sábado, 5 de abril de 2008

Juros congelados para casa própria

Jornal da Tarde
05/04/2008

Taxas cobradas em financiamentos com pagamento de 15 anos
estão estáveis desde maio do ano passado na maioria dos bancos

RODRIGO GALLO, rodrigo.gallo@grupoestado.com.br


Os bancos praticamente ‘congelaram’ as taxas de juros dos financiamentos imobiliários nos últimos dez meses. O Jornal da Tarde chegou a essa conclusão ao fazer simulações de empréstimos pela internet, de R$ 80 mil e R$ 100 mil, no prazo de 15 anos. As análises foram realizadas em maio do ano passado e refeitas nesta semana, e as comparações dos dados comprovam que os porcentuais cobrados pelas instituições financeiras sofreram poucas alterações neste período.

Para este ano, os bancos públicos e privados deverão liberar pelo menos R$ 27 bilhões em financiamentos e o que mais incomoda os consumidores são os juros. O superintendente geral da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), José Pereira Gonçalves, esclarece que o congelamento das taxas é normal. “Os bancos já flexibilizaram os juros ao máximo possível, tendo em vista o custo com a captação dos recursos”, disse.

Para financiar 70% do valor de um imóvel de R$ 80 mil, Santander, Itaú e Unibanco não alteraram os juros entre maio do ano passado e a última semana, conforme mostram as simulações. No HSBC, o porcentual caiu de 7,72% para 7,70%. O Real e o Banco do Brasil aplicaram reduções, enquanto a Caixa Econômica Federal reajustou o índice de 8,16% para 8,9% (veja no quadro abaixo).

A situação não é muito diferente no caso dos financiamentos de imóveis de R$ 100 mil. “Após um período de queda acentuada, os juros passam por um movimento de estabilidade”, disse o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi), João Batista Crestana.

Segundo ele, os juros chegaram a um patamar que não dá espaço para grandes reduções. Este cenário de relativo congelamento deverá permanecer assim pelos próximos meses. “Não teremos reduções nos juros, exceto em ocasiões específicas, por causa da concorrência”, analisou o presidente do Secovi.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), João Cláudio Robusti, confirma que as taxas de juros dos financiamentos imobiliários realmente permanecem inalteradas pelo menos desde o começo do segundo semestre de 2007.

No entanto, Robusti afirma que houve contrapartidas para o consumidor. “Os bancos lançaram novos produtos e ampliaram os prazos para quitar os empréstimos no último ano. Há financiamentos para atender qualquer tipo de consumidor, com taxas pré-fixadas, prazos de 30 anos e agilidade para a liberação do crédito”, disse. “Esses são os diferenciais, mas as taxas podem ter sido mantidas”, afirmou.

Crestana concorda com essa teoria. De acordo com ele, os juros permanecem congelados nas operações de prazo intermediário, como em 15 anos, mas foram diluídos no caso dos empréstimos longos, que podem chegar a 30 anos em algumas instituições financeiras. “É possível comprar bons apartamentos pagando parcelas de R$ 380 por mês, com prazos maiores. São financiamentos acessíveis a todos.”

Tanto Crestana quanto Robusti acreditam que os bancos podem ter estabilizado os juros no caso do crédito imobiliário de 15 anos para estimular os interessados a contratar empréstimos superiores a 20 anos. O motivo é simples: quanto maior o prazo gasto pelo mutuário para quitar a dívida, maior será o tempo de fidelização deste cliente à instituição financeira e maior o valor pago de juros.

Hotéis em conta para 3ª idade

Jornal da Tarde
05/04/2008

Governo anuncia redes hoteleiras que darão 50% de desconto em diárias por todo o Brasil

CHARLISE MORAIS,
charlise.morais@grupoestado.com.br

Quem tem 60 anos ou mais pode viajar pelo País pagando metade do preço nas diárias dos hotéis. Essa medida faz parte do programa ‘Viaja Mais Melhor Idade Hospedagem’, lançado pela ministra do Turismo, Marta Suplicy, ontem, no Guarujá, na Baixada Santista.

O desconto de 50% nas diárias será válido para o ano inteiro, vinculado ao período de baixa ocupação nos estabelecimentos. Há opções de hotéis em todas as regiões do Brasil. Até agora, 1.190 estabelecimentos hoteleiros (pousadas, hotéis e resorts) já aderiram ao programa e oferecem o preço especial para o público da terceira idade (veja no quadro algumas opções já disponíveis por meio do programa).

