Valor Econômico
Por Catherine Vieira, do Rio
01/08/2008
A partir de agora, poderá ficar mais fácil investir em fundos semelhantes aos do Papéis Índice Brasil Bovespa (PIBB), que foi formatado pelo BNDES e reproduz o índice IBrx-50. Ontem, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu flexibilizar, por meio de uma análise caso a caso, alguns requisitos de estruturação, emissão, registro e distribuição de cotas de fundos de índices de mercado. Conhecidos como Exchange-Traded Funds (ETF) no mercado externo, esses fundos são parecidos com os diversos fundos de índices que já existem no mercado local sob o ponto de vista da composição da carteira, mas guardam semelhanças com o PIBB por serem negociados em bolsa.
De acordo com o superintendente de relações com investidores institucionais da CVM, Carlos Alberto Rebello Sobrinho, a decisão da autarquia de analisar dispensas de requisitos caso a caso poderá viabilizar fundos de índices que não sejam apenas aqueles que comportam as empresas mais líquidas. "As regras exigem que o fundo replique a carteira de um índice, na exata proporção, mas como alguns índices são compostos por empresas que não têm ampla liquidez, isso se tornava um fator que dificultava a criação de algumas carteiras", explica.
Em alguns países, nos quais o mercado de ETFs já é mais desenvolvido, as instituições buscam resolver os problemas dos ativos com baixa liquidez e que fazem parte dos índices a serem seguidos com operações que envolvem outros ativos e que possuem alta correlação com eles, por exemplo. Nos Estados Unidos, o Barclays criou um sistema especialmente dedicado a esse mercado, chamado Ishares, com uma grande família de ETFs, ou seja, fundos de índice de mercado de diversos tipos.
Com isso, é possível que surjam produtos semelhantes ao PIBB, porém, replicando inúmeros outros índices sejam eles setoriais ou com um determinado foco, como governança ou sustentabilidade. A Bovespa vem criando ao longo dos anos diversos indicadores que poderão servir de base para esses fundos nos moldes dos ETFs.
Na visão da CVM, os ETFs são produtos que podem ser interessantes para o mercado local por serem uma alternativa de aplicação em fundo de ações a um custo mais baixo. Isso porque a taxa de administração costuma ser menor em produtos como o PIBB do que nos fundos abertos de ações que replicam índices.
No comunicado divulgado ontem, a autarquia ressaltou que há evidências de que fundos como os ETFs ajudam a aumentar a liquidez dos ativos que compõem os índices seguidos. "Produtos como os ETFs podem contribuir para a diversificação de riscos dos investidores e para o aumento da competição entre produtos de investimento e, por isso, são desejáveis", diz a nota da autarquia.
Por enquanto, o colegiado da CVM decidiu apenas analisar caso a caso as possibilidades de dispensa ou abrandamento de requisitos da Instrução 359, que rege esses fundos. Porém, a autarquia não descarta uma futura mudança nas regras, caso as experiências indiquem que esse é o melhor caminho e vai ouvir também as sugestões do mercado sobre o assunto.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Rentabilidade de prefixados dispara com alta da Selic
Valor Econômico
Por Adriana Cotias, de São Paulo
30/07/2008
A alta da Selic na semana passada, em proporção maior do que muitos previam, pegou os gestores de renda fixa na mão certa. O aumento de 0,75 ponto percentual imposto pelo Comitê de Política Monetária (Copom) ao juro primário, para 13% ao ano, representou um adicional e tanto nas cotas dos fundos prefixados passivos, que têm o compromisso de aplicar em ativos com rentabilidade definida no momento da compra ou se valem de derivativos na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).
O resultado se observa no desempenho desses fundos em julho. Até o dia 25, as carteiras prefixadas tinham um retorno de 1,86% em comparação ao 0,73% dos referenciados DI ou o 0,50% dos portfólios atrelados a índices de preços. O CDI ficou em 0,87% no período. Os dados são do site financeiro Fortuna.
Tradicionalmente comprados em taxas longas (apostando na queda dos juros no decorrer do tempo), os portfólios prefixados levaram a melhor justamente porque o remédio do juro veio em dose maior do que o 0,50 ponto percentual projetado pela maioria dos analistas. O ajuste teve o efeito de pressionar as taxas das Letras do Tesouro Nacional (LTN, prefixada) e contratos de depósitos interfinanceiros (DI) curtos, ao mesmo tempo em que suavizou os prêmios embutidos nos papéis com prazo acima de dois anos.
"No longo prazo a curva (de juros) está invertida e a alta da Selic só pronunciou essa tendência", diz o economista Marcelo D'Agosto, diretor do Fortuna. Tal comportamento explica-se pela leitura de que a aceleração do aumento do juro de curto prazo surtirá resultado mais rápido no controle dos índices de custo de vida logo adiante. "Ao ser mais conservador, o Banco Central (BC) passou a mensagem de que será vigilante e não deixará a inflação escapar do controle", diz o gestor de Renda Fixa da Unibanco Asset Management (UAM) Paulo Certain.
Enquanto as taxas dos DIs com vencimento em 2008 e 2009 subiram para se adaptar à aceleração do ciclo de alta, os contratos de 2010 seguiram a rota contrária. Conforme exemplifica Certain, o DI de janeiro, que chegou a bater 15,48% ao ano, ontem era negociado a 14,91%. O contrato com vencimento em 2012 caiu de 15,2% no início do mês para os atuais 14,29%. Para a UAM, a Selic fecha o ano em 15%, tem mais um ajuste de 0,25 ponto percentual no início de 2009, mas já começa a cair a partir do segundo semestre, virando 2010 a 13,5% ao ano. Se tal previsão se concretizar, vale investir em fundos de renda fixa que tenham prefixados longos, defende.
Em julho, quem possuía esses papéis registrou um lucro contábil na marcação a mercado, explica o operador da SLW Corretora Rogério Adriani Rosa. Isso ocorreu porque a redução das taxas longas vem acompanhada pela alta do preço unitário dos papéis, valorizando, portanto, os ativos que estavam nos portfólios.
O aumento do diferencial de juros locais e externos também elevou a atratividade dos prefixados aos olhos do investidor estrangeiro, resultando em demanda extra, conta Renato Ramos, diretor de Renda Fixa, da HSBC Global Asset Managment. Maior procura significa preços mais altos - e taxas em queda. Isso não quer dizer que os prefixados serão uma aposta de lucro certeira, adverte. O cenário para a renda fixa permanece nebuloso, com a inflação mundial de alimentos e a alta das commodities jogando uma sombra sobre o futuro da política monetária brasileira. "Neste momento, talvez seja melhor privilegiar títulos de inflação." As projeções da HSBC são de IPCA em 6,5% neste ano, caindo a 5% em 2009, com a Selic em 14,75% em dezembro próximo, cedendo a 14% no fim de 2009.
Na conta de 2008, os fundos prefixados ainda ficam para trás, com rentabilidade de 4,37%, quando comparados às carteiras que têm os índices de preços como referência, com retorno de 5,84%, ou os DIs, com 5,12%. Todos aquém do CDI, em 6,31%. Isso explica por que os portfólios de renda fixa perderam R$ 16,6 bilhões do patrimônio nos sete primeiros meses do ano - só em julho, as saídas líquida alcançaram R$ 3,1 bilhões. Os multimercados tiveram desempenho pior, perdendo R$ 22,2 bilhões no ano e R$ 2,7 bilhões no mês, até o dia 25
Por Adriana Cotias, de São Paulo
30/07/2008
A alta da Selic na semana passada, em proporção maior do que muitos previam, pegou os gestores de renda fixa na mão certa. O aumento de 0,75 ponto percentual imposto pelo Comitê de Política Monetária (Copom) ao juro primário, para 13% ao ano, representou um adicional e tanto nas cotas dos fundos prefixados passivos, que têm o compromisso de aplicar em ativos com rentabilidade definida no momento da compra ou se valem de derivativos na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).
