Adriana Cotias
Valor Econômico
27/8/2008
Enquanto as Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B, atreladas ao IPCA) apresentaram perdas consideráveis com o aumento da Selic em dose maior do que o mercado esperava em julho, os prefixados tiveram ganhos para lá de convidativos. A Nota do Tesouro Nacional série F (NTN-F, papel pré que paga juros semestralmente) com vencimento em 2017 rendeu 6,04%. Mesmo a Letra do Tesouro Nacional (LTN) com resgate mais curto, em janeiro de 2010, teve um retorno nada desprezível para um único mês: de 1,52%.
Isso ocorreu porque quando o Comitê de Política Monetária (Copom) elevou o juro básico em 0,75 ponto percentual - acima do 0,50 ponto dos encontros anteriores -, para 13% ao ano, as projeções de juros mais longas caíram e, com isso, os preços dos papéis subiram no mercado secundário. "Com a alta maior agora, ficou a percepção de que lá na frente será necessário menos juros para conter a inflação", diz Paulo Certain, gestor de Renda Fixa da Unibanco Asset Management (UAM). Quem comprou pré longo antes do ajuste acabou embolsando o retorno melhor.
Para Certain, os prefixados com prazos mais longos têm gordura para queimar e, portanto, ainda têm retornos atrativos. "Se o investidor comprar esses papéis para os próximos seis meses ou um ano, a rentabilidade efetiva ficará em função somente da política monetária." Assim, se o aplicador levar a aplicação até o vencimento, não há chance de perda de capital. Mas se a Selic subir além do inicialmente previsto, ele terá uma perda em relação ao custo de oportunidade, ou seja, o que ele ganharia se tivesse aplicado pela nova taxa mais alta.
Apesar de os retornos dos prefixados encherem os olhos, as taxas implícitas nos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DI) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) - mais elevadas do que a Selic projetada para a virada de 2009 para 2010, em 14% (Focus) - sinalizam que correr risco puro de taxa de juros é só para os corações mais fortes, adverte o diretor de Tesouraria do Banif Banco de Investimentos, Rodrigo Boulos. "O investidor precisa ter outros recursos para liquidez, porque se precisar do dinheiro no meio do caminho, pode não ter uma saída feliz por causa da marcação a mercado (o ajuste do valor dos títulos aos juros)", diz. "Na NTN-B, a queda no cupom (a taxa pré além da inflação) pode ser compensada com a inflação mais alta, há uma certa proteção, enquanto no prefixado a perda fica mais evidente."
A recente queda das commodities e a atuação austera do BC cumpriram o papel de conter as pressões sobre os preços, o que significa que o pico de alta talvez tenha ficado para trás, afirma o diretor da corretora Interfloat Roberto Lombardi. "Se o investidor acredita que o repique inflacionário passou, é recomendável caminhar para os prefixados." Ele não sugere papéis muito longos, mais suscetíveis às variações no secundário, e prefere as Letras do Tesouro Nacional (LTN), prefixadas, com resgate em até dois anos. O título com vencimento em janeiro de 2010 garantia ontem um retorno de 14,81%.
Com o aumento da instabilidade no mercado acionário, os títulos públicos passaram a ser uma opção para o investidor típico da bolsa diz Jansen da Costa, da Ativa Corretora, que percebeu neste ano o aumento da procura por quem nunca tinha investido no Tesouro Direto. "É uma forma de o aplicador fugir das altas taxas de administração cobradas pelos bancos nos fundos de investimentos"
Ele lembra, porém, que um dos aspectos inconvenientes do Tesouro Direto é que o investidor sempre estará negociando com o próprio governo, dada a ausência de um mercado secundário, especialmente para a pessoa física. Quando precisa de liquidez, o aplicador depende das recompras semanais do Tesouro, realizadas às quartas-feiras. E quando há eventos como o Copom, as negociações são interrompidas. "O mercado de renda fixa acabou se limitando a um perfil de investidor mais profissional", diz.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Juros e comemoração dos brasileiros
Artigo - Alexandre Marinis
Valor Econômico
15/8/2008
Você financiaria uma geladeira a uma taxa de juros de 57%? E que tal passar 12 meses pagando por uma única torradeira? Está no cheque especial? Prepare-se para pagar juros a uma taxa anual de 159%. Os brasileiros se envolvem nessas transações insensatas a cada dia. Mesmo os mais educados e melhor versados na arte de ganhar e gastar dinheiro podem ser seduzidos a comprar uma TV de tela plana de 50 polegadas numa promoção de vendas que promete o mesmo preço de US$ 3 mil, independente de você pagar pelo aparelho à vista ou em 12 prestações mensais. Não importa que os custos dos juros estejam embutidos no negócio.
O Brasil possui uma taxa de juros anual real (ajustada à inflação) de quase 7%, uma das mais altas do mundo. Se pensarmos nisso, perceberemos que uma TV paga à vista hoje não pode custar o mesmo que outra financiada em 12 meses. Quanto ao adiamento da satisfação, os brasileiros não querem nem saber disso. Eles preferem comprar hoje e pagar amanhã. Além disso, enquanto a prestação couber no contracheque mensal, para que se preocupar com cobrança de juros, certo?
A ignorância financeira é um dos motivos para o combate à inflação ser tão complexo e custoso. Se os consumidores se comportam como se as taxas de juros não fossem importantes, a demanda agregada se torna menos sensível à política monetária ou leva mais tempo para reagir às alterações na política. O índice anual de preços no varejo no Brasil dobrou, de 3% em março de 2007, para 6,1% em junho. Isso levou o Banco Central a elevar a taxa de juros referencial Selic em 175 pontos-base desde setembro, para 13%. O país já possui a quarta taxa básica nominal de juros mais alta do mundo entre as 52 taxas de bancos centrais monitoradas pela Bloomberg, atrás apenas da Venezuela (23%), Turquia (16,75%) e Islândia (15,5%). São esperados aumentos de taxa adicionais. No fim de julho, autoridades do BC disseram que atuarão "vigorosamente" para controlar a inflação.
Fazer a inflação retornar à sua meta anual de 4,5% pode se revelar uma tarefa desencorajadora, especialmente se os consumidores desprezam os custos dos juros e se as autoridades do governo fora do Banco Central continuam pressionando por mais crédito a custo menor. Em junho, o total de créditos em aberto atingiu um recorde de R$ 1,1 trilhão (US$ 680 bilhões), ou 37% do PIB do Brasil. Esse número pode parecer baixo, especialmente num momento em que o crédito supera os 60% do PIB nos EUA, México e Chile. Apesar disso, esses países desenvolveram sistemas de financiamento para a compra da casa própria, ao passo que o financiamento residencial no Brasil praticamente nem decolou.
O uso de financiamento imobiliário para a compra da casa própria só está começando, mas já há sinais de apetite insaciável por crédito
A quantidade de crédito no Brasil continuou se expandindo a taxas anuais de mais de 30%, mesmo depois de o Banco Central ter começado a aumentar as taxas de juros. A expansão não cessou mesmo depois de o governo ter instituído algumas medidas que não foram especificamente dirigidas para frear o crédito, mas que mesmo assim podem ajudar. Em janeiro, na tentativa de reaver receita perdida depois de o Congresso ter abandonado a cobrança de um imposto de 0,38% que incidia sobre saques bancários, o governo dobrou o tributo chamado IOF sobre empréstimos bancários, de 1,5% para 3,38%. Naquele mesmo mês o governo brasileiro também impôs uma exigência de reserva mais elevada sobre operações de leasing, numa medida que deverá enxugar até R$ 40 bilhões de liquidez do mercado, mas que não conseguiu conter a expansão do crédito.
