Valor Econômico
De São Paulo
29/01/2008
Aplicadores que se apressaram em sacar recursos de fundos agressivos neste período de turbulência e resgataram suas cotas com prejuízo podem estar isentos de imposto de renda até retomarem seu capital inicial. A Receita Federal prevê que, sobre a recuperação de perdas em fundos, os cotistas não precisam recolher IR. Porém, isso deve ocorrer em carteiras de mesmo perfil de tributação e ligadas ao mesmo administrador - que, vale lembrar, pode ser uma instituição distinta da do gestor.
O direito vale apenas para investidores que tenham sacado seus recursos com prejuízo. "Quem tem perda fica com um crédito tributário", explica Gilberto Braga, professor do Ibmec-Rio. Para aqueles que mantiverem a aplicação, a compensação é automática e se dá no momento de cálculo do imposto (no resgate ou no recolhimento do come-cotas, o que vier depois).
A superintendente de Relacionamento com Gestores do BNY Mellon Serviços Financeiros, Simone Rosa, explica que o investidor poderá compensar perdas em fundos com mesmo perfil tributário (curto prazo, longo prazo ou renda variável), mas não necessariamente na mesma carteira. Se houver um fundo com perda e outro com ganho sob a mesma administração, automaticamente haverá essa compensação, explica ela. O investidor tem prazo para essa recuperar as perdas, até o fim do ano seguinte ao saque realizado no fundo com prejuízo, completa.
Do lado burocrático, o administrador do fundo guarda no CPF ou CNPJ do investidor o crédito tributário a que tem direito. Tudo isso costuma ser feito de forma automática, mas o aplicador deve fiscalizar se os créditos são considerados e, do contrário, reclamar.
Ele deve estar alerta, ainda, para o fato que não há como transferir esses créditos entre diferentes administradores. Dessa forma, levam alguma vantagem os aplicadores com cotas de fundos de algum dos 140 gestores de fundos administrados pela BNY Mellon (na maioria, multimercados), porque as perdas de um podem ser compensadas pelos ganhos de outro, explica Simone. A BNY Mellon é a principal administradora de fundos de gestores independentes do país. Fundos dos maiores bancos de varejo costumam ser administrados por instituições ligadas ao próprio grupo.
Andrea Bazzo, do Mattos Filho Advogados, recomenda aos aplicadores não teimar em arriscar mais apenas por ter direito a lucros sem incidência de imposto. "A decisão não é só fiscal, mas, se o aplicador mantiver o apetite financeiro e a estratégia comportar aplicação, valerá a pena aproveitar." (DF)
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Aprendizes do futuro
Valor Econômico
Por Luciana Monteiro, de São Paulo
28/01/2008
Num momento de forte turbulência dos mercados, com o Índice Bovespa caindo 10,05% no ano, muita gente se pergunta como proteger suas economias. A resposta pode estar justamente nos contratos futuros ou, no jargão econômico, nos derivativos. Foi o que aprendeu, por exemplo, o gerente financeiro de uma empresa do segmento de limpeza, Luciano Eugênio Silveira, de 38 anos. Em setembro do ano passado, ele resolveu dar seus primeiros passos com derivativos usando o simulador lançado pela Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) em parceira com o Valor. Com muita dedicação e atenções voltadas a qualquer informação relevante, ele se deu tão bem que foi um dos primeiros colocados no ranking anual da competição lançada pela bolsa para popularizar o simulador.
E para quem acha que derivativos são um assunto muito complicado, que só os especialistas entendem, Silveira, gerente financeiro da empresa da família, faz questão de ressaltar que terminou apenas o primeiro grau. "Meu sonho sempre foi servir o exército e, então, eu parei de estudar", lembra ele. "Depois, quando saí de lá, fui trabalhar e acabei não terminando o segundo grau, mas a competição me reacendeu a vontade de estudar e pretendo voltar neste ano."
Com os contratos futuros, um investidor pode, por exemplo, vender contratos de Ibovespa, caso acredite que o indicador vai cair. Se o aplicador confia na alta do dólar, ele pode comprar contratos futuros de dólar. No mercado de derivativos, é possível limitar as perdas travando um preço para o ativo. "Preciso conhecer esse tipo de operação, já que também sou responsável por fazer os investimentos da empresa", diz Silveira.
Com ganhos de saltar aos olhos - apesar de ilusórios -, na casa dos 850.000% e 840.000% em quatro meses, os três primeiros colocados do ranking anual receberão um notebook, oferecido pelas corretoras parceiras do projeto, cursos online do do Instituto Educacional BM&F e uma assinatura anual do Valor Econômico. Do quarto ao décimo lugares, ganha-se cursos online e assinaturas semestrais do jornal. Qualquer pessoa pode participar da competição, basta cadastrar-se no simulador. Cada um recebe uma quantia fictícia de R$ 150 mil para comprar ou vender contratos. Atualmente, é possível aplicar em minicontratos de Índice Bovespa e dólar. Além disso, pode-se operar contratos padrão de café, boi gordo, milho e soja. No fim do ano, os ganhos foram zerados, dando início a uma nova fase da competição.
Ganhar diante da forte volatilidade, principalmente dos contratos de índice, foi a estratégia adotada por Alvaro de Almeida, de 51 anos, que ficou na primeira colocação. Formado em administração de empresas, ele trabalha desde 1978 no mercado financeiro e hoje atua na tesouraria de um banco com foco em crédito consignado. "Como o índice oscila muito, tentava capturar o 'gap' (diferença) de compra e venda." Como o executivo não trabalha diretamente ligado a derivativos, pôde participar do ranking. Pelas regras, os participantes ligados ao mercado de derivativos não podem concorrer a prêmios, embora possam acessar livremente o sistema. Os usuários do simulador operam o mercado do dia, com cotações reais e dados atualizados, mas com 15 minutos de atraso em relação ao pregão real. O negócio, no entanto, é fechado pelo preço do mercado naquele momento, sem "delay".