O resultado se observa no desempenho desses fundos em julho. Até o dia 25, as carteiras prefixadas tinham um retorno de 1,86% em comparação ao 0,73% dos referenciados DI ou o 0,50% dos portfólios atrelados a índices de preços. O CDI ficou em 0,87% no período. Os dados são do site financeiro Fortuna.
Tradicionalmente comprados em taxas longas (apostando na queda dos juros no decorrer do tempo), os portfólios prefixados levaram a melhor justamente porque o remédio do juro veio em dose maior do que o 0,50 ponto percentual projetado pela maioria dos analistas. O ajuste teve o efeito de pressionar as taxas das Letras do Tesouro Nacional (LTN, prefixada) e contratos de depósitos interfinanceiros (DI) curtos, ao mesmo tempo em que suavizou os prêmios embutidos nos papéis com prazo acima de dois anos.
"No longo prazo a curva (de juros) está invertida e a alta da Selic só pronunciou essa tendência", diz o economista Marcelo D'Agosto, diretor do Fortuna. Tal comportamento explica-se pela leitura de que a aceleração do aumento do juro de curto prazo surtirá resultado mais rápido no controle dos índices de custo de vida logo adiante. "Ao ser mais conservador, o Banco Central (BC) passou a mensagem de que será vigilante e não deixará a inflação escapar do controle", diz o gestor de Renda Fixa da Unibanco Asset Management (UAM) Paulo Certain.
Enquanto as taxas dos DIs com vencimento em 2008 e 2009 subiram para se adaptar à aceleração do ciclo de alta, os contratos de 2010 seguiram a rota contrária. Conforme exemplifica Certain, o DI de janeiro, que chegou a bater 15,48% ao ano, ontem era negociado a 14,91%. O contrato com vencimento em 2012 caiu de 15,2% no início do mês para os atuais 14,29%. Para a UAM, a Selic fecha o ano em 15%, tem mais um ajuste de 0,25 ponto percentual no início de 2009, mas já começa a cair a partir do segundo semestre, virando 2010 a 13,5% ao ano. Se tal previsão se concretizar, vale investir em fundos de renda fixa que tenham prefixados longos, defende.
Em julho, quem possuía esses papéis registrou um lucro contábil na marcação a mercado, explica o operador da SLW Corretora Rogério Adriani Rosa. Isso ocorreu porque a redução das taxas longas vem acompanhada pela alta do preço unitário dos papéis, valorizando, portanto, os ativos que estavam nos portfólios.
O aumento do diferencial de juros locais e externos também elevou a atratividade dos prefixados aos olhos do investidor estrangeiro, resultando em demanda extra, conta Renato Ramos, diretor de Renda Fixa, da HSBC Global Asset Managment. Maior procura significa preços mais altos - e taxas em queda. Isso não quer dizer que os prefixados serão uma aposta de lucro certeira, adverte. O cenário para a renda fixa permanece nebuloso, com a inflação mundial de alimentos e a alta das commodities jogando uma sombra sobre o futuro da política monetária brasileira. "Neste momento, talvez seja melhor privilegiar títulos de inflação." As projeções da HSBC são de IPCA em 6,5% neste ano, caindo a 5% em 2009, com a Selic em 14,75% em dezembro próximo, cedendo a 14% no fim de 2009.
Na conta de 2008, os fundos prefixados ainda ficam para trás, com rentabilidade de 4,37%, quando comparados às carteiras que têm os índices de preços como referência, com retorno de 5,84%, ou os DIs, com 5,12%. Todos aquém do CDI, em 6,31%. Isso explica por que os portfólios de renda fixa perderam R$ 16,6 bilhões do patrimônio nos sete primeiros meses do ano - só em julho, as saídas líquida alcançaram R$ 3,1 bilhões. Os multimercados tiveram desempenho pior, perdendo R$ 22,2 bilhões no ano e R$ 2,7 bilhões no mês, até o dia 25
terça-feira, 29 de julho de 2008
Caderneta brilha menos
Valor Econômico
Por Luciana Monteiro e Alessandra Bellotto, de São Paulo
29/07/2008
Depois de competir em pé de igualdade com os fundos mais conservadores de renda fixa, a boa e velha caderneta de poupança perdeu parte de seu brilho. Com a alta da taxa de juros, hoje em 13% ao ano, para conter as pressões inflacionárias, mesmo os fundos DI ou de curto prazo que cobram salgadas taxas de administração ficaram mais atrativos ante a caderneta, algo que havia mudado quando a trajetória da Selic era de queda.
Quanto maior a taxa de juros, melhor será a rentabilidade dos fundos mais tradicionais ante o retorno da caderneta, que oferece a variação da Taxa Referencial (TR) mais 6% ao ano. E essa relação deve ficar ainda mais desfavorável para a poupança caso se confirmem as projeções de mercado de 14,25% para a taxa Selic no fim do ano. Sem falar do investidor que tem horizonte de longo prazo, em que o imposto de renda nos fundos de renda fixa cai.
Há um ano e meio, quando a taxa Selic estava em 11,75% ao ano, só os fundos com taxa de administração abaixo de 2% conseguiam superar os ganhos da poupança para prazos acima de um ano. Hoje, uma carteira que cobre 3% já rende mais que a caderneta, dependendo do prazo da aplicação.
Simulação feita pelo Valor Data mostra que, mesmo considerando-se as projeções de 14,25% para a Selic no fim do ano, os fundos DI com taxa de administração acima de 3% ao ano ainda perdem para a caderneta de poupança no curto prazo. Isso ocorre por causa do imposto de renda maior cobrado no fundo. Pelos cálculos, num prazo de seis meses, o aplicador de um DI receberia 4,18%, para 4,27% da poupança, que é isenta. A projeção considera o imposto de renda regressivo para os fundos de renda fixa - de 22,5% para aplicações de até seis meses; de 20% para mais de seis meses a um ano; de 17,5% de um ano a dois; e de 15% acima de dois anos.
A situação muda quando se olha o longo prazo. Para as aplicações com prazo superior a dois anos, o ganho desses fundos seria de 20,24%, para 18,22% da poupança. Vale lembrar, no entanto, que a simulação considera a Selic sem alterações nesse período, o que pode não acontecer.
Isso quer dizer que, independente da taxa de administração, é um bom negócio trocar a caderneta por um fundo DI? Não é bem assim. Numa carteira que cobre 4% ao ano, a poupança só deixa de ser interessante para investimentos acima de dois anos. Nesse caso, o ganho líquido do fundo seria de 18,59%, para 18,22%.
