou impressão da Darf, lembra o autor.
Mas se o valor vendido em ações não ultrapassar R$ 20 mil por mês, o investidor declara só o ganho na ficha "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis", no item "Outros", na linha 12 da declaração. Os dividendos recebidos devem ser declarado na linha 5 da ficha de "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis". Já os juros sobre capital próprio devem entrar em "Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva", explica o advogado Souza Coelho.
É muito comum os investidores não fazerem o recolhimento do imposto já que, no ato da venda das ações, a corretora recolhe na fonte 0,005% de imposto sobre o valor, avisando a Receita da operação, lembra Julio Linuesa Perez, contador e conselheiro do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRC-SP). Esse percentual pode ser deduzido na hora de pagar o imposto sobre o ganho de capital. Muito investidor, no entanto, vê esse recolhimento no extrato da corretora e acha que já pagou o imposto, o que não é verdade, ressalta o contador.
Para quem teve prejuízos com ações no ano passado, não é possível restituir o valor na declaração anual, ressalta o advogado Souza Coelho. A perda pode ser utilizada somente para compensar lucros futuros com renda variável. O cálculo da compensação segue os procedimentos adotados normalmente pelo investidor de ações para pagar o imposto de renda do mês. Primeiramente, é necessário calcular o custo total de aquisição de um papel (valor investido mais as taxas de corretagem). Além disso, deve-se levar em conta a taxa cobrada pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), de 0,035%.
Por exemplo: um investidor comprou mil ações no início de fevereiro, a R$ 18. As despesas com corretagem e custódia foram de R$ 360. Isso quer dizer que esse aplicador no total desembolsou R$ 18.360,00. Em junho, os papéis atingem a cotação de R$ 21 e ele, então, resolveu vendê-los, recebendo R$ 21 mil. As despesas com a operação somaram R$ 420, o que quer dizer que, após as taxas, ele recebeu R$ 20.580,00. A corretora recolheu 0,005% sobre o lucro, que ficou no final em R$ 2.218,95. O imposto de 15% a ser recolhido sobre o ganho foi de R$ 332,84. Se esse investidor, em vez de lucro, tivesse prejuízo com a operação, ele teria uma espécie de crédito para suas próximas aplicações.
Toda compra e venda deve ser informada ao preencher o formulário da declaração. Segundo Good God, da Ernst & Young, o sistema da Receita transfere o prejuízo com ações de um ano para o outro. Mas e quem esqueceu de pagar o imposto em algum mês do ano passado? O investidor pode pagar o imposto agora, com juros (baseados na Selic) e multa (de 0,33% ao dia limitado a 20%). Na declaração, o contribuinte deve informar o valor como pago, mas sem considerar os juros e multa, explica o executivo. Se o investidor pagar e não declarar, pode cair na malha fina, mesmo tendo pago o imposto, informa o advogado Souza Coelho. O fisco pode, ainda, compensar o valor devido do saldo da restituição (caso houver) ou cobrar posteriormente do contribuinte, diz o advogado.
Na declaração, as ações devem ser informadas empresa por empresa, papel por papel, separadamente. O valor das ações não deve ser atualizado, alerta Perez, da CRC-SP. É sempre o da aquisição. Eventuais proventos provisionados e não recebidos também devem ser informados no campo "Bens e Direitos".
As operações de compra e venda de ações no mesmo dia, o chamado "day-trade", pagam 20% de imposto sobre os ganhos e mais 1% na fonte, explica Perez. Pode-se compensar perdas entre operações de "day-trade", mas não entre "day-trade" e mercado à vista. O mesmo ocorre com fundos de ações ou clubes de investimento. Quem teve ganho num fundo e prejuízo em outro pode pagar menos imposto se ambos forem administrados pela mesma instituição.
Luciana Monteiro, de São Paulo
20/03/2009
Os investidores que amargaram prejuízos com a bolsa no ano passado, depois de ver o Ibovespa cair 41,22% com a crise mundial, podem encontrar algum alento agora ao acertar as contas com o Leão do Imposto de Renda. A perda decorrente de uma venda de ações pode ser compensada nos ganhos em operações futuras, mesmo nos anos posteriores. Na declaração, o contribuinte não terá direito a uma possível restituição do imposto pago em ações, mas conseguirá ter uma noção mais clara de quanto poderá compensar dos lucros que ele venha a obter.
E o número de investidores que terão de declarar aplicações em ações não será pequeno. Segundo a BM&FBovespa, o ano de 2008 encerrou com 536.483 contas de pessoas físicas. Vale lembrar, entretanto, que os prejuízos só podem se compensados com operações de mesma natureza, ou seja, perdas com ações no mercado à vista com lucros no mercado à vista.
Todo investidor que vende ações num valor superior a R$ 20 mil por mês precisa pagar 15% de imposto de renda sobre os ganhos. Cabe ao próprio aplicador fazer o cálculo de quanto tem a pagar de IR e recolhê-lo. "Por isso, o investidor precisa ser muito organizado, ter o controle da compra e da venda das ações para calcular o imposto e fazer a declaração de cada um dos papéis", diz Frederico Good God, gerente-sênior da área de Impostos da Ernst & Young. A apuração do imposto é mensal e vence no último dia útil do mês seguinte ao da venda das ações.
Só há imposto, entretanto, se o valor vendido no mês for superior a R$ 20 mil. Mas atenção: não é R$ 20 mil por operação. O valor deve levar em conta a soma de todas as vendas realizadas no mês. A partir desse valor, o investidor tem de pagar 15% sobre os ganhos líquidos, já descontadas eventuais perdas naquele mês ou em meses anteriores. E não é só sobre o que ultrapassar R$ 20 mil, é sobre o valor total, ressalta Renato Souza Coelho, do escritório Souza, Cescon Advogados.
O imposto sobre o ganho com a venda de ações é pago pelo investidor em forma de Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais), com o código 6015. Na hora de declarar, o investidor deve informar mês a mês o ganho total das operações acima de R$ 20 mil na seção "Renda Variável". Esses valores informados na declaração não serão tributados novamente.
"Para efetuar o pagamento, basta preencher duas vias do Darf, uma espécie de guia de recolhimento que pode ser encontrada em qualquer papelaria, e realizar o pagamento em qualquer agência bancária", esclarece Hugo Azevedo, no livro "500 Perguntas Básicas de Finanças para Iniciantes no Mercado". O investidor também tem a possibilidade de efetuar um download do arquivo SICALC (disponível no site da Receita Federal) para preenchimento ou impressão da Darf, lembra o autor.
Mas se o valor vendido em ações não ultrapassar R$ 20 mil por mês, o investidor declara só o ganho na ficha "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis", no item "Outros", na linha 12 da declaração. Os dividendos recebidos devem ser declarado na linha 5 da ficha de "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis". Já os juros sobre capital próprio devem entrar em "Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva/Definitiva", explica o advogado Souza Coelho.
É muito comum os investidores não fazerem o recolhimento do imposto já que, no ato da venda das ações, a corretora recolhe na fonte 0,005% de imposto sobre o valor, avisando a Receita da operação, lembra Julio Linuesa Perez, contador e conselheiro do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo (CRC-SP). Esse percentual pode ser deduzido na hora de pagar o imposto sobre o ganho de capital. Muito investidor, no entanto, vê esse recolhimento no extrato da corretora e acha que já pagou o imposto, o que não é verdade, ressalta o contador.
