quinta-feira, 22 de abril de 2010

Como treinar seu dragão

Valor Econômico

22/04/2010

Por Angelo Pavini e Luciana Monteiro, de São Paulo

A alta da inflação neste ano mexe diretamente com o bolso do investidor, corroendo o valor da moeda e das aplicações. Mas, se bem administrada, essa volta do dragão da inflação pode trazer ganhos. Por exemplo: o mercado está dividido tanto sobre o ritmo de alta dos índices quanto sobre a intensidade da reação do Banco Central no contra-ataque aos preços via aumento da taxa de juros. E essas indefinições puxam para cima os ganhos nas taxas prefixadas dos títulos do governo, tornando-os mais atrativos para quem compra papéis diretamente via Tesouro Direto ou via fundos de renda fixa.

A estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano está em 5,32%, conforme o último Boletim Focus. Para o Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M), as projeções apontam para 7,99%. Embora o ritmo não seja galopante, ganhos acima da inflação não serão triviais.

A alta da inflação se acentuou neste começo de ano com pressões pontuais nos setores de serviços e alimentos, mas agora há sinais também de demanda muito aquecida, diz Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria. Apesar de as previsões não serem de uma alta explosiva - a consultoria trabalha com 4,9% para o IPCA deste ano, menos que o mercado -, o índice acima da meta do governo, de 4,5%, obrigará o BC a puxar os juros, hoje de 8,75% ao ano. "A discussão é sobre como será esse ciclo de aperto", diz.

A Tendências esperava alta de 0,5 ponto percentual neste mês e novas puxadas iguais, parando em 2,5 pontos, ou uma Selic de 11,25%. "Mas olhando os números de atividade aumentamos a previsão para 3 pontos, o que daria 11,75%", diz. "E somos relativamente conservadores, há casas trabalhando até com 6 pontos de alta, ou 14,75%."

As projeções do mercado, de uma taxa de juros de 12% para o início de 2012 e de 12,5% para o começo de 2013, já embutem um prêmio de risco considerável, de 3,25 e 3,75 pontos percentuais, respectivamente, diz Alessandra. Especialmente porque a expectativa da Tendências é de que a inflação comece a arrefecer nos próximos meses. Mas o investidor pode ter uma surpresa com um juro maior? Pode, admite ela, mas é pouco provável. "Olhando essas taxas de juros, até seria um ponto interessante para comprar papéis prefixados, pois se a previsão estiver correta e a inflação recuar, o juro deve cair bem", diz.

No curto prazo, haverá o impacto da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), terça e quarta da semana que vem. O mercado espera alta de 0,75 a 1 ponto percentual. "Se sair 0,5 ponto, o mercado vai ficar decepcionado e a curva de juro mais longa pode subir, pois todos vão esperar inflação alta", diz. Nesse caso, será também um bom momento para comprar os papéis mais longos. Se a puxada for de 0,75, as taxas devem ficar iguais. Mas se o Copom aumentar o juro para 9,75%, as taxas mais longas devem sofrer, pois a expectativa será de inflação reprimida de forma mais severa.

Alessandra observa que o mercado discute se o governo vai ser mais leniente com inflação. "Houve mudança na equipe do BC e alguns acham que os funcionários de carreira poderiam ser mais sujeitos à pressão política", diz Alessandra. "Mas essa não é nossa visão", destaca. Para ela, o BC pode buscar "suavizar" os processos, levando em consideração variáveis, como o ambiente pré-eleitoral.

O mercado já puxou para cima as taxas de juros futuras e pode haver um prêmio interessante nas taxas mais longas, para 2011 e 2012, diz Marcelo Mello, vice-presidente da SulAmérica Investimentos. Ele não vê muita atratividade, porém, nos papéis pós-fixados. "Se pegarmos os juros pagos nas NTN-B (corrigidas pelo IPCA) com vencimento em 2012, veremos que, para empatar com o juro prefixado do mesmo prazo, a inflação teria de ser de 5,60% ao ano", diz. Isso significaria que o BC admitiria uma inflação bem acima da meta neste e no próximo ano.