Mas, nessa história toda, o aplicador deve considerar também que a própria poupança deve ter um rendimento maior. Isso porque a Taxa Referencial (TR), que corrige a aplicação, é calculada com base na rentabilidade média dos Certificados de Depósito Bancário (CDB) e dos Recibos de Depósito Bancário (RDB), cujas taxas acompanham a alta da Selic. Sobre essa média, chamada de Taxa Básica Financeira (TBF), é aplicado um redutor. Pelas projeções do mercado, a TR de julho deve ficar em 0,22%, para 0,11% de junho, elevando o ganho da poupança para 0,70% no mês. "No início do ano, a poupança não rendia mais que 0,60%", ressalta Felipe Vaz, gerente de investimentos do Banco Real.
A diferença entre o ganho da caderneta de poupança e a rentabilidade dos fundos ainda é muito pequena, diz Marcos Villanova, superintendente executivo da área de investimentos do Bradesco. "Quem é poupador da caderneta não deve mexer em seus investimentos, porque a diferença é muito pequena, mas isso vai mudar se a Selic for para 14% ao ano", diz.
Mas mesmo mais interessantes que a caderneta no longo prazo, o investidor não deve se acomodar com fundos mais caros, diz Rodrigo Menon, sócio da Beta Advisors. "A Selic agora está em alta, mas o mercado projeta queda dos juros a partir do segundo semestre do ano que vem", lembra. "É interessante que o investidor procure desde já alternativas mais baratas", diz Menon, lembrando, no entanto, que é difícil para o pequeno poupador ter acesso a taxas de administração na faixa de 1% em fundos DI. "Mas ele pode recorrer ao Tesouro Direto, onde a concorrência de taxa é maior."
A caderneta perdeu terreno com a alta dos juros e, no caso dos fundos DI, eles ainda podem ser beneficiados pelas taxas melhores oferecidas hoje pelos CDBs, diz Marcia Dessen, sócia da Bankrisk Consultoria e Treinamento. Isso porque, por lei, os fundos referenciados precisam ter 80% de sua carteira em títulos pós-fixados do Tesouro Nacional ou de emissores classificados como de baixo risco, onde entram os CDBs. Para obter retornos maiores, alguns gestores costumam colocar uma pitada desses títulos privados na carteira.
A poupança sempre foi muito procurada pelos investidores mais tradicionais e deve continuar atraindo recursos, diz Fabio Colombo, administrador de investimentos. Ele ressalta, no entanto, que ela é mais indicada para quem tem até R$ 60 mil, limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). "Acima desse valor, o poupador começa a correr o risco de crédito da instituição."
No fundo DI, que aplica majoritariamente em títulos públicos pós-fixados, o risco que o investidor corre é o de o governo não honrar o pagamento da dívida, o que é hoje improvável. Além disso, Colombo destaca que o fundo conta com liquidez diária, enquanto que a poupança tem dia certo para sacar os recursos se o aplicador não quiser perder os rendimentos.
Por Luciana Monteiro e Alessandra Bellotto, de São Paulo
29/07/2008
Depois de competir em pé de igualdade com os fundos mais conservadores de renda fixa, a boa e velha caderneta de poupança perdeu parte de seu brilho. Com a alta da taxa de juros, hoje em 13% ao ano, para conter as pressões inflacionárias, mesmo os fundos DI ou de curto prazo que cobram salgadas taxas de administração ficaram mais atrativos ante a caderneta, algo que havia mudado quando a trajetória da Selic era de queda.
Quanto maior a taxa de juros, melhor será a rentabilidade dos fundos mais tradicionais ante o retorno da caderneta, que oferece a variação da Taxa Referencial (TR) mais 6% ao ano. E essa relação deve ficar ainda mais desfavorável para a poupança caso se confirmem as projeções de mercado de 14,25% para a taxa Selic no fim do ano. Sem falar do investidor que tem horizonte de longo prazo, em que o imposto de renda nos fundos de renda fixa cai.
Há um ano e meio, quando a taxa Selic estava em 11,75% ao ano, só os fundos com taxa de administração abaixo de 2% conseguiam superar os ganhos da poupança para prazos acima de um ano. Hoje, uma carteira que cobre 3% já rende mais que a caderneta, dependendo do prazo da aplicação.
Simulação feita pelo Valor Data mostra que, mesmo considerando-se as projeções de 14,25% para a Selic no fim do ano, os fundos DI com taxa de administração acima de 3% ao ano ainda perdem para a caderneta de poupança no curto prazo. Isso ocorre por causa do imposto de renda maior cobrado no fundo. Pelos cálculos, num prazo de seis meses, o aplicador de um DI receberia 4,18%, para 4,27% da poupança, que é isenta. A projeção considera o imposto de renda regressivo para os fundos de renda fixa - de 22,5% para aplicações de até seis meses; de 20% para mais de seis meses a um ano; de 17,5% de um ano a dois; e de 15% acima de dois anos.
A situação muda quando se olha o longo prazo. Para as aplicações com prazo superior a dois anos, o ganho desses fundos seria de 20,24%, para 18,22% da poupança. Vale lembrar, no entanto, que a simulação considera a Selic sem alterações nesse período, o que pode não acontecer.
Isso quer dizer que, independente da taxa de administração, é um bom negócio trocar a caderneta por um fundo DI? Não é bem assim. Numa carteira que cobre 4% ao ano, a poupança só deixa de ser interessante para investimentos acima de dois anos. Nesse caso, o ganho líquido do fundo seria de 18,59%, para 18,22%.
Mas, nessa história toda, o aplicador deve considerar também que a própria poupança deve ter um rendimento maior. Isso porque a Taxa Referencial (TR), que corrige a aplicação, é calculada com base na rentabilidade média dos Certificados de Depósito Bancário (CDB) e dos Recibos de Depósito Bancário (RDB), cujas taxas acompanham a alta da Selic. Sobre essa média, chamada de Taxa Básica Financeira (TBF), é aplicado um redutor. Pelas projeções do mercado, a TR de julho deve ficar em 0,22%, para 0,11% de junho, elevando o ganho da poupança para 0,70% no mês. "No início do ano, a poupança não rendia mais que 0,60%", ressalta Felipe Vaz, gerente de investimentos do Banco Real.
A diferença entre o ganho da caderneta de poupança e a rentabilidade dos fundos ainda é muito pequena, diz Marcos Villanova, superintendente executivo da área de investimentos do Bradesco. "Quem é poupador da caderneta não deve mexer em seus investimentos, porque a diferença é muito pequena, mas isso vai mudar se a Selic for para 14% ao ano", diz.
Mas mesmo mais interessantes que a caderneta no longo prazo, o investidor não deve se acomodar com fundos mais caros, diz Rodrigo Menon, sócio da Beta Advisors. "A Selic agora está em alta, mas o mercado projeta queda dos juros a partir do segundo semestre do ano que vem", lembra. "É interessante que o investidor procure desde já alternativas mais baratas", diz Menon, lembrando, no entanto, que é difícil para o pequeno poupador ter acesso a taxas de administração na faixa de 1% em fundos DI. "Mas ele pode recorrer ao Tesouro Direto, onde a concorrência de taxa é maior."
A caderneta perdeu terreno com a alta dos juros e, no caso dos fundos DI, eles ainda podem ser beneficiados pelas taxas melhores oferecidas hoje pelos CDBs, diz Marcia Dessen, sócia da Bankrisk Consultoria e Treinamento. Isso porque, por lei, os fundos referenciados precisam ter 80% de sua carteira em títulos pós-fixados do Tesouro Nacional ou de emissores classificados como de baixo risco, onde entram os CDBs. Para obter retornos maiores, alguns gestores costumam colocar uma pitada desses títulos privados na carteira.
