Segue dois atalhos para a IstoÉ Dinheiro.
O tiro curto dos juros
Alta da inflação coloca o título pós-fixado como ótima opção para o investidor. Mas por pouco tempo
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/558/artigo91895-1.htm
O risco das opções
Ao negociar o direito de comprar ou vender ações no futuro, você pode alavancar os lucros - mas também os prejuízos. Saiba como.
http://www.terra.com.br/istoedinheiro/edicoes/558/artigo91869-1.htm
sábado, 14 de junho de 2008
Bancos têm R$ 19 bilhões em crédito para casa própria
Jornal da Tarde
14/06/2008
Fabio Leite e Rodrigo Gallo
Não vai faltar dinheiro para quem pretende comprar a casa própria ainda este ano. Quem garante são os próprios ‘donos’ dos recursos. Só para este segundo semestre, os bancos públicos e privados devem colocar à disposição dos clientes quase R$ 19 bilhões em crédito imobiliário, somados verbas das cadernetas de poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A quantia representa cerca de 55% do total disponível no ano.
Estimativa da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) aponta que as instituições financeiras devam ter nos cofres R$ 13,5 bilhões da poupança para destinar aos clientes nos últimos seis meses do ano. Já os recursos do FGTS para o período somam R$ 5,3 bilhões, segundo a Caixa Econômica Federal, que considera nesse cálculo não apenas o volume operado por ela mas também o de outros bancos como o Santander. No total, há R$ 18,8 bilhões para financiar a produção e aquisição de casas e apartamentos no País.
Segundo o superintendente-geral da Abecip, José Pereira Gonçalves, os bancos estão com estoque suficiente para atender toda a demanda que aparecer até o fim do ano. Só até abril já foram contratados R$ 7,5 bilhões em empréstimos imobiliários com recursos da poupança, volume 83,5% superior ao do mesmo mês em 2007. “A média mensal tem sido de quase R$ 2 bilhões. Mas como tradicionalmente o volume de contratações é sempre maior no segundo semestre devemos fechar o ano com cerca de R$ 25 bilhões”, estima.
Se confirmada a previsão de Gonçalves, o volume de financiamentos imobiliários em 2008 deve ser 36,6% maior que o de 2007, quando foram contratados R$ 18,3 bilhões da poupança. No passado, disse ele, 62% do montante, ou R$ 11,3 bilhões, foram liberados apenas no segundo semestre. “Como o ano demora a ‘engrenar’, sobram muitos recursos para o segundo semestre. E neste ano, não será por falta de recursos que o mercado vai parar”, acredita Gonçalves
A concentração de dinheiro para compra da casa própria na segunda parte do ano se confirma também com os recursos do FGTS. Dos R$ 9,25 bilhões previstos no orçamento da Caixa para o ano todo, apenas R$ 3,93 bilhões foram contratados até agora. Só para a Região Metropolitana de São Paulo, o banco destinará este ano R$ 851 milhões com recursos do fundo. Para todo o Estado, o orçamento anual previsto é de R$ 5,7 bilhões, montante 11,76% maior que o de 2007.
De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), João Cláudio Robusti, a oferta de crédito tem aumentado consideravelmente nos últimos anos, por conta do crescimento constante da demanda. “Isso é muito positivo não só para o setor, mas para o desenvolvimento do próprio País”, disse.
O presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, acredita que, com a concorrência entre as empresas e o aumento dos recursos disponíveis, boa parte dos bancos está se empenhando para reduzir o tempo de demora para a liberação do dinheiro, como forma de oferecer um diferencial aos consumidores.
Segundo ele, essa é uma tendência natural do mercado. “Existe uma disputa muito grande por novos clientes, principalmente por parte dos bancos privados, e isso dá agilidade à liberação dos financiamentos, além de facilitar o acesso ao crédito imobiliário”, afirmou.
14/06/2008
Fabio Leite e Rodrigo Gallo
Não vai faltar dinheiro para quem pretende comprar a casa própria ainda este ano. Quem garante são os próprios ‘donos’ dos recursos. Só para este segundo semestre, os bancos públicos e privados devem colocar à disposição dos clientes quase R$ 19 bilhões em crédito imobiliário, somados verbas das cadernetas de poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A quantia representa cerca de 55% do total disponível no ano.
Estimativa da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) aponta que as instituições financeiras devam ter nos cofres R$ 13,5 bilhões da poupança para destinar aos clientes nos últimos seis meses do ano. Já os recursos do FGTS para o período somam R$ 5,3 bilhões, segundo a Caixa Econômica Federal, que considera nesse cálculo não apenas o volume operado por ela mas também o de outros bancos como o Santander. No total, há R$ 18,8 bilhões para financiar a produção e aquisição de casas e apartamentos no País.
Segundo o superintendente-geral da Abecip, José Pereira Gonçalves, os bancos estão com estoque suficiente para atender toda a demanda que aparecer até o fim do ano. Só até abril já foram contratados R$ 7,5 bilhões em empréstimos imobiliários com recursos da poupança, volume 83,5% superior ao do mesmo mês em 2007. “A média mensal tem sido de quase R$ 2 bilhões. Mas como tradicionalmente o volume de contratações é sempre maior no segundo semestre devemos fechar o ano com cerca de R$ 25 bilhões”, estima.
Se confirmada a previsão de Gonçalves, o volume de financiamentos imobiliários em 2008 deve ser 36,6% maior que o de 2007, quando foram contratados R$ 18,3 bilhões da poupança. No passado, disse ele, 62% do montante, ou R$ 11,3 bilhões, foram liberados apenas no segundo semestre. “Como o ano demora a ‘engrenar’, sobram muitos recursos para o segundo semestre. E neste ano, não será por falta de recursos que o mercado vai parar”, acredita Gonçalves
A concentração de dinheiro para compra da casa própria na segunda parte do ano se confirma também com os recursos do FGTS. Dos R$ 9,25 bilhões previstos no orçamento da Caixa para o ano todo, apenas R$ 3,93 bilhões foram contratados até agora. Só para a Região Metropolitana de São Paulo, o banco destinará este ano R$ 851 milhões com recursos do fundo. Para todo o Estado, o orçamento anual previsto é de R$ 5,7 bilhões, montante 11,76% maior que o de 2007.
De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), João Cláudio Robusti, a oferta de crédito tem aumentado consideravelmente nos últimos anos, por conta do crescimento constante da demanda. “Isso é muito positivo não só para o setor, mas para o desenvolvimento do próprio País”, disse.
O presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, acredita que, com a concorrência entre as empresas e o aumento dos recursos disponíveis, boa parte dos bancos está se empenhando para reduzir o tempo de demora para a liberação do dinheiro, como forma de oferecer um diferencial aos consumidores.
Segundo ele, essa é uma tendência natural do mercado. “Existe uma disputa muito grande por novos clientes, principalmente por parte dos bancos privados, e isso dá agilidade à liberação dos financiamentos, além de facilitar o acesso ao crédito imobiliário”, afirmou.
segunda-feira, 2 de junho de 2008
Faça a Bolsa pagar 'salário' para você
Jornal da Tarde
02/06/2008
Além do rendimento das ações, investidor pode ganhar um extra com o lucro das empresas
FABRÍCIO DE CASTRO, fabricio.castro@grupoestado.com.br
Ao comprar ações listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o investidor está - como não poderia ser diferente - de olho na valorização dos papéis ao longo do tempo. Só que essa não é a única forma de ganhar dinheiro nesse tipo de mercado. Quem adquire ações se torna sócio das empresas escolhidas e passa a ter direito a uma parcela de seus lucros. E a distribuição de resultados, muitas vezes, permite que a pessoa tenha uma renda extra, regular, sem fazer esforço.