O prêmio dos títulos atrelados à inflação já ocorreu no início do ano, quando as expectativas de preços maiores cresceram. Por isso, papéis como as NTN-B são opções apenas para proteção neste momento e não para o investidor que quer ganhos diferenciados, ressalta Marianna Costa, economista-chefe da Link Investimentos. Por isso, ela aconselha o investidor fazer uma mescla entre títulos de inflação e com juros pós-fixados. "Num cenário de alta de juros, pode ser interessante comprar também papéis que seguem a Selic."

O investidor não deve se deixar levar pelo retorno passado dos títulos ligados à inflação ou mesmo dos fundos multi-índice, pois o ganho adicional que havia já aconteceu, ressalta Marcelo Faria Figueiredo, superintendente de alocação de recursos do Banco Fator. Tanto que muitos gestores que ganharam dinheiro apostando na inflação começam até a se desfazer dessas operações. Ele cita os fundos imobiliários e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) como boas alternativas para quem quer ser proteger da alta de preços e ter ganho real.

Segundo Mello, da SulAmérica, é normal quando começa um período de alta dos juros que o mercado fique confuso e as taxas futuras subam acentuadamente, pois não se sabe como vai ser o impacto das medidas na economia e a estratégia do BC. "Se isso se confirmar, podemos ter hoje uma oportunidade na curva futura", diz. O risco é o BC "ficar atrás da curva", ou seja, correr atrás da inflação e subir menos os juros, o que poderia ser indicado por uma alta de 0,5 ponto. "Mas se a alta for de 1 ponto, os juros longos terão redução forte", diz.

A economia brasileira está bastante aquecida, a despeito do aumento esperado da taxa de juros, diz Otávio Vieira, diretor de investimentos da Safdié Gestão de Patrimônio. Isso significa que há todos os elementos para que a inflação se mantenha pressionada, avalia. Lá fora, a retomada da atividade econômica, ainda que modesta, deve pressionar as commodities. "Imagine quando essas regiões estiveram se expandindo de maneira mais forte." Por isso, acrescenta, é importante prestar atenção ao juro real, pois o Brasil deverá conviver com inflação estrutural mais alta nos próximos anos.

Os títulos atrelados ao IGP-M são os preferidos de Vieira. O problema é que o governo deixou de emitir esses papéis e, mesmo no caso de debêntures, há poucas opções indexadas ao índice. Uma boa opção podem ser os fundos imobiliários, cuja renda para o investidor vem de aluguéis e de uma eventual valorização das cotas.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Wall Street é aqui

Valor Econômico

20/04/2010

Em breve, os investidores brasileiros poderão negociar aqui ações de grandes companhias americanas. Até o fim deste semestre, a Bovespa pretende acertar os últimos ponteiros para a negociação de Brazilian Depositary Receipt (BDRs - recibos de ações de empresas estrangeiras negociados no Brasil) não patrocinados, ou seja, trazidos por instituições financeiras, e não pela própria companhia emissora.

A medida é parte de um projeto maior da Bovespa, de aumentar o leque de produtos de renda variável. Além dos BDRs, serão criados formadores de mercado ( " market makers " ) para opções tanto do Índice Bovespa quanto das principais ações do referencial. No mercado de opções, o investidor negocia o direito de compra ou venda de um ativo por um determinado preço em uma data futura. O terceiro projeto são novos fundos de índice com cotas negociadas em bolsa (ETF, na sigla em inglês).

Nos três casos, a bolsa vai abrir concorrência para escolher a instituição financeira que vai tocar o produto. Tanto nos ETFs quanto nos BDRs, ganha quem garantir o maior volume de negócios. Já no caso dos formadores de mercado, ganha a instituição que se comprometer com o maior volume e a menor diferença de preço ( " spread " ) entre as ofertas de compra e de venda.

As negociações dos BDRs são as mais adiantadas. Cada instituição trará um pacote com dez empresas diferentes para serem negociadas. O primeiro acordo já está fechado e será divulgado em breve, disse ao Valor o diretor de renda variável da BM&FBovespa, Júlio Ziegelmann, que não quis revelar o nome do parceiro. Nesse primeiro acordo não houve concorrência, uma vez que a instituição ajudou a bolsa a estruturar a negociação, assim como ocorreu com a banco Barclays na montagem dos primeiros ETFs.

