Valor Econômico
Por Adriana Cotias, de São Paulo
24/11/2008
O mais recente capítulo da crise financeira global originada no "subprime" americano expôs aos investidores um risco bem específico nas aplicações de renda fixa: o de oscilação de preços. Nos fundos, alguns dias com cota negativa. No Tesouro Direto, perdas relevantes, comparáveis aos prejuízos na bolsa. Papéis longos como as Notas do Tesouro Nacional - série F (NTN-F, prefixadas) e as Notas do Tesouro Nacional - série B (NTN-B, indexadas ao IPCA) chegaram a exibir, respectivamente, desvalorizações de 10,62% e 15,60% só em outubro. No ano, as perdas chegam a 7,5% nos títulos vinculados a preços e esbarram nos 6% nos prefixados. Mas o que o aplicador deve fazer ao se deparar com variações de tal proporção? Nada.
Assim como na bolsa, se vender os ativos agora, abaixo do valor adquirido, o investidor transformará o seu prejuízo, que por enquanto é contábil, em perda real. O melhor a fazer é levar os papéis até o vencimento, diz Fernando Marques, da Ativa Corretora. Conforme exemplifica, um aplicador que tenha comprado um lote de Letras do Tesouro Nacional (LTN, prefixadas) com resgate em janeiro de 2010 há seis meses, contratando um retorno na casa dos 13% ao ano, se quiser sair com a taxa atual, de 15%, pode levar para casa menos do que investiu. "Se ficar com os títulos até o final, o pior que pode acontecer é ter realizado um mau negócio", afirma, referindo-se ao chamado custo de oportunidade, de perder a chance de ver o seu dinheiro investido numa alternativa mais promissora.
A troca entre ativos da mesma natureza, continua Marques, só seria justificável se houvesse no horizonte um cenário extremo, como uma maxidesvalorização do real que induzisse o Banco Central (BC) a um choque de juros, tal como em 1999, quando a Selic foi elevada para os 45% ao ano. "Fora isso, o aplicador tem de ter como meta a taxa que aplicou e não as variações no meio do caminho." Substituir um título que está desvalorizado no mercado por outro que passou a pagar mais, apesar de parecer vantajoso, só efetivaria o prejuízo no papel mais antigo, acrescenta o superintendente de Tesouraria do Banco Banif, Rodrigo Trotta. Já trocar um curto que não oscilou tanto por um longo que ficou mais atraente é uma questão de oportunidade que talvez mereça ser avaliada de acordo com o apetite por risco do aplicador.
Nesses tempos de esticada da rentabilidade e recuo de preços, vale até comprar um pouco mais, acredita Marques, da Ativa, para aproveitar a valorização dos papéis ao longo do tempo. Isso porque, se as projeções do mercado se confirmarem, a taxa básica da economia estará em 13,75% ao ano na virada de 2009 para 2010 (boletim Focus, de segunda-feira), abaixo do retorno atual garantido pelos prefixados (15%). Só que o grande risco de "casar" com um título longo e de rentabilidade predefinida é o de liquidez, adverte o superintendente de Investimentos do Banco Real, Eduardo Jurcevic. "Quando um investidor compra um prefixado, é de se esperar que tenha disponibilidade para carregar o papel até o final, caso contrário, se houver um imprevisto, ele fica sujeito aos ajustes do mercado como aqueles que temos observado."
Por essa razão, Jurcevic recomenda os prefixados apenas como alternativa de diversificação. Aquele dinheiro que eventualmente pode ser usado para uma emergência deve estar em Letras Financeiras do Tesouro (LFT, pós-fixadas) ou em Certificados de Depósitos Bancários (CDB) atrelados ao Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), o juro interbancário. Ele sugere ainda que o investidor pessoa física evite os títulos vinculados ao IPCA, que, por mais interessantes que pareçam em momentos de inflação pressionada, variam em função do indicador e também dos juros implícitos. É uma conta difícil para o aplicador compreender quando recebe o seu extrato mensal.
Deflações por períodos curtos podem gerar desvalorizações em papéis atrelados a preços, mas se o investidor mantiver a aplicação até o resgate não há por que se preocupar com as oscilações diárias em títulos que vencem em 2011, 2015 ou 2024, diz Clodoir Vieira, analista da Souza Barros.. Para ele, garantir agora um juro real (descontada a inflação) em torno de 10% não pode ser encarado como um mau negócio, especialmente porque o investidor do Tesouro Direto terá o governo como credor - em tese com risco zero de não honrar as suas obrigações. Para quem não tem muito coração para ver o seu dinheiro surfar no vaivém do mercado todo mês, as LTN acabam sendo uma opção mais palatável. Isso ocorre porque por mais que as cotações oscilem durante a maturidade do papel, no vencimento, o preço unitário sempre será R$ 1 mil e o retorno do investidor vai depender do preço que ele pagou, explica Vieira.
Um aplicador que tivesse, por exemplo, comprado R$ 10 mil em LTN com resgate em janeiro de 2010 no início de outubro, teria R$ 9,8 mil no dia 27 daquele mesmo mês, um prejuízo teórico que já foi, entretanto, recuperado em novembro. No dia 21, ele somaria ao seu portfólio global R$ 10,02 mil, sem considerar impostos e taxas. Já as NTN-B e NTN-F, que têm um componente de indexação ou pagam juros semestralmente (o chamado cupom), podem ter distorções mais relevantes. Mesmo com a inflação em alta no ano, quem começou 2008 com R$ 10 mil numa NTN-B Principal de 2024 (sem cupom) tem hoje R$ 9,2 mil.
O tombo nos papéis longos foi reflexo da maciça saída de capital externo do Brasil no mês passado. No calor da sucessão de prejuízos financeiros globais desde a quebra do Lehman Brothers e uma iminente recessão global, os estrangeiros venderam ações e renda fixa com igual intensidade. Pelos últimos dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), em outubro US$ 7,943 bilhões deixaram o país, um fluxo recorde.
Num momento de crise é melhor privilegiar liquidez e curto prazo, recomenda Trotta, do Banif. Como é difícil para qualquer expert acertar o binômio juros-inflação, em intervalos mais longos de tempo, os pós-fixados são a alternativa segura e que não vão tirar o sono do aplicador qualquer que seja o cenário que desponte para 2009.