A economia brasileira está se expandindo a uma taxa anual de quase 6% e os consumidores continuam comprando a um ritmo ainda mais acelerado. As vendas anuais no varejo cresceram em mais de 19% desde janeiro e não dão sinais de moderação. As vendas de automóveis novos atingiram um recorde no primeiro semestre de 2008 e ficaram quase 30% acima do resultado no mesmo período do ano anterior. O uso de financiamento imobiliário para a compra da casa própria só está começando, mas os sinais do apetite insaciável dos brasileiros por crédito já estão claros. Empréstimos a pessoas que compram moradias ainda correspondem a apenas R$ 3,1 bilhões, mas a taxa de crescimento é espantosa: 89% nos 12 meses passados, de acordo com o BC.
Se, por um lado, a inflação acelera e os consumidores não demonstram nenhum comedimento, o governo, por sua vez, está preocupado com a possibilidade de que qualquer providência que venha a tomar para conter o crédito, além dos aumentos nos juros, produzirá uma desaceleração econômica antes das eleições municipais de outubro. O controle das pressões inflacionárias, portanto, recaiu quase inteiramente sobre o Banco Central. Além disso, deixar a moeda se apreciar contra o dólar não é mais uma opção tão boa como foi no passado. As contas externas do Brasil estão se deteriorando. O superávit anual na balança comercial despencou, indo de US$ 48 bilhões no ano anterior, para US$ 31 bilhões em junho, e a conta-corrente ficou deficitária pela primeira vez desde 2003.
Provavelmente os brasileiros aprenderão a sua lição da forma mais difícil. Eles continuarão comprando e tomando crédito adicional até que a inflação tenha erodido os seus rendimentos a ponto de terem de escolher entre comprar pão ou pagar a próxima parcela da torradeira. O derradeiro recurso antes do calote nas prestações da loja será tomar crédito caro de curto prazo. A extensão de crédito a pessoas que entraram no cheque especial - os que pagam aquela taxa anual de 159% - aumentou 8,1% em junho na comparação com o ano anterior. Dinheiro emprestado a portadores de cartão de crédito aumentou ainda mais: 18%.
Mas o crédito de curto prazo não está surtindo efeito. De todas as pessoas que tomaram emprestado para comprar produtos, 14% já não conseguem quitar os seus empréstimos, numa elevação de 12% ante março, de acordo com o Banco Central. Acho melhor parar de pensar naquela TV de tela plana.
Alexandre Marinis é colunista da "Bloomberg News".
Valor Econômico
15/8/2008
Você financiaria uma geladeira a uma taxa de juros de 57%? E que tal passar 12 meses pagando por uma única torradeira? Está no cheque especial? Prepare-se para pagar juros a uma taxa anual de 159%. Os brasileiros se envolvem nessas transações insensatas a cada dia. Mesmo os mais educados e melhor versados na arte de ganhar e gastar dinheiro podem ser seduzidos a comprar uma TV de tela plana de 50 polegadas numa promoção de vendas que promete o mesmo preço de US$ 3 mil, independente de você pagar pelo aparelho à vista ou em 12 prestações mensais. Não importa que os custos dos juros estejam embutidos no negócio.
O Brasil possui uma taxa de juros anual real (ajustada à inflação) de quase 7%, uma das mais altas do mundo. Se pensarmos nisso, perceberemos que uma TV paga à vista hoje não pode custar o mesmo que outra financiada em 12 meses. Quanto ao adiamento da satisfação, os brasileiros não querem nem saber disso. Eles preferem comprar hoje e pagar amanhã. Além disso, enquanto a prestação couber no contracheque mensal, para que se preocupar com cobrança de juros, certo?
A ignorância financeira é um dos motivos para o combate à inflação ser tão complexo e custoso. Se os consumidores se comportam como se as taxas de juros não fossem importantes, a demanda agregada se torna menos sensível à política monetária ou leva mais tempo para reagir às alterações na política. O índice anual de preços no varejo no Brasil dobrou, de 3% em março de 2007, para 6,1% em junho. Isso levou o Banco Central a elevar a taxa de juros referencial Selic em 175 pontos-base desde setembro, para 13%. O país já possui a quarta taxa básica nominal de juros mais alta do mundo entre as 52 taxas de bancos centrais monitoradas pela Bloomberg, atrás apenas da Venezuela (23%), Turquia (16,75%) e Islândia (15,5%). São esperados aumentos de taxa adicionais. No fim de julho, autoridades do BC disseram que atuarão "vigorosamente" para controlar a inflação.
Fazer a inflação retornar à sua meta anual de 4,5% pode se revelar uma tarefa desencorajadora, especialmente se os consumidores desprezam os custos dos juros e se as autoridades do governo fora do Banco Central continuam pressionando por mais crédito a custo menor. Em junho, o total de créditos em aberto atingiu um recorde de R$ 1,1 trilhão (US$ 680 bilhões), ou 37% do PIB do Brasil. Esse número pode parecer baixo, especialmente num momento em que o crédito supera os 60% do PIB nos EUA, México e Chile. Apesar disso, esses países desenvolveram sistemas de financiamento para a compra da casa própria, ao passo que o financiamento residencial no Brasil praticamente nem decolou.
O uso de financiamento imobiliário para a compra da casa própria só está começando, mas já há sinais de apetite insaciável por crédito
A quantidade de crédito no Brasil continuou se expandindo a taxas anuais de mais de 30%, mesmo depois de o Banco Central ter começado a aumentar as taxas de juros. A expansão não cessou mesmo depois de o governo ter instituído algumas medidas que não foram especificamente dirigidas para frear o crédito, mas que mesmo assim podem ajudar. Em janeiro, na tentativa de reaver receita perdida depois de o Congresso ter abandonado a cobrança de um imposto de 0,38% que incidia sobre saques bancários, o governo dobrou o tributo chamado IOF sobre empréstimos bancários, de 1,5% para 3,38%. Naquele mesmo mês o governo brasileiro também impôs uma exigência de reserva mais elevada sobre operações de leasing, numa medida que deverá enxugar até R$ 40 bilhões de liquidez do mercado, mas que não conseguiu conter a expansão do crédito.
A economia brasileira está se expandindo a uma taxa anual de quase 6% e os consumidores continuam comprando a um ritmo ainda mais acelerado. As vendas anuais no varejo cresceram em mais de 19% desde janeiro e não dão sinais de moderação. As vendas de automóveis novos atingiram um recorde no primeiro semestre de 2008 e ficaram quase 30% acima do resultado no mesmo período do ano anterior. O uso de financiamento imobiliário para a compra da casa própria só está começando, mas os sinais do apetite insaciável dos brasileiros por crédito já estão claros. Empréstimos a pessoas que compram moradias ainda correspondem a apenas R$ 3,1 bilhões, mas a taxa de crescimento é espantosa: 89% nos 12 meses passados, de acordo com o BC.
Se, por um lado, a inflação acelera e os consumidores não demonstram nenhum comedimento, o governo, por sua vez, está preocupado com a possibilidade de que qualquer providência que venha a tomar para conter o crédito, além dos aumentos nos juros, produzirá uma desaceleração econômica antes das eleições municipais de outubro. O controle das pressões inflacionárias, portanto, recaiu quase inteiramente sobre o Banco Central. Além disso, deixar a moeda se apreciar contra o dólar não é mais uma opção tão boa como foi no passado. As contas externas do Brasil estão se deteriorando. O superávit anual na balança comercial despencou, indo de US$ 48 bilhões no ano anterior, para US$ 31 bilhões em junho, e a conta-corrente ficou deficitária pela primeira vez desde 2003.