O plano é trazer apenas BDRs de companhias americanas. Sem adiantar nomes, Ziegelmann afirma que a primeira instituição financeira trará BDRs de empresas conhecidas na bolsa dos EUA. Isso pode significar a entrada no Brasil de ações como General Electric (GE), Coca-Cola, Pepsi, Microsoft, Dell, McDonald " s, Exxon, Wal-Mart, Johnson & Johnson e Hewlett-Packard (HP), todas listadas no Índice Dow Jones.

Pelas regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), como os papéis virão por intermédio de instituições financeiras representantes e não pelas próprias companhias emissoras, eles poderão ser negociados apenas por instituições financeiras, fundos de investimento, administradores de carteira e consultores de valores mobiliários autorizados pela CVM em relação aos seus próprios recursos. As pessoas físicas poderão aplicar indiretamente, a partir do momento que tiverem recursos aplicados em fundos que comprarem os BDRs.

Para Ziegelmann, esses BDRs são uma forma das gestoras de recursos de terceiros aumentarem as aplicações no exterior, algo que a CVM já permite para alguns tipos de fundos de investimentos, mas que ainda está começando. " Muitos desses ges-tores ainda não usaram esse benefício porque é custoso e complicado aplicar fora do país, mas isso muda de figura a partir do momento que eles poderão aplicar sem sair da Bovespa " , diz o diretor. Os fundos multimercados, por exemplo, podem alocar até 20% do patrimônio líquido no exterior e os de renda fixa, até 10%. Já os fundos para cotistas com aplicação mínima de R$ 1 milhão podem investir até 100% do patrimônio fora do Brasil.

Até hoje, com exceção da espanhola Telefónica, do argentino Banco Patagônia e da suíça Dufry o que existe na Bovespa são BDRs de companhias com atividades no Brasil, mas com sede em paraísos fiscais. Entre eles estão os BDRs da Cosan Limited, Laep, GP Investments e Wilson Sons. Ziegelmann afirma que já existem outras instituições financeiras interessadas em trazer os BDRs americanos.

Já com relação ao projeto sobre formadores de mercado de opções, o Índice Bovespa à vista será o primeiro a ter essa figura. Segundo Ziegelmann, a bolsa decidiu começar pelo índice já que, depois das opções de Petrobras e Vale, essas são as mais líquidas, mas ainda assim precisam ganhar um pouco mais de liquidez. O mercado de opções brasileiro é o quarto maior do mundo, mas concentrado em Petrobras e Vale. As opções dessas duas companhias são as duas mais negociadas do mundo. No entanto, depois delas só aparecem no ranking opções de ações e de ETFs de outros países.

O formador de mercado é um agente contratado para garantir um mínimo de negócios, assegurando que o investidor encontrará comprador e vendedor para os ativos quando quiser negociá-los. Depois do Ibovespa, a bolsa pretende conquistar formadores de mercado para as opções das dez ações com maior liquidez no índice depois de Vale e Petrobras.

Entre elas, estão os papéis da própria BM&FBovespa, Itaú Unibanco, Gerdau, Bradesco, Usiminas e CSN. Para diluir os riscos, a ideia é ter três formadores de mercado para cada uma das opções e com um contrato de um ano. O aumento de liquidez deve beneficiar especialmente as pessoas físicas, já que elas respondem por cerca de 60% de todo o volume de opções. Os formadores de mercado terão isenção de emolumentos (taxa cobrada pela Bovespa) sobre essas operações. Além do formador de mercado, a bolsa também vai oferecer operações " empacotadas " que trazem opções do mercado à vista e do Ibovespa futuro (conhecidas como operações de volatilidade), geralmente montadas pelas corretoras.