Da mesma forma que um fundo de renda fixa tem cota negativa quando os juros futuros sobem e o gestor é obrigado a atualizar os papéis a preços de mercado, os títulos públicos exibem prejuízos momentâneos, explica o executivo responsável por fundos de renda fixa da BB DTVM, Aroldo Medeiros. Tanto num como no outro, a partir dessa marcação, os papéis passam então a render mais. No final, todas as emoções no meio do caminho perdem importância e o aplicador vai embolsar exatamente a taxa que contratou.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
A multiplicação do risco
Valor Econômico
Por Angelo Pavini, de São Paulo
19/11/2008
"Dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio e moverei o mundo", dizia o cientista e matemático grego Arquimedes. No Brasil, os gestores alavancados conseguem fazer isso e muito mais. A alavancagem na gestão de recursos é como veneno, dependendo da dose, pode ser remédio ou matar. A observação de Dorio Ferman, da Opportunity Asset Management, é uma boa forma de olhar para a estratégia de assumir riscos acima dos valores que se tem e que pode, no limite, levar o investidor a perder tudo e ainda ter de colocar mais dinheiro no fundo para cobrir eventuais dívidas. Mas a maneira sábia de usar essa estratégia - ou não usá-la no momento certo - pode trazer lucros imensos.
O problema é que, em momentos como o atual, em que a maioria dos gestores perde, os alavancados sofrem mais e acabam no centro das atenções. Poucos reparam, no entanto, que essa mesma estratégia deu ganhos também enormes no passado, atraindo vários investidores. Mesmo hoje alguns gestores conseguem usar a estratégia a seu favor em meio à crise.
A alavancagem nada mais é que a capacidade de assumir posições grandes com valores pequenos. É o caso, por exemplo, quando o gestor compra ou vende um contrato futuro de dólar, juros ou Ibovespa e se compromete a pagar ou receber a variação de centenas de milhões de reais desse ativo diariamente, dando apenas alguns milhões de reais como garantia. Com isso, a alavancagem amplifica a variação dos ativos em várias vezes.
Em geral, a alavancagem é mais comum em fundos multimercados. Mas, neste ano, o assunto entrou no radar por conta do fundo de ações GWI FIA, que teve fortes perdas com a queda da bolsa, a ponto de a gestora fechar a carteira para resgates e verificar se os investidores queriam seguir a viagem com ele ou trocar o condutor. Até dia 13, o fundo perdia 95,61% no ano. Em 2007, esse mesmo fundo rendeu 90,30%. Os cotistas decidiram manter o gestor e reabrir a carteira para resgates dia 16 de dezembro. Procurada, a GWI não quiser falar sobre suas carteiras.
Mas, antes do GWI, outros casos de fundos alavancados tiveram resultados mais graves, lembra Marcia Dessen, da consultoria Bank-risk. "Tivemos o caso dos fundos do antigo Banco Boavista que, quando o real passou a flutuar, em 1999, perderam mais que o patrimônio". No fim, o banco acabou assumindo a dívida dos cotistas - o que levou, inclusive, o Banco Central a criar uma regra proibindo esse tipo de socorro. "Hoje, o patrimônio do fundo é totalmente separado do do banco e o investidor é responsável pelas perdas."
Apesar de os fundos que correm mais riscos que o patrimônio trazerem no nome a palavra "alavancado", muitos investidores não reparam nisso. E não é obrigatório que um fundo que pode fazer alavancagem esteja sempre alavancado, lembra Luiz Carlos Simão, da Brascan Gestão de Ativos. "Desde que a crise piorou, em junho, paramos de alavancar as carteiras e passamos a aproveitar a volatilidade dos mercados para ganhar". Segundo ele, com a forte oscilação dos mercados, uma pequena aplicação do fundo já pode trazer um grande ganho - ou uma grande perda -, sem a necessidade de alavancagem. A abstinência deu resultado: o Brascan Superior Hedge II e Brascan Superior Diferencial 30, que têm ganhos de 23,45% e 15,38% no ano até dia 13, respectivamente, para um CDI de 10,55% no período.
Outra gestora com histórico de trabalhar alavancada é a Sparta, especializada em commodities, diz o sócio Ulisses Nehmi. "Trabalhamos em 14 mercados diferentes, com 10% do patrimônio em um, 20% em outro, e acabamos ficando com posições acima do nosso patrimônio." O fundo chegou a ficar com até 100% do patrimônio alavancado em um único mercado. "Mas agora estamos trabalhando com uma alavancagem reduzida, para procurar resultados aproveitando a oscilação maior", diz.
Nehmi lembra que o impacto da alavancagem varia de acordo com o mercado. "Em euros, por exemplo, a oscilação é de 1%, 2% e dá para alavancar mais, mas na bolsa, oscilando quase 10% em um só dia, ter 100% de alavancagem do patrimônio é criminoso", diz. Ele admite que os fundos da Sparta têm oscilação alta, em torno de 50% ao ano. "Mesmo reduzindo a alavancagem, continuamos oscilando bastante por conta da volatilidade do mercado." As carteiras da Sparta perderam um pouco com o recuo das commodities na crise, mas ganharam protegendo a carteira de ações. A carteira Sparta Cíclico acumula no ano 145,44%.
Outro fundo agressivo é o Fator Hedge Absoluto. Apesar de poder alavancar em qualquer mercado, o gestor controla o risco com um limite de oscilação, o Value at Risk, ou VaR. "O fundo pode perder no máximo 5% em um dia, se passar disso, reduz as posições", explica Roseli Machado, da Fator Administração de Recursos. Dessa forma, se o mercado está muito instável, o controle de risco automaticamente reduz ou até zera a alavancagem.
Entre os multimercados alavancados, merece destaque a família Midi, do Opportunity. Os fundos Midi e Midi 90 são, de longe, os de maior risco da categoria, com possibilidade de variar mais de 100% para cima ou para baixo em relação à média histórica, segundo dados do site Fortuna. Mas, ainda assim, eles não correm risco de perder mais do que possuem, diz Dorio Ferman. Os fundos têm 70% da carteira em ações e usam os 30% restantes para operar com derivativos em câmbio, juros e opções. "Mas nós só arriscamos a parcela que sobra das ações", diz Ferman. Isso significa que, no pior cenário, o fundo perderia 30%. "E sobraria ainda a parcela em ações, que sempre vale alguma coisa."
A maioria dos multimercados diz que pode usar alavancagem, mas normalmente o gestor usa só uma parcela do limite que possui. Há ainda a possibilidade de um gestor que não usa alavancagem resolver usar. "No caso de uma mudança do gestor, o histórico do fundo pode não valer mais nada", diz Marcia, da Bankrisk.