Para ter direito não é preciso ser aposentado, nem pensionista do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) - como acontece com o programa ‘Viaja Mais Melhor Idade’, que oferece pacotes de viagens, com preços reduzidos, a destinos predeterminados, em períodos de baixa ocupação e com possibilidade de pagamento em até 12 parcelas descontadas diretamente da aposentadoria e juros de menos de 1% ao mês.

Já o programa ‘Hospedagem’ é válido para qualquer pessoa que tenha pelo menos 60 anos. “Acredito que com essa oferta ampliamos a possibilidade de o idoso fazer a sua viagem. Essa ampliação vai interessar a muita gente e vai possibilitar a realização de um sonho”, disse a ministra durante o evento de lançamento.

Marta destacou que os indicadores econômicos positivos permitiram ao brasileiro trocar aparelhos eletrodomésticos e carro. “Percebemos que tínhamos que colocar a viagem na cesta de consumo do brasileiro”, afirmou. “No Brasil temos a possibilidade de ter um turismo em massa e é isso que dará musculatura ao setor”, disse a ministra, ao lembrar que no País há 15 milhões de idosos, dos quais 9 milhões têm condições de viajar. “É esse público que temos que conquistar.”

Para consultar a lista da rede hoteleira credenciada, o interessado deve acessar o site www.portaldehospedagem.com.br. Já no endereço eletrônico do programa (www.viajamais.com.br), a lista estará disponível a partir de segunda-feira. Informações também podem ser obtidas no telefone 0800 77 07 202.

O ‘Viaja Mais Melhor Idade Hospedagem’ é uma extensão do programa ‘Viaja Mais Melhor Idade’, lançado em 2007 e voltado para aposentados e pensionistas do INSS. O convênio com a rede hoteleira foi anunciado pela ministra do Turismo, em dezembro do ano passado. Na ocasião Marta assinou um acordo com a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), Associação Brasileira de Resorts (ABR) e Federação Nacional de Bares, Restaurantes, Hotéis e Similares (FNHRBS) para implantar o desconto de 50% no preço das diárias para o público da melhor idade. O Ministério do Turismo vai investir R$ 5,2 milhões em propaganda para o programa.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Poupe na tarifa. Fuja da agência

Jornal da Tarde
03/04/2008


Taxas cobradas pelos bancos variam até 300% entre o guichê e os meios eletrônicos de serviços

Marcos Burghi, marcos.burghi@grupoestado.com.br


Se a idéia é economizar em tarifas, fique longe das agências bancárias. É o que se pode constatar na comparação das taxas de alguns serviços que, se realizados por meios eletrônicos - terminais de auto-atendimento ou internet - custam para o usuário bem menos do que se ele for ao guichê de uma agência.

O Jornal da Tarde comparou os preços de três serviços: transferência entre contas correntes da mesma instituição; transferência entre bancos por meio de Doc/Ted e saque em conta corrente. A maior variação foi de 300%, encontrada nos preços cobrados pela Nossa Caixa para transferência entre contas correntes. Se feita na agência, a operação sai por R$ 4, enquanto num terminal de auto-atendimento (ATM) a tarifa é de R$ 1.

Segundo Miguel Pereira, diretor-executivo da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), os bancos reduziram as agências a pontos de venda de produtos e serviços. 'As altas tarifas servem para afastar as pessoas de menor poder aquisitivo', diz.

Fernando Malta, diretor do Unibanco, rebate a crítica e diz que os bancos buscam alternativas mais confortáveis para os clientes, mas confirma que as agências se tornaram locais prioritários para a venda de produtos e serviços.

A Caixa informou em nota que 'a consolidação desse comportamento se reflete na popularização e massificação dos meio eletrônicos, o que leva à redução dos valores'.

De acordo com a assessoria de imprensa do Itaú, o banco incentiva o uso do auto-atendimento, visando a praticidade para o cliente.

Segundo a Nossa Caixa as operações por meios eletrônicos têm custos menores. Paulo Renato Steiner, diretor de Produtos do HSBC, explica que as transações nas agências custam mais para os bancos, mesmo argumento usado pelo Bradesco e pelo Banco Real. O Banco Santander informou que não comentaria as diferenças e o Banco do Brasil não respondeu à reportagem.