Sobre os fundos de índices (os ETFs), o próximo a ser criado será do Índice Financeiro (IFNC). Existem hoje seis ETFs criados pelo Barclays, além do fundo Papéis Índice Brasil Bovespa (PIBB), administrado pelo Itaú Unibanco. As instituições terão três anos de exclusividade na negociação e podem cobrar uma taxa máxima de administração de 0,75% ao ano. O objetivo, segundo Ziegelmann, é ter dez novos ETFs até o fim do ano. A bolsa, juntamente com a CVM, está trabalhando para mudar a regra, permitindo a negociação de fundos de índices estrangeiros. O diretor da bolsa lembra que, no México, por exemplo, existem 150 ETFs, sendo a maioria do mercado americano. Nos EUA, os ETFs representam 25% do volume total da bolsa, enquanto que no Brasil são menos de 0,5% do giro do pregão.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Bolsa registra recorde em negociação de ETFs

Valor Econômico

13/04/2010

De São Paulo

O volume negociado com os Exchange Traded Funds (ETFs, fundos de índices que negociam cotas em bolsa) superou pela primeira vez a marca de R$ 80 milhões na BM&FBovespa.

Esses fundos montam suas carteiras de acordo com os índices de mercado, o que faz com que suas cotas sigam de perto a variação dos referenciais. No pregão de sexta-feira, foram negociadas 978,9 mil cotas, num total de 758 negócios, o que somou R$ 84,44 milhões. O recorde anterior havia sido registrado em 21 de janeiro deste ano, no valor de R$ 69 milhões.

Os fundos de índice negociados em bolsa são muito populares no mercado internacional e têm sido o veículo preferido dos estrangeiros para investir nos mercados emergentes. Ao comprar uma cota desses fundos, é como se o investidor estivesse adquirindo um pequeno clone de um indicador, com a vantagem de não precisar adquirir cada papel na quantidade exigida pelo referencial.

Os investidores estrangeiros foram os que mais negociaram os fundos de índice. Segundo dados da BM&FBovespa, esses aplicadores responderam por 46,8% das operações com ETFs realizadas na sexta-feira. Em seguida, ficaram os investidores institucionais, com 38,4%. As instituições financeiras representaram fatia de 10,4%. Já as pessoas físicas, 4,2%. Empresas públicas e privadas somaram 0,2%.

Outra marca histórica foi atingida pelo fundo Papéis Índice Brasil Bovespa (PIBB). A negociação dessas aplicações chegou a R$ 52,19 milhões, com a transação de 522 mil cotas ao preço médio de R$ 99,98. O recorde anterior, no valor de R$ 46,16 milhões, com negociação de 490,9 mil cotas, ao preço médio de R$ 94,05, foi registrado em 19 de dezembro de 2007. Criado pelo BNDES em parceria com o Itaú em julho de 2004, o PIBB reproduz o Índice Brasil 50, composto pelas 50 ações mais negociadas da bolsa ponderadas por seu valor de mercado.

Além do PIBB, são negociados na BM&FBovespa outros seis ETFs: Bova11, que é referenciado no Índice Bovespa; Smal11, que segue o Índice Small Cap; Mila11, que acompanha o desempenho do Índice MidLarge Cap; Brax11, referenciado no IBrX-100; Csmo11, que segue o indicador de Consumo; além do Mobi11, que busca acompanhar a variação do Índice Imobiliário.

Sem contar os negócios com o PIBB, os demais ETFs registraram volume financeiro na sexta-feira de R$ 32,19 milhões (no caso do Bova11), R$ 11,35 mil (Smal11), R$ 4,50 mil (Brax11) e R$ 55,70 mil (Csmo11).

No mês de março, o número de negócios realizados com os ETFs registrou alta ante fevereiro. Foram realizados 12.428 negócios - acima dos 9.762 de fevereiro. O volume financeiro registrado pelos sete fundos de índices chegou a R$ 582,54 milhões ante R$ 445,89 milhões no mês anterior. (LM)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Com alta da Selic, rentabilidade volta a melhorar

Folha de São Paulo

12/04/2010

DA REPORTAGEM LOCAL

O mercado trabalha com a expectativa de que a taxa básica Selic começará a ser elevada a partir da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do mês. Hoje em 8,75% ao ano, a Selic deve chegar, segundo as projeções dos bancos, a pelo menos 11,25% no fim de 2010.

Para os fundos DI, tal movimento irá representar a recuperação de parte de sua atratividade perdida.