Pela lei, todas as empresas listadas na Bolsa são obrigadas a distribuir, anualmente, pelo menos 25% dos lucros por meio de dividendos. Mesmo que o preço das ações passe por altos e baixos, a companhia que registrar lucros precisa reparti-los com os investidores.
“As empresas distribuem no mínimo 25% dos lucros, mas algumas chegam a pagar uma porcentagem maior”, afirma Paulo Roberto da Silva, diretor da Planner Corretora.
A mecânica é simples: quanto mais ações o investidor tiver em seu poder, maior será a parcela dos lucros recebida por ele. “As boas pagadoras são as que distribuem de 35% a 40% dos lucros”, explica Daniel Gorayeb, analista de investimentos da corretora Spinelli.
Embora todas as companhias paguem dividendos, algumas são referências na hora de repartir seus ganhos. Bancos como Bradesco e Itaú, por exemplo, pagam dividendos aos acionistas várias vezes durante o ano. Já companhias como a Souza Cruz são apontadas como destaque pelo volume distribuído.
“Há empresas que são históricas boas pagadoras de dividendos”, confirma Marco Saravalle, analista da corretora Coinvalores. “É o caso da Souza Cruz, que tem um caixa confortável e não precisa fazer novas captações. Ela paga bons dividendos porque está próxima da fase de maturação.”
Cada empresa possui uma política de pagamento. Algumas distribuem o lucro uma vez ao ano ou a cada seis meses, enquanto outras escolhem períodos menores.
Dessa maneira, investidores mais experientes chegam a montar carteiras com ações de várias empresas para que, em diferentes meses do ano, possam receber dividendos. É como se fosse uma retirada extra, às vezes até mensal. “A melhor forma da pessoa ter uma renda é com os dividendos”, defende Gorayeb, da Spinelli.
Mais indicadas
A pedido do Jornal da Tarde, as corretoras Coinvalores, Spinelli e Planner formularam listas com dez ações mais indicadas, sob o ponto de vista dos dividendos. Algumas empresas, como Eternit, Metalúrgica Gerdau e Telesp, são citadas mais de uma vez.
As corretoras consideraram tanto o potencial de valorização dos preços das ações quanto os lucros esperados para os próximos meses. Um dos indicadores avaliados pelos especialistas é o dividend yield - a taxa de retorno de um investimento de capital. Quanto maior o yield esperado, maior a fatia de lucros.
Em 2007, por exemplo, a Telesp teve um yield de 13,30%. Isso significa que, se o investidor tivesse em seu poder R$ 100 mil em ações da empresa, ele receberia 13,30% desse valor em dividendos (R$ 13,3 mil). “É como se fosse um salário”, compara Gorayeb. “Quem tem R$ 300 mil aplicados numa empresa de 12% de yield, terá R$ 36 mil por ano ou R$ 3 mil por mês.”
As corretoras apontam as melhores opções de acordo com o yield projetado para os próximos meses. Porém, como se trata de uma projeção, nada garante que o retorno será realmente positivo. Se a companhia enfrentar dificuldades, obviamente, sua capacidade de distribuição de lucros será menor.
O estrategista Fábio Anderaos de Araújo, da Itaú Corretora, afirma que o iniciante precisa observar o histórico de pagamentos. “A primeira coisa é ter idéia de quanto a empresa pagou de dividendos no último exercício”, explica.
Retorno e estabilidade
Pela estimativa da Itaú Corretora, a AES Tietê (GETI4) e a Tran Paulista (TRPL4) serão os destaques nos próximos 12 meses na Bolsa de Valores: ambas sinalizam com um yield de 9%. “O investidor tem de procurar o maior yield, com a maior estabilidade.”
Antes de comprar as ações, no entanto, o investidor inexperiente deve consultar uma corretora de valores. Marco Saravalle, da Coinvalores, lembra que a distribuição de lucros não deve ser o único critério considerado. “Vale a pena focar não apenas nos dividendos, mas também no potencial de crescimento do setor onde essas empresas atuam.”
SAIBA O QUE SÃO OS DIVIDENDOS
Quando uma empresa listada na Bolsa tem lucro, ela é obrigada a distribuir pelo menos 25% do resultado com os acionistas. O valor recebido são os dividendos
Essa distribuição de lucros deve ocorrer todos os anos, ao final do exercício fiscal. Porém, a empresa tem a possibilidade de adiar o pagamento de dividendos por até três anos - o que não é muito comum. Ao final do período, o acionista recebe todos os dividendos a que tem direito
Algumas companhias pagam mais que os 25% obrigatórios. Geralmente, são empresas em fase de maturação - consolidadas no mercado e com bom fluxo de caixa -, que não precisam reinvestir os 75% restantes do lucro
São também comuns os casos de empresas que pagam dividendos várias vezes ao longo do ano. Esse é o caso de vários bancos
Os acionistas recebem dividendos de acordo com o número de ações em seu poder. Quanto mais papéis, maior a parcela de participação nos lucros
Um dos principais indicadores para avaliar a distribuição de lucros é o dividend yield. A taxa indica o retorno que a pessoa terá sobre o investimento. Um yield de 12%, por exemplo, permitirá dividendos de R$ 12 mil para quem tiver R$ 100 mil em ações
É difícil para o investidor de primeira viagem avaliar todos os indicadores sem a ajuda de uma corretora. Os analistas de mercado, assim, podem indicar as melhores opções disponíveis
02/06/2008
Além do rendimento das ações, investidor pode ganhar um extra com o lucro das empresas
FABRÍCIO DE CASTRO, fabricio.castro@grupoestado.com.br
Ao comprar ações listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o investidor está - como não poderia ser diferente - de olho na valorização dos papéis ao longo do tempo. Só que essa não é a única forma de ganhar dinheiro nesse tipo de mercado. Quem adquire ações se torna sócio das empresas escolhidas e passa a ter direito a uma parcela de seus lucros. E a distribuição de resultados, muitas vezes, permite que a pessoa tenha uma renda extra, regular, sem fazer esforço.
Pela lei, todas as empresas listadas na Bolsa são obrigadas a distribuir, anualmente, pelo menos 25% dos lucros por meio de dividendos. Mesmo que o preço das ações passe por altos e baixos, a companhia que registrar lucros precisa reparti-los com os investidores.
“As empresas distribuem no mínimo 25% dos lucros, mas algumas chegam a pagar uma porcentagem maior”, afirma Paulo Roberto da Silva, diretor da Planner Corretora.
A mecânica é simples: quanto mais ações o investidor tiver em seu poder, maior será a parcela dos lucros recebida por ele. “As boas pagadoras são as que distribuem de 35% a 40% dos lucros”, explica Daniel Gorayeb, analista de investimentos da corretora Spinelli.
Embora todas as companhias paguem dividendos, algumas são referências na hora de repartir seus ganhos. Bancos como Bradesco e Itaú, por exemplo, pagam dividendos aos acionistas várias vezes durante o ano. Já companhias como a Souza Cruz são apontadas como destaque pelo volume distribuído.
“Há empresas que são históricas boas pagadoras de dividendos”, confirma Marco Saravalle, analista da corretora Coinvalores. “É o caso da Souza Cruz, que tem um caixa confortável e não precisa fazer novas captações. Ela paga bons dividendos porque está próxima da fase de maturação.”