Fraudes

De acordo com Renata Reis, técnica do Procon-SP, a popularização dos meios eletrônicos elevou o número de fraudes. Enquanto em 2006, a instituição recebeu 464 reclamações de clonagens de cartões ou transações pela internet não reconhecidas, em 2007 o volume chegou a 606 casos, aumento de 30,6%.

Segundo a técnica, o Procon-SP tem recomendado às instituições financeiras o combate contínuo ao problema porque os fraudadores têm meios para quebrar os códigos de segurança. Todos os bancos que responderam à reportagem, afirmaram que investem na segurança das transações.

Renata Reis afirma que quem for vítima de um golpe em transação bancária deve comunicar à instituição imediatamente, além de lavrar um boletim de ocorrência em uma delegacia. Ainda segundo ela, cabe à instituição provar que o erro não foi dela. Ao cliente não cabe o ônus da prova. O estorno da operação deve ser imediato.

A técnica ainda recomenda que os consumidores tomem alguns cuidados para não se tornarem vítimas de golpes desta natureza, como não utilizar internet de lan houses para acessar contas bancárias e tampouco abrir mensagens que solicitem informações sobre os dados das contas dos consumidores. Ela também recomenda a manutenção de antivírus e outros dispositivos de proteção.

sábado, 29 de março de 2008

A melhor opção para comprar um usado

Jornal da Tarde
29/03/2008

Procurar um particular, lojas multimarcas ou autorizadas?

Luís Felipe Figueiredo, luis.figueiredo@grupoestado.com.br

Com o mercado de carros novos aquecido, as ofertas e facilidades para comprar um usado são muitas. Mas na hora de fazer negócio é comum a dúvida sobre onde adquirir o veículo: loja multimarcas, concessionária ou de particular?

As principais vantagens desta última opção são a possibilidade de barganhar mais livremente o preço e encontrar modelos difíceis de achar em lojas.

Porém, as concessionárias e multimarcas dão mais garantias financeiras e legais ao cliente.

'A primeira questão é a procedência conhecida do carro em lojas independentes e autorizadas', diz o consultor José Caporal Filho, da Megadealer.

Ele explica que algumas concessionárias dão garantia de até dois anos para modelos de segunda mão. 'E a presença da bandeira de uma fabricante de veículos garante mais respaldo à transação.'

Outro ponto importante é o financiamento do veículo, só possível em lojas ou concessionárias. 'O comprador não conseguirá parcelar o carro comprado de um particular', diz Caporal.

Aceitar um antigo na troca pelo seminovo também não é privilégio das lojas. Mas esse tipo de transação entre particulares requer maior pesquisa. Para esses casos, anunciar nos classificados de jornal é uma boa alternativa.

Mas muita gente prefere a comodidade das autorizadas. A bióloga Mariana Bauman é uma dessas pessoas. Ela afirma que só compra carro em concessionárias. 'Só faço negócio com particular se for muito conhecido. Na loja dá para negociar mais facilmente um desconto.'

Hora da revenda

O técnico em transportes Paulo de Tarso diz que só vende seus carros em concessionárias. Ele afirma que ainda que o valor oferecido fique abaixo do esperado, o negócio vale a pena pela segurança. 'Vender para particular pode dar problema, a gente não conhece a pessoa...'

Para resolver eventuais desentendimentos, os caminhos legais são bem diferentes quando se compra de particular e de lojas. Confira abaixo

sexta-feira, 28 de março de 2008

Em paz com o leão

Valor Econômico
Por Angelo Pavini, de São Paulo
28/03/2008


Chegou a hora de o investidor acertar as contas com o leão do imposto de renda. Muitas aplicações são tributadas na fonte - caso dos fundos de investimento e CDBs -, e todo o trabalho de recolher o imposto é feito pelo banco, restando ao investidor apenas informar seus valores na declaração de bens. Mas hoje é grande o número de pessoas que investem diretamente em ações e outros títulos, onde quem paga o imposto sobre o ganho é o próprio investidor. É hora também de aproveitar para reduzir o imposto a pagar com as contribuições a fundos de previdência, como PGBLs e Fapis.