Como o cotista pode saber antes de entrar? Ele deve ler o prospecto e o regulamento com muita atenção, par ver se usa alavancagem ou não, e em que mercados, se tem política de "stop loss" (limite de perda) e testes de estresse. "É preciso ver isso porque o risco está sempre de plantão", diz Marcia.
Por Angelo Pavini, de São Paulo
19/11/2008
"Dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio e moverei o mundo", dizia o cientista e matemático grego Arquimedes. No Brasil, os gestores alavancados conseguem fazer isso e muito mais. A alavancagem na gestão de recursos é como veneno, dependendo da dose, pode ser remédio ou matar. A observação de Dorio Ferman, da Opportunity Asset Management, é uma boa forma de olhar para a estratégia de assumir riscos acima dos valores que se tem e que pode, no limite, levar o investidor a perder tudo e ainda ter de colocar mais dinheiro no fundo para cobrir eventuais dívidas. Mas a maneira sábia de usar essa estratégia - ou não usá-la no momento certo - pode trazer lucros imensos.
O problema é que, em momentos como o atual, em que a maioria dos gestores perde, os alavancados sofrem mais e acabam no centro das atenções. Poucos reparam, no entanto, que essa mesma estratégia deu ganhos também enormes no passado, atraindo vários investidores. Mesmo hoje alguns gestores conseguem usar a estratégia a seu favor em meio à crise.
A alavancagem nada mais é que a capacidade de assumir posições grandes com valores pequenos. É o caso, por exemplo, quando o gestor compra ou vende um contrato futuro de dólar, juros ou Ibovespa e se compromete a pagar ou receber a variação de centenas de milhões de reais desse ativo diariamente, dando apenas alguns milhões de reais como garantia. Com isso, a alavancagem amplifica a variação dos ativos em várias vezes.
Em geral, a alavancagem é mais comum em fundos multimercados. Mas, neste ano, o assunto entrou no radar por conta do fundo de ações GWI FIA, que teve fortes perdas com a queda da bolsa, a ponto de a gestora fechar a carteira para resgates e verificar se os investidores queriam seguir a viagem com ele ou trocar o condutor. Até dia 13, o fundo perdia 95,61% no ano. Em 2007, esse mesmo fundo rendeu 90,30%. Os cotistas decidiram manter o gestor e reabrir a carteira para resgates dia 16 de dezembro. Procurada, a GWI não quiser falar sobre suas carteiras.
Mas, antes do GWI, outros casos de fundos alavancados tiveram resultados mais graves, lembra Marcia Dessen, da consultoria Bank-risk. "Tivemos o caso dos fundos do antigo Banco Boavista que, quando o real passou a flutuar, em 1999, perderam mais que o patrimônio". No fim, o banco acabou assumindo a dívida dos cotistas - o que levou, inclusive, o Banco Central a criar uma regra proibindo esse tipo de socorro. "Hoje, o patrimônio do fundo é totalmente separado do do banco e o investidor é responsável pelas perdas."
Apesar de os fundos que correm mais riscos que o patrimônio trazerem no nome a palavra "alavancado", muitos investidores não reparam nisso. E não é obrigatório que um fundo que pode fazer alavancagem esteja sempre alavancado, lembra Luiz Carlos Simão, da Brascan Gestão de Ativos. "Desde que a crise piorou, em junho, paramos de alavancar as carteiras e passamos a aproveitar a volatilidade dos mercados para ganhar". Segundo ele, com a forte oscilação dos mercados, uma pequena aplicação do fundo já pode trazer um grande ganho - ou uma grande perda -, sem a necessidade de alavancagem. A abstinência deu resultado: o Brascan Superior Hedge II e Brascan Superior Diferencial 30, que têm ganhos de 23,45% e 15,38% no ano até dia 13, respectivamente, para um CDI de 10,55% no período.
Outra gestora com histórico de trabalhar alavancada é a Sparta, especializada em commodities, diz o sócio Ulisses Nehmi. "Trabalhamos em 14 mercados diferentes, com 10% do patrimônio em um, 20% em outro, e acabamos ficando com posições acima do nosso patrimônio." O fundo chegou a ficar com até 100% do patrimônio alavancado em um único mercado. "Mas agora estamos trabalhando com uma alavancagem reduzida, para procurar resultados aproveitando a oscilação maior", diz.
Nehmi lembra que o impacto da alavancagem varia de acordo com o mercado. "Em euros, por exemplo, a oscilação é de 1%, 2% e dá para alavancar mais, mas na bolsa, oscilando quase 10% em um só dia, ter 100% de alavancagem do patrimônio é criminoso", diz. Ele admite que os fundos da Sparta têm oscilação alta, em torno de 50% ao ano. "Mesmo reduzindo a alavancagem, continuamos oscilando bastante por conta da volatilidade do mercado." As carteiras da Sparta perderam um pouco com o recuo das commodities na crise, mas ganharam protegendo a carteira de ações. A carteira Sparta Cíclico acumula no ano 145,44%.
Outro fundo agressivo é o Fator Hedge Absoluto. Apesar de poder alavancar em qualquer mercado, o gestor controla o risco com um limite de oscilação, o Value at Risk, ou VaR. "O fundo pode perder no máximo 5% em um dia, se passar disso, reduz as posições", explica Roseli Machado, da Fator Administração de Recursos. Dessa forma, se o mercado está muito instável, o controle de risco automaticamente reduz ou até zera a alavancagem.
Entre os multimercados alavancados, merece destaque a família Midi, do Opportunity. Os fundos Midi e Midi 90 são, de longe, os de maior risco da categoria, com possibilidade de variar mais de 100% para cima ou para baixo em relação à média histórica, segundo dados do site Fortuna. Mas, ainda assim, eles não correm risco de perder mais do que possuem, diz Dorio Ferman. Os fundos têm 70% da carteira em ações e usam os 30% restantes para operar com derivativos em câmbio, juros e opções. "Mas nós só arriscamos a parcela que sobra das ações", diz Ferman. Isso significa que, no pior cenário, o fundo perderia 30%. "E sobraria ainda a parcela em ações, que sempre vale alguma coisa."
A maioria dos multimercados diz que pode usar alavancagem, mas normalmente o gestor usa só uma parcela do limite que possui. Há ainda a possibilidade de um gestor que não usa alavancagem resolver usar. "No caso de uma mudança do gestor, o histórico do fundo pode não valer mais nada", diz Marcia, da Bankrisk.