Para quem teve prejuízos com ações no ano passado, não é possível restituir o valor na declaração anual, ressalta o advogado Souza Coelho. A perda pode ser utilizada somente para compensar lucros futuros com renda variável. O cálculo da compensação segue os procedimentos adotados normalmente pelo investidor de ações para pagar o imposto de renda do mês. Primeiramente, é necessário calcular o custo total de aquisição de um papel (valor investido mais as taxas de corretagem). Além disso, deve-se levar em conta a taxa cobrada pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), de 0,035%.
Por exemplo: um investidor comprou mil ações no início de fevereiro, a R$ 18. As despesas com corretagem e custódia foram de R$ 360. Isso quer dizer que esse aplicador no total desembolsou R$ 18.360,00. Em junho, os papéis atingem a cotação de R$ 21 e ele, então, resolveu vendê-los, recebendo R$ 21 mil. As despesas com a operação somaram R$ 420, o que quer dizer que, após as taxas, ele recebeu R$ 20.580,00. A corretora recolheu 0,005% sobre o lucro, que ficou no final em R$ 2.218,95. O imposto de 15% a ser recolhido sobre o ganho foi de R$ 332,84. Se esse investidor, em vez de lucro, tivesse prejuízo com a operação, ele teria uma espécie de crédito para suas próximas aplicações.
Toda compra e venda deve ser informada ao preencher o formulário da declaração. Segundo Good God, da Ernst & Young, o sistema da Receita transfere o prejuízo com ações de um ano para o outro. Mas e quem esqueceu de pagar o imposto em algum mês do ano passado? O investidor pode pagar o imposto agora, com juros (baseados na Selic) e multa (de 0,33% ao dia limitado a 20%). Na declaração, o contribuinte deve informar o valor como pago, mas sem considerar os juros e multa, explica o executivo. Se o investidor pagar e não declarar, pode cair na malha fina, mesmo tendo pago o imposto, informa o advogado Souza Coelho. O fisco pode, ainda, compensar o valor devido do saldo da restituição (caso houver) ou cobrar posteriormente do contribuinte, diz o advogado.
Na declaração, as ações devem ser informadas empresa por empresa, papel por papel, separadamente. O valor das ações não deve ser atualizado, alerta Perez, da CRC-SP. É sempre o da aquisição. Eventuais proventos provisionados e não recebidos também devem ser informados no campo "Bens e Direitos".
As operações de compra e venda de ações no mesmo dia, o chamado "day-trade", pagam 20% de imposto sobre os ganhos e mais 1% na fonte, explica Perez. Pode-se compensar perdas entre operações de "day-trade", mas não entre "day-trade" e mercado à vista. O mesmo ocorre com fundos de ações ou clubes de investimento. Quem teve ganho num fundo e prejuízo em outro pode pagar menos imposto se ambos forem administrados pela mesma instituição.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Acordo levará Tesouro Direto para dentro do home broker
Valor Econômico
Por Catherine Vieira e Angelo Pavini,, do Rio e de São Paulo
19/03/2009
Ricardo Benichio / Valor
Carlos Kawall, diretor financeiro da BM&FBovespa: Tesouro Direto não é oferecido ativamente para o varejo
O Tesouro Direto, que permite aos investidores individuais comprar títulos do governo pela internet, pode ficar mais próximo dos investidores que aplicam em ações por meio do home broker, sistema eletrônico de negociação da BM&FBovespa. A ideia, diz André Proite, gerente de relações institucionais do Tesouro, é oferecer para as corretoras a possibilidade de ter, no próprio home broker, o sistema de negociação do Tesouro Direto.
Uma outra iniciativa, que pode aproximar investidores dos dois sistemas, é incluir nas apresentações educativas do "Bovespa vai até você" as informações sobre a compra de títulos públicos pelo Tesouro Direto.
De acordo com Proite, a possibilidade de ter a negociação de títulos públicos no home broker ainda deverá passar pela decisão das corretoras associadas, até porque haveria uma necessidade de investimento, para poder fazer a integração das plataformas de negócios. "Estamos com uma agenda bem positiva com a BM&FBovespa e muito animados com as possibilidades de parcerias produtivas para os dois lados", disse Proite.
Apesar de ser muito bom para o investidor de varejo, o sistema do Tesouro Direto não é oferecido ativamente para esse aplicador, afirmou Carlos Kawall, diretor financeiro da BM&FBovespa durante a apresentação dos resultados da bolsa ontem. A parceria com o Tesouro é um dos projetos para ampliar a atuação da bolsa junto ao varejo. "O investidor que compra ações via home broker não consegue acessar o Tesouro Direto no mesmo ambiente, tem de sair do site da corretora e entrar no do Tesouro Nacional com outro cadastro e senha", afirma. Kawall, que foi secretário do Tesouro Nacional e um entusiasta do Tesouro Direto, diz que esse processo complicado acaba levando o investidor a diversificar suas aplicações em fundos, cuja aplicação é facilitada pelos bancos.
Segundo Kawall, as corretoras sempre demonstraram interesse em dar acesso mais fácil ao Tesouro Direto via home broker, o que será possível com essa parceria entre a bolsa e o Tesouro.
Na avaliação de Proite, do Tesouro, a possibilidade de ter na mesma tela os dois sistemas de negociação - de ações e títulos públicos - seria interessante para todos. "Em épocas que um mercado fica menos interessante, o investidor pode aplicar em outro tipo de coisa sem ter que passar por outra instituição ou tela", diz ele.
A inclusão das informações sobre o Tesouro Direto nas apresentações da bolsa também é uma aposta para aumentar a popularização do sistema, na visão de Proite. A instituição vem buscando sempre novas maneiras de acessar novos investidores.
Recentemente, a partir de pesquisas com os clientes, optou-se por reduzir o número de vencimentos disponíveis de 24 para 15. A iniciativa, diz o gerente, é para facilitar o entendimento, já que alguns investidores ficavam confusos com a grande quantidade de papéis. Proite também diz que a ideia agora é ter sempre uma LTN (título de juro prefixado) com prazo de três anos disponível. Outra iniciativa é a redução dos custos para atrair mais investidores.
O Tesouro Direto atingiu em janeiro um estoque total de R$ 2,5 bilhões. O mês recorde foi em outubro do ano passado. Os dados do mês de fevereiro estão previstos para sair hoje
Por Catherine Vieira e Angelo Pavini,, do Rio e de São Paulo
19/03/2009
Ricardo Benichio / Valor
Carlos Kawall, diretor financeiro da BM&FBovespa: Tesouro Direto não é oferecido ativamente para o varejo
O Tesouro Direto, que permite aos investidores individuais comprar títulos do governo pela internet, pode ficar mais próximo dos investidores que aplicam em ações por meio do home broker, sistema eletrônico de negociação da BM&FBovespa. A ideia, diz André Proite, gerente de relações institucionais do Tesouro, é oferecer para as corretoras a possibilidade de ter, no próprio home broker, o sistema de negociação do Tesouro Direto.
Uma outra iniciativa, que pode aproximar investidores dos dois sistemas, é incluir nas apresentações educativas do "Bovespa vai até você" as informações sobre a compra de títulos públicos pelo Tesouro Direto.