Muitos novatos no mercado acionário, acostumados a aplicar só em fundos, acaba deixando de pagar imposto achando que quem faz o recolhimento é a corretora, e precisa quitar o imposto agora, com multa, lembra Ivo Ribeiro Viana, coordenador da área de imposto de renda da consultoria IOB.


O imposto sobre ações segue a mesma regra do ganho de capital sobre a venda de outros bens, como imóves. A diferença é que, com ações, é possível deduzir eventuais perdas. A apuração é mensal e o imposto vence no último dia útil do mês seguinte ao da venda das ações. Mas há uma colher-de-chá: só há imposto se o valor vendido no mês for superior a R$ 20 mil. "E não é R$ 20 mil por operação, é na soma de todas as vendas do mês", ressalta Claire Feliz Regina, auditora da Receita Federal. A partir de R$ 20 mil, o investidor tem de pagar 15% sobre os ganhos líquidos, já descontadas eventuais perdas naquele mês ou no mês anterior. E não é só sobre o que ultrapassar R$ 20 mil, é sobre o valor total. As mesmas regras, de tributação na fonte e o limite de isenção, valem para aplicações em ouro.


O imposto em ações é pago pelo investidor em Darf com o código 6015. Na declaração, é preciso informar mês a mês o ganho total das operações acima de R$ 20 mil na seção Renda Variável. O sistema calcula o imposto que deveria ter sido pago. Lá também entram as operações feitas em mercados de opções e futuros. Se o valor vendido em ações não ultrapassar R$ 20 mil por mês, o investidor declara apenas o ganho na parte de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis, no item "Outros", na linha 12 da declaração.


E não adianta tentar se fingir de morto, porque, no ato da venda, a corretora recolhe na fonte 0,005% de imposto sobre o valor, avisando a Receita da operação. Apelidado de CPMF das ações, esse percentual pode ser deduzido na hora de pagar o imposto sobre o ganho de capital. "Mas muito investidor vê esse recolhimento no extrato da corretora e acha que já pagou o imposto, e não é verdade", alerta Viana, da IOB. Claire, da Receita, esclarece que às vezes a retenção na fonte é cobrada a mais, pois não considera as perdas do investidor, mas é possível restituir o valor na declaração anual. "Há no item Imposto Pago uma linha 'IR na Fonte Lei 11.033/ 2004' onde o investidor coloca o imposto a compensar", diz.


Por tudo isso, é preciso ter todas as notas de corretagem à mão para fazer a declaração, alerta Samir Schoaib, do escritório Schoaib, Paiva e Justo Advogados. "Toda compra e venda deve ser informada". Ele lembra que o sistema da Receita não transfere o prejuízo com ações de um ano para o outro, e é o investidor que tem de fazer isso. Outra dica é para quem esqueceu de pagar o imposto em algum mês do ano passado. O investidor pode pagar o imposto agora, mas coloca na declaração o valor como pago. Se não, pode cair na malha fina, mesmo tendo pago o imposto. O site da Receita tem um programa, o SICALC, que atualiza os valores.


Schoaib reforça que se deve discriminar na declaração de bens as ações separadamente, por empresa. E o valor não deve ser atualizado, é sempre o da aquisição. "Vai-se somando os valores de cada nova compra em cada empresa e, na hora da venda, usa-se o valor médio para calcular o ganho." Douglas Renato Pinheiro, economista e professor das Faculdades Integradas Rio Branco, diz que o investidor deve incluir os custos de corretagem no valor de aquisição das ações.


Já as operações de compra e venda de ações no mesmo dia, ou "day trade", pagam 20% de imposto sobre os ganhos e mais 1% na fonte. Pode-se compensar perdas entre operações de "day trade", mas não entre "day trade" e mercado à vista, lembra Claire, da Receita.


Quem vendeu imóveis também precisa declarar os ganhos e o imposto, que já deve ter sido pago no mês seguinte ao da venda. Viana, da IOB, lembra, porém, que não há imposto se o dinheiro da venda de um imóvel residencial foi usado para comprar outro em 180 dias. Segundo ele, o programa GCAP, disponível no site da Receita, calcula automaticamente o ganho de capital, incluindo as deduções previstas, e que transfere os dados para a declaração.