Como o cotista pode saber antes de entrar? Ele deve ler o prospecto e o regulamento com muita atenção, par ver se usa alavancagem ou não, e em que mercados, se tem política de "stop loss" (limite de perda) e testes de estresse. "É preciso ver isso porque o risco está sempre de plantão", diz Marcia.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Poucos brasileiros guardam dinheiro
Jornal da Tarde
18/11/2008
Em São Paulo e no Rio, apenas 26% pouparam uma parcela da renda no período de um ano
Fabrício de Castro, fabricio.castro@grupoestado.com.br
Os brasileiros não estão preocupados em poupar parte de sua renda para o futuro. Essa é uma das conclusões de uma pesquisa feita pela LatinPanel, em 16 grandes cidades da América Latina, entre elas São Paulo e Rio de Janeiro. De acordo com os dados, apenas 26% dos brasileiros guardaram uma parte do salário no período de um ano, enquanto os 74% restantes gastaram todos os recursos. Em outros países, o porcentual de poupadores é maior: 42% na Argentina, 32% no Chile e 41% no México.
Na pesquisa Consumer Watch, sobre hábitos de consumo, a LatinPanel perguntou aos entrevistados, pertencentes a todas as classes sociais, se eles haviam poupado uma parcela dos recursos no período de um ano (encerrado em agosto). “O levantamento não estimou se a poupança ocorria todos os meses. Mas se a pessoa guardou dinheiro durante o ano”, explica Patrícia Menezes, gerente de marketing e comunicação da LatinPanel.
Dos 26% identificados como poupadores, apenas 10% guardaram pelo menos 10% do salário que recebem. “O que a pesquisa nos mostra é que os brasileiros ainda estão em busca dos sonhos de consumo”, afirma Patrícia. “Com a melhoria da renda nos últimos anos, eles compraram casas, carros e outros produtos. Ainda não há espaço para a cultura poupadora.”
Entre quem guarda dinheiro para o futuro, os principais objetivos são a reforma da casa, a compra de uma casa nova e a educação da família, nessa ordem. De acordo com o levantamento, apenas 10% dos poupadores investem para cobrir despesas com educação - índice abaixo do registrado por países como Argentina (12%), México (20%), Chile (25%), Colômbia (26%), Venezuela (39%) e Peru (42%).
Estabilidade econômica
Para o consultor financeiro Paulo Adriano Freitas Borges, o hábito de reservar parte do salário, todos os meses, ainda é novidade no País. “É uma questão cultural. O Brasil conseguiu estabilizar a economia há pouco tempo, e os brasileiros estão aprendendo a poupar.”
Segundo ele, as famílias estão acostumadas a investir apenas se sobrar recursos no fim do mês. “Mas se a pessoa poupar o que sobra, não vai poupar nada (porque não sobra)”, alerta. “É importante organizar o orçamento e guardar parte do dinheiro logo no início do mês.”
Dessa forma, é possível adquirir produtos à vista, fugir do financiamento e garantir a aposentadoria. É isso o que faz o analista de suporte Giliardi Rodrigues Pires, de 27 anos. “Uma das minhas preocupações é poupar para o futuro”, diz. Todos os meses, Pires reserva pelo menos 30% do salário para investimentos. “Desde 1999, guardo uma parte do meu dinheiro. Com isso, já comprei carro e apartamento.”
18/11/2008
Em São Paulo e no Rio, apenas 26% pouparam uma parcela da renda no período de um ano
Fabrício de Castro, fabricio.castro@grupoestado.com.br
Os brasileiros não estão preocupados em poupar parte de sua renda para o futuro. Essa é uma das conclusões de uma pesquisa feita pela LatinPanel, em 16 grandes cidades da América Latina, entre elas São Paulo e Rio de Janeiro. De acordo com os dados, apenas 26% dos brasileiros guardaram uma parte do salário no período de um ano, enquanto os 74% restantes gastaram todos os recursos. Em outros países, o porcentual de poupadores é maior: 42% na Argentina, 32% no Chile e 41% no México.
Na pesquisa Consumer Watch, sobre hábitos de consumo, a LatinPanel perguntou aos entrevistados, pertencentes a todas as classes sociais, se eles haviam poupado uma parcela dos recursos no período de um ano (encerrado em agosto). “O levantamento não estimou se a poupança ocorria todos os meses. Mas se a pessoa guardou dinheiro durante o ano”, explica Patrícia Menezes, gerente de marketing e comunicação da LatinPanel.
Dos 26% identificados como poupadores, apenas 10% guardaram pelo menos 10% do salário que recebem. “O que a pesquisa nos mostra é que os brasileiros ainda estão em busca dos sonhos de consumo”, afirma Patrícia. “Com a melhoria da renda nos últimos anos, eles compraram casas, carros e outros produtos. Ainda não há espaço para a cultura poupadora.”
Entre quem guarda dinheiro para o futuro, os principais objetivos são a reforma da casa, a compra de uma casa nova e a educação da família, nessa ordem. De acordo com o levantamento, apenas 10% dos poupadores investem para cobrir despesas com educação - índice abaixo do registrado por países como Argentina (12%), México (20%), Chile (25%), Colômbia (26%), Venezuela (39%) e Peru (42%).
Estabilidade econômica
Para o consultor financeiro Paulo Adriano Freitas Borges, o hábito de reservar parte do salário, todos os meses, ainda é novidade no País. “É uma questão cultural. O Brasil conseguiu estabilizar a economia há pouco tempo, e os brasileiros estão aprendendo a poupar.”
Segundo ele, as famílias estão acostumadas a investir apenas se sobrar recursos no fim do mês. “Mas se a pessoa poupar o que sobra, não vai poupar nada (porque não sobra)”, alerta. “É importante organizar o orçamento e guardar parte do dinheiro logo no início do mês.”
Dessa forma, é possível adquirir produtos à vista, fugir do financiamento e garantir a aposentadoria. É isso o que faz o analista de suporte Giliardi Rodrigues Pires, de 27 anos. “Uma das minhas preocupações é poupar para o futuro”, diz. Todos os meses, Pires reserva pelo menos 30% do salário para investimentos. “Desde 1999, guardo uma parte do meu dinheiro. Com isso, já comprei carro e apartamento.”
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Fundos de renda fixa: para investir sem estresse
Jornal da Tarde
17/11/2008
Quem procura uma aplicação sem as emoções do mercado de ações - que já caiu 43,97% desde o começo do ano - tem como alternativa as carteiras que direcionam os recursos apenas para títulos do governo, papéis de dívida de empresa e a aqueles emitidos pelos bancos privados. Porém, mesmo considerados mais seguros, estes fundos devem ser escolhidos com critério.