No fim de 2002, a taxa básica Selic alcançou 22%. Naquele ano, os fundos DI respondiam por praticamente o dobro de sua representatividade atual, chegando a deter 25% do total do mercado. Hoje são 13,32%.

Esse movimento demonstra que, nos momentos de juros mais elevados, os investidores ficam mais dispostos a aplicar nos fundos DI.

"Trabalho com a taxa Selic a 11,75% no fim do ano. Sem dúvida, o investidor de DI vai sentir uma melhora na rentabilidade", diz Aquiles Mosca, estrategista do Santander Asset.

A divulgação do resultado do IPCA de março -índice de preços que serve para monitorar a meta de inflação-, que ficou em 0,52%, acima das projeções, fortaleceu o cenário de alta dos juros. Se a inflação ameaça a meta do governo, que é de 4,5%, o Copom eleva os juros para evitar o descontrole de preços.

O resultado de março fez com que o IPCA acumulado em 12 meses alcançasse 5,17%, maior percentual desde maio de 2009. Além da pressão acumulada, março representou o quinto mês de elevação do índice, que está, desde janeiro, acima do centro da meta.

"A alta da inflação no primeiro trimestre tem componentes pontuais, como o impacto de problemas climáticos sobre alguns preços, mas tem também pressões importantes derivadas do aquecimento da demanda doméstica", afirmou, em relatório, Maristella Ansanelli, economista-chefe do banco Fibra. Para ela, o IPCA deve registrar alta de 5,3% neste ano. Ou seja, vai ficar acima do centro da meta do governo.

Para Eduardo Otero, economista da UM Investimentos, caso os indicadores de inflação corrente e as expectativas do mercado para 2011 piorem até a reunião do Copom, a taxa Selic deve ser elevada neste mês em 0,75 ponto percentual. (FV)

Cenário bom para dividendos

Jornal da Tarde

12/04/2010

Distribuição de lucros pelas empresas foi magra em 2009 mas, para este ano, a perspectiva é boa

Paulo Darcie

Muitos investidores novatos no mercado de ações não sabem que há outra forma de lucrar, além da mais conhecida, por meio da valorização dos papéis e sua posterior venda: formar uma carteira que renda dividendos.

Trata-se da divisão, entre os acionistas, do lucro obtido pela empresa . Em 2009, empresas listadas na BM&FBovespa repartiram entre acionistas R$ 66,93 bilhões, ante R$ 64,04 bilhões em 2008.

Os dividendos, porém, poderiam ter sido melhores, diz o professor de economia da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Tarcísio Souza Santos. "Em geral, não foi um ano de bons lucros, muitas empresas distribuíram pouco para formar caixa."
As perspectivas para 2010, no entanto, são mais otimistas. "Com a recuperação das empresas nesse ano, os dividendos devem ser significativamente maiores", diz o professor de finanças da Faculdade de Administração da USP, Rafael Paschoarelli.

As empresas listadas na BM&F Bovespa são, por lei, obrigadas a dividir entre seus acionistas ao menos 25% do lucro anual. A fatia é definida pelo estatuto da empresa. De acordo com o professor da Faap, o montante depende do estágio de desenvolvimento que a empresa se encontra e de sua política. "Empresas mais novas, em geral, reinvestem o lucro em projetos de expansão", explica. "Empresas já consolidadas, que não têm necessidade de grandes investimentos, podem dividir uma parcela maior dos lucros."

Por isso, explica o analista sênior da Corretora Tov, Julio Mora, as empresas de serviços, principalmente as de geração de energia, são boas pagadoras. "As carteiras de dividendos são compostas praticamente de elétricas. Elas chegam a repartir mais de 90% dos lucros", afirma.

Há casos, porém, como de Petrobrás e Vale, que, apesar de serem sólidas, e até mesmo terem papéis muito valorizados, precisam investir muito em expansão, por isso não destinam grandes porcentuais de seus lucros para os seus acionistas.

Mesada

O pagamento pode ser feito a cada ano ou em intervalos menores, conforme estipulado no estatuto da empresa. Na montagem de suas carteiras, diz o professor Paschoarelli, da USP, investidores procuram ações que paguem dividendos em diferentes meses do ano, assim garantem uma renda mensal. "Bancos como Bradesco e Itaú Unibanco pagam bem e mensalmente", conta ele.

