quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Quase 4 milhões de aposentados ainda trabalham

O artigo a seguir foi selecionado para alertar sobre a importância de poupar para a aposentadoria e de educar os filhos financeiramente para que sejam independentes. Claro que há situações que isto é muito difícil, mas caso você possa fazer um esforço, a recompensa será uma aposentadoria livre de preocupações.

O Globo

09/12/2009

Idosos correspondem a 23,3% dos chefes de família acima de 18 anos, segundo o IBGE, e sustentam filhos e netos

Fabiana Ribeiro

 RIO e RECIFE. A aposentadoria não é necessariamente um passaporte para ficar em casa. Tanto que quase 20% dos idosos brasileiros — 3,8 milhões de pessoas acima de 60 anos — trabalham mesmo recebendo o benefício. Continuar na ativa, entretanto, nem sempre é uma opção, já que os idosos são 23,3% dos chefes de família com mais de 18 anos, segundo o IBGE. Na maioria dos casos, é, portanto, uma questão de necessidade.

— O Brasil se caracteriza por ter rendimentos muito baixos.

É inevitável que as pessoas continuem a trabalhar. É, muitas vezes, uma questão de sobrevivência — afirmou Hildete Pereira, professora da UFF.

Segundo José Carlos Libânio, ex-coordenador do Programa de Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil, a renda dos idosos é crucial para o sustento material dos familiares — e não o contrário.

— Entre os idosos saudáveis e ativos, a dependência dos filhos não prevalece: fazem questão de exercer sua independência na vida financeira, ao tomar decisões, no cuidado com o lar, nas compras e na liberdade de ir e vir. Isso é possível porque a renda do trabalho declina com a idade. Já a aposentadoria é constante dentro de cada grupo de renda — comentou Libânio, acrescentando que sustentar parentes é mais comum na Região Nordeste e na classe C.

Três gerações na mesma casa, peso para o idoso

De acordo com os dados do IBGE, a renda dos aposentados brasileiros é, em média, de 1.158,23. No Estado do Rio, estado com maior proporção de idosos, chega a R$ 1.536,13.

Uma renda que pode ser acumulada com outros ganhos, ao contrário do que acontece em países da Europa.

— Cerca de 88% das pessoas acima de 65 anos recebem contribuição previdenciária, um apoio de nível europeu. Uma pessoa se aposentar antes dos 60, como acontece no Brasil, é muito cedo — disse Vinícius Pinheiro, da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Na avaliação de Ana Amélia Camarano, pesquisadora do Ipea, a presença da renda do idoso na família adia a saída dos jovens da casa dos pais.

Ou, muitas vezes, provocam um retorno — o filho que volta a morar com os pais, após uma separação, por exemplo.

— Vários fatores fazem com que, muitas vezes, três gerações morem na mesma casa, como relações afetivas instáveis, gravidez precoce e dificuldades no mercado de trabalho.

Tendência muito observada no interior — principalmente nas áreas rurais do semiárido nordestino —, é grande o número de idosos que dividem suas aposentadorias com filhos, genros, netos. Um levantamento entre grupos de convivência de Recife indicou que 80,8% dos consultados sustentam ou ajudam suas famílias, inclusive dependentes em idade produtiva.

Segundo Karina Antunes, diretora de Proteção Social Básica da Secretaria de Ação Social da Prefeitura do Recife, a pesquisa mostrou que 52,9% são provedores, enquanto 27,9% contribuem para a renda familiar. Na capital pernambucana, a maioria dos aposentados recebe apenas um salário mínimo. E é nessa faixa que se concentram aqueles que se veem obrigados a dividir os proventos com até 15 pessoas.

— Essa situação preocupa muito, porque os provedores sustentam grandes famílias, são explorados e sofrem toda sorte de violência, inclusive psicológica.

Transformam-se em alvos seja do empréstimo com desconto em folha ou dos familiares.

Por isso, têm que ser instruídos para que não sejam enganados, inclusive pelos bancos.

João Francisco Sales, de 82 anos, é um exemplo de aposentado que mantém a família.

Residindo há quase 40 anos na favela Caranguejo Tabaiares, ele sustentava dez pessoas até a semana passada, entre a mulher (Lindalva Oliveira Salles, de 66 anos), filhos, nora e netos. Em novembro, o filho Isaías, de 30 anos, arranjou emprego de pedreiro e passou a sustentar mulher e o filho. Mesmo assim, mora na casa dos pais.