FABRÍCIO DE CASTRO, fabricio.castro@grupoestado.com.br
Com a crise financeira, que fez a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) despencar 43,97% desde o começo do ano, muitos investidores voltaram as atenções para aplicações mais conservadoras. O fundos de renda fixa, que não investem recursos em ações, surgiram como uma alternativa mais segura, mas mesmo esse tipo de aplicação exige alguns cuidados.
Antes de aplicar, o investidor precisa saber detalhes sobre o perfil do fundo, as taxas e os impostos cobrados. “É importante conhecer a aplicação na qual você está colocando dinheiro”, alerta o consultor financeiro Reinaldo Domingos, autor do livro Terapia Financeira.
Na prática, o dinheiro colocado pelos investidores em um fundo é reaplicado pelos seus gestores em diferentes ativos financeiros. A remuneração dos gestores é garantida pela taxa de administração, e o destino dos recursos depende do perfil do fundo.
De acordo com a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), existem três tipos de fundos de renda fixa no mercado: renda fixa, renda fixa médio e alto risco e renda fixa com alavancagem. Nenhum deles pode investir em ações ou em moedas estrangeiras.
Os fundos de renda fixa propriamente ditos - os mais conservadores - são obrigados a aplicar pelo menos 80% do dinheiro em títulos públicos federais ou ativos com baixo risco de crédito - como Certificados de Depósitos Interbancários (CDBs), por exemplo. Os 20% restantes vão para ativos mais arriscados, mas o dinheiro continua longe da bolsa de valores, o que evita grandes oscilações na rentabilidade.
Os demais fundos podem aplicar uma parcela maior (mais de 20%) de recursos em ativos mais arriscados. Para saber qual é a porcentagem que vai para essas opções, o interessado deve ler com atenção o prospecto do fundo oferecido pelo banco. Alguns são ‘alavancados’, o que significa que chegam a pegar recursos de terceiros (fontes de fora do fundo) para fazer aplicações.
O investidor também precisa observar se o fundo é de curto ou de longo prazo. “Existem fundos de renda fixa que são de curto prazo e outros de longo prazo. A tributação vai ser diferente”, explica o diretor de Renda Fixa da HSBC Global Asset Management, Renato Ramos.
Os de curto prazo pagam, no mínimo, 20% de Imposto de Renda sobre os lucros a cada seis meses. Já os de longo prazo obedecem a uma tabela regressiva: quanto mais tempo o dinheiro ficar aplicado, melhor (veja a tributação ao lado).
O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) é cobrado apenas dos mais apressados: quem deixa o dinheiro por mais de um mês fica isento do imposto.
Taxa de administração
Os valores das taxas variam de acordo com o banco. Antes de investir, aconselha Domingos, o interessado deve comparar os valores cobrados por diferentes instituições.
Ramos, do HSBC, explica ainda que quanto maior for o investimento, menor será a taxa de administração. “Existem fundos que aplicam em carteiras iguais, mas que têm taxas de administração diferentes”, diz ele. Para participar do fundo com o menor encargo, o investidor precisa aplicar mais dinheiro logo no início.
Em setembro, a taxa média de administração dos fundos de renda fixa foi de 1,11% ao ano. Já os renda fixa de médio e alto risco registraram taxa média de 0,62%.
A rentabilidade dos fundos precisa ser atrativa o suficiente para pagar a taxa de administração e os impostos. Como boa parte do dinheiro vai para títulos públicos federais, os fundos de renda fixa oscilam pouco. “Ao investir em fundos assim, a pessoa não terá grandes perdas, nem grandes ganhos”, resume Marcelo Guterman, professor de finanças do Ibmec São Paulo.
Em 2008, os fundos de renda fixa tiveram alta de 10,65%, enquanto os de médio e alto risco variaram 9,94%. Os alavancados subiram 8,60%. “A escolha do fundo vai depender também do prazo pelo qual o dinheiro vai ficar aplicado. A pessoa que tem um horizonte maior de investimento pode arriscar mais”, diz Guterman. Nesse caso, o investidor acaba procurando os fundos de ações - ou seja, sai da renda fixa para a variável.
Fundos DI
Apesar de serem vendidos nos bancos como fundos de renda fixa, os fundos DI não fazem parte dessa categoria. De acordo com a classificação da Anbid, eles são fundos referenciados, que tem como objetivo a rentabilidade do Certificado de Depósito Interbancário (CDI).
Ainda mais seguros que os de renda fixa, os fundos DI oscilam menos e seguem a rentabilidade da Selic, a taxa básica de juros da economia
17/11/2008
Quem procura uma aplicação sem as emoções do mercado de ações - que já caiu 43,97% desde o começo do ano - tem como alternativa as carteiras que direcionam os recursos apenas para títulos do governo, papéis de dívida de empresa e a aqueles emitidos pelos bancos privados. Porém, mesmo considerados mais seguros, estes fundos devem ser escolhidos com critério.
FABRÍCIO DE CASTRO, fabricio.castro@grupoestado.com.br
Com a crise financeira, que fez a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) despencar 43,97% desde o começo do ano, muitos investidores voltaram as atenções para aplicações mais conservadoras. O fundos de renda fixa, que não investem recursos em ações, surgiram como uma alternativa mais segura, mas mesmo esse tipo de aplicação exige alguns cuidados.
Antes de aplicar, o investidor precisa saber detalhes sobre o perfil do fundo, as taxas e os impostos cobrados. “É importante conhecer a aplicação na qual você está colocando dinheiro”, alerta o consultor financeiro Reinaldo Domingos, autor do livro Terapia Financeira.
Na prática, o dinheiro colocado pelos investidores em um fundo é reaplicado pelos seus gestores em diferentes ativos financeiros. A remuneração dos gestores é garantida pela taxa de administração, e o destino dos recursos depende do perfil do fundo.
De acordo com a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), existem três tipos de fundos de renda fixa no mercado: renda fixa, renda fixa médio e alto risco e renda fixa com alavancagem. Nenhum deles pode investir em ações ou em moedas estrangeiras.
Os fundos de renda fixa propriamente ditos - os mais conservadores - são obrigados a aplicar pelo menos 80% do dinheiro em títulos públicos federais ou ativos com baixo risco de crédito - como Certificados de Depósitos Interbancários (CDBs), por exemplo. Os 20% restantes vão para ativos mais arriscados, mas o dinheiro continua longe da bolsa de valores, o que evita grandes oscilações na rentabilidade.