Além de operar basicamente índice e dólar, os primeiros colocados têm outro ponto em comum: correram riscos altíssimos. Todos ficaram o tempo todo alavancados, ou seja, aplicaram mais recursos do que têm em carteira. "Às vezes, minhas posições eram tão grandes que eu me sentia um Titanic", brinca Igor Constantino Hidalmasy Kazakos, de 27 anos, no terceiro lugar do ranking anual. "Investi praticamente tudo o que tinha (no simulador) o tempo todo e dificilmente dormia posicionado", conta ele, que chegou a fazer mais de 250 operações num único dia. Apesar de ser estudante de física da Universidade de São Paulo (USP), a grande paixão de Kazakos é mesmo o mercado financeiro, onde pretende atuar como profissional. "Coloquei em prática meus conhecimentos teóricos e, com o simulador, ratifiquei o meu gosto pelo mercado", diz.
Mas não foram somente os melhores desempenhos que foram premiados. Os cinco cadastrados com os maiores ganhos no bimestre novembro-dezembro também receberam prêmios - cada um ganhou um iPod, além de cursos online e assinaturas do Valor. Para este ano, no entanto, houve uma pequena mudança na regra e o ciclo de premiação passou a ser a cada quatro meses, mas o anual foi mantido. "A premiação a cada dois meses se revelou curta demais e, agora, o participante poderá aprender a fazer rolagem (renovação dos contratos)", diz Verdi Rosa Monteiro, diretor de Projetos de Desenvolvimento e Fomento de Mercado da BM&F.
Com quase 15 mil participantes cadastrados no simulador, a bolsa começou a testar neste mês o Simulador BM&F Mobile, uma ferramenta para simular negócios com contratos futuros que pode ser acessada a partir do celular, Palm Top ou outros dispositivos móveis. Com isso, o usuário tem acesso à carteira e pode comprar ou vender contratos utilizando o mesmo usuário e senha cadastrados na versão internet. Todas as operações - tanto pela ferramenta móvel como pelo site - farão parte da carteira do participante no simulador.
O ranking que mostra o desempenho dos participante sofreu mudanças em relação ao ano passado. A colocação de cada um dos cadastrados será revelada somente às sexta-feiras. Antes, a informação era diária. É possível ver somente as posições no ranking, sem o percentual de ganhos teóricos. A idéia é que fazer com que os estudantes não se desestimulem ao conhecer o desempenho do adversário.
Uma novidade que deve chegar aos participantes do simulador em meados de fevereiro é a possibilidade de operar contratos de juros futuros, chamados de DIs, que hoje são os de maior liquidez na BM&F.
Por Luciana Monteiro, de São Paulo
28/01/2008
Num momento de forte turbulência dos mercados, com o Índice Bovespa caindo 10,05% no ano, muita gente se pergunta como proteger suas economias. A resposta pode estar justamente nos contratos futuros ou, no jargão econômico, nos derivativos. Foi o que aprendeu, por exemplo, o gerente financeiro de uma empresa do segmento de limpeza, Luciano Eugênio Silveira, de 38 anos. Em setembro do ano passado, ele resolveu dar seus primeiros passos com derivativos usando o simulador lançado pela Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) em parceira com o Valor. Com muita dedicação e atenções voltadas a qualquer informação relevante, ele se deu tão bem que foi um dos primeiros colocados no ranking anual da competição lançada pela bolsa para popularizar o simulador.
E para quem acha que derivativos são um assunto muito complicado, que só os especialistas entendem, Silveira, gerente financeiro da empresa da família, faz questão de ressaltar que terminou apenas o primeiro grau. "Meu sonho sempre foi servir o exército e, então, eu parei de estudar", lembra ele. "Depois, quando saí de lá, fui trabalhar e acabei não terminando o segundo grau, mas a competição me reacendeu a vontade de estudar e pretendo voltar neste ano."
Com os contratos futuros, um investidor pode, por exemplo, vender contratos de Ibovespa, caso acredite que o indicador vai cair. Se o aplicador confia na alta do dólar, ele pode comprar contratos futuros de dólar. No mercado de derivativos, é possível limitar as perdas travando um preço para o ativo. "Preciso conhecer esse tipo de operação, já que também sou responsável por fazer os investimentos da empresa", diz Silveira.
Com ganhos de saltar aos olhos - apesar de ilusórios -, na casa dos 850.000% e 840.000% em quatro meses, os três primeiros colocados do ranking anual receberão um notebook, oferecido pelas corretoras parceiras do projeto, cursos online do do Instituto Educacional BM&F e uma assinatura anual do Valor Econômico. Do quarto ao décimo lugares, ganha-se cursos online e assinaturas semestrais do jornal. Qualquer pessoa pode participar da competição, basta cadastrar-se no simulador. Cada um recebe uma quantia fictícia de R$ 150 mil para comprar ou vender contratos. Atualmente, é possível aplicar em minicontratos de Índice Bovespa e dólar. Além disso, pode-se operar contratos padrão de café, boi gordo, milho e soja. No fim do ano, os ganhos foram zerados, dando início a uma nova fase da competição.
Ganhar diante da forte volatilidade, principalmente dos contratos de índice, foi a estratégia adotada por Alvaro de Almeida, de 51 anos, que ficou na primeira colocação. Formado em administração de empresas, ele trabalha desde 1978 no mercado financeiro e hoje atua na tesouraria de um banco com foco em crédito consignado. "Como o índice oscila muito, tentava capturar o 'gap' (diferença) de compra e venda." Como o executivo não trabalha diretamente ligado a derivativos, pôde participar do ranking. Pelas regras, os participantes ligados ao mercado de derivativos não podem concorrer a prêmios, embora possam acessar livremente o sistema. Os usuários do simulador operam o mercado do dia, com cotações reais e dados atualizados, mas com 15 minutos de atraso em relação ao pregão real. O negócio, no entanto, é fechado pelo preço do mercado naquele momento, sem "delay".