— É muita gente. Eu, minha velha, filho, nora, netos, tudo para eu dar de comer. A dificuldade é grande, falta dinheiro para comida e remédio. E a luz e a água estão atrasados — diz seu João Francisco.

— A gente come por 15 dias. E os outros do mês Deus sabe como a gente passa. Tem semana que só come pão com mortadela, e assim vai levando a vida até quando Deus quiser — conforma-se dona Lindalva.

1,6 milhão de mulheres com mais de 60 anos sem renda Em Recife, calcula-se em mais de 152 mil os idosos, cerca de 9,9% da população. No Nordeste, 63,5% dos domicílios possuem o idoso contribuindo com mais da metade do orçamento das famílias. "Tais números podem indicar uma elevação de renda média dos idosos, mas também podem sugerir que a renda dos mais jovens seja mais instável e relativamente menor, daí o aumento da necessidade do suporte da renda disponível da pessoa idosa", afirma o estudo diagnóstico dos grupos de idosos da cidade do Recife.

De acordo com Hildete Pereira, professora da UFF, o país conta ainda com brasileiros sem renda alguma. Há cerca de 1,6 milhão de mulheres com mais de 60 anos sem qualquer rendimento. Entre homens, o número é menor: 288 mil.

— Quem trabalha acima dos 60 anos, em sua maior parte, é o homem. E, assim, essa mulher fica na dependência da família — concluiu Hildete.


COLABOROU: Letícia Lins, de Recife

Está mais fácil comprar imóvel popular em São Paulo

Jornal da Tarde

09/12/2009

Oferta de casas e apartamentos de dois dormitórios aumentou este ano na capital em comparação com 2008. Na esteira do programa 'Minha Casa, Minha Vida', construtoras concentram lançamentos em unidades desse tipo

CAROLINA DALL'OLIO, carolina.dallolio@grupoestado.com.br

De olho no consumidor de baixa e média renda, as construtoras lançaram imóveis menores - e mais baratos - em 2009, mudando o perfil do mercado imobiliário paulistano. Até o ano passado, as unidades de três dormitórios respondiam pela maior parte dos lançamentos. Agora, quem for comprar a casa própria vai perceber que a oferta se concentra nas de dois dormitórios.
Segundo estudo do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) divulgado ontem, os imóveis com dois quartos passaram de 34,6% dos lançamentos em 2008 para 45,9% em 2009. Já as unidades com três quartos caíram de 38,2% para 32,4% do total (veja ao lado).

Crédito mais farto e mais barato explica, em parte, a mudança de perfil das unidades lançadas. Em 2009, os juros caíram, e o volume de recursos voltados ao financiamento imobiliário aumentou - devendo fechar o ano na casa dos R$ 32 bilhões, 6,3% a mais que os R$ 30,1 bilhões emprestados em 2008. Com isso, ficou mais fácil fazer a prestação da casa própria caber no bolso.

Mas o principal incentivo para as construtoras mudarem de foco, investindo menos em imóveis de alto padrão e priorizando os populares, partiu do governo. Com o lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida, que subsidia o financiamento de imóveis novos de até R$ 130 mil voltados para famílias com renda de até dez salários mínimos, o mercado recebeu uma injeção de capital para empréstimos diretos a construtoras e mutuários. Somados os recursos do FGTS, do Orçamento Geral da União e do BNDES, o projeto vai contar com uma verba total de R$ 34 bilhões até 2010.

Em sintonia

"Os produtos ofertados pelas incorporadoras, na cidade de São Paulo, agora estão indo ao encontro das necessidades do consumidor", avalia Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP. As vendas de 2009 mostram que Petrucci está certo. De acordo com a pesquisa do Secovi-SP, 41,5% dos imóveis novos vendidos em 2009 tinham dois dormitórios. Em 2008, eles eram 31,7%.
O comportamento das vendas dos imóveis usados já indicava que havia uma lacuna no mercado a ser preenchida. "Para as imobiliárias, as casas e apartamentos de dois quartos sempre foram os mais vendidos", relata José Viana neto, presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-SP). Em 2009, os usados responderam por mais de 50% das unidades comercializadas.