O investidor deve aproveitar também e declarar as contribuições feitas à previdência privada, os PGBLs ou aos Fapis. É possível abater até 12% da renda bruta anual. Mas as contribuições para VGBLs não podem ser deduzidas. Na declaração, Claire, da Receita, lembra que não se deve colocar o saldo dos PGBL, apenas citá-lo na coluna discriminação. Já nos VGBLs, coloca-se o valor acumulado das aplicações, sem o ganho, que é tributado só na hora do saque.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Prudência e canja de galinha

Valor Econômico
Por Luciana Monteiro, de São Paulo
26/03/2008



A instabilidade das bolsas ao redor do mundo está provocando uma redução do risco nos portfólios dos investidores. E, como diz o ditado popular, prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém, os aplicadores saíram em busca de proteção. Dados do site financeiro Fortuna mostram que, no ano, os fundos multimercados registram resgates de R$ 11,768 bilhões, até o dia 20. Só para se ter uma idéia, no mesmo período do ano passado, a categoria registrava ingressos de mais de R$ 8 bilhões.


Os multimercados são carteiras que podem aplicar em bolsa, juros, câmbio, títulos da dívida externa e até no exterior, conforme a estratégia adotada pelo gestor. O problema é que, com tanto vai-e-vem, obter retornos diferenciados tornou-se uma tarefa hercúlea, já que está praticamente impossível prever como os ativos irão se comportar. Com isso, boa parte dos investidores bateu em retirada diante de retornos pouco atraentes ou até perdas. Conforme os números do Fortuna, os multimercados rendem no ano 1,46% para 2,32% do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI). Somente neste mês, até o dia 20, a categoria perde 0,73%, para 0,59% do CDI no período.


Enquanto os multimercados perdem recursos, os tradicionais fundos DI captam. Consideradas as carteiras mais conservadoras do mercados, os DIs estão recheados de papéis que seguem a taxa de juros, portanto, não correm o risco de uma oscilação das taxas. Em caso de alta da Selic, por exemplo, cenário que vem se desenhando cada vez mais provável pelos analistas, os títulos presentes nesses fundos acompanham a alta. Segundo o Fortuna, a categoria apresenta ingresso de R$ 12,024 bilhões no ano, até o dia 20. A forte captação contrasta com os resgates de R$ 789 milhões dessas carteiras no mesmo período do ano passado.


Há uma migração evidente de recursos de fundos multimercados para DI, apesar de a tributação decrescente inibir um pouco esse movimento, diz Marcelo D'Agosto, sócio do Fortuna. Pelas regras, o investidor paga menos imposto de renda quanto mais tempo permanecer na aplicação, uma diferença que pode ir de 22,5% para 15% sobre o ganho.


Os multimercados, na cabeça do cliente, não são tão agressivos como os fundos de ações, por exemplo, e o cliente não atura perdas por muito tempo, diz Rogerio Betti, sócio dó escritório de aconselhamento financeiro Beta Advisors. "Mas não são apenas os investidores que estão mais avessos ao risco, os gestores também estão", diz. "Como a volatilidade está muito alta, até uma posição pequena em bolsa pode trazer fortes perdas para o fundo."


Mesmo os fundos de ações não escapam. Embora os números mostrem que a categoria tem captação de R$ 1,489 bilhão no ano até o dia 20, são as carteiras compostas somente por Petrobras e Vale que estão sustentando esse ingresso de recursos. Esses fundos são formados por dinheiro dos próprios aplicadores, já que as carteiras de FGTS não podem mais receber dinheiro. As carteiras de Petrobras têm no ano captação de R$ 1,026 bilhão, enquanto as de Vale apresentam entradas de R$ 711 milhões.


O investidor que optou por essas carteiras, no entanto, está praticamente se sentindo numa montanha-russa. Em janeiro, por exemplo, as carteiras de Vale tiveram perdas médias de 14,42%. Em seguida, apresentaram alta de 16,42%. Agora, em março, até dia 20, perdem 11,35%. No acumulado do ano, as perdas somam 11,68%. Com os fundos Petrobras não é diferente. Em janeiro, houve queda de 8,17% e, em fevereiro, alta de 4,28%. Neste mês, as carteiras formadas por papéis da estatal do petróleo perdem 16,70%. No acumulado do ano, as perdas são de 20,23%.