Além de operar basicamente índice e dólar, os primeiros colocados têm outro ponto em comum: correram riscos altíssimos. Todos ficaram o tempo todo alavancados, ou seja, aplicaram mais recursos do que têm em carteira. "Às vezes, minhas posições eram tão grandes que eu me sentia um Titanic", brinca Igor Constantino Hidalmasy Kazakos, de 27 anos, no terceiro lugar do ranking anual. "Investi praticamente tudo o que tinha (no simulador) o tempo todo e dificilmente dormia posicionado", conta ele, que chegou a fazer mais de 250 operações num único dia. Apesar de ser estudante de física da Universidade de São Paulo (USP), a grande paixão de Kazakos é mesmo o mercado financeiro, onde pretende atuar como profissional. "Coloquei em prática meus conhecimentos teóricos e, com o simulador, ratifiquei o meu gosto pelo mercado", diz.
Mas não foram somente os melhores desempenhos que foram premiados. Os cinco cadastrados com os maiores ganhos no bimestre novembro-dezembro também receberam prêmios - cada um ganhou um iPod, além de cursos online e assinaturas do Valor. Para este ano, no entanto, houve uma pequena mudança na regra e o ciclo de premiação passou a ser a cada quatro meses, mas o anual foi mantido. "A premiação a cada dois meses se revelou curta demais e, agora, o participante poderá aprender a fazer rolagem (renovação dos contratos)", diz Verdi Rosa Monteiro, diretor de Projetos de Desenvolvimento e Fomento de Mercado da BM&F.
Com quase 15 mil participantes cadastrados no simulador, a bolsa começou a testar neste mês o Simulador BM&F Mobile, uma ferramenta para simular negócios com contratos futuros que pode ser acessada a partir do celular, Palm Top ou outros dispositivos móveis. Com isso, o usuário tem acesso à carteira e pode comprar ou vender contratos utilizando o mesmo usuário e senha cadastrados na versão internet. Todas as operações - tanto pela ferramenta móvel como pelo site - farão parte da carteira do participante no simulador.
O ranking que mostra o desempenho dos participante sofreu mudanças em relação ao ano passado. A colocação de cada um dos cadastrados será revelada somente às sexta-feiras. Antes, a informação era diária. É possível ver somente as posições no ranking, sem o percentual de ganhos teóricos. A idéia é que fazer com que os estudantes não se desestimulem ao conhecer o desempenho do adversário.
Uma novidade que deve chegar aos participantes do simulador em meados de fevereiro é a possibilidade de operar contratos de juros futuros, chamados de DIs, que hoje são os de maior liquidez na BM&F.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Cenário ruim eleva taxas pagas por títulos do governo
Adriana Fernandes e Lucinda Pinto
O Estado de S. Paulo
24/1/2008
Aumento da aversão ao risco também fez com que o Tesouro reduzisse oferta de títulos prefixados
A crise externa já afetou o Tesouro Nacional. Os investidores passaram a exigir prêmios mais altos para comprar os títulos do governo, o que encareceu o custo de financiamento da dívida pública. As taxas pagas pelos papéis tiveram forte elevação com a piora do cenário internacional, que contagiou os preços dos ativos no Brasil, apesar do discurso otimista do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que a crise ainda não chegou ao País.
Com o aumento da aversão dos investidores ao risco, o Tesouro também reduziu, ao longo do mês, a oferta de títulos prefixados. Com taxa definida no leilão, esse tipo de papel é considerado mais confortável para a administração da dívida, porém traz mais riscos aos investidores em caso de alta dos juros. Para se proteger do risco de uma oscilação da Selic, os investidores cobram um preço maior para comprar os títulos.
A taxa média da NTN-F, título prefixado com prazo de vencimento em janeiro de 2012 saltou de 12,96%, na semana passada, para 13,26% ao ano no leilão desta semana, realizado anteontem. No início do ano, o mesmo papel foi vendido a uma taxa média de 12,93% ao ano. O Tesouro não ofertou no leilão desta semana os títulos prefixados mais longos - as NTN-F com vencimento em 2017. No leilão da semana passada, esses papéis foram vendidos a uma taxa média de 13,03%. No primeiro leilão do ano, saíram a 12,97%.
As LTN - papéis mais curtos - com prazo de vencimento em janeiro de 2010 foram vendidas ontem a 12,98%, ante 12,78% no leilão anterior. No fim de 2007, saíram a 12,62%.
As turbulências no mercado, acentuadas, a partir de agosto, também têm impedido o retorno do Tesouro a captações externas. Desde junho de 2007, o Brasil não faz uma emissão no mercado externo.
Embora as taxas dos preços dos papéis do Tesouro estejam mais salgadas, fontes do governo ouvidas pelo Estado disseram acreditar que, passado o pior da crise externa, os investidores que estavam no mercado acionário redirecionem parte das aplicações para títulos de renda fixa.
Um dos papéis que pode ser beneficiado é a NTN-B. É que, com o repique da inflação, cresceu o interesse dos investidores nesses papéis, que, por terem o rendimento atrelado ao IPCA, oferecem proteção automática contra a desvalorização da moeda. A demanda por NTN-B continua elevada. Mas a avaliação é que é prematuro afirmar que os investidores estejam trocando as aplicações em ações para esses títulos.