Cada empresa possui uma política de pagamento. Algumas distribuem o lucro uma vez ao ano ou a cada seis meses, enquanto outras escolhem períodos menores.
Dessa maneira, investidores mais experientes chegam a montar carteiras com ações de várias empresas para que, em diferentes meses do ano, possam receber dividendos. É como se fosse uma retirada extra, às vezes até mensal. “A melhor forma da pessoa ter uma renda é com os dividendos”, defende Gorayeb, da Spinelli.
Mais indicadas
A pedido do Jornal da Tarde, as corretoras Coinvalores, Spinelli e Planner formularam listas com dez ações mais indicadas, sob o ponto de vista dos dividendos. Algumas empresas, como Eternit, Metalúrgica Gerdau e Telesp, são citadas mais de uma vez.
As corretoras consideraram tanto o potencial de valorização dos preços das ações quanto os lucros esperados para os próximos meses. Um dos indicadores avaliados pelos especialistas é o dividend yield - a taxa de retorno de um investimento de capital. Quanto maior o yield esperado, maior a fatia de lucros.
Em 2007, por exemplo, a Telesp teve um yield de 13,30%. Isso significa que, se o investidor tivesse em seu poder R$ 100 mil em ações da empresa, ele receberia 13,30% desse valor em dividendos (R$ 13,3 mil). “É como se fosse um salário”, compara Gorayeb. “Quem tem R$ 300 mil aplicados numa empresa de 12% de yield, terá R$ 36 mil por ano ou R$ 3 mil por mês.”
As corretoras apontam as melhores opções de acordo com o yield projetado para os próximos meses. Porém, como se trata de uma projeção, nada garante que o retorno será realmente positivo. Se a companhia enfrentar dificuldades, obviamente, sua capacidade de distribuição de lucros será menor.
O estrategista Fábio Anderaos de Araújo, da Itaú Corretora, afirma que o iniciante precisa observar o histórico de pagamentos. “A primeira coisa é ter idéia de quanto a empresa pagou de dividendos no último exercício”, explica.
Retorno e estabilidade
Pela estimativa da Itaú Corretora, a AES Tietê (GETI4) e a Tran Paulista (TRPL4) serão os destaques nos próximos 12 meses na Bolsa de Valores: ambas sinalizam com um yield de 9%. “O investidor tem de procurar o maior yield, com a maior estabilidade.”
Antes de comprar as ações, no entanto, o investidor inexperiente deve consultar uma corretora de valores. Marco Saravalle, da Coinvalores, lembra que a distribuição de lucros não deve ser o único critério considerado. “Vale a pena focar não apenas nos dividendos, mas também no potencial de crescimento do setor onde essas empresas atuam.”
SAIBA O QUE SÃO OS DIVIDENDOS
Quando uma empresa listada na Bolsa tem lucro, ela é obrigada a distribuir pelo menos 25% do resultado com os acionistas. O valor recebido são os dividendos
Essa distribuição de lucros deve ocorrer todos os anos, ao final do exercício fiscal. Porém, a empresa tem a possibilidade de adiar o pagamento de dividendos por até três anos - o que não é muito comum. Ao final do período, o acionista recebe todos os dividendos a que tem direito
Algumas companhias pagam mais que os 25% obrigatórios. Geralmente, são empresas em fase de maturação - consolidadas no mercado e com bom fluxo de caixa -, que não precisam reinvestir os 75% restantes do lucro
São também comuns os casos de empresas que pagam dividendos várias vezes ao longo do ano. Esse é o caso de vários bancos
Os acionistas recebem dividendos de acordo com o número de ações em seu poder. Quanto mais papéis, maior a parcela de participação nos lucros
Um dos principais indicadores para avaliar a distribuição de lucros é o dividend yield. A taxa indica o retorno que a pessoa terá sobre o investimento. Um yield de 12%, por exemplo, permitirá dividendos de R$ 12 mil para quem tiver R$ 100 mil em ações
É difícil para o investidor de primeira viagem avaliar todos os indicadores sem a ajuda de uma corretora. Os analistas de mercado, assim, podem indicar as melhores opções disponíveis
quinta-feira, 29 de maio de 2008
Enfim, a concorrência
Valor Econômico
Por Danilo Fariello e Adriana Cotias, de São Paulo
29/05/2008
Demorou. Mas o movimento de redução de juros ao longo do tempo - apesar da recente retomada do aperto monetário - finalmente mobiliza investidores e gestores a encontrar soluções mais baratas em fundos conservadores. A opção dos investidores de varejo e alta renda insatisfeitos, do ano passado para cá, era a caderneta de poupança e os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). Mais recentemente, o que se nota é que os cotistas passaram a preferir fundos com taxas menores. Mas a grande novidade é que, ao bater à porta das agências em busca de alternativas mais em conta, eles agora encontram algumas respostas entre os grandes bancos.
Com os custos das carteiras de renda fixa mais visíveis por conta do juro menor, o aplicador deixou de ser indiferente ao tamanho das taxas de administração. Por essa razão, a Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid) lança hoje o site "Escolha o seu Fundo", para facilitar comparações de preço entre as diversas alternativas no mercado.
A iniciativa atende a uma demanda dos investidores. Estudo do site Fortuna com fundos de bancos de varejo mostra que foram as carteiras DI com taxas de administração mais altas (acima de 2% ao ano) que perderam recursos no ano, R$ 31 milhões até o dia 23, enquanto os fundos com taxas menores (até 1,5%) captaram R$ 303 milhões.
Até aqui, são os portfólios com aplicação mínima mais alta, a partir de R$ 150 mil, que têm atraído novos aportes. Mas já indica que a barreira do acesso começa a ser quebrada. "Finalmente", comemora Marcelo D'Agosto, do Fortuna. "Depois de ficar tanto tempo sem se mexer, agora começamos a ver alguma mobilidade." Do investidor e também dos bancos.
O Itaú, por exemplo, reduziu a aplicação mínima do Itaú Max Referenciado DI, com taxa de 1,8% ao ano, de R$ 150 mil para R$ 50 mil; o Santander criou um novo fundo DI aceitando aplicações a partir de R$ 50 mil, enquanto o Banco do Brasil deixou de exigir ingresso mínimo no BB Referenciado DI Estilo. No Bradesco, o acesso ao fundo DI Special, com taxa de 1% ao ano, é permitido a clientes do segmento Prime abaixo da aplicação mínima inicial de R$ 100 mil. A condição, pelo prospecto, é o aplicador ter a quantia em produtos do banco, uma tolerância antes oculta nos bancos de varejo. O Itaú também prevê a condição no Max DI.
Além de facilitar o acesso a fundos com administração menor, carteiras com taxa de saída têm sido um dos caminhos encontrados pelos administradores para premiar o aplicador de longo prazo com custos mais baixos, caso do Banco Real, BB e Santander.
"O investidor está mais sensível a preço, começa a olhar a rentabilidade e a indústria, por seu lado, está se adequando", diz o superintendente da Santander Asset Management, Alexandre Silvério. Ele conta que, para fixar a taxa de um novo fundo, a instituição leva em conta não só o assédio de outros gestores, como também a concorrência com produtos que estão na prateleira do banco, como a caderneta e o CDB. "Para reter o cliente, é preciso ser competitivo."