Mas o sucesso do investimento, no entanto, depende também do preço da ação: uma vez que o dividendo é fixo por papel, quanto mais ações tiver, mais ele recebe. Ações caras, neste caso, podem não ser bom negócio para o pequeno investidor, aconselha o analista sênior da Tov, Julio Mora.

"É recomendado que os iniciantes não foquem seus investimentos especificamente em dividendos, mas sim em empresas com bom fundamento, potencial de valorização das ações e, como consequência, ele acaba aproveitando os dividendos", diz Mora.

Ganho com operação é considerado não tributável

O capital obtido com dividendos, para fins fiscais, é considerado rendimento não tributável. "Trata-se da divisão do lucro líquido, que foi feita depois da empresa ter deduzido os impostos, por isso é isento de tributação", afirma Sebastião Gonçalves, do Conselho Regional de Contabilidade

Além dos dividendos, as empresas de capital aberto podem optar por dividir seus lucros na forma de juros sobre capital próprio. Em tese, trata-se da recompensa que o financiador externo - no caso o acionista - recebe por assumir o custo de oportunidade do negócio, e é deduzido como despesa financeira da empresa, portanto, tributada na fonte.

Para o acionista, a única diferença está no preenchimento da declaração do Imposto de Renda: os juros sobre o capital próprio são incluídos como rendimentos tributados exclusivamente na fonte, e o valor recebido deve aparecer no campo específico para isso. Somados, juros e dividendos são isentos até R$ 40 mil por ano.

Toda atenção é pouca na hora da escolha

Ao escolher ações visando lucro com os dividendos, o investidor não deve olhar apenas o montante distribuído pela companhia. "O valor que o acionista recebe por cada papel é fixo, determinado depois de calculado o lucro líquido da empresa", explica a analista chefe da corretora Spinelli, Kelly Trentin. No ano passado, segundo levantamento feito pelo Instituto Assaf, foi pago, em média, R$ 1,28 por ação no País, valor 52% superior ao de 2008.

Uma vez conhecido o preço das ações e o dividendo pago por cada uma delas, calcula-se o índice chamado divdend yield (DY), que reflete qual o porcentual do papel pago como provento. Por exemplo, caso uma ação custe R$ 10 e receba R$ 1, seu DY será de 10%. O índice serve de ferramenta na busca por boas oportunidades. "Ele é calculado depois da divisão dos lucros, serve para orientação", diz Kelly. Nesse indicador se destacam as elétricas, exemplo dos papéis preferenciais da Eletropaulo, que tiveram DY de 17,52% em 2009.

Outro ponto a ser observado é o tipo da ação: uma mesma empresa pode ter ordinárias (ON) ou preferenciais (PN). Segundo as regras da Bovespa, as ON dão ao seu proprietário o direito de voto nas assembleias da corporação, enquanto as PN não dão. "Por isso ela tem preferência na divisão dos lucros", explica o professor de finanças da Faculdade de Administração da USP, Rafael Paschoarelli. Pelas regras, os donos de PNs devem ter ao menos uma das vantagens: receber, por cada papel, valor 10% maior do que o atribuído à ON ou receber DY mínimo de 3% do valor líquido da ação.

Segundo os especialistas, as PN são melhores pagadoras, mas não se trata de uma regra, pois este ganho dependerá da diferença de preço entre ON e PN, além da quantidade de cada um dos tipos de papéis no mercado. "Há ainda empresas do Novo Mercado, que não emitem PN", ressalta Kelly.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Os ricos também choram

EUA: Só em fevereiro, mais de 300 imóveis milionários foram a leilão

Dívidas ameaçam casas de ricaços americanos


 

Craig Karmin e James Hagerty, The Wall Street Journal

09/04/2010

Os ricos e famosos dos Estados Unidos têm agora algo em comum com centenas de milhares de americanos das classes média e baixa: o banco está prestes a confiscar a casa deles.