Provavelmente os brasileiros aprenderão a sua lição da forma mais difícil. Eles continuarão comprando e tomando crédito adicional até que a inflação tenha erodido os seus rendimentos a ponto de terem de escolher entre comprar pão ou pagar a próxima parcela da torradeira. O derradeiro recurso antes do calote nas prestações da loja será tomar crédito caro de curto prazo. A extensão de crédito a pessoas que entraram no cheque especial - os que pagam aquela taxa anual de 159% - aumentou 8,1% em junho na comparação com o ano anterior. Dinheiro emprestado a portadores de cartão de crédito aumentou ainda mais: 18%.
Mas o crédito de curto prazo não está surtindo efeito. De todas as pessoas que tomaram emprestado para comprar produtos, 14% já não conseguem quitar os seus empréstimos, numa elevação de 12% ante março, de acordo com o Banco Central. Acho melhor parar de pensar naquela TV de tela plana.
Alexandre Marinis é colunista da "Bloomberg News".
domingo, 3 de agosto de 2008
Nem sempre o barato sai caro
Jornal da Tarde
03/08/2008
Teste entre produtos de diversas marcas mostra que os de menor preço têm mesmo desempenho
Eleni Trindade, eleni.trindade@grupoestado.com.br
Preço mais alto não é sinônimo de qualidade máxima, pelo menos na hora de escolher uma câmera fotográfica digital. Essa foi a constatação da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), que realizou teste em 19 máquinas fotográficas digitais compactas de oito marcas. Os resultados mostram que é o preço que deve definir o item a ser comprado, já que os produtos analisados, com valores de R$ 799 a R$ 2,6 mil, têm qualidade de imagem e funções semelhantes.
Os especialistas recomendam: economize comprando a máquina certa para suas necessidades. Foram testadas câmeras da Panasonic, Sony, Casio, Fuji, Nikon, Olympus, Kodak e Samsung.
“Nem sempre o produto mais caro é o melhor. Um exemplo desse teste é o quesito foco. Praticamente todas as máquinas tiveram desempenhos aceitáveis”, afirma Alessandra Macedo, coordenadora da Área Técnica de Produtos da Pro Teste. Outro quesito avaliado pela entidade é o número de megapixels (MPx) do equipamento (unidade que mede a qualidade da resolução da imagem capturada).
Todas as câmeras foram bem sucedidas nesse item. Segundo Alessandra, elas têm quantidade de megapixels acima do necessário para o usuário comum. “Uma câmera com três megapixels já é suficiente para impressão de boa qualidade.”
A Pro Teste avaliou, ainda, nitidez, cores, distorção e captação de imagens. Para isso, as fotos foram analisadas no computador e após impressão em papel especial. “Constatamos que a reprodução de cores das máquinas, em geral, é pouco fiel à realidade no modo automático, ou seja, no modo em que o consumidor não precisa se preocupar em fazer configurações específicas para cada situação”, explica Alessandra.
As marcas Panasonic, Casio e Fuji dizem não ter o que contestar no teste. Sony, Samsung e Kodak preferiram não se manifestar.
A Olympus destaca que, em nenhum momento, foi procurada pela Pro Teste para prestar informações. Suas câmeras analisadas são de 2007, e que, hoje, já há modelos mais atualizados.
A Nikon informou que as câmeras L12, L15 e S50 não são mais fabricadas e que “novas versões foram lançadas para corrigir algumas deficiências apontadas”.
Pesquisa
Mas como escolher a melhor câmera sem gastar muito? “É preciso evitar a compra por impulso”, alerta Fátima Lemos, assistente de Direção do Procon de São Paulo. “As propagandas são muito convincentes e, se o consumidor não tomar cuidado, pode se decepcionar.”
Foi o que aconteceu com Leila Fonseca. “Vi o comercial, liguei e comprei porque me chamaram a atenção as funções informadas na TV. Falavam que ela tirava fotos de boa qualidade, além de ter função MP3 e gravar vídeos. Só que, se eu tirasse dez fotos, não tinha mais memória para usar as outras funções.” Como a compra foi feita por telefone, ela conseguiu desistir no prazo de sete dias como determina o artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor. “Agora, estou pesquisando para comprar outro modelo.”
Para evitar situações assim, é essencial se informar. “É preciso procurar o modelo que melhor atende suas expectativas e ter paciência para pesquisar, pois praticamente todos os meses as empresas fazem lançamentos. Uma vez escolhido o equipamento, procure entender suas funções e características e pesquisar preços em várias lojas”, aconselha Fátima Lemos.
A web designer Shirley Santos é um bom exemplo de consumidor que exige qualidade no equipamento. “Verifico qual máquina tem a melhor captação de luz e boa resolução das imagens. Pesquiso na internet as funções das máquinas, as configurações, a capacidade de armazenamento e o preço.”
FIQUE ATENTO
Leia atentamente o manual de instruções para configurar o
equipamento de acordo com o ambiente ou objeto fotografado
Para ocupar menos espaço na memória, configure a máquina para tirar fotos com resolução menor
Verifique durante a compra a capacidade de armazenamento do cartão de memória para não ter de comprar um acessório à parte
Em caso de defeito em equipamento novo, reclame ao fabricante. Se, após 30 dias, o problema não for resolvido, o consumidor tem o direito à troca do item ou devolução do dinheiro
Se o consumidor for obrigado a retornar à assistência técnica
várias vezes sem solução (dentro do prazo de 30 dias), tem direito à troca ou devolução sem ter de acumular mais 30 dias a cada ida à assistência
FONTES: Ourivaldo Barbosa do Valle, diretor da Confederação
Brasileira de Fotografia, e Fátima Lemos, do Procon-SP
03/08/2008
Teste entre produtos de diversas marcas mostra que os de menor preço têm mesmo desempenho
Eleni Trindade, eleni.trindade@grupoestado.com.br
Preço mais alto não é sinônimo de qualidade máxima, pelo menos na hora de escolher uma câmera fotográfica digital. Essa foi a constatação da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), que realizou teste em 19 máquinas fotográficas digitais compactas de oito marcas. Os resultados mostram que é o preço que deve definir o item a ser comprado, já que os produtos analisados, com valores de R$ 799 a R$ 2,6 mil, têm qualidade de imagem e funções semelhantes.
Os especialistas recomendam: economize comprando a máquina certa para suas necessidades. Foram testadas câmeras da Panasonic, Sony, Casio, Fuji, Nikon, Olympus, Kodak e Samsung.
“Nem sempre o produto mais caro é o melhor. Um exemplo desse teste é o quesito foco. Praticamente todas as máquinas tiveram desempenhos aceitáveis”, afirma Alessandra Macedo, coordenadora da Área Técnica de Produtos da Pro Teste. Outro quesito avaliado pela entidade é o número de megapixels (MPx) do equipamento (unidade que mede a qualidade da resolução da imagem capturada).
Todas as câmeras foram bem sucedidas nesse item. Segundo Alessandra, elas têm quantidade de megapixels acima do necessário para o usuário comum. “Uma câmera com três megapixels já é suficiente para impressão de boa qualidade.”
A Pro Teste avaliou, ainda, nitidez, cores, distorção e captação de imagens. Para isso, as fotos foram analisadas no computador e após impressão em papel especial. “Constatamos que a reprodução de cores das máquinas, em geral, é pouco fiel à realidade no modo automático, ou seja, no modo em que o consumidor não precisa se preocupar em fazer configurações específicas para cada situação”, explica Alessandra.
As marcas Panasonic, Casio e Fuji dizem não ter o que contestar no teste. Sony, Samsung e Kodak preferiram não se manifestar.
A Olympus destaca que, em nenhum momento, foi procurada pela Pro Teste para prestar informações. Suas câmeras analisadas são de 2007, e que, hoje, já há modelos mais atualizados.
