quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Brasileiro quer poupar, mas esbarra na renda escassa

Valor Econômico

15/09/2010

As famílias brasileiras mostram interesse crescente em poupar parte de sua renda para a aposentadoria, mas são poucos os que já têm um plano de previdência privada. É o que mostra estudo da consultoria Kantar Worldpanel a pedido da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi).

De acordo com o estudo, que abrangeu 8,2 mil domicílios, o número de famílias que planeja poupar para a previdência saltou de 29% em 2008 para 44% no ano passado. No entanto, apenas 4% das famílias consultadas têm um plano de aposentadoria complementar, como PGBL e VGBL.

O crescimento acelerado do números de famílias que desejam poupar para aposentadoria surpreendeu a Fenaprevi, diz Renato Russo, vice-presidente da entidade. "Isso mostra que há um terreno fértil para expansão da previdência privada no país", diz ele, ressaltando que os ativos dos planos privados subiram de R$ 68 bilhões para R$ 201 bilhões. "Houve um crescimento grande, mas a penetração ainda é baixa", acrescenta.

Para Russo, as dúvidas em torno das possíveis alterações nas regras da previdência pública e a própria mudança demográfica do país - que mostra um envelhecimento progressivo da população - explicam o aumento do interesse em poupar para a aposentadoria. "Já foi superada aquela fase em que as pessoas investiam apenas para comprar um bem, como um carro ou uma casa", diz Russo. "Muita gente está percebendo a dificuldade dos idosos em manter um bom padrão de vida apenas com a aposentadoria pública."

A pesquisa mostra ainda que 10% das famílias das classes A e B (com renda mensal acima de 10 salários mínimos) investem em previdência privada. Entre os domicílios da classe C (renda mensal entre 4 e 10 salários mínimos), apenas 4% têm um plano de previdência. Esse percentual cai para 1% entre as famílias das classes D e E, cuja renda mensal varia entre 1 e 4 salários mínimos.

Além da escassez de renda, que atinge as classes C, D e E, Russo ressalta que o percentual de famílias da classe A que tem planos de previdência privada no Brasil ainda está muito aquém do que se observa nos países desenvolvidos. "Há espaço para crescer em todas as faixas de renda, sobretudo em A, B e C", diz ele, lembrando que, no caso das classes D e E, a aquisição de um seguro de vida costuma vir antes da contratação de um plano de previdência.

Entre as regiões do país, a pesquisa mostra que 8% das famílias dos estados do Sul contribuem para um fundo privado de previdência. Elas destinam R$ 1.353 por ano aos planos, volume 16% superior à média nacional (R$ 1.167). Na segunda posição, aparece o interior do Estado de São Paulo, em que 6% das famílias têm plano de previdência complementar. Em seguida, surgem o interior do Estado do Rio de Janeiro e os estados do Espírito Santos e Minas Gerais (5% dos domicílios têm planos).

Para surpresa da Fenaprevi, diz Russo, a Grande São Paulo e o Grande Rio de Janeiro aparecem apenas na quarta posição. Somente 4% das famílias dessas localidades aplicam em fundos de previdência aberta. "É interessante notar que a renda média é mais elevada em São Paulo e Rio, mas quem mais poupa são as famílias do Sul", afirma Russo. "Não é possível saber ao certo, mas talvez a educação financeira e a cultura de poupança sejam mais disseminadas no Sul do país."

No Centro-Oeste, 3% dos domicílios investem em planos de aposentadoria, à frente apenas do Norte e Nordeste, onde esse percentual cai para 2%. Nessas duas regiões, as contribuições médias das famílias para a previdência privada são de R$ 969 por ano, 17% menores que a média nacional (R$ 1.167).

Em relação à faixa etária, as pessoas entre 40 e 49 anos são as que mais aplicam em previdência, destinando em média R$ 1.270 por ano aos fundos privados. Na outra ponta, os indivíduos que têm entre 30 e 39 anos contribuem com R$ 1.074, a menor média entre as faixas etárias. As pessoas com até 29 anos estão um pouco à frente, com investimento anual de R$ R$ 1.080.

Segundo o estudo, esses números refletem a própria composição do orçamento doméstico por faixa etária. Nos domicílios em que os chefes de família têm entre 30 e 39 anos, os gastos mensais, na média, superam as receitas em 6%. Já nas famílias lideradas por pessoas entre 40 e 49 anos, o quadro é inverso: as receitas superam os gastos mensais em cerca de 2%, ou seja, há sobra para poupar.