A poupança sempre foi muito procurada pelos investidores mais tradicionais e deve continuar atraindo recursos, diz Fabio Colombo, administrador de investimentos. Ele ressalta, no entanto, que ela é mais indicada para quem tem até R$ 60 mil, limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). "Acima desse valor, o poupador começa a correr o risco de crédito da instituição."
No fundo DI, que aplica majoritariamente em títulos públicos pós-fixados, o risco que o investidor corre é o de o governo não honrar o pagamento da dívida, o que é hoje improvável. Além disso, Colombo destaca que o fundo conta com liquidez diária, enquanto que a poupança tem dia certo para sacar os recursos se o aplicador não quiser perder os rendimentos.
terça-feira, 22 de julho de 2008
Doutores do dinheiro
Valor Econômico
Por Danilo Fariello, de São Paulo
22/07/2008
Quando se tem um problema jurídico, consulta-se um advogado. Se doente, procura-se um médico. É seguindo esses princípios que começa a aparecer no Brasil a figura do consultor financeiro esporádico. Ele atua como um freelancer, auxiliando, por exemplo, quem acaba de receber uma herança, quem avalia uma proposta de trabalho, aquele que quer planejar a aposentadoria, melhorar sua estrutura tributária ou apenas fazer uma check-up para saber se a vida financeira está em linha com os seus objetivos pessoais para o futuro.
O consultor financeiro já é uma profissão reconhecida e respeitada entre os endinheirados brasileiros. Nos últimos anos, prosperam os private banks e "family offices", que cuidam das questões ligadas a dinheiro de famílias milionárias. Geralmente, esses escritórios cobram um percentual fixo sobre o patrimônio administrado em troca de seus préstimos.
Agora, diante da demanda por esses profissionais, alguns jovens começam a popularizar a consultoria financeira atuando de maneira mais flexível, cobrando por hora de consulta, por exemplo. Eles ainda possuem a vantagem ante outros profissionais de não ter conflitos de interesse, uma vez que são pagos apenas pelos clientes, enquanto privates banks e family offices podem ter parte da receita oriunda das entidades onde o cliente aplica. "A minha simples presença no banco com o cliente já fez com que o atendimento pelo gerente fosse diferente", diz Marcelo Junqueira Angulo, um consultor independente.
A hora cobrada por uma assessoria financeira, por enquanto, varia de R$ 300 até mais de R$ 1 mil, dependendo da experiência do consultor. Normalmente, há um contrato sobre os serviços prestados. A expectativa é de que a atividade seja cada vez mais popular, prevê Giuliano DeMarchi, diretor do Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). "E um dos caminhos para a popularização é a cobrança por hora de consulta." Os consultores autônomos reconhecem, porém, que ainda há dificuldades em cobrar pelos serviços por conta da falta de cultura da profissão no país. Por isso, o escritório de Fabiano Calil, especializado em consultoria financeira, promoverá neste mês a primeira palestra para os interessados que quiserem tirar suas dúvidas, a R$ 50,00.
A consulta financeira por hora já é mais tradicional nos EUA, onde a pioneira delas, a Sheryl Garrett, acabou montando uma empresa com consultores franqueados. Por enquanto, aqui o contato com os consultores ainda é no boca-a-boca, a partir de conhecidos de clientes ou amigos.
A maior demanda por esse tipo de consulta cobrada por hora parte, principalmente, dos mais jovens, que estão começando a estruturar a vida financeira, entendem melhor o valor da assessoria financeira e começam a pensar no longo prazo, conta Angulo. "Eu costumo indicar inicialmente livros e palestras para ele ir se inteirando do assunto", diz ele, autor do livro "Suasfinanças.com: os 101 melhores sites para cuidar do seu dinheiro e ajudá-lo a enriquecer", da editora Campus Elsevier.
Apesar da pouca idade que esses pioneiros na consulta financeira por hora têm, eles já possuem experiência comprovada no ramo. Eles possuem o Certified Financial Planner (CFP) - crédito internacional a planejadores financeiros com critérios de experiência, conhecimento e ética -, têm livros publicados, blog ou site e títulos acadêmicos na bagagem.
Ao se formar na faculdade, em 2005, Caio Fragata Torralvo, de 28 anos, trabalhava na área de gestão de recursos de um dos maiores bancos do país, mas achou que já era a hora de virar a carreira. Tirou o CFP e uniu-se ao escritório de Fabiano Calil, consultor já de maior renome, para fazer a consultoria financeira personalizada. "No consultório, as pessoas abrem a sua vida financeira e buscam uma luz de como dirigi-la", diz Torralvo, que também é pesquisador de temas ligados à psicologia econômica. Além de Torralvo, Calil tem outros consultores atendendo clientes por hora em seu escritório e pensa em expandir diante da forte demanda.
Angulo diz que atende pessoas que ainda não são milionárias, mas que querem trilhar esse caminho ou lidar melhor com questões específicas e pontuais. "Muitas querem saber como começar a se planejar, querem os caminhos para alcançar suas metas."
Ambos fazem questão de frisar que a consulta não tem relação com auto-ajuda e, por ser técnica, a pessoa que os procurar tem de estar disposta a abrir toda sua vida financeira para a assessoria valer a pena. Como os profissionais são certificados, o cliente tem mais segurança porque, se houver problema, é possível recorrer ao IBCPF, responsável pelo título CFP no Brasil. O IBCPF tem um código de ética rígido e as apurações de casos suspeitos envolvendo seus afiliados é julgada abertamente.
Como acontece em um consultório médico, na primeira fase do atendimento, os consultores financeiros fazem um diagnóstico financeiro, a partir do qual se busca entender a realidade e as metas do cliente. "Verificamos principalmente o orçamento e o patrimônio, mas também os anseios da pessoa", diz Angulo. Em seguida, é a vez de colocar a mão na massa e fazer a gestão do patrimônio, completa Torralvo que, juntamente com o professor de finanças das FEA/USP Almir Ferreira de Souza escreveu o livro "Aprenda a administrar o próprio dinheiro", da Editora Saraiva.
Mesmo que se trate de um problema esporádico, como a escolha de uma alternativa para financiamento imobiliário, Calil diz que há aqueles clientes que retornam em consultas periódicas para fazer uma espécie de check-up da evolução financeira. "Dúvidas e novas questões surgem todos os dias", explica.
Por Danilo Fariello, de São Paulo
22/07/2008
Quando se tem um problema jurídico, consulta-se um advogado. Se doente, procura-se um médico. É seguindo esses princípios que começa a aparecer no Brasil a figura do consultor financeiro esporádico. Ele atua como um freelancer, auxiliando, por exemplo, quem acaba de receber uma herança, quem avalia uma proposta de trabalho, aquele que quer planejar a aposentadoria, melhorar sua estrutura tributária ou apenas fazer uma check-up para saber se a vida financeira está em linha com os seus objetivos pessoais para o futuro.
O consultor financeiro já é uma profissão reconhecida e respeitada entre os endinheirados brasileiros. Nos últimos anos, prosperam os private banks e "family offices", que cuidam das questões ligadas a dinheiro de famílias milionárias. Geralmente, esses escritórios cobram um percentual fixo sobre o patrimônio administrado em troca de seus préstimos.