Casas com financiamentos de US$ 5 milhões ou mais devem apresentar um forte aumento nas ações de execução judicial este ano, segundo um estudo da RealtyTrac para o Wall Street Journal.

Esta semana, uma mansão Tudor em Los Angeles que pertence ao astro do cinema Nicolas Cage foi colocada em leilão e revertida para o banco. Na quarta-feira, Richard Fuscone, que já foi diretor de América Latina da Merrill Lynch, declarou concordata pessoal, impedindo um leilão que havia sido programado esta semana de sua mansão de 6 hectares em Westchester, no Estado de Nova York. No mês passado, um apartamento em Manhattan do produtor italiano de cinema Vittorio Cecchi Gori foi vendido num leilão de retomada judicial por US$ 33,2 milhões.

Só em fevereiro, 352 casas nessa categoria estavam programadas para ir a leilão na etapa imediatamente anterior à tomada pelo banco. É o maior número mensal das chamadas "notificações de venda" desde que a crise financeira começou. Em 2009 todo foram 1.312 notificações dessas.

Economistas dizem que os super-ricos estão entre os últimos a perder suas casas numa crise hipotecária porque normalmente têm grandes poupanças, melhor acesso a crédito e outros meios de evitar a perda do imóvel. Mas muitos deles trabalham no setor financeiro e em outros setores afetados pela crise e viram sua fortuna encolher com a queda do mercado.

Embora os números sejam modestos em comparação com as retomadas judiciais em outras faixas de renda, eles sugerem a possibilidade de um súbito aumento na tomada pelos bancos das propriedades dos americanos mais ricos. Normalmente metade das notificações de venda resultam na devolução do imóvel aos credores.

Os grandes tomadores de empréstimos têm mais chance de ficar inadimplentes do que as pessoas comuns, segundo dados da First American CoreLogic. O banco de dados de financiamentos dela, que reflete mais de 80% do mercado de crédito imobiliário, inclui 1.700 empréstimos com saldos de US$ 4 milhões ou mais. Sam Khater, um economista da First American, diz que os maiores tomadores podem estar mais propensos a parar de fazer pagamentos quando o preço do imóvel fica igual ou menor o valor da dívida.

Fuscone pôs sua mansão à venda em novembro, pedindo US$ 13,9 milhões. Mas ele não conseguiu encontrar um comprador que pagasse isso. O banco havia programado um leilão ontem da mansão de 1.700 metros quadrados - com duas piscinas, dois elevadores, seis lareiras, onze banheiros e uma garagem para sete carros. Um pedido de concordata pessoal feito quarta congela temporariamente o processo de retomada judicial. Fuscone se negou a comentar.

O fenômeno não é limitado à região de Nova York. Os bancos retomaram casas com financiamentos de US$ 5 milhões ou mais nos Estados da Geórgia, Carolina do Norte e Colorado, informa a RealtyTrac.

Cage havia tentado vender sua propriedade de 1.100 metros quadrados em Bel Air, em Los Angeles, por US$ 35 milhões, mas não conseguiu nenhuma oferta, segundo James Chalke, agente imobiliário que cuidava da oferta. Na quarta, o banco credor pediu US$ 11 milhões no leilão pré-retomada judicial, mas não conseguiu oferta e ficou com o imóvel. O ator também disse que não comentaria.

Um representante de Checchi Gori, produtor de mais de 200 filmes, entre eles "O Carteiro e o Poeta" e "A Vida É Bela", disse que situação financeira dele está melhorando.

Na região de Miami e do Condado de Dade, os três maiores processos de retomada judicial iniciados contra casas nos últimos seis meses envolveram uma casa de 430 metros quadrados nas Ilhas Sunset; uma casa de 784 metros quadrados em Coral Gables; e um apartamento em Miami Beach, segundo Peter Zalewski, um diretor da Condo Vultures. Todos os três tinham hipotecas de US$ 3,5 milhões a US$ 4 milhões.

A inadimplência nas hipotecas começou a aumentar no fim de 2006, sobretudo entre tomadores com os chamados financiamentos subprime, para pessoas com histórico de crédito ruim e alto endividamento em relação à renda.