Na família de fundos do banco espanhol batizada de Recompensa, há taxas de saída regressivas, zeradas após dois anos. E o valor pago por quem sai antes do prazo fica com o fundo, o que amplia o retorno de quem fica. A primeira carteira, já fechada para captação, tinha aplicação de R$ 25 mil, administração de 2,5% e saída de 3,5%. Na nova versão, Max, ainda captando, o custo baixou para 1,90% de taxa de administração e 2% de saída e o acesso facilitado, com aplicações a partir de R$ 10 mil. Há ainda o Master - aplicação de R$ 50 mil, 0,8% de administração e 1,2% de saída - e a Premium - ingresso de R$ 100 mil e taxas de 0,3% e 1,2%, respectivamente.
Criados há quase um ano, esses portfólios, porém, ainda reúnem apenas R$ 250 milhões, em um total de R$ 63 bilhões administrados pelo Santander. Para Ricardo Leal, professor do Instituto Coppead de Administração, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apesar de ser um "bicho novo" que deve demorar a ganhar popularidade, a taxa de saída é uma alternativa para baratear os fundos. Vale lembrar que, ficando no fundo por mais tempo, o investidor também tem o benefício das menores alíquotas de imposto de renda.
No Banco do Brasil, que concentra o maior patrimônio do setor, de R$ 232,5 bilhões, ainda há fundos com administração de 5,5% ao ano, para aplicações a partir de R$ 100, mas já há opções bem mais atrativas. O banco reduziu a exigência de aplicação mínima no BB Referenciado DI Estilo, que cobra 1% ao ano, para clientes do segmento diferenciado Estilo (com renda mensal a partir de R$ 6 mil). Complementam as novidades três fundos com taxa de saída e investimento mínimo de R$ 30 mil, R$ 5 mil e R$ 400. Na menor aplicação, a taxa de administração fica em 2%, com saída de 1,5%. "Hoje, o investidor tem mais acesso à informação, o que permite que ele conheça melhor as diversas classes de investimento e escolha aquela mais adequada ao seu perfil de risco", diz o gerente da Diretoria de Varejo Carlos Antônio Decezaro.
A Caixa Econômica Federal também pretende lançar seu fundo com taxa de saída em junho, mas os critérios ainda estão sendo desenhados. Além de estimular a fidelidade do cotista, que tende a ficar no fundo por mais de dois anos, a intenção é aproveitar oportunidades em papéis de longo prazo, diz o vice-presidente de Ativos de Terceiros, Bolivar Tarragó.
Por Danilo Fariello e Adriana Cotias, de São Paulo
29/05/2008
Demorou. Mas o movimento de redução de juros ao longo do tempo - apesar da recente retomada do aperto monetário - finalmente mobiliza investidores e gestores a encontrar soluções mais baratas em fundos conservadores. A opção dos investidores de varejo e alta renda insatisfeitos, do ano passado para cá, era a caderneta de poupança e os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). Mais recentemente, o que se nota é que os cotistas passaram a preferir fundos com taxas menores. Mas a grande novidade é que, ao bater à porta das agências em busca de alternativas mais em conta, eles agora encontram algumas respostas entre os grandes bancos.
Com os custos das carteiras de renda fixa mais visíveis por conta do juro menor, o aplicador deixou de ser indiferente ao tamanho das taxas de administração. Por essa razão, a Associação Nacional dos Bancos de Investimentos (Anbid) lança hoje o site "Escolha o seu Fundo", para facilitar comparações de preço entre as diversas alternativas no mercado.
A iniciativa atende a uma demanda dos investidores. Estudo do site Fortuna com fundos de bancos de varejo mostra que foram as carteiras DI com taxas de administração mais altas (acima de 2% ao ano) que perderam recursos no ano, R$ 31 milhões até o dia 23, enquanto os fundos com taxas menores (até 1,5%) captaram R$ 303 milhões.
Até aqui, são os portfólios com aplicação mínima mais alta, a partir de R$ 150 mil, que têm atraído novos aportes. Mas já indica que a barreira do acesso começa a ser quebrada. "Finalmente", comemora Marcelo D'Agosto, do Fortuna. "Depois de ficar tanto tempo sem se mexer, agora começamos a ver alguma mobilidade." Do investidor e também dos bancos.
O Itaú, por exemplo, reduziu a aplicação mínima do Itaú Max Referenciado DI, com taxa de 1,8% ao ano, de R$ 150 mil para R$ 50 mil; o Santander criou um novo fundo DI aceitando aplicações a partir de R$ 50 mil, enquanto o Banco do Brasil deixou de exigir ingresso mínimo no BB Referenciado DI Estilo. No Bradesco, o acesso ao fundo DI Special, com taxa de 1% ao ano, é permitido a clientes do segmento Prime abaixo da aplicação mínima inicial de R$ 100 mil. A condição, pelo prospecto, é o aplicador ter a quantia em produtos do banco, uma tolerância antes oculta nos bancos de varejo. O Itaú também prevê a condição no Max DI.
Além de facilitar o acesso a fundos com administração menor, carteiras com taxa de saída têm sido um dos caminhos encontrados pelos administradores para premiar o aplicador de longo prazo com custos mais baixos, caso do Banco Real, BB e Santander.
"O investidor está mais sensível a preço, começa a olhar a rentabilidade e a indústria, por seu lado, está se adequando", diz o superintendente da Santander Asset Management, Alexandre Silvério. Ele conta que, para fixar a taxa de um novo fundo, a instituição leva em conta não só o assédio de outros gestores, como também a concorrência com produtos que estão na prateleira do banco, como a caderneta e o CDB. "Para reter o cliente, é preciso ser competitivo."
Na família de fundos do banco espanhol batizada de Recompensa, há taxas de saída regressivas, zeradas após dois anos. E o valor pago por quem sai antes do prazo fica com o fundo, o que amplia o retorno de quem fica. A primeira carteira, já fechada para captação, tinha aplicação de R$ 25 mil, administração de 2,5% e saída de 3,5%. Na nova versão, Max, ainda captando, o custo baixou para 1,90% de taxa de administração e 2% de saída e o acesso facilitado, com aplicações a partir de R$ 10 mil. Há ainda o Master - aplicação de R$ 50 mil, 0,8% de administração e 1,2% de saída - e a Premium - ingresso de R$ 100 mil e taxas de 0,3% e 1,2%, respectivamente.
Criados há quase um ano, esses portfólios, porém, ainda reúnem apenas R$ 250 milhões, em um total de R$ 63 bilhões administrados pelo Santander. Para Ricardo Leal, professor do Instituto Coppead de Administração, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apesar de ser um "bicho novo" que deve demorar a ganhar popularidade, a taxa de saída é uma alternativa para baratear os fundos. Vale lembrar que, ficando no fundo por mais tempo, o investidor também tem o benefício das menores alíquotas de imposto de renda.
No Banco do Brasil, que concentra o maior patrimônio do setor, de R$ 232,5 bilhões, ainda há fundos com administração de 5,5% ao ano, para aplicações a partir de R$ 100, mas já há opções bem mais atrativas. O banco reduziu a exigência de aplicação mínima no BB Referenciado DI Estilo, que cobra 1% ao ano, para clientes do segmento diferenciado Estilo (com renda mensal a partir de R$ 6 mil). Complementam as novidades três fundos com taxa de saída e investimento mínimo de R$ 30 mil, R$ 5 mil e R$ 400. Na menor aplicação, a taxa de administração fica em 2%, com saída de 1,5%. "Hoje, o investidor tem mais acesso à informação, o que permite que ele conheça melhor as diversas classes de investimento e escolha aquela mais adequada ao seu perfil de risco", diz o gerente da Diretoria de Varejo Carlos Antônio Decezaro.