"Os imóveis usados chegam a custar até metade do preço dos novos, e há opções muito variadas", descreve Viana. "Por isso, quem não encontrava um imóvel novo por um preço acessível ou no tamanho que queria, se voltava para os imóveis usados."
A tendência é que as construtoras continuem lançando imóveis populares em 2010. Afinal, apenas 300 mil unidades foram contratadas pelo 'Minha Casa, Minha Vida' em todo País até agora, estima o Secovi-SP. Para cumprir a meta do programa de financiar 1 milhão de moradias até 2010, faltariam, portanto, 700 mil contratos a serem fechados em 12 meses. Do total de imóveis financiados pelo projeto, 184 mil devem estar no Estado de São Paulo.


COMO FAZER

PARA QUEM GANHA ATÉ TRÊS SALÁRIOS MÍNIMOS

É preciso procurar a prefeitura, o governo do Estado ou movimentos sociais para se cadastrar no 'Minha Casa, Minha Vida'

A parcela a ser paga durante dez anos será simbólica: o custo mínimo é de R$ 50 e pode chegar a, no máximo, 10% da renda

PARA QUEM GANHA DE QUATRO A DEZ SALÁRIOS

A venda dos imóveis será feita por meio das próprias construtoras e da Caixa Econômica Federal
Basta encontrar um imóvel novo, que custe até R$ 130 mil e solicitar no financiamento um
financiamento do 'Minha Casa, Minha Vida'

Será preciso passar por uma análise de crédito

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Alugue já

Retorno na casa dos dois dígitos de algumas operações de empréstimos de ações é um estímulo para investidores que mantêm carteiras de longo prazo

Valor Econômico

Por Adriana Cotias, de São Paulo
07/12/2009

Você tem ações dos frigoríficos Minerva, Marfrig, Açúcar Guarani, Nossa Caixa, Energias do Brasil, Banco Cruzeiro do Sul, MMX ou Guararapes na sua carteira? Então ponha para "alugar". No Banco de Títulos (BTC) da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), esses papéis têm ofertas registradas com taxas na casa dos dois dígitos, entre 10% e 18% ao ano. Para quem estiver disposto a fazer o que se chama formalmente de empréstimo a outro investidor - em geral os institucionais locais e estrangeiros -, tal transação pode representar um ganho extra, prefixado, para os portfólios de longo prazo. Ao mesmo tempo, reduz o custo de carregamento dos ativos, as despesas de manutenção, como a taxa de custódia e até mesmo a corretagem inicial.

Apesar de soar complicado, emprestar ou colocar ações para alugar, como se diz no jargão do mercado, é uma operação relativamente simples. O investidor tem apenas de fechar um contrato com uma corretora, formalizando a sua intenção. Será a instituição, no seu papel de intermediadora, que procurará potenciais tomadores para aqueles papéis. A custódia é então temporariamente transferida para o locatário. No período em que as ações ficarem emprestadas, o proprietário mantém o direito a receber dividendos, juros sobre capital próprio ou eventuais bonificações, só perdendo a prerrogativa do voto em assembleias da empresa emissora.

"Se o investidor não tem perspectiva de venda no médio prazo, não tem sentido ficar simplesmente carregando a ação, vale a pena saber se há demanda pelo papel, isso vai definir o preço, é uma mensuração que todo mundo deveria fazer", diz o superintendente comercial da Santander Corretora, Orlando Zainaghi. "As taxas recebidas com o aluguel vão compor o rendimento total da carteira, junto com a valorização na bolsa e os dividendos."

Na média, as taxas de aluguel representam um adicional de 5% ao ano na remuneração de um ativo, mas há casos que superam os dois dígitos. Tal preço resulta da relação entre a disponibilidade das ações no BTC e a sua procura, definida pelos institucionais estrangeiros e os fundos de investimentos, os grandes tomadores. Nesse ambiente, a liquidez não encontra, necessariamente, referências com o que ocorre com os papéis no mercado à vista, explica Maurício Ceará, também da Santander Corretora. "As empresas de construção civil, por exemplo, têm muita liquidez na Bovespa e pouca no mercado de aluguel." Cyrela, por exemplo, tem, na média, operações registradas a 8,88% ao ano; Rossi a 8,52%; Gafisa numa média de 6,23%; MRV, de 6,22%, e Rodobens, de 10,32%.

Isso ocorre porque os contratos de aluguel servem a inúmeras estratégias dos fundos "long/short" (de arbitragem), que compram, por exemplo determinada ação e ficam "vendidos" numa outra do mesmo setor, apostando na baixa ou na valorização inferior.