Nos anos seguintes a inadimplência se espalhou para tomadores de maior renda, especialmente os que conseguiram empréstimos sem documentar sua renda. No fim de 2009, quase 8 milhões de residências, ou 15% das que têm hipotecas, estavam com pagamentos em atraso ou em processo de retomada judicial. Os ricos têm meios de rolar o processo de retomada, às vezes por anos. "É muito difícil para essas pessoas acreditar que tiveram tamanha reversão da fortuna", diz Maggie Navarro, corretora em Pasadena, Califórnia. (Colaborou Nick Timiraos)

Opções para investir na renda fixa

Jornal do Brasil

09/04/2010

Analistas indicam até mesmo os papéis prefixados, que estão pagando 12,75% ao ano

Adriana Diniz

 A perspectiva de aumento da taxa básica de juros (Selic), dos atuais 8,75% ao ano para pelo menos 9,25% ainda em abril, podendo chegar a 12% no final do ano, está fazendo com que aplicações em renda fixa voltem a ser mais atraentes que a poupança.

Entre as opções mais vantajosas do momento, segundo analistas, estão títulos do Tesouro Nacional, fundos de renda fixa e Certificados de Depósito Bancário (CDB) contratos com rendimento preestabecido.

O investidor, no entanto, deve avaliar prazo, rentabilidade e risco antes de apostar em qualquer aplicação.

Segundo o superintendente de alocação de recursos da Corretora Fator, Marcelo Figueiredo, os fundos de renda fixa podem ter até 50% de títulos privados, inclusive de pequenas instituições, com maior risco de falência.

Ele alerta que o investidor deve checar o regulamento, a composição da carteira e o número de cotistas antes de optar por uma aplicação como esta.

A consulta pode ser feita no site da Comissão de Valores Mobiliários (www.cvm.gov.br).

O economista e consultor da Projeção.com, Ricardo Borges, alerta ainda que uma parte do dinheiro aplicado num fundo fica parada, fora de qualquer aplicação, para garantir liquidez de possíveis retiradas, o que muito investidor não sabe e que tem impacto negativo na rentabilidade.

Para Ricardo Borges, uma boa alternativa são os títulos públicos do Tesouro Nacional.

Com a possibilidade de alta da Selic, vários papéis pós-fixados e até prefixados estão com rentabilidade bem atraentes.

O rendimento dos títulos é imbatível. Tem papel prefixado com vencimento em 2013 que está com rendimento de 12,75%. Além disso, são líquidos, seguros e têm taxas administrativas mais baratas que dos fundos explica Borges.

Os títulos públicos podem ser comprados por pessoas físicas, pelo site Tesouro Direto (www.tesouro.fazenda.gov.br) com investimentos a partir de R$ 150. O programa de venda direta foi desenvolvido pelo Tesouro Nacional em parceria com a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), justamente para facilitar e estimular os investimentos nos papéis públicos.

Para investir, é preciso se cadastrar num corretora, que cobra taxas em torno de 0,5%, enquanto as taxas dos fundos estão na média de 0,93%. O site oferece simulações e análise de perfil de cada investimento.

Muita gente não investe porque não sabe que existe ou acha que não vai entender, mas é bem fácil aprender.

O site dá todas as ferramentas, ressalta Borges.

Já os Certificados de Depósito Bancário (CDB) títulos emitidos pelos bancos devem ser avaliados de acordo com o que a instituição financeira está oferecendo. É preciso lembrar ainda que são investimentos de médio e longo prazo, já que muitos não permitem saque antecipado.

De acordo com estudo da Pro Teste (Associação de Consumidores), se o investidor permanecer com o CDB por um período inferior a seis meses, o título deve pagar no mínimo 93% do CDI taxa interbancária baseada na Selic. Caso contrário, devido aos gastos com Imposto de Renda, vale mais a pena investir na poupança. Seguindo a mesma lógica, para investimentos de um ano, CDBs vantajosos devem pagar, no mínimo 90% do CDI; 87% para até dois anos e 85% a partir de dois anos.

É possível aplicar a partir de R$ 100. Quem dispõe de valor maior consegue melhores taxas de rendimento, observa o gestor de renda fixa da Prime Corretora, Pedro Breves.

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