segunda-feira, 9 de maio de 2011

Inflação em alta engole rendimento de poupador

Correio Braziliense

09/05/2011


Poupança rende de 0,55% a 0,68% ao mês, conforme o dia do aniversário, e continua batendo vários fundos de renda fixa. Com elevação do custo de vida, saída é acompanhar os investimentos e comparar o ganho líquido das diversas opções oferecidas pelos bancos.
Ana D"angelo
Victor Martins

Nem mesmo a alta da taxa básica de juros da economia, a taxa Selic, desbancou a caderneta de poupança entre as melhores aplicações financeiras neste ano. O investimento preferido do brasileiro está rendendo entre 0,55% e 0,67% ao mês, acima da rentabilidade líquida de vedetes do mercado, como diversos fundos de renda fixa DI para valores de aplicação mais baixos, em torno de R$ 100 a R$ 5.000. A má notícia é que, a exemplo do ano passado, quase todas as aplicações estão perdendo para a inflação nos primeiros quatro meses do ano.

O “surto inflacionário” que atingiu a economia brasileira, como denominou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, está engolindo a rentabilidade de quase todos os investimentos de renda fixa. A caderneta de poupança, com aniversário no dia 1º, totalizou ganho de 2,3% nos quatro primeiros meses do ano. Bem abaixo da inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), calculado pelo IBGE, que acumula 3,23% de alta no ano. A estimativa para o INPC, também do IBGE, deve ficar em 2,9% de janeiro a abril.

A maior parte dos fundos de renda fixa dos bancos, mesmos os chamados fundos DI (atrelado à taxa Selic), rendeu entre 2% e 3,65% brutos de janeiro a abril, dependendo da instituição e da característica do fundo. Como essas aplicações pagam Imposto de Renda entre 22,5% (prazo de até seis meses) e 15% (se ficar aplicado por mais de dois anos), o rendimento míngua para algo em torno de 1,6% e 2,9%. Em abril, tiveram ganho líquido em torno de 0,58% e 0,60%, conforme pesquisa feita nos sites do Bradesco, Santander, Caixa e Banco do Brasil. Tal rentabilidade faz com que vários desses fundos estejam atrás também da poupança.

Só os grandes fundos, aqueles que exigem depósitos maiores, de R$ 20 mil para cima, ainda estão oferecendo ganho líquido igual ou pouco maior que a inflação. Mesmo assim, porque destinam parte dos recursos para o mercado de derivativos, de mais risco, como de commodities.

Nesse cenário de inflação em alta e aumento da Selic, o diretor da corretora Easynvest, Amerson Magalhães, aconselha concentrar os investimentos nos chamados fundos DI pós-fixados, ou seja, atrelados à variação do CDI (Certificado de Depósito Interbancário). “A Selic vai subindo, a rentabilidade também vai acompanhando”, afirma ele. É a saída para o poupador conseguir ganhar pelo menos igual à inflação.

“No quadro atual, a mais prejudicada é a poupança, que tem rentabilidade fixa”, diz ele, referindo-se aos 6% de rentabilidade ao ano, ou 0,5% ao mês, embora receba também a variação da TR (Taxa Referencial de Juros), que tem ficado entre 0,04% e 0,17% ao mês, menos de 1% ao ano. Segundo ele, com o aumento das taxas de juros, os fundos de renda fixa prefixados também sofrem, pois têm o rendimento calculado sobre uma taxa de juros anterior.

Magalhães alerta, no entanto, que o investimento mais interessante hoje é o Tesouro Direto, que é a compra de títulos públicos online pelo site da Secretaria do Tesouro Nacional, em especial daqueles atrelados à inflação, IPCA ou IGP-M (leia mais nesta página).

A economista Camila Beraldo, 30 anos, manteve suas economias na poupança desde a queda da Selic, em meados de 2009, mas agora está revendo a estratégia. “Investir diretamente nos títulos públicos, no Tesouro Direto, é mais garantido atualmente”, acredita ela.

A superintendente de investimentos do Santander, Sinara Polycarpo, recomenda também as aplicações pós-fixadas e que acompanham a taxa Selic. Ela considera a aplicação em CDB-DI uma excelente opção. “Garante um percentual da Selic e, dependendo do tempo que o dinheiro ficar aplicado, o cliente pode conseguir uma taxa ainda melhor”, observa. Em geral, os fundos DI que pagam mais exigem valores iniciais e novas aplicações maiores, a partir dos R$ 10.000.