As incertezas sobre quão demorada e profunda a crise será nos Estados Unidos aumentaram bastante, pois o que se tem no curto prazo são apenas dados conflitantes, lembra George Sanders, gestor de renda variável da Infinity Asset Management. Internamente, são as pressões inflacionárias que preocupam e, na opinião do executivo, há argumentos tanto para a manutenção dos juros nos atuais 11,25% quanto para uma alta preventiva. "A maioria dos indicadores de inflação está vindo mais alto que o esperado e um aumento no juro poderia ser preventivo", diz. Com o cenário indefinido tanto interna quanto externamente, os gestores também estão reduzindo a exposição ao risco dos fundos. Segundo Sanders, a maioria vem trabalhando com derivativos a fim de diminuir possíveis perdas.


A interpretação do mercado de que será possível haver uma alta da Selic, após a divulgação no dia 13 da ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), trouxe perdas para os títulos com juros prefixados. Com isso, os fundos de renda fixa, que podem aplicar em papéis prefixados, sofreram. Essas carteiras concentram títulos públicos e privados prefixados. O preço desses títulos varia de forma inversa ao comportamento das taxas de juros: quando os juros sobem, o preço dos títulos cai; quando os juros caem, o preço sobe.


Os dados do Fortuna mostram que, no mês, até o dia 20, a categoria tem rentabilidade média de 0,47%, ante 0,59% do CDI, e captam R$ 20 milhões. O retorno no mês é inferior ao ganho de 0,56% dos fundos DI, por exemplo. No acumulado do ano, o retorno é de 2,33% para 2,32% do CDI. O rendimento no ano ainda é levemente superior ao dos DIs, com 2,22% até o dia 20. A captação dos renda fixa soma R$ 2,004 bilhões no período.

terça-feira, 25 de março de 2008

Sozinho, é preciso saber comprar

Jornal da Tarde
25/03/2008


Investidor deve estabelecer metas e aproveitar quando as ações estiverem baratas


A regra básica para quem investe na Bolsa de Valores é comprar na alta e vender na baixa. Para o iniciante, a dificuldade está em identificar essas‘‘oportunidades de mercado’’, quando as ações estão cotadas a preços mais baixos e, por isso, têm um grande potencial de valorização.

Quem está de olho no longo prazo pode comprar as ações e deixá-las paradas, por vários anos. Normalmente, os papéis escolhidos são de companhias de‘‘primeira linha’’-- ou blue chips, no jargão do mercado. Nessa categoria, estão as ações mais negociadas (com alta liquidez), de empresas que inspiram confiança. É o caso de Petrobrás, Vale do Rio Doce, Bradesco, Itaú e Gerdau, entre outras.

Em períodos prolongados de baixas, como o que ocorreu entre 1997 e 2002, as perdas podem se acumular. Neste caso, vale a pena insistir? E até quando?

O consultor Rafael Cardoso, sócio da Integral-Trust Serviços Financeiros, defende que o investidor -- mesmo o iniciante -- trabalhe com‘‘ordens de sto’’.“O que vale é a hora de entrar e de sair”, resume.

As ordens de stop servem como pára-quedas para os preços. Se uma ação, por exemplo, está cotada hoje a R$ 50, o investidor pode definir uma ordem de R$ 45. Quando a ação ficar abaixo desses R$ 45, ela é automaticamente vendida pela corretora.““Você põe uma‘‘sentinela’’ tomando conta da sua posição””, explica Fausto de Arruda Botelho, da Enfoque Informações Financeiras.““A lógica é a seguinte: se você vai ficar no prejuízo, vai se permitir perder dinheiro até quando””

Da mesma forma, o investidor deve trabalhar com ordens de stop quando as ações estiverem se valorizando. No exemplo da ação de R$ 50, o investidor pode estabelecer o teto de R$ 60 para a venda. Quando o alvo for atingido, a corretora vende as ações (liquida a ordem de stop)-- no caso citado, o lucro seria de 20%.

Os valores das ordens de são determinados pelo investidor. Os especialistas lembram que é importante estar preparado para as pequenas perdas e para fugir das grandes.““Muitas vezes, a pessoa acha que vai entrar na Bolsa e ganhar muito dinheiro. Mas não é assim””, diz Cardoso.

Em épocas de insegurança, como agora, é comum que as ações caiam tanto que fiquem abaixo do preço considerado‘‘just’’. Nessas horas, dizem os especialistas, quando as ações estão mais baratas, é aconselhável comprar.
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