Agora, diante da demanda por esses profissionais, alguns jovens começam a popularizar a consultoria financeira atuando de maneira mais flexível, cobrando por hora de consulta, por exemplo. Eles ainda possuem a vantagem ante outros profissionais de não ter conflitos de interesse, uma vez que são pagos apenas pelos clientes, enquanto privates banks e family offices podem ter parte da receita oriunda das entidades onde o cliente aplica. "A minha simples presença no banco com o cliente já fez com que o atendimento pelo gerente fosse diferente", diz Marcelo Junqueira Angulo, um consultor independente.
A hora cobrada por uma assessoria financeira, por enquanto, varia de R$ 300 até mais de R$ 1 mil, dependendo da experiência do consultor. Normalmente, há um contrato sobre os serviços prestados. A expectativa é de que a atividade seja cada vez mais popular, prevê Giuliano DeMarchi, diretor do Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). "E um dos caminhos para a popularização é a cobrança por hora de consulta." Os consultores autônomos reconhecem, porém, que ainda há dificuldades em cobrar pelos serviços por conta da falta de cultura da profissão no país. Por isso, o escritório de Fabiano Calil, especializado em consultoria financeira, promoverá neste mês a primeira palestra para os interessados que quiserem tirar suas dúvidas, a R$ 50,00.
A consulta financeira por hora já é mais tradicional nos EUA, onde a pioneira delas, a Sheryl Garrett, acabou montando uma empresa com consultores franqueados. Por enquanto, aqui o contato com os consultores ainda é no boca-a-boca, a partir de conhecidos de clientes ou amigos.
A maior demanda por esse tipo de consulta cobrada por hora parte, principalmente, dos mais jovens, que estão começando a estruturar a vida financeira, entendem melhor o valor da assessoria financeira e começam a pensar no longo prazo, conta Angulo. "Eu costumo indicar inicialmente livros e palestras para ele ir se inteirando do assunto", diz ele, autor do livro "Suasfinanças.com: os 101 melhores sites para cuidar do seu dinheiro e ajudá-lo a enriquecer", da editora Campus Elsevier.
Apesar da pouca idade que esses pioneiros na consulta financeira por hora têm, eles já possuem experiência comprovada no ramo. Eles possuem o Certified Financial Planner (CFP) - crédito internacional a planejadores financeiros com critérios de experiência, conhecimento e ética -, têm livros publicados, blog ou site e títulos acadêmicos na bagagem.
Ao se formar na faculdade, em 2005, Caio Fragata Torralvo, de 28 anos, trabalhava na área de gestão de recursos de um dos maiores bancos do país, mas achou que já era a hora de virar a carreira. Tirou o CFP e uniu-se ao escritório de Fabiano Calil, consultor já de maior renome, para fazer a consultoria financeira personalizada. "No consultório, as pessoas abrem a sua vida financeira e buscam uma luz de como dirigi-la", diz Torralvo, que também é pesquisador de temas ligados à psicologia econômica. Além de Torralvo, Calil tem outros consultores atendendo clientes por hora em seu escritório e pensa em expandir diante da forte demanda.
Angulo diz que atende pessoas que ainda não são milionárias, mas que querem trilhar esse caminho ou lidar melhor com questões específicas e pontuais. "Muitas querem saber como começar a se planejar, querem os caminhos para alcançar suas metas."
Ambos fazem questão de frisar que a consulta não tem relação com auto-ajuda e, por ser técnica, a pessoa que os procurar tem de estar disposta a abrir toda sua vida financeira para a assessoria valer a pena. Como os profissionais são certificados, o cliente tem mais segurança porque, se houver problema, é possível recorrer ao IBCPF, responsável pelo título CFP no Brasil. O IBCPF tem um código de ética rígido e as apurações de casos suspeitos envolvendo seus afiliados é julgada abertamente.
Como acontece em um consultório médico, na primeira fase do atendimento, os consultores financeiros fazem um diagnóstico financeiro, a partir do qual se busca entender a realidade e as metas do cliente. "Verificamos principalmente o orçamento e o patrimônio, mas também os anseios da pessoa", diz Angulo. Em seguida, é a vez de colocar a mão na massa e fazer a gestão do patrimônio, completa Torralvo que, juntamente com o professor de finanças das FEA/USP Almir Ferreira de Souza escreveu o livro "Aprenda a administrar o próprio dinheiro", da Editora Saraiva.
Mesmo que se trate de um problema esporádico, como a escolha de uma alternativa para financiamento imobiliário, Calil diz que há aqueles clientes que retornam em consultas periódicas para fazer uma espécie de check-up da evolução financeira. "Dúvidas e novas questões surgem todos os dias", explica.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Faça a restituição do seu IR render
Jornal da Tarde
14/07/2008
Com a liberação do 2º lote amanhã, opções são investir no Tesouro Direto ou na renda fixa
RODRIGO GALLO, rodrigo.gallo@grupoestado.com.br
A Receita Federal vai liberar amanhã o dinheiro referente ao segundo lote das restituições do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) 2008, ano-base 2007. Quem tiver dívidas deve usar esses recursos para pagá-las. Já quem estiver no azul pode aplicar esses recursos a fim de fazê-los render. Atualmente, Tesouro Direto e renda fixa são as melhores opções.
De acordo com o Fisco, 958.614 contribuintes vão receber o dinheiro da restituição amanhã, que será depositado com uma correção de 2,84%, correspondente à taxa básica de juros, a Selic, de maio a junho, e 1% de julho.
O matemático financeiro José Dutra Sobrinho argumenta que, no geral, o dinheiro da restituição não deve ser usado para comprar ações na Bolsa de Valores. O motivo é simples: para entrar no mercado de renda variável, é preciso ter um montante considerável para investir, do contrário, não compensa o risco.
Dutra Sobrinho dá duas orientações. Uma é colocar o dinheiro no Tesouro Direto, uma forma criada pelo governo que permite investimentos de pessoas físicas em títulos da dívida pública , cuja rentabilidade pode chegar a 1% ao mês, ou seja, bem superior à da poupança. Nesse sistema, a compra dos papéis é feita pela internet (www.tesourodireto.gov.br). A aquisição desses títulos é uma operação parecida com a compra de um eletroeletrônico pela internet. Os investimentos diretos no Tesouro estão disponíveis exclusivamente pela web. Antes, é preciso fazer um cadastro simples e aplicar pelo menos R$ 100.
Na prática, a pessoa pode gerenciar sozinha seus investimentos. Porém, o Ministério da Fazenda informa que, caso o investidor prefira, é possível autorizar uma instituição financeira a efetuar as transações. Essas empresas não cobram taxas de administração. Dutra Sobrinho alerta que há uma taxa de custódia. 'Essa taxa varia conforme a corretora. É preciso pesquisar antes de investir o dinheiro do IR.'
Alternativa
Como alternativa ao Tesouro Direto, o matemático também orienta as pessoas a colocar a restituição em fundos de investimentos de renda fixa, também levando em consideração a taxa de administração cobrada pela empresa. Segundo ele, o ideal é encontrar uma instituição financeira que pratique taxas entre 2% e 2,5%, no máximo. 'Além do Tesouro Direto, a renda fixa é uma boa opção para quem quiser investir a restituição do IR.'
14/07/2008
Com a liberação do 2º lote amanhã, opções são investir no Tesouro Direto ou na renda fixa
RODRIGO GALLO, rodrigo.gallo@grupoestado.com.br
A Receita Federal vai liberar amanhã o dinheiro referente ao segundo lote das restituições do Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) 2008, ano-base 2007. Quem tiver dívidas deve usar esses recursos para pagá-las. Já quem estiver no azul pode aplicar esses recursos a fim de fazê-los render. Atualmente, Tesouro Direto e renda fixa são as melhores opções.