De acordo com Proite, a possibilidade de ter a negociação de títulos públicos no home broker ainda deverá passar pela decisão das corretoras associadas, até porque haveria uma necessidade de investimento, para poder fazer a integração das plataformas de negócios. "Estamos com uma agenda bem positiva com a BM&FBovespa e muito animados com as possibilidades de parcerias produtivas para os dois lados", disse Proite.
Apesar de ser muito bom para o investidor de varejo, o sistema do Tesouro Direto não é oferecido ativamente para esse aplicador, afirmou Carlos Kawall, diretor financeiro da BM&FBovespa durante a apresentação dos resultados da bolsa ontem. A parceria com o Tesouro é um dos projetos para ampliar a atuação da bolsa junto ao varejo. "O investidor que compra ações via home broker não consegue acessar o Tesouro Direto no mesmo ambiente, tem de sair do site da corretora e entrar no do Tesouro Nacional com outro cadastro e senha", afirma. Kawall, que foi secretário do Tesouro Nacional e um entusiasta do Tesouro Direto, diz que esse processo complicado acaba levando o investidor a diversificar suas aplicações em fundos, cuja aplicação é facilitada pelos bancos.
Segundo Kawall, as corretoras sempre demonstraram interesse em dar acesso mais fácil ao Tesouro Direto via home broker, o que será possível com essa parceria entre a bolsa e o Tesouro.
Na avaliação de Proite, do Tesouro, a possibilidade de ter na mesma tela os dois sistemas de negociação - de ações e títulos públicos - seria interessante para todos. "Em épocas que um mercado fica menos interessante, o investidor pode aplicar em outro tipo de coisa sem ter que passar por outra instituição ou tela", diz ele.
A inclusão das informações sobre o Tesouro Direto nas apresentações da bolsa também é uma aposta para aumentar a popularização do sistema, na visão de Proite. A instituição vem buscando sempre novas maneiras de acessar novos investidores.
Recentemente, a partir de pesquisas com os clientes, optou-se por reduzir o número de vencimentos disponíveis de 24 para 15. A iniciativa, diz o gerente, é para facilitar o entendimento, já que alguns investidores ficavam confusos com a grande quantidade de papéis. Proite também diz que a ideia agora é ter sempre uma LTN (título de juro prefixado) com prazo de três anos disponível. Outra iniciativa é a redução dos custos para atrair mais investidores.
O Tesouro Direto atingiu em janeiro um estoque total de R$ 2,5 bilhões. O mês recorde foi em outubro do ano passado. Os dados do mês de fevereiro estão previstos para sair hoje
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Maré baixa na bolsa
Valor Econômico
Por Daniele Camba, da Praia do Embaré, em Santos
04/02/2009
No dia 25 de janeiro de 2008, o comerciante português aposentado Luiz de Jesus Fernandes estava feliz da vida. Ele tinha R$ 5,2 milhões aplicados em grandes papéis da Bovespa, como Petrobras, Vale e Banco do Brasil. Exatamente um ano depois, no dia 25 da janeiro deste ano, Seu Luiz, como é conhecido na Praia do Embaré, em Santos, onde mora há muitos anos, tinha R$ 2,3 milhões. Em apenas um ano, ele perdeu quase R$ 3 milhões. Seu Luiz é o exemplo de como a crise internacional, que passou pelo mercado como um tsunami em 2008, deixou muitos investidores - boa parte deles de primeira viagem - bastante machucados.
A reportagem do Valor foi à Santos acompanhar a campanha da bolsa para conquistar novos investidores, batizada de "BM&FBovespa vai à praia". E, assim como em 2008, lá estava Seu Luiz, visitando o furgão da Bovespa. Apesar das perdas milionárias - no caso dele, sem nenhum exagero -, ele mantém o sangue frio. "No começo fiquei viciado, acompanhava a bolsa todos os dias", lembrou. "Agora nem olho, sei que no longo prazo terei muito mais do que apliquei", completou, sorridente.
Grande parte das pessoas, porém, não parece ter o mesmo estômago para o risco que tem Seu Luiz. A reação foi bem diferente da que se viu em janeiro de 2008. Não é para menos. Naquele começo de ano, os investidores ainda comemoravam a alta de 43,65% do Índice Bovespa em 2007. Era o quinto ano de alta consecutiva da bolsa, algo que jamais havia ocorrido. Nesta temporada, porém, a lembrança é da queda de 41,22% do indicador em 2008.
Havia uma quantidade muito menor de banhistas disposta a trocar alguns minutos de sol e areia para ouvir as explicações sobre o mercado dadas pelos representantes da Bovespa e de uma corretora convidada para o evento. Alguns paravam no furgão azul, conhecido como "Bovmóvel", estacionado na avenida da praia, atraídos muito mais pela massagem gratuita oferecida pela bolsa. "Não entendo direito sobre bolsa, mas sei que isso é coisa para gente rica, que pode perder dinheiro porque tem muito, estou aqui esperando a minha vez para fazer a massagem e dar uma relaxada", disse a dona-de-casa Laura, que preferiu não dar seu sobrenome.
O aparato montado pela bolsa também sofreu com a concorrência de uma van, parada logo ao lado, distribuindo gratuitamente revistas encalhadas de edições passadas. Em vários momentos durante o domingo ensolarado, havia fila para pegar as revistas, enquanto os representantes da bolsa conversavam entre eles, à espera de consultas.
De forma geral, quem parava no furgão nunca investiu em ações e estava bastante assustado com a crise financeira internacional. Muitos procuravam entender como os problemas no setor imobiliário americano se alastraram pelo mundo, atingindo tanto as economias quanto os mercados de todos os países.
"Essa crise é totalmente importada, fala inglês, mesmo assim nós aqui no Brasil pagamos o pato", analisou o autônomo Wesley Vasni. Ele mostrava preocupação com o fato de os R$ 900 do FGTS que aplicou nas ações da Vale, e que chegaram a ser R$ 12 mil, se resumirem agora a menos de R$ 5 mil. "Se eu soubesse que o Bush (ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush) ia dar tanto trabalho pra gente, tinha tirado o dinheiro antes."
O dentista Angelo Alessi estava indignado com a "irresponsabilidade" do gerente da agência onde tem conta. Por várias vezes no início desta crise, Alessi o questionou se não era melhor tirar parte do dinheiro que está aplicado em ações para colocar num fundo de renda fixa. "Ele insistiu que eu não deveria fazer isso, que aquelas quedas eram passageiras", disse Alessi. "Agora eu perdi um dinheirão e ainda por cima fiz a minha mulher tirar o que ela tinha na poupança para aplicar na bolsa", contou o dentista, bastante bravo.
Não bastasse a crise, alguns se mostram assustados e confusos com outros problemas que apareceram no mercado recentemente. Ao ser abordado por um dos representantes da BM&FBovespa, o engenheiro Fábio, que preferiu não dar seu sobrenome, disse que bolsa é uma especulação perigosa, "prova disso são os enormes prejuízos que o Madoff causou para muitos investidores". Ele estava se referindo ao americano Bernard Madoff, ex-presidente da bolsa americana Nasdaq, que causou perdas avaliadas em cerca de US$ 50 bilhões para milhares de investidores que aplicavam em seu fundo de investimento. "Por isso que é muito mais seguro investir em imóveis, que a gente vê e sabe que estão ali, do que em coisas que não se enxerga e que podem desaparecer da noite para o dia", definiu Fábio.