Os demais fundos podem aplicar uma parcela maior (mais de 20%) de recursos em ativos mais arriscados. Para saber qual é a porcentagem que vai para essas opções, o interessado deve ler com atenção o prospecto do fundo oferecido pelo banco. Alguns são ‘alavancados’, o que significa que chegam a pegar recursos de terceiros (fontes de fora do fundo) para fazer aplicações.
O investidor também precisa observar se o fundo é de curto ou de longo prazo. “Existem fundos de renda fixa que são de curto prazo e outros de longo prazo. A tributação vai ser diferente”, explica o diretor de Renda Fixa da HSBC Global Asset Management, Renato Ramos.
Os de curto prazo pagam, no mínimo, 20% de Imposto de Renda sobre os lucros a cada seis meses. Já os de longo prazo obedecem a uma tabela regressiva: quanto mais tempo o dinheiro ficar aplicado, melhor (veja a tributação ao lado).
O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) é cobrado apenas dos mais apressados: quem deixa o dinheiro por mais de um mês fica isento do imposto.
Taxa de administração
Os valores das taxas variam de acordo com o banco. Antes de investir, aconselha Domingos, o interessado deve comparar os valores cobrados por diferentes instituições.
Ramos, do HSBC, explica ainda que quanto maior for o investimento, menor será a taxa de administração. “Existem fundos que aplicam em carteiras iguais, mas que têm taxas de administração diferentes”, diz ele. Para participar do fundo com o menor encargo, o investidor precisa aplicar mais dinheiro logo no início.
Em setembro, a taxa média de administração dos fundos de renda fixa foi de 1,11% ao ano. Já os renda fixa de médio e alto risco registraram taxa média de 0,62%.
A rentabilidade dos fundos precisa ser atrativa o suficiente para pagar a taxa de administração e os impostos. Como boa parte do dinheiro vai para títulos públicos federais, os fundos de renda fixa oscilam pouco. “Ao investir em fundos assim, a pessoa não terá grandes perdas, nem grandes ganhos”, resume Marcelo Guterman, professor de finanças do Ibmec São Paulo.
Em 2008, os fundos de renda fixa tiveram alta de 10,65%, enquanto os de médio e alto risco variaram 9,94%. Os alavancados subiram 8,60%. “A escolha do fundo vai depender também do prazo pelo qual o dinheiro vai ficar aplicado. A pessoa que tem um horizonte maior de investimento pode arriscar mais”, diz Guterman. Nesse caso, o investidor acaba procurando os fundos de ações - ou seja, sai da renda fixa para a variável.
Fundos DI
Apesar de serem vendidos nos bancos como fundos de renda fixa, os fundos DI não fazem parte dessa categoria. De acordo com a classificação da Anbid, eles são fundos referenciados, que tem como objetivo a rentabilidade do Certificado de Depósito Interbancário (CDI).
Ainda mais seguros que os de renda fixa, os fundos DI oscilam menos e seguem a rentabilidade da Selic, a taxa básica de juros da economia
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Concorrência de preços se acirra nos grandes varejistas
Jornal da Tarde
29/10/2008
Disputa entre as cadeias de lojas faz com que um mesmo produto chegue a ter uma diferença de até 37% no valor cobrado. De acordo com especialistas, competição favorece o consumidor pois a tendência é de queda de preços
MARÍLIA ALMEIDA, marilia.almeida@grupoestado.com.br
Levantamento de preços elaborado pelo JT entre os dias 22 e 28 deste mês nas lojas de cinco redes de varejo em cada uma das cinco regiões da cidade mostra que a disputa pelo menor preço está acirrada no comércio, mas ainda há margem para variações expressivas entre um mesmo item. Essa diferença chega a atingir 37,5%, como é o caso de um aparelho microondas. O DVD também apresenta variações de cerca de 30% (ver tabela ao lado).
No ranking dos produtos mais baratos, o levantamento mostra que três redes empatam em primeiro lugar com sete produtos mais em conta: Casas Bahia, Ponto Frio e Extra Eletro. O Carrefour oferece cinco itens abaixo dos preços dos concorrentes em determinada região, e o Magazine Luiza não apresentou um produto mais barato em nenhuma das regiões pesquisadas.
Diante desse cenário, Eugenio Foganholo, diretor da Mixxer, consultoria especializada em varejo e bens de consumo, afirma que a pesquisa de preços entre as lojas de uma mesma região é inevitável para uma boa compra. Porém, o consumidor não deve esquecer outros itens que fazem diferença na hora de comprar, como facilidade de crediário, atendimento, rapidez de entrega e disponibilidade de produtos. “A área de eletroeletrônico dá margem para a negociação de preços nas lojas, o que é mais restrito no hipermercado”, lembra.
O consultor também recomenda pesquisar as taxas de juros do crediário, que podem apresentar diferenças entre as lojas.
A pesquisa também mostra que o impacto da varejista Magazine Luiza, que chegou à capital no final do mês passado, ainda não pôde ser sentido no preço dos eletroeletrônicos pesquisados, conforme mostra o levantamento.
Para Foganholo, a rede estreante não tem o preço como foco central e investe mais em outros quesitos, como atendimento. Já para o consultor Emerson Kapaz, do Instituto de Desenvolvimento do Varejo, isso faz parte de um período de adaptação, e o cenário ainda pode mudar. “A estréia da rede é muito recente, mas irá haver maior disputa no mercado. Obviamente os lojistas que já estavam ocupando seu espaço irão lutar para não perdê-lo. Há, enfim, uma tendência de baixa dos preços, e quem sai ganhando é o consumidor”, afirma Kapaz.
Facilidades
Ao comentarem a pesquisa, a Ponto Frio e o Extra Eletro lembram que cada loja de sua rede tem autonomia de praticar seus próprios preços, que podem variar de acordo com a região, o que explica as diferenças observadas. Assessoria do Extra Eletro alega que as lojas da rede podem cobrir ofertas de concorrentes do entorno.
Com relação a facilidades de pagamento, no Carrefour o consumidor encontra parcelamento em até 12 vezes sem juros para todos os itens do segmento, bastando adquirir cartão da rede e informar nível de renda para saldo limite.
Nas Casas Bahia, se divide a compra em até dez vezes sem juros no cartão de crédito e em até 15 parcelas no carnê para determinados produtos.