A Nikon informou que as câmeras L12, L15 e S50 não são mais fabricadas e que “novas versões foram lançadas para corrigir algumas deficiências apontadas”.
Pesquisa
Mas como escolher a melhor câmera sem gastar muito? “É preciso evitar a compra por impulso”, alerta Fátima Lemos, assistente de Direção do Procon de São Paulo. “As propagandas são muito convincentes e, se o consumidor não tomar cuidado, pode se decepcionar.”
Foi o que aconteceu com Leila Fonseca. “Vi o comercial, liguei e comprei porque me chamaram a atenção as funções informadas na TV. Falavam que ela tirava fotos de boa qualidade, além de ter função MP3 e gravar vídeos. Só que, se eu tirasse dez fotos, não tinha mais memória para usar as outras funções.” Como a compra foi feita por telefone, ela conseguiu desistir no prazo de sete dias como determina o artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor. “Agora, estou pesquisando para comprar outro modelo.”
Para evitar situações assim, é essencial se informar. “É preciso procurar o modelo que melhor atende suas expectativas e ter paciência para pesquisar, pois praticamente todos os meses as empresas fazem lançamentos. Uma vez escolhido o equipamento, procure entender suas funções e características e pesquisar preços em várias lojas”, aconselha Fátima Lemos.
A web designer Shirley Santos é um bom exemplo de consumidor que exige qualidade no equipamento. “Verifico qual máquina tem a melhor captação de luz e boa resolução das imagens. Pesquiso na internet as funções das máquinas, as configurações, a capacidade de armazenamento e o preço.”
FIQUE ATENTO
Leia atentamente o manual de instruções para configurar o
equipamento de acordo com o ambiente ou objeto fotografado
Para ocupar menos espaço na memória, configure a máquina para tirar fotos com resolução menor
Verifique durante a compra a capacidade de armazenamento do cartão de memória para não ter de comprar um acessório à parte
Em caso de defeito em equipamento novo, reclame ao fabricante. Se, após 30 dias, o problema não for resolvido, o consumidor tem o direito à troca do item ou devolução do dinheiro
Se o consumidor for obrigado a retornar à assistência técnica
várias vezes sem solução (dentro do prazo de 30 dias), tem direito à troca ou devolução sem ter de acumular mais 30 dias a cada ida à assistência
FONTES: Ourivaldo Barbosa do Valle, diretor da Confederação
Brasileira de Fotografia, e Fátima Lemos, do Procon-SP
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Prepare-se para agosto
Valor Econômico
Por Angelo Pavini e Luciana Monteiro, de São Paulo
01/08/2008
Agosto costuma ter uma fama negativa, de mês agourento. Mas, depois de dois meses seguidos de queda da bolsa, com o Ibovespa recuando 18,03%, 8,48% só em julho, o investidor está mais do que escaldado para enfrentar o "mês do cachorro louco". Será preciso ficar de olho no comportamento da inflação, no Brasil e no exterior, na safra de balanços do segundo trimestre, nos preços das commodities, especialmente do petróleo, e na situação do sistema financeiro americano. Da combinação dessas variáveis deverá sair boa parte dos ganhos e das perdas de agosto.
Em julho, o Ibovespa não resistiu à realização de preços das commodities e às perdas dos balanços do setor financeiro lá fora. No ano, o índice perde 6,86%. E, para este mês, as perspectivas não são lá muito animadoras. No curto prazo, a bolsa brasileira pode ter uma certa recuperação, mas a mensagem é que ainda se espera um período de volatilidade nos mercados, diz Eduardo Roche, gerente de Análise da Modal Asset Management. "Não dá para dizer que, depois dessa forte realização recente e dessa alta do fim do mês, o mercado vai retomar a tendência de alta", diz.
Algum refresco para o mercado pode vir com as divulgações dos balanços do segundo trimestre neste início de mês. O Bradesco, no dia 4, e o Itaú, no dia 5, dão a largada nos números do setor de bancos, que devem vir bem melhores do que os vistos no exterior, especialmente nos EUA. O resultado da Vale, esperado na quarta, também promete boas novas, uma vez que trará o reajuste do minério de ferro de 71%, recuperando as quedas com o níquel no primeiro trimestre. Já Petrobras sai no dia 11 e pode ajudar a recuperar o papel.
Petrobras e Vale são fundamentais para a definição da tendência do Ibovespa. No caso da mineradora, a expectativa é com o preço das commodities e com uma eventual aquisição, cujo impacto no curto prazo vai depender do preço pago, das condições de financiamento e da importância estratégica que a compra terá para a Vale. Na Petrobras, além do preço do petróleo, há o impacto das discussões sobre a forma como o governo vai regular a exploração do pré-sal, se com aumento nos royalties ou com a criação de uma nova estatal.
Os balanços no exterior também podem ajudar a reduzir o receio em torno de uma recessão mundial, como ocorreu na semana passada, com os resultados das siderúrgicas internacionais mostrando números fortes de demanda. "Mas o investidor têm de ter cautela, pé no chão, pois o mercado ainda está muito sensível, as variáveis externas como inflação e crescimento continuam sem solução clara", explica Roche, da Modal. O fato de Petrobras e Vale serem muito líquidas, com 30% do Ibovespa, é um fator importante, pois se houver um retorno do investidor estrangeiro para a Bovespa, elas devem ser as primeiras beneficiadas.
No mês passado, as carteiras de Petrobras e Vale sofreram bastante, perdendo 26,07% e 24,13%, respectivamente, até o dia 28. No ano, os fundos compostos por ações da estatal perdem 19,86% e os da mineradora, 27,21%. Os números ainda não levam em conta a alta de 4,42% da ação da Petrobras e de 7,62% da Vale entre os dias 29 e 31.
A combinação de alta da inflação e elevação da taxa de juros deixa o ambiente inóspito para os investimentos em bolsa. "As perspectivas para os mercados emergentes são mais positivas no longo prazo, já que essas economias estão com seus sistemas financeiros mais saudáveis, pois não têm problemas de crédito", diz Francisco Meirelles de Andrade, sócio da Nest Investimentos. Para ele, nos próximos seis meses ou um ano, as bolsas mundiais devem continuar sofrendo. "A crise nos EUA não atingiu seu pico e, enquanto isso não acontece, o momento não é de compras", diz. "É prematuro achar que agora é um momento que traz oportunidade de compras."
Após a forte realização da bolsa no mês passado, os investidores devem ficar atentos às oportunidades, mas não esperar uma recuperação vigorosa, diz Nicholas Barbarisi, sócio da Hera Investment. "Há oportunidade, mas é preciso fracionar as compras, com foco maior nas 'blue chips' de commodities e bancos", afirma. "O mercado ainda pode apresentar novas perdas, mas, em caso de melhora do cenário, os papéis mais líquidos tendem a se recuperar mais rápido." Já as ações de menor liquidez, as "small caps", tendem a continuar esquecidas e as perspectivas de médio prazo não são animadoras, diz.
Agosto promete ser mais calmo, pelo menos em comparação a junho e julho, quando houve uma saída de R$ 15 bilhões em investimentos estrangeiros da bolsa, afirma Joaquim Kokudai, gestor de fundos multimercados e de renda fixa da Rio Bravo Investimentos. "Apesar de ser o mês do cachorro louco, a tendência é dar uma acomodada, tem muita ação barata e os bancos americanos já mostraram suas perdas no mês passado."