As fontes consideram ainda que o interesse pelos papéis prefixados não acabou. O Brasil continua a ser visto com uma economia segura para os investidores e, por isso, o impacto nas taxas dos papéis é bem menor do que em crises anteriores por causa do reforço na blindagem externa do País.
O Tesouro vai divulgar hoje o Plano Anual de Financiamento (PAF) para o ano, que contém a estratégia de administração da dívida pública (interna e externa). Concluído internamente há cerca de 15 dias, o PAF já previa um cenário mais conservador com a piora dos mercados.
O Estado de S. Paulo
24/1/2008
Aumento da aversão ao risco também fez com que o Tesouro reduzisse oferta de títulos prefixados
A crise externa já afetou o Tesouro Nacional. Os investidores passaram a exigir prêmios mais altos para comprar os títulos do governo, o que encareceu o custo de financiamento da dívida pública. As taxas pagas pelos papéis tiveram forte elevação com a piora do cenário internacional, que contagiou os preços dos ativos no Brasil, apesar do discurso otimista do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que a crise ainda não chegou ao País.
Com o aumento da aversão dos investidores ao risco, o Tesouro também reduziu, ao longo do mês, a oferta de títulos prefixados. Com taxa definida no leilão, esse tipo de papel é considerado mais confortável para a administração da dívida, porém traz mais riscos aos investidores em caso de alta dos juros. Para se proteger do risco de uma oscilação da Selic, os investidores cobram um preço maior para comprar os títulos.
A taxa média da NTN-F, título prefixado com prazo de vencimento em janeiro de 2012 saltou de 12,96%, na semana passada, para 13,26% ao ano no leilão desta semana, realizado anteontem. No início do ano, o mesmo papel foi vendido a uma taxa média de 12,93% ao ano. O Tesouro não ofertou no leilão desta semana os títulos prefixados mais longos - as NTN-F com vencimento em 2017. No leilão da semana passada, esses papéis foram vendidos a uma taxa média de 13,03%. No primeiro leilão do ano, saíram a 12,97%.
As LTN - papéis mais curtos - com prazo de vencimento em janeiro de 2010 foram vendidas ontem a 12,98%, ante 12,78% no leilão anterior. No fim de 2007, saíram a 12,62%.
As turbulências no mercado, acentuadas, a partir de agosto, também têm impedido o retorno do Tesouro a captações externas. Desde junho de 2007, o Brasil não faz uma emissão no mercado externo.
Embora as taxas dos preços dos papéis do Tesouro estejam mais salgadas, fontes do governo ouvidas pelo Estado disseram acreditar que, passado o pior da crise externa, os investidores que estavam no mercado acionário redirecionem parte das aplicações para títulos de renda fixa.
Um dos papéis que pode ser beneficiado é a NTN-B. É que, com o repique da inflação, cresceu o interesse dos investidores nesses papéis, que, por terem o rendimento atrelado ao IPCA, oferecem proteção automática contra a desvalorização da moeda. A demanda por NTN-B continua elevada. Mas a avaliação é que é prematuro afirmar que os investidores estejam trocando as aplicações em ações para esses títulos.
As fontes consideram ainda que o interesse pelos papéis prefixados não acabou. O Brasil continua a ser visto com uma economia segura para os investidores e, por isso, o impacto nas taxas dos papéis é bem menor do que em crises anteriores por causa do reforço na blindagem externa do País.
O Tesouro vai divulgar hoje o Plano Anual de Financiamento (PAF) para o ano, que contém a estratégia de administração da dívida pública (interna e externa). Concluído internamente há cerca de 15 dias, o PAF já previa um cenário mais conservador com a piora dos mercados.
O brilho fugaz do dólar
Valor Econômico
Por Angelo Pavini, de São Paulo
24/01/2008
O dólar voltou a brilhar nesta semana em meio à forte turbulência que tomou conta dos mercados financeiros. Mas, diferentemente do passado, quando a moeda americana era vista como um porto seguro ou até fonte de ganhos nas crises, suas cotações avançaram pouco, para R$ 1,8250, acumulando alta próxima de 2,7% no ano. Praticamente nada, se comparada à oscilação do Ibovespa, que caiu 15,11% no ano até ontem. E os analistas alertam: não se deve esperar muitos ganhos com a moeda.
Os fatores a favor do real e contra a moeda americana são muitos. A começar pela própria saúde debilitada da economia americana. Segundo a Merrill Lynch, a expectativa é de que o dólar perca valor no mercado internacional pela fraqueza da economia e pelo corte dos juros - a corretora espera que as taxas americanas, hoje de 3,5% ao ano, cheguem a 1% ao ano até o primeiro trimestre de 2009. Esse juro baixo torna mais atrativo aplicar em outras moedas onde as economias estão um pouco melhores e os juros mais altos, como a brasileira, que paga mais de 10% ao ano aos investidores. O que representa um ganho de oito pontos percentuais em relação aos juros americanos. "Isso vai atrair muito dinheiro para cá", diz David Cohen, operador de renda fixa e câmbio do Banco CR2. A própria Merrill Lynch recomenda aplicar em reais em relatório enviado aos clientes.
Nem mesmo no pior cenário, o dólar poderia voltar a ser atrativo no médio prazo, afirma Alexandre Póvoa, diretor da Modal Asset Management. "Torturamos os números da pior maneira possível e nem assim", diz. Um dos fatores que poderiam puxar a moeda seria uma queda nos preços das commodities e que derrubasse as exportações brasileiras. "Mas já temos o minério de ferro subindo pelo menos 30%", diz. Imaginando, porém, que o superávit da balança comercial caia pela metade do que foi no ano passado, para US$ 20 bilhões este ano, com as importações subindo por conta do crescimento do país, isso resultaria em um déficit de transações correntes de US$ 15 bilhões, considerando a balança de capitais. A esse débito, Póvoa acrescentaria mais US$ 30 bilhões em dívidas no exterior vencendo este ano, o que representaria uma necessidade de financiamento de US$ 45 bilhões em 2008. "Mas, do lado das entradas, temos uns US$ 20 bilhões de investimento direto e, se rolarmos uns 70% do débito externo, outros R$ 21 bilhões, o que dá US$ 41 bilhões, faltando apenas US$ 4 bilhões para essa necessidade de financiamento", diz.