Os CDBs estão entre as melhores aplicações, assegurando rendimento melhor — um percentual do CDI, que vai de 80% a 95%, conforme o tempo de aplicação.

IPCA e INPC
O índice reflete o custo de vida de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos (R$ 21.800), residentes nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém, além do Distrito Federal e do município de Goiânia. Já o INPC reflete a variação de preços de produtos e serviços consumidos por famílias desses municípios e DF até oito salários mínimos (R$ 4.360).

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Bolsa? Volto amanhã


06/05/2011

Alessandra Bellotto | De São Paulo

Abolsa de valores não está preparada para acolher o investidor iniciante. É o que mostra uma experiência com dez candidatos a investidor realizada pela empresa de planejamento estratégico de marca CO.R Inovação, a pedido da BM&FBovespa. Cada pessoa do grupo - formado por homens e mulheres de 25 a 35 anos das classes A e B - recebeu R$ 500 para um "test-drive" na bolsa. Com tantos tropeços pelo caminho, todos teriam desistido de estrear no mercado se não estivessem participando da pesquisa, diz a diretora de projetos da CO.R, Nathalia Souza.

A iniciativa, que tinha como objetivo converter aspirantes em investidores, foi realizada no fim do ano passado e apontou falhas que podem estar atrasando o crescimento do número de pessoas físicas na bolsa no ritmo esperado. Só nos primeiros quatro meses deste ano, 6,9 mil investidores deixaram o mercado - em abril, o número de contas de pessoas físicas caiu para 596.571. Uma ressalva: o ambiente atual, de bolsa em baixa, inflação pressionada juro em alta e crise internacional, não está favorável para a aplicação em ações. "Esses últimos quatro meses não ajudaram", destaca o diretor-presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto.

Mas ele também acredita que faz parte do trabalho de educação da bolsa mostrar para as pessoas que essa é a dinâmica do investimento em ações. E reconhece que há um desafio enorme para vencer as barreiras que têm afugentado, especialmente, os decididos a experimentar a bolsa, conforme apontou a pesquisa, e colocado a meta da bolsa de alcançar a marca de 5 milhões de investidores pessoas físicas até o início de 2015 mais distante.

O projeto liderado pela CO.R Inovação teve duas fases. Na primeira, o objetivo foi identificar o estilo de vida do público potencial, sua relação com o dinheiro, perfil e valores. Já nesse momento, alguns obstáculos foram detectados. Entre eles, conta Nathalia, percebeu-se que a bolsa não é lembrada quando se fala em investimento e está envolta em mitos, ao ser associada a um mercado para grandes investidores ou especialistas. Também se notou falta de conhecimento sobre como iniciar um investimento em ações, e foi isso que levou à segunda fase do projeto: o de acompanhar dez aspirantes a investidor na sua "conversão".

Uma vez selecionado o grupo, cada um dos participantes recebeu a missão de investir R$ 500 na bolsa. A opção por um valor inicial baixo para aplicação, explica Nathalia, teve como objetivo deixar os desafios ainda mais latentes. Em seguida, foram definidos cinco passos. No primeiro, o aspirante tinha de garimpar informações sobre como investir. A maioria recorreu ao sistema de busca Google, sem sucesso. Além de o site da BM&FBovespa não aparecer nos resultados da pesquisa, outra constatação desse potencial investidor foi que as corretoras indicadas usavam uma linguagem específica do mercado, nada amigável ao iniciante.

Também nesse momento, descobriu-se que, para operar na bolsa, é preciso de um intermediário. "Eles não sabiam que existia corretora, nem ligada à banco, o que provocou uma certa insegurança", afirma Nathalia. O segundo passo do processo de conversão era justamente entender o papel do intermediário para poder fazer a escolha. A experiência, mais uma vez, frustrou os potenciais investidores, postergando o investimento.

Segundo Nathalia, o estudo deixou o candidato a investidor com o sentimento de que a corretora é um pedágio, uma instituição para executar as ordens, e não para facilitar a vida do cliente. Além de colocar barreiras como investimento mínimo, as instituições mostraram que não estão preparadas para acolher o estreante, que sente falta da relação humana, de alguém para tirar dúvidas. O investidor iniciante, ressalta a diretora, não olha se a corretora tem o melhor preço, tecnologia avançada, equipe de análise premiada, distribuição de relatórios. "Ele quer a melhor orientação, de um jeito simples e claro, a um custo compatível", diz. E até está disposto a perder dinheiro nesse primeiro momento em troca da aprendizagem.