Por Angelo Pavini e Luciana Monteiro, de São Paulo
01/08/2008
Agosto costuma ter uma fama negativa, de mês agourento. Mas, depois de dois meses seguidos de queda da bolsa, com o Ibovespa recuando 18,03%, 8,48% só em julho, o investidor está mais do que escaldado para enfrentar o "mês do cachorro louco". Será preciso ficar de olho no comportamento da inflação, no Brasil e no exterior, na safra de balanços do segundo trimestre, nos preços das commodities, especialmente do petróleo, e na situação do sistema financeiro americano. Da combinação dessas variáveis deverá sair boa parte dos ganhos e das perdas de agosto.
Em julho, o Ibovespa não resistiu à realização de preços das commodities e às perdas dos balanços do setor financeiro lá fora. No ano, o índice perde 6,86%. E, para este mês, as perspectivas não são lá muito animadoras. No curto prazo, a bolsa brasileira pode ter uma certa recuperação, mas a mensagem é que ainda se espera um período de volatilidade nos mercados, diz Eduardo Roche, gerente de Análise da Modal Asset Management. "Não dá para dizer que, depois dessa forte realização recente e dessa alta do fim do mês, o mercado vai retomar a tendência de alta", diz.
Algum refresco para o mercado pode vir com as divulgações dos balanços do segundo trimestre neste início de mês. O Bradesco, no dia 4, e o Itaú, no dia 5, dão a largada nos números do setor de bancos, que devem vir bem melhores do que os vistos no exterior, especialmente nos EUA. O resultado da Vale, esperado na quarta, também promete boas novas, uma vez que trará o reajuste do minério de ferro de 71%, recuperando as quedas com o níquel no primeiro trimestre. Já Petrobras sai no dia 11 e pode ajudar a recuperar o papel.
Petrobras e Vale são fundamentais para a definição da tendência do Ibovespa. No caso da mineradora, a expectativa é com o preço das commodities e com uma eventual aquisição, cujo impacto no curto prazo vai depender do preço pago, das condições de financiamento e da importância estratégica que a compra terá para a Vale. Na Petrobras, além do preço do petróleo, há o impacto das discussões sobre a forma como o governo vai regular a exploração do pré-sal, se com aumento nos royalties ou com a criação de uma nova estatal.
Os balanços no exterior também podem ajudar a reduzir o receio em torno de uma recessão mundial, como ocorreu na semana passada, com os resultados das siderúrgicas internacionais mostrando números fortes de demanda. "Mas o investidor têm de ter cautela, pé no chão, pois o mercado ainda está muito sensível, as variáveis externas como inflação e crescimento continuam sem solução clara", explica Roche, da Modal. O fato de Petrobras e Vale serem muito líquidas, com 30% do Ibovespa, é um fator importante, pois se houver um retorno do investidor estrangeiro para a Bovespa, elas devem ser as primeiras beneficiadas.
No mês passado, as carteiras de Petrobras e Vale sofreram bastante, perdendo 26,07% e 24,13%, respectivamente, até o dia 28. No ano, os fundos compostos por ações da estatal perdem 19,86% e os da mineradora, 27,21%. Os números ainda não levam em conta a alta de 4,42% da ação da Petrobras e de 7,62% da Vale entre os dias 29 e 31.
A combinação de alta da inflação e elevação da taxa de juros deixa o ambiente inóspito para os investimentos em bolsa. "As perspectivas para os mercados emergentes são mais positivas no longo prazo, já que essas economias estão com seus sistemas financeiros mais saudáveis, pois não têm problemas de crédito", diz Francisco Meirelles de Andrade, sócio da Nest Investimentos. Para ele, nos próximos seis meses ou um ano, as bolsas mundiais devem continuar sofrendo. "A crise nos EUA não atingiu seu pico e, enquanto isso não acontece, o momento não é de compras", diz. "É prematuro achar que agora é um momento que traz oportunidade de compras."
Após a forte realização da bolsa no mês passado, os investidores devem ficar atentos às oportunidades, mas não esperar uma recuperação vigorosa, diz Nicholas Barbarisi, sócio da Hera Investment. "Há oportunidade, mas é preciso fracionar as compras, com foco maior nas 'blue chips' de commodities e bancos", afirma. "O mercado ainda pode apresentar novas perdas, mas, em caso de melhora do cenário, os papéis mais líquidos tendem a se recuperar mais rápido." Já as ações de menor liquidez, as "small caps", tendem a continuar esquecidas e as perspectivas de médio prazo não são animadoras, diz.
Agosto promete ser mais calmo, pelo menos em comparação a junho e julho, quando houve uma saída de R$ 15 bilhões em investimentos estrangeiros da bolsa, afirma Joaquim Kokudai, gestor de fundos multimercados e de renda fixa da Rio Bravo Investimentos. "Apesar de ser o mês do cachorro louco, a tendência é dar uma acomodada, tem muita ação barata e os bancos americanos já mostraram suas perdas no mês passado."
CVM flexibiliza regras para fundos com cotas em bolsa
Valor Econômico
Por Catherine Vieira, do Rio
01/08/2008
A partir de agora, poderá ficar mais fácil investir em fundos semelhantes aos do Papéis Índice Brasil Bovespa (PIBB), que foi formatado pelo BNDES e reproduz o índice IBrx-50. Ontem, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu flexibilizar, por meio de uma análise caso a caso, alguns requisitos de estruturação, emissão, registro e distribuição de cotas de fundos de índices de mercado. Conhecidos como Exchange-Traded Funds (ETF) no mercado externo, esses fundos são parecidos com os diversos fundos de índices que já existem no mercado local sob o ponto de vista da composição da carteira, mas guardam semelhanças com o PIBB por serem negociados em bolsa.
De acordo com o superintendente de relações com investidores institucionais da CVM, Carlos Alberto Rebello Sobrinho, a decisão da autarquia de analisar dispensas de requisitos caso a caso poderá viabilizar fundos de índices que não sejam apenas aqueles que comportam as empresas mais líquidas. "As regras exigem que o fundo replique a carteira de um índice, na exata proporção, mas como alguns índices são compostos por empresas que não têm ampla liquidez, isso se tornava um fator que dificultava a criação de algumas carteiras", explica.
Em alguns países, nos quais o mercado de ETFs já é mais desenvolvido, as instituições buscam resolver os problemas dos ativos com baixa liquidez e que fazem parte dos índices a serem seguidos com operações que envolvem outros ativos e que possuem alta correlação com eles, por exemplo. Nos Estados Unidos, o Barclays criou um sistema especialmente dedicado a esse mercado, chamado Ishares, com uma grande família de ETFs, ou seja, fundos de índice de mercado de diversos tipos.
Com isso, é possível que surjam produtos semelhantes ao PIBB, porém, replicando inúmeros outros índices sejam eles setoriais ou com um determinado foco, como governança ou sustentabilidade. A Bovespa vem criando ao longo dos anos diversos indicadores que poderão servir de base para esses fundos nos moldes dos ETFs.
Na visão da CVM, os ETFs são produtos que podem ser interessantes para o mercado local por serem uma alternativa de aplicação em fundo de ações a um custo mais baixo. Isso porque a taxa de administração costuma ser menor em produtos como o PIBB do que nos fundos abertos de ações que replicam índices.
No comunicado divulgado ontem, a autarquia ressaltou que há evidências de que fundos como os ETFs ajudam a aumentar a liquidez dos ativos que compõem os índices seguidos. "Produtos como os ETFs podem contribuir para a diversificação de riscos dos investidores e para o aumento da competição entre produtos de investimento e, por isso, são desejáveis", diz a nota da autarquia.
Por enquanto, o colegiado da CVM decidiu apenas analisar caso a caso as possibilidades de dispensa ou abrandamento de requisitos da Instrução 359, que rege esses fundos. Porém, a autarquia não descarta uma futura mudança nas regras, caso as experiências indiquem que esse é o melhor caminho e vai ouvir também as sugestões do mercado sobre o assunto.