Por isso, Póvoa acha que um eventual estresse do dólar ocorreria por um problema financeiro apenas, uma forte saída de investidores da bolsa - a Bovespa registra déficit de estrangeiros de R$ 4,5 bilhões no ano até dia 21 - ou de títulos brasileiros. Mas teria duração curta. "Não vejo o dólar acima de R$ 2,00 e, como gestor, fico tranqüilo para fazer aplicações em reais, apesar de movimentos de alta no curto prazo". Ele considera o dólar a R$ 1,90 um ponto de venda, mas recomenda cautela. "Assim como a bolsa pode cair para 50 mil pontos, é bom manter posições pequenas no curto prazo".
Há também mudanças estruturais que o investidor precisa observar, diz Póvoa. A primeira é que o dólar não é mais aquela reserva de valor de 10 anos atrás, uma vez que a economia americana também perdeu espaço para os asiáticos. "Veja que antes, as commodities despencavam quando os EUA iam mal, e hoje elas resistem".
Para o gestor, o euro pode perder um pouco de valor por conta dos efeitos do desaquecimento dos EUA na economia européia, e que devem levar a uma queda dos juros lá ainda neste semestre. "É preciso ficar atento porque o dólar subiria em relação ao euro".
Essa é uma crise café-com-leite comparada com as de 20 anos atrás, diz o experiente Nathan Blanche, da Tendências Consultoria. "O quadro mudou totalmente depois de 2000, com os emergentes passando de devedores a credores internacionais e muitos até financiando os países desenvolvidos", diz. Com isso, a volatilidade do dólar no Brasil mudou, é muito menor e de curto prazo. Ele espera algum movimento por conta dos bancos europeus, a "bola da vez". Mas, fora isso, a moeda segue bastante tranqüila, podendo fechar o ano a R$ 1,80. "Basta ver que, com toda essa crise, o Banco Central continuou comprando dólares - não sei para quê - esta semana, e as reservas cresceram para US$ 186 bilhões". Segundo Nathan, se somadas as operações de "swap" (troca), os ativos cambiais do governo chegam a US$ 205 bilhões, para uma dívida externa de US$ 65 bilhões.
O mais impressionante é que o fluxo de dólares para o país continuou positivo mesmo com toda a crise externa, afirma Paulo Pereira Miguel, economista da Quest Investimentos. "E o dólar ainda está abaixo da cotação de outubro, é surpreendente", diz. Para Miguel, a chave para o comportamento do dólar não serão os fluxos, mas os termos de troca do Brasil com outros países. "Basta notar que a Turquia, com um déficit externo de 8% do PIB, teve a maior valorização da moeda entre os emergentes". Para ele, a valorização do real reflete a valorização das commodities por conta do crescimento da China e da Ásia como um todo, o que tornou nossos preços de exportação mais competitivos que os de nossas importações. "Uma desvalorização séria do real só viria se esse pilar fosse afetado, ou seja, que a Ásia entrasse em crise e os preços das commodities despencassem; mesmo assim seria um processo lento, como foi a valorização da moeda", diz ele, lembrando que o país hoje tem baixo endividamento externo e altas reservas para amortecer esse ajuste.
Por Angelo Pavini, de São Paulo
24/01/2008
O dólar voltou a brilhar nesta semana em meio à forte turbulência que tomou conta dos mercados financeiros. Mas, diferentemente do passado, quando a moeda americana era vista como um porto seguro ou até fonte de ganhos nas crises, suas cotações avançaram pouco, para R$ 1,8250, acumulando alta próxima de 2,7% no ano. Praticamente nada, se comparada à oscilação do Ibovespa, que caiu 15,11% no ano até ontem. E os analistas alertam: não se deve esperar muitos ganhos com a moeda.
Os fatores a favor do real e contra a moeda americana são muitos. A começar pela própria saúde debilitada da economia americana. Segundo a Merrill Lynch, a expectativa é de que o dólar perca valor no mercado internacional pela fraqueza da economia e pelo corte dos juros - a corretora espera que as taxas americanas, hoje de 3,5% ao ano, cheguem a 1% ao ano até o primeiro trimestre de 2009. Esse juro baixo torna mais atrativo aplicar em outras moedas onde as economias estão um pouco melhores e os juros mais altos, como a brasileira, que paga mais de 10% ao ano aos investidores. O que representa um ganho de oito pontos percentuais em relação aos juros americanos. "Isso vai atrair muito dinheiro para cá", diz David Cohen, operador de renda fixa e câmbio do Banco CR2. A própria Merrill Lynch recomenda aplicar em reais em relatório enviado aos clientes.
Nem mesmo no pior cenário, o dólar poderia voltar a ser atrativo no médio prazo, afirma Alexandre Póvoa, diretor da Modal Asset Management. "Torturamos os números da pior maneira possível e nem assim", diz. Um dos fatores que poderiam puxar a moeda seria uma queda nos preços das commodities e que derrubasse as exportações brasileiras. "Mas já temos o minério de ferro subindo pelo menos 30%", diz. Imaginando, porém, que o superávit da balança comercial caia pela metade do que foi no ano passado, para US$ 20 bilhões este ano, com as importações subindo por conta do crescimento do país, isso resultaria em um déficit de transações correntes de US$ 15 bilhões, considerando a balança de capitais. A esse débito, Póvoa acrescentaria mais US$ 30 bilhões em dívidas no exterior vencendo este ano, o que representaria uma necessidade de financiamento de US$ 45 bilhões em 2008. "Mas, do lado das entradas, temos uns US$ 20 bilhões de investimento direto e, se rolarmos uns 70% do débito externo, outros R$ 21 bilhões, o que dá US$ 41 bilhões, faltando apenas US$ 4 bilhões para essa necessidade de financiamento", diz.