O engenheiro fez, porém, uma confusão, uma vez que os prejuízos de Madoff são resultado de uma fraude, num esquema de pirâmide financeira, e que nada têm a ver com bolsa. Em suas abordagens, Claudemir Cunha da Lerosa Corretora, tentava acalmar os banhistas, dizendo que a crise está no meio do caminho, que o pior já pode ter passado e agora que as ações estão superdepreciadas é a hora certa de entrar na bolsa. "Para se certificar que você vai comprar as ações a um preço bom, aplica um terço agora, um terço daqui dois meses e o um terço restante daqui quatro meses", aconselhou Cunha a diversas pessoas.
Para convencer que bolsa é o melhor negócio no longo prazo, Cunha também tinha uma história na ponta da língua, segundo ele, verídica. Em 1981, dois irmãos tinham o equivalente a R$ 5 mil cada um. Um deles comprou um carro último tipo que hoje, se ainda existe, não vale mais nada. O outro investiu o dinheiro todo em ações de um grande banco e os R$ 5 mil hoje são R$ 254 mil, contava Cunha aos banhistas.
Pelas estimativas do executivo, apenas 20% das pessoas que paravam no "Bovmóvel" queriam se queixar da crise e da queda da bolsa. Outros 30% estavam em busca de algum tipo de aconselhamento financeiro e os 50% restantes queriam mais informações de como investir em ações.
Esse era o exemplo do casal Marcelo Vieira Severino, supervisor de navegação, e a administradora Ariane Guarnier Liboni. Depois de ver vários amigos investindo na bolsa, eles estavam interessados em fazer o mesmo. "Alguns perdem, outros ganham, mas de forma geral, no longo prazo, eles conseguiram ter mais dinheiro com ações do que se tivessem aplicado em outro investimento", disse Severino, que estava bastante interessado em resgatar o dinheiro que tem na poupança para colocar na Bovespa.
Verdi Rosa Monteiro, diretor de Fomento de Negócios da BM&FBovespa, reconhece que a crise reduziu o interesse das pessoas pela bolsa. Na versão deste ano do "BM&FBovespa vai à praia" há uma média de 300 pessoas por fim de semana, enquanto na campanha dos anos anteriores o número chegava a 2 mil. "É evidente que a crise mudou a percepção das pessoas sobre o mercado", reconhece Monteiro. "No entanto, quem entrou na bolsa sabendo dos riscos, e não porque o amigo estava ganhando dinheiro, sabe que o mercado é assim e uma hora vai se recuperar."
Ele também atribui essa queda de frequentadores a uma mudança no programa "BM&FBovespa vai à praia". Antes, as pessoas eram atraídas por vários sorteios, como viagens. Agora há somente a massagem gratuita. Quem se aproxima é para saber sobre bolsa e fazer um cadastro com o objetivo de receber informações adicionais sobre o mercado. "Como não existe mais promoção, os 300 banhistas são muito mais investidores potenciais do que os 2 mil de antes", disse Monteiro.
Ele lembra que, das 2 mil pessoas por fim de semana dos anos anteriores, entre 15% e 20% faziam cadastro com a corretora, mas apenas 8% dentro desse intervalo (entre 24 e 32 pessoas) de fato se transformavam em investidores de bolsa. Já neste novo formato do programa, a meta, segundo Monteiro, é conseguir que cerca de 25% dos 300 banhistas por fim de semana passem a aplicar em ações, ou seja, 75 pessoas.
Por Daniele Camba, da Praia do Embaré, em Santos
04/02/2009
No dia 25 de janeiro de 2008, o comerciante português aposentado Luiz de Jesus Fernandes estava feliz da vida. Ele tinha R$ 5,2 milhões aplicados em grandes papéis da Bovespa, como Petrobras, Vale e Banco do Brasil. Exatamente um ano depois, no dia 25 da janeiro deste ano, Seu Luiz, como é conhecido na Praia do Embaré, em Santos, onde mora há muitos anos, tinha R$ 2,3 milhões. Em apenas um ano, ele perdeu quase R$ 3 milhões. Seu Luiz é o exemplo de como a crise internacional, que passou pelo mercado como um tsunami em 2008, deixou muitos investidores - boa parte deles de primeira viagem - bastante machucados.
A reportagem do Valor foi à Santos acompanhar a campanha da bolsa para conquistar novos investidores, batizada de "BM&FBovespa vai à praia". E, assim como em 2008, lá estava Seu Luiz, visitando o furgão da Bovespa. Apesar das perdas milionárias - no caso dele, sem nenhum exagero -, ele mantém o sangue frio. "No começo fiquei viciado, acompanhava a bolsa todos os dias", lembrou. "Agora nem olho, sei que no longo prazo terei muito mais do que apliquei", completou, sorridente.
Grande parte das pessoas, porém, não parece ter o mesmo estômago para o risco que tem Seu Luiz. A reação foi bem diferente da que se viu em janeiro de 2008. Não é para menos. Naquele começo de ano, os investidores ainda comemoravam a alta de 43,65% do Índice Bovespa em 2007. Era o quinto ano de alta consecutiva da bolsa, algo que jamais havia ocorrido. Nesta temporada, porém, a lembrança é da queda de 41,22% do indicador em 2008.
Havia uma quantidade muito menor de banhistas disposta a trocar alguns minutos de sol e areia para ouvir as explicações sobre o mercado dadas pelos representantes da Bovespa e de uma corretora convidada para o evento. Alguns paravam no furgão azul, conhecido como "Bovmóvel", estacionado na avenida da praia, atraídos muito mais pela massagem gratuita oferecida pela bolsa. "Não entendo direito sobre bolsa, mas sei que isso é coisa para gente rica, que pode perder dinheiro porque tem muito, estou aqui esperando a minha vez para fazer a massagem e dar uma relaxada", disse a dona-de-casa Laura, que preferiu não dar seu sobrenome.
O aparato montado pela bolsa também sofreu com a concorrência de uma van, parada logo ao lado, distribuindo gratuitamente revistas encalhadas de edições passadas. Em vários momentos durante o domingo ensolarado, havia fila para pegar as revistas, enquanto os representantes da bolsa conversavam entre eles, à espera de consultas.
De forma geral, quem parava no furgão nunca investiu em ações e estava bastante assustado com a crise financeira internacional. Muitos procuravam entender como os problemas no setor imobiliário americano se alastraram pelo mundo, atingindo tanto as economias quanto os mercados de todos os países.
"Essa crise é totalmente importada, fala inglês, mesmo assim nós aqui no Brasil pagamos o pato", analisou o autônomo Wesley Vasni. Ele mostrava preocupação com o fato de os R$ 900 do FGTS que aplicou nas ações da Vale, e que chegaram a ser R$ 12 mil, se resumirem agora a menos de R$ 5 mil. "Se eu soubesse que o Bush (ex-presidente dos Estados Unidos, George W. Bush) ia dar tanto trabalho pra gente, tinha tirado o dinheiro antes."
O dentista Angelo Alessi estava indignado com a "irresponsabilidade" do gerente da agência onde tem conta. Por várias vezes no início desta crise, Alessi o questionou se não era melhor tirar parte do dinheiro que está aplicado em ações para colocar num fundo de renda fixa. "Ele insistiu que eu não deveria fazer isso, que aquelas quedas eram passageiras", disse Alessi. "Agora eu perdi um dinheirão e ainda por cima fiz a minha mulher tirar o que ela tinha na poupança para aplicar na bolsa", contou o dentista, bastante bravo.