No banco, compara a executiva, há sempre um gerente para socorrer o cliente. E foi para essa fonte, diga-se de passagem, que boa parte dos participantes da pesquisa recorreu na busca por informações, obtendo como resposta a sugestão de investir em um fundo de ações, sob o argumento da gestão profissionalizada. "O gerente do banco, muitas vezes, acaba tirando a possibilidade de o cliente migrar para a corretora", destaca.

Outro obstáculo enfrentado no processo de investimento foi na hora de escolher as ações. As corretoras, em geral, trabalham com carteiras recomendadas, que incluem sugestões de alguns papéis. Mas o candidato a investidor percebeu que o valor inicial que tinha para aplicar não era suficiente para replicar a aplicação sugerida. Nem mesmo para comprar um lote de ações. E aí mais uma decepção: com R$ 500 só dava para operar no mercado fracionário, o que levou esse potencial investidor a acreditar que a bolsa, de fato, é para gigantes.

Como esse aspirante a investidor sempre ouviu dizer que diversificar é fundamental, a estreia na bolsa foi feita com baixa convicção, conta Nathalia. "Operar no mercado fracionário não foi considerado uma experiência completa", diz. Mas o investidor seguiu em frente, escolheu a ação e passou para a fase seguinte, que era explorar o sistema de negociação.

Também, segundo a diretora, além de não entender a dinâmica de preços do mercado, poucos sabiam operar no home broker, sistema de negociação on-line de ações. Nathalia conta que alguns compraram ações a um preço mais alto do que o médio, outros, papéis de baixa liquidez, acreditando que o fato de haver menos investidores negociando a ação era um bom sinal. "Eles fecharam os olhos e deram o clique", conta. Mas ainda ficaram na dúvida se o negócio tinha sido concretizado.

"Há um elo perdido no processo de conversão", afirma Nathalia. Segundo ela, quando um candidato a investidor decide aplicar na bolsa, não há quem o ajude a fazer esse caminho. "As corretoras precisam melhorar a comunicação com o iniciante, até porque ele pode vir a se tornar um grande investidor." Tudo vai depender da primeira experiência, acrescenta Nathalia.

No caso dos que participaram da pesquisa, apesar dos vários obstáculos que enfrentaram ao longo do processo, a diretora diz que todos manifestaram a vontade de fazer cursos e passar a acompanhar o mercado.