Os jovens têm uma propensão maior ao gasto, diz Russo, e muitas vezes não se sentem confortáveis em trocar o consumo imediato por investimentos para assegurar o bem-estar futuro. "É uma questão de educação financeira", afirma o executivo. "Os jovens precisam entender que, como têm mais tempo até a aposentadoria, podem atingir um patrimônio elevado poupando pequenos valores por mês."

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Renda fixa ficará sem imposto, diz Mantega

Valor Econômico


 

10/09/2010


 

Murillo Camarotto e Carolina Mandl | Do Recife e de São Paulo

O governo federal vai anunciar nos próximos dias medidas para incentivar as emissões de títulos como debêntures e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), conforme antecipado pelo Valor na edição de 30 de agosto. Com o objetivo de tornar esses ativos mais rentáveis, os papéis deverão ficar isentos de Imposto de Renda, de acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Também serão anunciadas medidas de incentivo ao mercado secundário de títulos privados. De acordo com o ministro, o governo entende que o mercado de capitais brasileiro é muito sólido e confiável, porém de porte ainda modesto. Além de incentivar a expansão do mercado de títulos privados, a ideia é estimular a viabilização do mercado secundário desses papéis. "O investidor precisa ter a segurança de que conseguirá vender o título se precisar", afirmou Mantega.

Ontem, números divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostraram que o mercado de capitais registrou uma captação de R$ 71,5 bilhões neste ano, até agosto, volume 32,1% superior àquele acumulado em igual período de 2009.

Em agosto, as emissões bateram R$ 5,1 bilhões, valor 42,7% superior ao mesmo mês do ano passado. O destaque no mês ficou justamente para os títulos que o governo pretende incentivar. As ofertas de debêntures somaram R$ 2,7 bilhões, enquanto as de CRIs ficaram em R$ 2 bilhões.

Porém, é preciso ressaltar que todas as emissões de debêntures foram feitas por meio de ofertas de esforços restritos, aqueles em que a companhia só pode vender seus papéis a um número limitado de investidores. Em geral, essa modalidade tem sido usada pelos bancos como um instrumento de crédito, já que eles mesmos acabam comprando 100% das debêntures.

Neste momento, não há ofertas de debênture voltadas aos investidores sendo analisadas pela Comissão de Valores Mobiliários. Segundo Alberto Kiraly, vice-presidente da Anbima, por causa das eleições, as companhias anteciparam as ofertas para o primeiro semestre, por isso a recente paralisação. As mudanças estudadas pelo governo também podem estar represando as emissões, já que as empresas tendem a esperar condições mais favoráveis.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Bolsa em pequenas doses

Mercado de ETF registra recorde no número de negócios em agosto, com alta de 58% ante o mês anterior.
Valor Econômico