Por isso, Póvoa acha que um eventual estresse do dólar ocorreria por um problema financeiro apenas, uma forte saída de investidores da bolsa - a Bovespa registra déficit de estrangeiros de R$ 4,5 bilhões no ano até dia 21 - ou de títulos brasileiros. Mas teria duração curta. "Não vejo o dólar acima de R$ 2,00 e, como gestor, fico tranqüilo para fazer aplicações em reais, apesar de movimentos de alta no curto prazo". Ele considera o dólar a R$ 1,90 um ponto de venda, mas recomenda cautela. "Assim como a bolsa pode cair para 50 mil pontos, é bom manter posições pequenas no curto prazo".
Há também mudanças estruturais que o investidor precisa observar, diz Póvoa. A primeira é que o dólar não é mais aquela reserva de valor de 10 anos atrás, uma vez que a economia americana também perdeu espaço para os asiáticos. "Veja que antes, as commodities despencavam quando os EUA iam mal, e hoje elas resistem".
Para o gestor, o euro pode perder um pouco de valor por conta dos efeitos do desaquecimento dos EUA na economia européia, e que devem levar a uma queda dos juros lá ainda neste semestre. "É preciso ficar atento porque o dólar subiria em relação ao euro".
Essa é uma crise café-com-leite comparada com as de 20 anos atrás, diz o experiente Nathan Blanche, da Tendências Consultoria. "O quadro mudou totalmente depois de 2000, com os emergentes passando de devedores a credores internacionais e muitos até financiando os países desenvolvidos", diz. Com isso, a volatilidade do dólar no Brasil mudou, é muito menor e de curto prazo. Ele espera algum movimento por conta dos bancos europeus, a "bola da vez". Mas, fora isso, a moeda segue bastante tranqüila, podendo fechar o ano a R$ 1,80. "Basta ver que, com toda essa crise, o Banco Central continuou comprando dólares - não sei para quê - esta semana, e as reservas cresceram para US$ 186 bilhões". Segundo Nathan, se somadas as operações de "swap" (troca), os ativos cambiais do governo chegam a US$ 205 bilhões, para uma dívida externa de US$ 65 bilhões.
O mais impressionante é que o fluxo de dólares para o país continuou positivo mesmo com toda a crise externa, afirma Paulo Pereira Miguel, economista da Quest Investimentos. "E o dólar ainda está abaixo da cotação de outubro, é surpreendente", diz. Para Miguel, a chave para o comportamento do dólar não serão os fluxos, mas os termos de troca do Brasil com outros países. "Basta notar que a Turquia, com um déficit externo de 8% do PIB, teve a maior valorização da moeda entre os emergentes". Para ele, a valorização do real reflete a valorização das commodities por conta do crescimento da China e da Ásia como um todo, o que tornou nossos preços de exportação mais competitivos que os de nossas importações. "Uma desvalorização séria do real só viria se esse pilar fosse afetado, ou seja, que a Ásia entrasse em crise e os preços das commodities despencassem; mesmo assim seria um processo lento, como foi a valorização da moeda", diz ele, lembrando que o país hoje tem baixo endividamento externo e altas reservas para amortecer esse ajuste.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Preços variam até 260%
Jornal da Tarde
23/01/2005
Procon-SP pesquisou os valores de 128 produtos em dez lojas nas cinco regiões da Capital
Levantamento realizado pela Fundação Procon de São Paulo (Procon-SP) mostra que a diferença de preços de material escolar pode chegar a 260%. A instituição percorreu dez estabelecimentos das cinco regiões da Capital entre os dias 8 e 10 de janeiro e colheu os valores de 128 produtos.
A maior diferença foi encontrada no preço do caderno universitário capa dura espiral, para uma matéria, com 96 folhas, linha Quatro Elementos, marca Foroni. Enquanto na papelaria Japuíba, na Zona Norte, a unidade custava R$ 2,75, na Pontocom, na Zona Oeste, foi cotada a R$ 9,90, diferença de 260%.
A segunda maior diferença foi registrada no valor da caneta esferográfica Cristal modelo Power Ball 063 Fine, da Faber Castell. O maior valor foi encontrado na loja Momotaro, na Zona Sul, que vende o item a R$ 3,15, R$ 2,15 mais caro que a concorrente Pontocom, da Zona Oeste, onde a caneta foi encontrado por R$ 1(veja a lista completa de preços nesta página).
A enorme variação de preço dos produtos assustou a jornaleira Maria do Céu, que ontem procurava um fichário para a filha, estudante do ensino médio, numa loja no Centro de São Paulo.
Segundo ela, o material custa R$ 70 no Colégio São Luiz, na Zona Sul, onde a garota estuda. Já na loja onde ela pesquisava preços, o item é vendido por R$29,90, valor 133% menor. “Está bem mais barato”, disse Maria, que estima gastar em torno de R$ 80 apenas com o material escolar básico neste mês.
Diógenes Donizeti, diretor assistente do Procon-SP, afirma que reunir várias pessoas para compra em grande quantidade é uma excelente maneira de conseguir preços menores. Ele observa, porém, que o consumidor não deve levar em conta apenas o preço, mas também a qualidade do produto. Portanto, pesquisar é sempre fundamental.