domingo, 1 de maio de 2011

Um clube para investir


01/05/2011

TETÊ MONTEIRO

Os clubes de investimentos são considerados a porta de entrada no mercado de ações para quem não tem tanta folga no orçamento ou mesmo para os aplicadores que não dispõem de tempo e conhecimentos suficientes para fugir das armadilhas das aplicações em renda variável. O certo é que a modalidade vem ganhando robustez na Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa). Atrai, a cada dia, a atenção de mais e mais pessoas. Só em março, foram abertos 38 clubes no centro financeiro paulista. Hoje, são mais de 131 mil cotistas distribuídos em 3.008 grupos, que movimentaram patrimônio líquido de R$ 10,97 bilhões até fevereiro.
Para efeito de comparação, os números consolidados de 2010 somaram 3.054 registrados de clubes na BM&FBovespa, com ativos que atingiram R$ 11,39 bilhões.
Se a modalidade é a ideal para animar o investidor que quer aplicar pouco em ações — e, ainda assim, ter uma carteira diversificada —, o mais importante é saber quem vai cuidar do dinheiro. O primeiro passo ao aderir a um clube de investimentos é verificar se a corretora ou a instituição financeira que vai administrá-lo está cadastrada na bolsa. Seja uma pessoa ou uma empresa, o gestor do clube também tem que estar inscrito na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) — outra exigência legal. Caso contrário, não é recomendável correr riscos. Aplicar com quem não tem autorização é certeza de problemas.
“Na prática, o gestor é o ‘dono’ do clube. É ele que define a hora de comprar ou vender as ações”, explica Juliano Lima Pinheiro, superintendente da Petra Corretora. A seu ver, a procura pelos clubes de investimentos voltou a se acentuar depois da crise mundial de 2008. Na semana passada, a CVM editou novas regras para essa modalidade de aplicação, que foram muito bem recebidas pelo mercado, como a limitação do número de participantes — uma redução de 150 para 50 pessoas. “O clube com 150 pessoas, na verdade, era um fundo disfarçado”, diz Pinheiro.
Rentabilidade
Luiz Gustavo Lage, operador de bolsa da Sita Corretora, destaca que o investidor tem que acreditar no clube que está participando. “Se há rentabilidade acima do mercado, é preciso desconfiar”, aconselha. Uma das principais vantagens da modalidade, na sua opinião, é a diversificação do risco: “O pequeno poupador não consegue isso, pois com pouco dinheiro vai conseguir comprar apenas um papel”. Para ele, um dos motivos que justifica a volta da procura por essa modalidade é o bom desempenho dos clubes — eles vêm batendo o Ibovespa, o principal índice de variação de ações da bolsa paulista.
Na Sita, o investidor Marcelo Coelho, 27 anos, não titubeou ao aderir a um clube criado por colegas de trabalho. “Estou investindo há quatro anos. É a minha aposentadoria. Tem meses que aplico R$ 400, em outros R$ 1 mil. Isso me dá liberdade”, diz. Para ele, outro motivo positivo é a aproximação com quem dirige a aplicação. “Não tenho conhecimento suficiente para operar no mercado acionário. Se tenho dúvidas, consigo falar (com o gestor). O melhor é que já deu para ter um bom ganho”, relata. Em clubes de investimentos, o pouco de cada um ganha força com o volume investido por todos os cotistas.
PASSO A PASSO
Como criar um clube de investimento
1º - É fundamental procurar uma corretora para ficar por dentro das regras ao abrir um clube. A instituição também vai ser responsável pela orientação na escolha dos papéis a serem comprados e por qualquer operação realizada pelos aplicadores.
2º - Definir a quantidade e do valor de cada cota do clube é o passo seguinte. A atribuição é dos próprios participantes, que decidem quantas cotas e o volume em dinheiro que cada um vai investir. Pelas regras atuais, nenhum investidor pode ter mais de 40% do valor aplicado.
3º - Prepare um estatuto do clube junto à corretora escolhida . É necessário que cada participante tenha um cadastro, incluindo cópias de seus documentos.
4º - Com toda a documentação e os dados corretos, o clube precisa ser registrado na BM&FBovespa e na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
5º - Depois do registro, o clube pode começar a operar. Os membros do decidem aonde o dinheiro vai ser investido. A corretora escolhida vai realizar a transação. O ideal é que, periodicamente, o clube realize assembleias para decidir estratégias de aplicação. Pelas novas regras da CVM, é obrigatório esse tipo de reunião pelo menos uma vez ao ano.
Fonte: BM&FBovespa

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Previdência além da aposentadoria


28/04/2011

 

Alessandra Bellotto e Antonio Perez | De São Paulo

Nem seguro de vida nem previdência, mas uma espécie de seguro com previdência. Esse foi o plano que uma investidora adquiriu do Bradesco, na fila de uma agência bancária, por impulso, após ter sido abordada por uma atendente do banco.

Na hora do investimento, ela, influenciada pela fala da atendente, pensou ter adquirido um plano de previdência de perfil tradicional para seus filhos, com débito em conta corrente de cerca de R$ 80 por mês. Seis anos depois - quando atentou para a possibilidade de deduzir contribuições previdenciárias da base de rendimentos tributáveis -, descobriu que o plano misturava seguro com previdência, e não permita abatimento do Imposto de Renda. E decidiu sacar tudo.

Mas, depois de contribuir com cerca de R$ 6,2 mil, ela conseguiu retirar R$ 5,2 mil. A diferença refere-se ao custo relativo à cobertura do risco de morte do participante pelo período em que manteve o plano. Na verdade, o que a investidora comprou foi um pecúlio resgatável, ou seja, um plano de previdência para cobrir risco, e não de acumulação para aposentadoria.

Revoltada, a investidora, que prefere não ter seu nome citado, diz que o banco não lhe explicou corretamente as características do plano. "Eles me venderam como previdência, mas só se for previdência divina, porque eu teria que morrer para meus filhos receberem o valor total", desabafa. A investidora, contudo, confessa que, no momento da aquisição do plano, não prestou a devida atenção. "Achei que um plano de previdência para os meus filhos era uma coisa interessante e, como R$ 80 por mês não iam "pesar" no meu orçamento, acabei aceitando", diz.