De acordo com o Fisco, 958.614 contribuintes vão receber o dinheiro da restituição amanhã, que será depositado com uma correção de 2,84%, correspondente à taxa básica de juros, a Selic, de maio a junho, e 1% de julho.
O matemático financeiro José Dutra Sobrinho argumenta que, no geral, o dinheiro da restituição não deve ser usado para comprar ações na Bolsa de Valores. O motivo é simples: para entrar no mercado de renda variável, é preciso ter um montante considerável para investir, do contrário, não compensa o risco.
Dutra Sobrinho dá duas orientações. Uma é colocar o dinheiro no Tesouro Direto, uma forma criada pelo governo que permite investimentos de pessoas físicas em títulos da dívida pública , cuja rentabilidade pode chegar a 1% ao mês, ou seja, bem superior à da poupança. Nesse sistema, a compra dos papéis é feita pela internet (www.tesourodireto.gov.br). A aquisição desses títulos é uma operação parecida com a compra de um eletroeletrônico pela internet. Os investimentos diretos no Tesouro estão disponíveis exclusivamente pela web. Antes, é preciso fazer um cadastro simples e aplicar pelo menos R$ 100.
Na prática, a pessoa pode gerenciar sozinha seus investimentos. Porém, o Ministério da Fazenda informa que, caso o investidor prefira, é possível autorizar uma instituição financeira a efetuar as transações. Essas empresas não cobram taxas de administração. Dutra Sobrinho alerta que há uma taxa de custódia. 'Essa taxa varia conforme a corretora. É preciso pesquisar antes de investir o dinheiro do IR.'
Alternativa
Como alternativa ao Tesouro Direto, o matemático também orienta as pessoas a colocar a restituição em fundos de investimentos de renda fixa, também levando em consideração a taxa de administração cobrada pela empresa. Segundo ele, o ideal é encontrar uma instituição financeira que pratique taxas entre 2% e 2,5%, no máximo. 'Além do Tesouro Direto, a renda fixa é uma boa opção para quem quiser investir a restituição do IR.'
Educação financeira começa cedo
Jornal da Tarde
14/07/2008
Pais com desequilíbrios financeiros dão mau exemplo aos filhos. Mesada ajuda a formação
FABRÍCIO DE CASTRO, fabricio.castro@grupoestado.com.br
Se você deseja que seus filhos sejam financeiramente responsáveis, é importante dar o exemplo em casa. Pais que levam uma vida desequilibrada - com direito a dívidas no cartão de crédito, cheques estourados e nome sujo na praça - são uma referência negativa para as crianças. A educação financeira, garantem os especialistas, deve começar desde cedo.
Embora não haja dados estatísticos a respeito, os casais desequilibrados acabam prejudicando a relação dos filhos com o dinheiro. Para o consultor financeiro Paulo Adriano Freitas Borges, alguns atos simples, como o pagamento de uma mesada, podem ajudar na orientação dos jovens. 'O fato de os pais pagarem uma mesada permite que os filhos tenham consciência do valor do dinheiro', ensina.
Mas nem sempre é fácil determinar quando os filhos devem receber mesada e qual é o valor justo. Outra dificuldade dos casais é conter a ansiedade dos filhos, numa sociedade cada vez mais consumista.
A psicóloga Lourdes Brunini, autora do livro Como entender e criar seu filho para a vida, dá uma dica simples: 'Não é não. Sim é sim. Mantenha esse princípio sempre.'
Segundo ela, os pais não podem ser dominados pelo desejo de consumo dos filhos. 'Não dá para ficar com o orçamento no vermelho apenas porque o filho quer um brinquedo novo toda semana', diz.
Lourdes explica que a relação da criança com o dinheiro está ligada ao seu desenvolvimento ao longo dos anos. Cabe aos pais orientar corretamente o filho (veja abaixo o que fazer). O desafio de educar o filho, segundo Lourdes, tem aumentado. 'O pai de hoje tem a consciência pesada por trabalhar fora. Por isso ele tenta suprir sua ausência com a compra de bens', afirma.
Situações delicadas
Borges explica que os pais nem sempre conseguem lidar com as situações do dia-a-dia. 'Existem distorções absurdas. Já ouvi um pai dizendo que não sabe o que fazer porque o filho vai ao shopping com R$ 20 no bolso e o colega dele leva R$ 200.' Em casos assim, afirma Borges, é preciso conversar com a criança. 'O pai pensa que não pode deixar o filho numa situação inferior à do colega. Mas quais são os valores que estão sendo passados para a outra criança?', questiona o consultor. 'Chame seu filho e mostre que os R$ 200 são um exagero, considerando as necessidades dele.'
O consultor financeiro Uriel Rotta, do Instituto de Organização Racional do Trabalho de São Paulo (Idort-SP), destaca a importância da rotina em todas as fases da vida. 'Deve-se orientar o jovem a sempre guardar uma parte do dinheiro que recebe. '
A relações públicas Patrícia Dornelas Camara, de 37 anos, incentiva a poupança entre os filhos Henrique, 17 anos, Gabriel, 15 e Ana Cecília, 11 . 'Sempre ensinei que não é preciso ter mesada, mas que é possível poupar.'
Patrícia dá dinheiro aos filhos de acordo com a necessidade. E eles também recebem dos avós. 'Não dou dinheiro por nota nem por eles terem passado de ano na escola. Isso é obrigação', afirma Patrícia, que procura dar o exemplo em casa. 'Se eu for esbanjadora com o dinheiro, o que a criança vai pensar?'
14/07/2008
Pais com desequilíbrios financeiros dão mau exemplo aos filhos. Mesada ajuda a formação
FABRÍCIO DE CASTRO, fabricio.castro@grupoestado.com.br
Se você deseja que seus filhos sejam financeiramente responsáveis, é importante dar o exemplo em casa. Pais que levam uma vida desequilibrada - com direito a dívidas no cartão de crédito, cheques estourados e nome sujo na praça - são uma referência negativa para as crianças. A educação financeira, garantem os especialistas, deve começar desde cedo.
Embora não haja dados estatísticos a respeito, os casais desequilibrados acabam prejudicando a relação dos filhos com o dinheiro. Para o consultor financeiro Paulo Adriano Freitas Borges, alguns atos simples, como o pagamento de uma mesada, podem ajudar na orientação dos jovens. 'O fato de os pais pagarem uma mesada permite que os filhos tenham consciência do valor do dinheiro', ensina.
Mas nem sempre é fácil determinar quando os filhos devem receber mesada e qual é o valor justo. Outra dificuldade dos casais é conter a ansiedade dos filhos, numa sociedade cada vez mais consumista.
A psicóloga Lourdes Brunini, autora do livro Como entender e criar seu filho para a vida, dá uma dica simples: 'Não é não. Sim é sim. Mantenha esse princípio sempre.'
Segundo ela, os pais não podem ser dominados pelo desejo de consumo dos filhos. 'Não dá para ficar com o orçamento no vermelho apenas porque o filho quer um brinquedo novo toda semana', diz.
Lourdes explica que a relação da criança com o dinheiro está ligada ao seu desenvolvimento ao longo dos anos. Cabe aos pais orientar corretamente o filho (veja abaixo o que fazer). O desafio de educar o filho, segundo Lourdes, tem aumentado. 'O pai de hoje tem a consciência pesada por trabalhar fora. Por isso ele tenta suprir sua ausência com a compra de bens', afirma.