29/10/2008
Disputa entre as cadeias de lojas faz com que um mesmo produto chegue a ter uma diferença de até 37% no valor cobrado. De acordo com especialistas, competição favorece o consumidor pois a tendência é de queda de preços
MARÍLIA ALMEIDA, marilia.almeida@grupoestado.com.br
Levantamento de preços elaborado pelo JT entre os dias 22 e 28 deste mês nas lojas de cinco redes de varejo em cada uma das cinco regiões da cidade mostra que a disputa pelo menor preço está acirrada no comércio, mas ainda há margem para variações expressivas entre um mesmo item. Essa diferença chega a atingir 37,5%, como é o caso de um aparelho microondas. O DVD também apresenta variações de cerca de 30% (ver tabela ao lado).
No ranking dos produtos mais baratos, o levantamento mostra que três redes empatam em primeiro lugar com sete produtos mais em conta: Casas Bahia, Ponto Frio e Extra Eletro. O Carrefour oferece cinco itens abaixo dos preços dos concorrentes em determinada região, e o Magazine Luiza não apresentou um produto mais barato em nenhuma das regiões pesquisadas.
Diante desse cenário, Eugenio Foganholo, diretor da Mixxer, consultoria especializada em varejo e bens de consumo, afirma que a pesquisa de preços entre as lojas de uma mesma região é inevitável para uma boa compra. Porém, o consumidor não deve esquecer outros itens que fazem diferença na hora de comprar, como facilidade de crediário, atendimento, rapidez de entrega e disponibilidade de produtos. “A área de eletroeletrônico dá margem para a negociação de preços nas lojas, o que é mais restrito no hipermercado”, lembra.
O consultor também recomenda pesquisar as taxas de juros do crediário, que podem apresentar diferenças entre as lojas.
A pesquisa também mostra que o impacto da varejista Magazine Luiza, que chegou à capital no final do mês passado, ainda não pôde ser sentido no preço dos eletroeletrônicos pesquisados, conforme mostra o levantamento.
Para Foganholo, a rede estreante não tem o preço como foco central e investe mais em outros quesitos, como atendimento. Já para o consultor Emerson Kapaz, do Instituto de Desenvolvimento do Varejo, isso faz parte de um período de adaptação, e o cenário ainda pode mudar. “A estréia da rede é muito recente, mas irá haver maior disputa no mercado. Obviamente os lojistas que já estavam ocupando seu espaço irão lutar para não perdê-lo. Há, enfim, uma tendência de baixa dos preços, e quem sai ganhando é o consumidor”, afirma Kapaz.
Facilidades
Ao comentarem a pesquisa, a Ponto Frio e o Extra Eletro lembram que cada loja de sua rede tem autonomia de praticar seus próprios preços, que podem variar de acordo com a região, o que explica as diferenças observadas. Assessoria do Extra Eletro alega que as lojas da rede podem cobrir ofertas de concorrentes do entorno.
Com relação a facilidades de pagamento, no Carrefour o consumidor encontra parcelamento em até 12 vezes sem juros para todos os itens do segmento, bastando adquirir cartão da rede e informar nível de renda para saldo limite.
Nas Casas Bahia, se divide a compra em até dez vezes sem juros no cartão de crédito e em até 15 parcelas no carnê para determinados produtos.
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Um pé na Bolsa e outro na renda fixa
Jornal da Tarde
27/10/2008
Fundos investem em ações, mas garantem o capital inicial se o mercado começar a cair
A volatilidade recente do mercado financeiro levou os bancos a apostar nos fundos de capital protegido. Atrelada ao principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, essa opção de investimento promete ao aplicador o dinheiro inicialmente depositado mesmo que o mercado tenha queda. A segurança, no entanto, tem seu custo: se os mercados apresentarem forte recuperação, o investidor pode não usufruir desse ganho.
Leia mais sobre investimentos
Somente neste mês turbulento - em que a Bolsa acumulou queda de 36,45% até a última sexta-feira - o HSBC e o ABN Amro Real abriram novos fundos de capital protegido, ainda disponíveis para aplicações. O Santander, que não contava com esse tipo de produto na prateleira para o varejo, estreou nesse mercado em setembro passado e já se prepara para lançar o segundo em breve. O Banco do Brasil também abriu um fundo do tipo em setembro, mas voltado ao investidor com mais de R$ 300 mil em aplicações financeiras.
O apelo desses lançamentos é a forte queda da Bolsa desde o acirramento da crise financeira, em setembro. “O produto elimina uma questão comportamental, a aversão à perda”, explica o estrategista de investimentos pessoais do Banco Real, Aquiles Mosca.
Carteiras fechadas
Enquadrados na categoria multimercado, esses fundos não aplicam diretamente em ações, mas fazem operações simultâneas no mercado financeiro envolvendo contratos futuros de Ibovespa e opções. Além disso, são fundos fechados: não aceitam depósitos depois do prazo definido para aplicação. O dinheiro também não pode ser resgatado antes da data definida para o encerramento. O prazo mínimo costuma ser de até um ano e meio. Isso quer dizer que a aplicação tem data para acabar.
Ao contrário do apelo comercial dos bancos, a aplicação talvez não seja a mais indicada para momentos em que o mercado acionário está desvalorizado. “São produtos mais propícios para quando a Bolsa acumula alta” (e, portanto, tem mais chance de cair), aconselha Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios. “Agora estamos no fundo do poço”, avalia. Só em outubro, até a última sexta-feira, a Bolsa já perdia 36,45%.
Tendência de alta
Com tantos acontecimentos recentes pressionando a Bolsa, ninguém se arrisca a estimar quando essa recuperação poderá acontecer. “Depois de tanta baixa, a tendência é de que os preços voltem a subir. Então não compensa aceitar um limite de ganho”, completa Leite. “Entrar em fundo de capital protegido quando a Bolsa está tão desvalorizada é limitar demais os ganhos”, concorda Almeida.
Dos seis fundos de capital protegido lançados pelo HSBC desde 2006, quatro já foram liquidados. Em todos, a barreira de alta foi ultrapassada e o investidor recebeu uma taxa de juros em vez da variação do Ibovespa no período. Desses quatro, três tiveram rendimento entre 22,4% e 24,84%, enquanto a alta do índice ao fim de cada período oscilou entre 32,6% e 60%. O fundo encerrado mais recentemente foi o único efetivamente vantajoso para o investidor. A rentabilidade foi de 22,72%, enquanto o índice Bovespa perdeu 33,2%.