Por Luciana Monteiro, de São Paulo
06/09/2010


Assim como os consumidores, os pequenos investidores também demonstram gostar de preços mais baixos. Bastou a BM&FBovespa reduzir a aplicação mínima para que os fundos com cotas negociadas em bolsa registrassem recorde no número de negócios. O total de operações com os chamados ETFs (Exchange Traded Fund) saltou 58% em agosto ante o resultado de julho.
No mês passado, o número de negócios com ETFs na bolsa somou 17.293, ante 10.918 realizados em julho, segundo dados da BM&FBovespa. O volume também cresceu, embora em menor intensidade: somou R$ 598,093 milhões para R$ 560,395 milhões no mês anterior.
A maior negociação está diretamente relacionada à redução, anunciada em julho, do lote-padrão dos ETFs, que caiu de 100 para 10 cotas - o que trouxe uma diminuição grande no valor mínimo necessário para investir nessas carteiras. Com o corte, um lote-padrão do ETF Bova11, que espelha o Índice Bovespa, passou a valer R$ 660,00 pela cotação de fechamento de sexta-feira. Antes, o mínimo para investir seria de R$ 6.600,00. A mudança começou a valer, no entanto, somente em agosto, por isso a diferença apareceu só agora.
O objetivo da bolsa com a medida é aumentar o potencial de negociação destes fundos, especialmente, entre investidores pessoas físicas. Segundo dados da bolsa, dos 598 mil investidores com contas ativas, a maior parte tem entre 26 e 35 anos. Mas é a faixa de investidores entre 18 e 24 anos que apresentou o maior crescimento mensal no número de contas entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009. Esse segmento registrou expansão média de 2,9% no período.
No projeto de popularização da bolsa, um dos instrumentos mais eficientes para a diversificação de carteira da pessoa física é o ETF, diz Julio Ziegelmann, diretor de renda variável da BM&FBovespa. "Este é um mercado ainda pequeno por aqui, mas temos uma visão de crescimento de longo prazo." Ele lembra que, nos Estados Unidos, os 10 ETFs mais negociados giram o dobro das 10 ações mais transacionadas.
Os institucionais ainda são os maiores compradores de ETFs, com 60,4% de participação no volume em agosto. As instituições financeiras somam 18,4%, enquanto os estrangeiro respondiam por 11,9%. As pessoas físicas ficavam apenas em quarto lugar, com fatia de 9%. As empresas representavam 0,4%.
Gestora com o maior número de ETFs no Brasil, a BlackRock estuda o lançamento de carteiras que seguem índices internacionais. Falta, no entanto, uma mudança na atual regulação, a Instrução 359. Isso porque, pelas regras, todos os fundos de investimento brasileiros podem aplicar até 10% da carteira no exterior, sendo que os multimercados podem chegar a 20%. O percentual sobe para 100% em fundos para investidores superqualificados, com aplicação de R$ 1 milhão.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) precisaria, portanto, permitir que os fundos que seguem índices do mercado internacional pudessem ser oferecidos também para o investidor de varejo. "Essa é uma indústria ainda nova no Brasil e o país é considerado a menina dos olhos para o grupo", diz André Ribeiro Turquetto, diretor da BlackRock para América Latina e Região Ibérica. "Mas é também um mercado mais fechado, em que a cultura de bolsa está se desenvolvendo."
A CVM trabalha na atualização da Instrução 359, mas a minuta com as novas normas não deve entrar em audiência pública neste ano, somente em 2011, diz Luciana Dias, superintendente de Desenvolvimento de Mercado. "O entendimento da CVM é que é necessário abrir o mercado internacional para o varejo aos poucos", afirma. "Num ETF de índice internacional, é importante que o investidor, que não está acostumado a ligar com alguns riscos, vá devagar", avalia Luciana, citando a variação cambial, que passaria a ter impacto direto no desempenho dessas carteiras.
Atualmente, são negociados sete fundos de índices na BM&FBovespa. O mais popular é o Bova11, que em agosto representou 87% dos negócios com ETFs na bolsa e 79% do volume. Os dados mostram que o número de operações com esses fundos passou de 8.853 para 15.090 no mês passado. Já o volume, que em julho somou R$ 453,403 milhões, foi de R$ 508,232 milhões em agosto. E, em breve, mais um ETF deve chegar ao mercado: o que segue o Índice Financeiro (IFNC) e cujo gestor será o Itaú.
O administrador de investimentos Fabio Colombo acompanha esse mercado, bastante popular no exterior, há anos, antes mesmo de os fundos de índice chegarem ao país. "Para o investidor que prefere aplicar num fundo de ações e tem visão de longo prazo, os ETFs são mais interessantes, pois costumam ter taxas de administração menores do que as cobradas pelas carteiras tradicionais", diz ele. Já para quem gosta de fazer várias compras e vendas, o especialista recomenda a ação, até pela questão tributária, já que há isenção de R$ 20 mil no total de ações vendido no mês, benefício que não vale para os ETF.
Lá fora, são muito comuns também os ETFs de renda fixa, chamados de Exchange-Traded Note (ETN). Por aqui, esses fundos também esbarram num problema fiscal: o come-cotas. Os fundos de renda fixa no Brasil têm de pagar semestralmente 15% ou 20% (dependendo do prazo médio da carteira) dos lucros a título de antecipação de imposto, nos meses de maio e novembro.
O investidor interessado em aplicar em fundos de índices deve ficar atento às taxas cobradas pelas corretoras, pois custos maiores podem corroer boa parte do retorno, explica Colombo. Além disso, como os ETFs ainda têm liquidez reduzida, é comum o aplicador encontrar diferenças grandes entre os preços de compra e venda, diz.
O mercado de ETFs na América Latina registrou crescimento de 19% em julho em relação ao mês anterior, encerrando o período com patrimônio de US$ $10 bilhões ante US$ 8,4 bilhões de julho, de acordo com relatório da BlackRock. Apesar da expansão, no acumulado do ano, os ETFs ainda registram resgates, de US$ 1,122 bilhão até julho.
A expansão foi puxada principalmente pelo México (19,7%), cujos ativos em fundos de cotas bateram US$ 8,5 bilhões ante US$ 7,1 bilhões. No caso do Brasil, o crescimento foi menor, de 14,2%, com patrimônio líquido passando de US$ 1,4 bilhão para US$ 1,6 bilhão no mês passado.
Entre os 20 maiores ETFs no mundo em patrimônio no fim de julho, o iShares MSCI Brazil Index Fund aparecia na 14ª colocação, com um total de ativos de US$ 9,479 bilhões. No ano, esse fundo de Brasil registrava resgates de US$ 1,711 bilhão, dado o patrimônio de US$ 11,190 bilhões registrado em dezembro do ano passado.
Olhando-se o mundo todo, os ETFs encerraram julho com um total de 2.282 carteiras, 4.872 listagens e patrimônio líquido de US$ 1,095 trilhão, mesmo nível registrado no mês anterior. A diferença entre o número de carteiras e o total de listagens se deve ao fato de que um mesmo fundo poder ser negociado em mais de uma bolsa. No ano, o setor registra crescimento de 5,7%.
Do total de US$ 1,095 trilhão presentes em ETFs no mundo, 67% estão nos Estados Unidos, cujo setor soma patrimônio líquido de US$ 741,3 bilhões. Já a Europa detém 25%, com um total de ativos de US$ 236,3 bilhões.