A Caixa Econômica Federal também pretende lançar seu fundo com taxa de saída em junho, mas os critérios ainda estão sendo desenhados. Além de estimular a fidelidade do cotista, que tende a ficar no fundo por mais de dois anos, a intenção é aproveitar oportunidades em papéis de longo prazo, diz o vice-presidente de Ativos de Terceiros, Bolivar Tarragó.
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Dinheiro traz a felicidade?
Valor Econômico - 20/5/2008
O senso comum nos informa que a felicidade pode ser considerada como o objetivo último na vida de cada pessoa. O estudo da satisfação com a vida tem interesse intrínseco, bem como outras motivações, como a avaliação de políticas públicas alternativas e a solução de quebra-cabeças empíricos da economia. Em relação a este último aspecto, provavelmente o paradoxo mais intrigante a ser explicado é a correlação extremamente fraca que diversos estudos apresentam entre renda, a variável mais venerada em economia, e felicidade. Inúmeros países que experimentaram um aumento drástico na renda real desde a Segunda Guerra não observaram um aumento no bem-estar auto-avaliado pela população, pelo contrário, a mesma diminuiu. Em um dado ponto no tempo, a renda mais alta está positivamente associada à felicidade das pessoas, mas ao longo do ciclo de vida e ao longo do tempo esta correlação é fraca, como no chamado Paradoxo de Easterlin. As pessoas adaptam suas aspirações aos maiores ingressos e se tornam mais exigentes à medida que a renda sobe. Como veremos mais adiante, esta visão foi recentemente desafiada por resultados empíricos apresentados por Angus Deaton (2007). É muito cedo para escolher o lado da discussão, mas o lançamento dos novos dados do Gallup World Poll que cobrem mais de 132 países ampliou o horizonte geográfico da discussão, e o trabalho pioneiro de Deaton baseados neles embaralhou novamente as cartas de felicidade com as notas de dinheiro. Sem ainda fazer apostas em dinheiro como causa principal da felicidade, discutimos a partir dos microdados deste mesmo conjunto de informações, cujo acesso foi propiciado pelo projeto sobre Qualidade de Vida do Banco Interamericano (BID), as relações entre renda e felicidade.
A fraca e volúvel relação entre renda e felicidade nos estudos empíricos motivou pesquisadores a irem um passo adiante da posição "objetivista" da teoria econômica, baseada somente nas escolhas feitas pelos indivíduos e que podem ser observadas. Na abordagem tradicional, a utilidade individual depende apenas de bens tangíveis, serviços e lazer, e é inferida quase que exclusivamente do comportamento (ou preferência revelada). A abordagem axiomática da preferência revelada explica que as escolhas feitas fornecem toda a informação necessária a partir da utilidade dos indivíduos. De acordo com Sen (1986), "a popularidade desta visão pode ser atribuída à crença peculiar de que escolha (...) é o único aspecto humano que pode ser observado". A partir do trabalho de Easterlin (1974), cuja relevância aumenta a partir da última parte da década de 90 - quando um conjunto de economistas começou a realizar análises empíricas de larga escala sobre os determinantes da felicidade em diferentes países e períodos -, o interesse econômico na mensuração do bem-estar individual subjetivo cresceu consideravelmente.
Uma visão subjetiva de utilidade reconhece que cada pessoa tem suas próprias idéias sobre felicidade e sobre o que é uma vida boa. Nesta perspectiva, o comportamento observado seria um indicador incompleto para o bem-estar individual. A felicidade dos indivíduos poderia ser captada perguntando diretamente às pessoas o quão satisfeitas estão com suas vidas. As variáveis de interesse estão baseadas no julgamento das pessoas por elas mesmas, de acordo com a premissa de que elas são os melhores juízes sobre a qualidade geral de suas vidas e, portanto, nenhuma estratégia poderia ser mais direta do que perguntar a elas sobre seu nível de bem-estar. A principal idéia é que o conceito de felicidade subjetiva nos possibilitaria captar diretamente o bem-estar humano em vez de mensurar renda ou outras coisas que não são exatamente o que, ao fim e ao cabo, as pessoas querem, mas são os meios através dos quais se pode conseguir - ou não - usufruir da felicidade.
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A elasticidade-renda de longo prazo da felicidade geral das nações é constante: para cada 10% de incremento de renda, a felicidade sobe 1,5%
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Como as pessoas medem seu nível de bem-estar subjetivo em relação às circunstâncias pessoais e às outras pessoas, incluindo experiências passadas e expectativas futuras, alguns sugerem que medidas de bem-estar subjetivo sirvam como medidas de utilidade. Além disso, de acordo com Diener (1984) - baseado em estudos como Fernandez-Dols e Ruiz-Belda (1995), que apontam a alta correlação entre felicidade reportada e sorriso, e Honkanen Koivumaa et alli (2001), que encontram a mesma relação entre infelicidade, cérebro e atividade cardíaca - "estas mensurações subjetivas parecem conter quantidades substanciais de variação válida".
Angus Deaton (2007) desafia as interpretações mais ou menos estabelecidas da literatura empírica prévia, em particular que "dinheiro não traz felicidade" (ou seja, satisfação com a vida no longo prazo), através dos dados do Gallup World Poll, algo mais rico em número de países em relação às pesquisas anteriores. O artigo de Deaton (2007) é a referência-chave dissonante da literatura empírica.
Iniciamos pelos mesmos dados do Gallup World Poll de 2006 que está disponível para 132 países, explorando exercícios simples bivariados de satisfação com a vida em níveis e diferenças, através de diferentes horizontes, em comparação com o PIB per capita ajustado por paridade de poder de compra, a fim de compararmos laranjas com laranjas entre países. O mergulho inicial do impacto da renda mundial sobre a satisfação com a vida nos informa que Togo ocupa a lanterninha, com 3,2, numa escala de 0 a 10, e a Dinamarca o ápice, com 8,02. O Brasil está numa posição mais chegada à nação européia do que à africana, atingindo 6,64, situando-se acima da norma internacional de felicidade dado o seu PIB per capita.
Deaton trabalha basicamente com regressões de médias entre países (cross-country regressions) e sugere que uma especificação log-linear se ajusta melhor aos dados do que uma especificação em nível implicando numa relação côncava. A dupla relação em logaritmos aqui proposta parece adequar-se melhor aos dados - é inclusive mais condizente com o modelo teórico usado pelo próprio Deaton. Neste último caso, o coeficiente estimado nos informa diretamente a elasticidade-renda de longo prazo da felicidade, que seria constante: para cada 10% de incremento de renda, a felicidade subiria algo como 1,5% no longo prazo.