Pessoa física pode comprar papéis do BNDES até quinta

Investimento deverá oferecer rentabilidade superior à dos fundos de renda fixa

Aplicação é uma opção de investimento para pessoas avessas ao risco da Bolsa; valor mínimo é de R$ 1.000 e máximo, de R$ 500 mil

FOLHA DE SÃO PAULO

07/12/2009


TONI SCIARRETTA
DA REPORTAGEM LOCAL

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) retomou a venda de debêntures (papéis de dívida privada que rendem juros) da BNDESPar, seu braço de participações em empresas privadas. O banco havia feito ofertas semelhantes em 2006 e 2007.
Segundo analistas, a aplicação é uma opção de investimento para pessoas avessas ao risco da Bolsa e que buscam um retorno superior ao dos fundos de renda fixa, que seguem a variação dos juros da dívida pública, hoje em 8,75% ao ano.
O prazo para aplicação vai até quinta-feira, dia 10 deste mês. Para comprar os papéis, o investidor precisa ter conta em uma corretora de valores, como ocorre com as transações com ações e com títulos do Tesouro Direto. O investimento mínimo é de R$ 1.000 e o máximo, de R$ 500 mil.
A taxa de juros desses papéis será fixada de acordo com a demanda do mercado -quanto maior a procura, menor a taxa paga. O risco é o do próprio governo, como nos papéis do Tesouro Direto. A diferença é que se trata de um papel de dívida privada de uma empresa.
São dois tipos de debêntures: uma prefixada no momento da compra, com vencimento em 1º de janeiro de 2013, e outra com rendimento atrelado ao IPCA (índice de inflação medido pelo IBGE) mais uma taxa de juros também prefixada, que vai até 1º de janeiro de 2015.
A primeira debênture só paga os juros no dia do vencimento, e a segunda, em quatro parcelas anuais, sendo a primeira em 15 de janeiro de 2012.
A expectativa é que o papel prefixado tenha retorno anual em torno de 12,5% a 12,8%. A taxa Selic, que referencia o CDI, está hoje em 8,75% ao ano, mas o mercado acredita em aumento a partir de abril de 2010 diante do aquecimento da economia brasileira.
Para Fabio Colombo, administrador independente de investimentos, a aplicação valerá a pena se a taxa final ficar pelo menos um ponto percentual acima da de títulos semelhantes vendidos no Tesouro Direto. "É o prêmio por ser um título privado e pela liquidez baixa [dificuldade para negociar]."
Segundo Mauro Halfeld, consultor financeiro, dificilmente os papéis sairão com juros abaixo dos vendidos no Tesouro Direto. Para Halfeld, uma taxa entre 0,5 ponto e 1 ponto percentual acima da do Tesouro Direto já se torna interessante. "Diria que é o melhor investimento em renda fixa disponível hoje no mercado."
Na última sexta-feira, o Tesouro Direto oferecia LTN (título prefixado) com vencimento em 1º de janeiro de 2012 com juros de 11,83% ao ano.
Os papéis corrigidos pelo IPCA com rendimentos mais próximos dos da debênture do BNDES são as NTNB e NTNB série especial com vencimento em 15 de abril de 2015. Esses papéis eram negociados com juros de 6,76% e 6,8% mais a variação do IPCA.
Quem não pretende ficar com o título até o vencimento poderá vendê-lo a outro investidor por meio do Bovespa Fix ou da CetipNet, o chamado mercado secundário. No caso, o papel sairá com um deságio que refletirá o juro parcial aferido no momento da venda.
Dependendo da demanda, o BNDES pode ampliar a oferta em até 35%, o que levaria à venda de R$ 1,35 bilhão. Dessa forma, os juros não ficarão muito baixos e não haverá rateio entre os investidores. Do total oferecido, o BNDES reservou 50% para pequenos investidores pessoas físicas. O restante vai para fundos de investimento.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Come-cotas faz fundos fecharem no vermelho


 

Valor Econômico

04/12/2009

Por Luciana Monteiro, de São Paulo

O setor de fundos de investimento encerrou novembro com saídas líquidas de R$ 599,48 milhões. O resultado foi diretamente impactado pelo chamado come-cotas - antecipação de imposto de renda cobrado dos fundos de renda fixa semestralmente, em maio e novembro. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o come-cotas somou aproximadamente R$ 2,5 bilhões. Isso quer dizer que, se não fosse o imposto, cobrado no último dia útil do mês, o setor teria fechado com captação.