Futuro hipotecado

Folha de São Paulo
06/09/2010
Maria Inês Dolci
________________________________________
Dispor do imóvel é risco maior que o necessário; hipoteca é palavrão que não deveria ser pronunciado
________________________________________

HIPOTECA é uma palavra pesada, cortante e vinculada a pesadelos, à dificuldade de dormir, porque a pessoa tem uma dívida associada a um bem, hipotecado em garantia do empréstimo.
Deveria ser a última opção, usada, em situação de extrema dificuldade, para obter recursos necessários ao combate de uma doença grave, de uma falência financeira que comprometesse o futuro da família.
Um novo mundo, contudo, tem significados diferentes para velhas palavras, como essa, que, segundo o dicionário "Houaiss", já é conhecida há mais de 600 anos.
Hoje, leio abismada que se hipoteca a casa, no Brasil, para consumir. Por que alguém cometeria uma loucura dessas -arriscar-se a ficar sem imóvel para contrair um empréstimo? Pelo que se saiba, para pagar taxas de juros bem menores, com prazos de 20 a 30 anos.
Essa operação financeira tem crescido vigorosamente nos últimos anos, em alguns casos para subsidiar novos empreendimentos, como uma franquia.
E, entre as instituições que trabalham com esse, digamos, empréstimo, está uma pública, a Caixa Econômica Federal. Estamos mesmo numa economia movida a dívidas!
Contrair um financiamento habitacional, esgotadas as consultas e comparações entre as condições oferecidas pelos bancos, já não é tarefa simples. Trata-se de um compromisso por muitos anos.
Não há como mapear o futuro e dizer, com certeza, que teremos emprego e renda suficiente para bancar o financiamento. Mas, concedamos, esse é um investimento importante na vida das famílias -um lugar para morar, um teto que nos proteja das intempéries.
Nem sempre será um investimento, no sentido financeiro da palavra.
Teremos, contudo, uma moradia própria, evitando os gastos com aluguel, que, sujeitos a oscilações de mercado, não "comprarão" parcelas de um imóvel. Tem a ver mais com segurança e com vontade de ter algo em nossos nomes.
Dispor de um bem assim, adquirido com dificuldade na maioria dos casos, parece-me um risco maior do que o necessário.
Vejamos, por exemplo, um imóvel cuja hipoteca banque o investimento em uma loja franqueada. Por mais forte que seja a marca da loja, o sucesso de vendas dependerá da habilidade do franqueado. Planejamento, trabalho e dedicação são tangíveis. Tino comercial e clima econômico são intangíveis.
Se não der certo, haverá o perigo de perder um imóvel quitado, pois a operação, no Brasil, é feita com imóvel já pago, para evitar o "subprime" norte-americano, que tem alta probabilidade de calote.
Argumenta-se que a economia brasileira só cresce, nos últimos anos, devido ao aumento do crédito e que é necessário ser criativo, inventar novas formas de permitir o acesso ao consumo.
Tenho minhas dúvidas. O crédito consignado aos aposentados transformou-os em fontes de recursos para familiares e amigos não tão escrupulosos. O ideal seria aumentar a renda dos idosos com pensões e aposentadorias mais próximas do custo de vida efetivo.
Financiamento não é renda. É uma forma de facilitar o acesso a bens e a serviços mais caros pelo prolongamento do período de pagamento. Em países com taxas de juros absurdas, como o nosso, o risco de inadimplência é muito maior, ainda mais se considerarmos os baixos salários.
Não saberemos o final dessa história tão cedo, pois os empréstimos são de longo prazo. Inicialmente, as prestações costumam ser compatíveis com a renda.
Temo, porém, que, em alguns anos, comecem a estourar as dívidas escoradas nos imóveis e que, consequentemente, cidadãos percam seus únicos bens pela ilusão do dinheiro rápido, sem burocracia.
Se imaginarem que a Justiça os protegerá, releiam as reportagens publicadas nos últimos dias sobre os poupadores que perderam rendimentos por causa dos planos econômicos do passado.
Hipoteca é um palavrão que não deveria ser pronunciado nem utilizado em vão.
________________________________________
MARIA INÊS DOLCI , 54, advogada formada pela USP com especialização em business, é especialista em direito do consumidor e coordenadora institucional da ProTeste Associação de Consumidores. Escreve quinzenalmente, às segundas, nesta coluna.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Pequeno investidor deve comprar ações