O plano era um pecúlio no qual, em caso de morte do participante, um determinado valor é pago a um ou mais beneficiários indicados. Não se trata do valor contribuído, mas segurado - no caso da investidora, girava em torno de R$ 60 mil. Em geral, o pecúlio é pago ao beneficiário de uma vez. Na Bradesco, esse tipo de plano, batizado de Multiplano Geração 2, é vendido desde 1988 e cobre morte acidental a partir da contratação e morte por qualquer causa após carência inicial de 24 meses. O pecúlio pode ser pago também como renda programada por até 120 meses.

Após 24 meses de contribuições, se o participante, por algum motivo, não tiver mais interesse no benefício do pecúlio, poderá optar por sair do plano e, aí sim, receber um percentual de todas as suas contribuições. "Isso acontece quando a cobertura do risco de morte deixa de fazer sentido", explica o diretor-presidente da Bradesco Vida e Previdência, Lúcio Flávio de Oliveira. Não se resgata tudo porque parte do dinheiro vai para o carregamento do risco. "No seguro de vida tradicional, não há a possibilidade de resgate das contribuições", acrescenta.

Simulação feita pela seguradora mostra que, se uma mulher de 30 anos fizesse um pecúlio resgatável com capital segurado de R$ 200 mil, contribuiria com uma mensalidade de R$ 176,00. Após 60 meses, sem considerar correção pelo índice de preços (para facilitar a simulação), teria contribuído com R$ 10.560. Se resolvesse resgatar, teria de volta com R$ 7.280. A diferença, de R$ 3.280, refere-se ao valor efetivamente destinado à cobertura do risco. Se distribuído nos 60 meses, esse valor corresponderia a uma mensalidade de R$ 54,66.

Num seguro tradicional com o mesmo capital segurado (R$ 200 mil), compara Oliveira, o prêmio mensal sairia em torno de R$ 85,00. E sem a possibilidade de resgate em vida. Segundo o executivo, o pecúlio resgatável é uma espécie de poupança que cobre risco de morte.

Na Bradesco, o valor mínimo de contribuição é de R$ 30,00 mensais ou de R$ 3 mil para aporte único. Tanto a cobertura como o valor da contribuição são corrigidos pelo IGP-M. O participante ganha ainda o direito de participar de um programa de relacionamento da seguradora, concorrendo mensalmente a cinco prêmios em dinheiro, num total de R$ 50 mil.

No ano passado, a Bradesco Vida e Previdência vendeu 223 mil propostas do pecúlio resgatável, que representaram uma arrecadação de R$ 80,62 milhões. A arrecadação média mensal foi R$ 6,72 milhões, e o valor médio por proposta, de R$ 361,26. Também em 2010, a Bradesco pagou R$ 54,33 milhões de pecúlio a 1.194 beneficiários, um valor médio de R$ 45,51 mil por beneficiário.

Oliveira destaca que a previdência vai além dos planos de acumulação para aposentadoria, os tradicionais PGBL e VGBL. Há os planos para cobertura de riscos, segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), entre eles o pecúlio por morte, com ou sem resgate em vida, ou pecúlio por invalidez. Nesse último caso, o dinheiro é pago ao próprio participante em decorrência de invalidez total ou permanente.

Outras modalidades de plano para risco são a pensão por morte, em que um beneficiário passa a receber uma renda no caso de morte do participante, e a pensão por invalidez, em que a renda é paga ao próprio participante.

Nos planos de aposentadoria, como o PGBL e o VGBL, as contribuições dos participantes são aplicadas em um fundo de investimento para ser "engordadas" até que se atinja a fase do benefício da aposentadoria. Nesse momento, o participante pode optar por resgatar o patrimônio acumulado ou receber uma renda temporária ou vitalícia.

O dinheiro a ser recebido vai depender de fatores como rentabilidade do fundo de investimento e custos envolvidos como taxas de carregamento (uma espécie de corretagem cobrada sobre as contribuições) e de administração da carteira. No caso de conversão do patrimônio em renda, é preciso observar ainda a tábua biométrica, usada pela seguradora para calcular a expectativa de vida do participante, e a taxa de juros, base para calcular a previsão dos rendimentos futuros.