Situações delicadas
Borges explica que os pais nem sempre conseguem lidar com as situações do dia-a-dia. 'Existem distorções absurdas. Já ouvi um pai dizendo que não sabe o que fazer porque o filho vai ao shopping com R$ 20 no bolso e o colega dele leva R$ 200.' Em casos assim, afirma Borges, é preciso conversar com a criança. 'O pai pensa que não pode deixar o filho numa situação inferior à do colega. Mas quais são os valores que estão sendo passados para a outra criança?', questiona o consultor. 'Chame seu filho e mostre que os R$ 200 são um exagero, considerando as necessidades dele.'
O consultor financeiro Uriel Rotta, do Instituto de Organização Racional do Trabalho de São Paulo (Idort-SP), destaca a importância da rotina em todas as fases da vida. 'Deve-se orientar o jovem a sempre guardar uma parte do dinheiro que recebe. '
A relações públicas Patrícia Dornelas Camara, de 37 anos, incentiva a poupança entre os filhos Henrique, 17 anos, Gabriel, 15 e Ana Cecília, 11 . 'Sempre ensinei que não é preciso ter mesada, mas que é possível poupar.'
Patrícia dá dinheiro aos filhos de acordo com a necessidade. E eles também recebem dos avós. 'Não dou dinheiro por nota nem por eles terem passado de ano na escola. Isso é obrigação', afirma Patrícia, que procura dar o exemplo em casa. 'Se eu for esbanjadora com o dinheiro, o que a criança vai pensar?'
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Planejador financeiro ganha espaço com expansão de milionários no país
Valor Econômico
Por Danilo Fariello, de São Paulo
07/07/2008
Marisa Cauduro/Valor
O consultor Fabiano Calil foi um dos primeiros a obter o título de CFP e só contrata profissionais com a certificação
Quando conquistou o título de planejador financeiro pessoal (CFP, na sigla em inglês), Fabiano Calil evitava divulgar o fato a seus clientes. "Confundia mais do que explicava", diz o profissional dono de uma consultoria que leva seu nome. Em 2003, ele fez parte da primeira turma a obter o título no país, concedido pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Atualmente, a sigla está em seu cartão de visitas e Calil só contrata profissionais que tenham a certificação para se juntarem a ele na empresa . "Hoje, há pessoas mais preocupadas com suas próprias finanças e o CFP já é reconhecido como selo que dá garantia ao cliente de que se trata de um profissional idôneo e competente".
A procura por planejadores financeiros tem crescido na onda da expansão do número de milionários no país. O Boston Consulting Group apontava um total de 190 mil brasileiros com mais de US$ 1 milhão em 2007. Segundo estimativa do Barclays, serão 675 mil os milionários no país em 2017. "Essas pessoas buscam um aconselhamento crítico sobre suas finanças pessoais, que não é o olhar de um sócio ou esposa", comenta Calil.
O certificado não é obrigatório para o exercício da profissão, mas é uma distinção que atesta ao profissional sua capacidade de atender a certos critérios, afirma Giuliano DeMarchi, diretor do IBCPF. O CFP existe em 23 países, por onde se espalham 110 mil profissionais. Inicialmente, foram as áreas de private dos bancos brasileiros as primeiras a exigir de seus funcionários a certificação, atestando a eles a possibilidade de lidarem com toda a vida financeira do cliente.
É nos bancos, portanto, que estão mais de dois terços dos 255 profissionais já certificados. Para conquistar o direito às siglas, é preciso comprovar experiência com as finanças de pessoas físicas, lidando com questões tributárias, de planejamento sucessório, previdência, em controles de risco e ético. Planejador financeiro, portanto, não é um profissional só ligado a investimentos.
Duas empresas que oferecem cursos específicos para capacitar os profissionais ao exame do CFP: FK Partners e BankRisk. Os seis exames já aplicados, porém, são guardados a sete chaves e não há, portanto, como um concorrente ter noção clara sobre o teor das provas. Os critérios são rígidos e não há idéia de se abrandar para expandir rapidamente o número de certificados, diz DeMarchi.
Cerca de 35% dos concorrentes apenas são aprovados em cada edição do exame. A divulgação dos reprovados não é pública, mas os profissionais podem ser aprovados parcialmente e, em seguida, testar-se novamente só nas especificações em que foi reprovado. Além dos cursos específicos para a conquista do CFP, crescem também aqueles que não têm o título como finalidade específica, mas formam os planejadores.
Em agosto, começa a segunda turma do MBA de "advisor" em finanças pessoais da Fipecafi, que tem inscrições abertas. Alexandre Assaf Neto, CFP e professor do MBA da Fipecafi, conta que criou um curso similar há cinco anos, mas o mercado ainda não entendia a nova profissão. Agora, o curso tem intensa procura, principalmente por profissionais mais experientes, que buscam diferenciação. "Está mais fácil para o cliente deles entender a especialização."
O diretor do IBCPF não tem dúvidas de que o mercado de planejadores financeiros está em franca expansão. "Há alguns anos, poucos sabiam o que era um 'family office'. Hoje eles estão difundidos entre as pessoas de maior renda", destaca DeMarchi. "E, no futuro, esse não será um serviço só acessível aos milionários", completa. Os private banks foram os grandes responsáveis por difundir a importância do CFP no mercado, diz Calil, de 35 anos. "Hoje, quando os clientes me conhecem, sabem que não sou um 'ninguém'".
Os CFPs ainda estão concentrados no Rio e em São Paulo. Mas já há profissionais certificados nos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Do total, mais de 60% têm formação além da graduação.
O maior desafio do CFP ainda é cobrar pelos seus serviços, principalmente quando dissociado do pacote de benefícios de um private bank. "Nos EUA, as pessoas já procuram o CFP e pagam o valor mais justo", explica Fernando Pureza, à frente da área de formação dos profissionais da Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid). A Anbid é entidade sócia e patrocinadora do IBCPF.
A receita do planejador é originada basicamente de duas formas. A primeira por taxa fixa, combinada entre profissional ou instituição que oferece o serviço e o cliente. A segunda, por uma taxa sobre o patrimônio total administrado. "Independentemente de como a cobrança é feita, acredito ser importante que haja transparência sobre como o profissional é remunerado", diz DeMarchi.
Calil cobra R$ 1.070, pela sua hora de consultoria, em casos rápidos, ou negocia percentuais anais com seus clientes, conforme o patrimônio, não sendo essa taxa, porém, inferior a R$ 2 mil. "Já consigo pagar as contas do meu escritório muito bem", diz.
Caio Fragata Torralvo, CFP mais jovem, diz ainda que não sobrevive apenas da consultoria que presta. Aos 28 anos, ele cursa um mestrado e também dá aulas na FIA, além de escrever livros e dar palestras sobre finanças pessoais. Ele conta que já foi contratado por empresas para falar aos seus funcionários sobre o tema. "As pessoas já entendem que manter as finanças em ordem melhora o desempenho profissional", diz.
No futuro, procurar um planejador financeiro pode ser como consultar um advogado, quando se precisa de assessoria legal; um médico, quando se está doente; um psicólogo, quando necessário; ou um personal trainer para melhorar a saúde, prevê DeMarchi, do IBCPF.