Correio Brasiliense

03/09/2010

Especialistas recomendam esforço a minoritários para participar da capitalizaçãoda estatal, sobretudo aos que já usaramo FGTS em2000. De lá para cá, alta foi de 663%

TETÊ MONTEIRO Aansiedade dos acionistas minoritárias da Petrobras só cresce antes da definição de todos os detalhes da operação que aumentará o capital da estatal. De acordo com fato relevante encaminhado pela estatal à Comissão deValoresMobiliários (CVM) na quartafeira à noite, os dados serão conhecidos hoje.Mas, antes mesmo de conhecer os pormenores do maior processo de capitalização da economia global, estimadoemR$ 150 bilhões, os analistas recomendam aos investidores usarem o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para comprar ações.Arazão é simples: a lucratividade.

Enquanto a valorização das ações da Petrobras chegou a 663,78% em 10 anosde 10 de agosto de 2000 a 10 de agosto deste ano , o rendimento do FGTS foi de apenas 65,06% no período, segundo dados do Instituto FGTS Fácil.Ou seja, a diferença entre as aplicações supera os 500% e justifica a aplicação nos papéis da petrolífera.

Só podem participar da oferta pública investidores que já compraram ações da estatal com recursos do fundo em agosto de 2000.De acordo com a Caixa Econômica Federal, dos 312 mil que investiram na empresa, apenas cerca de 90 mil mantiveram suas aplicações até hoje.

Dados da consultoria Global Financial Advisor mostram que, atualmente, o FundoFGTS Petrobras representa 2% do total da participação de acionistas na estatal.

Para manter a atual participação, os investidores teriam que desembolsar R$ 3 bilhões, o que, pelas contas do presidente do Instituto FGTS Fácil, Mário Avelino, não deve ocorrer. Se 85 mil trabalhadores sacarem os 30% que lhe são de direito, poderão levantar no máximo R$ 1 bilhão, disse.Osuperintendente da Petra Corretora, Juliano Lima Pinheiro, é breve em sua recomendação para usar o FGTS. Não é preciso nem fazer as contas. Com as regras da capitalização definidas, a tendência é de uma recuperação forte dos papéis, afirmou.

O diretor-sócio da consultoria Global Financial Advisor,Miguel Daoud, também sugere que o melhor a fazer agora, no caso dos pequenos, é usar o FGTS na compra das ações. Para manter a mesma participação, o minoritário vai ter que se esticar. Então, quem já comprou as ações da petrolífera lá atrás (em 2000) deve manter o investimento nesta nova oferta, recomendou.

acha mais gás A OGX, do grupo de Eike Batista, informou ter descoberto novos indícios de gás na bacia terrestre do Paranaíba, no Maranhão. O bloco é o mesmo onde a empresa localizou um uma megarreserva de 15 trilhões de pés cúbicos, uma meia Bolívia, segundo o próprio empresário.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Papéis do setor imobiliário têm isenção de IR

Folha de São Paulo

30/08/2010


 

DE SÃO PAULO

Para viabilizar o financiamento da casa própria, os investimentos em papéis imobiliários tem benefício fiscal.