Por Catherine Vieira, do Rio
01/08/2008
A partir de agora, poderá ficar mais fácil investir em fundos semelhantes aos do Papéis Índice Brasil Bovespa (PIBB), que foi formatado pelo BNDES e reproduz o índice IBrx-50. Ontem, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) decidiu flexibilizar, por meio de uma análise caso a caso, alguns requisitos de estruturação, emissão, registro e distribuição de cotas de fundos de índices de mercado. Conhecidos como Exchange-Traded Funds (ETF) no mercado externo, esses fundos são parecidos com os diversos fundos de índices que já existem no mercado local sob o ponto de vista da composição da carteira, mas guardam semelhanças com o PIBB por serem negociados em bolsa.
De acordo com o superintendente de relações com investidores institucionais da CVM, Carlos Alberto Rebello Sobrinho, a decisão da autarquia de analisar dispensas de requisitos caso a caso poderá viabilizar fundos de índices que não sejam apenas aqueles que comportam as empresas mais líquidas. "As regras exigem que o fundo replique a carteira de um índice, na exata proporção, mas como alguns índices são compostos por empresas que não têm ampla liquidez, isso se tornava um fator que dificultava a criação de algumas carteiras", explica.
Em alguns países, nos quais o mercado de ETFs já é mais desenvolvido, as instituições buscam resolver os problemas dos ativos com baixa liquidez e que fazem parte dos índices a serem seguidos com operações que envolvem outros ativos e que possuem alta correlação com eles, por exemplo. Nos Estados Unidos, o Barclays criou um sistema especialmente dedicado a esse mercado, chamado Ishares, com uma grande família de ETFs, ou seja, fundos de índice de mercado de diversos tipos.
Com isso, é possível que surjam produtos semelhantes ao PIBB, porém, replicando inúmeros outros índices sejam eles setoriais ou com um determinado foco, como governança ou sustentabilidade. A Bovespa vem criando ao longo dos anos diversos indicadores que poderão servir de base para esses fundos nos moldes dos ETFs.
Na visão da CVM, os ETFs são produtos que podem ser interessantes para o mercado local por serem uma alternativa de aplicação em fundo de ações a um custo mais baixo. Isso porque a taxa de administração costuma ser menor em produtos como o PIBB do que nos fundos abertos de ações que replicam índices.
No comunicado divulgado ontem, a autarquia ressaltou que há evidências de que fundos como os ETFs ajudam a aumentar a liquidez dos ativos que compõem os índices seguidos. "Produtos como os ETFs podem contribuir para a diversificação de riscos dos investidores e para o aumento da competição entre produtos de investimento e, por isso, são desejáveis", diz a nota da autarquia.
Por enquanto, o colegiado da CVM decidiu apenas analisar caso a caso as possibilidades de dispensa ou abrandamento de requisitos da Instrução 359, que rege esses fundos. Porém, a autarquia não descarta uma futura mudança nas regras, caso as experiências indiquem que esse é o melhor caminho e vai ouvir também as sugestões do mercado sobre o assunto.
quarta-feira, 30 de julho de 2008
Rentabilidade de prefixados dispara com alta da Selic
Valor Econômico
Por Adriana Cotias, de São Paulo
30/07/2008
A alta da Selic na semana passada, em proporção maior do que muitos previam, pegou os gestores de renda fixa na mão certa. O aumento de 0,75 ponto percentual imposto pelo Comitê de Política Monetária (Copom) ao juro primário, para 13% ao ano, representou um adicional e tanto nas cotas dos fundos prefixados passivos, que têm o compromisso de aplicar em ativos com rentabilidade definida no momento da compra ou se valem de derivativos na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).
O resultado se observa no desempenho desses fundos em julho. Até o dia 25, as carteiras prefixadas tinham um retorno de 1,86% em comparação ao 0,73% dos referenciados DI ou o 0,50% dos portfólios atrelados a índices de preços. O CDI ficou em 0,87% no período. Os dados são do site financeiro Fortuna.
Tradicionalmente comprados em taxas longas (apostando na queda dos juros no decorrer do tempo), os portfólios prefixados levaram a melhor justamente porque o remédio do juro veio em dose maior do que o 0,50 ponto percentual projetado pela maioria dos analistas. O ajuste teve o efeito de pressionar as taxas das Letras do Tesouro Nacional (LTN, prefixada) e contratos de depósitos interfinanceiros (DI) curtos, ao mesmo tempo em que suavizou os prêmios embutidos nos papéis com prazo acima de dois anos.
"No longo prazo a curva (de juros) está invertida e a alta da Selic só pronunciou essa tendência", diz o economista Marcelo D'Agosto, diretor do Fortuna. Tal comportamento explica-se pela leitura de que a aceleração do aumento do juro de curto prazo surtirá resultado mais rápido no controle dos índices de custo de vida logo adiante. "Ao ser mais conservador, o Banco Central (BC) passou a mensagem de que será vigilante e não deixará a inflação escapar do controle", diz o gestor de Renda Fixa da Unibanco Asset Management (UAM) Paulo Certain.
Enquanto as taxas dos DIs com vencimento em 2008 e 2009 subiram para se adaptar à aceleração do ciclo de alta, os contratos de 2010 seguiram a rota contrária. Conforme exemplifica Certain, o DI de janeiro, que chegou a bater 15,48% ao ano, ontem era negociado a 14,91%. O contrato com vencimento em 2012 caiu de 15,2% no início do mês para os atuais 14,29%. Para a UAM, a Selic fecha o ano em 15%, tem mais um ajuste de 0,25 ponto percentual no início de 2009, mas já começa a cair a partir do segundo semestre, virando 2010 a 13,5% ao ano. Se tal previsão se concretizar, vale investir em fundos de renda fixa que tenham prefixados longos, defende.
Em julho, quem possuía esses papéis registrou um lucro contábil na marcação a mercado, explica o operador da SLW Corretora Rogério Adriani Rosa. Isso ocorreu porque a redução das taxas longas vem acompanhada pela alta do preço unitário dos papéis, valorizando, portanto, os ativos que estavam nos portfólios.
O aumento do diferencial de juros locais e externos também elevou a atratividade dos prefixados aos olhos do investidor estrangeiro, resultando em demanda extra, conta Renato Ramos, diretor de Renda Fixa, da HSBC Global Asset Managment. Maior procura significa preços mais altos - e taxas em queda. Isso não quer dizer que os prefixados serão uma aposta de lucro certeira, adverte. O cenário para a renda fixa permanece nebuloso, com a inflação mundial de alimentos e a alta das commodities jogando uma sombra sobre o futuro da política monetária brasileira. "Neste momento, talvez seja melhor privilegiar títulos de inflação." As projeções da HSBC são de IPCA em 6,5% neste ano, caindo a 5% em 2009, com a Selic em 14,75% em dezembro próximo, cedendo a 14% no fim de 2009.
Na conta de 2008, os fundos prefixados ainda ficam para trás, com rentabilidade de 4,37%, quando comparados às carteiras que têm os índices de preços como referência, com retorno de 5,84%, ou os DIs, com 5,12%. Todos aquém do CDI, em 6,31%. Isso explica por que os portfólios de renda fixa perderam R$ 16,6 bilhões do patrimônio nos sete primeiros meses do ano - só em julho, as saídas líquida alcançaram R$ 3,1 bilhões. Os multimercados tiveram desempenho pior, perdendo R$ 22,2 bilhões no ano e R$ 2,7 bilhões no mês, até o dia 25
Por Adriana Cotias, de São Paulo
30/07/2008
A alta da Selic na semana passada, em proporção maior do que muitos previam, pegou os gestores de renda fixa na mão certa. O aumento de 0,75 ponto percentual imposto pelo Comitê de Política Monetária (Copom) ao juro primário, para 13% ao ano, representou um adicional e tanto nas cotas dos fundos prefixados passivos, que têm o compromisso de aplicar em ativos com rentabilidade definida no momento da compra ou se valem de derivativos na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).