Não bastasse a crise, alguns se mostram assustados e confusos com outros problemas que apareceram no mercado recentemente. Ao ser abordado por um dos representantes da BM&FBovespa, o engenheiro Fábio, que preferiu não dar seu sobrenome, disse que bolsa é uma especulação perigosa, "prova disso são os enormes prejuízos que o Madoff causou para muitos investidores". Ele estava se referindo ao americano Bernard Madoff, ex-presidente da bolsa americana Nasdaq, que causou perdas avaliadas em cerca de US$ 50 bilhões para milhares de investidores que aplicavam em seu fundo de investimento. "Por isso que é muito mais seguro investir em imóveis, que a gente vê e sabe que estão ali, do que em coisas que não se enxerga e que podem desaparecer da noite para o dia", definiu Fábio.
O engenheiro fez, porém, uma confusão, uma vez que os prejuízos de Madoff são resultado de uma fraude, num esquema de pirâmide financeira, e que nada têm a ver com bolsa. Em suas abordagens, Claudemir Cunha da Lerosa Corretora, tentava acalmar os banhistas, dizendo que a crise está no meio do caminho, que o pior já pode ter passado e agora que as ações estão superdepreciadas é a hora certa de entrar na bolsa. "Para se certificar que você vai comprar as ações a um preço bom, aplica um terço agora, um terço daqui dois meses e o um terço restante daqui quatro meses", aconselhou Cunha a diversas pessoas.
Para convencer que bolsa é o melhor negócio no longo prazo, Cunha também tinha uma história na ponta da língua, segundo ele, verídica. Em 1981, dois irmãos tinham o equivalente a R$ 5 mil cada um. Um deles comprou um carro último tipo que hoje, se ainda existe, não vale mais nada. O outro investiu o dinheiro todo em ações de um grande banco e os R$ 5 mil hoje são R$ 254 mil, contava Cunha aos banhistas.
Pelas estimativas do executivo, apenas 20% das pessoas que paravam no "Bovmóvel" queriam se queixar da crise e da queda da bolsa. Outros 30% estavam em busca de algum tipo de aconselhamento financeiro e os 50% restantes queriam mais informações de como investir em ações.
Esse era o exemplo do casal Marcelo Vieira Severino, supervisor de navegação, e a administradora Ariane Guarnier Liboni. Depois de ver vários amigos investindo na bolsa, eles estavam interessados em fazer o mesmo. "Alguns perdem, outros ganham, mas de forma geral, no longo prazo, eles conseguiram ter mais dinheiro com ações do que se tivessem aplicado em outro investimento", disse Severino, que estava bastante interessado em resgatar o dinheiro que tem na poupança para colocar na Bovespa.
Verdi Rosa Monteiro, diretor de Fomento de Negócios da BM&FBovespa, reconhece que a crise reduziu o interesse das pessoas pela bolsa. Na versão deste ano do "BM&FBovespa vai à praia" há uma média de 300 pessoas por fim de semana, enquanto na campanha dos anos anteriores o número chegava a 2 mil. "É evidente que a crise mudou a percepção das pessoas sobre o mercado", reconhece Monteiro. "No entanto, quem entrou na bolsa sabendo dos riscos, e não porque o amigo estava ganhando dinheiro, sabe que o mercado é assim e uma hora vai se recuperar."
Ele também atribui essa queda de frequentadores a uma mudança no programa "BM&FBovespa vai à praia". Antes, as pessoas eram atraídas por vários sorteios, como viagens. Agora há somente a massagem gratuita. Quem se aproxima é para saber sobre bolsa e fazer um cadastro com o objetivo de receber informações adicionais sobre o mercado. "Como não existe mais promoção, os 300 banhistas são muito mais investidores potenciais do que os 2 mil de antes", disse Monteiro.
Ele lembra que, das 2 mil pessoas por fim de semana dos anos anteriores, entre 15% e 20% faziam cadastro com a corretora, mas apenas 8% dentro desse intervalo (entre 24 e 32 pessoas) de fato se transformavam em investidores de bolsa. Já neste novo formato do programa, a meta, segundo Monteiro, é conseguir que cerca de 25% dos 300 banhistas por fim de semana passem a aplicar em ações, ou seja, 75 pessoas.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Debênture do BNDES rende mais que nota do Tesouro
Valor Econômico
Por Angelo Pavini, de São Paulo
30/01/2009
O investidor em renda fixa tem inúmeras oportunidades neste momento de aperto de liquidez, que valoriza quem tem recursos livres. Uma destas chances está nas debêntures da BNDES Participações (BNDESPar), braço de investimentos do banco oficial. Os papéis, lançados em dezembro de 2006, vêm sendo negociados no mercado secundário da BM&FBovespa com ganho adicional sobre os papéis do Tesouro, cujo risco é praticamente igual.
Em média, as taxas das debêntures costumam ficar acima entre 1 ponto percentual ou até 1,5 ponto percentual no caso do papel do Tesouro corrigido pelo IPCA, as Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), afirma Roberto Paris, superintendente executivo de Tesouraria do Bradesco. O banco é o formador de mercado do papel, responsável por garantir diariamente ofertas de compra e venda, mesmo que não haja negócios.
O ganho adicional é justamente o resultado da menor procura pelas debêntures e de sua liquidez mais restrita, explica Paris. Há dias em que não há negócio algum com as debêntures, o que cria dificuldades para quem pensa em comprar os títulos, de longo prazo, (a série indexada ao IPCA vence em 2012) e sair antes de seu vencimento. "Mas é um papel interessante para quem pode ficar com ele até o fim, pois terá uma remuneração maior que a do Tesouro hoje", diz Paris.
O BNDES lançou três séries de debêntures. A primeira delas, BDNP D21, paga a variação do IPCA mais juros e vence em janeiro de 2012. A segunda série, D31, tem juros prefixados e vence em janeiro de 2011. E a terceira, a D32, também corrigida pelo IPCA, vence em agosto de 2013. As séries mais procuradas são as ligadas ao IPCA.
A diferença de rentabilidade chegou a ser maior em alguns períodos de mercado mais conturbado, lembra Paris. "Em meados de outubro, novembro, as taxas de todos os papéis de renda fixa, inclusive os do governo, subiram, e o diferencial das debêntures bateu até 4 pontos pontos percentuais ao ano", diz. O mercado já se acalmou, as taxas caíram de maneira geral, acompanhando também a redução do juro básico pelo Copom, mas ainda há espaço para ganhos.
Na quarta-feira, os papéis do governo de prazo semelhante estavam na faixa de 7,12% ao ano mais IPCA, enquanto as debêntures da BNDESPar pagavam 9% ao ano para o vencimento de 2012. O executivo lembra que o diferencial não se refere a um risco maior do papel do BNDES. "O credor final é o mesmo, o governo federal", observa. A questão é mesmo a menor liquidez e a falta de popularidade do investimento.
Paris observa que a taxa depende também da quantidade que o investidor quer comprar. "Se o lote é muito grande, pode ser que a taxa se aproxime mais da dos papéis federais", observa. Isso porque, ao buscar lotes maiores, o comprador terá dificuldades em encontrá-los, pressionando o preço dos papéis para cima e as taxas para baixo.