No caso dos fundos imobiliários, a maioria tem isenção do PIS, da Cofins e do Imposto de Renda incidente sobre o rendimento para a pessoa física -o fundo só recolhe o IR sobre o retorno dos papéis de renda fixa em carteira.

A isenção de Imposto de Renda, porém, só vale para fundos que tenham cota negociada na Bolsa e que distribuam ao cotista pelo menos 95% do resultado de seu caixa, normalmente o recebimento mensal de aluguéis.

Quando a cota do fundo sobe, porém, o investidor paga 20% de IR retido na fonte pelo ganho de capital.

Além dos fundos imobiliários, o investidor pessoa física pode também comprar os CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários), títulos de renda fixa lastreados em dívidas imobiliárias, que também têm isenção de IR.

O problema é que o investimento nos CRI começa em R$ 300 mil.

Vários fundos agora compram os CRI, podendo fracionar o investimento com isenção fiscal para o cotista.

Também têm incentivo tributário as Letras Hipotecárias e as Letras de Crédito Imobiliário, papéis emitidos pelos bancos para captar recursos para financiar a habitação. Os investimentos, porém, são a partir de R$ 50 mil.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

NTN-B de longo prazo tem a menor taxa em três anos

Valor Econômico

25/08/2010

Lucinda Pinto, de São Paulo

O forte apetite dos investidores por ativos de renda fixa, alimentado pela perspectiva de que a economia global seguirá enfraquecida, também foi percebido ontem no mercado brasileiro. E, de forma mais evidente, na oferta de NTN-Bs, títulos públicos atrelados ao IPCA. No leilão realizado ontem pelo Tesouro Nacional, os juros dos títulos de prazo mais longos caíram ao menor nível em mais de três anos, abaixo de 6% ao ano. A última vez que isso ocorreu foi em maio de 2007, quando o Tesouro vendeu o papel com vencimento em 2045 - o mais longo à época - a 5,82%. Ontem, a NTN-B 2050 foi vendida a 5,88%. Os demais prazos também mostraram quedas expressivas de suas taxas em relação à última oferta, como reflexo da demanda crescente por papéis de longo prazo, especialmente de investidores estrangeiros.

Em parte, a maior procura pelos títulos se deve ao fato de ter havido um vencimento grande, de R$ 33 bilhões, de NTN-Bs na semana passada. Mas especialistas enxergam, mais do que isso, um forte fluxo de investidores globais à procura de melhores taxas de retorno, em um momento em que os juros dos Treasuries rompem importantes níveis de suporte.

Essa corrida ganhou corpo quando o Fed decidiu, na reunião do dia 10 de agosto, prosseguir comprando títulos da dívida americana, incluindo as chamadas Tips (papéis atrelados a índices de preços), o que derrubou os juros desses papéis. Desde então, uma série de indicadores econômicos fracos alimenta a queda dos juros dos Treasuries. E, ontem, essas taxas chegaram a níveis históricos, com os dados do setor imobiliário de trabalho alimentando o temor de que os Estados Unidos ingressem em uma nova onda recessiva.

"A queda dos juros dos Treasuries provoca uma onda em cadeia no mundo todo", afirma o economista do J.P. Morgan Julio Callegari. "Hoje, fatores locais têm pouca relevância para a tendência dos juros", explica. O economista diz que há dois fatores impulsionando os investidores na direção dos ativos de renda fixa. O primeiro é o diferencial entre os juros internacionais e o brasileiro, que cresce e torna o ganho potencial para o investidor cada vez maior.

Além disso, existe a percepção de que, se a recuperação da economia americana fraquejar, o resto do mundo vai sofrer o mesmo impacto. "Está claro que não há descolamento, nem mesmo para os países emergentes", diz. Fraqueza da atividade econômica pode significar menos inflação no futuro e, portanto, menos risco de aperto monetário. Esse cenário alimenta o apetite por ativos de juros prefixados em qualquer parte do globo.

Callegari ressalta, entretanto, que a forte queda dos juros não tem como contrapartida uma deterioração de igual intensidade do mercado de ações. As bolsas globais hesitam, mas não têm perdas na mesma proporção. Isso significa que há dúvidas no mercado sobre o risco de um segundo mergulho recessivo do mercado americano. "O comportamento do mercado de equity não sinaliza para um novo colapso global", diz.

Locations of visitors to this page