Para se ter ideia do peso que o come-cotas teve, até o dia 20 o setor de fundos caminhava para o terceiro melhor mês em termos de ingresso de recursos. No fim das contas, novembro fechou como o terceiro pior desempenho do ano até o momento, perdendo apenas para os resgates registrados em junho, que somaram R$ 5,423 bilhões, e em outubro, de R$ 2,918 bilhões.

 

 

É importante ressaltar, entretanto, que o setor de fundos de investimento normalmente encerra novembro com mais saídas do que aplicações. Isso porque, além do come-cotas, muitas empresas sacam recursos de fundos para pagar a primeira parcela do 13º salário aos seus funcionários. Tanto que, quando se olha a movimentação registrada na última semana de novembro, vê-se que as categorias curto prazo, DI, renda fixa e multimercados tiveram fortes resgates.

Os números do setor de fundos contrastam com a captação da caderneta de poupança. Até o dia 27, o investimento mais tradicional do país apresentava ingressos de R$ 2,755,0 bilhões, segundo dados do Banco Central. Mas é natural que a caderneta tenha um desempenho tão positivo, já que, ao pagar seus funcionários, muitas empresas utilizam contas poupança.

Os maiores resgates no setor de fundos em novembro foram registrados entre os multimercados, com saques de R$ 3,787 bilhões, dos quais R$ 3,705 bilhões ocorreram na última semana do mês. No acumulado do ano, entretanto, essas carteiras têm captação de R$ 31,271 bilhões. Os dados referentes ao ingresso de recursos em 2009, no entanto, estão distorcidos por conta da reclassificação da categoria em junho.

As saídas foram puxadas pelos multimercados da classe juros e moedas - que buscam retorno no longo prazo com juros, risco de índice de preço e de moeda estrangeira -, com saques de R$ 2,575 bilhões. Já os multimercados classificados como multiestratégia - carteiras que podem adotar mais de uma tática de investimento, sem o compromisso declarado de se dedicar a uma em particular - tiveram resgates de R$ 2,189 bilhões.

Novembro também foi marcado pela retirada de recursos em fundos curto prazo - carteiras de baixo risco compostas por papéis com vencimento em até 365 dias. No mês passado, esses fundos apresentaram saques de R$ 1,344 bilhão, sendo que R$ 2,393 bilhões saíram na última semana do mês passado. No acumulado do ano, essas carteiras têm captação de R$ 7,570 bilhões.

Os fundos de renda fixa que podem aplicar em papéis prefixados foram dos que mais sofreram com o come-cotas e com o pagamento de parte do 13º. Fazem parte desta categoria os fundos chamados de "poder público", que recebem aplicações somente de estados e municípios. Saíram dos renda fixa R$ 7,530 bilhões na última semana de novembro, o que fez com que a captação encerrasse positiva em apenas R$ 892 milhões. No ano, o ingresso de recursos soma R$ 6,381 bilhões.

Os fundos DI fecharam o mês no azul, com captação de R$ 729,95 milhões, mas perdem R$ 5,460 bilhões no ano. Já os fundos de ações, apesar da alta de 8,93% do Ibovespa, tiveram resgates de R$ 344,81 milhões no mês, mas captam R$ 2,092 bilhões no ano.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

À caça do varejo

Apesar de esbarrar na falta de conhecimento do pequeno investidor, fundo imobiliário já começa a ganhar os primeiros adeptos.


Valor Econômico

Por Alessandra Bellotto, de São Paulo
03/12/2009

Sapatos tinindo, vestidos de festa, gravatas italianas, perfumaria e maquiagem, bolsas e acessórios. No meio dessa diversidade encontrada num shopping center, os consumidores do Parque D. Pedro, em Campinas, se depararam na semana passada com uma oferta inusitada: cotas de um fundo imobiliário do próprio centro de compras onde estavam. Com o slogan "O shopping que você escolheu agora também pode ser seu" estampado num estande na entrada principal, a corretora Petra buscava atrair o público para investir na carteira. O leilão de venda de cotas da carteira, que tem uma fatia de 15% do shopping, ocorre hoje na BM&FBovespa. Como ofertante, está o grupo Sonae, dono do empreendimento.