No PGBL, as contribuições podem ser deduzidas até o limite de 12% da renda bruta anual para quem faz a declaração completa de Imposto de Renda. A tributação ocorre no momento do resgate ou recebimento de benefício e incide sobre o valor total recebido. O VGBL, apesar de ter a mesma função de acumulação de recursos para a aposentadoria, é na verdade um plano de seguro de pessoas com cobertura por sobrevivência. Como ele não permite a dedução das contribuições do imposto de renda, a tributação, também no momento do resgate ou recebimento de benefício, incide somente sobre os rendimentos obtidos.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Reserva de títulos da Caixa vai até sexta


25/04/2011

 

Os investidores que quiserem participar da operação de securitização da Caixa Econômica Federal têm até sexta-feira para fazer a reserva. O banco transformou parte de sua carteira de crédito imobiliário em um título para venda no mercado de capitais.

Esta é a primeira vez que os certificados de recebíveis imobiliários (CRIs) estão disponíveis para o varejo. Os títulos, que têm como benefício principal a isenção de Imposto de Renda, serão remunerados por uma taxa fixa de 10% mais TR (Taxa Referencial) ao ano.

Os papéis têm valor unitário de R$ 1 mil, mas os investidores precisam de aplicação mínima de R$ 10 mil. Se a procura for maior que a oferta, cada um receberá menos títulos do que o reservado.

sábado, 23 de abril de 2011

O mundo vendeu, eles compraram

Revista Exame
16/04/2011

Os investidores que fizeram pequenas fortunas durante a crise de 2008 ao aplicar quase tudo o que tinham em ações
Thiago Bronzatto