Uma proteção para o cliente e motivo de temor para os profissionais é o fato de IBCPF ser uma entidade que atende e apura reclamações de clientes contra os CFPs. "Se houver indício de transgressão, apuração e punição são feitas pela entidade e tornadas públicas a todos", diz Pureza.
A última prova para obtenção do CFP foi aplicada no dia 22 e contou com 160 concorrentes. Os aprovados no teste iniciarão o processo de certificação ainda neste mês, para serem graduados em setembro. Depois de receber o CFP, porém, o planejador tem de se manter atualizado e freqüentar palestras, eventos e escrever artigos, que lhe concedem créditos necessários para manter o título.
Dessa forma, assegura-se a educação continuada e a freqüente atualização do profissional, explica Pureza. Como muitos privates já certificaram seus profissionais que lidam com os clientes, nas últimas provas foram percebidos mais concorrentes de "family offices", advogados e consultores independentes.
Por Danilo Fariello, de São Paulo
07/07/2008
Marisa Cauduro/Valor
O consultor Fabiano Calil foi um dos primeiros a obter o título de CFP e só contrata profissionais com a certificação
Quando conquistou o título de planejador financeiro pessoal (CFP, na sigla em inglês), Fabiano Calil evitava divulgar o fato a seus clientes. "Confundia mais do que explicava", diz o profissional dono de uma consultoria que leva seu nome. Em 2003, ele fez parte da primeira turma a obter o título no país, concedido pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Atualmente, a sigla está em seu cartão de visitas e Calil só contrata profissionais que tenham a certificação para se juntarem a ele na empresa . "Hoje, há pessoas mais preocupadas com suas próprias finanças e o CFP já é reconhecido como selo que dá garantia ao cliente de que se trata de um profissional idôneo e competente".
A procura por planejadores financeiros tem crescido na onda da expansão do número de milionários no país. O Boston Consulting Group apontava um total de 190 mil brasileiros com mais de US$ 1 milhão em 2007. Segundo estimativa do Barclays, serão 675 mil os milionários no país em 2017. "Essas pessoas buscam um aconselhamento crítico sobre suas finanças pessoais, que não é o olhar de um sócio ou esposa", comenta Calil.
O certificado não é obrigatório para o exercício da profissão, mas é uma distinção que atesta ao profissional sua capacidade de atender a certos critérios, afirma Giuliano DeMarchi, diretor do IBCPF. O CFP existe em 23 países, por onde se espalham 110 mil profissionais. Inicialmente, foram as áreas de private dos bancos brasileiros as primeiras a exigir de seus funcionários a certificação, atestando a eles a possibilidade de lidarem com toda a vida financeira do cliente.
É nos bancos, portanto, que estão mais de dois terços dos 255 profissionais já certificados. Para conquistar o direito às siglas, é preciso comprovar experiência com as finanças de pessoas físicas, lidando com questões tributárias, de planejamento sucessório, previdência, em controles de risco e ético. Planejador financeiro, portanto, não é um profissional só ligado a investimentos.
Duas empresas que oferecem cursos específicos para capacitar os profissionais ao exame do CFP: FK Partners e BankRisk. Os seis exames já aplicados, porém, são guardados a sete chaves e não há, portanto, como um concorrente ter noção clara sobre o teor das provas. Os critérios são rígidos e não há idéia de se abrandar para expandir rapidamente o número de certificados, diz DeMarchi.
Cerca de 35% dos concorrentes apenas são aprovados em cada edição do exame. A divulgação dos reprovados não é pública, mas os profissionais podem ser aprovados parcialmente e, em seguida, testar-se novamente só nas especificações em que foi reprovado. Além dos cursos específicos para a conquista do CFP, crescem também aqueles que não têm o título como finalidade específica, mas formam os planejadores.
Em agosto, começa a segunda turma do MBA de "advisor" em finanças pessoais da Fipecafi, que tem inscrições abertas. Alexandre Assaf Neto, CFP e professor do MBA da Fipecafi, conta que criou um curso similar há cinco anos, mas o mercado ainda não entendia a nova profissão. Agora, o curso tem intensa procura, principalmente por profissionais mais experientes, que buscam diferenciação. "Está mais fácil para o cliente deles entender a especialização."
O diretor do IBCPF não tem dúvidas de que o mercado de planejadores financeiros está em franca expansão. "Há alguns anos, poucos sabiam o que era um 'family office'. Hoje eles estão difundidos entre as pessoas de maior renda", destaca DeMarchi. "E, no futuro, esse não será um serviço só acessível aos milionários", completa. Os private banks foram os grandes responsáveis por difundir a importância do CFP no mercado, diz Calil, de 35 anos. "Hoje, quando os clientes me conhecem, sabem que não sou um 'ninguém'".
Os CFPs ainda estão concentrados no Rio e em São Paulo. Mas já há profissionais certificados nos estados da Bahia, Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Do total, mais de 60% têm formação além da graduação.
O maior desafio do CFP ainda é cobrar pelos seus serviços, principalmente quando dissociado do pacote de benefícios de um private bank. "Nos EUA, as pessoas já procuram o CFP e pagam o valor mais justo", explica Fernando Pureza, à frente da área de formação dos profissionais da Associação Nacional de Bancos de Investimento (Anbid). A Anbid é entidade sócia e patrocinadora do IBCPF.
A receita do planejador é originada basicamente de duas formas. A primeira por taxa fixa, combinada entre profissional ou instituição que oferece o serviço e o cliente. A segunda, por uma taxa sobre o patrimônio total administrado. "Independentemente de como a cobrança é feita, acredito ser importante que haja transparência sobre como o profissional é remunerado", diz DeMarchi.
Calil cobra R$ 1.070, pela sua hora de consultoria, em casos rápidos, ou negocia percentuais anais com seus clientes, conforme o patrimônio, não sendo essa taxa, porém, inferior a R$ 2 mil. "Já consigo pagar as contas do meu escritório muito bem", diz.
Caio Fragata Torralvo, CFP mais jovem, diz ainda que não sobrevive apenas da consultoria que presta. Aos 28 anos, ele cursa um mestrado e também dá aulas na FIA, além de escrever livros e dar palestras sobre finanças pessoais. Ele conta que já foi contratado por empresas para falar aos seus funcionários sobre o tema. "As pessoas já entendem que manter as finanças em ordem melhora o desempenho profissional", diz.
No futuro, procurar um planejador financeiro pode ser como consultar um advogado, quando se precisa de assessoria legal; um médico, quando se está doente; um psicólogo, quando necessário; ou um personal trainer para melhorar a saúde, prevê DeMarchi, do IBCPF.
Uma proteção para o cliente e motivo de temor para os profissionais é o fato de IBCPF ser uma entidade que atende e apura reclamações de clientes contra os CFPs. "Se houver indício de transgressão, apuração e punição são feitas pela entidade e tornadas públicas a todos", diz Pureza.
A última prova para obtenção do CFP foi aplicada no dia 22 e contou com 160 concorrentes. Os aprovados no teste iniciarão o processo de certificação ainda neste mês, para serem graduados em setembro. Depois de receber o CFP, porém, o planejador tem de se manter atualizado e freqüentar palestras, eventos e escrever artigos, que lhe concedem créditos necessários para manter o título.
Dessa forma, assegura-se a educação continuada e a freqüente atualização do profissional, explica Pureza. Como muitos privates já certificaram seus profissionais que lidam com os clientes, nas últimas provas foram percebidos mais concorrentes de "family offices", advogados e consultores independentes.
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