Embora esse mercado de fundos imobiliários esteja bastante aquecido neste ano - com mais de R$ 1,6 bilhão em ofertas, quase três vezes mais do que os R$ 600 milhões de 2008 -, a iniciativa esbarrou na falta de conhecimento e de interesse das pessoas que circulavam pelo shopping, o que sinaliza que ainda há barreiras a vencer para tornar essa opção de investimento mais popular.

Na última quinta-feira, a reportagem do Valor visitou o estande. Durante as cerca de quatro horas em que passou no local, a partir do meio-dia, os consultores de investimento da corretora só foram abordados por pessoas que buscavam informações sobre promoção de Natal e localização de lojas. O movimento maior de pessoas, segundo a recepcionista, acontecia no fim do dia. A corretora, contou ela, chegou a fazer alguns cadastros de potenciais investidores, entre eles lojistas interessados em ter uma fatia do próprio shopping.

O tradicional fundo imobiliário - caso do Parque Dom Pedro Shopping Center - está de olho na receita que poder ser gerada com o aluguel dos empreendimentos em que investe. Para o cotista, isso significa a oportunidade de ter um rendimento todo mês, que pode ser isento de imposto de renda se for pessoa física. Outra possibilidade de retorno é com a valorização das cotas no mercado, daí o fundo ser considerado uma aplicação de renda variável. Nesse caso, o ganho de capital só se realiza se o investidor vender as cotas, operação tributada em 20%.

Apesar da sedução de ter um ativo real que rende aluguel, o varejo mostrou que ainda não é o grande público dos fundos imobiliários - que têm mais apelo junto à alta renda -, mas o segmento já surge com os primeiros adeptos. É o caso do taxista de São Paulo, Evandro Eli Gomes, de 29 anos. Depois de fazer em outubro de 2008 seu primeiro investimento em uma sala comercial de 40 metros quadrados no empreendimento ainda em construção, o The Office, na Frei Caneca, Gomes decidiu "arriscar" no fundo imobiliário do Parque D. Pedro e participar do leilão hoje.

"Vou aplicar um pouco mais que o mínimo (fixado em dez cotas, com valor a partir de R$ 1 mil); se eu soubesse que o negócio era muito seguro, colocava mais, porque o retorno é maior do que o da poupança." Um investimento de R$ 100 mil no fundo, compara Gomes, daria R$ 830 por mês, enquanto a poupança, cerca de R$ 600. Por 36 meses, pelo menos, o Sonae vai garantir aos cotistas um rendimento mínimo mensal de R$ 8,30 por cota, proveniente das receitas com o aluguel das lojas.

O receio de Gomes tem a ver com a falta de popularidade do fundo imobiliário. Apesar de ter sido criado há 15 anos, só agora, com o juro baixo, ele passou a chamar a atenção, até por conta da isenção de IR. "No imóvel, o documento de propriedade tem seu nome, ninguém pode tomá-lo; nesse fundo, e se o shopping quebra?", questiona. Essa preferência por imóvel é compartilhada por boa parte dos brasileiros. É uma herança da época da hiperinflação. A alternativa sempre foi sinônimo de solidez, de proteção. Com crise ou sem crise, acredita Gomes, o imóvel está lá, é seu e sempre pode ser alugado.

O fundo imobiliário, apesar do desconhecimento, funciona como um veículo para investir em imóveis com algumas vantagens. Entre elas, a possibilidade de se tornar sócio de grandes empreendimentos com pequenos valores e a de se livrar do ônus da administração dos bens.

Independente da alternativa de investimento, Gomes é um poupador nato. Aos 10 anos, começou a ajudar um casal de japoneses vendendo pastel na feira. "Queria ter meu próprio dinheiro", conta. Aos 14, foi trabalhar no Etapa Vestibulares, onde ficou por 8 anos. Nesse período, aprendeu a fotografar com um vizinho e começou a fazer bicos, inclusive no Etapa. Todo dinheiro que ganhava com a fotografia ele guardava para poder viajar. "Conheço quase todo o Brasil, só falta a Amazônia", diz.