23/01/2005
Procon-SP pesquisou os valores de 128 produtos em dez lojas nas cinco regiões da Capital
Levantamento realizado pela Fundação Procon de São Paulo (Procon-SP) mostra que a diferença de preços de material escolar pode chegar a 260%. A instituição percorreu dez estabelecimentos das cinco regiões da Capital entre os dias 8 e 10 de janeiro e colheu os valores de 128 produtos.
A maior diferença foi encontrada no preço do caderno universitário capa dura espiral, para uma matéria, com 96 folhas, linha Quatro Elementos, marca Foroni. Enquanto na papelaria Japuíba, na Zona Norte, a unidade custava R$ 2,75, na Pontocom, na Zona Oeste, foi cotada a R$ 9,90, diferença de 260%.
A segunda maior diferença foi registrada no valor da caneta esferográfica Cristal modelo Power Ball 063 Fine, da Faber Castell. O maior valor foi encontrado na loja Momotaro, na Zona Sul, que vende o item a R$ 3,15, R$ 2,15 mais caro que a concorrente Pontocom, da Zona Oeste, onde a caneta foi encontrado por R$ 1(veja a lista completa de preços nesta página).
A enorme variação de preço dos produtos assustou a jornaleira Maria do Céu, que ontem procurava um fichário para a filha, estudante do ensino médio, numa loja no Centro de São Paulo.
Segundo ela, o material custa R$ 70 no Colégio São Luiz, na Zona Sul, onde a garota estuda. Já na loja onde ela pesquisava preços, o item é vendido por R$29,90, valor 133% menor. “Está bem mais barato”, disse Maria, que estima gastar em torno de R$ 80 apenas com o material escolar básico neste mês.
Diógenes Donizeti, diretor assistente do Procon-SP, afirma que reunir várias pessoas para compra em grande quantidade é uma excelente maneira de conseguir preços menores. Ele observa, porém, que o consumidor não deve levar em conta apenas o preço, mas também a qualidade do produto. Portanto, pesquisar é sempre fundamental.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Quase 30 mil investidores cadastrados em 2007
Luciana Monteiro
Valor Econômico
21/1/2008
O número de novos investidores cadastrados no Tesouro Direto - sistema de negociação de títulos públicos via internet - registrou crescimento de 40,7% em 2007 em relação ao ano anterior. Segundo relatório do Tesouro, 29.795 novos investidores se cadastraram no ano passado, o que mostra que cada vez mais aplicadores estão usando o sistema na hora de poupar recursos.
Mesmo sem um amplo programa de publicidade, o Tesouro Direto tem, em média, 2 mil novos cadastros a cada mês, diz Jeferson Bittencourt, gerente de Relações Institucionais da Dívida Pública. "As pessoas seguem se interessando pelo programa e muitos o utilizam como forma de poupança para a aposentadoria", diz ele, lembrando que a renda fixa no ano passado teve muito menos apelo ante a bolsa e, ainda assim, o Tesouro Direto registrou crescimento.
No sexto ano do programa, as vendas de títulos públicos chegaram a R$ 771,27 milhões, ante R$ 765,63 milhões do anterior. Em novembro, o Tesouro Direto ultrapassou a marca dos 100 mil investidores cadastrados e encerrou o ano com 102.993 aplicadores. "Embora o número de cadastros tenha aumentado, o total de vendas ficou relativamente estável, o que mostra que houve uma popularização entre investidores com tíquete médio menor, na faixa de R$ 1 mil", comenta Bittencourt.
Em 2007, o aplicador preferiu dirigir mais investimentos para os títulos prefixados. As Letras do Tesouro Nacional (LTNs) - papéis com rentabilidade definida no momento da compra - foram os títulos mais vendidos e representaram 38,8% dos títulos vendidos pelo governo, ou um volume de R$ 283,83 milhões. Já as Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F) - papéis prefixados com pagamento de juros semestrais ao aplicador - somaram 14,82% das vendas, com R$ 114,28 milhões. Dessa maneira, os títulos prefixados tiveram participação total de 51,6% nas vendas do Tesouro Direto.
A LTN normalmente é a preferida do investidor, pois é um título mais simples, mais fácil de entender, avalia Bittencourt. Na avaliação dele, dada a maior simplicidade, esses papéis devem continuar sendo os campeões na preferência dos aplicadores, mesmo com o cenário no mercado financeiro indefinido.
Os títulos indexados ao IPCA representaram 33,8% das vendas. As Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) somaram 18,50%, um total de R$ 142,69 milhões. Já a NTN-B Principal - que paga juros semestrais - foi responsável por 15,3% das vendas e movimentou em 2007, no Tesouro Direto, R$ 118,08 milhões. As Letras Financeiras do Tesouro (LFT) - títulos com juros pós-fixados - tiveram participação de 14,57%, com R$ 112,39 milhões.
O volume de títulos emitidos pelo Tesouro Direto atingiu R$ 1,430 bilhão ao final de 2007, o que representa um acréscimo de 28,5% sobre o estoque apresentado no fim do ano anterior, de R$ 1,113 bilhão. Além de terem sido as campeãs nas escolha do investidor, as LTNs somam também o maior volume no estoque, com participação de 28,5%.
Quase a metade dos investidores têm optado por papéis com vencimento no médio prazo. Do estoque total de papéis emitidos, 47,82% das aplicações foram feitas em papéis com vencimento entre um e cinco anos. Os títulos com prazo superior a cinco anos representam 27,11% do estoque e os papéis de até um ano, 25,06%.
Quanto à venda de títulos por faixa de aplicação em 2007, as operações com valores até R$ 1 mil foram as mais expressivas, atingindo a participação de 26,2%. Destaca-se o elevado volume de vendas por faixa de aplicação até R$ 5 mil, cuja participação concentrou 63,6% do volume aplicado no ano.