Segundo Paris, o valor mínimo para se comprar debêntures é a partir de R$ 100 mil. "Pode-se comprar quantidades menores, até uma debênture apenas, a partir de R$ 1 mil, mas os custos podem não compensar e fica mais difícil encontrar vendedores", explica ele. Mas há alguma procura por parte de pessoas físicas de alta renda, clientes de private banks. A compra é um pouco mais complicada que a dos títulos públicos via Tesouro Direto, uma vez que o papel é negociado em bolsa, o que exige que a corretora feche o negócio. "No Tesouro Direto, o investidor vai lá e ele mesmo escolhe e compra o papel, já na debênture, normalmente é o banco - ou o private bank - quem faz tudo", explica. Os principais compradores, porém, são fundos de pensão ou de previdência, que têm retorno vinculado à inflação e não têm problemas de abrir mão da liquidez.
A média de negócios com as debêntures gira em torno de R$ 20 milhões, explica Paris. "Mas nem todo dia sai negócio", reconhece. Para ele, o mercado de debêntures poderia ser mais popular, mas isso dependeria de uma padronização maior dos títulos. "Quanto mais parecidos com os papéis do Tesouro, como fez a BNDESPar, mais fácil negociar", diz. Ele espera que, com a necessidade de mais empresas captarem neste ano pode aumentar a oferta de debêntures. "E isso pode desenvolver o mercado de títulos privados, que pagam prêmio sobre os papéis públicos".
Por Angelo Pavini, de São Paulo
30/01/2009
O investidor em renda fixa tem inúmeras oportunidades neste momento de aperto de liquidez, que valoriza quem tem recursos livres. Uma destas chances está nas debêntures da BNDES Participações (BNDESPar), braço de investimentos do banco oficial. Os papéis, lançados em dezembro de 2006, vêm sendo negociados no mercado secundário da BM&FBovespa com ganho adicional sobre os papéis do Tesouro, cujo risco é praticamente igual.
Em média, as taxas das debêntures costumam ficar acima entre 1 ponto percentual ou até 1,5 ponto percentual no caso do papel do Tesouro corrigido pelo IPCA, as Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), afirma Roberto Paris, superintendente executivo de Tesouraria do Bradesco. O banco é o formador de mercado do papel, responsável por garantir diariamente ofertas de compra e venda, mesmo que não haja negócios.
O ganho adicional é justamente o resultado da menor procura pelas debêntures e de sua liquidez mais restrita, explica Paris. Há dias em que não há negócio algum com as debêntures, o que cria dificuldades para quem pensa em comprar os títulos, de longo prazo, (a série indexada ao IPCA vence em 2012) e sair antes de seu vencimento. "Mas é um papel interessante para quem pode ficar com ele até o fim, pois terá uma remuneração maior que a do Tesouro hoje", diz Paris.
O BNDES lançou três séries de debêntures. A primeira delas, BDNP D21, paga a variação do IPCA mais juros e vence em janeiro de 2012. A segunda série, D31, tem juros prefixados e vence em janeiro de 2011. E a terceira, a D32, também corrigida pelo IPCA, vence em agosto de 2013. As séries mais procuradas são as ligadas ao IPCA.
A diferença de rentabilidade chegou a ser maior em alguns períodos de mercado mais conturbado, lembra Paris. "Em meados de outubro, novembro, as taxas de todos os papéis de renda fixa, inclusive os do governo, subiram, e o diferencial das debêntures bateu até 4 pontos pontos percentuais ao ano", diz. O mercado já se acalmou, as taxas caíram de maneira geral, acompanhando também a redução do juro básico pelo Copom, mas ainda há espaço para ganhos.
Na quarta-feira, os papéis do governo de prazo semelhante estavam na faixa de 7,12% ao ano mais IPCA, enquanto as debêntures da BNDESPar pagavam 9% ao ano para o vencimento de 2012. O executivo lembra que o diferencial não se refere a um risco maior do papel do BNDES. "O credor final é o mesmo, o governo federal", observa. A questão é mesmo a menor liquidez e a falta de popularidade do investimento.
Paris observa que a taxa depende também da quantidade que o investidor quer comprar. "Se o lote é muito grande, pode ser que a taxa se aproxime mais da dos papéis federais", observa. Isso porque, ao buscar lotes maiores, o comprador terá dificuldades em encontrá-los, pressionando o preço dos papéis para cima e as taxas para baixo.
Segundo Paris, o valor mínimo para se comprar debêntures é a partir de R$ 100 mil. "Pode-se comprar quantidades menores, até uma debênture apenas, a partir de R$ 1 mil, mas os custos podem não compensar e fica mais difícil encontrar vendedores", explica ele. Mas há alguma procura por parte de pessoas físicas de alta renda, clientes de private banks. A compra é um pouco mais complicada que a dos títulos públicos via Tesouro Direto, uma vez que o papel é negociado em bolsa, o que exige que a corretora feche o negócio. "No Tesouro Direto, o investidor vai lá e ele mesmo escolhe e compra o papel, já na debênture, normalmente é o banco - ou o private bank - quem faz tudo", explica. Os principais compradores, porém, são fundos de pensão ou de previdência, que têm retorno vinculado à inflação e não têm problemas de abrir mão da liquidez.
A média de negócios com as debêntures gira em torno de R$ 20 milhões, explica Paris. "Mas nem todo dia sai negócio", reconhece. Para ele, o mercado de debêntures poderia ser mais popular, mas isso dependeria de uma padronização maior dos títulos. "Quanto mais parecidos com os papéis do Tesouro, como fez a BNDESPar, mais fácil negociar", diz. Ele espera que, com a necessidade de mais empresas captarem neste ano pode aumentar a oferta de debêntures. "E isso pode desenvolver o mercado de títulos privados, que pagam prêmio sobre os papéis públicos".
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Opções para passar pela crise
Valor Econômico
Por Alessandra Bellotto, de São Paulo
21/01/2009
Com o fim da festa na bolsa, muitos investidores de ações foram encorajados a buscar estratégias diferenciadas para atenuar, pelo menos em parte, os estragos provocados pela crise financeira internacional em seus portfólios de renda variável. Nesse processo de sofisticação do investimento, o mercado de opções foi a alternativa encontrada por alguns aplicadores para garantir um rendimento todo mês - independentemente da variação do papel - e, em momentos de baixa, proteger a carteira.
O mercado de opções é caracterizado pela negociação de direitos de compra e venda de lotes de ações, com preços e prazos predeterminados. Entre as diversas estratégias, uma em particular vem se destacando entre os investidores que começam a se aventurar pelo mundo das opções de ações. Trata-se da operação de "lançamento coberto (para quem tem as ações em carteira) de opções", também conhecida como financiamento. O professor do Calil & Calil - Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Mauro Calil diz que o financiamento coberto com opções é a operação mais simples do mercado de derivativos e tem vantagens. "Além de aumentar o potencial de retorno do investimento, funciona como uma proteção para a carteira de ações", diz. "Não é um hedge perfeito, mas reduz o prejuízo quando o mercado é de baixa."