O resultado se observa no desempenho desses fundos em julho. Até o dia 25, as carteiras prefixadas tinham um retorno de 1,86% em comparação ao 0,73% dos referenciados DI ou o 0,50% dos portfólios atrelados a índices de preços. O CDI ficou em 0,87% no período. Os dados são do site financeiro Fortuna.
Tradicionalmente comprados em taxas longas (apostando na queda dos juros no decorrer do tempo), os portfólios prefixados levaram a melhor justamente porque o remédio do juro veio em dose maior do que o 0,50 ponto percentual projetado pela maioria dos analistas. O ajuste teve o efeito de pressionar as taxas das Letras do Tesouro Nacional (LTN, prefixada) e contratos de depósitos interfinanceiros (DI) curtos, ao mesmo tempo em que suavizou os prêmios embutidos nos papéis com prazo acima de dois anos.
"No longo prazo a curva (de juros) está invertida e a alta da Selic só pronunciou essa tendência", diz o economista Marcelo D'Agosto, diretor do Fortuna. Tal comportamento explica-se pela leitura de que a aceleração do aumento do juro de curto prazo surtirá resultado mais rápido no controle dos índices de custo de vida logo adiante. "Ao ser mais conservador, o Banco Central (BC) passou a mensagem de que será vigilante e não deixará a inflação escapar do controle", diz o gestor de Renda Fixa da Unibanco Asset Management (UAM) Paulo Certain.
Enquanto as taxas dos DIs com vencimento em 2008 e 2009 subiram para se adaptar à aceleração do ciclo de alta, os contratos de 2010 seguiram a rota contrária. Conforme exemplifica Certain, o DI de janeiro, que chegou a bater 15,48% ao ano, ontem era negociado a 14,91%. O contrato com vencimento em 2012 caiu de 15,2% no início do mês para os atuais 14,29%. Para a UAM, a Selic fecha o ano em 15%, tem mais um ajuste de 0,25 ponto percentual no início de 2009, mas já começa a cair a partir do segundo semestre, virando 2010 a 13,5% ao ano. Se tal previsão se concretizar, vale investir em fundos de renda fixa que tenham prefixados longos, defende.
Em julho, quem possuía esses papéis registrou um lucro contábil na marcação a mercado, explica o operador da SLW Corretora Rogério Adriani Rosa. Isso ocorreu porque a redução das taxas longas vem acompanhada pela alta do preço unitário dos papéis, valorizando, portanto, os ativos que estavam nos portfólios.
O aumento do diferencial de juros locais e externos também elevou a atratividade dos prefixados aos olhos do investidor estrangeiro, resultando em demanda extra, conta Renato Ramos, diretor de Renda Fixa, da HSBC Global Asset Managment. Maior procura significa preços mais altos - e taxas em queda. Isso não quer dizer que os prefixados serão uma aposta de lucro certeira, adverte. O cenário para a renda fixa permanece nebuloso, com a inflação mundial de alimentos e a alta das commodities jogando uma sombra sobre o futuro da política monetária brasileira. "Neste momento, talvez seja melhor privilegiar títulos de inflação." As projeções da HSBC são de IPCA em 6,5% neste ano, caindo a 5% em 2009, com a Selic em 14,75% em dezembro próximo, cedendo a 14% no fim de 2009.
Na conta de 2008, os fundos prefixados ainda ficam para trás, com rentabilidade de 4,37%, quando comparados às carteiras que têm os índices de preços como referência, com retorno de 5,84%, ou os DIs, com 5,12%. Todos aquém do CDI, em 6,31%. Isso explica por que os portfólios de renda fixa perderam R$ 16,6 bilhões do patrimônio nos sete primeiros meses do ano - só em julho, as saídas líquida alcançaram R$ 3,1 bilhões. Os multimercados tiveram desempenho pior, perdendo R$ 22,2 bilhões no ano e R$ 2,7 bilhões no mês, até o dia 25
terça-feira, 29 de julho de 2008
Caderneta brilha menos
Valor Econômico
Por Luciana Monteiro e Alessandra Bellotto, de São Paulo
29/07/2008
Depois de competir em pé de igualdade com os fundos mais conservadores de renda fixa, a boa e velha caderneta de poupança perdeu parte de seu brilho. Com a alta da taxa de juros, hoje em 13% ao ano, para conter as pressões inflacionárias, mesmo os fundos DI ou de curto prazo que cobram salgadas taxas de administração ficaram mais atrativos ante a caderneta, algo que havia mudado quando a trajetória da Selic era de queda.
Quanto maior a taxa de juros, melhor será a rentabilidade dos fundos mais tradicionais ante o retorno da caderneta, que oferece a variação da Taxa Referencial (TR) mais 6% ao ano. E essa relação deve ficar ainda mais desfavorável para a poupança caso se confirmem as projeções de mercado de 14,25% para a taxa Selic no fim do ano. Sem falar do investidor que tem horizonte de longo prazo, em que o imposto de renda nos fundos de renda fixa cai.
Há um ano e meio, quando a taxa Selic estava em 11,75% ao ano, só os fundos com taxa de administração abaixo de 2% conseguiam superar os ganhos da poupança para prazos acima de um ano. Hoje, uma carteira que cobre 3% já rende mais que a caderneta, dependendo do prazo da aplicação.
Simulação feita pelo Valor Data mostra que, mesmo considerando-se as projeções de 14,25% para a Selic no fim do ano, os fundos DI com taxa de administração acima de 3% ao ano ainda perdem para a caderneta de poupança no curto prazo. Isso ocorre por causa do imposto de renda maior cobrado no fundo. Pelos cálculos, num prazo de seis meses, o aplicador de um DI receberia 4,18%, para 4,27% da poupança, que é isenta. A projeção considera o imposto de renda regressivo para os fundos de renda fixa - de 22,5% para aplicações de até seis meses; de 20% para mais de seis meses a um ano; de 17,5% de um ano a dois; e de 15% acima de dois anos.
A situação muda quando se olha o longo prazo. Para as aplicações com prazo superior a dois anos, o ganho desses fundos seria de 20,24%, para 18,22% da poupança. Vale lembrar, no entanto, que a simulação considera a Selic sem alterações nesse período, o que pode não acontecer.
Isso quer dizer que, independente da taxa de administração, é um bom negócio trocar a caderneta por um fundo DI? Não é bem assim. Numa carteira que cobre 4% ao ano, a poupança só deixa de ser interessante para investimentos acima de dois anos. Nesse caso, o ganho líquido do fundo seria de 18,59%, para 18,22%.
Mas, nessa história toda, o aplicador deve considerar também que a própria poupança deve ter um rendimento maior. Isso porque a Taxa Referencial (TR), que corrige a aplicação, é calculada com base na rentabilidade média dos Certificados de Depósito Bancário (CDB) e dos Recibos de Depósito Bancário (RDB), cujas taxas acompanham a alta da Selic. Sobre essa média, chamada de Taxa Básica Financeira (TBF), é aplicado um redutor. Pelas projeções do mercado, a TR de julho deve ficar em 0,22%, para 0,11% de junho, elevando o ganho da poupança para 0,70% no mês. "No início do ano, a poupança não rendia mais que 0,60%", ressalta Felipe Vaz, gerente de investimentos do Banco Real.