O destaque em termos de rentabilidade no ano passado ficou por conta da NTN-B Principal com vencimento em 2024, com retorno de 26,9% no ano. Em seguida, aparece a NTN-C com vencimento em 2031, que apresentou ganho bruto de 22,7% no período. O título de menor ganho no ano foi a NTN-F que vence em 2014, com rendimento de 10,0%. Já os títulos prefixados apresentaram retornos entre 10,0% e 12,8% e os títulos indexados à taxa Selic tiveram retornos variando entre 11,7% e 11,9%. Os títulos atrelados a índices de preços apresentaram retornos que variam de 13,3% a 26,9%, conforme a data de vencimento do papel.
Valor Econômico
21/1/2008
O número de novos investidores cadastrados no Tesouro Direto - sistema de negociação de títulos públicos via internet - registrou crescimento de 40,7% em 2007 em relação ao ano anterior. Segundo relatório do Tesouro, 29.795 novos investidores se cadastraram no ano passado, o que mostra que cada vez mais aplicadores estão usando o sistema na hora de poupar recursos.
Mesmo sem um amplo programa de publicidade, o Tesouro Direto tem, em média, 2 mil novos cadastros a cada mês, diz Jeferson Bittencourt, gerente de Relações Institucionais da Dívida Pública. "As pessoas seguem se interessando pelo programa e muitos o utilizam como forma de poupança para a aposentadoria", diz ele, lembrando que a renda fixa no ano passado teve muito menos apelo ante a bolsa e, ainda assim, o Tesouro Direto registrou crescimento.
No sexto ano do programa, as vendas de títulos públicos chegaram a R$ 771,27 milhões, ante R$ 765,63 milhões do anterior. Em novembro, o Tesouro Direto ultrapassou a marca dos 100 mil investidores cadastrados e encerrou o ano com 102.993 aplicadores. "Embora o número de cadastros tenha aumentado, o total de vendas ficou relativamente estável, o que mostra que houve uma popularização entre investidores com tíquete médio menor, na faixa de R$ 1 mil", comenta Bittencourt.
Em 2007, o aplicador preferiu dirigir mais investimentos para os títulos prefixados. As Letras do Tesouro Nacional (LTNs) - papéis com rentabilidade definida no momento da compra - foram os títulos mais vendidos e representaram 38,8% dos títulos vendidos pelo governo, ou um volume de R$ 283,83 milhões. Já as Notas do Tesouro Nacional série F (NTN-F) - papéis prefixados com pagamento de juros semestrais ao aplicador - somaram 14,82% das vendas, com R$ 114,28 milhões. Dessa maneira, os títulos prefixados tiveram participação total de 51,6% nas vendas do Tesouro Direto.
A LTN normalmente é a preferida do investidor, pois é um título mais simples, mais fácil de entender, avalia Bittencourt. Na avaliação dele, dada a maior simplicidade, esses papéis devem continuar sendo os campeões na preferência dos aplicadores, mesmo com o cenário no mercado financeiro indefinido.
Os títulos indexados ao IPCA representaram 33,8% das vendas. As Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) somaram 18,50%, um total de R$ 142,69 milhões. Já a NTN-B Principal - que paga juros semestrais - foi responsável por 15,3% das vendas e movimentou em 2007, no Tesouro Direto, R$ 118,08 milhões. As Letras Financeiras do Tesouro (LFT) - títulos com juros pós-fixados - tiveram participação de 14,57%, com R$ 112,39 milhões.
O volume de títulos emitidos pelo Tesouro Direto atingiu R$ 1,430 bilhão ao final de 2007, o que representa um acréscimo de 28,5% sobre o estoque apresentado no fim do ano anterior, de R$ 1,113 bilhão. Além de terem sido as campeãs nas escolha do investidor, as LTNs somam também o maior volume no estoque, com participação de 28,5%.
Quase a metade dos investidores têm optado por papéis com vencimento no médio prazo. Do estoque total de papéis emitidos, 47,82% das aplicações foram feitas em papéis com vencimento entre um e cinco anos. Os títulos com prazo superior a cinco anos representam 27,11% do estoque e os papéis de até um ano, 25,06%.
Quanto à venda de títulos por faixa de aplicação em 2007, as operações com valores até R$ 1 mil foram as mais expressivas, atingindo a participação de 26,2%. Destaca-se o elevado volume de vendas por faixa de aplicação até R$ 5 mil, cuja participação concentrou 63,6% do volume aplicado no ano.
O destaque em termos de rentabilidade no ano passado ficou por conta da NTN-B Principal com vencimento em 2024, com retorno de 26,9% no ano. Em seguida, aparece a NTN-C com vencimento em 2031, que apresentou ganho bruto de 22,7% no período. O título de menor ganho no ano foi a NTN-F que vence em 2014, com rendimento de 10,0%. Já os títulos prefixados apresentaram retornos entre 10,0% e 12,8% e os títulos indexados à taxa Selic tiveram retornos variando entre 11,7% e 11,9%. Os títulos atrelados a índices de preços apresentaram retornos que variam de 13,3% a 26,9%, conforme a data de vencimento do papel.
domingo, 20 de janeiro de 2008
Custo do Carro pela sua Vida Inteira
Muito se publica sobre o custo de criar um filho. E qual o custo de manter e trocar de carro popular a cada 2 anos por todo sua vida profissional, aproximadamente 30 anos? Aproveitando o artigo "Carro: você sabe quanto ele realmente custa para você?" e dados de depreciação da tabela da FIPE , fiz o cálculo considerando uma taxa de juros reais de 0,6% a.m. O resultado é de aproximadamente 951 mil reais para um automóvel de 25 mil reais. Claro que não levei em conta o custo do transporte público, afinal o indíviduo tem que ir de alguma maneira para o trabalho, fazer compras, viajar, etc.
Assinar:
Postagens (Atom)