O dentista L.P.T., de 41 anos é um dos que usam a estratégia. Ele se tornou um investidor de bolsa em 2003, ao herdar ações do Itaú. Em meados do ano passado, quando 100% de seu patrimônio estava aplicado em ações da Vale, ele começou a zerar suas posições ao acreditar que o pior ainda estava por vir. Chegou a ter prejuízo, porque vendeu as ações da mineradora entre R$ 35 e R$ 27, enquanto seu custo de aquisição variava de R$ 19 a R$ 39. Mas ele evitou perda maior, porque as ações caíram para R$ 19 no fim de outubro. Foi nesse momento que o dentista começou a recomprar Vale a um preço muito menor e a lançar opções cobertas. "O mercado de opções ajuda a proteger a carteira, mas só lanço opção coberta", afirma. Para ele, a grande vantagem da operação é que ela reduz o preço médio de aquisição das ações.
Na operação de financiamento coberto, o investidor vende opções de compra (call) na mesma quantidade de ações que tem em carteira, comprometendo-se a entregar o ativo a um determinado preço até o vencimento da opção. Em troca, é cobrado um valor, chamado de prêmio. O comprador das opções paga o prêmio para ter o direito, não a obrigação, de ficar com as ações no futuro pelo preço combinado. O exercício da opção pelo comprador, porém, só vale a pena se o preço da ação no mercado à vista estiver acima daquele combinado na operação.
"Busco ganhar de 3% a 5% (sobre o valor da ação no mercado à vista) por lançamento", conta L.P.T. Em uma operação recente, cujo prazo de exercício venceu na segunda-feira, o investidor teve ganho bruto (sem descontar taxa de corretagem, emolumentos e imposto de renda) de 4,2%, considerando o valor dos prêmios recebidos e a variação de suas ações. O investidor fez quatro lançamentos de opções cobertas com diferentes "strikes" (preços de exercício).
No primeiro, no dia 19 de dezembro, lançou mil opções de ações da Vale PNA ao preço de exercício de R$ 26,00, recebendo um prêmio de R$ 1,55 por opção. De imediato, ganhou R$ 1.550. No dia 30 de dezembro, lançou mais mil opções com "strike" de R$ 24,00 e um prêmio de R$ 1,30, ganhando R$ 1.300. No dia 5 de janeiro, vendeu outras 900 opções ao preço de exercício de R$ 26,00 e prêmio de R$ 1,10 por opção (ou R$ 990 no total) e, no dia 6, lançou mais mil opções com strike de R$ 30 e prêmio de R$ 1,30, ganhando mais R$ 1.300. Só de prêmio, o investidor garantiu R$ 5.140 com o lançamento de 3.900 opções.
No último dia 19, com a cotação da Vale acima de R$ 26, o investidor teve três de seus lançamentos exercidos. Na operação em que entregou as ações por R$ 24,00, ele tinha pago R$ 24,14, valor que com o prêmio de R$ 1,30 foi reduzido a R$ 22,84, ou seja, o prejuízo de vender as ações a um preço abaixo do valor pago foi mais do que compensado pelo prêmio. Nos dois lançamentos de opções de Vale a R$ 26, ele foi exercido, mas não perdeu já que tinha pago um preço médio pelas ações de R$ 24,88. Já na operação de Vale a R$ 30, não houve exercício e o investidor ficou com o prêmio e as ações, pelas quais pagou o preço de R$ 29,29.
Para a aquisição das 3.900 ações de Vale, o investidor havia desembolsado um total de R$ 100.702. Após o vencimento das opções, no dia 19, seu investimento tinha virado R$ 104.930, sendo R$ 73.400 em dinheiro (R$ 5.140 de prêmio e o restante obtido com a entrega das ações) e R$ 26.390 em ações da Vale, segundo a cotação de fechamento daquele dia. Se o investidor não tivesse lançado as opções, as 3.900 ações da Vale em carteira, pelas quais havia desembolsado R$ 100.702, valeriam cerca de R$ 103 mil no dia 19, abaixo do valor que conseguiu com a operação.
Essa foi a alternativa que L.P.T. encontrou não só para proteger parte de seus investimentos em ações da Vale nesse período de turbulência, mas para conseguir ampliar o número de ações da empresa. "Não coloco dinheiro novo na bolsa, mas uso o prêmio para comprar mais papéis", diz. "E quanto mais ações eu tiver, mais lançamentos de opções posso fazer." Para ele, o momento atual é uma grande oportunidade, já que para comprar mil ações da Vale hoje é preciso ter metade do dinheiro necessário em maio de 2008, quando a bolsa fechou na maior pontuação de sua história.
O raciocínio do dentista-investidor é o de usar o financiamento coberto com opções para "forjar juros compostos", afirma o consultor Mauro Calil. Se o investidor que consegue um prêmio de 5% toda vez que lança uma opção coberta reinvestir o dinheiro na compra de mais ações para o lançamentos de novas opções, terá obtido uma rentabilidade excepcional após sucessivas operações, afirma. "Cinco por cento reaplicados todo mês em opções terão virado 79% ao fim de um ano", exemplifica Calil, mais do que qualquer retorno de renda fixa convencional - vale lembrar que o valor do prêmio varia, assim como o preço das ações. Calil destaca que as opções mais líquidas são as de Vale e Petrobras.
Mesmo com a estratégia de opções para proteger a carteira, L.P.T. ficou mais cauteloso após a crise. Do seu patrimônio total hoje, a bolsa, que chegou a representar 100%, equivale a uma fatia menor que 50%. A mesma atitude de cautela foi tomada pelo engenheiro Emerson Morga, de 50 anos, na bolsa desde 2002. "Comecei 2008 com mais de 60% do meu patrimônio financeiro em ações, saquei tudo no dia 27 de outubro (na menor pontuação da bolsa do ano) e comecei a me reposicionar ao poucos no início de novembro", conta. Hoje, sua exposição em ações é de 25%. Ele conta que está mantendo dinheiro em caixa para aproveitar quedas bruscas para comprar, mas pretende se limitar a 30% de exposição.
Emerson também usa o mercado de opções cobertas para proteger a carteira. No ano passado, com o lançamento de opções e outras estratégias mais sofisticadas, como a arbitragem de preços entre papéis, conseguiu ter uma perda menor (-20%) na bolsa do que o Ibovespa, que recuou mais de 40%.
Há quem tenha chegado em boa hora ao mercado de ações. É o caso do empresário de 40 anos Eduardo Barreto Wang. Ele conta que começou a investir mais pesadamente em ações no fim do ano passado, quando a bolsa estava em torno de 31 mil pontos. "Minha estratégia tem sido de realizar o lucro toda vez que a ação sobe e usar o dinheiro para ampliar o número de ações das companhias que tenho em carteira", conta. Esse é um dinheiro de longo prazo que ele pretende usar somente no futuro.
Por Alessandra Bellotto, de São Paulo
21/01/2009
Com o fim da festa na bolsa, muitos investidores de ações foram encorajados a buscar estratégias diferenciadas para atenuar, pelo menos em parte, os estragos provocados pela crise financeira internacional em seus portfólios de renda variável. Nesse processo de sofisticação do investimento, o mercado de opções foi a alternativa encontrada por alguns aplicadores para garantir um rendimento todo mês - independentemente da variação do papel - e, em momentos de baixa, proteger a carteira.