“Há nesses fundos um componente de sorteio. Você só sabe se foi uma alternativa boa ou má depois”, afirma o diretor do site financeiro Fortuna, Marcelo D’Agosto.
O mesmo efeito de proteção do principal pode ser conseguido pelo investidor por conta própria, afirma o professor Luiz Jurandir Simões, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP). “Quem alocar 90% do patrimônio em fundos DI e os 10% na Bolsa garante o capital”, afirma. “Mesmo se as ações despencarem 50%, o rendimento da renda fixa cobre a perda.”
TRÊS CENÁRIOS
Imagine um investidor que tenha aplicado R$ 100 em um fundo com prazo de um ano e que possua um limite de 30% de alta do Ibovespa. No fim do período, existem três possibilidades:
Alta de até 30% do Ibovespa
Se o índice Ibovespa variar até 30% para cima, a rentabilidade para o investidor será equivalente à do principal índice da Bolsa. Por exemplo, em caso de alta de 25% ao fim de um ano, o investidor terá no fim desse período R$ 125
Variação superior aos 30%
Se a variação acumulada do Ibovespa superar 30% em qualquer momento dentro do período de um ano, o investidor perde a rentabilidade da Bolsa e ganha só a variação da renda fixa. Com base na variação da taxa de juros atual, o investidor ficaria com
R$ 111,75
Queda do Ibovespa
R$ 100
Caso o Ibovespa registre um cenário de queda, o investidor leva para casa o mesmo valor que aplicou há um ano, mas, como o
valor não é corrigido, na prática, o investidor sofreu uma perda referente à inflação do período, pois terá os mesmos
27/10/2008
Fundos investem em ações, mas garantem o capital inicial se o mercado começar a cair
A volatilidade recente do mercado financeiro levou os bancos a apostar nos fundos de capital protegido. Atrelada ao principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, essa opção de investimento promete ao aplicador o dinheiro inicialmente depositado mesmo que o mercado tenha queda. A segurança, no entanto, tem seu custo: se os mercados apresentarem forte recuperação, o investidor pode não usufruir desse ganho.
Leia mais sobre investimentos
Somente neste mês turbulento - em que a Bolsa acumulou queda de 36,45% até a última sexta-feira - o HSBC e o ABN Amro Real abriram novos fundos de capital protegido, ainda disponíveis para aplicações. O Santander, que não contava com esse tipo de produto na prateleira para o varejo, estreou nesse mercado em setembro passado e já se prepara para lançar o segundo em breve. O Banco do Brasil também abriu um fundo do tipo em setembro, mas voltado ao investidor com mais de R$ 300 mil em aplicações financeiras.
O apelo desses lançamentos é a forte queda da Bolsa desde o acirramento da crise financeira, em setembro. “O produto elimina uma questão comportamental, a aversão à perda”, explica o estrategista de investimentos pessoais do Banco Real, Aquiles Mosca.
Carteiras fechadas
Enquadrados na categoria multimercado, esses fundos não aplicam diretamente em ações, mas fazem operações simultâneas no mercado financeiro envolvendo contratos futuros de Ibovespa e opções. Além disso, são fundos fechados: não aceitam depósitos depois do prazo definido para aplicação. O dinheiro também não pode ser resgatado antes da data definida para o encerramento. O prazo mínimo costuma ser de até um ano e meio. Isso quer dizer que a aplicação tem data para acabar.
Ao contrário do apelo comercial dos bancos, a aplicação talvez não seja a mais indicada para momentos em que o mercado acionário está desvalorizado. “São produtos mais propícios para quando a Bolsa acumula alta” (e, portanto, tem mais chance de cair), aconselha Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios. “Agora estamos no fundo do poço”, avalia. Só em outubro, até a última sexta-feira, a Bolsa já perdia 36,45%.
Tendência de alta
Com tantos acontecimentos recentes pressionando a Bolsa, ninguém se arrisca a estimar quando essa recuperação poderá acontecer. “Depois de tanta baixa, a tendência é de que os preços voltem a subir. Então não compensa aceitar um limite de ganho”, completa Leite. “Entrar em fundo de capital protegido quando a Bolsa está tão desvalorizada é limitar demais os ganhos”, concorda Almeida.
Dos seis fundos de capital protegido lançados pelo HSBC desde 2006, quatro já foram liquidados. Em todos, a barreira de alta foi ultrapassada e o investidor recebeu uma taxa de juros em vez da variação do Ibovespa no período. Desses quatro, três tiveram rendimento entre 22,4% e 24,84%, enquanto a alta do índice ao fim de cada período oscilou entre 32,6% e 60%. O fundo encerrado mais recentemente foi o único efetivamente vantajoso para o investidor. A rentabilidade foi de 22,72%, enquanto o índice Bovespa perdeu 33,2%.
“Há nesses fundos um componente de sorteio. Você só sabe se foi uma alternativa boa ou má depois”, afirma o diretor do site financeiro Fortuna, Marcelo D’Agosto.
O mesmo efeito de proteção do principal pode ser conseguido pelo investidor por conta própria, afirma o professor Luiz Jurandir Simões, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP). “Quem alocar 90% do patrimônio em fundos DI e os 10% na Bolsa garante o capital”, afirma. “Mesmo se as ações despencarem 50%, o rendimento da renda fixa cobre a perda.”
TRÊS CENÁRIOS
Imagine um investidor que tenha aplicado R$ 100 em um fundo com prazo de um ano e que possua um limite de 30% de alta do Ibovespa. No fim do período, existem três possibilidades:
Alta de até 30% do Ibovespa
Se o índice Ibovespa variar até 30% para cima, a rentabilidade para o investidor será equivalente à do principal índice da Bolsa. Por exemplo, em caso de alta de 25% ao fim de um ano, o investidor terá no fim desse período R$ 125
Variação superior aos 30%
Se a variação acumulada do Ibovespa superar 30% em qualquer momento dentro do período de um ano, o investidor perde a rentabilidade da Bolsa e ganha só a variação da renda fixa. Com base na variação da taxa de juros atual, o investidor ficaria com
R$ 111,75
Queda do Ibovespa
R$ 100
Caso o Ibovespa registre um cenário de queda, o investidor leva para casa o mesmo valor que aplicou há um ano, mas, como o
valor não é corrigido, na prática, o investidor sofreu uma perda referente à inflação do período, pois terá os mesmos
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Assinar:
Postagens (Atom)