A diferença entre o ganho da caderneta de poupança e a rentabilidade dos fundos ainda é muito pequena, diz Marcos Villanova, superintendente executivo da área de investimentos do Bradesco. "Quem é poupador da caderneta não deve mexer em seus investimentos, porque a diferença é muito pequena, mas isso vai mudar se a Selic for para 14% ao ano", diz.
Mas mesmo mais interessantes que a caderneta no longo prazo, o investidor não deve se acomodar com fundos mais caros, diz Rodrigo Menon, sócio da Beta Advisors. "A Selic agora está em alta, mas o mercado projeta queda dos juros a partir do segundo semestre do ano que vem", lembra. "É interessante que o investidor procure desde já alternativas mais baratas", diz Menon, lembrando, no entanto, que é difícil para o pequeno poupador ter acesso a taxas de administração na faixa de 1% em fundos DI. "Mas ele pode recorrer ao Tesouro Direto, onde a concorrência de taxa é maior."
A caderneta perdeu terreno com a alta dos juros e, no caso dos fundos DI, eles ainda podem ser beneficiados pelas taxas melhores oferecidas hoje pelos CDBs, diz Marcia Dessen, sócia da Bankrisk Consultoria e Treinamento. Isso porque, por lei, os fundos referenciados precisam ter 80% de sua carteira em títulos pós-fixados do Tesouro Nacional ou de emissores classificados como de baixo risco, onde entram os CDBs. Para obter retornos maiores, alguns gestores costumam colocar uma pitada desses títulos privados na carteira.
A poupança sempre foi muito procurada pelos investidores mais tradicionais e deve continuar atraindo recursos, diz Fabio Colombo, administrador de investimentos. Ele ressalta, no entanto, que ela é mais indicada para quem tem até R$ 60 mil, limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). "Acima desse valor, o poupador começa a correr o risco de crédito da instituição."
No fundo DI, que aplica majoritariamente em títulos públicos pós-fixados, o risco que o investidor corre é o de o governo não honrar o pagamento da dívida, o que é hoje improvável. Além disso, Colombo destaca que o fundo conta com liquidez diária, enquanto que a poupança tem dia certo para sacar os recursos se o aplicador não quiser perder os rendimentos.
Por Luciana Monteiro e Alessandra Bellotto, de São Paulo
29/07/2008
Depois de competir em pé de igualdade com os fundos mais conservadores de renda fixa, a boa e velha caderneta de poupança perdeu parte de seu brilho. Com a alta da taxa de juros, hoje em 13% ao ano, para conter as pressões inflacionárias, mesmo os fundos DI ou de curto prazo que cobram salgadas taxas de administração ficaram mais atrativos ante a caderneta, algo que havia mudado quando a trajetória da Selic era de queda.
Quanto maior a taxa de juros, melhor será a rentabilidade dos fundos mais tradicionais ante o retorno da caderneta, que oferece a variação da Taxa Referencial (TR) mais 6% ao ano. E essa relação deve ficar ainda mais desfavorável para a poupança caso se confirmem as projeções de mercado de 14,25% para a taxa Selic no fim do ano. Sem falar do investidor que tem horizonte de longo prazo, em que o imposto de renda nos fundos de renda fixa cai.
Há um ano e meio, quando a taxa Selic estava em 11,75% ao ano, só os fundos com taxa de administração abaixo de 2% conseguiam superar os ganhos da poupança para prazos acima de um ano. Hoje, uma carteira que cobre 3% já rende mais que a caderneta, dependendo do prazo da aplicação.
Simulação feita pelo Valor Data mostra que, mesmo considerando-se as projeções de 14,25% para a Selic no fim do ano, os fundos DI com taxa de administração acima de 3% ao ano ainda perdem para a caderneta de poupança no curto prazo. Isso ocorre por causa do imposto de renda maior cobrado no fundo. Pelos cálculos, num prazo de seis meses, o aplicador de um DI receberia 4,18%, para 4,27% da poupança, que é isenta. A projeção considera o imposto de renda regressivo para os fundos de renda fixa - de 22,5% para aplicações de até seis meses; de 20% para mais de seis meses a um ano; de 17,5% de um ano a dois; e de 15% acima de dois anos.
A situação muda quando se olha o longo prazo. Para as aplicações com prazo superior a dois anos, o ganho desses fundos seria de 20,24%, para 18,22% da poupança. Vale lembrar, no entanto, que a simulação considera a Selic sem alterações nesse período, o que pode não acontecer.
Isso quer dizer que, independente da taxa de administração, é um bom negócio trocar a caderneta por um fundo DI? Não é bem assim. Numa carteira que cobre 4% ao ano, a poupança só deixa de ser interessante para investimentos acima de dois anos. Nesse caso, o ganho líquido do fundo seria de 18,59%, para 18,22%.
Mas, nessa história toda, o aplicador deve considerar também que a própria poupança deve ter um rendimento maior. Isso porque a Taxa Referencial (TR), que corrige a aplicação, é calculada com base na rentabilidade média dos Certificados de Depósito Bancário (CDB) e dos Recibos de Depósito Bancário (RDB), cujas taxas acompanham a alta da Selic. Sobre essa média, chamada de Taxa Básica Financeira (TBF), é aplicado um redutor. Pelas projeções do mercado, a TR de julho deve ficar em 0,22%, para 0,11% de junho, elevando o ganho da poupança para 0,70% no mês. "No início do ano, a poupança não rendia mais que 0,60%", ressalta Felipe Vaz, gerente de investimentos do Banco Real.
A diferença entre o ganho da caderneta de poupança e a rentabilidade dos fundos ainda é muito pequena, diz Marcos Villanova, superintendente executivo da área de investimentos do Bradesco. "Quem é poupador da caderneta não deve mexer em seus investimentos, porque a diferença é muito pequena, mas isso vai mudar se a Selic for para 14% ao ano", diz.
Mas mesmo mais interessantes que a caderneta no longo prazo, o investidor não deve se acomodar com fundos mais caros, diz Rodrigo Menon, sócio da Beta Advisors. "A Selic agora está em alta, mas o mercado projeta queda dos juros a partir do segundo semestre do ano que vem", lembra. "É interessante que o investidor procure desde já alternativas mais baratas", diz Menon, lembrando, no entanto, que é difícil para o pequeno poupador ter acesso a taxas de administração na faixa de 1% em fundos DI. "Mas ele pode recorrer ao Tesouro Direto, onde a concorrência de taxa é maior."
A caderneta perdeu terreno com a alta dos juros e, no caso dos fundos DI, eles ainda podem ser beneficiados pelas taxas melhores oferecidas hoje pelos CDBs, diz Marcia Dessen, sócia da Bankrisk Consultoria e Treinamento. Isso porque, por lei, os fundos referenciados precisam ter 80% de sua carteira em títulos pós-fixados do Tesouro Nacional ou de emissores classificados como de baixo risco, onde entram os CDBs. Para obter retornos maiores, alguns gestores costumam colocar uma pitada desses títulos privados na carteira.
A poupança sempre foi muito procurada pelos investidores mais tradicionais e deve continuar atraindo recursos, diz Fabio Colombo, administrador de investimentos. Ele ressalta, no entanto, que ela é mais indicada para quem tem até R$ 60 mil, limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). "Acima desse valor, o poupador começa a correr o risco de crédito da instituição."
No fundo DI, que aplica majoritariamente em títulos públicos pós-fixados, o risco que o investidor corre é o de o governo não honrar o pagamento da dívida, o que é hoje improvável. Além disso, Colombo destaca que o fundo conta com liquidez diária, enquanto que a poupança tem dia certo para sacar os recursos se o aplicador não quiser perder os rendimentos.
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