Marcelo Côrtes Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais do IBRE/FGV e professor da EPGE/FGV, é autor de "Retratos da Deficiência". E-mail: mcneri@fgv.br
O senso comum nos informa que a felicidade pode ser considerada como o objetivo último na vida de cada pessoa. O estudo da satisfação com a vida tem interesse intrínseco, bem como outras motivações, como a avaliação de políticas públicas alternativas e a solução de quebra-cabeças empíricos da economia. Em relação a este último aspecto, provavelmente o paradoxo mais intrigante a ser explicado é a correlação extremamente fraca que diversos estudos apresentam entre renda, a variável mais venerada em economia, e felicidade. Inúmeros países que experimentaram um aumento drástico na renda real desde a Segunda Guerra não observaram um aumento no bem-estar auto-avaliado pela população, pelo contrário, a mesma diminuiu. Em um dado ponto no tempo, a renda mais alta está positivamente associada à felicidade das pessoas, mas ao longo do ciclo de vida e ao longo do tempo esta correlação é fraca, como no chamado Paradoxo de Easterlin. As pessoas adaptam suas aspirações aos maiores ingressos e se tornam mais exigentes à medida que a renda sobe. Como veremos mais adiante, esta visão foi recentemente desafiada por resultados empíricos apresentados por Angus Deaton (2007). É muito cedo para escolher o lado da discussão, mas o lançamento dos novos dados do Gallup World Poll que cobrem mais de 132 países ampliou o horizonte geográfico da discussão, e o trabalho pioneiro de Deaton baseados neles embaralhou novamente as cartas de felicidade com as notas de dinheiro. Sem ainda fazer apostas em dinheiro como causa principal da felicidade, discutimos a partir dos microdados deste mesmo conjunto de informações, cujo acesso foi propiciado pelo projeto sobre Qualidade de Vida do Banco Interamericano (BID), as relações entre renda e felicidade.
A fraca e volúvel relação entre renda e felicidade nos estudos empíricos motivou pesquisadores a irem um passo adiante da posição "objetivista" da teoria econômica, baseada somente nas escolhas feitas pelos indivíduos e que podem ser observadas. Na abordagem tradicional, a utilidade individual depende apenas de bens tangíveis, serviços e lazer, e é inferida quase que exclusivamente do comportamento (ou preferência revelada). A abordagem axiomática da preferência revelada explica que as escolhas feitas fornecem toda a informação necessária a partir da utilidade dos indivíduos. De acordo com Sen (1986), "a popularidade desta visão pode ser atribuída à crença peculiar de que escolha (...) é o único aspecto humano que pode ser observado". A partir do trabalho de Easterlin (1974), cuja relevância aumenta a partir da última parte da década de 90 - quando um conjunto de economistas começou a realizar análises empíricas de larga escala sobre os determinantes da felicidade em diferentes países e períodos -, o interesse econômico na mensuração do bem-estar individual subjetivo cresceu consideravelmente.
Uma visão subjetiva de utilidade reconhece que cada pessoa tem suas próprias idéias sobre felicidade e sobre o que é uma vida boa. Nesta perspectiva, o comportamento observado seria um indicador incompleto para o bem-estar individual. A felicidade dos indivíduos poderia ser captada perguntando diretamente às pessoas o quão satisfeitas estão com suas vidas. As variáveis de interesse estão baseadas no julgamento das pessoas por elas mesmas, de acordo com a premissa de que elas são os melhores juízes sobre a qualidade geral de suas vidas e, portanto, nenhuma estratégia poderia ser mais direta do que perguntar a elas sobre seu nível de bem-estar. A principal idéia é que o conceito de felicidade subjetiva nos possibilitaria captar diretamente o bem-estar humano em vez de mensurar renda ou outras coisas que não são exatamente o que, ao fim e ao cabo, as pessoas querem, mas são os meios através dos quais se pode conseguir - ou não - usufruir da felicidade.
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A elasticidade-renda de longo prazo da felicidade geral das nações é constante: para cada 10% de incremento de renda, a felicidade sobe 1,5%
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Como as pessoas medem seu nível de bem-estar subjetivo em relação às circunstâncias pessoais e às outras pessoas, incluindo experiências passadas e expectativas futuras, alguns sugerem que medidas de bem-estar subjetivo sirvam como medidas de utilidade. Além disso, de acordo com Diener (1984) - baseado em estudos como Fernandez-Dols e Ruiz-Belda (1995), que apontam a alta correlação entre felicidade reportada e sorriso, e Honkanen Koivumaa et alli (2001), que encontram a mesma relação entre infelicidade, cérebro e atividade cardíaca - "estas mensurações subjetivas parecem conter quantidades substanciais de variação válida".
Angus Deaton (2007) desafia as interpretações mais ou menos estabelecidas da literatura empírica prévia, em particular que "dinheiro não traz felicidade" (ou seja, satisfação com a vida no longo prazo), através dos dados do Gallup World Poll, algo mais rico em número de países em relação às pesquisas anteriores. O artigo de Deaton (2007) é a referência-chave dissonante da literatura empírica.
Iniciamos pelos mesmos dados do Gallup World Poll de 2006 que está disponível para 132 países, explorando exercícios simples bivariados de satisfação com a vida em níveis e diferenças, através de diferentes horizontes, em comparação com o PIB per capita ajustado por paridade de poder de compra, a fim de compararmos laranjas com laranjas entre países. O mergulho inicial do impacto da renda mundial sobre a satisfação com a vida nos informa que Togo ocupa a lanterninha, com 3,2, numa escala de 0 a 10, e a Dinamarca o ápice, com 8,02. O Brasil está numa posição mais chegada à nação européia do que à africana, atingindo 6,64, situando-se acima da norma internacional de felicidade dado o seu PIB per capita.
Deaton trabalha basicamente com regressões de médias entre países (cross-country regressions) e sugere que uma especificação log-linear se ajusta melhor aos dados do que uma especificação em nível implicando numa relação côncava. A dupla relação em logaritmos aqui proposta parece adequar-se melhor aos dados - é inclusive mais condizente com o modelo teórico usado pelo próprio Deaton. Neste último caso, o coeficiente estimado nos informa diretamente a elasticidade-renda de longo prazo da felicidade, que seria constante: para cada 10% de incremento de renda, a felicidade subiria algo como 1,5% no longo prazo.
Marcelo Côrtes Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais do IBRE/FGV e professor da EPGE/FGV, é autor de "Retratos da Deficiência". E-mail: mcneri@fgv.br
Mesmo com a regra nova, consignado é o melhor crédito
Jornal da Tarde
21/05/2008
Para dificultar a ação de golpistas contra os aposentados, governo criou uma série de restrições ao uso desse tipo de crédito, mas, mesmo assim, ele continua a ser o mais barato do mercado. Saiba qual a melhor forma de utilizá-lo
CAROLINA DALL’OLIO, carolina.dallolio@grupoestado.com.br
O consignado continua a ser o crédito mais barato do mercado, mesmo com a nova regulamentação para empréstimos voltados a aposentados e pensionistas. Na segunda-feira, o Ministério da Previdência Social anunciou mudanças na concessão e uso do crédito - entre elas, o valor limite de 20% da renda para empréstimos pessoais e 10% para cartão de crédito. Mas não alterou os juros baixos: que permanecem em 2,5% para empréstimo e 3,5% para cartão de crédito.
“As restrições no crédito consignado só servem para o aposentado organizar suas finanças e começar a pensar melhor no uso que vai fazer do dinheiro”, afirma Fabio Gallo Garcia, professor de Finanças da Fundação Getúlio Vargas e da PUC-SP. De acordo com Garcia, a melhor utilização para esse dinheiro é quitar as dívidas já contraídas. “Quem fez outro tipo de empréstimo, certamente está pagando juros mais altos que os do consignado. Então, é um bom negócio recorrer a esse crédito e liquidar as outras pendências de uma vez”, recomenda o professor.
Uma pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), referente ao mês de março, revela que 17% dos cidadãos utilizam o crédito consignado. Entre eles, 55% usam esse dinheiro para pagar dívidas. “Os aposentados devem sempre se livrar das prestações, pois eles precisam guardar dinheiro para custear produtos de extrema necessidade - como alimentos e remédios - que podem sofrer aumentos a qualquer hora”, aconselha Marcel Domingos Solimeo, superintendente de Economia da ACSP.