O assessor financeiro André Machado, de 43 anos, ficou milionário durante a crise de 2008. Enquanto a maioria dos investidores - de fundos de hedge e de pensão internacionais a pequenos poupadores - corria para aplicações ultraconservadoras, ele colocou 100000 reais, um terço do que tinha no banco na época, no arriscadíssimo mercado futuro de opções. Seu objetivo era apostar na queda das ações da Vale. Se errasse, poderia perder ainda mais do que havia aplicado. Como acertou - o valor de mercado da mineradora caiu pela metade em poucos meses -, ganhou 150000 reais. Quando achou que as ações da Vale haviam chegado ao fundo do poço, no" fim de 2008, investiu 150000 reais na empresa, e embolsou mais 350000 reais. "Comprei um carro de luxo e reformei toda a minha casa com o que ganhei", diz Machado, que passou quase um ano acordando às 4 horas da manhã para acompanhar as ações das principais concorrentes da Vale, a BHP Billiton e a Rio Tinto, listadas na bolsa de Londres, e decidir o que faria com seu investimento aqui. "Nunca sabia com que surpresa eu acordaria, porque o mercado estava muito volátil. Mas achava que tinha uma chance única de ganhar bastante dinheiro", diz.
Olhando pelo retrovisor, parece óbvio que os últimos meses de 2008 eram o momento ideal para aplicar mais em ações. O Índice Bovespa caiu para 29435 pontos, o menor patamar em três anos, e dezenas de empresas passaram a ter valor de mercado inferior à soma de seus ativos - o que, na matemática que rege o mercado acionário, significa que estavam extremamente baratas. Investir quando o pessimismo está no auge é um dos conselhos mais repetidos pelos consultores financeiros -no século 19, quando a Europa estava mergulhada em guerras, o barão Nathan Rothschild, um dos maiores banqueiros da história, disse que "a hora de comprar é quando o sangue corre pelas ruas". O problema é que, em meio ao caos que tomou conta do mercado no final de 2008, boa parte dos especialistas fechou os livros de finanças e não recomendou a seus clientes que aplicassem mais na bolsa. Primeiro, porque havia o risco real de ver as ações desvalorizar ainda mais. Segundo, por um aguçado instinto de autoproteção. "Estávamos sendo processados por investidores que diziam que os havíamos induzido a arriscar demais antes da crise. Tínhamos de ser conservadores", afirma Peter Weiss, dono da corretora SLW. A maioria dos investidores abandonou o mercado de ações naquela época: os estrangeiros sacaram 25 bilhões de reais da Bovespa, o volume de negócios da bolsa caiu 40% e quase 30000 pessoas físicas venderam todos os papéis que tinham.
O sangue, portanto, estava nas ruas.
"Meus amigos diziam que eu estava louco, mas, para mim, ninguém é mais habilidoso que banqueiro para ganhar dinheiro. Por isso, apostei na retomada desse setor", diz Júlio Sergio Cardozo, ex-presidente da consultoria Ernst & Young Terco no Brasil. No fim de 2008, ele aplicou 1 milhão de reais em ações de bancos estrangeiros, como Citi e Deutsche Bank, que haviam caído mais de 40%. Também investiu em papéis de instituições brasileiras, como Banco do Brasil e BicBanco, que estavam em baixa em razão do temor generalizado em relação aos bancos. Ganhou 1,1 milhão de reais, e mantém boa parte do lucro aplicada nos mesmos papéis. "Minha carteira ainda tem potencial, principalmente com a retomada da economia americana", diz. O dono de uma consultoria de investimentos de São Paulo conta que vendeu seu carro e o da mulher para investir em papéis de grandes companhias, como Gerdau, vale e Itaú, em outubro de 2008. "No escritório, organizávamos espécies de grupos de investimento toda semana: cada funcionário dava uma quantia para fazermos grandes,aplicações na bolsa. Depois dividíamos o lucro de acordo com o que cada um havia colocado. Até a faxineira ganhou dinheiro", diz ele.
INTUIÇÃO
A melhor explicação para o comportamento dos investidores durante a crise
de 2008 vem de estudos de uma área relativamente nova da economia, a psicologia financeira. No livro O Espírito Animal, o americano Robert Shiller, professor da Universidade Yale e um dos maiores estudiosos do tema, diz que
é a intuição, e não o pensamento racional, que influencia as decisões econômicas da maioria das pessoas. "Ainda que achassem que a queda das ações era exagerada, muitos investidores decidiram simplesmente seguir seus instintos e vender, como a maioria estava fazendo", diz Vera Rita de Mello Ferreira, principal especialista brasileira em psicologia econômica. "É uma reação comum durante as crises." Para tentar evitar esse tipo de armadilha, investidores experientes costumam criar uma rotina de aplicações para ser seguida qualquer que seja a situação do mercado. É o que faz o microempresário mineiro Antonio Marcos. Sua regra é colocar 80% do patrimônio em ações quando a bolsa está em queda, e reduzir o valor para apenas 20% se houver valorização. A grande tacada de Marcos na crise foi aplicar 500000 reais em ações ordinárias da fabricante de papel e celulose AraCnIZ em outubro de 2008, quando os papéis custavam 5 reais e a empresa tinha acabado de naufragar devido a operações desastradas com derivativos exóticos. Vendeu tudo três meses depois, com lucro de 130%.
Hoje, esses três investidores que fizeram pequenas fortunas após a quebra do banco americano Lehman Brothers têm aplicado de forma mais conservadora. André Machado, que já voltou a dormir a noite toda, passou a diversificar sua carteira de ações e a fazer investimentos de curto prazo: em meados de abril, comprou papéis da BM&F Bovespa e da Usiminas. Para ele, essas ações estão baratas em relação à média de seus setores. Antonio Marcos está com quase todo o patrimônio aplicado em CDBs de grandes bancos e títulos públicos para se proteger da inflação. Na opinião dele, quase todas as ações de empresas brasileiras estão caras. Além de manter os papéis de bancos comprados durante a crise, Júlio Cardozo divide seu patrimônio em fundos de ações e de renda fixa. "Está mais difícil ganhar dinheiro na bolsa agora", diz.
Entre os grandes investidores institucionais, os que mais ganharam dinheiro nos últimos três anos foram os que fizeram apostas dealtíssimo risco. O maior exemplo é o gestor americano John Paulson. Desconhecido antes da crise de 2008, ele embolsou 4 bilhões de dólares - o maior bônus já pago em Wall Street até então - ao apostar na falência das hipotecas subprime nos Estados Unidos quando esse segn1ento estava em ascensão. No ano passado, bateu seu próprio recorde e ganhou mais 5 bilhões de dólares, obtidos com investimentos pesados feitos no mercado de ouro. "São números que impressionam, mas é importante lembrar que foi esse tipo de investidor, que toma riscos muito acima da média, que ajudou a provocar a crise de 2008", diz David Laibson, professor de economia e psicologia na Universidade Harvard. "Existem pesquisas que mostram que 70% dos investidores extremamente agressivos, aqueles que compram ações de empresas em dificuldades esperando que elas se recuperem, perdem tudo ou quase tudo o que aplicaram alguns meses depois." Em 2005, André Machado teve um prejuízo de 200000 reais ao apostar na valorização das ações da empresa de telefonia Telemar no mercado futuro. Ele achou que ficaria milionário naquela época, mas acabou mergulhado em dívidas. Sua estratégia deu certo em 2008. O desempate fica para a próxima crise.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Saiba como investir seu dinheiro na compra de títulos públicos