O mercado de opções é caracterizado pela negociação de direitos de compra e venda de lotes de ações, com preços e prazos predeterminados. Entre as diversas estratégias, uma em particular vem se destacando entre os investidores que começam a se aventurar pelo mundo das opções de ações. Trata-se da operação de "lançamento coberto (para quem tem as ações em carteira) de opções", também conhecida como financiamento. O professor do Calil & Calil - Centro de Estudos e Formação de Patrimônio Mauro Calil diz que o financiamento coberto com opções é a operação mais simples do mercado de derivativos e tem vantagens. "Além de aumentar o potencial de retorno do investimento, funciona como uma proteção para a carteira de ações", diz. "Não é um hedge perfeito, mas reduz o prejuízo quando o mercado é de baixa."
O dentista L.P.T., de 41 anos é um dos que usam a estratégia. Ele se tornou um investidor de bolsa em 2003, ao herdar ações do Itaú. Em meados do ano passado, quando 100% de seu patrimônio estava aplicado em ações da Vale, ele começou a zerar suas posições ao acreditar que o pior ainda estava por vir. Chegou a ter prejuízo, porque vendeu as ações da mineradora entre R$ 35 e R$ 27, enquanto seu custo de aquisição variava de R$ 19 a R$ 39. Mas ele evitou perda maior, porque as ações caíram para R$ 19 no fim de outubro. Foi nesse momento que o dentista começou a recomprar Vale a um preço muito menor e a lançar opções cobertas. "O mercado de opções ajuda a proteger a carteira, mas só lanço opção coberta", afirma. Para ele, a grande vantagem da operação é que ela reduz o preço médio de aquisição das ações.
Na operação de financiamento coberto, o investidor vende opções de compra (call) na mesma quantidade de ações que tem em carteira, comprometendo-se a entregar o ativo a um determinado preço até o vencimento da opção. Em troca, é cobrado um valor, chamado de prêmio. O comprador das opções paga o prêmio para ter o direito, não a obrigação, de ficar com as ações no futuro pelo preço combinado. O exercício da opção pelo comprador, porém, só vale a pena se o preço da ação no mercado à vista estiver acima daquele combinado na operação.
"Busco ganhar de 3% a 5% (sobre o valor da ação no mercado à vista) por lançamento", conta L.P.T. Em uma operação recente, cujo prazo de exercício venceu na segunda-feira, o investidor teve ganho bruto (sem descontar taxa de corretagem, emolumentos e imposto de renda) de 4,2%, considerando o valor dos prêmios recebidos e a variação de suas ações. O investidor fez quatro lançamentos de opções cobertas com diferentes "strikes" (preços de exercício).
No primeiro, no dia 19 de dezembro, lançou mil opções de ações da Vale PNA ao preço de exercício de R$ 26,00, recebendo um prêmio de R$ 1,55 por opção. De imediato, ganhou R$ 1.550. No dia 30 de dezembro, lançou mais mil opções com "strike" de R$ 24,00 e um prêmio de R$ 1,30, ganhando R$ 1.300. No dia 5 de janeiro, vendeu outras 900 opções ao preço de exercício de R$ 26,00 e prêmio de R$ 1,10 por opção (ou R$ 990 no total) e, no dia 6, lançou mais mil opções com strike de R$ 30 e prêmio de R$ 1,30, ganhando mais R$ 1.300. Só de prêmio, o investidor garantiu R$ 5.140 com o lançamento de 3.900 opções.
No último dia 19, com a cotação da Vale acima de R$ 26, o investidor teve três de seus lançamentos exercidos. Na operação em que entregou as ações por R$ 24,00, ele tinha pago R$ 24,14, valor que com o prêmio de R$ 1,30 foi reduzido a R$ 22,84, ou seja, o prejuízo de vender as ações a um preço abaixo do valor pago foi mais do que compensado pelo prêmio. Nos dois lançamentos de opções de Vale a R$ 26, ele foi exercido, mas não perdeu já que tinha pago um preço médio pelas ações de R$ 24,88. Já na operação de Vale a R$ 30, não houve exercício e o investidor ficou com o prêmio e as ações, pelas quais pagou o preço de R$ 29,29.
Para a aquisição das 3.900 ações de Vale, o investidor havia desembolsado um total de R$ 100.702. Após o vencimento das opções, no dia 19, seu investimento tinha virado R$ 104.930, sendo R$ 73.400 em dinheiro (R$ 5.140 de prêmio e o restante obtido com a entrega das ações) e R$ 26.390 em ações da Vale, segundo a cotação de fechamento daquele dia. Se o investidor não tivesse lançado as opções, as 3.900 ações da Vale em carteira, pelas quais havia desembolsado R$ 100.702, valeriam cerca de R$ 103 mil no dia 19, abaixo do valor que conseguiu com a operação.
Essa foi a alternativa que L.P.T. encontrou não só para proteger parte de seus investimentos em ações da Vale nesse período de turbulência, mas para conseguir ampliar o número de ações da empresa. "Não coloco dinheiro novo na bolsa, mas uso o prêmio para comprar mais papéis", diz. "E quanto mais ações eu tiver, mais lançamentos de opções posso fazer." Para ele, o momento atual é uma grande oportunidade, já que para comprar mil ações da Vale hoje é preciso ter metade do dinheiro necessário em maio de 2008, quando a bolsa fechou na maior pontuação de sua história.
O raciocínio do dentista-investidor é o de usar o financiamento coberto com opções para "forjar juros compostos", afirma o consultor Mauro Calil. Se o investidor que consegue um prêmio de 5% toda vez que lança uma opção coberta reinvestir o dinheiro na compra de mais ações para o lançamentos de novas opções, terá obtido uma rentabilidade excepcional após sucessivas operações, afirma. "Cinco por cento reaplicados todo mês em opções terão virado 79% ao fim de um ano", exemplifica Calil, mais do que qualquer retorno de renda fixa convencional - vale lembrar que o valor do prêmio varia, assim como o preço das ações. Calil destaca que as opções mais líquidas são as de Vale e Petrobras.
Mesmo com a estratégia de opções para proteger a carteira, L.P.T. ficou mais cauteloso após a crise. Do seu patrimônio total hoje, a bolsa, que chegou a representar 100%, equivale a uma fatia menor que 50%. A mesma atitude de cautela foi tomada pelo engenheiro Emerson Morga, de 50 anos, na bolsa desde 2002. "Comecei 2008 com mais de 60% do meu patrimônio financeiro em ações, saquei tudo no dia 27 de outubro (na menor pontuação da bolsa do ano) e comecei a me reposicionar ao poucos no início de novembro", conta. Hoje, sua exposição em ações é de 25%. Ele conta que está mantendo dinheiro em caixa para aproveitar quedas bruscas para comprar, mas pretende se limitar a 30% de exposição.
Emerson também usa o mercado de opções cobertas para proteger a carteira. No ano passado, com o lançamento de opções e outras estratégias mais sofisticadas, como a arbitragem de preços entre papéis, conseguiu ter uma perda menor (-20%) na bolsa do que o Ibovespa, que recuou mais de 40%.
Há quem tenha chegado em boa hora ao mercado de ações. É o caso do empresário de 40 anos Eduardo Barreto Wang. Ele conta que começou a investir mais pesadamente em ações no fim do ano passado, quando a bolsa estava em torno de 31 mil pontos. "Minha estratégia tem sido de realizar o lucro toda vez que a ação sobe e usar o dinheiro para ampliar o número de ações das companhias que tenho em carteira", conta. Esse é um dinheiro de longo prazo que ele pretende usar somente no futuro.
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