Para quem pretende adquirir algum produto mas não tem dinheiro para comprar à vista, também é recomendável pedir empréstimo pessoal consignado em vez de recorrer aos carnês das lojas. Na ponta do lápis, as vantagens são imensas.
Cálculos realizados por Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), mostram que o aposentado que comprar uma geladeira no valor de R$850 em 12 vezes com cartão de crédito convencional vai pagar, no final das contas, R$1.551,12. Mas se ele pedir um empréstimo pessoal consignado para quitar a dívida à vista na loja, poderá pagar o valor em até 60 meses para o banco e gastar R$1.650 - só R$98, 88 a mais por um prazo muito mais longo. Mas é preciso lembrar que o empréstimo é abatido direto do pagamento. Portanto, representa uma receita a menos todo mês.
COMO FICAM AS REGRAS
ANTES
Não estava claro se o consignado poderia ou não ser usado como financiamento
As parcelas do empréstimo poderiam comprometer, no máximo, 30% da renda
Desde que não ultrapassasse esse valor, o número de empréstimos era ilimitado
Os bancos podiam retardar a cobrança das parcelas e cobrar juros pelo período de carência
O crédito poderia ser tomado em qualquer região do país
O limite do cartão de crédito era de três vezes a renda mensal e podia ser sacado em dinheiro
AGORA
Agora, ficou proibido vincular o empréstimo ao pagamento de qualquer produto
A regra ainda vale. Mas o destino está especificado: 20% para
empréstimo e 10% para cartão
Cada aposentado pode adquirir, no máximo, seis empréstimos e um cartão de crédito
Para evitar que os aposentados se afundem nos juros, o governo proibiu a concessão de carência
O empréstimo só pode ser feito no Estado onde mora o aposentado
O valor baixou para equivalente a dois meses de benefício e o
saque em espécie está proibido
21/05/2008
Para dificultar a ação de golpistas contra os aposentados, governo criou uma série de restrições ao uso desse tipo de crédito, mas, mesmo assim, ele continua a ser o mais barato do mercado. Saiba qual a melhor forma de utilizá-lo
CAROLINA DALL’OLIO, carolina.dallolio@grupoestado.com.br
O consignado continua a ser o crédito mais barato do mercado, mesmo com a nova regulamentação para empréstimos voltados a aposentados e pensionistas. Na segunda-feira, o Ministério da Previdência Social anunciou mudanças na concessão e uso do crédito - entre elas, o valor limite de 20% da renda para empréstimos pessoais e 10% para cartão de crédito. Mas não alterou os juros baixos: que permanecem em 2,5% para empréstimo e 3,5% para cartão de crédito.
“As restrições no crédito consignado só servem para o aposentado organizar suas finanças e começar a pensar melhor no uso que vai fazer do dinheiro”, afirma Fabio Gallo Garcia, professor de Finanças da Fundação Getúlio Vargas e da PUC-SP. De acordo com Garcia, a melhor utilização para esse dinheiro é quitar as dívidas já contraídas. “Quem fez outro tipo de empréstimo, certamente está pagando juros mais altos que os do consignado. Então, é um bom negócio recorrer a esse crédito e liquidar as outras pendências de uma vez”, recomenda o professor.
Uma pesquisa da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), referente ao mês de março, revela que 17% dos cidadãos utilizam o crédito consignado. Entre eles, 55% usam esse dinheiro para pagar dívidas. “Os aposentados devem sempre se livrar das prestações, pois eles precisam guardar dinheiro para custear produtos de extrema necessidade - como alimentos e remédios - que podem sofrer aumentos a qualquer hora”, aconselha Marcel Domingos Solimeo, superintendente de Economia da ACSP.
Para quem pretende adquirir algum produto mas não tem dinheiro para comprar à vista, também é recomendável pedir empréstimo pessoal consignado em vez de recorrer aos carnês das lojas. Na ponta do lápis, as vantagens são imensas.
Cálculos realizados por Miguel de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), mostram que o aposentado que comprar uma geladeira no valor de R$850 em 12 vezes com cartão de crédito convencional vai pagar, no final das contas, R$1.551,12. Mas se ele pedir um empréstimo pessoal consignado para quitar a dívida à vista na loja, poderá pagar o valor em até 60 meses para o banco e gastar R$1.650 - só R$98, 88 a mais por um prazo muito mais longo. Mas é preciso lembrar que o empréstimo é abatido direto do pagamento. Portanto, representa uma receita a menos todo mês.
COMO FICAM AS REGRAS
ANTES
Não estava claro se o consignado poderia ou não ser usado como financiamento
As parcelas do empréstimo poderiam comprometer, no máximo, 30% da renda
Desde que não ultrapassasse esse valor, o número de empréstimos era ilimitado
Os bancos podiam retardar a cobrança das parcelas e cobrar juros pelo período de carência
O crédito poderia ser tomado em qualquer região do país
O limite do cartão de crédito era de três vezes a renda mensal e podia ser sacado em dinheiro
AGORA
Agora, ficou proibido vincular o empréstimo ao pagamento de qualquer produto
A regra ainda vale. Mas o destino está especificado: 20% para
empréstimo e 10% para cartão
Cada aposentado pode adquirir, no máximo, seis empréstimos e um cartão de crédito
Para evitar que os aposentados se afundem nos juros, o governo proibiu a concessão de carência
O empréstimo só pode ser feito no Estado onde mora o aposentado
O valor baixou para equivalente a dois meses de benefício e o
saque em espécie está proibido
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Futuro intocável
Valor Econômico
Por Danilo Fariello, de São Paulo
16/05/2008
O investidor de previdência privada brasileiro tem provado o seu alto grau de tolerância a crises. Diferentemente dos fundos de investimento destinados ao varejo, em geral de prazo mais curto, que viram resgates de R$ 8,5 bilhões em seu patrimônio nos últimos três meses, a captação de PGBLs e VGBLs segue em gradual crescimento e soma R$ 2,9 bilhões no ano, R$ 1,108 bilhão apenas neste mês, segundo dados do site Fortuna. Para Marcelo D'Agosto, diretor do site, o comportamento faz sentido, uam vez que a aplicação em previdência privada é de longo prazo e não deve ser mudada por questões conjunturais.
Nos fundos de investimento, os aplicadores estão deixando as carteiras, entre outros motivos, atraídos pela melhor remuneração oferecida pelos bancos em CDBs. Na previdência privada, pelas questões tributárias, isso faz menos sentido, explica Renato Russo, diretor da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). "O investidor só sai quando realmente precisa do dinheiro para alguma necessidade urgente", comenta. De todos os produtos de poupança que a pessoa tem, a previdência privada costuma ser a mais intocável, diz Russo. Mais ainda quando se trata de aplicação para os menores de idade.
A captação da previdência em abril cresceu 35% em relação a março e 28% em relação a abril de 2007, segundo o Fortuna. Nos 12 meses com fim em abril, a captação cresceu 11% em relação aos 12 meses compreendidos entre maio de 2006 e abril de 2007.
Desde a crise do mercado em 2003, com o lançamento da nova tabela de imposto de renda regressiva (cuja alíquota cai de 35% a 10% gradualmente em dez anos), o setor não registra mais saques do que depósitos no período encerrado a cada mês.