Folha de São Paulo

11/04/2011


FINANÇAS PESSOAIS

MÁRCIA DESSEN


Você venceu a primeira etapa do planejamento financeiro pessoal e como mantém o orçamento sob controle, consegue poupar parte de sua receita criando uma saudável reserva financeira, além de acumular recursos para atingir objetivos futuros.
Provavelmente a caderneta de poupança foi, acertadamente, o seu primeiro investimento. Mas, à medida que tomou gosto pelo hábito de poupar e observa o crescimento do capital, fruto da disciplina e dos juros que recebe, é natural seu interesse por outras alternativas de investimento.
Além da diversificação, o investidor busca rentabilidade competitiva com baixo risco. O Tesouro Direto é uma opção que deve ser analisada com carinho.

RISCO
O governo gasta mais do que arrecada e precisa captar recursos para zerar seu fluxo de caixa. Faz isso com a venda de títulos que representam uma dívida do governo perante o investidor, que aceita emprestar dinheiro para o governo em troca do recebimento de juros pelo prazo definido da operação.
Portanto, o risco do investidor é o risco de crédito, ou seja, o risco de o governo federal não devolver seu capital na data do vencimento do empréstimo. Qual é a probabilidade de ocorrer o risco? Baixíssima. É que os títulos públicos são considerados os mais seguros do mercado.

RENTABILIDADE
Você escolhe a rentabilidade de acordo com seu objetivo de investimento, seu horizonte de tempo e sua expectativa em relação aos rumos da economia.
Se seu horizonte de tempo for relativamente curto, procure uma das Letras do Tesouro. A LTN (Letra do Tesouro Nacional) paga taxa de juros prefixada e é adequada para quem quer saber exatamente quanto vai ganhar e tem a expectativa de queda das taxas de juros.
A LFT (Letra Financeira do Tesouro) é mais adequada para quem tem expectativa menos otimista e acha que pode ocorrer a alta da taxa de juros praticada no mercado. A rentabilidade da LFT é a variação da taxa Selic. Se a média da taxa Selic durante o prazo da operação for 11%, o investidor receberá 11%; se for 13%, receberá 13%.
Se seu horizonte de tempo for mais longo, procure pelas Notas do Tesouro, que se caracterizam por pagar cupom de juros semestralmente.
A NTN-B paga a variação do IPCA mais cupom de juros. É ideal para quem deseja proteger o capital investido contra a possível alta da inflação.
Se você não quer receber os juros semestrais e prefere capitalizar esses juros, compre a NTN-B Principal, que paga a variação do IPCA e a taxa de juros somente na data de vencimento. A NTN-F é um título de taxa prefixada que credita semestralmente a taxa de juros do cupom do título.
Ambas, NTN-B e NTN-F, são indicadas para quem precisa reforçar o fluxo de caixa semestralmente, com o recebimento de juros.

LIQUIDEZ
O Tesouro realiza compras semanais, às quartas-feiras, permitindo que o investidor venda todo ou parte de seu investimento, recuperando o capital desejado antes do vencimento. As taxas são divulgadas no mesmo portal.

COMO INVESTIR
Para operar nesse mercado, abra uma conta em uma corretora, que fará a intermediação entre você e o Tesouro Direto. Consulte no site do Tesouro quais são e quanto cobram as corretoras credenciadas.

CUSTOS E TRIBUTOS
Corretora: livre negociação, de zero a 1% ao ano. CBLC: taxa de custódia de 0,3% ao ano. q Imposto de Renda: alíquota entre 22,5% e 15%, definida em função do prazo da operação. No site da Receita Federal (www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro-direto) há mais informações.

MARCIA DESSEN, Certified Financial Planner, é sócia e diretora-executiva do BMI Brazilian Management Institute, professora convidada da Fundação Dom Cabral e cofundadora do Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros.
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