Depois que saiu do Etapa, Gomes decidiu usar o dinheiro da rescisão e da poupança que havia juntado para comprar um carro e virar taxista. Mas, acabou aceitando uma proposta de trabalhar num bingo com uma velha colega. Nos dias de folga, fazia trufas e pão de mel para engordar a renda. A licença de táxi e o carro Gomes cedeu, sob a condição de receber parte da receita, para o irmão desempregado. Depois de um ano, resolveu dividir o táxi com o irmão. Ele trabalhava à noite e o irmão, de dia. Juntou mais dinheiro e comprou um segundo carro. Hoje, sua renda vem do trabalho de no mínimo 12 horas como taxista e de parte da receita do táxi cedido para o irmão. Gomes é dono ainda de metade de um terceiro carro dirigido por outro irmão.

A iniciativa de investir em imóveis surgiu depois de uma conversa com um cliente, conta ele. Até então, Gomes só tinha dinheiro em poupança. Da bolsa de valores, ele prefere ficar fora. "Não conheço o mercado, já pensou se dou um tiro e erro?", argumenta. Sua ideia com a sala comercial, avaliada em R$ 240 mil, é colocá-la para alugar e ter mais uma fonte de renda, já de olho na aposentadoria. A entrega da obra está prevista para o fim de 2011. E até lá, espera estar com o imóvel quitado. "Não quero pagar juros para banco."

O taxista investidor já pensa em adquirir novo imóvel: um apartamento que vai ser construído na frente do Hospital Albert Einstein para alugar para médicos. Com a renda da locação da sala comercial, espera pagar as parcelas do apartamento. Tantos planos assim só são possíveis porque Gomes guarda cerca de 70% de sua renda. Como? Ele é solteiro e mora com os pais.

O próximo passo, para daqui a dois ou três anos, é comprar uma franquia. Como taxista, Gomes diz que, graças a uma clientela fiel e a muito trabalho, já atingiu o topo da profissão. "Meu salário é ótimo, está muito acima do que ganham colegas formados, mas não há mais como crescer." Sobre voltar a estudar e se formar, ele diz que esse tempo já passou, apesar de hoje ter condições financeiras para arcar com uma escola privada. Quando trabalhava no Etapa, chegou a fazer cursinho, mas como não conseguiu entrar na USP desistiu. Toda essa disciplina, contudo, é recompensada por momentos de lazer. "Agora quero viajar pelo mundo."

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Fatia da pessoa física no IShares atinge 11,5%


Valor Econômico

De São Paulo
02/12/2009

A negociação de iShares completa hoje um ano, com uma negociação média diária de R$ 17,226 milhões, segundo números da BM&FBovespa até o dia 27. Os iShares são ETFs (sigla para Exchance-Traded Funds), cotas de fundos que reproduzem índices de ações e que são negociados em bolsas. Esses fundos montam suas carteiras de acordo com as carteiras dos índices de mercado, o que faz com que suas cotas sigam de perto a variação dos referenciais.

Os dados mostram que, do volume negociado no ano, o investidor pessoa física respondeu por 11,5%. Já os investidores institucionais representaram a maior fatia, com 49,8% até o dia 27. Em seguida ficaram as instituições financeiras, com 31%. É natural, no entanto, que estes dois últimos grupos de investidores apareçam na liderança, já que eles têm um volume bem maior para aplicar.

 

 

O primeiro ETF lançado no Brasil foi o fundo de Papéis Índice Brasil Bovespa (PIBB), criado pelo BNDES em parceria com o Banco Itaú e atrelado ao IBrX-50. Mas no ano passado, esse mercado ganhou mais volume com a criação dos chamados iShares de Ibovespa, de Índice Small Cap (pequenas empresas) e de Índice de Midi-Large Cap (médias e grandes empresas).

 

 

Segundo os especialistas, aplicar em ETFs traz vantagens para o investidor. Isso porque as taxas de administração dessas aplicações são menores em comparação aos fundos de ações em geral. Acompanhar o desempenho também é mais fácil, já que o fundo irá acompanhar a rentabilidade das carteiras teóricas dos índices divulgados diariamente pela bolsa.

Outro ponto positivo está no acesso, que é simples: as cotas são compradas e vendidas como uma ação em qualquer corretora. Há também vantagens fiscais para pequenos investidores: as vendas de PIBB ou dos demais ETFs até o valor de R$ 20 mil por mês não pagam imposto - enquanto nos fundos de ações, sempre há imposto de 15% sobre o ganho.

Os ETFs também ajudaram a elevar as aplicações dos investidores estrangeiros na bolsa brasileira. De acordo com os dados da bolsa, esse público tinha participação de 7% no volume negociado no ano até o dia 27. (LM)

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