A impressão de que os investidores são totalmente insensíveis à rentabilidade de curto prazo dos planos, porém, não é verdadeira, segundo sugerem os dados do Fortuna. Em abril, quando a bolsa de valores brasileira ainda caminhava vacilante - o anúncio do grau de investimento pela Standard & Poor's saiu apenas no dia 30 -, os investidores preferiram destinar parte maior de seus recursos aos planos de renda fixa, em rumo inverso ao verificado até o mês passado. Segundo o Fortuna, a captação dos planos de renda fixa subiu de R$ 56 milhões em março para R$ 182 milhões em abril. Enquanto isso, os planos com renda variável (balanceados e multimercados) viram a captação cair de R$ 820 milhões em março para R$ 728 em abril.
No entanto, D'Agosto lembra que não é possível afirmar que se tratam de planos multimercados ou balanceados no limite máximo da agressividade (com até 49% de ações) ou planos mais conservadores, limitados a 10% ou 20% de ações em carteira.
Esse limite de 49% em ações, segundo Russo, da Fenaprevi, acaba restringindo também a volatilidade dos planos de previdência. Não se viu nos últimos meses, por exemplo, planos de previdência perderem tanto em rentabilidade quanto os fundos de ações ou multimercados. Isso faz com que o participante sinta menos impulso de sair também, completa Russo, que também é vice-presidente de Previdência e Vida da SulAmérica.
Segundo Russo, essa captação se deve também às carteiras empresariais, em que funcionário e empregador costumam aplicar valores fixos mensalmente. "Dessa fonte, há um crescimento de captação quase vegetativo, que se amplia pela adoção da previdência privada por mais empresas."
Outro fator a favor dos planos de previdência é a interpretação por parte de muitos de que a aplicação seria uma fatura a ser paga por mês. As seguradoras costumam mandar boletos aos clientes, para facilitar o recolhimento, diz Luciano Snel, diretor de produtos da Icatu Hartford. "Porém, se a crise fosse suficiente para criar uma fuga de investimentos (como ocorreu na ocasião da mudança do imposto de renda), nada os seguraria", diz Snel, crente da maior consciência do aplicador de PGBLs e VGBLs. A própria criação da tabela regressiva, que oferece benefício tributário a quem ficar mais tempo, mas pune aquele que deixa a previdência rapidamente, é outro fator a reter o aplicador, lembra Russo. "As pessoas ficam mais porque passaram a entender a vantagem do benefício fiscal."
Apesar de arrefecer a procura por planos com ações, o ritmo de novas aplicações ainda flui em ritmo acelerado para essas carteiras mais agressivas. Os planos balanceados e multimercados já somam patrimônio de R$ 20 bilhões, segundo o Fortuna. Os planos de renda fixa crescem com menos velocidade, acumulando patrimônio de R$ 62 bilhões no fim de abril. Segundo o site financeiro, o patrimônio total dos fundos onde investem os PGBLs e VGBLs está em R$ 98,4 bilhões.
Por Danilo Fariello, de São Paulo
16/05/2008
O investidor de previdência privada brasileiro tem provado o seu alto grau de tolerância a crises. Diferentemente dos fundos de investimento destinados ao varejo, em geral de prazo mais curto, que viram resgates de R$ 8,5 bilhões em seu patrimônio nos últimos três meses, a captação de PGBLs e VGBLs segue em gradual crescimento e soma R$ 2,9 bilhões no ano, R$ 1,108 bilhão apenas neste mês, segundo dados do site Fortuna. Para Marcelo D'Agosto, diretor do site, o comportamento faz sentido, uam vez que a aplicação em previdência privada é de longo prazo e não deve ser mudada por questões conjunturais.
Nos fundos de investimento, os aplicadores estão deixando as carteiras, entre outros motivos, atraídos pela melhor remuneração oferecida pelos bancos em CDBs. Na previdência privada, pelas questões tributárias, isso faz menos sentido, explica Renato Russo, diretor da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi). "O investidor só sai quando realmente precisa do dinheiro para alguma necessidade urgente", comenta. De todos os produtos de poupança que a pessoa tem, a previdência privada costuma ser a mais intocável, diz Russo. Mais ainda quando se trata de aplicação para os menores de idade.
A captação da previdência em abril cresceu 35% em relação a março e 28% em relação a abril de 2007, segundo o Fortuna. Nos 12 meses com fim em abril, a captação cresceu 11% em relação aos 12 meses compreendidos entre maio de 2006 e abril de 2007.
Desde a crise do mercado em 2003, com o lançamento da nova tabela de imposto de renda regressiva (cuja alíquota cai de 35% a 10% gradualmente em dez anos), o setor não registra mais saques do que depósitos no período encerrado a cada mês.
A impressão de que os investidores são totalmente insensíveis à rentabilidade de curto prazo dos planos, porém, não é verdadeira, segundo sugerem os dados do Fortuna. Em abril, quando a bolsa de valores brasileira ainda caminhava vacilante - o anúncio do grau de investimento pela Standard & Poor's saiu apenas no dia 30 -, os investidores preferiram destinar parte maior de seus recursos aos planos de renda fixa, em rumo inverso ao verificado até o mês passado. Segundo o Fortuna, a captação dos planos de renda fixa subiu de R$ 56 milhões em março para R$ 182 milhões em abril. Enquanto isso, os planos com renda variável (balanceados e multimercados) viram a captação cair de R$ 820 milhões em março para R$ 728 em abril.
No entanto, D'Agosto lembra que não é possível afirmar que se tratam de planos multimercados ou balanceados no limite máximo da agressividade (com até 49% de ações) ou planos mais conservadores, limitados a 10% ou 20% de ações em carteira.
Esse limite de 49% em ações, segundo Russo, da Fenaprevi, acaba restringindo também a volatilidade dos planos de previdência. Não se viu nos últimos meses, por exemplo, planos de previdência perderem tanto em rentabilidade quanto os fundos de ações ou multimercados. Isso faz com que o participante sinta menos impulso de sair também, completa Russo, que também é vice-presidente de Previdência e Vida da SulAmérica.
Segundo Russo, essa captação se deve também às carteiras empresariais, em que funcionário e empregador costumam aplicar valores fixos mensalmente. "Dessa fonte, há um crescimento de captação quase vegetativo, que se amplia pela adoção da previdência privada por mais empresas."
Outro fator a favor dos planos de previdência é a interpretação por parte de muitos de que a aplicação seria uma fatura a ser paga por mês. As seguradoras costumam mandar boletos aos clientes, para facilitar o recolhimento, diz Luciano Snel, diretor de produtos da Icatu Hartford. "Porém, se a crise fosse suficiente para criar uma fuga de investimentos (como ocorreu na ocasião da mudança do imposto de renda), nada os seguraria", diz Snel, crente da maior consciência do aplicador de PGBLs e VGBLs. A própria criação da tabela regressiva, que oferece benefício tributário a quem ficar mais tempo, mas pune aquele que deixa a previdência rapidamente, é outro fator a reter o aplicador, lembra Russo. "As pessoas ficam mais porque passaram a entender a vantagem do benefício fiscal."
Apesar de arrefecer a procura por planos com ações, o ritmo de novas aplicações ainda flui em ritmo acelerado para essas carteiras mais agressivas. Os planos balanceados e multimercados já somam patrimônio de R$ 20 bilhões, segundo o Fortuna. Os planos de renda fixa crescem com menos velocidade, acumulando patrimônio de R$ 62 bilhões no fim de abril. Segundo o site financeiro, o patrimônio total dos fundos onde investem os PGBLs e VGBLs está em R$ 98,4 bilhões.
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